19 minute read

ÁFRICA NA TELA: o uso em sala de aula dos filmes “o último rei da Escócia” e “Hotel Ruanda” para retratar confrontos ocorridos no continente africano no decorrer do séculoXX Edivaldo Rafael de Souza

Coluna

ÁFRICA NA TELA: O USO EM SALA DE AULA DOS FILMES “O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA” E “HOTEL RUANDA” PARA RETRATAR CONFRONTOS OCORRIDOS NO CONTINENTE AFRICANO NO DECORRER DO SÉCULO XX

Advertisement

Por Edivaldo Rafael de Souza

RESUMO: Utilizando-se do debate em torno do uso de filmes em aulas de história, este estudo analisadois longas que retratam episódios ocorridos em Uganda e em Ruanda, ambos países africanos. O filme “O último rei da Escócia” aborda a chegada ao poder e o governo ditatorial do presidente ugandense Idi Amin Dada, principalmente nos anos 1970. “Hotel Ruanda” aborda o genocídio ocorrido na Ruanda, em 1994. Tendo em vista a análise, as obras em foco poderão ser utilizadas para se trabalhar aulas de turmas do terceiro ano do ensino médio.

Palavras Chaves: Filmes históricos; cinema e história; o uso de filmes em aulas de história.

Considerações iniciais

P

ara a realização dessa pesquisa, lançou-se mão de dois filmes que são baseados em fatos reais que ocorreram em diferentes países africanos. Deve-se, ainda, levar em consideração que, apesar de serem filmes que possuem fatos históricos como referências, certa carga ficcional também não deixa de permeá-los, recurso este muito utilizado na sétima arte para dar maior ênfase ao enredo. Além disso, é importante avaliar que em todos os filmes deve-se destacar o recorte temporal

e o recorte espacial, para que seja possível a obtenção de um conhecimento mais amplo em relação ao trabalho.

Sabe-se que a Lei nº 10.639,1 de 9 de janeiro de 2003, traz a obrigatoriedade do ensino sobre o continente africano em todos os na perspectiva de “(..) recurso educacional é em si: desde os primeiros anos do século XX poderosa ferramenta educativa” .3

níveis de ensino. Dessa forma, o tema dessa utilizasse tal instrumento para auxiliar no processo de ensino-aprendizagem do dessa nova metodologia. Com o passar dos

pesquisa também atende ao que é solicitado dentro da referida legislação.

Uma breve discussão sobre o uso de filmes em aulas de história

Existem no Brasil diversos pesquisadores que abordam a temática correlacionada ao uso de filmes em sala de aula. Nesse sentido, evidencia-se que, em uma breve pesquisa, é possível localizar vários artigos, livros, monografia, dissertações e teses sobre o assunto. Dentre essas pesquisas, encontramse aquelas que trabalham de forma ampla e também aquelas que centram em determinado conteúdo, e, dentre eles, estão em nosso país e no mundo por mudanças educacionais onde a predominância do uso aluno”. 4

as aulas de História.

Pode-se inferir que os historiadores começaram a adotar os filmes como fonte de pesquisa e ensino

“(...) em torno dos anos 60 e 70 do século passado, acompanhando os debates que, entre outros problemas, destacavam a importância da diversificação das fontes a ser utilizadas na pesquisa histórica, especialmente únicas que se podia utilizar, já que o acesso a computadores com internet ainda era bem

1 “Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências”. LEI: 10639/2003. Planalto. Disponível em: Acesso em: 2 abr. 2020. da história contemporânea”.2 Entretanto, é possível ressaltar que a utilização do cinema concomitante à própria história do cinema membros da nascente indústria fílmica, bem como intelectuais e educadores, percebiam na capacidade narrativa do cinema (...) uma

Diante disso, houve bastante empenho dos profissionais da área para que se estudante. Mesmo que no início faltasse equipamentos que permitissem a adoção anos, principalmente no início do Século XXI, no Brasil, a chegada do aparelho de vídeo cassete e, posteriormente, do DVD, acabou auxiliando para que os profissionais da educação pudessemutilizar esse mecanismo nas salas de aulas.

