WC² #09

Page 1

#09

Fim do Mundo

Abel Pedro • Cleber B. • Daniel Franklin • Diego Marinho Digo Freitas • Fabio Dino • Fex • Frederic Spekman • Jack da Cléo José Lucas • Lucas Lima • Matheus M. Franco • Rafael B. Dourado Rafael Menicucci • Renan Ribeiro • STX • Tebhata Spekman


E chegou a 9!

O número 9 é o 6 de ponta cabeça, que com mais dois 6, vira 666, que é o número da besta, que lembra o fim do mundo, que é justamente o tema deste mês, afinal, o fim do mundo está logo aí! Aproveite, enquanto ainda há tempo, e bora ler a WC²! ... nossa, quanta gente participando...

Participaram desta edição:

Abel Pedro https://twitter.com/AbelPedrofg

Cleber B. http://www.hqrizando.com/ Daniel Franklin http://www.tiradejornal.com.br/ Diego Marinho http://oeremitadoiceberg.blogspot.com.br/ Digo Freitas http://www.esbocais.com.br/ Fabio Dino http://www.folksHQ.com.br/ Fex (CAPA) http://www.vardomirices.com.br/

O Editor


Frederic Spekman http://www.estranhomasfunciona.com/ Jack da Cléo http://cleoejack.blogspot.com.br/ José Lucas http://eitaquadrinhos.blogspot.com.br/ Lucas Lima http://vidadasinternet.blogspot.com.br/ Matheus M. Franco http://raposaalada.blogspot.com.br/ Rafael B. Dourado http://www.sapobrothers.net/ Rafael Menicucci http://www.censorecreatif.blogspot.com.br/ Renan Ribeiro http://comicsevenangels.blogspot.com.br/ STX http://www.toonsfera.com.br/ Tebhata Spekman http://www.marrymelody.com.br/


Rafael B. Dourado

4


Matheus M. Franco

5


Frederic Spekman

6


7


Digo Freitas

8


9


Fex

10


11


12


13


Diego Marinho

14


15



17


18


Jack da Cléo

19


Cleber B.

20


21


22


23


24


25


Entrevista com Thiago Cruz e Psonha Camacho

Entrevista

Thiago Cruz e Psonha Camacho

B

om pessoal, chegamos a mais uma entrevista, e dessa vez trouxemos um casal de artistas muito talentosos pra mostrar o seu trabalho, são o Thiago Cruz e a Psonha Camacho.

Ambos tem um material muito legal e um traço único, a delicadeza e doçura do traço da Psonha são o contraponto exato pro traço mais underground, e por que não experimental do Thiago. Fiquem com a entrevista e não deixem de conferir os blogs dos dois assim que acabar http://www.ossostortos.blogspot.com.br/ http://psonha.blogspot.com.br/

26


Por Abel Pedro WC² - Quando começaram a desenhar e quais artistas mais influenciaram vocês pra chegarem ao traço que tem hoje? Psonha Camacho - Na verdade, nunca deixei de desenhar. Quando cheguei na adolescência, continuei nos meus rabiscos, mas de forma bem despretensiosa, somente como diversão. Nunca tive o intuito de ser ilustradora. Sinceramente, eu não tinha a mínima ideia do que ser, eu só queria ter uma banda e fazer tatuagem! Não tenho nenhum artista em específico como referência. Claro que gosto e admiro o trabalho de muitos, mas nenhum que tenha influenciado meu traço em particular. Acredito que minha maior influência foi crescer em uma casa de artesãs, onde a arte e a leitura sempre foram incentivadas. Isso me fez, naturalmente, adorar desenhar, independente de traço ou ganha-pão. A tatuagem, acredito eu, também foi uma grande responsável. Cheguei a tatuar por alguns anos e pretendo voltar, é uma arte admirável. Thiago Cruz - Sempre desenhei, não comecei de repente. Assim como sempre li quadrinhos. É um hábito que trago da infância, época em que eu não pensava em trabalhar com isso. Eu desenhava pra fazer graça (sexo, escatologia), para assustar (Jason, Fred Krugger), e escrevia e desenhava algumas versões em quadrinhos do Doug Funnie. Somente na 8ª série é que comecei a levar a sério e a estudar. Então conheci a revista Heavy Metal (ah, os europeus!) e descobri que histórias em quadrinhos podem ser sobre qualquer coisa e desenhadas em qualquer estilo. Fui fugindo dos super-heróis colecionando tirinhas dos jornais, e os esqueci totalmente quando tive contato com o underground!! Dos artistas que me deram uma certa direção no começo, posso citar: Fernando de Felipe, Marcelo Lelis, Peter Kupper e Mutarelli.

