a i n ô z Ama
No limite da ilegalidade Nas últimas décadas, o ritmo de derrubadas na Amazônia criou o chamado ‘Arco do Desmatamento’ – uma imensa faixa de destruição que hoje toma o leste, sul e sudoeste da região. A repercussão negativa na sociedade fez com que as autoridades tomassem medidas. Uma delas foi a criação de áreas protegidas. Durante anos, o Greenpeace e outras organizações pressionaram para que uma “barreira verde” fosse criada estrategicamente ao longo das rodovias e em áreas ameaçadas por madeireiros, mineradoras e pelo agronegócio. Hoje, aproximadamente 43% da Amazônia Legal estão sob proteção oficial (22,2% em unidades de conservação e 21,7% em terras indígenas). Mas, no interior dessas áreas, nem tudo são florestas. Margeando a rodovia BR-163, no Pará, a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim foi uma das unidades de conservação criadas para ajudar a frear o desmatamento. O objetivo foi alcançado em parte: até hoje a Flona é campo de guerra entre pecuaristas, madeireiros e órgãos ambientais. Em maior ou menor grau, todas as áreas protegidas da região enfrentam a mesma realidade, por falta de infraestrutura, gestão ou recursos.
De árvore em árvore Da década de 1970 até a virada do século, 5,7 milhões de metros cúbicos de Mogno foram retirados da floresta. Chamado de “ouro verde”, ele era carro-chefe no mercado internacional de madeira amazônica e o abra-alas da destruição. Não por acaso, o mapa de ocorrência da espécie coincidia com a área que viria a ser conhecida como Arco do Desmatamento. Para chegar a ela, madeireiros rasgaram inúmeras estradas no meio da mata. O Greenpeace investigou, documentou e denunciou. Em 2002 veio a vitória: o comércio da espécie foi, enfim, freado pela inclusão do Mogno na Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas). Mas a ânsia de madeireiros os leva atrás de outras árvores lucrativas. O manejo sustentável ainda é mais intenção do que realidade e a exploração de madeira segue o mesmo modelo predatório e violento de décadas anteriores, passando por cima de leis e abrindo caminho – literalmente, com as estradas abertas a esse fim – para mais devastação. Os números falam por si: até 2002, segundo o IBGE, 2,6 bilhões de árvores haviam sido eliminadas na Amazônia.
© Greenpeace / Rodrigo Baleia
© Greenpeace / Daniel Beltra
s a id g e t o r p s a e r á e o Desmatament
O rastro da produção
A nova fronteira?
> Mais de 3.000 espécies
O Greenpeace é uma organização global e independente que promove campanhas para defender o meio ambiente e a paz, inspirando as pessoas a mudarem atitudes e comportamentos. Nós investigamos, expomos e confrontamos os responsáveis por danos ambientais. Também defendemos soluções ambientalmente seguras e socialmente justas, que ofereçam esperança para esta e para futuras gerações e inspiramos pessoas a se tornarem responsáveis pelo planeta.
Aves
00
8
0
00 00 5.
19 8
00 10
.0
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15
20 * 2011
2010
2009
2008
2007
2006
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2000
1999
1998
1997
Ano a ano, quanto de floresta a Amazônia vem perdendo
2004
7.464
200 5 2 006 20 0 7
651
1996
2003
11.
1995
20 0 2
286
1994
2001
14.
2000
4
1997
19.0 1
25.39 6
21.651
18.165
89
1999
18.226
19
90 19
1
5 199
17.259
50
1
92 19
93 19
9 94
1996
1998
12.911
7
13.22
61
Km2/ANO
.0
70
1 99
896
96
Fonte: MMA 2006
21
.7
0
> Cerca de 170 espécies
17
3 .7
Anfíbios
800.000 700.000 600.000 500.000 400.000 300.000 200.000 100.000 0
6
> Cerca de 550 espécies
Fonte: Inpe/Prodes
.8 14
Répteis
Desmatamento acumulado da floresta amazônica ano a ano (km2) 14.
Mamíferos > Mais de 320 espécies
27.772
Fonte: Inpe/Prodes
.78
Fonte: IBGE
mil km2 da floresta amazônica já foram derrubados. É quase 18% da Amazônia.
Peixes
> Mais de 1.000 espécies
29.059
Cerca de 750
0 .03 11
Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Mais de 24 milhões de pessoas vivem na região.