Concomitantemente a isso, em um trabalho datado do ano de 2001, Sirley Diniz afirma que

“[o]s últimos anos têm sido marcados de novas tecnologias têm se destacado numa sociedade que tem como objetivo a construção do próprio conhecimento pelo

Percebe-se que o uso dos filmes em sala de aula ainda era visto como uma “nova tecnologia”, talvez naquele período, uma das http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm.

limitado nas escolas, e ainda não existia

2 BITTENCOURT, 2008, p. 373. 3 BITTENCOURT, 2008, p. 373. 4 DINIZ, 2001, p.1.

Em relação ao processo de inclusão dos filmes para se trabalhar como recurso filmagem, como o período e o local em que

pedagógico, o educador Salienta-se que, na atualidade, com o

“deverá adotar a nova tecnologia diversas plataformas digitais9 que oferecem

como um meio para novos fins, para uma aprendizagem mais dinâmica, mas sabendose que ela não deve ser a questão principal”.5

Para isso, é importante que o professor

“[p]rocure inserir o filme dentro do planejamento geral do seu curso, articulando-o com conteúdos e conceitos trabalhados, bem como as habilidades e e documentários apreciados em sala de aula,

competências desejadas” . 6

Assim, é interessante que, já no planejamento anual das turmas, haja a citação de referências de filmes que possam vir a ser utilizados durante o ano, sempre pontuando de conhecimento histórico, mas também que

a questão do tempo gasto para que se possa trabalhar a película de maneira adequada.

Outro importante fator que deve ser levado em consideração é que

“[para que tudo ocorra de maneira tranquila, o professor necessita planejar a necessidades e questões do presente, de

escolha do filme e principalmente qual será o propósito em passá-lo, deixando claro para os alunos como acontecerá a atividade” 7 .

no ensino de determinado conteúdo ao estudante, sendo possível realizar aulas expositivas dialogadas, atividades, apresentações de trabalho, debates, dentre outros métodos. Ou seja, é necessário também a abordagem não só do filme de fato,

5 Ibid, 2001, p. 4. 6 NAPOLITANO, 2003, p. 79. 7 CAMPAGNARO; et.al, 2013, p.132. mas de tudo aquilo que está incorporado à foi gravado, e qual era o contexto em torno daquela produção.

advento da universalização da internet, é possível acessar diversos conteúdos por meio de streaming,8 para isso, existem muitas possibilidades de filmes, séries e documentários. Nesse sentido, é de grande relevância o professor utilizar-se também desses mecanismos como auxilio durante os temas trabalhados. Posto isso, além de filmes o professor poderá também fazer listas de filmes históricos, e realizar indicações para os estudantes.

É possível realizar, ainda, a indicação de produções que sirvam não só para obtenção auxilie o estudante a se tornar um cidadão mais crítico e responsável em torno de diversas temáticas10 presentes na sociedade contemporânea. Dessa forma,

“[o]s temas transversais não devem ser vistos como opositores dos saberes considerados clássicos, mas como Dessa forma, o filme terá um propósito

8 Streaming “[é] uma tecnologia que envia informações multimídia, através da transferência de dados, utilizando redes de computadores, especialmente a Internet, e foi criada após a população ter acesso a conexões mais rápidas”. Olhar: Oliveira (2018). 9 No Brasil existem diversas plataformas que oferecem o serviço de streaming, dentre elas, se destacam: Netflix, Amazon Prime, Globo Play, HBO Go, Telecine play, Crackle, dentre outras. 10 “o MEC definiu alguns temas que abordam valores referentes à cidadania: Ética, Saúde, Meio Ambiente, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo e Pluralidade Cultural. No entanto, os sistemas de ensino, por serem autônomos, podem incluir outros temas que julgarem de relevância social para sua comunidade”. Ver: Menezes; Santos (2001).

grande importância, que não podem ser ignorados pelos educadores . Dito isso, 11‘[...] determinadas experiências culturais, associadas a uma certa maneira de ver filmes, acabam interagindo na produção de saberes, identidades, crenças e visões de mundo de um grande contingente de atores sociais”.12

“(...) as atribuições institucionais de Amin, o general criou batalhões compostos de soldados da sua região (o distrito do Nilo Lango), para assegurar seu controle sobre as

Analisando e discutindo os filmes “O último rei da Escócia” e “Hotel Ruanda”

O filme “O último rei da Escócia” foi lançado em 2006pela Fox Searchlight, sob a direção do “[b]aseado em romance de mesmo nome,14 para retratar a Uganda durante a tomada de

escocês Kevin Macdonald. O longa-metragem conta com grande elenco, exemplos disso são o ator James McAvoy,que interpretou o médico aventureiro Nicholas Garrigan, e o ator Forest Whitaker, que venceu o Oscar e o Globo de Ouro, em 2007, como melhor ator por sua atuação no papel do ditador Idi Amin. Sua duração é de 122 minutos, e está enquadrado na categoria ação/drama.

