FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
CAMILA ARAÚJO SANTOS
CENTRO DE EQUOTERAPIA ISABELLY ALVES: ABORDAGEM ARQUITETÔNICA E SEUS RECURSOS SUSTENTÁVEIS
VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, 09 DE DEZEMBRO DE 2016
FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
CAMILA ARAÚJO SANTOS
CENTRO DE EQUOTERAPIA ISABELLY ALVES: ABORDAGEM ARQUITETÔNICA E SEUS RECURSOS SUSTENTÁVEIS
VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, 09 DE DEZEMBRO DE 2016
CAMILA ARAÚJO SANTOS CENTRO DE EQUOTERAPIA ISABELLY ALVES: ABORDAGEM ARQUITETÔNICA E SEUS RECURSOS SUSTENTÁVEIS
Projeto apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR; para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista. Professor orientador: Eunice Gusmão.
VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, 09 DE DEZEMBRO DE 2016
S237c
Santos, Camila Araújo Centro de Equoterapia Isabelly Alves: abordagem arquitetônica e seus recursos sustentáveis. / Camila Araújo Santos._ _ Vitória da Conquista, 2016. 59 f; il. Memorial Descritivo (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) Faculdade Independente do Nordeste FAINOR Orientador: Prof. Eunice Gusmão
1. Centro de Equoterapia. 2. Reabilitação Psicomotora. 3. Terapêutico. 4. Arquitetura. 5. Vitória da ConquistaBA. I. Título CDD: 720
CAMILA ARAÚJO SANTOS CENTRO DE EQUOTERAPIA ISABELLY ALVES: ABORDAGEM ARQUITETÔNICA E SEUS RECURSOS SUSTENTÁVEIS
Projeto Apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Professor Orientador: Eunice Gusmão. Aprovado em ___/___/______
Banca examinadora:
_____________________________________________________ Eunice Gusmão Arquiteta e Urbanista Orientadora
_____________________________________________________ Líbera Dall’Orto Arquiteta e Urbanista Avaliadora Interna
_____________________________________________________ Fernanda Araújo Arquiteta e Urbanista Avaliadora Externa
VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, 09 DE DEZEMBRO DE 2016
EPÍGRAFE
ORAÇÃO DA CRIANÇA DIFERENTE Bem-aventurados os que compreendem o meu estranho passo a caminhar e minhas mãos atrofiadas; Bem-aventurados os que sabem que meus ouvidos têm que se esforçar para compreenderem o que ouvem; Bem-aventurados os que compreendem que, ainda que meus olhos brilhem, minha mente é lenta; Bem-aventurados os que olham e não vêem a comida que eu deixo cair fora do prato; Bem-aventurados os que, com um sorriso nos lábios, me estimulam a tentar mais uma vez; Bem-aventurados o que nunca me lembram que hoje fiz a mesma pergunta duas vezes; Bem-aventurados os que me escutam, pois eu também tenho algo a dizer; Bem-aventurados os que sabem o que sente o meu coração, embora eu não o possa expressar; Bem-aventurados os que me aceitam e me amam como sou, tão somente como sou, e não como muitos gostariam que eu fosse. CORDE, Brasília.
DEDICATÓRIA
Este trabalho é dedicado à minha sobrinha, mais do que especial, Isabelly Alves. Nasceu no dia 28 de dezembro de 2014 e, com ela, vieram muita luz, amor e inspiração para irmos em busca de um mundo mais confortável e cheio de harmonia.
RESUMO
A Equoterapia é um método educacional e terapêutico difundido e recomendado por médicos e estudiosos há séculos, o que demonstra a sua efetiva importância na reabilitação psicomotora dos deficientes. Nessa prática, geralmente, utiliza-se o cavalo como um instrumento cinesioterapêutico, já que os seus movimentos auxiliam na ativação de áreas do cérebro humano, provocando estímulos necessários para a reeducação psicomotora dos deficientes, e trazendo uma série de benefícios aos pacientes. A técnica foi gradativamente reconhecida por vários países do globo, e particularmente pelo Brasil. A cidade de Vitória da Conquista conta com somente um Centro de Equoterapia, em localidade afastada do centro urbano, próximo ao Anel Viário. Entretanto, trata-se da 3ª cidade mais populosa do Estado da Bahia, que atende também a uma “população flutuante” de pessoas da região que procuram serviços do município. Isso comprova a viabilidade e a utilidade de mais um Centro de Equoterapia, com a finalidade de divulgar incisivamente a existência de tal método terapêutico, que comprovadamente rende bons resultados, e melhora a qualidade de vida dos pacientes, além de promover a inclusão social. Dessa forma, o presente trabalho constatou a real necessidade do serviço da Equoterapia em Vitória da Conquista, visando facilitar o acesso ao tratamento com a localização estratégica. O projeto do Centro de Equoterapia e de Lazer abrange o público que necessita de um tratamento adequado e também a população atraída pela área de entretenimento oferecida. Tal projeto prima por garantir conforto à equipe de profissionais e aos pacientes, além do abrigo adequado para os animais, prezando sempre pelas exigências terapêuticas e métodos sustentáveis para a valorização da natureza local e menor impactação ao meio ambiente. Palavras-Chave: Centro de Equoterapia, Reabilitação Psicomotora, Terapêutico, Arquitetura, Fainor, Vitória da Conquista-BA.
ABSTRACT
Equine-assisted therapy is an educational and therapeutic method diffused and recommended by doctors and researchers for centuries, which proves its effective relevance in the psychomotor rehabilitation of disabled people. In this practice, horses are usually used as a kinesiotherapeutic instrument, since its movements provide help in activating areas of the human brain, leading to stimuli required for psychomotor rehabilitation of disabled people, along with a large amount of benefits to the patients. This technique has been gradually recognized by several countries around the world, but notably by Brazil. The city of Vitรณria da Conquista has only one Therapeutic Riding Center, based in a place quite distant from downtown area, near to the Ring Road. Nevertheless, besides the fact that it is the third most populous city in the state of Bahia, it also meets the needs of the floating population that seek city services. Thus, it confirms the feasibility and usefulness of another Therapeutic Riding Center, for the purpose of sharply disseminate this therapeutic method, which has proven to lead to positive outcomes, such as better quality of life and social inclusion. Therefore, the present study has certified the evident need of an equine-assisted therapy service in Vitรณria da Conquista, with the aim of facilitating access to the treatment along with strategic location. The Riding and Leisure Center includes the public in need for a proper treatment as well as the individuals attracted to the entertainment area offered. This project intends to ensure comfort to the staff members and patients, in addition to establish a suitable shelter for animals, always considering therapeutic requirements and sustainable methods to enhance the local nature and inflict less damage to the environment. Keywords: Riding Center, Psychomotor Rehabilitation, Therapy, Architecture, Fainor, Vitรณria da Conquista-BA.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 6 2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA ............................................................................................................... 11 2.1 HISTÓRICO DA PRÁTICA EQUESTRE ................................................................................. 11 2.2 EQUOTERAPIA NO BRASIL ................................................................................................... 14 2.2.1 ANDE-BRASIL ................................................................................................................... 15 2.2.2 BASES E FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS ................................................................ 17 2.2.3 ÁREAS DE APLICAÇÃO DA EQUOTERAPIA ............................................................... 17 2.2.4 PROGRAMAS BÁSICOS DE EQUOTERAPIA ................................................................ 18 2.2.5 O MÉDICO E AS EQUIPES DE ATENDIMENTO E DE APOIO .................................... 19 2.2.6 O CAVALO COMO INSTRUMENTO CINESIOTERAPÊUTICO ................................... 19 2.2.7 SEGURANÇA E EMERGÊNCIA ....................................................................................... 21 2.3 CENTRO DE EQUOTERAPIA E SUA ESTRUTURA FÍSICA ............................................... 22 2.4 PROPRIOCEPÇÃO .................................................................................................................... 23 2.5 RECURSOS SUSTENTÁVEIS .................................................................................................. 25 3 PROJETOS REFERENCIAIS ........................................................................................................... 28 4 METODOLOGIA .............................................................................................................................. 38 5 DESCRIÇÃO DO SÍTIO ................................................................................................................... 39 5.1 REGIÃO, CIDADE E BAIRRO ................................................................................................. 39 5.2 USO E ATIVIDADES DO ENTORNO ..................................................................................... 39 5.3 CONDICIONANTES FÍSICOS .................................................................................................. 41 5.3.1 INSOLEJAMENTO E VENTILAÇÃO ............................................................................... 41 5.4 LEGISLAÇÃO ............................................................................................................................ 41 6 CONCEITO E PARTIDO ARQUITETÔNICO ................................................................................ 42 7 PROGRAMA DE NECESSIDADES ................................................................................................ 43 8 FUNCIONOGRAMA ........................................................................................................................ 45 9 DESCRIÇÃO DO PROJETO E MATERIAIS UTILIZADOS ......................................................... 46 9.1 QUADRO DE ÁREAS ............................................................................................................... 47 10 CONCLUSÃO ................................................................................................................................. 48 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 49 APÊNDICES ......................................................................................................................................... 50 APÊNDICE A ................................................................................................................................... 50 APÊNDICE B ................................................................................................................................... 51
APÊNDICE C ................................................................................................................................... 53 APÊNDICE D ................................................................................................................................... 54
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1 INTRODUÇÃO A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, englobando as áreas de saúde, educação e equitação, com o objetivo do desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiência e/ou com necessidades especiais, além do contato direto com o animal e interação do meio físico e social. Através de sua andadura, o cavalo proporciona movimentos tridimensionais que faz despertar no corpo do praticante grande quantidade de estímulos sensoriais e neuromusculares, com potencial cinesioterapêutico e interferindo de forma direta no desenvolvimento global e na aquisição de habilidades motoras, fator de incentivo a construção de uma vida social produtiva, por meio das atividades realizadas diariamente, seja laborais, de lazer ou esportivas, de forma independente. A prática do exercício equestre, com o intuito da reeducação psicomotora dos deficientes, não foi descoberta recentemente. Fontes históricas estão disponíveis e comprovam este fato com informações significativas. Como por exemplo, o primeiro registro de equitação como elemento regenerador da saúde e, principalmente, se realizada ao ar livre, foi feito por Hipócrates de Cos (460-377 a.C.), em sua obra O Livro das Dietas. Consolidador e divulgador dos conhecimentos da medicina, Galeno de Pérgamo (130-199 d.C.), médico grego, enfatizou os benefícios dos exercícios a cavalo. O médico italiano, Merkurialis (1569), afirma em sua obra De arte gymnastica que a equitação exercita não só o corpo, como também exercita os sentidos, fazendo menção aos tipos de andadura do cavalo. Outros estudiosos, cientistas, médicos, pessoas próximas ao exército quando em guerra e hospitais comprovaram e afirmavam a importância da equitação e o porquê deste procedimento ser tão eficaz no tratamento terapêutico de doenças que afetam corpo e/ou mente dos indivíduos. No século XX, em países da Europa, a atividade equestre se tornou reconhecida. Em hospitais foi utilizada como método de terapia para seus pacientes; equipes interdisciplinares, com fisioterapeuta, psicólogo e instrutor de equitação foram sendo formadas para acompanhamento da técnica terapêutica. Contudo, apenas mais recentemente que o uso do
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cavalo, como instrumento cinesioterapêutico, para a reabilitação das pessoas com deficiência foi readquirido. Aos poucos, a terapia a cavalo foi sendo reconhecida em diversos países, e em cada um deles havia uma denominação diferente, mas com o intuito semelhante. No Brasil, os estudos e a observação sobre a Equoterapia somente apareceu em 1988, quando uma equipe viajou à Europa e obtiveram numerosas informações. Em 10 de maio de 1989 foi fundada a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), uma entidade civil sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, assistencial e terapêutico, responsável por todas as atividades equestres com a finalidade de reabilitação, educação e de inserção social para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência ou necessidades especiais. Sua sede está localizada em Brasília – DF, atuando em todo o Território Nacional, com a visão de se consolidar como referência em ensino, pesquisa, desenvolvimento e aplicação das atividades de Equoterapia no Brasil e no exterior. A palavra ‘Equoterapia’ foi elaborada pela ANDE-BRASIL, em 1989, com três intenções: etimologicamente fez uma homenagem ao usar o radical latino equus, seguido da homenagem ao pai da medicina ocidental Hipócrates de Cos, por todo o seu conhecimento e conselhos iniciais referente a terapia com cavalos, acrescentou-se ao nome o termo grego therapeia, originando, portanto, o nome ‘Equoterapia’. Tratando-se de uma palavra nova e sendo distinta dos termos traduzidos de outros países, a pessoa que a utilizasse estaria engajada nos princípios e normas fundamentais que norteiam esta prática no Brasil, desta forma, facilitaria o reconhecimento deste método terapêutico pelos órgãos responsáveis. Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiência e/ou com necessidades especiais. Na Equoterapia o cavalo atua como agente cinesioterapêutico, facilitador do processo ensino-aprendizagem e como agente de inserção e reinserção social. (Lallery, H. 1988).
