É tão perigoso quanto delicado falar sobre raça no País dos miscigenados. Afinal, quem são os “claros” e “escuros” em uma sociedade onde a cor da pele é antes de tudo uma construção? Onde, entre 2007 e 2008, sumiram das estatísticas nada menos que 1 milhão de negros e 450 mil brancos (que deram lugar a 3,2 milhões de autodeclarados pardos)? Neste projeto duplo realizado para marcar os cem anos da morte do abolicionista Joaquim Nabuco, o Jornal do Commercio mostra como negros que vivem em condições favoráveis simplesmente “embraquecem” socialmente, enquanto brancos que vivenciam a pobreza, ao contrário, “escurecem”. O preconceito racial, no entanto, ainda é percebido mesmo entre os pretos mais ricos – por isso, quase brancos – enquanto os de pele clara contam apenas com a brancura como um bem de prestígio. São quase negros. Encartado neste caderno de 28 páginas, trazemos ainda um suplemento irmão de 20 páginas totalmente dedicado a Nabuco, onde especialistas de todo País falam sobre a importância e a “santificação” deste homem fundamental para nossa história: para alguns, é um grande libertador dos escravos, para outros, um intelectual de indisfarçável racismo.