Fonte: Inventário Brasileiro de Emissões de GEE - MCT 2005 / WRI
13
6,9 milhões de km2, espalhada por nove países sul-americanos: Brasil,
km2 (59% do Brasil)
Fonte: IBGE
18.1
O Bioma Amazônia é uma área de
milhões de
e 120 bilhões de toneladas de carbono. O Brasil tornou-se o 4º maior emissor de gases de efeito estufa. Pelo menos 61% dessas emissões vêm do desmatamento.
17.383
1966 e mede 5
A Amazônia estoca entre 80
> Aproximadamente 17.000 espécies
1993
A Amazônia Legal é uma figura administrativa criada por lei em
O que era floresta... 72% viraram pasto para pecuária 19% viraram agricultura
Flora
1992
Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão.
biodiversidade é conhecida.
1991
do território nacional.
e plantas que na Amazônia. Só uma pequena fração dessa
milhões de km2 e engloba nove estados: Amazonas, Pará,
espécies de animais
1990
ocupa 49%
cobre cerca de 4,2
1989
O Bioma Amazônia
Em nenhum lugar do mundo existem mais
13
Do alto, do solo ou da água, o Bioma Amazônia impacta os olhos. Dos seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados espalhados por nove países sul-americanos, 4,2 milhões estão em terras brasileiras. É ali que está uma das maiores biodiversidades do planeta. É por lá que corre a maior bacia hidrográfica do mundo. E é essa mesma região que sofre uma das maiores pressões ambientais da atualidade. A Amazônia brasileira perdeu quase 18% de suas florestas, e isso nos últimos 40 anos. Já há mais de uma década o Greenpeace está na região. Chegamos em 1999, para investigar a exploração ilegal de madeira, e não saímos mais. Muitas pesquisas e ameaças – inclusive de morte – depois, continuamos em campo. Por meio de investigações, denúncias e aliado a comunidades locais, o Greenpeace trabalha para que essa realidade mude. Para que a grilagem de terras públicas e a produção irresponsável de madeira, gado e soja – maiores vetores de desmatamento na região – parem de avançar sobre a floresta. E para que a o maior patrimônio ambiental do Brasil seja preservado, garantindo a biodiversidade local, as chuvas que irrigam nossa agricultura e ajudando a controlar a crise climática global. São várias as causas da devastação florestal impulsionada pelo mercado e pela fragilidade das instituições encarregadas de defender a floresta e os povos que nela vivem. A solução para o problema começa pela adoção de uma política de desmatamento zero.
Amazônia em números
No Brasil, o Bioma Amazônia
1988
A luta pelo desmatamento zero
© Greenpeace / Marizilda Cruppe/EVE
© Greenpeace / Marizilda Cruppe/EVE
Quem anda por alguns municípios do Sul do Amazonas até esquece que está no Estado que tem cerca de 95% de suas florestas preservadas. Nos últimos anos, a fronteira do desmatamento vinda de Mato Grosso e Rondônia invadiu o Amazonas. No lugar de floresta, pecuária. Com a falta de regularização fundiária, fazendas de gado têm se espalhado sem freio para os lados, muitas vezes por cima de terras indígenas, assentamentos e antigos seringais. Municípios como Boca do Acre, Lábrea e Apuí têm carregado as maiores taxas de desmatamento do Estado, suplantando inclusive municípios de outros Estados que tradicionalmente derrubam largas áreas. A expansão desenfreada trouxe os conflitos: relatos de violência e ameaças são comuns. O cenário pode piorar: migrantes do Pará, Rondônia e outros Estados se deslocam a todo tempo para o Sul do Amazonas, atrás de áreas novas, baratas e extensas.
w5.com.br
Era 1970 quando, diante das autoridades, uma árvore de 50 metros veio ao chão no Norte do Brasil. A façanha celebrava o início das obras da Transamazônica, uma estrada com mais de quatro mil quilômetros de extensão que vai de uma ponta à outra da Amazônia. Dali em diante, a floresta não parou mais de cair. Depois dela, vieram outras rodovias, abrindo caminho para “viabilizar” a produção na região. De santuário ecológico, a Amazônia teve boa parte de seu território convertida ao agronegócio. Para abrigar, principalmente, gado e soja, a mata nativa foi arrancada numa velocidade impressionante: de lá para cá, uma área de floresta maior que a França já foi derrubada. Num minucioso trabalho de investigação, o Greenpeace traçou a rota dessa produção que, em forma de carne, couro e grãos, é exportada em peso para diversos países, como os europeus. Manchado pelo desmatamento, parte do setor vem tentando mudar sua postura. Mas ainda falta um longo caminho a percorrer.
200 8
20
6.451 09
Fonte: Inpe/Prodes * Estimativa do Greenpeace em agosto de 2011
20 10
20
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7.400
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