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LIMEIRA, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 - Ano XI - n.º 549
Fim do incômodo! FABIANA LUCATO
A
menstruação teve e aliás tem, até hoje, alguns “apelidos”: estar de “Chico”, ou “naqueles dias” ou quem sabe, “chovendo”. Mas nenhum talvez seja tão exato quanto o mais antigo, que se refere a “estar incomodada”. Até as mulheres que não sofrem com TPM, nem cólica, concordam que menstruar causa um certo desconforto. Se consultarmos a história desses últimos 50 anos, dos paninhos de antigamente, passando pelos primeiros absorventes - gigantescos - até os atuais ultrafinos, confort, adapt, com gel, abas ou sem elas, chegamos hoje no desejo de muitas mulheres, que é simplesmente não mais menstruar. Outros desejos? Ter um ciclo regulado, diminuição da TPM, melhora da pele oleosa e com acne e finalmente ter o controle e poder planejar a família. É nesta hora que entra a importante aliada feminina, sempre tão polêmica, desnecessária para algumas e importantíssima para outras, que é a pílula anticoncepcional. Se imaginarmos que nos anos 60 quando foi inventada, a dose de estrogênio era de 150 microgramas e que depois esse número foi baixando para 50, 30, que hoje existem as mais modernas com baixa dosagem hormonal de 15, percebemos com clareza o avanço dos laboratórios no sentido de oferecer uma medicação que não somente alcance um objetivo (no caso a não gravidez) mas que ajude e também trate alguns outros. Segundo o médico ginecologista Dr. Gilberto Gatti Gonçalves os anticoncepcionais modernos são capazes de controlar o ciclo menstrual, ajudam a diminuir os sintomas da Tensão Pré Menstrual (TPM), podem evitar cólica, melhorar a pele oleosa e propensa a acne e até tratar das que sofrem com ovário policístico.
retêm mais líquido como as anteriores”. Outras vezes algumas Sabe aquela ideia de que mulheres usam pílulas com o anticoncepcional engorda, faz mesmo componente, porém reter líquido e acentua a dor de laboratórios (marcas) difede cabeça? Já não é mais bem rentes e se sentem melhor. “Se assim. Segundo o ginecologis- a mulher não se sentiu bem ta, é preciso identificar uma com uma medicação ela deve que se adapte ao perfil da mu- voltar ao médico, que indicalher. “Existe uma, por exem- rá outra”, afirma o ginecoloplo, que tem em sua composi- gista. “Normalmente procuração uma substância derivada mos prescrever um anticonde um diurético. Estudo mos- cepcional de menor dosagem, trou que em um ano seria pos- mas não é para todo tipo de sível perder até 1 quilo e 200g mulher que ele é recomendaquando tomada corretamente. do. Em mulheres que sofrem Obviamente o medicamento com muita cólica, é possível não faz emagrecer, mas já não aliviar esse sintoma com o uso de um anticoncepcional com uma dosagem um pouco maior de hormônio. Cada caso é específico”. Doenças como endometriose e miomas uterinos também podem melhorar Médico ginecologista Gilberto Gatti Gonçalves com um tipo es-
pecífico de anticoncepcional que em vez de conter estrogênio, só possui progesterona.
Sem menstruar Gilberto Gatti conta que em seu consultório não é raro ouvir pedidos de pacientes que não querem mais menstruar. “Algumas vezes elas estão com viagem marcada, ou a data do casamento e outras confessam que não gostam. Neste caso, é possível controlar o ciclo e emendar até 3 caixas do anticoncepcional e depois parar uma semana”.
Amamentação e g ravidez gravidez É mito a história que durante a amamentação não é possível engravidar. Porém, é preciso escolher o indicado para este período sob o risco de “secar” o leite. “Nesses casos, as mais indicadas são as de progesterona que evitam a gravidez e permite a mãe amamentar normalmente”.
Já para quem está tomando anticoncepcional mas pretende engravidar, vale a informação: pode demorar de 6 a 9 meses depois da interrupção do anticoncepcional para a mulher voltar a ovular, menstruar e tentar uma gravidez.
Diferentes tipos Além dos anticoncepcionais que podem ser tomados via oral, existem ainda outros tipos. Entre eles, a injeção tomada mensalmente. Há também as mulheres que preferem os adesivos que grudam na pele e devem ser trocados uma vez por semana. Também o anel vaginal como se fosse de silicone, maleável que é introduzido na vagina e usado por 21 dias. O DIU ainda é muito usado, principalmente porque os convênios médicos agora são obrigados a oferecê-lo gratuitamente aos conveniados. “O DIU é colocado no consultório médico, e pode permanecer entre 5 e 10 anos. Algu-
mas mulheres se adaptam muito bem, outras algumas vezes se queixam do sangramento e da cólica. Se incomodar ele pode ser retirado a qualquer momento”. O médico aponta como um dos métodos mais seguros e eficazes, a implantação de outro contraceptivo, conhecido como Mirena. “É colocado na clínica, altamente seguro, trata a endometriose, faz diminuir o tamanho dos miomas nas mulheres que o apresentam, diminui ainda a cólica e a TPM”. Também como novidade, seguindo a onda ecológica, o laboratório Bayer está lançando (e logo chegará ao Brasil), uma pílula com estrogênio natural, e não sintético, como é hoje, semelhante ao que o ovário produz. Isso porque começaram a notar que peixes, em rios da Europa estavam ficando estéreis devido à urina das mulheres europeias que contem estrogênio sintéticos das pílulas. Daí a criação de um anticoncepcional ecologicamente correto.
Sexo seguro Dúvida comum entre as mulheres é com relação a eficácia dos medicamentos para evitar a gravidez. O anticoncepcional costuma ser eficaz em 99,7% dos casos. O preservativo, se colocado corretamente, 98% e o Mirena, 99,9%. E na era das doenças sexualmente transmissíveis nunca é demais lembrar do “sexo seguro”, feito com o uso de preservativos, única forma de se proteger contra doenças como a AIDS. Para se proteger do HPV (que pode causar o câncer de cólo de útero) outra informação importante, é que já existe uma vacina que pode ser tomada nos consultórios médicos. “São 150 tipos que existem, mas comprovadamente os que causam a doença são os de número 16 e 18. Essa vacina protege 99,9% a paciente desses dois tipos, que juntos são responsáveis por 78% dos casos de câncer. É uma proteção bem grande”, diz Gatti.
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Como escolher o anticoncepcional
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