CULTURA.SUL 135 7FEV2020

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Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o

FEVEREIRO 2020 n.º 135 www.issuu.com/postaldoalgarve

6.919 EXEMPLARES

MISSÃO CULTURA •••

A alfarroba na identidade algarvia foto luísa melão/2019

Ficha técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Artes visuais: Saúl Neves de Jesus • Espaço ALFA: Raúl Grade |Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço ao Património: Isabel Soares • Filosofia dia-a-dia: Maria João Neves • Letras e literatura: Paulo Serra • Missão Cultura: Direção Regional de Cultura do Algarve • Reflexões sobre urbanismo: Teresa Correia • Colaboradores desta edição: Cristina Fé Santos Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com online em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/ postaldoalgarve FB: www.facebook.com/ postaldoalgarve/ Tiragem: 6.919 exemplares

A exposição de fotografia de Luísa Melão, "Alfarroba – memória(s) de uma vida", pode ser visitada no Museu Municipal de Faro até 11 de abril •

Num primeiro olhar, poderemos ser levados a questionar-nos em quê a alfarroba se cruza com Cultura. A paisagem cultural cruza Natureza com Cultura, uma intervenção do Homem que modifica o território de forma a que produza meios de subsistência para a sua sobrevivência. Em cada região, encontramos uma paisagem que lhe é tradicional, respondendo às condições climatéricas, aos solos e às formas de vida humana que se ajustam ao espaço que ocupam. O Homem não aceita o espaço natural, mas modifica-o, para que, em simbiose, ambos possam ter uma relação de sobrevivência e coexistência. Se este paradigma se ajusta à vida fora das grandes cidades, o certo é

que o espaço natural vai ficando cada vez mais ocupado pela civilização. No Algarve, deparamo-nos, assim, com uma alteração da paisagem tradicional, em que o pomar de sequeiro, tão tipicamente algarvio, se substitui por ocupação humana intensiva, com o crescimento das cidades e lugares, mas também com a ocupação de novas culturas que o espaço e os locais não reconhecem. Pensar na Alfarroba, como uma identidade cultural da região, leva-nos a diversos olhares. - um olhar enquanto aliada nas alterações climáticas: uma árvore que sobrevive com poucos recursos hídricos, adaptando-se naturalmente ao terreno que ocupa e com capacidade para captar e processar o dióxido de carbono da atmosfera;

- um olhar afetivo de memórias familiares, no espaço de família e na tradição de reunião para a apanha do seu fruto; - um olhar de subsistência, por ser ainda para muitos uma ajuda na economia familiar a que associamos, ainda, um olhar económico mais industrial, pois permite também desenvolver a economia da região como matéria-prima de uma indústria local, única a nível nacional, em que a alfarroba e os seus derivados têm um papel importante na exportação de produtos regionais, levando-a aos quatro cantos do Mundo; - um olhar gastronómico, pois a alfarroba deixou de ser um produto destinado exclusivamente à alimentação animal para fazer parte dos

produtos utilizados na alimentação humana, integrando a doçaria regional, num espaço que se relaciona com a Dieta Mediterrânica; - um olhar para as suas características intrínsecas, por exemplo, enquanto aglutinante utilizado nos gelados que tão bem nos sabem no calor do verão da região; - um olhar mais científico, com a investigação à volta da múltipla aplicação dos seus produtos e subprodutos, que nos chegam de outras paragens; - um olhar que nos transporta para a visão de que o natural e tradicional se transformam num produto turístico muito procurado, uma identidade única que nos distingue de outros lugares e que traz até nós muitos que querem ter a experiência

Algarve, para além do Sol e Mar; - Por fim, um olhar artístico, registado pelas imagens que muitos partilham nas redes sociais e que a exposição de fotografia de Luísa Melão «Alfarroba – memória(s) de uma vida» (a visitar no Museu Regional do Algarve, até 11 de abril) – uma parceria da DRCAlg com o Museu Municipal de Faro – pretende valorizar, registando um espaço industrial (desaparecido) que depende deste produto. Atenta ao mérito de se fazerem registos deste património imaterial, materializado de tantas formas, a DRCAlg promove a sua salvaguarda, estudo e valorização incentivando a sua divulgação.l Cristina Fé Santos (Direção Regional de Cultura do Algarve)


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