Em Vitória da Conquista, um dos municípios maiores e mais populosos do Estado da Bahia, localizado na microrregião do Planalto da Conquista, sudoeste do Estado, com população estimada em, aproximadamente, 345 mil pessoas, encontra-se apenas 01 (um) centro de Equoterapia (CE), situado na zona sul da cidade, próximo ao Anel Viário, no Km 19,5, em parceria com o Sítio Sul. Grande parte da população deste município desconhece a existência deste método terapêutico em sua cidade. O ‘Conquista Equoterapia’, nome dado ao CE de Vitória da Conquista, em funcionamento há 02 (dois) anos, disponibiliza de infraestrutura natural, com área coberta agradável e segura para o desenvolvimento das atividades, não possui filiação e também não é
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agregado à ANDE-BRASIL, havendo essa pretensão. Devido a isso, vagas filantrópicas – como disponibilizam a ANDE e seus associados – não existem, as parcerias são escassas e contam somente com o apadrinhamento de alguns empresários que arcam com as despesas da terapia a cavalo dos seus afilhados. Em Itapetinga/Ba, cidade localizada a quase 100 (cem) quilômetros de Vitória da Conquista, encontramos um CE agregado à ANDE-BRASIL, Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK), um projeto multidisciplinar que possui três atuações, nas áreas da educação inclusiva com o Instituto Lar dos Kerubins, na área da saúde com o atendimento clínico (fisioterapeutas) e com o CE, envolvendo diversas parcerias para o perfeito funcionamento de seus trabalhos, como o Setor de Produção e Experimentação de Equídeos (Sepequus), da UESB, coordenado pelo professor Jânio Benevides, no qual sedem o local para a execução da terapia e oferecem apoio com os cavalos, sendo os estagiários os voluntários para darem essa assistência. E profissionais de diferentes áreas se dedicam também a este projeto, fisioterapeuta, psicóloga, médico, psicomotricista, psicopedagoga, fonoaudióloga, socorrista, nutricionista, zootecnista, profissionais de educação física e da equitação básica. Foi idealizado em 2012, porém, só em outubro de 2015 foi reconhecido pela ANDE-BRASIL, tendo como presidente da CEILK, a psicomotricista e pedagoga Klébia Cordeiro, e o seu principal objetivo é a inclusão social de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência. Na capital da Bahia, em Salvador, existe um Centro de Equoterapia filiado à ANDE-BRASIL, a Associação Baiana de Equoterapia - ABAE, contendo duas sedes, sendo a matriz uma parceria com o Esquadrão da Polícia Montada, ou seja, utiliza-se o local (Parque de Exposição) e divide-se os cuidados com os animais, entre outros benefícios. Foi fundado no dia 16 de dezembro de 1997 pela pedagoga Maria Cristina Guimarães Brito, com o objetivo de atender os portadores de necessidades especiais contribuindo para o estabelecimento de sua dignidade e exercício pleno de sua cidadania, assegurando o seu direito de ir e vir. Para desenvolver um centro de Equoterapia adequado devem ser atendidas as exigências terapêuticas, urbanísticas e proporcionar conforto para os praticantes, acompanhantes e profissionais e, simultaneamente, abrigar de forma adequada os animais envolvidos neste método terapêutico. A grande problemática em questão é o porquê de uma terapia com resultados tão bons e de uma evolução significativa de seus praticantes é tão pouco conhecida e de difícil acesso, tanto por sua localização, quanto de forma financeira, considerada por muitos como uma técnica elitizada. A elaboração projetual de um Centro de Equoterapia na cidade de Vitória da Conquista/BA, abrangendo cidades circunvizinhas, é a temática abordada neste trabalho de
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conclusão de curso. Tem como objetivo o de proporcionar um local com investimento na qualidade construtiva, implantando recursos sustentáveis, contribuindo não só com o meio ambiente, mas com o conforto daqueles que irão frequentar o CE. Este tipo de terapia irá beneficiar de forma biopsicossocial pessoas portadoras de deficiências físicas ou mentais e/ou com necessidades especiais. As propostas de projeto nas quais viabilizará o alcance da resolução da problemática são as de inserir o CE de forma harmônica com o meio, trazendo para próximo do público como estratégia de tornar notório à população, o que ocasionará uma maior procura e fácil acesso ao local, além de contribuir com os fatores ambientais. O centro conta com estrutura necessária para a prática equestre, visando o tratamento coeso dos animais e conforto devido aos praticantes, além de toda a atenção com as salas de terapias convencionais para auxiliar simultaneamente à Equoterapia. A terapia é feita em local amplo e ao ar livre, com o acompanhamento de equipe capacitada e, por intermédio do cavalo que tenha tamanho adequado para tal procedimento e que seja dócil, estimulando a imaginação e criatividade do praticante. Desta forma, a abordagem lúdica é facilitada e torna-se prazeroso o momento da Equoterapia, capaz de conquistar a autoestima. Além desses excelentes resultados e conquistas pessoais, é uma ótima oportunidade de resgatar o convívio com a natureza, concomitantemente ao processo de reabilitação. Por esses motivos e benefícios é que se faz necessário a implantação, em Vitória da Conquista/Ba, de um projeto arquitetônico contemplado por recursos favoráveis à natureza e que proporcione todo o conforto e prazer de estar dentro da cidade, porém, com paisagem e aconchego de campo, sendo compatível com o que a Equoterapia pode oferecer. O projeto arquitetônico de um centro de Equoterapia, o qual apresenta recursos sustentáveis, tem como objetivo geral investir na qualidade construtiva e trazer à população conceitos de preservação ambiental, com o método da Equoterapia mais próximo e acessível a todos. De acordo com os estudos realizados, os objetivos específicos são:
•
Fornecer estudos essenciais à implantação e criação de um centro de
Equoterapia, pensando em novos métodos de construção, visando o menor impacto ao meio ambiente. •
Situar o centro de Equoterapia em local estratégico para a sua notoriedade
e apreço, tornando-o também de fácil acesso.
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•
Propor recursos sustentáveis, desde a construção com materiais
alternativos, que ofereça baixo impacto ao meio ambiente, até a utilização de materiais reciclados e oriundos de reflorestamento.
