100 anos de história. Do cinema mudo, em preto e branco, às superproduções em 3D. O cinema indiano tem muito o que comemorar e a Bollywood Brasil também comemora com uma edição especial. Esta edição traz uma matéria especial com os grandes clássicos do cinema indiano, explicando por que eles marcaram época. Imagine a profissão de um executivo de uma das maiores produtoras de Bollywood, trabalhando com as superestrelas... Avtar Panesar, da produtora Yash Raj Films, nos conta um pouco dessa rotina. E tem mais: vamos mostrar como a fábrica de sonhos funciona! Visitamos os estúdios de gravação, onde grandes sucessos de Bollywood são filmados. Trazemos a crítica do clássico Sholay, as notícias do mês (filme de Tollywood filmado em Portugal, um superherói preguiçoso e que gosta de samosa e ainda um pedido de casamento com Flashmob estilo Bollywood). Mas não paramos por aí. Esta é uma edição especial então trazemos também a cobertura do festival de Cannes, que este ano homenageia os 100 anos do cinema indiano. Esperamos que gostem desta edição especial e como sempre estamos abertos a sugestões por e-mail (jornalismo@bollywoodbrasil.com.br) ou pelo nosso Facebook (BollywoodBrasil).
pág. 3 - 4 Entrevista com: Avtar Panesar pág. 4 Enquete! pág. 5 - 7 Matéria da Capa: Os 100 anos do cinema indiano pág. 7 - 8 Um dia na fábrica dos sonhos pág. 9 - 10 Entretenimento: O jeito indiano de ir aos cinemas pág. 11 - 12 A India vai a Cannes
Forte abraço, Equipe da Bollywood Brasil
pág. 12 - 13 Notícias do Mês pág. 14 - 15 Crítica: Sholay
Bollywood Brasil Expediente: Editor-chefe: André Ricardo Redação: André Ricardo, Claudia Rabelo Lopes, Feliz Luz, Fernanda Beltrand, Juily Manghirmalani, Rosely Toledo e Tiago Ursulino Edição e revisão: Tiago Ursulino Diagramação: Aline Moreira, Dayna Disha Malani, Juily Manghirmalani e Welber Conceição Publicidade: Themis Nascimento Divulgação: Shadia Fernanda Contato: Redação: jornalismo@bollywoodbrasil.com.br Divulgação: divulgacao@bollywoodbrasil.com.br Anúncios/patrocínio: comercial@bollywoodbrasil.com.br
pág. 16 - 17 Agenda de Estreias
...Você está constantemente lidando com estrelas
ENTREVISTA
de Bollywood. Como é lidar com as celebridades?
com Avtar Panesar,o superexecutivo da YRF por Rosely Toledo
“Nós seremos uma marca ainda maior no futuro, tanto nacional como internacionalmente.”
É um trabalho para eles e para nós e todos
nós fazemos a nossa parte. No entanto, existem sempre alguns momentos especiais, e os meus dois favoritos “superstars” são Amitabh Bachchan e Shah
Vivemos em tempos em que tudo gira em função
Rukh Khan, que sempre são atenciosos para que você
da concorrência, em que a disputa por mais “potência”
possa se sentir especial.
está presente em tudo, desde eletrodomésticos a carros. Isto também se sente presente no cinema indiano
...Qual é o seu filme favorito, podendo ser da YRF ou
através de grandes empresas como a Yash Raj Films
não?
(YRF), estabelecida por Yash Chopra, um diretor e produ
tor de cinema conhecido como o “rei do romance” e que é considerado um magnata do entretenimento na Índia.
...E o seu ator e atriz favoritos?
A YRF, além de produzir filmes, lançou o seu
Meu ator favorito é Amitabh Bachchan. Se você
Essa é sempre uma pergunta difícil e nunca
perguntar sobre a atual safra de atores, temos vários,
poderia ser só um. Cada filme é especial por causa
mas Shah Rukh Khan é, talvez, a minha primeira es-
dele mesmo ou das memórias ligadas a ele. Se tivesse
colha.
que escolher um filme, teria que ser Veer Zaara, por
próprio selo musical, chamado YRF Music. Para que es-
Quanto as atrizes, mais uma vez, é uma pergunta
causa do assunto, performances, música, roteiro e o
difícil, mas Madhuri Dixit é uma das atrizes mais tal-
tas potências sejam bem administradas é necessário ter
filme na sua totalidade, bem como as memórias liga-
entosas, e da nova geração seria Anushka Sharma.
os melhores executivos e este mês a nossa entrevista é
das ao mesmo e também ao fato de termos aberto
com um deles.
nosso escritórios no Oriente Médio com este filme e
o mercado ter-se desenvolvido muito. Estou muito or-
...Você teve alguma situação engraçada durante o seu
gulhoso dos nossos esforços e dos resultados alcança-
trabalho?
dos.
...O cinema indiano será homenageado em Cannes
Mohabbatein, tivemos muitos momentos engraçados e
Avtar Panesar está no ramo de entretenimento
há mais de 25 anos, atuando no mercado internacional para música e filmes indianos. Há 16 anos está com a YRF, onde criou e desenvolveu o departamento de distribuição internacional a partir do primeiro escritório no exterior da
Muitas para listar, mas durante as filmagens de
este ano. Quais são os planos para o Festival?
de várias maneiras, mas o momento mais assustador
YRF no Reino Unido em 1997. Atualmente supervisiona todas as negociações realizadas fora da Índia, tendo com foco a
Nós estaremos lá com o maior filme da Índia,
de todos foi quando tivemos que construir um cenário
formação de novos mercados para a empresa.
Dhoom 3, que é a mais bem-sucedida franquia de ação
para um Gazebo e um templo no térreo da Longleat
da Índia. É o longa metragem mais caro do país e será
House (a residência do Senhor e Senhora Bath, no
o primeiro filme indiano em IMAX . O filme está pre-
Reino Unido), e 2 dias antes das filmagens o cenário
visto para lançamento em dezembro. Nós filmamos
começou a afundar por causa do excesso de chuva.
Dhoom 2, em parte, no Rio de Janeiro e isso ajudou o
Mas felizmente conseguimos corrigir isso, com grande
filme a tornar-se o maior sucesso de público em 2006.
dificuldade.
...Como foi que você se envolveu na indústria de
...O que você mais gosta no seu trabalho?
cinema? E com a YRF?
