Profissão: Assessor de Imprensa

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E MARKETING

Profissão: Assessor de Comunicação

O papel do assessor de comunicação é subestimado. Primeiramente, porque se confunde muito com a ideia de que o assessor de imprensa só produz releases. No meio jornalístico, é comum ter uma imagem deturpada do assessor, como se ele fosse aquele que fugiu aos princípios básicos do jornalismo e agora defende os interesses privados de uma empresa específica. Quanto ao seu trabalho, fica restrito a lotar a caixa de e-mail dos jornalistas com notícias do seu assessorado. Mas, como podemos prever, essa visão é muito arcaica, pois, quando analisamos a fundo a função de um assessor de comunicação vemos que o seu trabalho é muito mais relevante para o dia-a-dia do jornal do que se imagina. Ao longo dos anos, os jornais passaram por grandes mudanças internas e, consequentemente, refletiram na transformação da própria maneira de se fazer a notícia. As redações estão cada vez mais enxutas, e com isso, não há como suprir a quantidade diária de produção de um jornal, principalmente o impresso. Essa mudança não é apenas na produção, mas também no perfil dos profissionais. Antes, era comum ver jornalistas especializados em temas específicos, por isso, eram capazes de adequar assuntos e linguagens diversas aos padrões jornalísticos. Agora, com menos profissionais em campo e que precisam escrever sobre tudo, até mesmo do que não estão familiarizados, os assessores de comunicação são essenciais. Isso porque o profissional também é um comunicólogo, ele conhece as normas e características do jornalismo e até mesmo a linguagem de cada veículo. Essa relação deve ser vista como uma parceria e não como um jogo em que cada um quer ganhar mais que o outro. O assessor de comunicação consegue realizar o seu trabalho, que é de atrair a atenção, conseguir a aceitação do seu público alvo e criar uma imagem de prestígio para a instituição ou pessoa física. O jornalista e o veículo conseguem conferir a proximidade com o público que o assessor de comunicação almeja atingir, e, além disso, a credibilidade do veículo de comunicação também conta muito. Muitas pessoas acreditam que, o que sai na mídia, é de fato uma verdade, e por isso, se uma matéria sobre o assessorado for trabalhada na forma de um produto jornalístico, a imagem vai carregar consigo a credibilidade do veículo em que é divulgada. Por outro lado, os jornais ganham matérias e sugestões de pautas mais eficientes e não


sofrem tanto com a falta de mão de obra nas redações, e por fim, o processo acaba por afetar o público, que recebe informações de qualidade. O processo de produção da notícia e todos os autores envolvidos conseguem afetar diretamente na formação da Opinião Pública. Antes de prosseguir com a discussão sobre o tema é importante abrir um parênteses para definir o significado de Opinião Pública. O conceito não se refere a opinião de todos, até porque ninguém conseguiria agradar a todos os públicos, e sim a opinião de poucos que conseguem se destacar em meio à massa, são os chamados Líderes de Opinião. Outro ponto que deve ser considerado é que nem todos respondem a mensagem da mesma forma, como acreditava a Teoria Hipodérmica ou Teoria da Bola Mágica, que acredita que os receptores recebem a mensagem imediatamente e da mesma forma. A formação da opinião pública vai depender de diversas questões pessoais, como a vivência de cada indivíduo, cultura e até mesmo a região geográfica. Entender que você precisa se comunicar com um público muda totalmente a estratégia adotada pelos assessores de comunicação. Voltando ao tema central, é importante ressaltar que o relacionamento entre assessores de comunicação e jornalistas devem se pautar pela confiança, já que ambos são fortes elementos na construção da Opinião Pública. A relação entre os profissionais não se restringe apenas a troca de informação, isso seria muito superficial perto da amplitude do processo. O assessor também deve realizar um trabalho de comunicação dentro da empresa em que faz assessoria ou para a pessoa que é seu assessorado. Em seu trabalho diário, o assessor precisa deixar as fontes disponíveis para que os jornalistas façam as entrevistas e treiná-las para responder às questões da melhor forma possível. O que muitos não entendem é que o profissional trabalha o seu assessorado apenas para apresentar a verdade da melhor forma possível, e não para que conte mentiras ou invente fatos da empresa. Pense em um atleta, ele não vai para uma competição sem ter ao menos um treino e estabelecer as suas metas e estratégias, ou seja, pensar na melhor forma de passar a sua mensagem. Os jornalistas são preparados para montar as suas perguntas e escrever seus textos de acordo com as regras jornalísticas, então, por que não preparar os assessorados para responder às questões de forma simples e direta? Essa preparação também influencia na formação da Opinião Pública, uma vez que uma imagem bem preparada e um discurso pronunciado adequadamente e com conteúdo estruturado são essenciais para que o público, pelo menos, comece a prestar atenção na mensagem que o seu assessorado quer passar. A partir desse contato inicial e duradouro,


a imagem começa a ser construída, mas cabe ao assessor e ao assessorado mantê-la sempre positiva. O ponto principal desse artigo é mostrar que o assessor não precisa ser visto como aquele que negocia informações secretas em um beco escuro, e sim, como um profissional de comunicação, que, assim como o jornalista, é peça chave na formação da Opinião Pública. Sem ele, talvez não existissem imagens de empresas e de pessoas tão bem estruturadas ou tantas pautas em nossos jornais diários.

Letícia Marina, jornalista e pós-graduanda em Assessoria de Imprensa e Marketing pela Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: leticia_marina7@hotmail.com


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