Como já foi ressaltado neste trabalho, para a obtenção de maior entendimento dos filmes abordados, é necessário, primeiramente, poder e o começo da ditadura de Idi Amin,

realizar uma breve contextualização do cenário em que a obra se passa. Dessa forma, o estudante poderá entender em completude presidente, bem como conflitos instaurados

a apreciação do filme como referencial de estudo.

O país da Uganda, localizado na África subsaariana, conseguiu a sua independência em 9 de outubro de 1962, antes disso, era uma colônia britânica. Porém, durante o período “(...) diante das dificuldades de pagar

de luta pela emancipação, dentro do próprio território, foram se consolidando diversas

11 NETO, 2010, p. 64. 12 DUARTE, 2002, p. 19. para presidência do país, não demorou muito para que começasse a haver desavenças em torno da figura presidencial e o líder do exército; assim, quando o presidente começa a retirar

Ocidental, ao noroeste do país, mas nãose identificando com as culturas Acholi ou forças armadas” .13

Depois de muitos anos de disputas pelo poder, em 25 de janeiro de 1971, o General Idi Amin Dada, assume Uganda, através de um golpe militar, sendofortemente apoiado pela elite local e também por outros países. A partir daí, é iniciado, naquele território, um governo ditatorial e fortemente marcado pela perseguição aos opositores.

“O último rei da Escócia”, foi um filme do escritor Giles Foden; a obra usa a história de um personagem fictício como fio condutor que durou do golpe militar de 1971 ao exílio, em 1979” .15

Nesse sentido, o filme expõe de modo histórico como era a governança do dito no país. A exemplo, um fato ocorrido em Uganda e imerso no filme é que a personalidade central,

alianças separatistas. Com a eleição de Obote os soldos às suas tropas, para assegurar sua lealdade, permitia que saqueassem a

13 GUIMARÃES; et. al, 2016, p. 285. 14 FODEN, Giles. O Último Rei da Escócia. Vila Nova de Famalicão: Editorial Magnólia, 2006. 15 DÁVILA, 2007, s.p.

população civil e dava maior autonomia aos comandantes regionais”.16

“(...) membros do grupo Frente Operações Externas (FPLP-OE) e de células

Essa medida tornou o país um caos, pois a população mais pobre estava sempre em revolucionárias alemãs sequestraram um voo

constante vigilância, sendo saqueada pelo exército da Uganda. Além disso, houve milhares de mortes, algumas de maneira cruel, para que servissem deexemplo a todos Esses grupos que sequestraram o avião

aqueles que quisessem ser contrários ao com 258 pessoas em 28 de junho de 1976,20

governo. eram aliados do presidente Idi Amin e Pontua-se também que a maioria dos

Nas filmagens, entende-se que, em determinados trechos, o diretor utiliza-se defatos fictícios. Dessa forma, deve-se relatar aos estudantes para que eles saibam que

“[l]ogo, nesses filmes existe uma mescla entre personagens fictícios e suas histórias inventadas, inseridos em fatos reais, com continuavam 105 reféns no aeroporto de

personagens que até mesmo existiram e tiveram importância relevante na história africana recente, (..)” .17

Ou seja, há uma mescla entre história e Entebbe. Israel, então, planejou e executou

ficção ao longo da trama. uma operação de resgate na madrugada de 4 Nessa operação morreram alguns terroristas,

Ademais, identifica-se que

[a]pesar de o filme contar a história de Uganda da perspectiva de um europeu, como já foi apontado, não podemos dizer que “O Último Rei da Escócia” não possui seus protagonistas africanos. O filme foi rodado em Uganda e contou com a participação dos ugandenses em papéis menores e figurativos, eles também atuaram como empregados na posteriormente na Arábia Saudita, local em

produção .18

Em outros trechos são demonstrados episódios de grande importância que

Popular de Libertação da Palestina — da Air France que decolara de Tel Aviv e foram recebidos por Amin no principal aeroporto internacional de Uganda, Entebbe” . 19

levaram o avião para Entebbe, na Uganda. Os sequestradores pretendiam utilizar os reféns para troca de presos políticos ugandenses e palestinos que estavam em outros países. passageiros eram de Israel, que possui relações bem conturbadas com a Palestina, inclusive com fortes ataques de ambos os lados. Por fim, depois de intensas negociações, algumas pessoas foram liberadas. Porém, ainda de julho de 1976; os reféns foram libertados. soldados e também três reféns.