Quando eu viajo para qualquer lugar do mundo
Eu sempre estive neste negócio. Comecei com
e conheço pessoas que me dizem que viram um filme
a EMI Índia / HMV por volta de 1984 e, posteriormente,
dos nossos estúdios e como isso impactou suas vidas.
com a YRF partir de 1997, quando eu criei o primeiro
É ótimo saber que eu fui parte do processo de real-
escritório internacional em Londres, com o filme Dil To
ização do filme e ajudei a levar alegria a suas vidas.
Pagal Hai (O Coração é louco) de Yash Chopra, em se-
Para as pessoas que vivem longe da Índia, Bollywood é
guida nos EUA e Dubai desenvolvendo o mercado fora
uma maneira de ficar conectado com o seu país, raízes
da Índia. Então eu acho que foi um passo natural para
e valores. Eu nasci na Índia, mas fui criado no Reino
mim.
Unido e compartilho este sentimento.
...Yash Chopra deu uma nova dimensão ao cinema indiano por ter uma forma singular de contar uma história romântica para o público. Além disso, ele foi um dos pioneiros em filmes de Bollywood do gênero masala, criando um novo padrão para o cinema indiano. Podemos dizer que os seus blockbusters ajudaram Bollywood a se expandir internacionalmente. Como você vê Bollywood evoluindo no futuro?
Sim, Yashji era um veterano e sempre nadou contra a maré, ele travou muitas batalhas nas bilheterias,
ganhou algumas, perdeu outras, mas uma coisa que o seu público esperava dele era o inesperado, e ele nunca os decepcionou. Foi esta abordagem inusitada que manteve seus filmes em um rumo de constantes mudanças nos últimos 50 anos.
“É ótimo saber que eu fui parte do processo de realização do filme e ajudei a levar alegria a suas vidas.”
O futuro é brilhante para Bollywood e nós estamos nos preparando para o mundo; e o mundo já começou a apreciar os filmes indianos, os quais tem uma identidade muito distinta e é isso que os tornam especiais e os destacam. Estamos contando histórias diferentes e esses filmes estão encontrando público, o que é muito encorajador, por isso nós seremos uma marca ainda maior no futuro, tanto nacional como internacionalmente.
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...Você acha que o tema dos filmes estão mudando devido
onde nós precisamos ter contato com o que o nosso pú-
ANUNCIE AQUI
blico quer. É claro que cinema é um reflexo dos tempos em
contato: comercial@bollywoodbrasil.com.br
à integração da Índia aos valores ocidentais?
Isso faz parte do jogo. Estamos em um negócio
que vivemos e temos de entender isso. Então a mudança é inevitável. ...Quais são as melhores e as piores coisas sobre o seu trabalho?
Temos que dar esperança a todos que veem os nos-
sos filmes. Se você é pobre nós somos capaz de mostrar-lhe um mundo do qual você talvez nunca consiga experimentar. Se você está apaixonado, nós fazemos épicos que conectam os povos. O que poderia ser melhor do que fazer sonhos se tornarem realidade? ...Hoje em dia, como é a distribuição de filmes de Bollywood em outros países? Que país você acha que é mais ...Qual é o filme da empresa que teve a maior distribuição em números na Índia?
Isso sempre varia a cada ano e depende do
número de filmes lançados pelo estúdio, como é o caso do ano de 2012 em que tivemos os filmes de 1º (Ek Tha Tiger) e 2º (Jab Tak Hai Jaan) lugar de bilheteria. ...Você acha que Bollywood pode ter uma presença no Brasil, como em outros países, como a Alemanha ou Peru?
Sim, de fato estou muito confiante de que va-
receptivo a filmes indianos?
Estamos sempre à procura de novos mercados
para levar nossos filmes. Eu sempre sinto que existem três fases para os nossos filmes: 1) Intriga, 2) Aceitação, 3) Abraço. A maioria dos países está na fase 1, pois eles agora estão intrigados com Bollywood, por isso precisamos levar os filmes direito a esses mercados, a fim de que passem para a fase 2. Claro que há países como a Alemanha que já abraçaram o nosso cinema. ...A YRF tem planos para o Brasil? Talvez um novo filme
mos, embora não seja uma tarefa fácil, já que o Brasil
rodado aqui?
tem um forte cinema local, mas acredito que os filmes
indianos são como a comida indiana: uma vez adquiri-
escritório brasileiro e adoraríamos filmar mais nesse lindo
do o gosto você está viciado e não pode viver sem ela.
país.
Nós esperamos poder começar a ver sucesso no
Enquete! A Bollywood Filmes desta vez perguntou qual seria o ator indiano preferido dos brasileiros. A competição foi ainda mais acirrada do que a com as atrizes, como vocês verão pela diferença entre os primeiros colocados. Então vamos aos mais votados: 4º colocado – HRITHIK ROSHAN com 13% dos votos 3º colocado - SALMAN KHAN, com 15% dos votos.
“Filmes indianos são como a comida indiana uma vez adquirido o gosto você está viciado e não pode viver sem ela.”
A partir daqui, a disputa foi voto a voto: 2º colocado – O rei do romance SHAH RUKH KHAN, com 29% dos votos E em primeiríssimo lugar, provavelmente o mais versátil de todos. Ele já foi vilão, mocinho e até idiota! Famoso por seus filmes de cunho social, além de ator é também produtor, embaixador da UNICEF e apresentador de TV nas “horas vagas”. Ele é conhecido em Bollywood como o senhor perfeccionista. Com 31% da preferência do público brasileiro: AAMIR KHAN Agradecemos a todos que votaram e fiquem ligados que em breve teremos mais enquetes.
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Os 100 anos do cinema indiano
Anos 40
Como parte das comemorações para o centenário do cinema indiano, a Bollywood Brasil relembra alguns clássicos
Kismet - (1943)
indianos que marcaram as suas décadas e que, claro, continuaram influenciando o cinema das décadas seguintes. Na seleção, somente filmes da indústria híndi.
por Fernanda Beltrand
Trata-se da história de um proprietário de um antigo teatro e de sua filha que estão vivendo na pobreza. Até que a filha encontra um jovem batedor de carteiras que ao tentar
Anos 10 Raja Harishchandra
enganá-la acaba se apaixonando pela garota e traz de volta a chance do pai voltar a ser dono do teatro. O destaque para este blockbuster indiano é que ele trata de temas ousados para a época, como a gravidez fora do
(O Rei Harischchandra) – (1913)
casamento e pela primeira vez traz um ator indiano Ashok Kumar interpretando dois papéis (Shekhar e Madan).
