REVISTA TÊXTIL 790

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NOVOS OLHARES, NOVOS CAMINHOS

Esta edição da Revista Textil marca um novo ciclo, e nada melhor do que iniciá-lo com um agradecimento especial. Recebemos, a partir de agora, novos amigos que passam a colaborar com a revista, trazendo suas experiências e visões para enriquecer ainda mais nosso conteúdo. A todos eles, nossa gratidão e boas-vindas!

Outro destaque desta edição é a estreia da seção Cultura, um espaço pensado para enxergar o têxtil sob uma nova perspectiva. Aqui, exploramos sua influência na arte, no comportamento e em diferentes expressões criativas, ampliando a maneira como o setor dialoga com o mundo.

Além disso, trazemos coberturas especiais da Heimtextil e da Colombiatex, dois eventos essenciais para compreender as tendências globais e as inovações que moldam o futuro da indústria. E, para completar, preparamos um preview exclusivo da Febratextil, feira onde a Revista Textil estará presente e sendo distribuída, conectando ainda mais nosso público às novidades do mercado.

Que esta edição inspire, informe e fortaleça ainda mais os laços que nos unem ao universo têxtil. Boa leitura!

Silvia e Vivi em Medellín

Queridos leitores, a velocidade do mundo e a necessidade da evolução socioambiental são fatos que devemos aceitar e demandar cada vez mais. Cuidar do planeta hoje é um fundamento, e “a revolução é têxtil”.

O mercado mundial descobriu o green money e práticas sustentáveis, criando valor monetário e oportunidades, validando o que não tinha preço. Lógico que na extensa realidade, ainda comandada pela falta desigual de oportunidades e propósitos. Novas vozes cantam a esperança de um futuro melhor, a ciência se une à Mãe Terra, a tecnologia traz a esperança de evolução exata e humana; podemos nos inspirar e olhar para o passado e aprender, com a urgente necessidade de um melhor amanhã mais produtivo e responsável.

Por meio de feiras têxteis, todo o setor está muito bem representado pelo mundo, e no Brasil também temos salões recheados de inovação, tecnologia e sustentabilidade, hoje uma realidade que avança a passos firmes e largos em prol do nosso planeta. Ancestralidade, tecnologia e ciência se encontram em meios de produção e beneficiamento mais responsável, no meio social e ambiental.

Nesta edição, a Revista Têxtil traz muitos conteúdos de mercado, inovação, arte, com colaboradores trazendo suas expertises para várias áreas da nossa indústria. Heimtextil e Colombiatex também são duas coberturas especiais nesta edição, trazendo no-

vidades, tendências e inspiração para toda a cadeia têxtil. Mais uma novidade que estamos trazendo às páginas da RT é a seção de Cultura Têxtil, sugerindo inspirações e lembranças das maneiras que nos trouxeram aqui. Uma delas, por exemplo, é a confluência do Ano Novo Chinês, que tem a serpente de madeira como símbolo, com a exposição “Le La Serpent”, no Le Bom Marché, em Paris, com instalações do artista brasileiro Ernesto Neto, que utiliza materiais naturais e técnicas artesanais, que, por sua vez, se conecta com as peças de crochê criadas por Gustavo Silvestre e executadas pelos detentos do projeto Ponto Firme, comandado por ele, para a parceria com o estilista suíço Kevin Germanier, nas passarelas da Semana de Alta Costura de Paris.

E neste ano que estamos iniciando, com a primeira edição de 2025, também completamos 94 anos de Revista Têxtil, que se une à homenagem para nossa eterna Vivi Haydu como tema do concurso Brasil Fashion Designers, com desfile que será apresentado na FebraTêxtil 2025, em São Paulo, promovida pelo Febratex Group.

Uma ótima leitura, e que 2025 seja um ótimo ano.

Forte abraço,

BALANÇA COMERCIAL APONTA DESAFIOS CRUCIAIS PARA O SETOR TÊXTIL E DE

CONFECÇÃO

DO BRASIL

Osuperávit de US$ 74,6 bilhões na balança comercial brasileira em 2024, o segundo maior da história, fortalece as reservas internacionais e garante maior resiliência econômica. No entanto, os dados revelam desafios estruturais que exigem políticas assertivas. A queda de 0,8% no valor exportado, apesar do aumento de 3% no volume, mostra que o crescimento das exportações tem sido impulsionado por quantidade, e não por valor agregado, evidenciando a necessidade de diversificação.