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2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA 2.1 HISTÓRICO DA PRÁTICA EQUESTRE Os princípios e fundamentos da Equoterapia são atuais, entretanto, os benefícios proporcionados pelo cavalgar são descritos desde a Antiguidade. Diversos autores dissertam sobre a utilização do cavalo com a finalidade terapêutica ao longo da História, assim, podemos relatar os seguintes fatos em ordem cronológica, com base em informações disponíveis pela ANDE-BRASIL: -
460-377 a.C.: Hipócrates de Cos, em sua obra Livro das Dietas, se
referiu à equitação como regeneradora da saúde, preservando o corpo humano de muitas doenças e, sobretudo, eficaz no tratamento da insônia, principalmente quando esta prática era realizada ao ar livre. -
124-40 a.C.: Asclepíades de Prússia, cientista e médico grego,
recomendava a prática equestre para tratamento de epilepsia e vários tipos de paralisia. -
130-199 d.C.: Galeno, médico grego, consolidador e divulgador dos
conhecimentos da medicina, enfatizou os benefícios dos exercícios a cavalo e recomendou ao seu paciente, o Imperador Marco Aurélio, que praticasse equitação como forma de estimular tomadas de decisão mais rápidas. -
Idade Média (V-XV): Na ciência árabe, tão ligada à cultura equestre, a
equitação e seus benefícios são registrados em textos, inclusive, os primeiros foram encontrados em um texto de pedagogia. -
1569: Merkurialis, na Itália, afirma em sua obra De arte gymnastica que
a equitação exercita o corpo e os sentidos, fazendo menção aos tipos de andadura do cavalo. -
1681: Thomas Sydenham, capitão de cavalaria durante a guerra civil,
aconselha em seus livros a prática, assiduamente, do esporte equestre, afirmando que “ a melhor coisa que eu conheço para fortificar e reanimar o sangue e a mente é montar diariamente e fazer longos passeios ao ar livre”. Indicava como sendo o tratamento ideal até para a tuberculose, cólicas biliares, e flatulência. Thomas disponibilizava seus cavalos para os pacientes pobres, como forma de ajudar no tratamento deles. -
1719: Friedrich Hoffmann, em sua obra Instruções aprofundadas de
como uma pessoa pode manter a saúde e livrar-se de graves doenças através de prática racional de exercícios físicos define o passo do cavalo como sendo a andadura mais salutar.
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-
1747: Na Alemanha, Samuel Theodor Quelmalz, faz a primeira
referência ao movimento tridimensional do dorso do cavalo, em sua obra A saúde através da equitação. -
1752: John Pringle, nas Observações acerca das doenças dos militares
afirmou que o exercício equestre é um elemento poderoso para preservar a saúde dos exércitos. -
1772: Giuseppe Benvenutti, na Itália, escreve em seu livro As Reflexões
acerca dos efeitos do movimento a cavalo que a equitação mantém o corpo são e, além disso, promove diferentes funções orgânicas, causando uma ativa função terapêutica. -
1782: Na França, Joseph C. Tissot relata em seu livro Ginástica Médica
ou Cirúrgica ou Experiência dos Benefícios Obtidos Pelo Movimento os efeitos dos movimentos equestres e define o passo do cavalo como sendo a andadura o mais eficaz do ponto de vista terapêutico. É o primeiro a descrever contraindicações à prática exagerada da equitação. -
1890: O sueco Gustavo Zander, fisiatra e mecanoterapeuta, foi o primeiro
a afirmar que as vibrações com frequência de 180 oscilações por minuto estimulam o sistema nervoso simpático, sem fazer associações com o cavalo. -
1901 e 1917: Na Inglaterra, o Hospital Ortopédico de Oswentry
(primeiro hospital ortopédico do mundo) e o Hospital Universitário de Oxford, respectivamente, foram os primeiros a registrar a atividade equestre ligada a melhoria do tratamento dos pacientes, também como forma de lazer e quebra de monotonia. Após a Primeira Guerra Mundial o cavalo entrou definitivamente na área da reabilitação, sendo empregado como instrumento terapêutico nos soldados sequelados do pós-guerra. Os países escandinavos foram os primeiros a utilizá-lo com tal finalidade, obtendo resultados satisfatórios, estimulando o nascimento de outros centros na Alemanha, França e Inglaterra. (Medeiros; Dias. 2002).
-
1952: Na Dinamarca, Liz Hartel, aos 16 anos, praticava equitação
quando foi acometida por uma forma grave de poliomielite, a ponto de se locomover em cadeira de rodas, porém, não parou de praticar e, após oito anos foi premiada com a medalha de prata em adestramento nas Olimpíadas de 1952, competindo com os melhores cavaleiros do mundo. -
1954: A partir desses acontecimentos, a classe médica despertou a
atenção e começou a ter interesse pelo programa da atividade equestre como método terapêutico. Na Noruega, surgiu a primeira equipe interdisciplinar formada por uma fisioterapeuta e seu noivo, que era psicólogo e instrutor de equitação. -
1956: Criação da primeira estrutura associativa, na Inglaterra.
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-
Década de 60: Na Europa, principalmente na França, houve grande
desenvolvimento do uso do cavalo como instrumento cinesioterapêutico na reabilitação das pessoas portadoras de deficiência. Neste período a equitação era mais utilizada em atividades com fins recreativos ou de forma empírica, sendo os resultados relatados em livros. Em 1965, a terapia a cavalo tornou-se uma matéria didática e, em 1969, ocorreu o primeiro trabalho científico, também, no Centro Hospitalar Universitário da Universidade de Salpêtrière, em Paris. -
1972: Na Universidade de Paris, em Val-de-Marne, foi feita a defesa da
primeira tese de doutorado em medicina, sobre a reeducação equestre. -
1974: Na França, em Paris, foi iniciada a realização de congressos
internacionais, que se repetem a cada três anos. -
1984: Quase cem anos depois da afirmação de Gustavo Zander, o médico
Detlvev Rieder, chefe da unidade neurológica da Universidade Martin Luther, da Alemanha, mediu a frequência de oscilações sobre o dorso do cavalo e averiguou que correspondem exatamente aos valores que Zander havia pesquisado e recomendado, em 1890. -
1985: Na Itália, no congresso em Milão, criou-se a Federação
Internacional de Equitação Terapêutica (Federation Riding Disabled International - FRDI), atualmente é sediada na Bélgica. -
1988: No Canadá, em Toronto, no Sétimo Congresso Internacional foram
debatidas e definidas abordagens no que se refere ao emprego do cavalo em fins terapêuticos. -
1988: Foi feita a primeira viagem de estudo à Europa pelos brasileiros
interessados a aprofundar o conhecimento sobre a técnica e as formas de organização da atividade equestre. -
1989: No Brasil, foi fundada a Associação Nacional de Equoterapia
(ANDE), sua sede é localizada em Brasília - DF. -
1991: Ocorreu o Primeiro Encontro Nacional de Equoterapia, em Brasília
e, também, o Primeiro Curso de Extensão de Equoterapia, ministrado pela Dra. Danièle Nicolas Cittério, diretora da Escola Nacional da Associazione Nazionale Italiana di Reabilitazione Equestre - ANIRE (Milão-Itália). -
1997: O Conselho Federal de Medicina (CFM), em sessão plenária de 9
de abril, aprovou o parecer 06/97, estando reconhecida a Equoterapia.
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2.2 EQUOTERAPIA NO BRASIL Conforme aborda a ANDE-BRASIL, após muita dedicação aos estudos realizados sobre as práticas terapêuticas feitas com o cavalo e a cavalo, depois de viagens em busca do conhecimento por vários países europeus, como a Itália, Suíça, França e Inglaterra, e posterior a muita reflexão, formou-se uma estratégia de implantação e institucionalização desta metodologia terapêutica, elaborada por profissionais brasileiros, dentro das áreas nas quais esta técnica é aplicada (saúde, educação e equitação) e para ser exercida em âmbito nacional, portanto, obedecendo a legislação e cultura do Brasil, como também, suas peculiaridades, dentro de princípios éticos e técnico-científicos. Por ser um prestigioso método de reabilitação e educação e por ter a magnitude de ser exercido em qualquer lugar, mas não de qualquer maneira, houve a necessidade e preocupação de que tal método não se proliferasse de forma desordenada. Sendo assim, concluiu-se logo após estudos aprofundados e observações que seria conveniente a criação de uma associação nacional e uma palavra peculiar, sem a predominância estrangeira e que englobasse todos as concepções de reabilitação e educação praticadas com o cavalo, tendo a finalidade de coordenar e controlar a prática de terapias equestres, em nível nacional e mantendo a integridade e a seriedade deste método através da Equoterapia. Em 10 de maio de 1989 foi fundada em Brasília - Brasil a Associação Nacional de Equoterapia – ANDE-BRASIL. A palavra ‘Equoterapia’ foi elaborada pela ANDE-BRASIL, em 1989, com três intenções: etimologicamente fez uma homenagem ao usar o radical latino equus, seguido da homenagem ao pai da medicina ocidental Hipócrates de Cos, por todo o seu conhecimento e conselhos iniciais referente a terapia com cavalos, acrescentou ao nome o termo grego therapeia, originando, portanto, o nome Equoterapia. Tratando-se de uma palavra nova e sendo distinta dos termos traduzidos de outros países, a pessoa que a utilizasse estaria engajada nos princípios e normas fundamentais que norteiam esta prática no Brasil, desta forma, facilitaria o reconhecimento deste método terapêutico pelos órgãos responsáveis. “Equoterapia”, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, gerando o Certificado de Registro de Marca nº 819392529, 06 de julho de 1999, apresentando os seguintes serviços: -
De ensino e educação de qualquer natureza e grau;
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-
De caráter desportivo, recreativo, social e cultural, sem finalidade
-
De caráter comunitário, filantrópico e beneficente;
-
Reabilitação de pessoas com deficiência física, tais como: Equoterapia,
lucrativa;
fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, pedagogia e fonoaudiologia. (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA, 2000).
2.2.1 ANDE-BRASIL A ANDE-BRASIL é uma sociedade civil, de caráter filantrópico, terapêutico, educativo, cultural, desportivo e assistencial, sem fins lucrativos, com atuação em todo o território nacional, tendo sede e foro em Brasília/DF. (ANDE, 2000).