O filme conta a história sobre Harishchandra, um rei que sacrificou perante os deuses sua família, o poder e seu reino em nome de seus
Dirigido e escrito por Gyan Mukherjee e produzido pela
princípios e amor pela verdade. E que, após passar por muitas difi-
Bombay Talkies, Kismet se tornou sucesso de bilheterias,
culdades descobre que tudo não passava de um teste de integridade.
fazendo mais de 10 milhões de rúpias – o que representa-
Raja Harishchandra é destaque no Cinema Nacional Indiano, pois
ria, em valores atuais, mais de 639 milhões de rúpias ou 23 milhões de reais.
foi o primeiro longa-metragem produzido na Índia (então uma colônia britânica) e por um indiano. Lançado em 3 de maio de 1913, o longa coroou o cinema em Mumbai. Dirigido e produzido por Dadasaheb Phalke (1870 – 1944), o filme é silencioso e em preto e branco, e os papéis femininos foram encenados apenas por homens, pois a profissão de atriz era considerada indecente naquela época. O longa é tão importante para o cinema indiano que o seu dire-
Anos 50
tor, considerado o pai do cinema na Índia, dá nome a um dos prêmios de cinema mais cobiçados do país, entregue anualmente em reconhecimento a contribuições excepcionais ao cinema.
Mother India
O filme tinha 4 rolos, dos quais apenas o primeiro e o último sobreviveram nos arquivos da NFAI (National Film Archive of India), sendo que alguns historiadores acreditam que estes rolos na verdade pertencem a um remake que
(Mãe Índia) - (1957)
o próprio Phalke teria feito do filme em 1917.
Os recém-casados Rhada (Nargis Dutt) e Shyamu vivem em condi-
Anos 30
ções precárias em uma comunidade rural, juntamente com a mãe de Shyamu, que, para ajudar o casal, faz um empréstimo com Sukhihala,
Alam Ara
um homem que controla a vila. Ao emprestar o dinheiro, Sukhihala se aproveita da ingenuidade da mulher, e faz com que ela assine um docu-
(A luz do mundo) - (1931)
mento que colocará a família em uma situação de extrema exploração. Para ajudar sua família, na ausência de seu marido, Radha luta para
Baseado em uma peça teatral, o filme conta a história de um rei
criar seus filhos e sobreviver. Apesar de seu sofrimento, ela se define
e a rivalidade de suas duas rainhas Navbahar e Dilbahar que dispu-
como exemplo moral de uma mulher indiana ideal.
tam qual de seus filhos será o herdeiro do trono.
Mother India é considerado a produção mais cara de Bollywood. Levou
A estreia do filme ocorreu no dia 14 de março de 1931. Alam Ara
três anos para ser confeccionado, desde a organização, planejamento e
é o primeiro filme falado da história do cinema indiano. Além disso, conta com números musicais, detalhe que se tornaria um sucesso
O filme recebeu muitas indicações e premiações. Em 1957, ganhou dois prêmios no 5º Prêmio Nacional de Cinema:
na indústria cinematográfica conhecida como Bollywood. O filme
Certificado de Mérito de Melhor Longa Metragem (entre todas as línguas) e Certificado de Mérito para o Melhor Longa
introduziu a música popular indiana no enredo de filmes e fez tanto
Metragem (em híndi). Já em 1958, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu para Noites de Cabí-
sucesso que era necessário reforço policial para conter as multi-
ria, de Federico Fellini, por um único voto. Ganhou o prêmio de melhor filme da Filmfare, e também os de melhor diretor
dões. A partir de Alam Ara, a indústria do cinema indiano percebeu
para Mehboob Khan, melhor atriz principal para Nargis, melhor diretor de fotografia para Faredoon Irani e melhor som
que os filmes sonoros seriam um sucesso e passaram rapidamente
para R. Kaushik. Nargis também tornou-se a primeira indiana a receber o prêmio de Melhor Atriz no Karlovy Vary Inter-
ao novo gênero. Em 2003, a versão original foi destruída em um
national Film Festival, da hoje chamada República Tcheca.
incêndio no NFAI, e o filme não está mais disponível em seu formato original. Recentemente, o longa foi homenageado na comemoração de seu 80º aniversário pelo site de busca Google Índia, através de um doodle, na página inicial.
criação de roteiro até o término das filmagens.
Mother India se tornou um clássico cult e é considerado um dos melhores filmes indianos. O longa estreou
no Cinema Liberdade em Mumbai, no dia 25 de outubro de 1957, e foi lançado no mesmo dia em Kolkata (Calcutá), em Délhi uma semana depois, e até o final de novembro já havia sido lançado em todas as regiões.
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Anos 60 Mughal-e-Azam (1960) Ambientado no século XVI, o filme conta a história de amor
Anos 80 Salaam Bombay
(Saudações a Bombaim) - (1989)
entre Salim e Anarkali, um príncipe e uma bailarina que lutam
O longa narra a história de um menino chamado Krishna, de dez
contra as diferenças sociais em nome de um grande e poderoso
anos, abandonado por um circo ambulante, conhecido como Circo
amor. Salim é filho de Akbar, o Grande, o mesmo imperador retrata-
Apollo. Sem rumo, ele vai para Bombaim, chegando em meio ao turbi-
do no mais recente filme Jodhaa-Akbar.
lhão da grande metrópole. O garoto sonha em trabalhar e guardar 500
Um dos longas de maior sucesso do cinema indiano, aclamado pela crítica e que inspira atores e diretores, Mughal-e-Azam, dirigido por
rúpias que o levarão de volta a sua casa e para os braços de sua mãe, mas a vida nas ruas não é fácil.
K. Asif, foi uma das maiores superproduções que Bollywood já viu
O filme é o primeiro longa da diretora indiana Mira Nair, que se tor-
em sua história e levou nove anos para ser concluído. Foi recorde de
nou conhecida no Brasil pelo filme “Um Casamento à Indiana”. Foi in-
bilheteria até o lançamento de Sholay (1975).
dicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e reflete o problema das
Originalmente filmado em preto e branco, conta com a participa-
crianças abandonadas em países do terceiro mundo. A maioria dos jo-
ção dos atores Prithviraj Kapoor, Dilip Kumar e Madhubala nos prin-
vens atores que apareceram em Salaam Bombay eram de fato crianças
cipais papéis. A versão colorida, para o delírio dos fãs, foi criada
de rua. Todos receberam um treinamento em uma oficina em Bombaim
em 2004 e lançada no mesmo ano, por Rajeev Dwivedi e Sankran-
antes de aparecerem no filme.
ti, demonstrando ainda mais o sucesso desse grande e lendário
Em 1989, a diretora Mira Nair criou uma organização chamada Salaam Baalak Trust, para reabilitar as crianças
filme da história de Bollywood.
que apareceram no filme. A maioria deles foi ajudada. A organização ainda existe, e agora presta apoio a crianças de rua em Mumbai/Bombaim, Délhi e Bhubaneshwar. Shafiq Syed, que desempenhou o papel de Krishna no filme, agora ganha a vida como motorista de autorickshaw (o riquixá motorizado indiano) em Bangalore e luta para sustentar uma família de cinco pessoas no sul da Índia.