O setor têxtil e de confecção reflete essa realidade. O Brasil exportou cerca de 2,8 milhões de toneladas de algodão, arrecadando US$ 5 bilhões, enquanto os produtos manufaturados alcançaram apenas US$ 1 bilhão. Essa discrepância reforça a especialização do país na exportação de matérias-primas, modelo que limita oportunidades de agregação de valor e empregos qualificados.

Outro ponto preocupante é a dependência crescente das importações asiáticas, principalmente da China, que detém um terço da produção industrial global e obteve superávit de US$ 1 trilhão em 2024. O déficit comercial do setor têxtil atingiu US$ 5,6 bilhões, com importações de US$ 6,6 bilhões, das quais 60% vieram da China. Esse desequilíbrio ameaça a indústria nacional e a geração de empregos.

As perspectivas para 2025 trazem desafios adicionais. O PIB brasileiro deve crescer 2,06%, abaixo dos 3,5% de 2024. Além disso, o aumento das barreiras comerciais nos Estados Unidos pode redirecionar exportadores globais ao Brasil, intensificando a concorrência e pressionando a indústria nacional. O programa Nova Indústria Brasil (NIB) é uma ini -

Fernando Valente Pimentel

ciativa positiva para fortalecer as cadeias produtivas. No entanto, precisa ser acompanhado de medidas como defesa comercial mais eficaz, avanço em acordos internacionais, como o Mercosul-União Europeia, e redução do “Custo Brasil”, que encarece a produção. Investimentos em inovação e modernização são fundamentais.

Os números de 2024 são alarmantes para o setor têxtil e de confecção, pois as importações cresceram cinco vezes mais rápido do que a produção nacional e seis vezes mais do que o varejo. Além disso, muitos produtos importados chegam ao país com preços predatórios, viabilizados por subsídios e padrões ambientais menos rigorosos do que os exigidos no Brasil.

Diante desse quadro, a indústria têxtil e de confecção brasileira encontra-se em um momento crucial. O superávit comercial geral pode parecer positivo, mas esconde vulnerabilidades que precisam ser enfrentadas. O país deve fortalecer a competitividade da indústria nacional e incentivar a exportação de produtos manufaturados, reduzindo a dependência de commodities.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) tem atuado para ampliar a presença do setor nos mercados internacionais, promovendo pesquisa, inovação e políticas comerciais equilibradas. O desafio para os próximos anos será equilibrar importações e exportações, garantindo condições mais justas para a indústria nacional crescer e competir globalmente.

Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ABTT FORTALECE PRESENÇA EM FEIRAS DO SETOR TÊXTIL

Benedito Batista da Silva Diretor de Eventos da ABTT

Ao marcar presença em feiras nacionais e internacionais, seja com estande ou por meio de visitas institucionais, a Associação Brasileira de Têxteis Técnicos (ABTT) se mantém atualizada sobre inovações tecnológicas e tendências de mercado, além de viabilizar conexões estratégicas entre seus associados e grandes players da indústria. Ao longo do ano, a ABTT participa de eventos que abrangem diferentes segmentos da cadeia têxtil, cada um com seu foco específico. Em algumas feiras, o estande institucional permite uma interação mais direta com o público, fortalecendo a representatividade do setor e promovendo networking estratégico. Em outras ocasiões, a participação ocorre por meio de visitas institucionais, facilitando o acompanhamento de inovações e a construção de novas parcerias.

Os eventos são oportunidades para apresentar demandas do setor, dialogar com fornecedores de tecnologia e contribuir para a definição de diretrizes futuras do mercado. Além disso, ao conectar seus associados a expositores e especialistas, a entidade impulsiona oportunidades de negócios e inovação. O calendário de feiras em 2025 começa com a FebraTêxtil, de 18 a 20 de fevereiro, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Em sua 3ª edição, o evento reunirá os principais expositores de insumos têxteis do Brasil, oferecendo uma oportunidade única para conexões estratégicas com líderes do setor. Simultaneamente, ocorre a Feira ENT Brasil, dedicada a inovações em nãotecidos e tecidos técnicos para segmentos como higiene pessoal, hospitalar, automotivo e construção civil.

