O lugar do samba - As relações entre o samba e o espaço urbano no Estado Novo

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Universidade Federal Fluminense Instituto de Ciencias Humanas e Filosojia

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Cldade, Poder e Controle Social

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Gizlene Neder* (organizadora)

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N" 72 • Julho . / 996 •

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• Professora do Depanamento de Hist6ria

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As rel0<;:6es entre 0 samba espa<;:o urbano no Estado Novo Alberto Ribeiro do Si1v.o

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Oestado no bojo de uma serle de transrorma~Oes Inauguradas com a revolutAo de 19-'0, 0 chamado Eslado Novo leva ao poder a IdeJa do eslado como condular de uma proposta de mudanta social baseada no pressuposto de que -8 autortdade t a expressao dlnamica da vontade coletlva compellndo as forr;as da InlciaUva Individual a manterern-se

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denlro de IImltes compatlveis com a seguram;a estrulural do

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ldcnl • p. 309-3 10 ,

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3 AlIt onlo ClIndld o. Os u· crl l oru e II dl ladurn. Opl ' n'do. 26/00/ 1975 . 4 CariDI O ... Uhermc Mot a . CuUura e PolHlca no £S . lado NOllo (1931 · 1945). £rcconlr'OS com CIt Ch,lIb.o. ~ BnuUdnl. 01:88 . JlIn. \979 .

De~relo n' 5.011 139.

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I Alevedo AmuaJ . 0 a l o ' da .... rorlldrio e ot"Calidcwk netdonlll Rio de JlInclro . Joe" Olymplo . 1938. p. J08 . 2

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-() Con$kleramO$ mero blzsnllnlsmo Indagar se 0 novo

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t. 0 htodo No,o t a , ida (ullural brosil!iro

sistema- ' , Neste se nUdo, a sol utdo estad?novlst a -a democrada autor ltAr la ( . . ,) I nlerpr et8(:flo rea Usties do 1 verdadelro sentido da democracia- . ~mbora 0 !!slada Novo tenha sldo fruto de Ideias formuJadas mullo antes de 19J7 , e a partir dal que tals Ideias receberam uma roupagem onc1al e foram utillzadas como Instrumento de poder ate 194.5, A governabllldade do E.stado Novo, asslm, se re~ atrav~ da ~ reslrll;ao da liberdade de Ilplnlao, com censura total da Imprensa, punl~Oes para as dlscordAn<:las publlcas, repressao contra os opositores alivos, demls.sOes e aposentadorlas d05 Inconformados, tribunals de excey\o, lartura (lnclplente) , conn.sco de lIvros, hlpertrona do concelto de. seguran,a, transror mada em palavra chave e o nlmoda. Como nao havla Senado. nem camara , nem AMembltlas, dl.ssolvldas pelo golpe de 10 de novembro. 0 arrocho era cornpleto~' . ~ A vida posslvel era subterranea, e a unlca op~ao que restava era a adesao - multas vezes duvldosa - it verborragla onclal· <4 . Alem da cen!'lura proprlarnente dlla. hav!a san~Oes e penas prev!stas - a maloria em lel - para os Infralores: simples adverttnclas , multas e suspe nsao pa r a os artlstas e ernpresArlos; suspensAo de ru nclonamento de empresas teatrals e de dlvers0e5 publlcas, apreen.sao de OImes. cassa~o de IIcen~,as para runc1onamento, censu ra previa durante determlnado tempo. apreensao. suspensao ou Inlerdl~ao de perl6dlcos, dest1tulo;:Ao de ca rgos. suspensflo do exerdclo pronsslonal. suspensAd de ravores e IsentOes. prisAo~ . o regime, no enwnto. leve urna preocupao;:.Ao sistematica com jus~lOcar-se. nao s6 pelo Diretto mas grlnclpalmente • levando ;'as rnassas, partlcularmel.lle a(r<)ves do radio. ul11a outra ·tnl~pre1a,ao' do Estado de exceo;:ao. como !'Ie pode observar num d05 Inumer3ve!s dlscursos de Getullo Vargas it nao;:lo: _

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A,L. 1 . leba "c" c 8 . leb'" "c' c "f". Lex. 1939. p . 673 .

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regime ~ ou nAo democratico. As ollgarquJas antlga.s e modernas, 0$ regImes de prlvlleglo, muitas veze.s se apelldaram democnitfcO$. e 0 eram, na vercJade. para urna parle da popuJa~1Io que Illes usufrula as vantagens. f'/Ao devernos, por conseguinte, preocupar·nos com os varios sentidos emprestados .;I palavra democnJ cla. Para os espfrltos retaroados eJa ~ 0 velho jogo pofJtk~ e/eitoral, com restrl~Oes rna/ores ou menores: ~ a oposipta crdnica entre governarltes ou gover"ados. ~ a llberalismo dege"er..fdo em Ilcem/osldade Quanto a rids f. .. J. toma-se {aci! verificar que a democracia ~ a forma de gover"ar em be"eficlo do povo como urn todo, em {un~Ao do.s '''teres.ses supremos da PAlria. aclma das /mpos/~6es de gropes. de cIA au de rellg/Ao.C

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Edgard Carone consldera que. nessa epoca. Q. RQCler de raltlr sozlnho. de ser 0 tinleD porta·voz livre, da Intelra IIber· . ,!ade de a~ao aogo~r.n.9, 0 que Q..torna P..!.!Hl.9' men~e unlco a se expressar publlc:ame-Rte...durante 0 hladn [jOVo . . carone acredlla que, sem oposlr;ao, sem nl"guem para conteslar·[he a propaganda e a verdade, 0 governo usou de todos os melos para se expre.ssar e para Impor sua Imagem 8 . Dlscgrdo do.. jlUlor p..teCJsamenle par acredltar tiue e j !!1!!al1lente eSSll • a!!ada e clatW u:pressao · Clue ra~ CO,l11 gu ~2... I VO!" . r; mals: que ela exatamente para que 0 Estado Novo rosse capaz de manter·se enquanto Interlocutor aceltAvel. Annal. se, como lembra 0 pr6prio carone, a ceJ1sura a05 jornals era total. nao se vlslumbrando 0 mlnlmo sinal de nolic ias contn\rlas ao governo; se 0 radio era um Instrumento que era rreqOentemente utlllzado para levar notlclas e I nrorma~0e5 ortclals; se, enrrm , tudo eslava sob controle , qual era a necessldade de 0 governo, atraves do DIP. promover, por exemplo. a dlstrlbuly\o gratulta de IIvros e rolhetos, patroclnar a edl~Ao de revlstas. manter sob contral e absoluto doisjomais e a malor e.star;Ao de radio do pals senAo porque tlnha um projelo de propaganda pollUca no qual via a posslbllldade de convencer a socJedade de seu projeto po11tlco? Na verdade. Q.Estado..11ovn Ilnha_ullLprqJetn bastttDt~ ctaro d.e oblem;Ao da hegemonla que contava, como arma prlorLt<'lrla. a dlvulgaztao.de ,slla' Idelas par:a..o IDa!or_ni!!!l.er.Q.. de.pe.ssoas posslvel..e..atrayt:, do malo r nUmero de suportes a sua disPQsltA!l,.o que e dlrerente de utlllzA·los apenas porque detlnha 0 pooer da falar sozinho. Ademais. hayia tods ums Inteiectualldade absolutamente' ~ol'l1prometlda com 0 regime. r:c;.5<' Intelectualldade' hunals fOO!u · a qualquer oportunldade de razer . pUblica ~..l"mpll!r1!!nte a_ • Apud Rlul Guuthll . ddesa do regime. Vejamos a descrlr;Ao recente que OUo Lara ldedrlo poUrice de Gehlllo Resende nos faz desse periodo: VatpIU. 560 Plulo. I . cd .. 19.3, p. 199· 200.

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EdglTd Clfoae. 0 £slodo l'IOI'O (J 93 7· J 9." . SAo hulofRto de Jluetl o. DtFEL. 1976. p. 169.

• Idem. p. 170.