A Associação Nacional de Equoterapia é uma entidade de consultoria técnica em Equoterapia da Sociedade Brasileira de Medicina Física e de Reabilitação e é reconhecida e declarada como entidade de Utilidade Pública Federal e do Distrito Federal. Possui registro no Conselho Regional de Medicina/DF, no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS/MJ), no Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente/DF, na Secretaria do Desenvolvimento Social e Ação Comunitária/DF, na Secretaria Nacional Antidrogas e na Secretaria de Estado de Educação do DF, esta, por sua vez, reconhece a Equoterapia como um método educacional que favorece a alfabetização, a socialização e o desenvolvimento global dos alunos com necessidades educativas especiais. Mantém convênio com a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), com o Exército Brasileiro, com a Fundação Universidade de Brasília (UnB) e, também, com a Universidade Paulista - Objetivo (UNIP - Objetivo) e com a Fundação Habitacional do Exército/POUPEX. A Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, do Ministério da Justiça (CORDE/MJ) oferece todo o apoio sistemático à ANDEBRASIL. A associação brasileira é filiada como membro pleno da entidade internacional de Equoterapia (The Federation Riding Disabled International - FRDI). As Normas Estatutárias que regem a ANDE-BRASIL, de acordo aos documentos disponibilizados pela Associação, são:
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a) Contribuir para a reabilitação e educação de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais, mediante a prática da Equoterapia. b) Normatizar, supervisionar, controlar e coordenar, em âmbito nacional, a prática da Equoterapia das entidades filiadas. c) Colaborar com órgãos governamentais ou não-governamentais para a execução das mesmas ações acima mencionadas, junto a outras entidades que pratiquem qualquer terapia com o emprego do cavalo. d) Capacitar recursos humanos, promovendo e estimulando a realização de cursos, pesquisas, estudos e levantamentos estatísticos referentes à Equoterapia e à equitação, propiciando condições para o avanço científico-tecnológico e formação de pessoal técnico especializado, buscando a preparação de equipes interdisciplinares voltadas para a Equoterapia. e) Elaborar e disponibilizar material didático e informativo sobre a Equoterapia, bem como planejar e programar a edição de publicações e obras especializadas, constituindo biblioteca. f)
Associar-se a entidades internacionais na busca constante de intercâmbio
tecnológico. g) Estimular e apoiar a implantação e desenvolvimento de centros de Equoterapia, exigindo a observância dos mais rígidos padrões de ética, eficiência, segurança e seguridade. h) Divulgar a experiência brasileira na Equoterapia, estimulando sua adoção por outros países. i)
Desenvolver políticas na busca permanente de recursos nas áreas
governamentais e empresariais, a fim de possibilitar e estender os benefícios da Equoterapia a todas as classes sociais. j)
Estabelecer convênios com vistas e estimular o intercâmbio de
profissionais de alto nível técnico-científico, objetivando a formação de um centro de excelência em Equoterapia. k) Utilizar a equitação de forma didático-pedagógica na educação e formação do caráter de jovens e na inserção social de pessoas com distúrbios comportamentais. l)
Estimular a prática do esporte hípico, principalmente na formação de
novos valores. m) Utilizar a competição esportiva como complemento terapêutico e educativo.
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n) Formar recursos humanos nas áreas de equitação e veterinária, e em outras com estas correlatas. (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA, 2000)
2.2.2 BASES E FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS As atividades equoterápicas tem como base os fundamentos técnicocientíficos. Devem ser desenvolvidas por equipe que contenha maior número de profissionais nas áreas de saúde, educação e equitação, atuando de forma interdisciplinar. É importante ressaltar que o atendimento só pode ser iniciado mediante parecer favorável de avaliação médica, psicológica e fisioterápica. As sessões de Equoterapia podem ser realizadas em grupo, contanto que o acompanhamento seja individualizado, podendo avaliar a evolução das atividades desenvolvidas e analisar os resultados obtidos. Isso deve ser feito periodicamente e de forma sistemática. Com a finalidade de não constituir em atividade elitizada, o atendimento equoterápico deve possuir um componente de filantropia, para que atinja classes sociais menos favorecidas. A segurança física do praticante fica sob responsabilidade de toda a equipe, devendo prestar atenção no comportamento e atitudes habituais do cavalo e no meio em que está inserido, devido às circunstâncias. Precisam estar atentos ao equipamento de montaria, a vestimenta do praticante e ao local, caso ocorra ruídos anormais e que possam vir a assustar os animais. Devem ser constantemente observadas tanto a preservação da imagem dos cidadãos praticantes da Equoterapia, quanto a ética profissional. A Equoterapia, através de sua prática, busca benefícios biopsicossociais às pessoas com deficiências e/ou com necessidades especiais, como lesões neuromotoras de origem encefálica ou medular, disfunções sensório-motoras, patologias ortopédicas congênitas ou adquiridas por acidentes diversos, necessidades educativas especiais ou distúrbios evolutivos, comportamentais, emocionais ou de aprendizagem.
2.2.3 ÁREAS DE APLICAÇÃO DA EQUOTERAPIA A Equoterapia atua na área da saúde, da educação e na área social. Se tratando da área da saúde temos o benefício com a reabilitação de pessoas portadoras de deficiência
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física e/ou mental, no setor da educação atua sobre as pessoas com necessidades educativas especiais, dentre outros. Socialmente, este método terapêutico ajuda pessoas com distúrbios evolutivos ou comportamentais.
2.2.4 PROGRAMAS BÁSICOS DE EQUOTERAPIA Devemos levar em conta que cada ser é único e que difere de todos os outros em diversos aspectos, mantendo assim, a sua individualidade. Com os praticantes da Equoterapia não é diferente, portanto, há uma necessidade de elaborar programas específicos para cada um deles, levando em consideração as demandas daquele indivíduo, de acordo a fase de seu processo evolutivo. Para a aplicação das práticas terapêuticas utilizando o cavalo são preparados os programas individualizados e são organizados de acordo com as necessidades e potencialidades do praticante, com os objetivos a serem alcançados de acordo às intenções terapêuticas e educacionais, visando a reabilitação física e/ou mental; com fins educacionais e/ou sociais, sendo aplicadas técnicas pedagógicas aliadas às terapêuticas, tencionando a integração ou reintegração sócio-familiar; e com a finalidade da inserção ou reinserção social. Os programas básicos de Equoterapia são divididos em quatro setores: o Programa Hipoterapia, que é voltado para as pessoas com deficiência física e/ou mental, que não têm condições de se manter sozinho a cavalo, necessitando de auxiliar-guia e, às vezes, o lateral para conduzi-lo, dando-lhe segurança nos movimentos que ocasionarão o estímulo para o praticante montado, o cavalo agirá, portanto, como agente cinesioterapêutico, sendo a ênfase das ações voltadas para os profissionais da área de saúde, que devem estar presentes na execução dos exercícios programados, observando sempre a segurança e conforto do praticante; o Programa Educação/Reeducação é aplicado para a reabilitação do setor pedagógico, sendo o cavalo atuante como agente neste mesmo setor, com a interação do praticante com o animal e o meio com intensidade, através do seu movimento tridimensional e multidirecional, neste caso o praticante tem condições de exercer alguma atuação sobre o cavalo e pode até conduzi-lo, dependendo menos dos auxiliares e tendo maior influência dos profissionais de equitação; no Programa Pré-Esportivo os praticantes tem boas condições para atuar e conduzir o cavalo, ainda não pratica equitação, mas participa de exercícios específicos de hipismo, conforme programado, assim o profissional de equitação habilitado em Equoterapia tem maior influência do que os demais e o objetivo de todos é a melhoria da qualidade de vida e sua inserção/reinserção social. Já no Programa Prática Esportiva Paraequestre a finalidade é
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preparar a pessoa com deficiência para competições paraequestres, devendo estar apta para montar a cavalo, podendo participar de festivais de Equoterapia e hipismo adaptado, com o intuito da inserção social, o prazer pelo esporte, a melhoria da autoestima, bem-estar, autoconfiança e da qualidade de vida, sendo a ação do profissional de equitação habilitado em Equoterapia ainda mais intensa nesse programa, o que não despensa, em momento algum, a participação e orientação dos profissionais das áreas de saúde e educação.
2.2.5 O MÉDICO E AS EQUIPES DE ATENDIMENTO E DE APOIO O médico é o responsável pela avaliação e liberação para a prática da terapia com cavalo e a cavalo, podendo ser integrante da equipe ou o profissional que já faz o acompanhamento com o praticante. A avaliação tem como objetivo o de indicar ou de contraindicar a prática da Equoterapia. Além disso, deve-se fazer reavaliações periodicamente para que se tenha os registros dos progressos terapêuticos. A equipe de atendimento equoterápico é composta por vários profissionais das áreas de saúde, educação e equitação que atua de forma interdisciplinar, cujas funções são a de avaliar o praticante antes que se inicie o tratamento, estabelecendo a meta a ser alcançada para cada pessoa e as atividades a serem seguidas. A equipe conduz as sessões de terapia seguindo o plano proposto e reavaliam, periodicamente, a evolução no tratamento de cada praticante para análise de modificações no programa, zelando sempre pela segurança. Os componentes da equipe de apoio realizam tarefas diretamente ligadas às pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais, por isso, recebem treinamento especial e estão sempre atualizados. Divide-se em três funções, são elas: o auxiliar-guia é aquele que conduz com a maior atenção o cavalo da pessoa praticante e deve estar sempre atento às reações do animal e às orientações do mediador; o auxiliar lateral acompanha o praticante nas sessões, seguindo aos comandos do mediador e garantindo a segurança; e o tratador, que exerce os cuidados básicos com o cavalo e com as instalações equestres, podendo contribuir como auxiliar-guia também.