Anos 70 Sholay (1975) Veeru e Jai são uma dupla de bandidos imbatíveis, de segunda classe, que acabam sendo recrutados pelo próprio policial que os
Anos 90 Dil Se
(Do coração) - (1998)
prendeu para uma missão quase impossível: capturar o terrível Gabbar Singh, um psicopata que anda aterrorizando o pequeno vilarejo de Ramgarh.
Amarkant Varma (Shah Rukh Khan), um jornalista que está a serviço de uma rádio, vai para o nordeste indiano reportar os eventos relacio-
Sholay é o filme de maior sucesso dos últimos tempos. Arreca-
nados ao 50º aniversário da independência da Índia (livre do comando
dou cerca de 88 milhões de dólares. Após o sucesso de Sholay, ne-
britânico desde 1947). Numa de suas jornadas, apaixona-se por uma
nhum filme chegou perto de tal arrecadação. No início, cogitou-se
bela e misteriosa mulher chamada Meghna (Manisha Koirala), envolvida
que o filme seria um fracasso, mas para que não houvesse prejuízo
em atentados terroristas.
o filme continuou em cartaz. Dessa forma, possibilitou que muitas
O melodrama político Dil Se é a última parte da trilogia do diretor Mani
pessoas o assistissem ficando mais de cinco anos em cartaz na
Ratnam dedicada ao terrorismo. Os anteriores são Roja (1992) e Bombay
sala Minerva, em Mumbai.
(1995). A atriz Manisha Koirala também coescreveu o roteiro. A história foi
O longa é estreado por Dharmendra, Amitabh Bachchan, Sanje-
filmada em Himachal, Hashmir, Délhi, Assam e Kerala durante um período
ev Kumar, Hema Malini, Jaya Bhaduri Bachchan e Amjad Khan. Em
de 55 dias. É considerado um exemplo para o cinema indiano. Apesar do
2005, durante a 50ª premiação anual Filmfare ganhou um prêmio especial chamado de Melhor Filme em 50 anos.
fracasso de bilheteria internamente, tornou-se um sucesso no exterior ga-
Estudiosos discutiram vários temas que surgiram a partir do filme, como a glorificação da violência, a evolução dia-
nhando cerca de 980 mil dólares nos Estados Unidos e Reino Unido.
lética entre ordem social e usurpadores mobilizados, ligação homossexual entre os dois protagonistas masculinos
Além de ser premiado no Festival de Berlim de 1999, ganhou sete prêmios Filmfare das dez indicações na ce-
e o papel do filme como uma alegoria nacional. Os diálogos e alguns personagens do filme se tornaram extrema-
rimônia de 1998 e dois National Film Awards. Dil Se é dito ser uma viagem através dos sete tons de amor que são
mente populares. Leia mais sobre o filme na nossa crítica do mês.
definidos na literatura árabe antiga: atração, paixão, amor, reverência, adoração, obsessão e morte. O personagem interpretado por Shah Rukh Khan passa através de cada uma dessas máscaras no decorrer do filme.
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Anos 2000 3 Idiots
(3 idiotas) - (2009) Dois amigos, Farhan (R.Madhavan) e Raju (Sharman Joshi), estão à procura do melhor amigo (Aamir Khan), que desapareceu após decidir mudar sua maneira de ver o mundo. Assim, eles retornam à escola onde estudaram, onde relembram insólitas experiências com uma jovem e bonita garota e também com o tirânico professor. Mas o pior é terem de lidar com uma aposta indesejada, um casamento e um funeral. O filme teve sua estreia marcada para o dia 25 de dezembro de 2009 e no dia 4 de janeiro de 2010, já havia quebrado todos os recordes do cinema indiano. Superou os recordes de arrecadação dentro e fora do país e também o de salas ocupadas. O principal motivo do sucesso é o seu tema: num país em que os meninos muitas vezes são obrigados pelos pais a cursar engenharia e as meninas a se tornarem médicas, o filme mostra o drama vivido dentro das universidades por esses jovens que não necessariamente compartilham os sonhos dos pais. O longa é escrito e dirigido por Rajkumar Hirani. A produção é da Vinod Chopra Productions e o roteiro de Abhijat Joshi. Conta com a participação, além dos atores citados, de Kareena Kapoor. Durante os dez dias de lançamento, o filme alcançou a marca dos 18 milhões de dólares nos Estados Unidos e tornou-se o filme de maior bilheteria da história de Bollywood também em mercados estrangeiros. Além disso, levou seis prêmios Filmfare, incluindo melhor filme e melhor diretor, dez prêmios Star Screen e dezesseis IIFA.
Um dia na Fábrica de Sonhos
por Juily Manghirmalani
Juily Manghirmalani visitou na Índia um dos maiores estúdios de produção de Filmes de Bollywood e conta para os leitores da Bollywood Brasil, como a magia e cores de Bollywood são produzidas.
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Era uma tarde tranquila e quente em Mumbai, quando um dos assistentes do vice-presidente da Yash
Enquanto andávamos até o segundo prédio, nosso guia, curioso, perguntava como funciona a indústria
Raj Films retornou uma ligação que tinha feito a alguns dias. Ele perguntou se eu estava disponível naquela
midiática brasileira, o que foi difícil de explicar, já que é tão diferente da indiana. Chegando lá, visitamos os
segunda feira, dia 28/01, às 16hs para uma visita guiada pelos estúdios de uma das maiores produtoras de filmes
setores de gravação de som. Fomos, desde onde as cenas são dubladas pelos atores, onde orquestras tocam
de Bollywood. Minha reação, após alguns gagueijos, foi de profunda alegria. Meu mundo parou naquele telefonema.
para mixagem das trilhas sonoras até chegar a tocar nos objetos utilizados para foley.Para os que não sabem,
maior parte dos filmes indianos ainda são dublados e o som é quase inteiramente feito em pós-produção.
Estava ansiosamente tentando marcar uma possível visita a Yash Raj Films, para conhecer melhor
o processo de gravação, pós-produção e respirar o mesmo ar que grandes produtores e estrelas do cinema
Essa visita foi inspiradora, cheia de aprendizados e nos deu uma visão muito realista de como é produzido um
indiano que tanto admiro. Falei com o senhor Avtar Panesar, vice-presidente da Yash Raj, que foi muito aten-
filme de Bollywood.
cioso e gentil.
tínhamos permissão para tirarmos fotos, porém, Avtar Panesar nos enviou fotos para utilizarmos nessa matéria.