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era flO tenpo do mlnistro Qustavo Capanema. que tll1ha como chefe de gabinete 0 seu co/ega de cq/tgio. um rapaz chamado Carlos Drummond de Andrade. Homenl publico que, culto. lIa qualro hora.s por dis, chovesse ou fizesse sol, Capanema cercou-se de uma

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plt/adt! de va/ores. A/~m do MArlo de Andrade, a quem coube escrever 0 anteprojeto do .servi~o do PatrlmCnlo fflstdrleo e Artlstleo Naclanal, Capanema tinba, a (rente des.st! Instltuto, a flgura apo.stolar de Rodrigo N. F. de Andrade. f. ..J LA estavam QUiros de /gual valor. Abgar Renault. por exemplo, que reulIl! B sua obra de professore pedagogo uma dlmenslJo de gnmde poets (... J. Oscar Niemeyer. que, como Porl/narl. enrlqueceu a equlpe de Capanema, tem razAo no julgamento que faz dsquele perlodo de nossa vida cullul7J/. Dlz e/e que Capanema foi uma ligura ds Renascen~a. Como o.s grondes renascentlstas, t/nha uma vJsAo universal e humanuticR da cultura em rodas liS SUBS manffeslar:()es. Sua rectm-crlada pasta era de Educa~ e Saude e nlto tmzis, ostensivo, 0 compromlsso com a Cu/tura. Eloql1ente provs de que nAo e 0 roWlo que faz 0 monge. .) tnJ plena tpot:a de aseensao do {ascismo no mundo. com uma ditadura Inslalada ffQul a partir de 10 de dezembro de I 9.J 7, deu-se urn {en()meno Quase paradoxal de florescimenio cultural. e mfo apenas Isto. A {rente desses 6rgAas reeem-crlados. eneofltravam-se /nte/eel ua/s de prlmelrlssima ordem. Todas. ou Quase IOOos, eram poe/as - e poetas eultos. a e;remplo de t'1alluel Baf/de/ra, que colaborou com Capallema e em partIcular no Iff/",

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as anos rellB$cent/.$tB$ de CRpanema soo um e.remPlo e um est/mulo para 0 Brasil estAvel e democralico de

hoje. lal como 0 des~al1los. 0 mutinfo que mobllizou a ~;ntelligef/lsla~ daqlle/e momento nAo delxou ninguem de {ora. do uf/iver$lfl VJlI8-l.obos ao humanlsta Lucio Costa. Bastaria dlzerque Oracilisno Ramos .saiu da cadeia para ser d/stlngu/dO e 1I0mellBgeado pe/o mesmo CBpanema ...

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A longa clta~ao adma, embora obvlamente compromeUda com 0 proJeto estadonovl.5ta, decorrldos 55 anos do golpe de 19-'7, demOllstra c larmnente qual a ]jnha polftlca pretendlda pela dltadura vargulsta. Nao por Ingenuldade que Resende considers aqueies allOS como "renascentlstas". Qutro depohnenlo lmportante da atltude dos lntelectuals para com 0 regime uma carla, dalada de 2 de setembro de 1942, em que Oenollno Amado, um dos homens de radio mals respeitados a epoca. se orereee, graclosamente, para hnplanlar no pais urn sistema de propaganda radlofOnlca para 0 qual llnha como carta de apresenta~ao sua re<:onhedda e.llperlencia. Sigamos alguns de seus argumentos!

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(. ..) COflcentrado em sessellfa e pouca.s estar;6es. 0 nld/o COIIQU/stou um publico talvez maior do que 0 da Imprensa, devefldo-se f/otar Que a/nds em J 9.18 0 numero de apare/hm receploresjA ia a/em de um milhAo. 5endo talvez mlflor; (JItte publico e certamente mats

• Otto LaB ReuDde , Um surlo renoscenll"o no 8r<uU do, ono, 30. IbIPLo de 8M Paulo - n usfr'Odo:l. 22/11/1992 . p . 6-3.

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como tamb6n e prind palmenle porque. mta

ob$tante suas deficltnclas cullurals, 0 rAdio nAo passou pelo 10l1go proces50 de descredito que .sofreu a imprensa lJ servl r:o das explorar:()es polltJquf!lras da velha Republica. , 0 /eitordojorna/ e quasi semprf! um cetlco a respei/o da oplnillo dos artlculls/as, f!nqusn/o 0 ouv/nle de n§dio quasi sempre um crente na oplnMo lransmftlda pe/os locutores f. .. I .

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(. ..I Entregues a exp/orar;Ao Industrisl do microfone e sujel/as somente ao controle do DIP no que sl! refere a 8S.$untos polIticos au de moral/dade pdbllCIJ, as emissoros parllculares cuidam quasi excJuslvamente df! fornecer programas que atendam ao Inter~se das anunc/antes f! tstes, per sua vez. prererem 0 que Jhes parece de mafs rAc" aceitar:Ao • Isto a muslca mals e/ementar. a sel1rimentalldade mafs entorpecida da energla popular. o humorlsmo mais barafo, gera/mente em IInguagem degfria, aOSOlll das batucBdas de morro, para a exaltaplo da malandra~em. que se utillza 0 grande Instrumento educaclonal. 0

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IOTrecho de utenSIl <: ar'. III pigllllUl! de CCllollno Ano"do aO pr e!lldcnle V.rIIAII, de 02/09/1942 . Pro tocolo dll Secrcl .. rll.. d. "ielldench. ellI Repilulka " 25.228 · ."txo. CPOOC. Atqulvo CUltavo CllplIne ma . Serle Mlnillthio d. Educt,,:', e Saude. Plilsill OC 34 .09.22 -10.

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Fernand o LI"'o ngell DII.pclr .. 0 ''''clio no pr.Iado do Es/(tdo Nouo. ComWl~60 d ... ,"'odeCo munl c~do Coordentl2ia Cltltwa "PI ..."""",,,,'" Politico no R.,pUbllcQ. AN · PUB - XVI Slmp6alo NaclQ..

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"Ill de HLlIt6rla. Rio de Ja neiro. U£RJ . Jill. 1991.

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importante ressaitar que durante.. todo 0 perlodo do f..stado Novo exis!!" urns dlsp.l.!!n p-eia b.gemOlll.a....do radio, .!Iurglda com 0 aparec lmenlo mesmo dess!; velcy !o de cpmulll~aa no Brasil. em 1922 , entr;.e as deJerlSOfe5 do seu pape.llImitado .1I.£:5fera e.d.ucatl.v.8.Jru:ntid!..pelo E.5tado. par um lado. e os que defel!2litm 0 radio a wtlr do seu cacAl er comerclal. manUdQ p£JaJnlclaUva prfvada. Oenollno Amado se fillarla a prlmeira corrente. a mesm a a que estava IIgado Roquete Pinto, da radlodlfus{Jo no pals. t ao , dentro do modelo ideol6glco vlgellte . .9 dllema colocado ao ~tado Novo ss ~llIer!a . to..de...wna forma mista. onde .iI _Olanut.ent.{JQ.J:.t..O-.nOmica dall ernlS.'loras e seu desel\lIolvlmento tecnico f!glr lam il.-targo das estr uturas comerclals centradas na publlcldilde, cOin 0 ~tado mantendo o co n tro l ~ sob r e a exp l o ra~ ao , a regulamenta~!o e a rlscaUzac;,\o de suas allvidades, J J o irnportante com relaCao 1I carta de Genolillo Amado que, pelo seu leor. a orerla , em que pese 0 seu can'Iter de dlspula pel a hegemonia dentro do aparetho de f.5tado, e gratulta . para · servlr ao Brasil e ao Estado NOIIO·, como era Jargao da epoca. Fazendo a crlUca do Ilberallo;I1l9lmra...Justificar a doulrlna do f..stado Novo, os propagadores do reglrne.v~ lembrar que no I1herallsmo era ac:eltltvel .que a Inteiectua! fosse Inlmlgo do ~tado, porque este nao representava 0 ver.d.ade1ro..fi@sll,_ao passe que no F~ado Novo tal fato nao ocorrerla mals. J{J que o e.stado se transrorm ava no tutor, no pal da Intelectualldade, ao se \dentlncar com 3:!" fon;as socials. Assim, a partir do momento em que 0 Estado marc:a sua presenta em lodos os

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~-------~------dll vldo l:oclal. nlln ha porque 0 inteiectuai manter a sua anUgs p051~ao de oposlClonJsta ou I"slstir na rnllrglnalldade: sua atttude , agora , devera seT a de colaborador, e.ste ~ "eu dever pam com a p<'jlrla 12, iI domlnl~

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. amplitude de.sse apolo, urn caldo de cultura propid<? cantor e compositor francisco Alves, 0 - Rei da Voz", por cltem plo, em seu precoce IIvra de mem6rlas, esc.rlto ainda em 1937, mostrava sua Indlgna~ao por ler sldo acusado lr1Juslamente de manchar a Imagem do pals quando de urns tournee pel a Argentina , em Julho de 1936 . Segundo francisco Alves, nao fazla 0 minima senlido acusarern·no de "referen cla.!! desalrosas· ao pals. a seus principals artistas e ao broadcasttng nac lonal pois sem pre fora sua · conslanle preocupru;.lIo razer propaganda do Brasil , de sua muslca e dos seus composltores·, ~ perguntava: ·Ora, se a mllll desagrada profundamente afastar' llle alguns mezes do meu palz, comojustlncarla que eu fosse la fora fazer propaganda contra a Illinha terra e a mlnha gente?· I :) COllle,.:ava ja 9 tempo de ·quem trabalha ' :e que tern razao·, do "I3rasll IIndo e trlguetro·, 0 samba clvilizara·se. A Secreta ria da Pr£,'Ildtnda.da RepUblica, desde antes do gol pe que Instaurou 0 Estodo Novo. mas partlcularrTlenle nesse perlodo, c;hegavam dlarlameole centena:! de cartas de pessoas comuosjlY...e, ao lado de urn pedido de elllprego ou qualquer outro auxillo econ6mico, demonslravam sua _ Em carta urn dla antes do golpe. portanto, o que pode demonstrar, por urn lado, a perspickla das camadas populares e, por outro, sua aqulesctncla para com o projeto varguisla " 0 IIder do conJunto regional carioca Irmaos Chalub, Affonso Chalu b, ao mesmo tempo em que pedla auxll10 para moradla, em Braz de Pina, ·oode exlstem residtnclas baralas·, e se desculpava pelo IncOmodo, sugerla uma recompensa pela eventual benlgnidade do pre.sldente: .... estam os certos, que tam bern con t rlbulmos para 0 complemento de vossa obra sagrada, porque enquanto 0 publico nos ouvlr Jamals p'ensarAo em Ideias I que andelll a m argem da Constlt uh;ao· " . Em agosto de 1938, uma carta do ddadao Benedltd Moreira da Sliva, de Barra de Ita bapoana, rendia 00 c r. M6nlcR Plmentll :;.:;;~: ao. O.lntelec:tuaU e presldente as ·Justas homenagens" q ue m ere<:ia. A carta culhtrOl d o Eirtodo Nopo, acompanhava uma ca~t;aO (dobrado) dedlcada a Vargas;

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de Janeiro.