27


WC² - Psonha, você faz ilustrações voltadas para uma área diferente da que o Thiago que trabalha com Web Comics, fale um pouco sobre seu trabalho e publicações as quais já tenha participado. PC - Eu sou nova nessa área, devo lembrar! Tenho poucas publicações. Trabalhei 13 anos em agências de internet antes de descobrir que eu podia desenvolver meu trabalho e fazer o que gosto para viver. O trabalho do Thiago passa uma mensagem, e acho isso incrível. O meu é mais posado, mais alegórico, nem sei ainda como defini-lo, me perco em definições (acho que elas te restringem). Como eu aprendi desde pequena a costurar, bordar, tricot, crochet, eu tento aplicar esses materiais no meu trabalho. A tatuagem também me definiu bastante. Devido a isso, me identifico muito com ilustração de livro infantil e gosto muito de design. Ainda faço muitos projetos gráficos e sites. Publiquei poucos livros. Pretendo publicar mais, claro! Um deles, do Pedro Bandeira, fiz com tecido e bonecos. Essa parte artesanal é fascinante, poder experimentar outras coisas além do lápis, tinta e photoshop. E na ilustração infantil é incrível a liberdade que se tem para experimentar isso.

28


WC² - Thiago, como é trabalhar na Revista MAD? Como você começou a trabalhar pra eles? TC - Lia muito a MAD quando era moleque. Comprava edições antigas em sebos e as levava pra escola. Não se compara, nem de muito longe, com o que se paga no mercado de super-heróis, mas como não estou nessa pelo dinheiro, me dá uma grande satisfação ver meu material publicado lá. Tenho liberdade autoral mas me limito a desenvolver o aspecto mais besteirol (no melhor sentido) do meu trabalho. Não posso colocar minhas HQ’s reflexivas nem místicas na MAD. Entendo e respeito o espaço e a linguagem dela. O legal é poder desenhar qualquer personagem de qualquer editora que oficialmente eu jamais desenharia. Já desenhei o Calvin e Haroldo, Batman, Wolverine, Homem-Aranha, Thor, Tio Patinhas, Mickey e Bob Esponja, tudo em sátiras, em piadas minhas. Isso supre o meu lado nerd! Meu amigo, e parceiro de banda, Tainan Rocha, foi quem passou o contato do Raphael Fernandes, editor da MAD. Mandei pra ele meu blog e comecei a publicar tiras no blog da MAD. Certo dia ele me convidou para fazer uma página pra revista impressa. Daí não parei mais.

29


WC² - Psonha, com relação a sua empresa a Psonha Toys, os brinquedos são produzidos seguindo seus desenhos mesmo, ou você segue trabalhos que os clientes pedem? PC - Dos dois um pouco. Geralmente as pessoas encomendavam personagens, mas eu sempre produzi alguns bonecos com desenhos meus, e foi bem legal, pediam bastante. Eu comecei a fazer bolsas também, e colchas com temáticas que me atraem. Dei uma parada com o PsonhaToys, mas já estou planejando pelo menos voltar a costurar e tentar aplicar mais a costura no que faço.

