PAISAGISMO 2: Praça da Soledade e Jardim Secreto da Soledade

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PRAÇA

SOLEDADE

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO PAISAGISMO II ALUNAS: ALLANA XAVIER, CAMILLA SASSI, CATARINA TAI E SUÍVINI ROCHA ORIENTADORA: MARIA DE LOURDES NÓBREGA


O presente trabalho consiste em uma proposta de intervenção paisagística na Praça da Soledade e nas ruas que a circundam, tendo como base o conceitos dos 10 Passos da Caminhabilidade (SPECK, 2016) e os princípios da distinguibilidade de Camillo Boito, os quais auxiliam no desenvolvimento do urbanismo sustentável onde o pedestre retoma ao seu protagonismo e as preexistências são resguardadas e valorizadas. O objeto de estudo, nesse sentido, torna-se de enorme potencial urbano ao compreender sua localização histórica no bairro da Soledade e sua proximidade com edificações importantes, como a Igreja da Soledade, Congregação de Santa Dorotéia e a Escola Liceu Nóbrega, e com o Eixo Metropolitano da Av. Conde da Boa Vista. De início, tornou-se importante aderir o primeiro passo da caminhabilidade e colocar o automóvel em seu devido lugar através do redesenho da Rua da Soledade e da R. João Fernandes Vieira. Em ambas as vias foi proposta uma faixa de rolamento de 3,00 metros de largura e 2,50 metros destinados à continuação da ciclofaixa (passo 6: acolher as bicicletas), totalizando 5,50 metros de via, aproximadamente. A partir de tal intervenção, algumas calçadas foram alargadas e foi possível implantar novas árvores (passo 8: plantar árvores), sem afetar a continuidade dos passeios, gerando uma caminhada confortável. Como consequência de tal acréscimo, tornou-se necessário restaurar o piso preexistente da calçada da Igreja da Soledade - placas de concreto - e da Congregação de Santa Dorotéia - pedras portuguesas - para prezar pelo conceito de distinguibilidade defendido por Boito. O restante das calçadas, tanto o perímetro antigo quanto o acrescentado, terá intervenção em sua paginação com piso intertravado, com exceção do perímetro da Praça, cuja paginação apresentará o piso drenante da linha Drenaggio da Solarium Revestimentos pela sua resistência e permeabilidade. É importante ressaltar, ainda, a proposta de uma rua compartilhada frente à Igreja de modo a valorizar a vista da mesma, dar continuidade ao fluxo e proteger o pedestre - passo 5. Quanto à Praça da Soledade, buscou-se por uma reforma com o objetivo de torná-la mais atrativa para os transeuntes, visto que atualmente ela se passa como despercebida por não ser convidativa devido à sombras discretas do pé de Jasmim - a maior árvore do local - e às sombras insuficientes das demais mudas pequenas. Outro fator importante é a falta de mobiliários urbanos, como bancos e mesas, dificultando ainda mais a estadia no local. Os corajosos que tentam habitar o local tem que sentar numa pequena mureta de concreto que circunda as partes do jardim, mobiliário esse que torna ainda mais difícil a permeabilidade e fluidez dos fluxos de pedestres.

A paginação deu início a partir do desenvolvimento de uma malha ortogonal de 1m x 1m que segue o eixo da Rua da Soledade, com o intuito de servir como base na disposição das atividades, dos fluxos, dos mobiliários urbanos e dos espaços verdes, sendo possível uma maior regularização do desenho paisagístico. Dentro dessa malha foram dispostos triângulos e retângulos, uma hora separados, outrora aglutinados, o que gerou formas geométricas distintas que passaram a exercer papéis diferentes na paginação. Em alguns momentos, o piso Drenaggio (0,50m x 0,50m) aparece em uma tonalidade cinza e outros na cor bege, enquanto a grama aparece para compor a paisagem e gerar espaços agradáveis (passo 7: criar bons espaços). Essas formas e suas diferentes cores, surgiram para trazer uma maior dinamicidade e movimento não apenas na Praça da Soledade, mas também o desenho continua na rua compartilhada. A proposta teve como objetivo homenagear a construção de maior destaque da área, que é a Igreja de Nossa Senhora da Soledade, e por isso a rua compartilhada se mostra como um pequeno pátio em sua frente, de forma a existir espaço para sua contemplação. Para preservar e não bloquear a vista da Igreja, não foram implantadas árvores na esquina da Rua da Soledade com a Rua João Fernandes Vieira, apenas foram disponibilizados bancos e áreas verdes para que as pessoas pudessem admirá-la. Ainda, com o intuito de estimular ainda mais utilização da praça, foi inserido um espaço de estar com mesas destinadas ao restaurante e à lanchonete existentes para que seja possível agregar mais consumidores através da extensão gerada. Na parte de frente ao convento foram dispostas as árvores, tanto com o objetivo de proteger esses locais de estar, como também para ajudar a criar um microclima mais agradável para a região, que é um tanto seca, já que quase não existe vegetação nessa parte do bairro da Soledade. A falta de iluminação pública é uma realidade na atual praça, por isso a inserção de postes para pedestres foi uma das maiores necessidades a ser suprida, acrescentou-se, então, postes para pedestre em toda extensão da praça, e em algumas calçadas adjacentes a ela, para que a caminhada e a estadia dos transeuntes transmita uma sensação maior de segurança, criando um ambiente mais confortável e habitável, mesmo que a noite. Sendo assim, entende-se que o principal objetivo foi estimular a vida urbana nessa parte da cidade que contém um forte teor histórico, mas que infelizmente não é valorizado, levando sempre em consideração o conceito da distinguibilidade e dos 10 Passos para a Caminhabilidade (SPECK, 2016) ao melhorar o espaço público existente e valorizar a paisagem histórica.