2.2.6 O CAVALO COMO INSTRUMENTO CINESIOTERAPÊUTICO O cavalo tem grande influência na vida do homem e no progresso da humanidade, foi personagem em diversas cenas históricas importantes, como os de transporte,
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imigração, conquista, trabalho, crença e veneração, na fabricação de soro e vacina, no esporte e no lazer, desta forma, associa-se à nossa evolução. Animal dócil, de porte e força, que se permite o manuseio e montaria, permitindo o despertar de uma amizade. É tido como o sistema vivo da atividade equoterápica, agente de reabilitação e educação, capaz de atingir o emocional, despertar os bons sentimentos, como os de alegria, iniciativa, autoconfiança, paciência, equilíbrio e humildade, através da atuação em parceria com o praticante e estabelecendo uma relação harmoniosa, como é tratado em diversos estudos e arquivos da ANDE-BRASIL. A expressão ‘cavalo-praticante’ da Equoterapia é um conjunto dinâmico, de forma que não podemos definir com precisão nenhum princípio, pois obedecem a um incalculável número de forças, efeitos de atitudes posturais e reações. Sua seleção é de fundamental importância sob os aspectos físicos e psicológicos. Não existe uma raça específica para a Equoterapia, todas têm capacidade para serem utilizadas, dependendo das características necessárias que irão passar pela seleção, depois para o treinamento e por fim, analisar o desempenho que terá no programa equoterápico, sendo o início do estudo para viabilizar o ‘cavalo tipo’, que é o conjunto dos caracteres morfológicos do animal em relação à sua finalidade produtiva e de utilização para este método terapêutico, devendo apresentar boa qualidade do passo em amplitude, ritmo e cadência, e uma boa aceitação do uso do material lúdico, ao ambiente externo e em relação aos outros animais. Todos os técnicos devem ter o conhecimento aprofundado e afinidade com os cavalos, possibilitando a habilidade e segurança para a realização da aproximação do praticante. A atenção deve ser constante com os itens que apresentam riscos, como coices, pisadas, tropeços, mordidas, desobediência, movimentos bruscos, arreamentos e, inclusive, estar atento ao local de trabalho apropriado. O cavalo é utilizado como agente cinesioterapêutico, pedagógico e como agente de inserção social, proporciona o contato com o praticante através de movimentos intensos e com vasta quantidade de informações que serão mensurados de acordo com a necessidade de estímulos, conforme cada caso. As andaduras naturais e instintivas do cavalo são o passo, o trote e o galope, sendo o passo a andadura básica na equoterapia. Uma série de movimentos sequenciados e simultâneos, que têm como resultante um movimento tridimensional: no plano vertical o movimento ocorre para cima e para baixo, no horizontal para direita e para esquerda, de acordo ao eixo transversal do cavalo e, segundo o seu eixo longitudinal temos o movimento para frente
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e para trás. Este movimento é concluído com pequena torção da bacia do cavaleiro que é provocada pelas inflexões laterais do dorso do animal. Relacionando os movimentos humanos executado ao se deslocar, por meio do passo, podemos observar a semelhança ao que é produzido pelo cavalo. Através do movimento tridimensional do cavalo, enquanto o praticante montado, o sistema nervoso central apresenta uma intensa ativação após sinais serem enviados pelo próprio movimento, que proporciona os ajustes posturais, motores, respiratórios, entre outros, permitindo que o praticante esteja sempre atento ao que acontece ao seu redor, facilitando o equilíbrio, concentração, memorização, socialização, tonificação muscular e comunicação verbal e gestual. Experimenta, também, os sentidos da visão, audição, tato, olfato e até mesmo o paladar. O cavalo e o terapeuta, em parceria, estimulam, desenvolvem e integram todos esses estímulos gerados durante a Equoterapia.
2.2.7 SEGURANÇA E EMERGÊNCIA A Equoterapia é um método terapêutico e educacional confiável, seguro e reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina, entretanto, é uma atividade que envolve riscos inerentes ao comportamento de um ser vivo, sendo a parte principal deste tratamento, o cavalo. O fato de estarmos seguros diante a uma tarefa no qual a execução nunca apresentou falhas, não garante que estejamos correndo risco ou colocando outras pessoas em risco. É importante que se faça uma leitura dos possíveis fatores que interfiram na boa condução de uma sessão de Equoterapia, levando sempre em conta a integridade física do praticante envolvido no tratamento, prezando pela segurança, amparo e confiança. O procedimento de segurança é um instrumento de prevenção de riscos sobre qualquer atividade que possa vir a ser executada. O cavalo deve ser treinado para as técnicas terapêuticas para não se assustar já que envolvem objetos diferenciados, bem como acostumado com o local e suas variações ambientais que circundam a área de trabalho, antecipando e evitando o surgimento de alguma intercorrência que gere um acidente. Conforme a ANDE-BRASIL, os responsáveis pelos praticantes devem estar cientes dos possíveis riscos da prática equoterápica e assinar um termo de responsabilidade e compromisso, contudo, não exclui a entidade de responsabilização pelo dano que possa ser
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causado ao praticante, no caso de acidente. Devem ser notificados da cobertura emergencial, do serviço de atendimento para os procedimentos de primeiros socorros e o translado para o hospital. Evitando-se tais acontecimentos é imprescindível que a vestimenta esteja adequada, com os itens: capacete, calças com tecido maleável e um calçado com solado menos emborrachado. A equipe deve praticar em sua rotina as ações de retirada de emergência, para que cada um saiba exatamente o que fazer em suas coordenadas, caso seja existente a situação de emergência e como forma de manutenção da calma, através desses treinamentos. Deve manter-se sempre atenta, próxima ao cavalo e ao praticante, como forma de evitar que algo ocorra e, se ocorrer estar a postos, sendo assim, mais seguro a figura de dois mediadores, conferindo ao praticante a sensação de maior confiança na terapia. Torna-se imprescindível o amplo conhecimento das características do equino que está sendo utilizado na prática equoterápica, assim como os conhecimentos técnicocientíficos, para o desenvolvimento de uma sessão segura e que sustente a premissa básica que é a integridade física do praticante. Para que os resultados terapêuticos não sejam minimizados ou atingidos em sua plenitude, deve-se evitar qualquer tipo de risco que o praticante possa sofrer, garantindo a segurança de todos envolvidos na Equoterapia.
2.3 CENTRO DE EQUOTERAPIA E SUA ESTRUTURA FÍSICA
Um Centro de Equoterapia (CE) é uma entidade jurídica, que deve dispor de instalações físicas e equipamentos adequados, contar com uma equipe técnica habilitada, cavalos treinados e, ainda, com pessoal para serviços gerais, com a finalidade de prestar um atendimento de qualidade, em Equoterapia, às pessoas que buscam este método de tratamento. (ANDE, 2000).
De acordo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), para montar um centro é necessário pensarmos, inicialmente, na escolha do local, se ele é adequado para a prática e quais as possíveis modificações para as adaptações, no treinamento e manejo dos cavalos, na equipe de profissionais que será formada e forma de contratação, da maneira que será divulgado o trabalho, direcionando de onde virão os praticantes. Se possível, contar com o apoio de outros centros para a instalação satisfatória de um novo Centro de Equoterapia (CE). Com o intuito de diminuição de custos de montagem, adaptações necessárias e o bom funcionamento do CE tem-se buscado parcerias e convênios com diversos tipos de
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entidade que possam contribuir de alguma maneira, por exemplo, as prefeituras, entidades assistenciais e filantrópicas, escolas e universidades, unidades militares, do Exército, dentre outras possibilidades que podem contribuir fortemente com o material para a construção e/ou reforma, com a alimentação dos cavalos, nos custos para a habilitação dos profissionais, na disponibilização ou até mesmo doação do local e dos animais, tendo diversas maneiras para que as entidades possam colaborar. A estrutura física é essencial para o bom funcionamento do centro de Equoterapia (CE), mesmo que não seja determinante, mas faz toda a diferença, proporcionando conforto, acessibilidade (de acordo a NBR 9050) e um aconchegante espaço, capaz de atrair as pessoas, funcionando até mesmo como meio de propaganda. Uma boa estrutura para a prática da Equoterapia conta com locais e equipamentos especiais para montar e apear do cavalo, como rampa e escada adequadas, salas para as reuniões de equipe e atendimentos diversos, para os cavalos é fundamental a presença de baias em quantidade suficiente e adequadas, local próprio para arreios e equipamentos, assim como, para forragem, medicamentos e itens de primeiros socorros, um ou mais piquetes para os animais ficarem soltos conforme necessidade, além de precisar ter o controle do ferrageamento dos animais. É desejável que se tenha um local ao ar livre para que os trabalhos nos quatro setores possam ser desenvolvidos, uma pista de areia ou de grama, por exemplo, desde que sejam cercadas e tenham porteiras de dimensões adequadas e de manejo restrito aos profissionais, como forma de evitar acidentes com os praticantes. Recomenda-se que se disponha de locais cobertos também, pois facilitará no atendimento como em dias chuvosos, com o sol intenso ou com temperaturas baixas, podendo ser um picadeiro ou galpão com dimensões mínimas de 15 por 30 m. É importante que se tenha objetos e meios auxiliares para as atividades e piso apropriado para equitação, podendo ser de terra batida ou grama, evitando os pisos duros, com pedregulhos. Deve existir um local específico para a secretaria, sala para reuniões e outra para o arquivamento das fichas dos praticantes e atas das sessões, de forma segura. Com a sugestão de que se tenha telefone, fax, computador, fichários e outros, a depender dos recursos financeiros do centro.
2.4 PROPRIOCEPÇÃO
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O controle postural é realizado por um sistema complexo que visa controlar a posição dos segmentos do corpo, permitir a realização dos movimentos e atingir os objetivos de suporte, estabilidade e equilíbrio. Este sistema envolve percepção, integração dos estímulos sensoriais, planejamento motor e execução da postura adequada para o movimento pretendido. Segundo as mais recentes teorias, a manutenção do equilíbrio postural é realizada tanto pelas propriedades viscoelásticas dos músculos quanto por ajustes posturais desencadeados a partir das informações sensoriais visuais, vestibulares e somatossensoriais, sendo a propriocepção uma das fontes sensoriais que parecem ter maior expressividade no controle da postura. A propriocepção é o termo que descreve a percepção do próprio corpo, e inclui a consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular. É necessário dissertar sobre os receptores sensoriais, pois, são eles que enviam as informações ao nosso Sistema Nervoso Central. Os receptores fazem parte do sistema sensorial somático, responsável pelas diferentes experiências sensoriais captadas e interpretadas pelo nosso corpo. A função mais elementar dos receptores sensoriais é dispor o Sistema Nervoso Central com informações sobre o estado interno de estruturas orgânicas e do ambiente externo. São eles que definem o que chamamos de sentidos (visão, audição, sensibilidade corporal, olfação, gustação). Contudo, um único receptor não é capaz de identificar sozinho os diferentes estímulos que temos a cada instante. Sendo assim, possuímos diferentes tipos de receptores sensoriais, cada um com características próprias que permitem que ele receba diferentes estímulos. Os receptores sensoriais podem ser classificados conforme a sua função (mecanoceptores, termoceptores, fotoceptores, quimioceptores e nociceptores) e de acordo a sua localização anatômica: exteroceptor, interoceptor e proprioceptor. Os proprioceptores são receptores que se localizam mais profundamente nos músculos, aponeuroses, tendões, ligamentos, articulações e no labirinto cuja função reflexa é locomotora ou postural. Podem gerar impulsos nervosos, conscientes ou inconscientes. Os primeiros atingem o córtex cerebral e permitem que, mesmo de olhos fechados, se tenha a percepção do próprio corpo, seus segmentos, da atividade muscular e do movimento das articulações. Sendo, portanto, responsáveis pelo sentido de posição e de movimento, o que chamamos de cinestesia. Os impulsos nervosos proprioceptivos inconscientes não despertam nenhuma sensação; são utilizados pelo sistema nervoso central para regular a atividade muscular. Podemos dizer, então, que os proprioceptores são essenciais para informar ao nosso cérebro a noção de posição dos membros, e por sua vez, esta informação de posicionamento corporal é essencial para o controle dos movimentos, a propriocepção é responsável pelo envio
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constante de informação sobre eventuais deslocamentos de segmentos no espaço auxiliandonos nas diversas tarefas motoras. Os receptores proprioceptivos são danificados após uma lesão articular e/ou ligamentar, o que significa que a informação que é normalmente enviado para o cérebro fica prejudicada. Nestes casos, haverá um déficit na capacidade proprioceptiva do indivíduo ressaltando, também, a existência de pessoas que já nascem com tal déficit. Isto pode deixar a pessoa propensa a se lesionar novamente, ou diminuir a sua coordenação durante o esporte. O treino proprioceptivo envolve geralmente superfícies instáveis. Esta instabilidade fornece ao organismo constantes oportunidades para avaliar a sua orientação no espaço, desenvolvendo e treinando a consciência corporal, como é o caso da Equoterapia. Uma melhora na reposta proprioceptiva proporciona ao corpo com maior equilíbrio e estabilidade.
