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Entrevista Matt Eich

Matt Eich, do coletivo fotográfico norte americano LUCEO, fala sobre o trabalho do grupo e como ele vê a produção fotográfica contemporânea.

Como o LUCEO encara o aumento da produção fotográfica graças à facilitação do acesso ao equipamento? Você acha que o caminho para o fotojornalismo é uma produção mais refinada técnica e esteticamente?

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Enquanto novas tecnologias tem permitido que o público em geral produza e divulgue imagens mais facilmente, a precisão visual e a sensibilidade jornalística necessárias para este tipo de produção permanece inteiramente nas mãos dos fotojornalistas. Os fotógrafos do LUCEO não costumam sentir a necessidade de estar ligados nos ciclos de notícia e serem os primeiros a chegar no local, portanto essa mudança tecnológica [a produção fotojornalística de leitores] afeta pouco a maneira com que trabalhamos. Nós preferimos uma abordagem mais cumulativa, deixando as histórias evoluírem de uma maneira mais orgânica sempre que possível, ao ínves do método “clica e corre” que é necessário para a maioria dos fotojornalistas. O que une a produção do LUCEO é uma abordagem que é emocional em seu cerne - todos nós desejamos abordar pessoas e situações com respeito e então interpretar subjetivamente os sentimentos que passamos durante este processo.

É um grupo muito unido, com pessoas muito criativas que passam por grandes sacrifícios para construir corpos de trabalho significativos e que estão muitos envolvidos no sucesso de cada um dos membros do grupo. Como estamos organizados como um negócio podemos dividir tarefas que cairiam necessariamente nas costas de cada um de nós como indivíduos. Quando abordamos clientes, entre nossos fotógrafos e Rede de Parceiros, nós oferecemos um time que pode se expandir ou contrair para atender os desejos do cliente. Nós representamos uns aos outros e conhecemos os trabalhos intimamente, então se um cliente não gosta das minhas imagens mas acaba gostando do trabalho de um colega, ainda é uma vitória para nós a longo prazo. Além dos benefícios comerciais é muito importante para minha produção fotográfica saber que eu conto com um grupo de fotógrafos, que respeito muito, e que me ajudam e vão estar sempre me levando adiante. A fotografia está ganhando cada vez mais espaço na arte contemporânea. Você acha que esse novo status pode afetar o fotojornalismo? temos que ser mais fluidos nas maneiras com que circulamos entre grupos criativos e mais corajosos na maneira em que disseminamos nosso trabalho.

Coletivos são geralmente associados à produção artística contemporânea. Vocês acham que essa opção de organização é interessante para o fotojornalismo?

Nós somos estruturados como uma cooperativa, o que pode ser um pouco diferente dos coletivos aos quais você se refere. Eu já me envolvi anteriormente em um outro coletivo e em uma grande agência, LUCEO com certeza é o que mais se encaixa comigo como fotógrafo e artista atualmente.

Com certeza - o novo status da fotografia no mundo da arte já está afetando o fotojornalismo, mas eu acredito que de uma maneira positiva. O fotojornalismo tende a ser muito auto reflexivo e muitas vezes não considera o contexto maior da arte e da cultura quando coloca suas imagens na esfera pública. O fine art se destaca no processo de argumentação necessário para defender seu trabalho. Dentro da minha produção tive que refinar tecnicamente meu trabalho para poder criar imagens que trabalhem bem tanto na parede da galeria como na página impressa. No LUCEO duvido que qualquer um de nós se definiria estritamente como fotojornalista, apesar deste ser o mundo de que todos nós viemos. Títulos e gêneros costumam ser supérfluos geralmente, somos todos seres humanos curiosos que tentam comprender o mundo através de imagens. Como artistas contemporâneos temos que ser mais fluidos nas maneiras com que circulamos entre grupos criativos e mais corajosos na maneira em que disseminamos nosso trabalho.

Como funciona a comercialização de imagens dentro do LUCEO? Vocês têm alguma preferência de clientes - como jornais ou outras mídias - considerando o valor visual ou de informação? Nós tentamos construir abordagens diversas de comercialização para não ficarmos presos a um mercado específico, como o editorial ou o fine art por exemplo. Nossa produção visual se traduz através dos diferentes locais que visitamos para produzir nosso trabalho. Apesar disso, sempre buscamos uma produção que emocione, seja para um editorial, uma propaganda ou um projeto pessoal. O mercado de fine art valoriza o ato de colecionar e o discurso do trabalho, valorizando a estética, enquanto o editorial - revistas e jornaisbuscam agregar valor informativo à imagem. As agências de propaganda parecem buscar uma produção e visão consistentes, além de um vasta reputação profissional.

Como você escolhe suas pautas? Vocês recebem encomendas de clientes? Geralmente clientes editoriais nos ligam com pautas com local e tempo pré definidos. Nós trabalhamos com editores da maneira que nossa agenda permite, mas estamos sempre tentando planejar nossos projetos pessoais e oferecendo idéias para clientes que acreditamos que irão se beneficiar com o apoio à história.

Nossa produção visual se traduz através dos diferentes locais que visitamos para produzir nosso trabalho, apesar disso, sempre buscamos uma produção que emocione, seja para um editorial, uma propaganda ou um projeto pessoal.

Como uma entidade estamos simultaneamente trabalhando com impressões em fine art, pautas editoriais, comissões de arte, exposições, propagandas e vendas em bancos de imagem enquanto buscamos bolsas de incentivo e novas maneiras criativas de bancar nossa produção pessoal.

Como você acha que a realidade de um sujeito é traduzida nas imagens produzidas pelo LUCEO? Sabemos que toda fotografia é uma escolha - de quadro, exposição, etc - e que muitas vezes o fotógrafo espera que a cena ou o espaço se arranjem para produzir uma imagem melhor. Como isso interfere na apresentação da informação e da realidade específica que você está tentando apresentar?

Todos nós buscamos abordar as pessoas que fotografamos com respeito e acreditamos que isso permite que nós sejamos melhores receptores para imagens emocionantes e viscerais. Nós aprendemos a nos adaptar ao ambiente em que nos encontramos e a construir nosso processo para refletir a realidade com que somos confrontados.

A produção fotográfica dos membros do LUCEO lida com uma realidade muito subjetiva mas que é unida pela busca por uma ressonância emocional dentro de uma situação específica.

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