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EPISÓDIO V
Na hora de irem para a cama, o Minhoca avisou que deveria voltar para sua casa em outra dimensão, no futuro ou no metaverso quem sabe. Os pais o esperavam para ouvir suas aventuras, mas prometeu voltar um dia para brincar. Pela manhã ele já não estava mais lá, mas deixou um presentinho para os amigos, uma almofada de leão para o Ben, e para o Nico um travesseirinho de sonhos. O Nico não gostou muito do presente, mas o Ben dividiu o leãozinho com ele.
Agora os irmãos tinham mais uma memória boa pra guardar “ A visita que veio do espaço “. Quando o Minhoca voltasse ,iria saber. Era o encontro de mais um amigo. Eles já estavam planejando outra brincadeira. Era a contação das histórias horripilantes, que eles gostavam de fazer com as primas, e ao contrário do medo, saía muita gargalhada.
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UM PERSONAGEM - ReginaMariass
Alto, magro, de uma elegância discreta. Senhor de poucos fios, sorriso contido, longas pernas e caminhar que pressupõe uma certa decadência emocional. Nada que impeça de ser apreciado. Ele vai pensando que faz de conta que caminha, quando na verdade acabou de cair feito abóbora, de um flamboyant carregado de flores avermelhadas e alaranjadas, procedente de Madagascar.
Ele não sabe o que se passa nesse faz de contas momentâneo. Mas sabe que passou uma garota que sem nenhum constrangimento, colocou ele na mochila, porque gosta de poesia e ficou intrigada com a beleza bruta de uma simples vagem no meio do caminho. No aconchego da mochila, ele tenta ter bons pensamentos para diminuir a angústia de não ser, mas sonhos não são bem dramas. Quisera fosse.
CRÔNICA DE ALGUM MOMENTO - ReginaMariass
Nesses dias ficaram estreitos os caminhos entre a alma e o coração. Parceirinho, explodiu um big bang sem explicação. Eu não sei se foi a semana anterior que derreteu de calor absurdo as esquinas de Niterói. E continuou se espalhando na Tijuca de Maria Helena, três meses de pura fofura, da última geração de bebês da família, ou a insistência da água que cai em gotas que choram uma chuva intermitente para arejar os dias quentes de um verão abafado. Ou o agito das ondas macaenses que não querem caber dentro do mar. Só sei que a saudade apertou demais dentro de mim e como o vendo, provocou uma ressaca de sentimentos agitados, aumentando o meu vendaval.