CENTROS DE PESQUISA, INOVAÇÃO E DIFUSÃO
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CTC Centro de Terapia Celular
PROJETO EDUCACIONAL FUNDAÇÃO HEMOCENTRO FACULDADE DE MEDICINA USP - RIBEIRÃO PRETO
Ribeirão Preto, Agosto de 2003 - Nº. 9 Ano 3
Hemocentro de Ribeirão Preto
Tiragem: 4 mil exemplares
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ADOLESCENTES INCENDEIAM DEBATE POSICIONAMENTO CRÍTICO: ADOLESCENTES DA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO QUESTIONAM TUDO A ficção científica explora o tema na evolução há muito tempo e os adolescentes da Casa da Ciência não ficam atrás. A discussão da evolução dos seres vivos foi um dos momentos mais curiosos de um encontro científico entre alunos-adolescentes da região de Ribeirão Preto (v. Box). “A evolução é pano de fundo de toda a biologia”, explica Carolina Matias, 17 anos, da E.E. Deputado José Costa, de Serrana, ao justificar a mobilização deles para entender o que defendiam os primeiros teóricos evolucionistas. O papo sobre os fundamentos das teorias de Jean Lamarck e Charles Darwin aconteceu de forma descontraída, mas nem por isso deixaram de lado questões complexas e ainda polêmicas. As alunas Josana Nunes, 16 anos, e Rosa Silva, 15 anos, incendiaram o debate com uma contribuição muito importante, contando uma experiência que fizeram no jardim da própria escola, a E.T.E. Prof. Alcides Souza Prado, de Orlândia, com a orientação da professora Maria Tereza Machado. Elas jogaram bolinhas de diversas cores entre as pedras e a grama, simulando pássaros em busca de alimentos. busca, muitas RIBEIRÃO PRETO FAZ PROJETO b o l i nNessa has passaram EDUCACIONAL RARO despercebidas por causa da Essa edição é dedicada ao programa de cor do ambiente em que educação científica “Caça Talentos”, do projeto estavam. “Então foram os educacional “As Células, o Genoma e Você”, pássaros que se adaptaram?”, criado pelo CTC - Centro de Terapia Celular do perguntaram. programa Centros de Pesquisa, Inovação e A pesquisa das Difusão - CEPID, do qual participam a FMRP e meninas ajudou a esclarecer: FFCLRP-USP e a Fundação Hemocentro, dizer que os animais se coordenado pela Casa da Ciência. Desde 2001, o adaptaram é uma visão programa vem trabalhando com professores e lamarckista e não darwinista; alunos das redes públicas e particular da e que evolução não é melhoria macroregião de Ribeirão Preto-SP. e sim sobrevivência - ponto Os adolescentes no congresso Os professores do ensino básico (91) de vista que os livros participam de encontros científicos aos sábados, didáticos nem sempre trazem. Complicado? formam grupos de pesquisas e remodelam suas Para eles não. Lucas Botelho, 16 anos que estudou na E.E. Dom atuações pedagógicas em sala de aula. E não é só. Romeu Alberti, de Ribeirão Preto, contou sobre a evolução da sociedade das Esse é um dos raros projetos educacionais em que formigas, demonstrando o quanto teve que estudar para entendê-las! a ação se dá simultaneamente entre alunosO conhecimento científico debatido entre alunos de diferentes escolas adolescentes e crianças, seus professores, e o método de estudo, baseado no raciocínio crítico e na análise (com a estudantes universitários, professores orientação da Casa da Ciência, que, no caso da “evolução”, contou com a universitários e pesquisadores científicos. Uma orientação do graduando em biologia pela USP, Danilo Kato), surpreende a diversidade que dá certo. todos com o enriquecimento que soma ao aprendizado. O objetivo é encaminhar os professores do OLHA O QUE A CURIOSIDADE FAZ! ensino básico para a atualização, estimulando-os a atuarem como autores críticos do próprio Diego Rossi, 14 anos, é um integrante do programa “Caçaconhecimento, enquanto que seus alunos talentos”, estuda o tema “evolução, abelhas e vespas”. Em um estágio na percorrem os primeiros passos da iniciação Entomologia USP-RP, fez perguntas difíceis para os pesquisadores, que científica. pensaram tratar-se de dúvidas de um aluno da pós-graduação e não de um Uma das práticas mais emocionantes menino do ensino fundamental da E. E. Dr. Francisco da Cunha Junqueira, dessa ação está registrada nessa edição especial em Bonfim Paulista-SP. O docente Dalton Amorin, da F.F.C.L.R.P.-USP, do Jornal das Ciências. Cento e trinta e três também ficou surpreso quando Diego disse que está lendo um livro de sua adolescentes da região comandaram uma reunião autoria, utilizado pelos graduandos e pós graduandos em Biologia, científica e apresentaram, aos “olhos pasmos” “Fundamentos de Sistemática Filogenética” - muitos alunos da graduação dos adultos, informações analisadas e peneiradas ainda não o leram. E essa é apenas uma das surpresas vindas dos meninos por eles mesmos, sobre temas complexos como que freqüentam a Casa da Ciência. Leiam uma das perguntas que o jornal AIDS, células, transgênicos, genoma e digitalizou do próprio caderno de Diego: clonagem. Através de jogos, maquetes e teatro, eles provam que podem ser autores e atores do processo de aprendizagem, difundindo criticamente o conhecimento científico, para além dos centros de pesquisa das universidades.