2.5 RECURSOS SUSTENTÁVEIS •
Concreto-PVC
O sistema construtivo Concreto-PVC foi desenvolvido no Canadá, onde está em uso desde 1970, já está presente em mais de 110 países pelo mundo, inclusive, disponível no Brasil, é totalmente industrializado e compatível com qualquer projeto, proporciona uma nova maneira de projetar e construir, de forma inovadora e versátil. Formado por perfis leves e modulares de PVC, de simples encaixe, o sistema é preenchido com concreto e aço, resultando em um produto de elevada resistência e com inúmeras qualidades construtivas. PVC-Concreto promove uma economia de aproximadamente 20% (vinte por cento) no valor total da obra, devido à grande redução nos custos com mão-de-obra, além de proporcionar uma construção sustentável, rápida e limpa, sem desperdícios. O material possui um tratamento que lhe promove elevada resistência às intempéries, não propaga chamas e não possui em sua composição materiais nocivos à saúde. A grande versatilidade do material é também um diferencial, pois sobre o PVC podem ser aplicados quaisquer tipos de acabamentos (cerâmica, gesso, textura, papel de parede, etc). Testes já foram realizados pela ABNT, através dos quais o material foi aprovado quanto ao isolamento térmico e acústico, durabilidade e resistência. As vantagens em se utilizar o sistema Concreto-PVC são: fácil limpeza e manutenção, longa vida útil, isolamentos térmico e acústico, resistência a intempéries, vento e maresia, resistência a ação de fungos, bactérias e roedores, solidez e flexibilidade (não racha), possibilidade de ampliação, resistência mecânica para
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fixações. Em relação a sustentabilidade, há uma redução de até 97% de desperdícios e entulho, economia de até 73% no consumo de água na obra, economia de até 75% no consumo de energia na obra.
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Eucalipto Tratado
O Eucalipto foi trazido ao Brasil para ornamentação e tornou-se árvore de valor econômico. Ao se adaptar com facilidade às condições climáticas, e ter rápido crescimento, o Eucalipto faz parte de áreas reflorestadas. No replantio, práticas de melhoramento genético resultam na obtenção de uma madeira serrada com alta qualidade. Em substituição de árvores nativas, a madeira de eucalipto possui muitas finalidades na construção civil, fabricação de móveis e embalagens. Dentre as espécies mais populares, encontram-se Eucalytpus Citriodora, Eucalyptus Grandis e Eucalyptus Saligna.
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Compostagem
A compostagem é o processo biológico de valorização da matéria orgânica, seja ela de origem urbana, doméstica, industrial, agrícola ou florestal, e pode ser considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico. Trata-se de um processo natural em que os microorganismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica.
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Placas fotovoltaicas
O efeito fotovoltaico foi descoberto em 1887 pelo físico alemão Heinrich R. Hertz (1857-1894). A placa solar converte a energia do Sol diretamente em eletricidade (havendo outro tipo que é utilizada apenas para o aquecimento, geralmente de água). Ela é composta de células solares, feitas de materiais semicondutores como o silício. São as chamadas células fotovoltaicas. Quando as partículas da luz solar (fótons) colidem com os átomos desses materiais, provocam o deslocamento dos elétrons, gerando uma corrente elétrica, usada para carregar uma bateria. É uma energia abundante, limpa e não contaminante, contribuindo para a sustentabilidade e para o futuro de uma economia de baixo carbono.
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Madeira plástica
A preservação do meio ambiente é essencial para a sobrevivência da humanidade e os resíduos descartados incorretamente são o maior problema atual. Uma solução de sucesso para o reaproveitamento de resíduos plásticos gerador em nosso país, por exemplo, está na fabricação de madeira plástica, pois além de proteger as árvores e reduzir o desmatamento, retira o plástico descartado dos aterros, onde polui o solo, impede o movimento dos lençóis freáticos e nas ruas entope bueiros e redes de esgotos. Para cada 700 kg de madeira plástica uma árvore é preservada e 180 mil sacolas plásticas são retiradas da natureza. No Brasil cresce cada vez mais o uso deste material para a produção de madeira plástica, pois como já é possível obter madeira a partir dos plásticos que colocamos no lixo, empresas produzem esta madeira sem precisar prejudicar o meio ambiente.
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3 PROJETOS REFERENCIAIS •
Conquista Equoterapia
O ‘Conquista Equoterapia’, nome dado ao CE de Vitória da Conquista, em funcionamento há 02 (dois) anos, disponibiliza de infraestrutura natural, com área coberta agradável e segura para o desenvolvimento das atividades, não possui filiação e também não é agregado à ANDE-BRASIL, havendo essa pretensão. Devido a isso, vagas filantrópicas – como disponibilizam a ANDE e seus associados – não existem, as parcerias são escassas e contam somente com o apadrinhamento de 03 (três) empresários que arcam com as despesas da terapia a cavalo dos seus afilhados.
Figura 01:Picadeiro coberto - Centro 'Conquista Equoterapia' -Sítio Sul, Vitória da Conquista/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 01 de fevereiro de 2016.
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Figura 02: Área descoberta - Centro 'Conquista Equoterapia' - Sítio Sul, Vitória da Conquista/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 01 de fevereiro de 2016.
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Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins
Em Itapetinga/Ba, cidade localizada a quase 100 (cem) quilômetros de Vitória da Conquista, encontramos um CE agregado à ANDE-BRASIL, Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK), um projeto multidisciplinar que possui três atuações, nas áreas da educação inclusiva com o Instituto Lar dos Kerubins, na área da saúde com o atendimento clínico (fisioterapeutas) e com o CE, envolvendo diversas parcerias para o perfeito funcionamento de seus trabalhos, como o Setor de Produção e Experimentação de Equídeos (Sepequus), da UESB, coordenado pelo professor Jânio Benevides, no qual sedem o local para a execução da terapia e oferecem apoio com os cavalos, sendo os estagiários os voluntários para darem essa assistência. E profissionais de diferentes áreas se dedicam também a este projeto, fisioterapeuta, psicóloga, médico, psicomotricista, psicopedagoga, fonoaudióloga, socorrista, nutricionista, zootecnista, profissionais de educação física e da equitação básica. Foi idealizado em 2012, porém, só em outubro de 2015 foi reconhecido pela ANDE-BRASIL, tendo como presidente da CEILK, a psicomotricista e pedagoga Klébia Cordeiro, e o seu principal objetivo é a inclusão social de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência
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Figura 03: Redondel - Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK) - UESB; Setor Equídeos, Itapetinga/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 08 de junho de 2016.
Figura 04: Barreiras estimulantes e lúdicas (cores) - Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK) - UESB; Setor Equídeos, Itapetinga/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 08 de junho de 2016.
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Figura 05: Piquetes e árvore com elementos lúdicos - Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK) - UESB; Setor Equídeos, Itapetinga/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 08 de junho de 2016.
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ABAE – Associação Baiana de Equoterapia
Em Salvador, capital da Bahia, possui Centro de Equoterpia filiado à ANDEBRASIL, a Associação Baiana de Equoterapia - ABAE, sendo duas sedes, a matriz é localizada na Avenida Dorival Caymmi, bairro Itapuã, no Parque de Exposição junto ao Esquadrão da Polícia Montada – uma de suas parcerias – e a outra sede localiza-se no bairro Cabula, tem como nome Centro de Equoterapia Yuri Guimarães Brito, homenagem ao percursor da Equoterapia na Bahia. A ABAE foi fundada no dia 16 de dezembro de 1997 pela pedagoga Maria Cristina Guimarães Brito, com o objetivo de atender os portadores de necessidades especiais contribuindo para o estabelecimento de sua dignidade e exercício pleno de sua cidadania, assegurando o seu direito de ir e vir.
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Figura 06: Entrada do Centro de Equoterapia ABAE, localizado no Parque de Exposição, em parceria com o Esquadrão da Polícia Montada de Salvador/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 16 de julho de 2016.
Figura 07: Área das Baias no Centro de Equoterapia ABAE, Salvador/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 16 de julho de 2016.
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Figura 08: Parque infantil adaptado na Associação Baiana de Equoterapia - ABAE, Salvador/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 16 de julho de 2016.
Figura 09: Rampa fixa, picadeiro descoberto e área lúdica coberta, na Associação Baiana de Equoterapia - ABAE, Salvador/BA. Fonte: Acervo do Aluno, 16 de julho de 2016.