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Receba 5eu Pres/dente com tods democracia de sua a/mil, pol$ que estas notas que /he oreTto. ~ um prelto de s/flcera ademlrapJo e res~ilo, slm, como opersrio que sou, nlJo posso, nem devo deixar de adem/rar ~randes beneficios que as classes , traba/hsdOl'lls do Brasil tern recebldo de Sua !!xc/a, Sou pobre. multo pobre mesilla, partm, Deus alnda

1987. p . 14 .

l:S franc iSC;O ....... u . Mlnha ft de.. 2. ed. Rio d,J",,''" '

al! Co nternporane o.

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14 Arq u lv o Natio nal . ~.k t 7 .3 · Secretarla d. cia d. Republica . Lat.

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I me COf/cerva as facu/dades mentaes em condi~()es para, como agora, ~nder Ihe esta homenagem. 1.5

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E [mporta nte

fr[sar que nenhuma carla (lcava lIem ~c:tposla. 0 se<;retarlo da Pres!d~ncla, Luis Vergara. era responS3ve] por encamlnhill·las todas ao preslgente o u ao m~l) lstro Gu§tavo Capan~rna, que provldenelavjl, de prOpriO punho, ou atraves do prOprio Vergara, .!!. .r~sposta rna Is <;tC;I~!Jada. 16 Segundo Jorge Lulz. ferreira, Ma Se<:retarla fol mals urn 6rgao redlmenslonado ap6s 19.30 com a fUn/;ao e.sp«.lOca de dlsseml nar uma Ideologla consensual na classe MI7 trabalhadoro , Induzlndo·a 0 consentlr e a connar , perfeltamente annada com 0 proJeto de propaganda do ~tado Novo. ferreira lembra alnda que a Secretarla da ,"raldenela Implementava um amplo e enclente canal de comunlca~ao_ !1=ntre 0 Estado e a ~Iedad!h. numa via predomlnanlemente persuaslva, quando 0 onela! de Gablnete respondla as cartos anrmando que fora Incumbldo pdo prOprio presldente da Repllbl1ca de Fazt·lo; OU quando apolava·se l1a · Iel· para Fundamentar 0 dererlrnento ou a nega~ao a ped!dos dos m!sslvlstas; ou ainda quando se utl1lzava do ttcn1co para velcular pnitlcas polltlcosl 8 que_l!<?b I (orte contrale. a" vida . .Q tentro•

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Mas e para 0 radio, veiculo de COlllunlca~;\o por excelt.ncla nos anos 30. que se volta a malor parte da" slenc0e.5 slas camadas oopuJm: .e..mt.dla urbanas. Das 6.3 e.s(a~be.s de radio ellistentes em 19.37. 0 pals alcan~a 106 em 1944 e I I I em 1945. Em 19.39 havla .357.92 1 aparelhos de radio, numero II Arqulvo Nado nal. str!!: que prallcamente dobra. em 1942, para 659.762. Som ente 11.3. t..ta 108. nesse ano 108 programas radlorOnlcos foram prolbidos no II Sobre II corrnpondtn Rio de Janeiro. asslm como J7J letras de muslcas roram d. entre n,presenlanlea vetadas l9 . 0 radiO...!:;rA.e.oIAo. prnllramenle a (mica meta de cia, dassel populuu e 0 dlfusAo musical. Apesar dlSW, 0 publico 'radlouvinte cada ,OYerno durante 0 Eat.do Vez malor. Da proqramacao d!vers!Ocada e paTa lodos os "0'1'0. vcr Jar,e Lui,; Fu.,,1... 010 rrabalh"d_ do gostos. ffi'I _Q!l~.g,A.estatar a !mportancla des programas de BIasI! . .. cultum popul"r _au~tl9, dM musicals e das novelas ' entao chamadas de '"' prime!ro g<)lHImo Vorradlo-teatn-" para as quais estava voltada a malor parte da pou/l930·' 94~J. Ol,.ertapoeulacao dBs cldades. ~.o de Mealrlldo. NUero!. Uff/lC liF. 1989. pllrl1cuA Intensldade da vIda cullural e a repressao as artes e lannenl!: 0 cllpltulo V, Ell aos melos de cOll1unlca~ao sao elementos que, num prlmelro tado e cu lluro populor: 0' momenta, :)8recem contradll6rlos. Paral lamente ill repress;\o. Undies del CO'l'role. porem , p f.s,tado ao meSIDO tempo em Que de'enyolve e . ~pcrfeicoa um forte esquema de coopla(aa da IntelectuaJldade, " Op. cit •• 1"_ I 7 3 . lnv..'Ste aillda com malar Inlen.sldadr num minucloso lrabalho cr. op. 0:11.. p. 173· 174. JdeoJOglcQ vollado para as maqsas , I!.m artlgo de 1942 Cultura ,"olltlca, revlsta do regime I' O,dol b••elldo, em Hdeon Jahr Oarcla. 1'410que. seglmdo MOnica Velloso. estava vonada para a pTodu~ao fo Ifoo" . Ideolosr1o " prodo discurso Ideol6glco do estado Novo, dava a tal)) da kleologla ~ poUd<:a. A Jeg{tC· est8donovista, ~O governo pede apena:; a colaboracao de lOOns ~doe:.lado wtorldirio pel'llR~ IV c:lo,,~. au · qs _~orn..sr:!s..il ~boa vonta~e_ p~Ta, !'Lconsecur;Ao dS enorme SAo '>a ulo. loytar~fa c,!;!e a sl mesmo se...!.m.~.: Quem n!9 .9!!..ls~!3!.u.;l_a-~o~ M

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"",Ifton.... ola. 1982.

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menos nAg 0 Impeca·, Apesar do "rocaco \/elada, 0 que ~llWunb1L2. artlgo era a partldpa~o. 0 sentldo dOl Bmeac;a t Lao ldeol6glco quanta 0 convlle: quem ;:;r nega a rpJaborar nega 0 Interesse pela prbprla pa rao £ t com ela que tern que se haver. Dentro de.sse quadro, tanto intelec tua ls quanto artlstas nilla se furtariam a atender ao chamado de Cultura Polltica. toke 0., artls1a, proy!od0.5..das PmIldas mats PQp,ulan;.'II e /lInda sem accsSQ 30 rMlo e ag disco SC ro p ce [oram tambem_ constantes as manirestac6es de.....apolo e as hom«magUls.aQ p'resldenle e ao Eslado Novo. Como a carta de Arfonso Chalub

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cl tada anterlormente, vtt rla:; outras correspondtn clas encamlnhavam ao presldente caoCoes em sua homenagern , cbplas de reglstros de agremiacbes rec reatl vas, musicals e artlstlcas em geral que ~va\lam $CU nome. Em 10 de dezembro de 1937. por exemplo. Laurentlno Iiddonso da Silva Nery. de Jacobina. envlou carta ao presldente em que orereda a ele uma marcha de sua autorla com o prova de alto apreCO. Olzia a lelra:

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/Jraslleiros, meus IrmAos e caf1Jaradas Vtde, 0 Brasil, livre cia apJo das Agulas Livre, pelo 0 defensor, das novas Plagas E, 0 8raslleiro, Doutor Oetulio LoWlYaS

