Durante as últimas noites tenho sonhado. O sonho é sempre o mesmo. As imagens repetem-se sem qualquer mudança como uma melodia aperfeiçoada, repetindo-se até ao primeiro raiar do sol. Nas últimas noites tenho sonhado com uma ilha. Inicialmente vejo apenas a lamparina a óleo na proa da barca de madeira negra, a luz pálida e doentia que se debate contra o espesso nevoeiro, de tons febris cruzando o mar e mantendo-me companhia contudo aos poucos toda a cena se vai compondo.
O
céu
vestido
de
cinza
e
laranja,
de
esbatido
escarlate e linhas de negro como se um fogo tivesse consumido todos os cantos do paraíso, funde-se na linha do horizonte escura
com
perscrutadas
as
águas
até
corajoso,
pintando
falta
um
de
fundas
pelos
e
baças
impossíveis
melhores
olhos
ou
assim
qualquer
som
um
quadro
que
não
ser
o
coração
e
tenebroso,
sombrio as
de
ondas
calmas
mais a
apenas
ampliando a solidão. Por fim surge a ilha. Primeiro um borrão negro na linha do horizonte, depois os sinais de uma praia, de uma montanha, as luzes de uma vila e as copas negras de uma floresta. O nevoeiro levanta para permitir o olhar da imponente paisagem. No meio peito sinto o instinto primordial de admiração e medo. Vejo os contornos de um castelo de pedra negra esculpido e rasgado das rochas que compõe o pico mais alto da ilha. Até daquela distância, preso no meio de um mar falsamente calmo podia sentir a escuridão que emanava do interior dos salões