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TCC - Centro Hipoterápico de Belo Horizonte, por Laura Franco
Projeto idealizado como instrumento de conclusão de curso de um Centro de Hipoterapia (Equoterapia) de Belo Horizonte/MG, apresentando uma volumetria fascinante em seu partido arquitetônico, que contempla todas as exigências para o bom funcionamento de um centro e, utiliza-se de recursos sustentáveis com o intuito de proporcionar melhor aproveitamento energético dos insumos gerados e menor impacto ambiental, de contribuir contra o adensamento exagerado e permeabilidade do solo.
Figura 10: Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso de um Centro Hipoterápico de Belo Horizonte/MG. Fonte: FRANCO, Laura. 2011.
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Haras e Pousada Cambará - Porto Alegre/RS
Em funcionamento desde 1995, trata-se de um empreendimento rural sustentável situado no Extremo Sul de Porto Alegre/RS, cuja instalações eram de um antigo haras de cavalos Puro Sangue Inglês e que foram remodeladas e transformadas em uma autêntica casa de fazenda, voltada para o turismo rural. Une os conceitos de preservação ambiental e o de sustentabilidade, com telhado vivo, captação e armazenamento de água da chuva, estação de tratamento biológico de efluentes, horta orgânica e um viveiro de mudas nativas.
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Oferece uma estrutura para eventos, trilhas em meio à mata nativa, campos de futebol e vôlei, numa área de quatrocentos mil metros quadrados, dentro da capital gaúcha, tornam o local um dos mais completos Centros de Turismo e Eventos Rurais do Brasil.
Figura 11: Entrada - Haras e Pousada Cambará, Porto Alegre/RS. Fonte: Disponível em <http://www.cambara.tur.br/index.php/hospedagem> Acesso em junho de 2016.
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Ana Dantas Ranch - Xerém/RJ
Jonatas Dantas sempre foi um apaixonado pela raça e velocidade que o mundo equestre disponibiliza. Ser competidor de Vaquejada não bastou para suprir a energia que uma paixão desta oferece. Primeiramente inaugurou o Parque Ana Dantas em Xerém (RJ) que há mais de 20 anos é referência do país quando se fala em vaquejada na região sudeste, promovendo o maior evento do Brasil, posteriormente, com o intuito de produzir a melhor genética de Velocidade, o Ana Dantas Ranch acabou virando referência também na produção de campeões. O Parque também conta com o projeto social de Equoterapia, o Equinovida, cujo objetivo é atender crianças de baixa renda, de três meses a 13 anos de idade, gratuitamente, com aulas reabilitação por meio da terapia com cavalos. A Equoterapia, além de melhorar as limitações físicas e motoras da criança, visa também inseri-la no convívio social.
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Figura 12: Fachada – Ana Dantas Ranch, Xerém/RJ. Fonte: Disponível em < http://www.anadantasranch.com.br/haras.php > Acesso em junho de 2016.
Figura 13: Entrada – Ana Dantas Ranch, Xerém/RJ. Fonte: Disponível em < http://www.anadantasranch.com.br/haras.php > Acesso em junho de 2016.
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Em cada espaço visitado, projetos observados e haras pesquisados foi possível retirar diversos fatores que contribuíram para a percepção e construção do projeto do Centro de Equoterapia Isabelly Alves, como, por exemplo, a estrutura, a sustentabilidade e forma de abordagem, a forma projetual e funcional, além de todos os requisitos indispensáveis para a elaboração de um projeto de um CE.
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4 METODOLOGIA A elaboração deste trabalho de conclusão de curso dispõe como técnicas de pesquisa e como embasamento as referências teóricas publicadas, tendo o propósito de esclarecer as informações necessárias para obtenção de um material completo. O levantamento direto foi realizado através da documentação direta, com os dados obtidos através de levantamento in loco, por meio de pesquisas em campo que foram feitas. Além dessas linhas de estrutura metodológica, foi cabível a este trabalho a observação direta intensiva, mediante às observações assistemáticas, de maneira informal e simples, através de conversas nas redes sociais com pessoas inteiradas sobre o assunto abordado, e participante artificial, havendo a integração com o meio cuja finalidade foi de obter informações, como também por entrevistas estruturadas feitas durante a elaboração do material, em Centros de Equoterapia visitados em Vitória da Conquista/BA, Itapetinga/BA e Salvador/BA, além da visita feita a APAE de Vitória da Conquista.
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5 DESCRIÇÃO DO SÍTIO 5.1 REGIÃO, CIDADE E BAIRRO No estado da Bahia existem três centros de Equoterapia reconhecidos pela ANDE- BRASIL, ou seja, agregados ou filiados. Vitória da Conquista possui um CE mas não é reconhecido pela ANDE, a cidade possui grande demanda, pois em pesquisa na APAE, existem 560 usuários que poderiam usufruir deste tratamento para a sua melhoria de vida. O Alto da Boa Vista é um bairro em desenvolvimento, que engloba moradias de diversas classes sociais, o que foi um ponto importante para a escolha deste bairro, pela inclusão social ser um dos objetivos do empreendimento. Possui fácil acesso, pois apesar de ter acesso por via local, tem lateral para a via projetada que liga o bairro Candeias ao Alto da Boa Vista, além do Anel Rodoviário Jadiel Matos.
5.2 USO E ATIVIDADES DO ENTORNO O terreno teve como parâmetro para a sua escolha o fato de ser um local que englobasse classes sociais diferenciadas, com o objetivo do acesso facilitado para todos, além da inclusão social ser exercida, havendo o Anel Rodoviário Jadiel Matos e, também, o projeto da avenida interligando o bairro Candeias com o Alto da Boa Vista, sendo este um bairro em desenvolvimento, podendo explorar a área favorecendo a implantação do Centro de Equoterapia, com vasta área verde para proporcionar conforto aos praticantes e frequentadores do CE, e aos animais. O terreno tem como entorno imediato em sua maioria moradias e áreas livres, porém, em um raio maior, abrange em seu entorno universidades (UESB, UFBA), o CEMAE (Centro Municipal de Atenção Especializada), escolas, serviços, e entrará em funcionamento um novo shopping, todos esses pontos localizados na avenida Olívia Flores e academia, clube e clube de tênis, no Alto da Boa Vista.
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Figura 14: Entorno. Fonte: Google Earth (2016).
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5.3 CONDICIONANTES FÍSICOS 5.3.1 INSOLEJAMENTO E VENTILAÇÃO
Figura 15: Sol e Vento. Fonte: Figura e norte: Google Earth. Vento: Disponível em <http://www.windfinder.com/> Acesso julho de 2016. 5.4 LEGISLAÇÃO
Figura 16: Zonas e corredores de usos. Fonte: Lei de Uso e Ocupação do Solo – Vitória da Conquista.
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6 CONCEITO E PARTIDO ARQUITETÔNICO O conceito do projeto foi fundamentado nos recursos sustentáveis, visto que o setor da construção civil tem papel essencial para a realização dos objetivos globais do desenvolvimento sustentável. Na busca de minimizar os impactos ambientais, foram utilizados elementos cruciais, como: sistema construtivo Concreto-PVC, eucalipto tratado, compostagem, placas fotovoltaicas, madeira plástica, além de uma vasta área verde. O Centro de Equoterapia Isabelly Alves tem como partido arquitetônico a ferradura, por ser símbolo notório e relacionado aos cavalos, indica proteção e sorte. As ferraduras são peças geralmente feitas de metal colocadas em cascos de cavalos e burros, afim de deixá-los protegidos de desgastes, curar algum tipo de doença ou arrumar os aprumos, ela é pregada com cravo na borda da parede dos cascos. Pode ser feita de plástico, ferro ou alumínio, e em certas culturas são usadas para trazer boa sorte. Os animais que vivem soltos no pasto não têm a necessidade de usar ferradura, pois o solo é capaz de desgastar os seus cascos sem prejudicar o animal. Mas quando são usados para uma rotina de trabalhos puxados em piso duro, ou ficam a maior parte do tempo em estábulos e baias é necessário o seu uso, pois o desgaste excessivo que esse tipo de solo causa proporciona muitas lesões nos pés, principalmente se tratando de terrenos com pedras, asfalto e paralelepípedo.
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7 PROGRAMA DE NECESSIDADES Após estudos realizados, foi elaborado o programa de necessidades para dar início, de forma embasada, ao projeto arquitetônico.
SETOR
ADMINISTRATIVO
Guarita
12m²
Recepção + Lobby
20m²
Sala diretoria
16m²
Sala coordenação
10m²
Sala multiuso
70m²
Sala de reuniões
18m²
Apoio: cadeira de rodas
10m²
Sanitário masculino
10m²
Sanitário feminino
10m²
Sanitário PCR
4m²
Copa
10m²
DML
6m²
SETOR
TERAPÊUTICO
Sala Fisioterapia
25m²
Sala Terapia Ocupacional
25m²
Sala Psic. e Psicopedagogia
25m²
Sala aberta para terapia
40m²
Brinquedoteca
45m²
Pronto Socorro
12m²
Farmácia
7m²
Sanitário masculino
4m²
Sanitário feminino
4m²
Fraldário
4m²
DML
5m²
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SETOR
EQUINOS
Farmácia/Veterinária
12m²
Depósito Feno e Ração
15m²
Arreios e Selas
15m²
DML
5m²
Área de convivência
40m²
Baia
17m²
Picadeiro coberto
800m²
Redondel
200m²
Vestiário masculino
15m²
Vestiário feminino
15m²
SERVIÇOS
GERAIS
Triagem de lixo
20m²
Depósito Geral
18m²
Depósito Jardinagem
7m²
DML
4m²
Área de convivência
12m²
Refeitório funcionários
45m²
Vestiário masculino
20m²
Vestiário feminino
20m²
Estacionamento
70 vagas
Carga e descarga
580m²
Casa tratador
60m²
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Estacionamento
8 FUNCIONOGRAMA
Carga e descarga Guarita Embarque e desembarque Recepção
Sala FISIOTERAPIA W.C. Fem Sala PSICOLOGIA
W.C. Masc
Casa Tratador
Diretoria
Lixo - Triagem
Coordenação Depósito geral
Sala PEDAGOGIA
Reunião Copa
Depósito jardin.