No dia da visita, chegamos cedo a sede da Yash Raj, que fica no bairro de Andheri, Mumbai e ficamos
Não conseguimos visitar os outros prédios, pois estavam sendo usados para gravações e também não
em um grande hall esperando sermos atendidos. Pelas paredes, enormes imagens de filmes indianos e pin-
Eles mandaram notícias para os brasileiros, que como eu, já estão ansiosos por mais filmes indianos
turas do incrível pintor indiano M. F. Hussain. Após um café, um dos assistentes do senhor Panesar veio ao
no cinema! Depois de Fanaa, eles já estão pensando qual o próximo filme que será lançado aqui e nos deixou
nosso encontro. Muito simpático, conversamos sobre a possibilidade de ascensão do mercado cinematografico
escapar uma pista. Para felicidade dos fãs do super astro Aamir Khan, provavelmente será algum dos novos
indiano no Brasil e sobre interesses da YRF, mas tudo muito rapidamente. Mais tarde, outra pessoa veios nos
filmes dele! Esperaremos ansiosos por mais novidades e filmes de Bollywood na telona!
receber para nos dar o tour pelos estúdios.
De forma ágil e decidida, nosso guia falava e andava com pressa, mas não deixou de nos responder
nada. A visita durou cerca de uma hora e meia, vimos quase todas as instalações do conjunto de estúdios. Primeiro, ele nos explicou a divisão dos prédios da YRJ. Em um conjunto de quatro prédios, acontecem: 1. administração geral, 2. e 3. produção de filmes, 3. pós-produção e distribuição. Logo após essa introdução, ele nos levou aos soundstages, que são aqueles grandes estúdios compartimentados, onde monta-se cenários para cenas controladas. A YRJ possuem 3 grandes soundstages, porém o 1 é o maior de todos. Ao entrarmos lá, no meio de muitas pessoas trabalhando e poeira por todo canto, descobrimos que foi alí, que dias atrás, ocorreu o Filmfare Award, a maior premiação de filmes indianos.
No segundo andar do mesmo prédio, nosso guia nos apresentou os camarins que os atores mais fa-
mosos possuem já reservados. Entramos no do Shahrukh Khan, que obviamente estava vazio, mas nosso guia queria nos contar como esse super astro de Bollywood se comporta, e por isso, nos falou que ele possui grande supertição e afinidade pelo número 05, por exemplo. No terceiro andar, ficam os salões de ensaio, que estão entre os maiores que existe no mundo. Entramos em um que possuia fotos enormes de atores como o próprio Shahrukh Khan e Madhuri Dixit. Ficamos sabendo que para filmar um item de dança de um filme de Bollywood, são necessários entre três a sete diárias de gravação e que enquanto outras cenas são gravadas, os dançarinos se concentram nessa sala.
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O jeito indiano de ir ao cinema
por Claudia Rabelo Lopes
Espontaneidade e interatividade são palavras-chaves
de colo, e os velhos – ou com os amigos ou colegas de
para compreender o comportamento do público de cin-
trabalho. Apenas homens, quase sempre trabalhadores
ema na Índia.
da rua, como os motoristas de “rickshaw”, por exemplo,
No lado ocidental do planeta, em geral, a boa eti-
vão sozinhos durante algum intervalo do serviço. Estes
queta recomenda silêncio no cinema. Em qualquer sala
são os que tradicionalmente ocupam as poltronas mais
de cinema de grandes cidades do Brasil, comentários
próximas da tela – apelidadas de “Ghandi class”.
em voz alta ou um choro de criança são imediatamente
reprovados com um “shhh”. A presença mesma de cri-
por seções a preços diferentes. Enquanto o “balcão”, na
anças na exibição de um filme não rotulado como infan-
parte alta, é normalmente ocupado pela classe média, a
til é inesperada, para não dizer indesejada, assim como
plateia tem preços mais baratos, e as fileiras próximas
qualquer coisa que possa desviar a atenção dos especta-
à tela saem ainda mais em conta. Quem está no balcão
dores daquilo que acontece na tela. Mas ao entrar numa
consegue ver os homens que estão sentados na “Ghan-
sala de cinema na Índia, caro leitor, esqueça tudo isso e
di class”, e que se tornam parte do espetáculo por seu
se prepare para uma experiência que pode lembrar mais
comportamento mais “performático”.
a de assistir a um jogo de futebol no estádio ou a um
espetáculo de música pop.
que “em conversas sobre filmes, as pessoas sempre con-
Assobiar, aplaudir, jogar moedas na tela, gritar
tam histórias de família ou amigos relacionadas à oca-
conselhos ou avisos para os personagens, fazer comen-
sião em que ele foi assistido”. Assim, alguém escolhe o
tários em voz alta, levantar-se, sair e voltar, cantar e até
que ver muito mais pela conveniência do grupo do que
dançar são comportamentos normais para o público de
por seu interesse pessoal em um filme específico.
cinema na Índia. E não se trata de falta de educação.
Esse modo indiano de assistir aos filmes provém do fato
dos filmes. São evitadas cenas que possam causar con-
de que ir ao cinema, naquele país, é uma experiência
strangimento entre as famílias e tornar o filme um fra-
coletiva e criativa, como explica a pesquisadora Lakshmi
casso nas bilheterias. Sexo é apenas sugerido, jamais
Srinivas no artigo “O público ativo: espectador, relações
mostrado explicitamente. Cenas de beijo só recente-
sociais e a experiência do cinema na Índia” (The active
mente passaram a ser aceitas. A diversidade da audiên-
audience: spectatorship, social relations and the expe-
cia levou os realizadores a fazerem filmes com ingredien-
rience of cinema in India. Media, Culture and Society,
tes para todos os gostos no mesmo “pacote”. Um filme
2002).
indiano popular normalmente mistura romance, drama,
As salas de cinema organizam suas poltronas
A pesquisadora chama atenção para o fato de
Tais características do público afetam a produção
Embora os multiplexes tenham chegado às
comédia, ação, aventura, musical, de forma que esse
grandes cidades indianas na última década, oferecen-
tipo de produção ganhou o apelido de “masala” (mistura
do salas menores que possibilitam atender a nichos de
de temperos).