O presidente Idi Amin viria a sair do poder apenas em 1979, quando tropas da Tanzânia juntamente com grupos de ugandenses contrários ao regime forçaram para que Amin se exilasse, primeiramente na Líbia, aconteceram naquele país; como o incidente

que viveu até falecer, em 2003.

16 GUIMARÃES; et. al, 2016, p. 288. 17 SENGER, 2012, p. 535 18 SENGER, 2012, P. 536 19 GUIMARÃES; et. al, 2016, p. 289. 20 Em relação a esse episódio, ele é retratado de forma isolada em outro filme. Olhar: 7 dias em Entebbe. Direção: José Padilha. Reino Unido: Diamond films, 2018. 107min.

Imagem 1: Capa do DVD do filme “O último rei da Escócia”. Fonte: Adoro cinema. Disponível em: http:// www.adorocinema.com. Acesso em: 7 abr. 2020.

De início, faz-se necessário salientar que existem importantes livros e filmes que expõem de forma contundente esse período sangrento envolvendo o pequeno país do continente africano. Dentre essas fontes, destaca-se o livro intituladoGostaríamos de Informá-lo de Que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias do jornalista e escritor estadunidense Philip Gourevitch. Por meio de investigações, o autor se debruça sobre esse episódio, utilizando, inclusive, de testemunhos. Em relação a obra e ao filme, pode se entender que, [e]m relação à profundidade com que foram tratadas as histórias de Ruanda, Gourevitch tem a vantagem. Entretanto, Em contrapartida, o cinema tem a seu público sem grandes esforços – ainda mais quando falamos de filmes que contam com uma grande campanha publicitária para a divulgação .21

O filme “Hotel Ruanda” foi lançado em 2004, sob direção do irlandês Terry George. O filme é baseado em fatos reais e retrata um genocídio ocorrido em Ruanda, em 2004, praticado sob o comando de generais da etnia hutu, em oposição à minoria dos tutsis. O ator Don Cheadle interpreta o hutu Paul Rusesabagina, que era, nesse período, gerente do Hôtel dês Milles Colines, localizado

[e]m 28 de janeiro de 1961, o Coronel um “golpe legal”. Os 3.125 burgomestres e na cidade de Kigali.Por isso, ele consegue abrigar no seu local de trabalho cerca de 1.268 pessoas, a maioria da etnia tutsi, que estava sendo perseguida. Dentre essas pessoas,

conselheiros municipais foramconvocados estavam os filhos e a esposa tutsi Tatiana

o livro que ganha em profundidade, perde em abrangência de público. São 419 páginas de retratos do genocídio que não chegaram à grande parcela da população mundial. favor a capacidade de atingir um grande

Ruanda está localizada na região da África Oriental, sua emancipação ocorreu em 1962; antes era colônia da Alemanha e posteriormente da Bélgica. O processo de Independência do país ocorreu de forma peculiar em relação a outros paísesafricanos, já que

Logiest e Grégoire Kayibanda, afim de prevenir qualquer intervenção das Nações Unidas na política de Ruanda, organizaram Rusesabagina, que é interpretada no filme

para reunião de caráter emergencial em Gitarama, terra natal de Kayibanda,onde a democracia da república soberana de Ruanda foi declarada por aclamação .

22Entretanto, apenas

“em 1º de julho de 1962, Ruanda se tornou independente, com Grégoire Kayibanda empossado Presidente da Primeira República. Alguns exilados demonstraram seu apoio ao novo regime, ao passo que outros decidiram pela via do confronto militar” .23 Após, esse episódio“[n]os anos seguintes, milhares de ao genocídio, assassinando entre 500 mil e O genocídio de Ruanda durou pouco mais

tutsis foram assassinados em Ruanda e,por volta de 150 mil, fugiram para países vizinhos. No período em que os hutus semantiveram no poder, de tempos em tempos, tutsis no que simplesmente foram mortos porque hutus e outras pessoas que eram contrários

exílio atacavam Ruanda” .24

Contudo,

“[o] Presidente de Ruanda era o mwami25 dos hutus, por sua forma degovernar e estilo defender a população que estava sendo

autoritário. (...)Vale destacar que o padrão deobediência inquestionável por parte dos “súditos” hutus foi variável relevante no genocídio de 1994”.26 Deve-se considerar que, antes da independência, Hutus e Tutsis viviam de forma amigável, juntamente com os Twa, formando os três principais grupos presentes “(...) consiste em chamar a atenção

dentro de Ruanda.Após explicar essas relações conflituosas dentro de um próprio país, deve-se levar o estudante a obter consciência histórica a respeito de tal evento, relatando como o imperialismo ocorrido na África e na Ásia27 deixaram marcas profundas na história desses países.

