PROJETO EDUCACIONAL CTC FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO CENTRO REGIONAL DE HEMOTERAPIA Ribeirão Preto, agosto de 2002 - Nº. 1 Ano 2
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Os recentes problemas decorrentes das enchentes e da crise energética têm nos feito pensar mais profundamente a respeito da água disponível em nosso planeta. Não é preciso procurar muito para chegarmos aos verdadeiros responsáveis por tal situação. Derrubamos as matas ciliares e descuidamos do nosso próprio lixo, contribuindo para que os cursos d'água sejam literalmente “soterrados” e poluídos; impermeabilizamos o pavimento das cidades, impedindo que as águas das chuvas tomem seu curso
de espécies de peixes comuns à nossa região, era dar subsídios para que os alunos percebessem a relação desses organismos com o ambiente em que vivemos, tema da segunda aula. Até então, peixe para eles era algo que existia apenas no balcão do supermercado. Porém, após a segunda aula, notei que os alunos perceberam que os peixes têm um hábitat que deve ser estudado e preservado, conforme pode ser visto em depoimentos de alunos. “Aprendi nos sábados a importância que os riachos têm para a biodiversidade dos peixes. Muitas espécies vivem neles e os riachos parecem não ter importância alguma. É importante preservá-los. Estudando-os temos como pensar melhor nas nossas atitudes e fazer uma reflexão de quanto eles são indispensáveis para o meio ambiente”, escreveu Joaquim Romão da Silva Neto, do Colégio Unaerp. Infelizmente esse interesse chega tarde, pois grande parte de nossos ambientes aquáticos naturais não apresentam as condições adequadas para o desenvolvimento de muitas espécies nativas.
natural e acabamos por deixar de cobrar das autoridades as medidas necessárias para minimizar tal situação. Infelizmente, o ser humano tende a proteger apenas aquilo que conhece. De certa forma, um riacho Alunos durante a aula ao Sábado. lamacento não é muito convidativo a um mergulho e seria até compreensível um certo Lilian Casatti (Laboratório de Ictiologia do Departamento desinteresse. Porém, essa mesma água, muitas vezes escura por de Zoologia e Botânica, Universidade Estadual Paulista, natureza, abriga vida e é parte de um emaranhado de veias que campus de São José do Rio Preto). nutre outras vidas. Com minha experiência profissional, resolvi contribuir com o curso “As Células, o Genoma e Você, Professor” 1 Instituto Florestal de São Paulo, 2002 (http://www.iflorestsp.br/oque.htm). apresentando aos alunos este universo até então desconhecido: 2 Barrela et al., 2000. As relações entre as matas ciliares, os rios e os peixes. os peixes de riacho. In: Rodrigues & Leitão Filho (eds), Matas ciliares: conservação e recuperaPeixes fora d'água - Elaborei duas aulas de 4 horas cada ção, Edusp e Fapesp. visando o estudo da diversidade, biologia alimentar e conservação de peixes de riacho. O objetivo da primeira aula, que incluiu atividades de A bióloga Lilian Casatti trabalha no Laboratório de Ictiologia, do identificação e estudo da alimentação
Departamento de Zoologia e Botânica da UNESP (Universidade Estadual Paulista), em São José do Rio Preto. Formada em Ciências Biológicas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, tem mestrado e doutorado pela UNESP de Botucatu com peixes do rio São Francisco, em São Roque de Minas (MG). E pós-doutorado relacionado ao córrego São Carlos, Parque Estadual Morro do Diabo e Bacia do Alto Rio Paraná. Atualmente desenvolve uma pesquisa vinculada ao Programa BIOTA da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo) de avaliação da integridade biótica dos riachos da região noroeste do estado, na bacia do Alto Paraná, utilizando comunidade de peixes.