mercado, tradicionalmente os cinemas na Índia têm ca-
pacidade para mil pessoas ou mais, com alguns “meno-
quentes reviravoltas na trama e as partes musicais, um
res” chegando a 600 ou 700 cadeiras. O público que
filme indiano tradicional costuma durar algo em torno
eles recebem é altamente diverso – de diferentes classes
de três horas. Por isso há um intervalo durante a ses-
sociais, castas, idades, línguas, gêneros e religiões.
são, a “intermission”. São dez ou quinze minutos que os
Um aspecto observado por Srinivas, que usou da
espectadores aproveitam para ir ao banheiro, fazer um
própria experiência além de entrevistas com o público
lanche ou dar uma olhada nas lojas próximas, mas prin-
para sua pesquisa, é de que, na Índia, cinemas são locais
cipalmente para conversar. O costume do intervalo é tão
para serem usufruídos em grupo. A experiência social de
arraigado que mesmo filmes de Hollywood estão sujeitos
ir ao cinema é tão ou mais importante do que o filme
a ele. Se a parada demora a acontecer, o público fica
em si. Vai-se em família – incluindo as crianças, mesmo
inquieto e pode começar a circular pela sala e a bater
Para englobar tantos gêneros, com as conse-
9
plateias fizeram com que uma cena musical fosse repetida várias vezes, porque queriam continuar cantando e dançando com ela. Por outro lado, se o público não gosta do que vê, sua resposta pode vir na forma de poltronas rasgadas, principalmente na “Ghandi class”. Uma sala na cidade de Bangalore colocou poltronas de cimento nas primeiras fileiras para evitar prejuízos.
Lakshmi Srinivas termina suas observações concluindo que “o cinema indiano e sua cultura de recep-
ção por parte do público põem em questão muitas suposições básicas sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa”. Percebe-se que o cinema “de massa” na Índia não tem necessariamente um efeito homogeneizador ou alienador, como alguns teóricos poderiam pensar. Pelo contrário, ele proporciona uma experiência criativa e “revela a geração de senso de comunidade e de interações face a face” pelo consumo de um “produto de massa”.
papo com quem está ao lado. Mas o burburinho de
conversas e de crianças é normal em qualquer ses-
filme mais de uma vez, o que é rotineiro na Índia.
são. Para compensar os ruídos constantes, o som dos
Com frequência, o que varia é o grupo com o qual
filmes é colocado em volume máximo.
se vai, e assim o mesmo filme se torna sempre uma
Para Lakshmi Srinivas, dois comportamentos
nova experiência. Esse hábito contribui para o caráter
do público indiano indicam que o filme em si é ape-
participativo do público, pois, pela repetição, as pes-
nas parte da experiência construída coletivamente de
soas acabam aprendendo as músicas, as danças e os
“ver o filme”: eles são a “seletividade” e a “repetição”.
diálogos. Dessa forma, elas são capazes, por exem-
A seletividade é o hábito de selecionar as ce-
plo, de improvisar respostas alternativas ao que os
nas que ser quer ver, e simplesmente dar pouca ou
atores estão dizendo e chegam a dar conselhos aos
nenhuma atenção a outras. Há quem deixe de lado as
personagens.
sequências musicais, e outros que aproveitam diálo-
gos longos para fazer algo fora da sala e voltam cor-
de ironias e zombaria. Em meio a sequências de
rendo para uma dança, por exemplo. É comum tam-
tensão, podem surgir comentários sobre a roupa da
bém ir ao cinema apenas para ver uma ou algumas
atriz, a decoração do set, o local da filmagem, re-
sequências preferidas, e sair depois. Ou mesmo tro-
lacionando elementos daquela produção com a vida
car de filme no meio da sessão. Em outras palavras,
cotidiana das pessoas. Alguns espectadores forne-
o público “edita” o filme segundo seus próprios inter-
cem “efeitos sonoros”, imitando sons de armas de
esses e gostos.
fogo, de bichos e outros, provocando risadas na sala.
É costume chegar ao cinema com a sessão já
Ninguém se aborrece por isso. Pelo contrário, espera-
começada e ir embora antes da última cena. Por isso,
se e deseja-se essa interação que, segundo Srinivas,
as luzes da sala de exibição permanecem acesas du-
torna o filme uma construção coletiva. É um modo
rante 10 a 15 minutos após o início do filme, a pri-
pelo qual a plateia pode subverter completamente o
meira sequência costuma ter pouca importância para
sentido pretendido pelo diretor.
a trama e não aparecem créditos finais. Pode-se dizer
que o comportamento seletivo do público influencia o
das do público e se adaptar a ele. A pesquisadora
formato das produções.
relata que, em sessões do filme “Hum” (1991), as
Teorias à parte, não dá vontade de participar dessa festa?
Já a repetição é o hábito de assistir a um
Cenas muito dramáticas costumam ser alvo
Os exibidores procuram atender às deman-
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A equipe do filme Monsoon Shootout reunida em Cannes. O ator Nawazuddin Siddiqui (à esquerda) está presente também em The Lunchbox.
por
Amitabh Bachchan sendo entrevistado pela crítica Anupama Chopra, numa praia em Cannes (Fonte - Twitter de Anupama Chopra)
Tiago Ursulino
Vidya Balan (facilmente reconhecível) ao lado de seus colegas do júri do festival.
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NOTÍCIAS DO MÊS Anurag Kashyap, um cavaleiro francês
por
André Ricardo
Um pedido de casamento no coração de Nova York, à la Bollywood Flashmobs já não são mais novidade, mas já imaginou um flashmob de pedido de casamento, estilo Bollywood e em Nova York? Salman Ali organizou um só para pedir a mão de sua namorada, Shumaila Rangoonwalla, na Times Square, bem no centro de Nova York. O evento teve a participação de dançarinos profissionais e custou 2 mil dólares. O pedido foi feito ao som de Chammak Challo, do filme Ra One (2011). Momento em que Ali leva Sumaila para o meio do flashmob para pedir sua mão
Clique aqui para ver o vídeo.
Já pensou num super-herói preguiçoso e que adora uma samosa? O roteirista e diretor Saurabh Varma está planejando lançar um filme de super-herói nada convencional, intitulado O Superrápido Raftaar Singh. O filme gira em torno de um rapaz do estado de Punjab com poderes sobrenaturais, mas que é preguiçoso e tem fetiche por samosas. “Este será o primeiro filme de super-herói em estilo comédia da Índia. Ele vai destacar um herói azarão de uma forma que a juventude vai gostar de ver e se conectar com ele”, declarou Saurabh Varma. O longa está previsto para ser lançado até o final deste ano.