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No dla 18 daquele mesmo mes, 0 cldad30 Norberto Martins. de Cruzeiro. envlava ao presldente carta comunlcando da organlzacao de uma banda de musica naquela c ldade que recebera 0 nome de Corpora~o t-Iuslcal Or. Oetulto Vargas. Na carta, Norberto Martins sollcltava tam bern auxlllo para mandar nlquelar e reformar os InstrumenlOs. adqulrldos J3 bastante usados. ao que 0 mlnistroOustavo Capanema sollcita tI Secretarla da Presidtnc la responder polldamente que 0 presldente agradece a homenagem, mas que 0 Mlnlsterio nao conslgnava recursos para lals fin s. A data do despacho de Capanema e 29/ 12/1937, apenas o nze dlas ap6s a data em que rora escrita, tempo recorde. se levarmos em conskleracao o est3gl0 em que estava a comunlcm;Ao postal e a burocracla que estamos acostumados aver cercarem quals quer documentO!!I na admlnlstracao publica . Curiosa e tambem a carta do con temlneo de Vargas Frandllzio Pinto de Carvalho. Em 8 de selembro de 19'8 Franclllzio encamlnha ao presldente um dobrado em sua homenagem. Anrmando que para cada passo da polltlca de Vargas escrevera uma canc30, 0 m lsslvlsla de sao Borja enumera. segundo sua 6tka, todas as etapa5 dB carreira polltlca do presldente e as composlcbes que crlou em ho menagem a cada uma del as. Em anexo it carta, urn parecer do dlretor da E.scola Naclo nal de MusiCH encamlnhado a carlos Drummond

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Inteligente, Brasfleiro, Dr. Oetullo Vatyas Que IIvrou 0 Brasil das garras dBS Agulas Aves sum/d"ras de flu/nas, ,e m novas Plagas Desf!jaram ao Brasil, derramamento de sal1gue e IAgrlmas

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de An drade. entao c here de gabinete de Gustavo Capanema, com 0 segulnte teor: · Pobreza rnel6dlca e harmOnica· , A carta, e 0 parecer anexo, fol encamlnhada por Capanema a Vargas, em 1 1/11 / 038, e obteve resposla amavel de Lulz Vergara . em

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28/1 1/38.

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2. 0 DIP . a propaganda

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Context\:) ~trwlamente fa yorAYe.Lque 0 Ole....Departamento de Impreosil e ProMganda . lem papel C\.In(jamental. 5eu ]usar no proJelo poJltlco,ldeol0g1cQ do f.stado ..NOlIO e de Importancia declsiva, Ja que se constltul nu dos mecanlsmos Indlspensavels da dlfus:to da Imagem do regime. atravb drssc 6rgao que 0 t s.tado NoyO Id! produtlr um

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dlscurso Que -eufaUza sobret y do

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tal repud lo ro~~e multas vezes debo:ado de lado em nome da garantla de_ manutencao da auto rldade do rc.glme, D.J:SjualQuer ro rma, 0 paper do DIP serl..1'pre fo l 0 de prlorlzar a propag~ nda em detrlmento d<:l: represslio. AliAs. e esse me:!lmo dlscurso que j ustlflca e autorlza a y;oltnela pollclal, posto que seu papel eo de garantJr e supervislonar 0 amplo 'acordo naeional que 0 !!.slado Novo dlz personlfiear. ctuando 0 DIP _e. crl<ldo, em 27 de dezembro de 19.39 (Deereto-Lel n' 1.915), s~J.ls obleUvos j)rlnclpals sao 1a. de; weenlrallzar....coorden~rientar e supedotend.cr B wppaganda nacl9lla1. lnterna ou externa, e servlr. permanentementc. como elemento auxlllar de Informa.sAQ.d.os Ollolst!rios e entklades publlcas e prlvadas...na pade.. q ue Interessa~ 2roP!!ga nda n_acionjllw . alem de "estimular as aUv rdades esplrltuals. cola!x>rando com a~as e Inleleet uats brasJlelros no sentJdQ de ineentivar lima artt. e .u.ma Jlt~ratura genulnamente brasllelras, podendo, p<lra Isso. estabelecer e conceder prelnlps" e, ainda, wprom over. organlzar. palroclnar ou auxlllar manlfestacbes civicas e festas populares com Intuito palrl6tico, educatlvo O\l de propaganda turlstlea w. No que dlz respeito A musica popular, t<lls dlreirlzes ideol6glcas Irmm~d~ ...eO)bocar. por urn [ado, na "Ideolog!a do eu lt9.,.ao Irab.illho ~ urn....a pplltlca sl[Jlwliln.eam.en.1£..patcrnallsl:;,. c; represslva (sob a qua!) aquela eonversa mal comporta da e marota que ja vlnha hft algum tempo suscltando reaCOe:!l de desagrado por parte dos setores da Imprensa. autorldades e mesmo alguns s()mblst<ls, deveria seTdecidldamente proscrita da cena cultural. Incentlva·se os composltores a 10uyar os meritos e as reeornpensas do trab<llhador. ao m es rno tempo q~~ se Inlerdl.1am e censuram os casos e fa~anhas do Illali\lldw·, "5urglram desta nova fonte personagens que se empreg<lvam em fabrlcas e outros arazere.s ( .. ,). Mslm. 0 prlrnado do trabalho. re conhecido pelo e.stado , chegava tambt.m ill voz dos composllores poput<lres sob 0 esUmulo e a - censura do orr, N<I oplniao do compositor. alar e cscrltor Marlo l.aQ.o. a

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carAler n30 a rbllrftrl n do_

I!.stado. repu.J1la.ru:I9..lnl:.essantemen1e a ut11luu;ao dos metodo5

de forta e ¥Io1~ncla· , mesma que. oa

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Ilgura carlsmalica de Vargas era Insplrada em Mussollni. f"tas, segundO 0 arUsla, COlT! caracterlsUcas espedflcas:

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Qelullo. como dltador. era ums figuro carlsmalica. -, que apresenfou ums lei rqJulamentando a profissAo de artista. que crlou 0 direito auforal. Por /sse, os Larlistas tin/lam multo carll/ho por e/e. J

Segundo Lago. esS3 i m<!Qem de Vargas lerla_sYIQldo em subsUlul~ao a Imagern de vlrllldade de Mussolinl. no qual os ideallzadores do tslado Novo terlam .sf:: [nspirado. Por 1550, Marlo Lago a CTedlla que , (JJl .!Iubstltult;.ao ao Mussollnl ·grand,e -QaranbMt·, ,ao ·hom em <uJt: cortava arvore.s com 0 pelto nu·, a que Vargas ddlnltlvarnenle nao correspondla, surglu 0 presidente·malandro, Que permltla .3 crltlC;1 l!I su'! p!:s~a e: Ince:ntlv3va ane:do las sobre: 51 mesmo. Sube:nte:nde:'se: do de:polme:nto do com positor que: V!!!".9~Jlserla.a persg nlncar;:'o, por substltulr;ao. s!.e todos os malandros bra~lIclro&. aQ.passo <tue a esses ultimo:<l cab~a ~e regenera.r, Jill que a mal o r malandragem era ser lrabalhado r. Num tal contexte, nao e d ifkfl compreender, asslm, a substltul~ao do legelldflrlo e presllglado malandro dos anos anterlores pelo amblguo "malandro regenerado", do qual 0 compositor Wilson Baptista fol. sem duvlda - e alnda que melo a con t ragos to. como sua hl!!16rla pessoal deixa transparecer -, 0 c rollista sob medida . Sobre esse aulor con ta-se uma hisl6rla que i lustra sobremaneira 0 que pretend em os demonstrar. Segundo essa hlst6ria , 0 ramoso5ao Januflrlo. de Baptista e Alau lpho Alves. tlnha corn o original a segulnle letra:

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Quem Irsbalha mJo lem razAo £u dlgo e nAo tenho medo de error o lJOnde SAo JanuArio Leva mals um stx:1o oIArio 56 eu que nAa vou Inbalhar

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A pedldQ do DIP. no entanto, a expressAo "s6clo otario" foi substllulda por " operario" e ".s6 eu que nao vou ... " por ·sou eu quem vou ... ". Quem trabalha passa a seT "q uem tern ra zaO" e a composlr;ao, de etoglo A malandragem, passa a constltu lr·se no seu reversO, 0 eloglo do trabalho. Marlo 1...'90 CQnta, no depolmento ao JI3, ou tro caso nos mesmos motdes, desla vez referhl dg..s.e, por via Indlte1a a Inutliidade do trabatho frente ;'t vida fa el! do ri co em compratAo it vida do homem...Qobre:

o compositor Rubens Soares COf"pds uma muslca que tlnha urn verso asslm: "AI. aI, aI, a vida do pobre e penar; al. al. al. a vida do rico e gozar". f"nll1cisco Alves chegou II cantar essa mlislca flum flIme de camal'al, mas na hora de gravar em dIsco, a censura 11110 de/xou. 0 Rubens. que vl vla das I1uisicas de carnaval, se de.sesperou e me procUroll pnra refaz5

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,.aletra. t;ntiJo eu mude; para: #AI, al. ai, 0 galo e que esM com a mzAo/AI, ai, aI, pulelro de palo no ChiJo/£Ste palo fez pule/ro no coque/ro do quinta/INns 0 rei do gaffnhelro schou isso desigual/Po/s dlz que 0 te"e/ro e pars 0 galo vadlar/Palo se qu{ser pule/ro pe~B II p.1ta pra smJl/ja"'" a Rubens levou s lelm para 0 Julio /Jam/a. que do DIP,. que delxou pasSBr. mas me , era 0 dire/or , mandou 0 seguinte recado: ~Dlz 80 I'1Ario que eu nla sou bulTO niJo; essa telm dlz 0 mesmo que 'a vida do

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pobre e penar e a vida do rico e gozar', apenas estA dlto ' de forma reafmente multo Intelfgente. For Isse de/xo j"

passar.