Sala TERAPIA OCUP. DML Pronto Socorro
Palestra
Farmácia W.C. Masc
DML
W.C. Fem.
W.C. Fem
DML
W.C. Masc
Área tratamento veterinário Farmácia/Veterinária Depósito Feno Depósito Ração
SETORES
Acessórios Cavalo
Administração Baias Serviços Gerais Piquete Equinos
Picadeiro Coberto
Terapêutico Redondel
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9 DESCRIÇÃO DO PROJETO E MATERIAIS UTILIZADOS O projeto arquitetônico do Centro de Equoterapia Isabelly Alves tem como proposta viabilizar o método equoterápico com estrutura urbanística e terapêutica compatível às necessidades dos praticantes, acompanhantes e profissionais, concomitantemente, tratar de forma adequada os animais envolvidos. Um haras com conceito embasado em abordagens sustentáveis, proporcionando uma construção de baixo impacto ao meio ambiente, com materiais alternativos sendo utilizados, sejam reciclados ou oriundos de reflorestamento e com um alto investimento na qualidade construtiva. O CE possui 2.147,10m² de área total construída, dividindo-se em 4 (quatro) setores maiores: administrativo, terapêutico, equinos, serviços gerais e casa do tratador, sendo a edificação toda térrea (visando sempre a acessibilidade), feita pelo método construtivo Concreto-PVC, contendo suas vantagens e em alguns momentos é utilizado de forma aparente. Nas fachadas será utilizado o revestimento da Portobello que imita o ‘tijolinho’ para manter a rusticidade do projeto, da linha All Bricks foi selecionado o ‘Woodstock Blend Assim 30x39 Tel 07x26’. As coberturas terão estrutura em eucalipto tratado e as telhas serão as cimentícias planas, da marca Tégula, na cor cinza pérola, com inclinação de 60%, diferenciando apenas em uma edificação, que será de 30%. Foi escolhido para o piso externo o intertravado acessível com função não trepidante, da Oterprem, buscando o conforto para os praticantes e prevendo uma porcentagem de permeabilidade. A área permeável do projeto é de 25.724,30m² e conta com área verde para poder desfrutar, como o bosque para cavalgada que possui vasta quantidade de árvores frutíferas e áreas contemplativas também.
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9.1 QUADRO DE ร REAS
Figura 17: Quadro de รกreas referente ao projeto. Fonte: Acervo pessoal.
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10 CONCLUSÃO Espera-se desse trabalho de conclusão de curso um projeto arquitetônico com recursos sustentáveis que satisfaça às necessidades de um Centro de Equoterapia acessível à população de Vitória da Conquista/Ba e, mais do que isso, que seja um ambiente familiar com muito conforto; um local de inclusão social, de consciência ambiental e de cura.
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REFERÊNCIAS BRILINGER, Caroline Orlandi. A influência da equoterapia no desenvolvimento motor do portador de síndrome de down: estudo de um caso. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade do Sul de Santa Catarina. Tubarão. [Orientador: Júlio César de Oliveira Araújo]
CAMARGO, Lilian Calili. Atividades a cavalo para pessoas portadoras de necessidades especiais: o jogo dos sentidos e das representações. 2001. Monografia. Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas. [Orientador: Prof. Dr. Edison Duarte.] DE CARVALHO, João Paulo Gomes. Multifuncionalidade da equinocultura em ambientes urbanos: avaliação técnica e percepção do bem-estar animal e da paisagem. 2014. Dissertação. Universidade Federal do Paraná. Curitiba. [Orientador: Prof. Dr. João Ricardo Dittrich] DE JESUS, Ida Maria Sozzi. A Equoterapia como recurso na terapia psicomotora para a aquisição/desenvolvimento do equilíbrio corporal. 2010. Artigo. Unifai. São Paulo. [Orientadora: Vania Ramos] GOMES, Karen Oliveira. A contribuição da Equoterapia na Psicomotricidade. 2010. Pós graduação Lato Senso. Universidade Candido Mendes, Instituto a Vez do Mestre. Rio de Janeiro. [Orientadora: Fabiane Muniz]
GONÇALVES, Joana Carla Soares. DUARTE, Denise Helena Silva. Arquitetura sustentável: uma integração entre ambiente, projeto e tecnologia em experiências de pesquisa, prática e ensino. 2006. Artigo. Universidade de São Paulo. Sites Pesquisados:
ANDE-BRASIL. Disponível em<http://equoterapia.org.br/>Acesso em março de2016.
CORREA, Celino Britto. Novembro 2001. Arquitetura Bioclimática. Disponível em <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/02.004/1590>Acesso em junho de 2016.
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APÊNDICES APÊNDICE A ROTEIRO/ENTREVISTA Conquista Equoterapia
1.
Como se desenvolveu a criação do “Conquista Equoterapia”?
2.
Quem é o diretor do “Conquista Equoterapia” (o responsável)?
3.
Além do apadrinhamento, há vagas para atendimento filantrópico
(ANDE-BRASIL 20%)? Como funciona o apadrinhamento? 4.
Existe o trabalho voluntário no “Conquista Equoterapia”?
5.
Qual o médico que orienta o “Conquista Equoterapia”, responsável pela
avaliação inicial dos praticantes e acompanhamento? 6.
É feito a reavaliação de cada praticante de quanto em quanto tempo?
7.
Quais os profissionais que devem estar envolvidos de fato?
8.
O que deve conter em um haras para que nele possa ser desenvolvida a
Equoterapia? O que vocês oferecem no Sítio Sul? 9.
Em relação ao cavalo, qual raça seria a mais apropriada para este tipo de
terapia? 10. Além de auxiliar no desenvolvimento de crianças com a Síndrome de Down, paralisia cerebral, autismo; a Equoterapia ajuda também crianças com déficit de atenção? Em quais outras deficiências ela atua de forma positiva? 11. “Conquista Equoterapia” é filiada ou agregada à ANDE-BRASIL? 12. Em termos financeiros, é possível um Centro de Equoterapia se manter somente com esse serviço? Existe alguma parceria com a “Conquista Equoterapia”? Como funciona essa parte?
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APÊNDICE B ROTEIRO/ENTREVISTA Centro de Equoterapia e Instituto Lar dos Kerubins (CEILK)
1.
Há quanto tempo o CE foi criado? E o Instituto, como funciona?
2.
Como se desenvolveu a criação? E a escolha do local?
3.
Quem é o responsável?
4.
Como se deu a agregação à ANDE-BRASIL?
5.
O que precisou ser feito para que isso ocorresse?
6.
Quais são as vantagens de ser agregado à ANDE-BRASIL? Existe
pretensão em ser filiado, correto? 7.
De acordo a ANDE, deve existir 20% das vagas para atendimento
filantrópico, correto?Como isso ocorre? 8.
Existe o trabalho voluntário?
9.
Qual o médico que orienta e é responsável pela avaliação inicial dos
praticantes, acompanhamento e reavaliações? 10. É feito a reavaliação de cada praticante de quanto em quanto tempo? 11. Quais os profissionais que estão envolvidos? 12. O que deve conter em um haras para que nele possa ser desenvolvida a Equoterapia? 13. Em relação ao cavalo, como é feita a seleção? 14. Quais são as características dos praticantes neste Centro? E a idade? 15. Em termos financeiros, é possível um Centro de Equoterapia se manter somente com esse serviço? 16. Existe alguma parceria e/ou convênio? Como funciona? 17. Quantos funcionários trabalham? 18. Quais os cargos que ocupam? 19. Como são feitas as seleções dos funcionários? 20. Como é feito o pagamento? Salário? Carteira Assinada? 21. Quais são os custos que se tem, de forma geral, no local da equoterapia (água, luz, tratador, caseiro)? 22. E os custos com o cavalo, de alimentação, remédios e exames? 23. Quantos são os cavalos?
52
24. E o local em que eles ficam (baias)? 25. Como se organiza a estrutura desse Centro de Equoterapia?
53
APÊNDICE C ROTEIRO/ENTREVISTA ABAE – Associação Baiana de Equoterapia
1.
Há quanto tempo a ABAE foi criada?
2.
Como se desenvolveu a criação?
3.
Como se deu a filiação à ANDE-BRASIL?
4.
Quantos praticantes estão inscritos no tratamento da Equoterapia, na
5.
Qual a quantidade e/ou porcentagem das vagas para atendimento
ABAE?
filantrópico? Como funciona a seleção para este público? 6.
Quais e quantos os profissionais que estão envolvidos?
7.
Quantos funcionários trabalham na ABAE?
8.
Quais os cargos que ocupam?
9.
Como são feitas as seleções dos funcionários?
10. Como é feito o pagamento? Salário? Carteira assinada? 11. Existe o trabalho voluntário ou todos os funcionários são remunerados? 12. O acompanhamento médico com avaliações é feito por um médico específico da casa ou cada praticante tem o seu? 13. É feito a avaliação de cada praticante de quanto em quanto tempo? 14. Em relação ao cavalo, como é feita a seleção? Eles são doações? 15. Quantos são os cavalos? 16. Quais são as características dos praticantes neste Centro? E a idade? 17. Em termos financeiros, é possível um Centro de Equoterapia se manter somente com esse serviço? 18. Quais são os parceiros e/ou convênios que contribuem para o bom funcionamento da ABAE? 19. Quais são os custos que se tem, de forma geral, no local da Equoterapia (água, luz, tratador, caseiro)? 20. E os custos com o cavalo, de alimentação, remédios e exames?
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APÊNDICE D ROTEIRO/ENTREVISTA APAE – Vitória da Conquista/BA
1.
Há quantos anos existe a APAE Vitória da Conquista?
2.
Quais são os serviços oferecidos?
3.
Quem pode usufruir?
4.
Como funciona o ingresso na APAE?
5.
Quantas pessoas ingressadas possui?
6.
O que se conhece por Equoterapia? Como essa terapia auxilia na
evolução dos beneficiados? 7.
Sabe da existência do CE privado?
8.
Um CE que tivesse a infraestrutura ideal, com conforto e segurança, de
fácil acesso, teria qual importância para a cidade de Vitória da Conquista? Quais os benefícios para a cidade? 9.
A Apae se interessaria em ser parceiro de um CE?