Peru pode sediar cerimônia de premiação de Bollywood Fontes da Embaixada da Índia na Espanha confirmaram que uma delegação indiana foi a Lima para negociar a possibilidade de que os International Indian Film Academy Awards (IIFA Awards), seja realizado no país. Esta seria a primeira vez em que um país sul-americano sediaria o evento, que no ano passado aconteceu em Singapura e foi apresentado pelos atores Farhan Akhtar e Shahid Kapoor.
Pôster do filme O Superrápido Raftaar Singh
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Filme de Tollywood filmado em Portugal
Um feliz e musical “Bollywood” aniversário
Na edição de abril, a Bollywood Brasil publicou uma matéria
Iniciou-se na Índia a venda de cartões musicais
sobre a investida portuguesa para se tornar um dos cenários
inspirados em grandes sucessos de Bollywood.
de locações de filmes indianos. E não demorou muito para
O cartão tem a foto de um ídolo de Bollywood
os portugueses começarem a colher os frutos. O filme em
na capa e quando aberto, toca a música do
telugu Balupu (2013), com Ravi Teja e Shruti Haasan como
respectivo filme. Agora os indianos já podem
protagonistas, terá cenas filmadas em Lisboa e no Algarve.
desejar um feliz Dhoom aniversário ou de-
O teaser do filme pode ser visto clicando aqui. Esse primeiro
clarar seu amor ao som do filme Veer-Zaara.
investimento indiano em Portugal é de quase 400 mil reais.
São 24 cartões diferentes. Você pode acessar a coleção, clicando aqui. O cartão custa cerca
Que as belas paisagens lusitanas passem a ser uma conPôster do filme Balupu
stante nos filmes indianos...
de 10 reais, mas por enquanto está disponível
somente na Índia. Capa do cartão musical com o tema do filme Dhoom 2
Cinema indiano tentando mudar a sociedade? O estupro que levou à morte da estudante indiana de 23 anos Jyoti Singh Pandey e que chocou o mundo vai virar um filme. O longa será chamado Kill the Rapist - Mate o Estuprador
Inaugurado o primeiro parque temático inspirado em Bollywood
(2013). Apesar do norme forte e da polêmica que a produção deverá gerar, o produtor Siddhartha Jain garante que o filme será muito
A Índia ganhou o seu primeiro parque temático, nas
mais sobre o empoderamento feminino do
proximidades de Mumbai. O Adlabs Imagica foi cons-
que sobre a violência ou o ato do estupro.
truído utilizando tecnologia baseada no legado india-
Segundo Jain, “Queremos deter os violadores
no de contar histórias. O parque, que tem cerca de
com este filme”.
110 hectares e conta com 18 atrações, foi inaugurado
Capa da Time, destacando Aamir Khan
em abril. O ingresso custa o equivalente a 45 reais
Aamir Khan na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da Time
para adultos e 35 para crianças.
A atriz mexicana Marimar Vega
Aamir Khan foi escolhido para estar em uma
Mais uma beldade latina para Bollywood: A mexicana Marimar Vega
das sete capas especiais da edição da revista Time com a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Aamir foi escolhido por usar sua influência para aumentar a consciên-
A atriz mexicana Marimar Vega irá parti-
cia social na Índia. Outros indianos também
cipar de um filme de Bollywood, que está
entraram na lista: a advogada Vrinda Grover
sendo provisoriamente chamado de The
(que ganhou destaque por seus apelos por
Twist, dirigido por Himayath Khan. Vega Pôster do parque Adlabs Imagica
mudanças após o caso do estupro em Délhi
será uma turista que, de férias na Índia,
– ver edição de março) e P. Chidambaram, Mi-
se envolverá em situações perigosas e que colocarão sua vida em risco. Boa sorte para a bela mexicana!
nistro das Finanças da Índia. Também consPôster do filme Kill the Rapist
tam os brasileiros Joaquim Barbosa (o “juiz do mensalão”) e o chef Alex Atala.
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2º. A parceria entre o Dharmendra (Veeru) e Amitabh Bachchan (Jai) ficou perfeita. Enquanto o Veeru é brincalhão, infantil e alegre, Jai é mais sério e ponderado. Porém, ambos possuem uma amizade verdadeira e eterna. Uma música que eles cantam no inicio do filme diz: “Nossa amizade nunca vai acabar. Minha alma pode partir, mas ela sempre estará a seu lado... Sua tristeza é minha tristeza. Minha vida é sua vida, assim é nosso amor.” Realmente, o trecho da música retrata perfeitamente a relação dos dois.
5º. As músicas do filme são belíssimas. Como exemplo tem a que fala da amizade entre Veeru e Jai já citada “Yeh Dosti” e é conhecida na Índia como um hino da amizade.
6º. A participação de umas das maiores dançarinas de todos os tempos, Helen na música “Mehbooba Mehbooba”. Foi uma aparição que por si só valeu ficar em frente a TV por mais de 3 horas.
3º. O fato de Veeru e Jai comprarem uma briga que não é deles. O filme gira em torno do personagem de Sanjeev Kumar (Thakur), um ex-policial que quando ainda estava na ativa, levava em um trem os assaltantes Veeru e Jai para uma penitenciária, quando foram subitamente atacados por uma gangue de assassinos. Graças à valentia e coragem de Veeru e Jai, Thakur não foi morto e a partir daí, ele pegou uma afeição e simpatia pelos dois. Por causa dessa afeição, tempos depois ele os procura dando-lhes a missão de capturar o bandido Gabbar Singh, vivido pelo ator Amjad Khan. Quando Thakur ainda era policial, ele perseguiu e prendeu Gabbar Singh. Este, para se vingar, foge da prisão e mata a sangue frio quase toda a família de Thakur, incluindo seu neto pequeno. A única que sobrevive
CRÍTICA:
SHOLAY
Por Feliz Luz
Sholay, um clássico do cinema indiano, estrelado por um elenco lendário: Dharmendra, Amitabh Bachchan, Hema Malini, Jaya Bachchan, Sanjeev Kumar e Amjad Khan.
Sholay é o tipo de filme que você quer assistir e fica deixando para depois, pois você tem ainda muitos filmes mais atuais para ver. Não se trata de um filme muito dinâmico, tem mais de 3 horas de duração com algumas cenas sem utilidade para a trama e isso o torna cansativo. Apesar de tudo, ele é um filme muito especial e é realmente um clássico do cinema mundial e tem que ser visto por qualquer pessoa que é apaixonada pelo
à chacina é Radha (Jaya Bachchan), sua nora. Você deve se perguntar... Por que o próprio Thakur não faz isso? Bem, o motivo é mostrado em uma cena muito chocante e triste.