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Em bora es,sa nao tenha sldo a prhnelra vez ns hlst6r1a da muslca popular braslleira em que a letrn de uma cam;Ao era modincada a pedldo, no Estado Novo que 1550 aconlece pela prtmelra vez como parte de uma polltlca cultural do Estado. ~r outro Jado, apesar do centrale OOldo Que 0 DIP exerela sobre a crlm;Ao artlstlca, seus func lon€!r!os DQlmalm!;nte n,Ao .lI~ furt~va!Jl a negociacao ~ nadiJ os Impedla de se deixarem " onvencer RelQs ar'iil-umentos dos comp9sllore.s. Numa Inldatlva Inovadora naQueles lempos, 0 composllor Oe:raldo Pereira re:solvera, perto do Natal de 19:58, escrever. produzlr, dirlgir e parUclpar como ator de uma peca que serla encenada na quadra da hoJe exUnta escola de samba Unldos da Manguelra, no morro de Santo AntOnio, no Rio. A peca, de cuJo nome nflo se tern re:glslro, contava iI hlst6ria dil mulhe:r de: um "malandro~ que t desrespeitada por um · bandldo~, 0 "malandro en frenta 0 "bandldo", que t posta para fora da comunidade. A peCa terrninava com um sam ba-choro que dlzia asslm :

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IYn subida do morro me contaram Que voce' bateu na mlnha nega Isso nAo e51A dlreito lJater numa mu/her que mfo ~ sua De/xou a nega quase nua" ,

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"Mesmo sendo encenado no morro de Santo AntOnio 0 espetaculo predsou ser IIberado pela censura e 0 de:legado do dlstrlto c lrcunscritivo da area Impllcou com aquela colsa de 'de:lxar a nega quase nua'·, conta Adellno "Rueo", urn dos mals antig05 moradores do morro de Santo AntOnio e fundado r da escota de samba.

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fS al fof aque/a 9uem1. Onde que 0 Oera/do la armnjar uma pa/avra oara dinar com 'nla' que era a chave da estrofe se9ul.1te? Depo/5 de multa /uta 0 de/ecado se convenceu que mfo tlnhajeito. que a pa/avm era nua mesmo. fSu (que era diretor "ditador' dOl "escola"J e 0 Oem/do nos comprometemos que a lIega mto la ficar flua em cena, era 56 para faze. II rima do sam40 que a palavra 'nu.. ' estava ali.

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Importante: lembrar, no entanto, que: nil verstio desse

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samba reglstrada por Claudia Malos 0 verso correspon· dente a delxou a nega quase nua e delxou a nega qU3se crua no melo da rua. Essa versao ncou conheclda atrave.."l da graVataO de Moreira da Sliva. que comprou a muslca de Oeraldo Pereira e Introdutlu modillcatbes nela. Nao fol pas. slvel contatar ~ Morenguelra· para saber se a modlncatAo do verso fol felta " a pedldO· o u devldo 3 alguma iniclatlva pessoal do pr6prlo Moreira da Sliva. 0 que parece pOUCO ,co,mo lembra Claudia Matos. ha boas razOes

slmpl.esm.enle de utlla de.Uva ade-;.a.9. etl<;il -' ooIitlgl 80 ~qJlme. embora 15.50 pareo;a ter sldo fundamental . na mlnha oplnlao. Segundo Matos. em muitos c asos.

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populares{ e l a autora ,

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cachts do DIP eram compensadores, afirma

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3. 0 lugar do samba

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Anteriormente gues!Ap da malandra~m - mas Intimamente llgada a ela • outrn gue.stao preocupava Imensamente aos Intelectuals_prgmototes da - moclernizacAo cp n· servadora - que teve seu aplce ~onJ 0 fstado...tinv.o: a dlfJcll declsAo sobre qual 0 lugar do samb~U)iI socled!lde brasllelra" l';m o utras £!Ilavras:_era 0 samba um,U!lanlfntacflo pu~· mente ru:gra .e. do I!lQrro - e portanto heranta inculta e de· plonllvel da 5QCledade escravocra!a. asslm como os rxOprlos n~ot . ou eraJI'l..!!.m.a manlfe.sta~;._o_ cultural tlplcamente braslleira. genulna representante de uma socledade dlfe· -rente das demals ro rmatOes socials de origem escravocrata. na Q.l!al as gu..,tbq raclals havlam sjdo superadas • com saldo posltlvo WIlS a socledade • atravt.s da mlsclgenacflo7 r;nnm, como tratar 0 samba? Nao se pode e.sguecet.9~ Ideoloola Mtadono~lsta . no que toco a muslca popular. ~ ncon.ID!v a. re.spaldo em pade Jlignmcallva da oplnlao publica, como, de resto. acontecia em todos 0.$ demals aspectos da vida cultural brasl1elra. como vlmos. t era fundamental contar com a musics po,JW.lar. seus composltores. csntores e ~radlou vlntesw pam. '!!1Plwtenlar:....com S!lCPS50 0 proJeto do Estado Novo. Como demonstratAo de que. alnda antes do golpe de 10 de novernbro, uma ldeologla autoriwrlo e conservadoro passava necess arlamente pela muslca popular e de que tlnha respaldo em parte slgnlOcaUva do popula(:ao. vejamos C",exemplos. Acompanhemos. I

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~o CU,udla ~eI ¥. Ma toa . o p.

e lt.. pp. 194. 195. Idem . p . 91 . Atrtude aemel hant e. por parte doa ddadio. du clu$(:' pobrea como um todo. t .uletld. po t Jo rte Lulz f"t. n elra. em .ua dl..e.rta~'o de. Mealr.do.

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... que dIm 11ft" radiqUvtnfe estrangefrg 20 0 ...';1" tOdss estBS gsPol/cps de mlstllm com a perturbadQnl

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caclencla do samba, dum samba bem brasllelro? A vida do malandro sent tAo dlgna pam ref CB"iada? Naol f'fiaguem. a oAQ sec a proprio maJanrlro. portera dhel que .slm. Nas.J1S comppsJ1.ar:es naciQna~, par que nllo

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vtem ou.1£sJ mQlIv.o 11)8i$ nobre para.ossellS versos.senAo a vida maJandra das eternos dr mcupados?

E flnallzava, adverlindo:

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Compos/taresl Um conselho palr/otieo de amigo: • fa r:am sambas 'a/he/os' <1 vIda a/he/a, especlalmente a do ma/andro... .,..

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i:'reocupac:io s~~ l ha nt e exlsUa tambern com relaf<\o ;!J lIn9':1agem. a gramaUca , h glrlas. manlfes tada por parte

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slgnlncatlva dos ieitores dos Jornaise revlstas, como parle de uma ienlatlva clara de dlssoclar 0 samba da malandraqem. que eram frequenlemente aproximados pe\a inLelectualidade ligada a musica. Alem d lsso. era sempre lembrado 0 ·cartlter educatlvo· do rtldlo,.o que a IInguagem colaqutal e a temstlcs do samba atrapalhavam . Mas a guestao era poltmlca. Em Qutra carta, tam bern de !9J6, publlcada na Carioca, sob 0 tjtulo de 0 samba e a. JFam!natlca. 0 leltor Alcantara Qlivelra defendia 0 I!ngyajar do mala n~ro estampado nos sam bas como forma de marcar C!. .estilo bra.sllcii:Q..e de !!!o~escarac t~!;!-lo,

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pols 0 samba lIasceu 110 morro, asslm mesmo desa· geltado, mal vestldo e falando em cal<Jo. Querer vestll-o bem e p6r i,a sua mAo uma gramma/lea sem 0 mesmo 23 que tirnr·lhe a alma braslle/ra.

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Em dezembro desse mesma ano, 0 leltor AristOLeles Navarro vlnha fazer coro a Alcantara Qllvelra no que dlzla respelto ao samba enquanto "expressao maxima das colsas do ,Brasil ". Mas sugerla que se nzessem "Ietras corretas, sem erros gramallcals". Pedia, alnda. 0 mlssivlsta:

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e que de/xem

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0 ma/afldro cantar 'porque a samba ver'

4 dade/IV somCII/e pode ex/stir IIase/do d'alma mfJ'andnfl .

Urn mes depois, Carioca publlcava outra carta, da lelLora Anna Weksber, em que era sugerlda a censura muslca popular 25 devido as constantes falhas ·je sintalle encontradas nas letras . No dla JO desse mesmo meso Carioca reproduzlrla uma cr6nl ca que tinha Ido ao ar pela Radio Nacionai em que 0 autor crltlcava 0 samba por le( vlndo para a cldade. 0 cronista dlzla que, ao descer 0 morro, 0 samba delxava de ser aultnllco, admltlndo nas entrellnhas que desde que nao delxassem os IImltes dos m orros 0 s amba, a malandragem e os erros gramatlcals eram nao apenas Inofensivos como ate louvaveis, 26 por "autenUcos·

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n Carit>CQ, 0 1/08/1936. p. 45.