WC² - Como o mercado de ilustrações tem funcionado para vocês? Ainda sentem dificuldade quando passam os valores de algum trabalho, ou já estão bem aceitos? PC - Não tenho a pretensão de ganhar 1000 por ilustração, até mesmo porque a minha experiência anterior, trabalhando como escrava em agências, me ensinou muito sobre o mundo real no dia-a-dia de trabalho. Não sou artista quando trabalho. claro que dou o melhor de mim, mas estou de acordo com o que o mercado me paga. Quando não estou, recuso. Se vejo que o preço psicológico é alto demais pra fazer algo, mesmo que a grana seja alta, não faço. Tudo depende da hora e dos motivos, mas no geral lido bem com isso e está tudo bem. TC - Preço é bem relativo, o que dificulta um pouco na hora de passar orçamento. Muitas editoras, de revistas ou livros didáticos, já têm um valor, pois trabalham com tabela. Quando pedem orçamento, proponho algo que não desvalorize meu trabalho mas que também não seja para tirar proveito. Compensa ou não pra mim? Procuro ser sincero e deixo claro que estou aberto para negociações. Daí tem aqueles freelas que você não pega nem pagando muito e aqueles que você faz por preços simbólicos. Nesta áerea conta muito ONDE você publicou, e QUANTAS pessoas irão ver.

30


WC² - Já lançaram algum trabalho em conjunto, ou pretendem lançar algo no futuro? PC - Não temos nada junto. Chegamos a fazer uma história de poucas páginas, mas ela está lá escondida em um dos nossos cadernos. Quem sabe um dia? Eu acharia bem legal! TC - A gente sempre anota uma ou outra ideia e “viaja” em algumas delas, por trabalharmos no mesmo espaço. Como ela mencionou, temos uma história de poucas páginas, que desenhei e ela finalizou com caneta bic, ficou linda! Mas meu desenho mudou muito de lá pra cá! No momento certo a gente mostra!

WC² - Thiago, de onde surgiu a ideia para a entrada nas Webcomics, e como surgiu a ideia do Ossos Tortos? TC - Em 2004, criei um blog de textos, sem desenhos, onde eu exercitava o meu “timming” de humor. Esse blog se chamava Ossostortos. Eu queria um nome comprido, tipo PASSOSLARGOS


(do Senhor dos Anéis), que me definisse. Como sempre fui magro e alto e levemente curvado pra frente... Ossostortos! Em novembro de 2004, quando tomei coragem pra fazer um fanzine de quadrinhos, no esquema de xerox, botei o nome Ossostortos. Eram 2 folhas A4, na frente algumas piadas de um quadro só, uma tira, algum textinho, e dentro uma historinha. Tiveram 21 números, às vezes semanal, outras mensal. Na edição comemorativa de 1 ano, convidei vários amigos e tive o privilégio de ter o Laerte participando também. Depois do zine, mandei umas tiras pro concurso da Folha e as batizei de Ossostortos. Não venci, mas estas tiras ganharam um blog, e o alimento até hoje, praticamente todos os dias, com uma tira inédita (estão também no facebook).

WC² - Agora uma pergunta um pouco mais pessoal: Vocês se conheceram como? Foi através do desenho, ou já se conheciam antes? PC - Eu conheci o Thiago, mas só de vista, quando fiz um curso na Quanta. O vi uma ou duas vezes. Só nos encontramos um ano depois, pela internet, quando visitei o blog dele e resolvi comentar. Nos conhecemos mesmo num show da banda dele, na época os Palmiros, e começamos a namorar! Depois de pouco tempo já morávamos juntos. TC - Ela passou rapidamente por mim na escadaria da Quanta, e um ano depois comentou em meu blog. Me interessei e só depois saquei que era a mesma pessoa, mas como não tenho boa memória para rostos, a convidei para ver o show da minha banda (na época Palmiros. Hoje se chama MONOCELHA) Ela topou, apareceu, eu me apaixonei, ela foi morar comigo e hoje temos 5 gatos de filhos!!!