4º. Os casais vividos por Dharmendra e Hema Malini,
cinema indiano.
Amitabh Bachchan e Jaya Bhaduri Bachchan. Na verdade, os personagens de Dharmendra e
Seguem algumas das principais razões pelas quais
Hema Malini tiveram mais destaque no filme como
você deve assistir esse filme.
casal. O casal Radha (Jaya) e Jai (Amitabh) não te conquista e não convence e você só entenderá
1º. Realmente, o filme não é muito dinâmico, mas
o porquê no final. Você achará muito louvável a
as cenas de ação são impressionantes. O filme é de
atitude dele em pedi-la em casamento, já que ela é
1975 e o realismo das cenas deixam vários filmes
viúva e na Índia as viúvas não tem um futuro muito
atuais no chinelo. O filme segue o estilo de velho
agradável, mas.... Quem disse que tudo são flores?
oeste americano e deu muito certo.
Vocês precisam assistir o filme para entender...
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7º. O ator Amjad Khan (Gabbar Singh), viveu um dos melhores vilões do cinema indiano. Ele é mau, sem qualquer piedade. A cena em que ele diz que “as mães dizem às crianças para elas irem dormir ou calarem a boca, se não, Gabbar Singh vai chegar.” Diálogo perfeito!
O filme teria mais centenas de razões para serem
todos os prêmios Filmfare para Deewar, também estre-
enumeradas, por ser o que ele é e representa no
lado por Amitabh Bachchan.
cinema indiano, mas vou finalizar aqui senão viraria um livro.
•
Algumas curiosidades sobre o filme:
clímax do filme e uma bala perdida quase acertou
Balas reais foram supostamente usadas na cena
Amitabh.
•
Amitabh Bachchan e Jaya Bhaduri, Dharmendra e
8º.
•
O cenário do filme é muito diferente do que estamos
petrar Gabbar Singh. O ator escolhido era Danny
acostumados a ver no cinema indiano. Um lugar
Denzongpa, mas este teve que recusar porque estava
longe da civilização, com muitas rochas, poucas
filmando Dharmatma no Afeganistão. O roteirista
árvores, com pessoas simples e humildes, sem man-
relutou em aceitar Khan, pois achava sua voz fraca
2004, Sholay foi remasterizado digitalmente e estreou
sões, sem joias, sem roupas glamorosas. Um lugar
demais para lhe permitir atuar de forma convincente
mais uma vez nos cinemas indianos.
onde a lei não alcança, onde o bandido pode fazer
como vilão. Ainda bem que o roteirista o aceitou.
tudo, ou quase tudo.
9º.
•
Amjad Khan não era a primeira opção para inter-
Hema Malini tinha acabado de recusar uma pro-
Hema Malini são casados até hoje.
•
O filme passou por 4 anos ininterruptos em Mum-
bai e continuou por mais 2 anos no show matinê. Em
•
Sholay inspirou muitos filmes e gerou todo um
subgênero, o “curry western”. É considerado o mais
posta de casamento de Sanjeev Kumar e não queria
importante dos primeiros filmes de masala (mistura
A cena onde o Gabbar Singh pede para Basanti
estar perto dele. Se prestarem a atenção, Hema Ma-
de gêneros) e é o criador de tendências de filmes mul-
dançar para ele, caso contrário ele mataria Veeru.
lini não tem cenas com o personagem Thakur Singh
tiestrelados.
Debaixo de um sol escaldante do deserto, ela dança
no filme.
para que o seu amado não perca a vida. Belíssima e emocionante cena!
•
Apesar de ser o maior hit do ano, Sholay perdeu
•
O filme foi um divisor de águas para roteiristas de
Bollywood, que não eram bem pagos até então.
•
Gabbar Singh, o vilão sádico, marcou o início de
uma era em filmes híndi caracterizada por vilões opressores e aparentemente onipotentes que desempenham o papel central na criação do contexto da história.
•
Sholay recebeu muitas honrarias. Foi declarado
como o “Filme do Milênio” pela BBC da Índia, em 1999, e em 2002 liderou uma enquete dos “Top 10 de filmes indianos” de todos os tempos do British Film Institute. Em 2004, foi eleito o melhor filme indiano em uma enquete por um milhão de indianos na GrãBretanha, e em 2006 foi eleito como o melhor filme pelos iranianos.
•
A mídia indiana noticiou que o filme estaria sendo
convertido para 3D para lançamento este ano, em comemoração do centenário do cinema indiano. Devido a problemas de direitos autorais, não há ainda uma confirmação de data. Seria uma interessante mistura de um filme clássico, com uma roupagem mais moderna. Vamos torcer!
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AGENDA DE ESTREIAS por
Tiago Ursulino
24 de maio Ishkq in Paris Direção: Prem Raj Direção musical: Sajid-Wajid Elenco: Preity Zinta, Rhehan Malliek, Isabelle Adjani, Salman Khan (participação especial) Gênero: Romance Entrando para a galeria de atores/atrizes donos de suas próprias produtoras, a estrela Preity Zinta, com sua PZNZ Media, produz seu primeiro filme, uma história de amor ambientada na cidade das luzes.
31 de maio
Yeh Jawaani Hai Deewani Direção: Ayan Mukerji Direção musical: Pritam Elenco: Ranbir Kapoor, Deepika Padukone, Aditya Roy Kapur, Kunaal Roy Kapur, Kalki Koechlin e Madhuri Dixit (em número musical) Gênero: Romance Filme que marca a reunião do ex-casal Ranbir Kapoor & Deepika Padukone, o filme conta a história de 4 amigos vivendo intensamente os últimos anos da sua juventude, conforme as responsabilidades da vida adulta começam a se impor.
14 de junho
Fukrey Direção: Mrigdeep Singh Lamba Direção musical: Ram Sampat Elenco: Pulkit Samrat, Manjot Singh, Ali Fazal, Varun Sharma Gênero: Comédia Esperada produção de Farhan Akhtar, o filme promete uma divertida história sobre a vida de amigos que não são nada do que a sociedade espera deles. O filme já inovou no seu primeiro trailer, feito no formato de desenho animado.
21 de junho
Raanjhanaa Direção: Aanand L. Rai Direção musical: A R Rahman Elenco: Sonam Kapoor, Dhanush, Swara Bhaskar, Abhay Deol Gênero: Romance Kundan (Dhanush, ator da indústria tâmil estreando em Bollywood) desde criança ama Zoya (Sonam Kapoor). Mas seu amor pode estar ameaçado pela chegada de um estranho (Abhay Deol) na vila onde moram. O filme promete ser uma história de amor épica, de ferir os corações.