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,., Carioca. 03/10/1936.

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p. 46.

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2. Qlrloc:a. 19/ 12/1936.

p . 46.

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Carfoca, 23/0 I /1937 p. 48.

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Snrnbade morro, samba do c ldade. Carioca, 30 ' OI1l937,p. 43.

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da malandragem mas como representante legltlmo da nacl onalldade. De ceria (orma. pode:se d lzcr Qye eSS3S solur;:llf:.:! (On!Jm rncontradas..:....sua ·Ump;e.Za". alrayt.s da gramatlca. era pr~c upatao CODslante do DIP: por outro I ..do, 0 ~aDQ[p ..slm1l.* WJ e.sperteza t eOcazmente subst!tuldo pelo trabalhador. 0 ·oIArlo" , 0 trabalhador dos anns 30 . #: que pa~ A seT 0 m aJandro. IA que a parti r do [stado Novo 111 espertua estA em tTabalhar, em ganhar 0 paocom 0 suor do pr6prlo rosto. A esse respeilo, urn artlgo doJornatista e tambtm compositor Braga nlho. de 1941. t lapldar: Antlgamente. o.samba que nAo falasse das brave/as dos malendros e n~o tlvesse elogios if capoeiragem moral dDS Inlmlgos dos pafrtJes, n~o podia ser roIuliJdo verdadeJramente com 0 nome de melod;a popular. .. fsisear das nava/has e 0 colorldo sangulneo eJ1t171mm nas eomposir:(Jes, fazenda parcen's... A orgia {of aJeandomdit,' OS easebres de calxotes de bacalluiu e {OJl18S de zlflco. l1IarcDram a moradia da vadlDgem. prima irmA das balucadas, amiguinha das farras de tapo"as e paruty... (. .. J Nas tudo 1510 passou... Ficaram perdkJa.s nos earnavae.s que desfiJamm. O.samba tirou eartelra de Idenlidade e tigora apresenta uma {o/ha corrlda de 00"05 servlr:DS... f."J 0 bojo d05 "avlos e 0 bmc~ar d05 gulndasle.5 silo co"fidentes das alegrias que visltam .. vIda de um taifelro. apds as alto horns de tmba/ho... Os desencalllos in/cials que 0 amor propore/ona sa hem rythmsdos liS muslca das perfuradeiras enos compassos ex6tleos das brdcas. cIos marteJlos e dos sen-oles,,?-'

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Ao contrllrlo do que se poderla Im aginar, Braga fllho nunca pert enceu aQ1J q uadros do DIP e 0 teor do arttgo cltado. ao que nos (azem crer 0 depotmento de Mario Lago. as Mem Orlas do care NIce . do tambem Jorna tts ta e - compositor Nestor de Holanda CavaicanU 28 e varios oulros depolment0.5 de com posltores, Jornallstas e pessoas do melo artlstlco em geral " epoca do Estado Novo, era relatlvamente consensu al. Compositor e jornalisla, Braga Filho p e rten cl a aos quad ro s do Departamento de Compositores da Soc1edade 6rasllelra de Autore.s Teatrals . S6AT, o riglnArl o, alnda no (!,stado Novo, da Assoc lar;!'IO 6rasllelra de Comp0.5itores e Autore.s - ABCA, em segulda da Unlao 6msllelra de Compositores - UBC e, fi nalmente, de SOclcdade 6raslleJra de Autores, Composilores e Edilores de Musics, SBACEM. d lssldente da USc. 60 ladp dO I'amba exallat6r!o 35 vlrtudes do lrabalho e dos trabalh .. dores "parece 0 sa mba apologt!lcn. -:!!.CiC!"allsla, cyto principal expoente lalver teaba sidn At)' Barroso. autor de Aquarel a do Brasil, com seu obvlo ·coquelro que dA coco", e c.anr;Oes de c unho scm elhante. E.m seu depolmento 1"0 JB. "larto L<tgo admlte que 0 governo estimulava tals composir;Oes, mas que havla tambem urn

27 8rl.gl. "!tbo. QUOJldo prulstt po~ 'UO C(I$Q. de mQrlluicedo .. Vfdtl NOIIQ . fev . 194] . pp. 8·9. Irlfo meu . t Impo rtl.nte men· cl()f1 l.r que I.lt I. chamadl."Nova Republica ' cons tav. de 10d .. as ea rte Ira, de traball'lo II' ma men.. gem do mlnl atrodo Trabalho. Indu,trla e Comh· do do Eltado Novo. AIO!UJIo dre Ma rco ndu "lIho. que dIt i l. : A Cllr Ie/'Il- pelo, lon,o' menlO' que receM . co '\ftgwa o hls lb~la de umo uldo. Quelll Q ('Jt llm Inor. logo ul!'.(he 0 pot" lado~ t um lempe.omenlO go quleltldo OU 1>l!"oW; s e 0n'II aprofl'~ e$c olhldo ouolnda ndo enconl.ou tl p.6prio 100ttl('OO: Sl!' ondou dflJob.froul JO/)rka. t omo umo o/)clhu, ou Pfl'rmClrtflCflu 110 mfl,mo esiDbefetlmert'o. sublndo CI escCl' itl wQ{lss lonoi. Pode se. um podrdo de hon.o . Pode se' U · 1110 OOut'r Itncla..e Igualmenlt tr"porl~n(e lem b r pr que Ib co m o. novo! dlrttto! tIYII,I.' ran tfd os jM:ls COlllt Itu 11;10 de 1988 t que 0 nAo port.dor de Cartel ra dt Trabalho delxou de ter detfdo pel. po lkl. pot -v.dlagem".

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Nestor de lI ol... d • • ,Hem". .... as do Cqp Nlcl!. SAltemin,' nub-bpopulcr e dauido boImla do Rio de Jo.nelro. 2. ed. RI o de J.nelro. ConqulSlI, 1970. Vet elpeda'mente p6glnu 86·87. U

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certo dlma que favore:cla, Embora 0 prOprio Lago, ao falar da grande popularldade dos artlstas de r~dlo· Inclulndo ai, alem de cantore.s e composltores. as alros dos programas de audll6rlos. os loculaTes de programas Jornallstlcos e de petas publlc.ltarlas (entAo chamadas de ·reclame~:n e, partlcularmenle, os MradloatoresM". admlta que Me claro que 0 f..5tado Novo se aproveltava de tudo 1550·, para acrucenlar em segulda:

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f. .. J t verdade tambim que Oelulfo tlnhll umn preocupa~Ao com os Intelectuals e com 85 Areas cullUm/s (. .. ). Iftlvla uma mobilizat;Ao, ums partlclpat;AO f. .. J. (... J TOdO$ OS dias.J J de dezembro. por exemplo, e/e organ!-

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zava ums serenata no PalAcio Ouansbars, BOlide lam tooos os artlsta.?-9.

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Alnda sobre 0 papel da muslc@..oopular nao mals como exallatao ao malandro mas c omp eloglo ao lraba\ho e. as belezas do pais, vale a<:rescentar 0 teslemunbo da cjlrta do ouvlnte I I

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A Divis~o de Radio do DIP tern sicJo ate BClJ.'iada, pelos joma's, de hoslllkJade a musics populsr e, slnds liS vt$pern, dla 19, irradiou um progrsma de compas/~6es de Vila Lobos, Hignone, F/blch e Obradore.s. Acontece, entretallto, que 8 D/vlsdo de Badia. erobora decld /dB a eJe. vat; por todos os me/a" 8 0 sell . 'cance 0 alvei doLWsta do pava, nJ!o oretellde excluicdaseu programtl« muslCD P.!2J!ular auttalica, desde que seta de PM aual/dmfc, ~ aoel Rosa {oU ustamente a teoa;sentante nlluJma desSIJ I}1 li.sica gem;lflal1ymt, barsj/elra, que t a npceu4Q n ,... ]Istlca do D~SO fXJvo. l'Jb.gJarlDccw rIc a mnlm'dt"tm.senJJ lI,m f qcalizQu aspectos QiJIXW dn vldq dg cldadc ... 0

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E5!ado nOo d6 $lltnbo. ell .

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em segulda Barata, deaols de lembrar aue, com eSse programa. A Ho ra do Brasil recebe.ra pela prlmelra vez elogl0.5 R/lnprensa e nQ pr6wlo...a\dlo (lembre-se que 0 program a era apelldado de ·0 ['ala-Sozinho' ... ), pede que sua lusUncativa ~Ia passada ao p[f1ildente c. lamenla gue nAp acpmpanhe a

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:so Arqulyo

Na C:lonal FUn:,.. do d. Secretarla da Pruldene" d. RepublLea . ~r1f! 17. l.ata 510· DIP.