O ponto de partida para a principal perseguição aos hutusse deu

22 REZENDE, 2011, p. 28. 23 Ibid, 2011, p. 28. 24 Ibid, 2011, p. 29. 25 Significa “Rei” para os ruandeses. 26 Ibid, 2011, p. 29. 27 Para esse debate é importante a utilização de outros referenciais que abordam o tema. Olhar: BRUIT, Héctor Unicamp, 1986.

[a]pós a queda do avião presidencial do general Juvenal Habyarimana, no dia 6 de abril de 1994, grupos paramilitares, com apoio de parte significativa da população, deram início um milhão de tutsis e de hutus moderados. de cem dias, mas a grande maioria das execuções ocorreram logo no primeiro mês, sendo realizadas principalmente a partir de facões. Durante estes cem dias, mesmo com imagens do extermínio rodando o mundo, a comunidade internacional pouco fez para encerrar o processo .28

A falta de ajuda da comunidade internacional fez com que milhares de pessoas morressem, a maioria de tutsis, pertenciam a uma outra etnia, mastambém ao genocídio. Em uma cena presente no filme, pessoas se alimentam de esperança da presença de membros das Nações Unidas no país, porém, elesnão tinham ordens para perseguida.Ao fim dogenocídio,

“(...)o Secretário-Geral das Nações Unidas e oMinistro do Exterior da França classificaram os acontecimentos em Ruanda comogenocídio, a Comissão de Direitos Humanos da ONU (...) “possívelgenocídio” e os Estados Unidos (...) que “atos de genocídio podem ter ocorrido” .29

Um dos importantes aspectos que pode ser explorado no longa-metragem

h. O imperialismo. São Paulo: Atual; Campinas: Editora da para o genocídio que foi ignorado internacionalmente. Além de retratar o sofrimento dos refugiados do massacre, representado pela história de Paul Rosesabagina, o filme levanta seriamente

28 FONSECA; GERMINARI, 2018, p. 545. 29 REZENDE, 2011, p. 84.

a questão do descaso mundial diante da matança”. 30

Por meio dessa breve pesquisa a respeito trabalhados de maneira que contribua com

Dessa forma, entende-se que a obra não trata apenas de um fato isolado ocorrido na capital de Ruanda, mas sim de toda uma construção formulada por meio de levantamento de dados e de episódios que ocorreram por todo o país e deixaram milhares de pessoas mortas.

O genocídio só teve fim com a chegada da a aprendizagem dos estudantes, uma vez

Frente Patriótica de Ruanda (FPR), vinda de que complementam de maneira atrativa e

Uganda, em 7 julho de 1994, à capital Kigali, didática outras fontes e recursos utilizados

quando muitos hutus acabaram fugindo para pelo professor.

na atualidade, o país sofre com essas divisões de povos. Paul Rusesabagina se tornou mundialmente conhecido pelo feito que realizou em sua nação.

30 Ibid, 2010, p. 89.

Considerações finais

da utilização de filmes em salas de aula, que teve por finalidade explorar metodologias com recurso audiovisual para o ensino efetivo da história envolvendo episódios ocorridos durante o século XX empaíses africanos vizinhos, foi possível constatar que ambos os longas aqui detalhados podem ser outros países. Contudo, sabe-se que, ainda

A pesquisa possibilitou, também, reflexões sobre os países em foco, abordando seus processos de independência peculiares que deixaram marcas profundas na história; bem como fomentou a problematização do papel que ocupa toda população na busca por sociedades mais igualitárias e democráticas. Sendo assim, evidencia-se que esse trabalho poderá desencadear, de fato, várias atividades de fixação de conhecimento em relação ao tema em estudo, auxiliando o professor no processo de ensino-aprendizagem e na promoção de consciência histórica junto aos estudantes em relação aos fatos abordados.

Imagem 2: Capa do filme “Hotel Ruanda” Fonte: Geledés. Disponível em: https://www. geledes.org.br/o-filme-hotel-ruanda/. Acesso em: 7 abr. 2020.