Vista da Praça da Soledade Fonte: Google Earth

1m

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malha inicial 1 x 1 a partir dos eixos

disposição da vegetação e do espaço livre para permanência e circulação

0,5m

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subdivisão da malha inicial para acomodar o piso “Drenaggio” da Solarium Revestimentos

Vista da Praça da Soledade Fonte: Suívini Rocha

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PROPOSTA PAISAGÍSTICA DA PRAÇA DA SOLEDADE

LOTE AP8

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JARDIM SECRETO DA SOLEDADE


Na continuação das atividades da disciplina, e levando em consideração, ainda, os 10 Passos da Caminhabilidade (SPECK, 2016) foi-se proposto o desenvolvimento do paisagismo do projeto da disciplina de Ateliê de Projeto VI, localizado no lote número 369 na Rua da Soledade, onde hoje se encontra uma galeria recentemente construída. Visto que o edifício proposto é de uso misto (passo 9: criar faces de ruas agradáveis e singulares) - com comércios no térreo e apartamentos estudantis no segundo e terceiro pavimentos -, tornou-se importante destinar espaços de convivência tanto para os residentes, quanto para os transeuntes. Ainda, devido à morfologia histórica dos lotes estreitos bastante presente no bairro da Soledade, jardins internos foram projetados com o intuito de proporcionar melhor ventilação e iluminação nos ambientes que se tornaram espaços de centralização entre os comércios. A fim de criar uma relação entre o projeto da Praça da Soledade com esse em questão, decidiu-se utilizar novamente o piso Drenaggio (0,50m x 0,50m) na cor cinza ao longo da entrada e lateral do lote, até o jardim nos fundos. Já para responder à legislação da Taxa de Solo Natural (TSN) de 20%, foi decidido utilizar, nos demais eixos de circulação, a terra batida, tendo em vista sua eficiência sustentável e funcional, e a utilização da grama Batatais nas áreas verdes. A cobertura vegetal, por sua vez, consiste em árvores de porte menor devido ao espaço reduzido do lote, sendo: duas Areca Bambu e uma Chuva de Ouro. Duas espécies de arbustos - Heliconia Rostrata e

Arbusto Escadente - se encontram ao longo do lote e auxiliam na composição vegetal do paisagismo, além de favorecerem o conforto térmico, condição essencial para um bom projeto paisagístico. Pensando ainda na questão ambiental, foi proposta a instalação de um sistema de Jardim Vertical da empresa EcoGreen em duas faces do muro no jardim principal - composto por arbustos Avenca e Samambaia (nomes populares) -, com o intuito de reduzir a temperatura microlocal e garantir uma melhor qualidade espacial, para que a área externa da edificação possa ser, de fato, aproveitada. Os mobiliários - bancos, lixeiras e bicicletário -, assim como do projeto da Praça da Soledade, também são da empresa De Lazzari, mas modelos diferentes. Seguindo a paginação de característica modular, os bancos “Cubo” e “Cubo Duplo” se tornaram interessantes para compor o paisagismo. Isso porque é possível escolher alturas variadas, desde 4cm a 0,43m, o que ajuda a desenvolver um espaço dinâmico, interessante e interativo, além de servirem satisfatoriamente na malha desenvolvida. As lixeiras, por sua vez, são do modelo “Prisma” e o bicicletário sendo o “Tropical”. No período da noite, a iluminação ficará por conta das 3 (três) luminárias da Schréder denominadas Urbana Zela de 5 metros de altura e das luminárias de embutir no piso Par 38 da Induspar, as quais abastecem todos os espaços de passagem e valorizam as vegetações implantadas.

Vista e indicação do lote de estudo Fonte: Google Earth

Vista do lote de estudo Fonte: Google Earth

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DETALHE 01

DETALHE 03

DETALHE 02

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