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substltul~Ao

do pelo e dos barrac6es de zlnco pela.s palsagens paradlslacas do pals tropical, quanto ,

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dOl serledade com gue 0 Estado encarava 0 seu E~I de aula cultural das massas. Serledade ateslada onclalmente nas ~Inas de Cullura Pollt1ca, publlcatao onclal do regime. sob a direylo de Almlr de Andrade e dlretamente vlnculada ao DIP. Em um artlgo Intltulado Radlodlrus~o. fator social, Alvaro F. Salgado, em setembro desse rnesmo ano, aOrmava, sobre 0 papel da muslca popular para a educa~ao das mas·

sas: •

f. .. J ••• todos os Indlvlduos analfabetos, broncos, rodes, de nossas cldade.-;, sAo, multas ~zes. pd. musica. atrakJos 8 civl/izapfo.

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Em seguida, 0 aulOf'" consldera que as manlresta~bes musicals populares, b6rbaras por exceltncla , prectsam seT domestlcadas e ensln3 como 0 ~tado deve trata·las:

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Enquall(o nlJo dam/llamas esse fmpe/o barbaro, t 11111(/1 e pr~udlclal combntermos 110 'broadcasting' 0 samba, 0 maxlJfe, a marchlnha, e os demals rltmos selvagens da musIcs popular. 5eria contrarlnrmos 8S tendenc/ss e 0 9osto do povo.

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A .§olupio do problema o

A resolu~Ao estA liS eleva"Ao do n'vel artlstico e Inteledual das massas. (. .. ) (

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o samba, Que traz em sua etlmologllf If do sensualismo, felo, Indecente, desharmt>nlco e arr/t· mo. l1as, pac/enela: nAo repudlemos esse nosso irmAo pelos defellos Que contem. 5(j'amos benevo/O$: laneemos mAo da intellgencla e da civiliza~Ao. Tentemos, devagarfnllo, tormj·/o mals educado e social. (. .. J

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Eo nnallza 0 au!or;

Os programas de cs/ouras de no.ssas emfssoras estanJo, porcerto, fadados a um /mportlmte lugnr na Brte do C<fnto se /hes der 0 DIP orientar:Ao severn e bem confro/ada. (

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FeIizmenle, a radlodlfl1slio tende 8 efltrar em flO va fase. em bon hora sob s direr:Ao do DIP. fazem·seJhes sele~()es, ceflsvras e leis. (... ; I

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Oeve-se destacar a papel da SDAT e do seu Departamento de Composltores em particular, que contrlbulu ati· vamente para a consolldac;a,o do regime, como jA aponte! anlerlormente. Em represenla~ao encamlnhac:la tt Presldtncia da Republica. no come~o de 1936, por exemplo, uma comissao de direlores da SBAT relvlndlcava, ao lado do cumprimento Integral da lei sobre dlrellOs aulomis, a untnC8!;Ao da ce;nsura pollclal. tornando·a valida em todo 0

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SllIe'., .

fu:s60.folor soclCII. Q . l itfca. 11[61;19·93.•.

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terrll6rlo naciollal.32. Tats expedlentes, que :"Ie lornaram corrl· quelros no dla-a-dla da entldade, cram nada mals do que a eJlpressao de um grupo representallvo da vida arllstlca brasl· Ielra. que via no presidente 0 shnbolo da pr6pfia naclo nalldade 3 e wbenemerito patrono dos artlstas brasllelros·J . Nao :Ie poW: pensar p~ consenm. P9rtm. como aiSQ apontaneo. Er.UruJQ do Irabal.luu:onJugado de dlversos MI.n.l~terl03, em padlcularo "tllnblerlo..CApam:Ql3",,--da Educa~ e Saude, e do foI lnlsterlo do Traba!b.o. lrutustria e Come:!clo, parUcularmcnle durante a gestao de AleJCandre Marcondes I"llho e, claro, do p IP. Nesse proJeto poilt\co, 0 rlldlo t1nha papel fundamental:

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mesmo IIOS programlfS d~ muslca, JA ul/rapassou os limlles qu~ compe/~m a um m~ro IllS' lrum~n/o d~ dlv~rslo. cab~ As m~/odias, na epoca a/or· m~,,/ada qu~ 0 m undo alravessa, mJo 56 dlstnflr 0 publl, co, mas c%borar tambem n B sus formspfo civics. !fA m~IIos de um sno, R. D. Darr~lIla,,~avs, ~m /"Iova York., a Ide/a de uma dlscoleca d~ ~m usic for couroge~, destfnodo a manler nos sinlon;tadores flort~ amer/cllflos 0 ~pfofl~er spiri/~. alraVts de "'nos e dobrados qu~ fossem a voz do patriOlismo {, .. J. se 0 govemo d~ washillglon de/xou a .<;ug~stao ~lItregu~ aos capricIJos das ~",pr~sas partlcu/ares, as auloridades brosll~/ras souberam levar a efello um plano idtfltfCO, ~/aborado com mAxImo carl, nhe?

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4. AEra do Radio - sombo desce 0 morro um balan~o das ativldades de 194 1 encam lnhado 80 presldente Vargas, 0 DIP dava conta de que (oram submell· dos i'I censura 3 .97 1 programas de rlldlo, dOs quais (oram pro:ibldos 44, e 9 .363 letras de muslcas, das quais roram Interdl· Ladas 1. 13J. Do ponto de vista do DIP. alem das prolblCOes, for-un -e(eluados num erosos cortes em lextol!! que se achavam em desac6rdo com a o rlentacAo do D.I.P.. que procura Imprlmlr 30 radio uma orlenta~o moralizadora e utit~3S, tendo sldo este 0 principal obJetivo da c~n sura de lelras das caneOes pon c r . Bo le/1m do 58Al : p ulares. (166):6 . abr. 1938. Embora ni'lc. lenhamos relat6rlos sem elhantes para oulros anos do Estad o .'1ovo nem para 0 regime rnllitar, quando a U cr. DolcUm da SllAT. censura ro llal11b !m extremamente rlgorosa e perversa , 0 <jue 121 21 :2. Jul. -lIllo. 19 42 . Imposstblllla qU3 ,squer conciusOes dennlUvarnente (undamen· tadas ', nao e dlrcll verlncar que a taxa de programas de ra dio e de tetras de Ci nebes prolbidas bastante pequena: 1, 1% e S4 Martina C..t .. lo . Rodlo 12 . 1% , respecti·~am e n te. Par oulro lado, resu ltarla Ingtlluo toVII . C ullura PolUl c D, mar esses valor ~ com o eJCpressOes da verd8de sem e.spec u· 1 111 : ~64 . nt. 1941. primordial: nileo larm os sobre 0 que para este l rabalhado " Rclal6rlo d o DIP 110 PTe serlam numeros tao balxos decorr~ nles da aqulescencla de ,Idenl.. . 1941. A"lul"o dJretores de programa~Ao e de composltores reJaUvementc aos Nll ctonll i. Pundo d. 5«re1""11 do Pfuld~nch. de Roe ... cortes e modtncac6e.s que 0 DIP lmpunha aos programs., ~ p.... b lk • . strle 17 . Mlnls< lelms de mUslca? t para onde Itponla a malaria das evldtnclas ... ttl1l1 ~ Educatlo c SIIUde. m dlscurso pronunclado po! ocasl3l0 da InBliguracAQ

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dos e.stUdio.! da Rfldlo Mayrink Ve!ga. em abrjl de 194J.

JAllo flarals ua..clarQ guanto ao papd do PIP em sua., relat~

com

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mdiodl(u~o:

f. ..) Quem nAo comprehendesse a finalJdade do Departamento au Imsginasse que, em ~/a(:cJo BO radIo. como em re/s(:bo a Imprensa e ao livro. fosse 8 nossa ",lssAO mef'llmente repress/va de uma forr;a poIlcis/ au s lmpfesmente flscallzadora dlfS repartl(:l>es adusne/ms. estarla re<iondamente enganado. Como eJ771rla tl"nbtm quem Ihe attribuisse 0 sortilegio de um poder mfraculoso. capaz de renovar. em diss all em hams, B face dos calsas au mesmo conjurnr " crise, pels qualllem 0 nossa govemo Item 0 8171s11 sAo respons8vels. 0 D.Y2!!.rtamento de tmpr.e.nsa..c..J:rr>RMIsndfl. OCLSeu quotJdlaoo .c.aatado .com 0 radio. ,exece, com 0 alto e.sp/n"to proprio.dJ:Jfegime - emlrlto de IInlAo naeisms!. de aproveltRmel1!O de fodos os valores, de estreita t;ooperacAo de todQ$ os brasilelros liS flln,()es q.Ye tllIl8..1eL poslllva,JVaw.cif;Ma e adpplodlf 80 no.ss.o m!!lo...Jhe dlscrJmJlJPu_cJal7W1J!nle.

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o Qrandes a~/rnQ)es_n8donaCS e coapeEa. SOb B dirt:: pdo do Deparlamwto.de..Jmprensa..e Propaganda.. com o regiOIl!, que {oJ imp/;m/ado, em IYOI(emJu:o de 19,'Z para If defll1ltl va cOl1strucpto do verrfadejro Braslrt:.