Edivaldo Rafael de Souza é graduado em História pelo Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM), especialista em Metodologia do Ensino de Sociologia pelo Instituto Superior de Educação Ateneu (ISEAT), Pós-graduado em Biblioteconomia pela Faculdade Futura e graduando em Serviço Social pela Universidade Santo Amaro (UNISA). É também professor regente de aulas de História na Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE-MG).

download/83/57. Acesso em: 6 abr. 2020.BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino

Dicionário Interativo da Educação Brasileira

de história: fundamentos e métodos. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. CAMPAGNARO, André; et.al. Os filmes como

subsídio pedagógico nas aulas de história.

Revista Ateliê de História, UEPG, vol. 1, nº 1, p. 129-135, 2013. Disponível em: www.revistas2. uepg.br › index.php › ahu › article › download. e a renovação no ensino de história. In:

Acesso em: 3 abr. 2020. DÁVILA, Sérgio. Exageros de Whitaker em longa agradam e afastam. 2007. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha. uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0202200716.htm. Streaming?. 2018. Canal techtem. Disponível

Acesso em: 5 abr. 2020. DINIZ, Sirley Nogueira de Faria. O uso das novas tecnologias em sala de aula.173p. Dissertação ( Mestrado em Engenharia de Disponível em: https://repositorio.unb.br/

Produção), Universidade Federal de Santa Catarina,Florianópolis, 2001. Disponível em: http://www.pucrs.br/ciencias/viali/ doutorado/ptic/aulas/aula_2/187071.pdf. Acesso em: 1 abr. 2020. DUARTE, Rosália. Cinema e Educação. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. FONSECA, Danilo Ferreira da; GERMINARI; Geyso Dongley. História difícil e

etnocentrismo: o ensino de história e o

genocídio de Ruanda na web. Antíteses , v. 11, n. 22, p.538-558, jul./dez. 2018. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/descarga/ articulo/6805721.pdf. Acesso em: 6 abr. 2020. GUIMARÃES, Bruno Gomes. et.al. Ditaduras

africanas na mídia ocidental: um estudo

de caso sobre o último rei da Escócia. In. Ditaduras revisitadas: Cartografias, Memórias e Representações Audiovisuais. Faro, Portugal: CIAC/Universidade do Algarve. 1ª edição. dezembro 2016. Disponível em: https:// sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/8962/4/ Livro_Ditaduras%20revisitadas-3.pdf. Acesso em: 4 abr. 2020. GUZZO, Morgani; TEIXEIRA, Níncia Cecília Ribas Borges. O genocídio em Ruanda: intersecções

entre jornalismo, história e cinema.

Verso e Reverso, XXIV (56): 83-94, maiounisinos.br/index.php/versoereverso/article/ MENEZES, EbenezerTakuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Verbete temas transversais.

Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em: <https://www.educabrasil. com.br/temas-transversais/>. Acesso em: 05 de abr. 2020. NETO, José Alves de Freitas. A transversalidade KARNAL, Leandro. (Org,). História na sala de aula: conceitos práticas e propostas. Leandro Karnal (org). 6. ed. São Paulo: Contexto, 2010. OLIVEIRA, Waldes. Você Sabe O Que É em: https://www.techtem.com.br/voce-sabeo-que-e-streaming/. Acesso em: 5 abr. 2020. REZENDE, Amanda. Ruanda: Genocídio

e mídia, as Relações Internacionais e a

Comunicação Social. 219p. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais), Universidade de Brasília, Brasília, 2011. agosto 2010. Disponível em: http://revistas.

bitstream/10482/11042/1/2011_Amanda%20 Rezende.pdf. Acesso em: 6 abr. 2020. SENGER, Guilherme Felkl. História da África

contemporânea e Cinema: estudo das representações dos filmes “O Último Rei da Escócia”, “Diamante de Sangue” e “O

Jardineiro Fiel”. Aedos, Porto Alegre, vol. 4, n. 11, p. 524-548, Set. 2012. Disponível em:http://www.educadores.diaadia.pr.gov. br/arquivos/File/novembro2013/historia_ artigos/senger_a.pdf. Acesso em: 5 abr. 2020. TROVÃO, Flávio Vilas-Bôas. Hollywood em sala

de aula: reflexões sobre cinema e ensino de

história.Fronteiras& Debates, Macapá, v. 3, n. 2, jul./dez. 2016. Disponível em: https://www. researchgate.net/publication/320221583_ Hollywood_em_sala_de_aula_reflexoes_ sobre_cinema_e_ensino_de_historia/ fulltext/59d599a30f7e9b7a7e46740a/ Hollywood-em-sala-de-aula-reflexoes-sobrecinema-e-ensino-de-historia.pdf. Acesso em: 3 abr. 2020.

This article is from: