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Arte em toda Parte.

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Vai de treinar o olho e a mente para viver esta incrível experiência transformadora. Certa vez, o Skip Sorvino, professor da SVA em NY nos abordou com a seguinte pergunta: Qual é o segredo da vida? “What you put inside, you throw to the outside”. O que você coloca pra dentro, você bota pra fora.

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Daí uma imensa vontade de “ver com outros olhos”, uma curiosidade sem fim e a aventura de buscar referências para compôr o que fazemos com muito prazer: criar. Sobretudo com espontaneidade, ousadia e muito instinto. Viajar o mundo em busca de inspiração é um desafio prazeroso. Trata-se de um preenchimento interno, de encontrar um motivo para seguir em frente, um propósito na vida, pessoal e profissional.

Exercitar o olhar, é revelar a doçura da descoberta e o prazer da criação. Que se faça presente a Arte, onde quer que o olho aponte, enxergar o que nem todo mundo vê. Arte em toda parte é isso e mais, é se apropriar de uma superfície e saber manejar um instrumento para obter no fim o resultado da alma.

Esta primeira edição traz esta minha vivência e o trabalho de artistas que admiro, todos eles baianos, nascidos ou de alma, residentes aqui ou cidadãos do mundo. Me traz enorme prazer compartilhar essa riqueza que a nossa terra, a Bahia produz e pulveriza no universo.

Afinal para quê serve a arte?

Uma pergunta incômoda, capaz de atormentar artistas, professores e especialistas. Para muitos, a resposta está na ponta da língua: a arte não serve para nada. Mas, antes de ter opinião, é melhor compreender as coisas.

Há entendidos que insistem na inutilidade da arte e, para isso, evocam filósofos e artistas importantes. Surge o exemplo de Oscar Wilde que, no prefácio de seu grande romance O Retrato de Dorian Gray, disse: “toda arte é bem inútil”. Filósofos como Kant serão convocados para a conversa.

Fato duro, mas verdadeiro: nem sempre pessoas importantes estão certas. Filósofos se equivocam, artistas também falam bobagens. Além disso, é preciso saber identificar as ironias.

Inútil é o que não serve para nada. Uma coisa assim não pode ser julgada como boa ou ruim, nem merece atenção. Ora, será que a Capela Sistina, as sinfonias de Beethoven, os retratos de Rembrandt, os poemas de Drummond, os romances de Dostoiévski, as peças de

Shakespeare, as canções de Cartola são algo imprestável?

Útil é aquilo de que se pode tirar proveito. Será que não podemos tirar proveito de toda a nossa tradição artística? Será que ela não nos serve em nada, será que não satisfaz nenhuma necessidade humana? Será que não tem nenhum propósito?

Será que todas as obras de arte, até hoje, poderiam nunca ter existido?

Isso é jogar fora a humanidade, é tratar o ser humano como coisa entre coisas, é abandonar a cultura e a civilização, reduzir as pessoas às funções animais.

Somos seres cuja principal característica é a capacidade de transcender nossa condição imediata. Por meio da linguagem, da cultura e da civilização, nós vamos além do nosso aqui e agora. Nós conversamos com o passado e com o futuro. Temos saudade dos que partiram e sabemos que deixaremos saudades um dia. Nós herdamos e deixamos herança de bens materiais e imateriais.

Nós sabemos cultivar e cultuar, conhecemos valores.

A arte faz uma tradução disso tudo como um poderoso símbolo da experiência humana. Ela nos faz refletir, nos diverte, nos emociona, nos incomoda, nos consola, nos revela o que nenhuma explicação alcança.

Está aí a sua utilidade, a sua função, o seu propósito, que, mesmo variando no tempo e nos lugares, mantém um traço comum: o lembrar-nos quem somos e, segundo George Eliot, ampliar nossos horizontes para além da nossa experiência pessoal.

Como disse Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa, “mesmo que fale somente de pedras ou de brisas, a obra do artista vem sempre dizernos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.”

Se a arte serve para isso, convenhamos, não é de pouca utilidade.

Arte

substantivo feminino habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional. conjunto de meios e procedimentos através dos quais é possível a obtenção de finalidades práticas ou a produção de objetos; técnica.

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