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Contando com a nscaliza~"o severa Jnas extremamente palernaUsln doJ)l{', 0 samba ~clvlllzou-se·. "lmparti'mc1a do DIP no ~Uerni' de propaga"ao da Ideologla do t.5tado t'!0vo pode ser medlda ~10 ~w..stal\Js dentra.do apareiho de fstado; ef1l um 6rgao dlretamente subordlnado a Presl· - - dtn<::ia da Republica e conrnva com nomes como 0$ de CAndIdo Mota f"lIho e Cassiano RIcardo para traduzirem em lInguagem popular, relnterpretando. as dlretrlzes onclals. !::.sse 6r9ao ern 0 responsAvel . dentre suas Inumeras tarefas. per prom over toda e qualquer manlfeslataO clvica e cultural. organlzar e promover exposl ..Oes demonstratlvas das allvi· dades do governo. i1Iem de. e claro. fier lambem 0 responsflvel pela elaboratAo do rarta material que dlarlamente Invadla as redn~Oes dosJarnals e a progrmnacAo notlclosa das r6dlos. C.'llcula·se que 60% das materias des Jornals emm fornec ldos peio DIP. • Ao me~jTno tempo. 0 radio era empregado para a dffusAo des discursas. mensagens e noticlas aOclals. 0 programa A I lora do Brasil. crlado ern 1931 . P1JS5a, logo apbs a 91atao do DIP. a ser tambern res.p-onsabllldade sua. Q.prOQ!!lna lInha como c onteudo. prln~ahnente. a Irradlar;<lo de discursos. a narrac!o de alos e empreendlmenlos dOjloverno. entrevlstas. dekrh;:bes das reglOes percorridas pela comlUva presldenc1al. ,!Ilem de · amenldades· cQrno a descrltao de regle>es e c1dadd'do pals. notldas de liv:ros r~em.:limr;C?d2:l . ~ Comprehend"o rallo. " '" a audltao de obras de wandes compositores, prilldpalmen~ 11010' e 0 xu po(Jtr. VIda/f_ .br. 1941 . pp. 5 e 46.

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os bras!te!rps, e n,Otlciario ern geral. A partir de 1942 0 programa paSS3 a Incorporar. uma vez por scmana, palestms do mlnlstro do Trabalho. Industria e Cornt:rclo, Alexandre Mar(ondes fUho. Esse material era reproduzldo 01' lmprensa, no dla segulnte. e transformado em Uvra. A suce.ssAo de aUvldades com as quais 0 DIP se envolvia , no campo das aries e dos melos de comun!ca~Ao em geral, tern pr<ttlcamente a abrangtncla desses melos. Serla odoso cltar Quantas e quais as atlvldades desse 6rgao. verdadelro respons8vel pela sustenta~ao Ideol6glca dO regime e lalvez somente comparavel 1'0 Mlnislerlo da Propaganda de Hitler. Sua atu3tao nos Indica que, multo mals do que no papd represslvo, 0 E-'itado Novo [nvestlu reeurso.!!,

Intelectuals. equlparnentos e Instalat0e3 num [ntenso lrabalho de propaganda politica como forma de obten~60 de hegemonla. Censura e propaganda e.sUveram se.mpre InUmamente. Ugadas no Estado Novo. compondo dUas faces de uma mesma moe.da em que 0 DIP era ao mesmo tempo cara e coraa.

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undo 0 composItor Jo<'lo da Balana. um dos pre.cursores do samba. nao tem fundamento a Id~la de. que 0 samba nasceu no morro. Como conflrma Roberto Moura , em traballlo magistral')1, 0 samba teria nascido na planlcle. o mQ(ro~unckLJoao da Balana, era a~nl)s Q e.5conderijo dos sambistas reprimidos pela poiicla 8. 0 lieu prlmelro r~uto foitlrnQLOn~ no Rio de Janelro. .JlR..balrro carioca da Saude aU:•.e.ssa prata formaram-se os prlmelros nucie.os de sambistas. concenlr,iJdos nas proxlmidades das casas das varia'! "111'5 balan,as . babaloriXi"ls q!Je. de,sde...Jlns....d9 s~Cu!Q. XIX, p'romovlam anlmada~ festas e Incentiv,!'{am a producilO musical da populacAo R9br~ geralmenteJ\egra. prov.en1ente ou de..sc.endenle de eJI[-escravos. vlndos.do..tiQ[:: deste. Na casa de Hilaria de Almeida. a "!la" Clata, nasceu o Pelo Telephone, conslderado como 0 prlmelro samba gravado no pals. A partir de..Dns dos-anos 20~ portm. 0 salJLbA. ql'e subimos morros para ruglrda.poJ~Ii!.ja Unha ade~ bran.. C;~.t nadasse mtdia. tendo..como principal re~ell~tante Noel Rosa, do baIera "classt·mes;Ua" de Vila Isabel. Embora o samba "Ietrado' de Noel. ou de SlnhO. mulato que fet de tudo para "embranquecer" seu samba, fosse vIsta como um modelo a ser seguldo. 0 pr6prlo Noel. em 19JJ, reconhecla. em seu Feltlo de Orap'lo: Ol1tuqllC IIjo

e urn privlleglo

Nlnguem aprende samba no eo/eglo 58mb"r ebarar de a/egria t sorrir de nostalgia

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~ntro

Op. elt. ~

da me/Odia

:!Ie cr. V.lter JIt,r-. ...eh • . Nllsfco

o samba, n8 reaJidade,

PopulOI' Br'asildn:l. $10 P.ulo.

NAo vern do molTO .tern /;1 da ekJode

Bra8men~e .

1983. p. 29.

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e q/lem $uporlar lima pIllxilo

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&ntlnJ que 0 5lfmba, entAo,

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rtB.Jce do cOrB(:Ao

A constatacAo de Noel RoS;<' Unha dols vetores, QUast'! que antagOnlcos. Se por urn ladQ r«onheeia ~ 0 samba as urn ·e.stado ~e e,splrito·, poe Qutro constatava que 0

• •

samba nflo era urn segr~do...delnidados. ja que ""see nao na cldade nem no morro. mas no coratia. o cTqclmentQ r~pldO da quantldade de aparelhos de [fldlo. 0 surgIOlen!o-.Sli1 grilvaCao e/ttrlc3 (1927) e as preD-

cupa~"

da .Intekctualldade conse[Yadora-autoritfuia, a partir qos anos .30, s~unlraf11..P3ra 0 trabalho ~e dlsclpllnar 0 samba. Ir&-10 de volta ao 8!'Irl!!tQ.Jrradiit·1o da capital a Outras Cldades, 80 pals Inte1ro,

• •

Alem dlMO. outros ratores entravam em cena: a ex-

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pans30 do rAdio e do disco ~ D patroclnlo de blp. cos durante 0 Carnaval para .a dlv_ulQ,!g!o das musk:as; por outro lado, ao Car naval. ao radio e ao dIsco se somava 0 c inema (alado. Mas nao apenas 105050: Instituclonalllam·se o~ concursQS. comJl d.!:;trJbut~ao de prtmlos.'p .dima.e[a.. ass!m , ell.tremamente fa vor~'IV~J (\ !nterven.tao de y.m &stado sol..cJlsBllt modelar e modelador. tm 19'50 governo crla uma das pr!melras medldas concretas no sent!do de Incorporar 0 samba, esse ·Irmao feloe Indecente" da muslca, A vida cultural brasllelra, alnda antes da crla ~ao do DIP e antes mesmo da exlstencla "legal" do Estado Novo, passanda a subvendonar 0 concurso das tscolslI de Samba. Antes ells.50, alnda em 19'2 , a f:scola de Samba Delxa Falar, prlmelra a ser fUlldada, no Largo do f.staclo, em 1928, tnula como enredo A Revoluta.o de ~, prhnelro passo no sent!do da OnC'allla~ao dos de.snte.s. fm 19:H , atravts de decreto sanclonado pela presldente da Republica, as escolas de samba fi cavam obrlgadas 0 crlar 0 samba·enredo e as alegorlas "Insplrados" em tematlca patrl6tic a. A partir de 1939, 0 dla ;} de Janeiro flcava consagrado como Dla da Muslca Popular 6rasl1elra. _ SlnhO mOTTeu em 19'0, durante uma vlagem de barca da IIho do Oovernador para 0 Rio. Noel Rosa morreu em 19;}7 . Datos emblematicas. Sua genlalldade "branca", "do asfatto', nao tern re..sponsabll1dade pelo que aconteceu de· pols. Sequer flzeram ralta ao proJeto vargulsta , mesmo que tenham delxado saudade.s entre muttos, ate hoJe. tm 1937 o !lamba JA nao era mal5 uma arte cara cterlstlca de ex· escrovos ou de negros e mestlt;os em ascensa.o sOClal')9.

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" cr.

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AfronllO Romllno de Sut·Anaa. Mllaiea popular e modemllpoefti bt"QsUdm. Pe·

t r6poUs . Vales. 1977. p. 186.

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