Caderno Dois 05 e 06-03-2011

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Sábado e Domingo, 5 e 6 de março de 2011

ESPECIAL

Memórias de Carnaval Enquanto os salões do Clube Ijuí guardam histórias das folias, Dona Léa traz as lembranças na ponta da língua “Quando penso naqueles carnavais, fico com saudades”. É assim que dona Léa Lucchese Moraes encerra a entrevista, numa das salas do Clube Ijuí, o famoso Rosado da Praça que promovia carnavais há muitas décadas. A primeira matinê dela foi aos 9 anos. O bloco chamava-se “As Tirolesas”, a fantasia era de cigana e a década beirava aos anos 40. “A mãe fazia as minhas fantasias, sempre de cigana, com aquelas moedinhas, uma saia diferente, colares... Eu tinha o cabelo comprido e me achava uma ciganinha”, lembra Léa. Depois veio a juventu-

de e os bailes regados à confete e serpentinas. Quem animava os salões era o Maestro Krüger e sua banda, ao som de eternas marchinhas que dona Léa ainda cantarola. “Alalaô... ôôô... ôôô... mas que calor... ôôô...”, lembrando ainda de outros ícones da época, como “A cabeleira do Zezé” e “A Jardineira”. Geralmente eram três noites de festas. As moças ensaiavam coreografias de forma antecipada e na abertura do baile, aguardavam o Rei Momo, a figura que adentrava o salão sendo seguido pelos blocos. “A gente não se esmerava por luxo, mas não dispensávamos os

confetes e as serpentinas. Naquela época, o lançaperfume não era inalado, usávamos de uma maneira boa, para atirar nos amigos. As pessoas brincavam de uma maneira saudável”, conta, lembrando que o lança-perfume sempre foi muito usado nestas festividades e só foi proibido em 1961, pelo então presidente Jânio Quadros. As folias amanheciam nas ruas de Ijuí e os participantes iniciavam uma nova maratona: a partir das 6h, faziam serenatas. “Eu tenho boas recordações dos carnavais. Brincávamos até as seis da manhã e saímos depois dos bailes com a

banda pra fazer serenatas na casa dos amigos”. Uma lembrança que veio aos risos. Dona Léa não sabe precisar a data, mas no início dos anos 70 o Clube Ijuí fechou as portas. Grupos de foliões passaram então, a participar dos carnavais da Sogi, também com máscaras e fantasias. Hoje, aos 77 anos e na companhia do esposo, a folia permanece presente na vida de Léa. “Agora continua. Depois dos filhos, tenhos os meus netos. Na companhia do meu esposo, ainda demos voltinhas nos QGs pela cidade. Para num, paro em outro...”.

Dona Léa rememorando os Carnavais à moda antiga

Carnaval do Clube Ijuí de 1953: Léa Lucchese Moraes, Julieta Rossato e Sônia

Ivanor, Eliane Sabo, Nilza Samrsla e Vera Schneider, nas festas dos anos 60

Festas do passado eram repletas de confete ao som de marchinhas

Bloco do Esporte Clube Gaúcho fez sucesso nas festas do Clube em 1957


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