32


WC² - O que compensa mais pra vocês hoje em dia, trabalhar com ilustrações ou desenhar pra revistas e Internet? Claro que levando em consideração que internet sirva mais como portfólio e chamariz para trabalhos maiores PC - Eu faço sites e direção de arte ainda. Faço muitos didáticos e algumas apostilas e, de vez em quando, algum livrinho. É de tudo um pouco, todos compensam (pelo menos pra mim não tem nada que compense mais). Tô começando, tô há um ano nessa, então tudo é experiência e recompensador. TC - Havia um tempo em que eu focava em ilustrações editoriais, queria ser ilustrador. Hoje foco em me tornar um cartunista, e pra me manter faço muito livro didático, que não dá muita visibilidade como as ilustrações editoriais mas paga muito bem enquanto divulgo meus quadrinhos na internet. isso tem dado resultado e aos poucos estou mudando os clientes, sendo convidado cada vez mais a fazer tiras para diversos meios.

33


WC² - Quais projetos de cada um vocês acham que deu mais repercussão para o trabalho? PC - Não sei se meu trabalho repercutiu ainda (risos) mas bem, eu comecei pelo menos a ter mais contato com pessoas da área e ver meu trabalho sendo visto por mais pessoas depois que comecei a estudar aquarela. Mas ainda estou no começo e não acredito que um trabalho específico vá me fazer repercutir. É todo um conjunto, é todo um processo e ele é longo. Não me imagino nem tenho a pretensão de ser mega conhecida, estou engatinhando ainda e isso é legal! O importante pra mim é o processo. As descobertas, não somente de técnicas. De pessoas, de ideias. Formas de se aprender, de se conviver. Hoje minha preocupação é aprendizado e não nome. Isso vem à medida que você vai evoluindo e fazendo cada vez mais. É só consequência para mim. TC - Nas tiras Ossostortos, tem aquelas de trocadilhos que é pra rir, e aquelas mais psicológicas que é pra pensar. Sinto um bom retorno quando exploro os dois extremos. Mas com certeza, quando o assunto é mais introspectivo, sobre trabalho, crises, sonhos e dificuldades em alcançá-los, coisas com as quais as pessoas realmente se identificam, aí a repercussão é bem maior!

34


WC² - Psonha, vou fazer uma pergunta que acho que todos imaginam, seu nome é Psonha mesmo? Se for de onde seus pais tiraram a ideia dele, se não for por que você decidiu usar esse nome? PS – (risos) Meu nome é Priscilla, meus pais eram caretões demais para esse nome, uma pena! Psonha é um velho apelido que ganhei quando andava em sons punks da Zona Leste. Todos me chamavam assim, então decidi usar, é bem mais legal que o meu nome! (risos)

WC² - Pra finalizar, vocês gostariam de fazer alguma observação para o pessoal que tá começando agora e queira divulgar seu trabalho? PS - Minha dica é focar no que interessa, que é aprender sempre e nunca se achar perfeito ou pronto. Muitos estacionam exatamente no momento em que o ego toma conta deles e ficam estagnados, e isso é uma baita burrice. Sucesso, dinheiro, divulgação, tudo isso surge no momento certo se o seu

35


foco é sempre dar o melhor de si e progredir com humildade. Seja no trabalho ou na vida pessoal. Veja como os outros trabalham e procure por opiniões honestas, não aquelas que você quer ou acha que merece ouvir. Acredito que o mais importante de tudo, não seja preconceituoso com nada. O preconceito mina o trabalho artístico e te transforma em uma pessoa e em um profissional raso e superficial. TC - Não entre nessa por motivos errados. Nem por dinheiro, nem por vaidade. Pois só ganhará dinheiro com isso quando o foco não for este. E no primeiro elogio se perderá e estagnará achando já saber o suficiente. Saiba ouvir críticas e acabe com seus preconceitos. Um cara que só ouve metal, quando for compor metal, vai ficar igual ao metal que ele ouve. O cara que sabe ouvir outras coisas de qualidade, quando for compor um metal, irá fazer algo novo. Tudo influencia um artista. o que ele lê, ouve, assiste, discute, pensa. E não há segredo. Tem que produzir! Produzindo e mentalizando o que deseja, você atrai oportunidades que coincidem com o que você tem para oferecer.

36


Rafael Menicucci

37


Tebhata Spekman

38



40


41


José Lucas

42


43


44


Daniel Franklin

45


Renan Ribeiro


Lucas Lima


STX

48


Fabio Dino

49


Cartaz do filme 2012


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.