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jornal da
Mulher LIMEIRA, DOMINGO, 8 DE MAIO DE 2011 - ANO XII - nº 587
Tudo que os filhos ensinam para as Mães FABIANA LUCATO
no hospital. Meningite. Naquela semana eu desmarquei tudo. Deleguei funções, me concentrei, organizei melhor meu tempo. E aprendi que era possível programar o tempo, quando se tem uma prioridade, no caso, você. Um dia, saindo do colégio, você entrou no carro chorando que um amigo havia jogado areia nos seus olhos de propósito. Tentei amenizar a história, mas por dentro a vontade era de falar com a mãe do tal garoto. Dia seguinte, quando fui te levar, você
desceu do carro, viu o mesmo amigo, se abraçaram e puxaram juntos as duas mochilas de rodinhas, possivelmente apressados para brincar no parquinho de novo. Você me ensinou que esquecer e perdoar valem a pena quando se tem um bom amigo. Quando via você montando cabana na sala de casa, compreendi que uma certa desorganização ajuda a sermos mais criativos. Aquelas rodinhas traseiras da sua bicicleta, confesso, achei que nunca sairiam de lá, até que
um dia você saiu pedalando sozinho, o que confirmou que tudo acontece a seu tempo. Também já não cobro mais tanta perfeição de mim e dos outros porque às vezes simplesmente não conseguimos fazer o ideal e sim aquilo que é possível. Através das suas observações, sem pré-conceitos, percebo o que eu não via. Algumas vezes me espanto por conhecer e desconhecer tanta coisa! Mas por favor, das próximas vezes poderia me poupar de ver uma partida de futebol. Estou melhorando, mas uma hora ainda acho que vou enfartar. Pouco me importa, na verdade, se seu time está ganhando ou perdendo. Minhas emoções se confundem. Por um lado, me entristeço quando te vejo cabisbaixo no banco esperando a hora de entrar no jogo, só que depois que entra, em vez de me alegrar, fico aflita em te ver levando uma bolada, uma entrada mais dura do adversário. É... preciso aprender a controlar melhor as minhas emoções. Sim! Em definitivo cantar e dançar no chuveiro é bem bacana e a gente não precisa ter vergonha, você tem razão,
relaxa. Esquecer da dieta por um brigadeiro, andar descalço (no calor!!!!) , trocar a novela chata por um seriado da Nick. Também conheci autores novos; obrigada por me apresentar Jeff Kinney, Rick Riordan e claro, nossa autora preferida, J.K. Rowling. Obrigada ainda pela paciência comigo à frente dos controles eletrônicos. Entenda, pra quem já passou dos 40, botões L1, R2, de subir, virar ou pular ficam com uma semelhança incrível. Obrigada por todas as vezes em que teve medo, ter corrido para o meu braço. Sentia-me a própria Mulher Maravilha. Claro, o tempo passou e hoje me contento com a estatueta de Mico. Sei que daqui alguns anos você vai olhar pra trás, vai querer me dar um beijo e achar muito gostoso ter uma mãe pra abraçar. E acredite. É bom mesmo, te digo isso, afinal, sou filha também. Mas especialmente meu filho, meu muito obrigada por ter me transformado em uma pessoa muito melhor. Até isso você fez de especial por mim. Posso comemorar o Dia das Mães, porque você existe.
FOTOS: VANESSA OSAVA
Obrigada, meu filho! Não... Não estou agradecendo somente o presente, o beijo carinhoso e a homenagem, embora tudo isso me agrade muito. Hoje, em especial, quero fazer diferente. A gente sempre escuta falar do que as mães fazem pelos filhos. O que eu gostaria de contar é o que os filhos fazem pelas mães. E agradecer por isso. Essa não é somente a minha história. Pedi emprestadas as de outras também. Afinal de contas vocês não dizem que nós, mães, somos todas iguais? Pois é... os filhos também... Já começa no nascimento, ou talvez um bocadinho antes. Além de um filho, o que nasce junto é um amor tão puro, incondicional, abnegado e absoluto, de um tamanho tão enorme, que só quem é mãe sabe com exatidão o que é amar para sempre. Já de cara, aprendi o que é amor de verdade. Eu sei que a professora da escolinha ajudou a recortar o coração de cartolina vermelha, mas isso não tem a menor importância. Você tinha quanto? Uns três anos? A sua
foto no meio, colada tortinha com a letra bastão, dizendo que me ama continua guardada no meu criado-mudo e nunca sairá de lá. Ainda na escolinha, todo mês de maio era especial. Eu saía com um remorso do meio do trabalho para ver as apresentações e todo ano a cena se repetia. Você e seus amiguinhos cantavam, declamavam poesias e a plateia desabava em choro. Lembro da sua amiguinha que um dia perguntou para a mãe o que vocês haviam feito de errado, porque todas nós estávamos chorando. Por sorte eu “matei” o trabalho pra te ver porque depois que entrou no sexto ano, nunca mais tive essa oportunidade. Aprendi a valorizar momentos especiais, porque podem não voltar mais. E a gente sempre tem muita coisa pra fazer. No trabalho e em casa. Dar conta de tudo não é fácil mas você, sem saber, me ajudou com isso. Eu trabalhava até muito tarde, sabe como é essa mania das jovens mulheres no mercado de trabalho buscando espaço e tendo que provar competência. Até o dia que você adoeceu e foi parar
Rosana Isabel de Almeida, 23 anos Gabriely de Almeida, 5 anos “Aprendi a ser mais paciente. Sou mais feliz. E tudo o que faço é pra ela. Foi a melhor fase da minha vida”
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Renata Sandra de Souza Dias, 24 anos Donizete de Souza da Silva, 1 ano “Tenho três filhos. Com o de 6 anos, aprendi a ler e escrever, porque tenho dificuldade. E com os outros sou bastante dedicada, porque o de 3 anos é especial e o mais novo tem problemas de saúde. Tudo o que tenho na vida são meus filhos”
Jéssica Lima, 20 anos Davi Lima de Almeida, 1 ano “Ser mais responsável e ter mais atitude. Agora penso primeiro nele”