Jornal da Mulher 20 de fevereiro de 2011

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Mulher LIMEIRA, DOMINGO, 20 DE FEVEREIRO DE 2011 - ANO XII - nº 576

Sem remédio para emagrecer, incentivo será tratar compulsão com psicólogos RENATA REIS ESPECIAL PARA O JORNAL DA MULHER

“Por mais de 15 anos usei medicações para emagrecer até que descobri que não era o remédio que fazia com que eu perdesse os quilos a mais, mas sim, fechar a boca e não comer”, conta uma limeirense que preferiu não ser identificada. Ela assume que o segredo está na conhecida “força de vontade”, ou seja, no controle emocional. Entretanto, essa conquista não é nada fácil, não só para os obesos, mas para quem é dependente de alguma substância, como o fumante. O cirurgião Paulo Hansen Martins, que já realizou centenas de cirurgias de redução de estômago, acredita que, se forem proibidos os emagrecedores que atuam no sistema nervoso central, como a sibutramina e os derivados de anfetamina, conforme proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a médio prazo, a procura pelo procedimento cirúrgico deve aumentar. “Digo a médio e longo prazo porque a cirurgia não é recomendada para quem tem simplesmente uns quilos a mais, mas para quem atingiu a obesidade mórbida ou obesidade associada a fatores de risco. Para atingir a obesidade mórbida, pode demorar um tempo”, conta. O cirurgião conta que são poucos os pacientes que operaram e procuraram um especialista em saúde mental para descobrir se algum fator psicológico influiu na obesidade. “Tentam antes os medi-

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camentos”, diz. Para ele, uma boa alternativa, caso os emagrecedores sejam proibidos, é incentivar cada vez mais o acompanhamento multidisciplinar, que envolve psicólogo, assim como nutricionista, endocrinologista e outros. “A maioria dos obesos come demais por compulsão, por ansiedade e nervosismo”, conclui.

A psicoterapeuta Solange Dantas Ferrari faz parte de uma equipe que acompanha obesos. Para ela, alguns medicamentos deveriam ter sido banidos há muito tempo por causarem alterações emocionais muito fortes, além de dependência. A entrevistada, do início desta reportagem, conta que perdeu os 20 quilos que acumulou na gravidez, mas, por outro lado, sentia o coração acelerado por conta do remédio forte. Outros sintomas eram: boca seca, impulsividade e, quando passava o efeito, tinha uma tristeza profunda e sensação de ressaca. “Nem a própria cirurgia bariátrica garante o emagrecimento definitivo se o paciente não controlar sua alimenta-

ção. Se o procedimento cirúrgico faz com que a pessoa se alimente de mínimas porções, sopinhas e líquidos não artificiais, concorda que o problema é o exagero? E se o psicológico da pessoa for trabalhado e ela conseguir ter a mesma conduta sem necessitar da cirurgia será muito melhor?”, diz a psicoterapeuta. O problema, de acordo com a especialista, é que muitas pessoas deixam a situação se agravar. “O compulsivo precisa de ajuda o quanto antes”, completa. A limeirense que já tomou fortes emagrecedores, diz que usaria os remédios novamente se fosse preciso, mesmo sabendo dos efeitos colaterais. “Foi muito importante emagrecer”, conta. Ela não concorda com a proibição dos medicamentos, mas defende um controle muito mais rígido por parte dos órgãos competentes. “Tenho certeza de que muitos não precisariam tomar remédio como, por exemplo, alguém que está com seis quilos a mais apenas. Para esses, deveria ser proibido. Entretanto, quem tem excesso de peso, pode sofrer ainda mais se houver a proibição, por conta de quem abusa”, finaliza. A retirada das drogas anorexígenas do mercado é praticamente certa - o tema será discutido em audiência pública na próxima semana. O argumento da Anvisa é que os riscos desses medicamentos não superam os benefícios da perda de peso que eles proporcionam.

Obesidade infantil preocupa pais e especialistas Dizer que uma criança é “fofinha” pode não ser considerado educado. Em tempos de ditadura da magreza e em meio a crianças que se alimentam cada vez pior, a obesidade infantil se tornou tema importante nas rodas de conversa de mães, pais, médicos e professores. Para ajudar os pequenos a resistirem às tentações impostas pela mídia, já que mais de 50% das propagandas veiculadas em canais infantis estimulam a ingestão de alimentos industrializados, é preciso ensinar, desde o princípio, a importância de uma alimentação saudável. Levar a criança para o supermercado e mostrar como escolher o melhor alimento, dar preferência a comidas feitas em casa e sempre frescas, além de limitar porções de doces e salgadinhos são boas formas de diminuir o problema. Crianças obesas sofrem consequências tanto psicológicas quanto físicas, já que a gordura em excesso causa ansiedade e isolamento, além de problemas nas articulações, coração, pele, entre outros. É importante também incentivar a prática de exercícios físicos e tentar fazer com que o momento das refeições seja “sagrado” e aconteça apenas na mesa, e não em frente de computadores ou televisores.


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