Dando sequência à programação, de 17 a 20 de março, também no Expo Center Norte, acontece a FESPA Digital Printing 2025, principal feira de impressão digital têxtil do país. O evento é essencial para empresas que utilizam ou pretendem investir em tecnologias como sublimação, DTF e DTG, abrangendo desde a personalização até produções industriais. Em abril, de 22 a 25, será realizada a Tecnotêxtil Brasil, no espaço FIDAM - Feira Industrial de Americana, em Americana, no interior paulista. Em sua 6ª edição, o evento

se destaca como um dos principais do setor, promovendo conexões estratégicas no polo têxtil de Americana e reunindo expositores nacionais e internacionais. Ampliando o alcance para outras regiões do país, a COMTEX 2025 acontece de 27 a 30 de maio, em Goiânia (GO). A feira reúne fornecedores e fabricantes de máquinas, fios, tecidos, malhas, aviamentos e outros componentes têxteis, sendo um ponto de encontro estratégico para os polos de confecção de Goiás e regiões próximas. Retornando a São Paulo, entre 16 e 19 de julho, o Expo Center Norte sedia a Future Print, evento voltado a soluções em impressão 3D, sublimação, serigrafia, sinalização digital e impressão digital têxtil.

Encerrando o circuito de eventos do ano, de 23 a 25 de setembro, Fortaleza recebe a Maquintex + Signs + Pack&Graph. A Maquintex foca em máquinas, equipamentos, serviços e química para a indústria têxtil e de confecção. Paralelamente, a Signs Norte-Nordeste traz novidades para serigrafia, comunicação visual e grandes formatos, enquanto a Pack&Graph atende demandas de embalagens e rótulos, ampliando o alcance para a indústria gráfica e têxtil. Além da participação em feiras, a ABTT promove eventos próprios em diversas regiões do Brasil, com o objetivo de disseminar conhecimento e incentivar a inovação na indústria têxtil e de confecção. As datas e locais dessas iniciativas serão divulgados nos canais oficiais da entidade, garantindo que associados e profissionais do setor possam se programar para participar.

Vale destacar que todas essas ações contarão com a presença conjunta da Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxteis (ABQCT), consolidando a fusão entre as associações. Essa união fortalece ainda mais a representatividade do setor, ampliando iniciativas voltadas à capacitação, inovação e desenvolvimento sustentável da indústria têxtil. Com essa atuação estratégica, a ABTT reforça seu compromisso com a atualização constante do setor e com a construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento sustentável e competitivo da indústria têxtil brasileira.

AUTOMAÇÃO PERSONALIZADA

COM ECONOMIA DE ENERGIA E REDUÇÃO DE CUSTOS COM A AUTOCONER

X6 MULTILINK

AMKAS Textile Pvt. Ltd. entrou no mercado de fiação de fios finos na Índia em 2021 e, atualmente, atinge uma capacidade de produção de 4,5 toneladas por dia. A empresa comercializa fios 100% algodão, produzidos a partir de fibras de algodão de alta qualidade, com títulos de fio na faixa entre Ne 80 e 100, destinados a aplicações em tecelagem. Como parte de sua estratégia para se estabelecer nesse mercado, a MKAS Textile Pvt. Ltd. escolheu a bobinadeira Autoconer X6, tipo V Multilink, como uma solução de automação altamente econômica e com economia de energia.

Dada a limitação de recursos, como a disponibilidade de operadores qualificados e de matéria-prima de alta qualidade, torna-se um grande desafio manter um nível de qualidade consistentemente elevado. O aumento dos custos de energia dificulta ainda mais alcançar custos de produção aceitáveis enquanto se atende às exigentes demandas do mercado.

UTILIZAÇÃO OTIMIZADA DO ESPAÇO

A MKAS Textile Pvt. Ltd. optou por um alto grau de automação com o sistema Autoconer X6 Multilink. Para planejar o layout mais eficaz e otimizado da fábrica de fiação, especialistas da Rieter discutiram os requisitos com a diretoria e os técnicos da empresa. Em função do benefício vantajoso nos custos de investimento e custos operacionais, a MKAS optou por oito bobinadeiras Autoconer X6, tipo V, com fluxo de material automático no formato Multilink 2:1, cada uma equipada com 52 unidades de bobinagem. Isso significa que dois filatórios de anel estão ligados a uma Autoconer. Para atender às necessidades específicas da MKAS Textile de maximizar a utilização do espaço, uma bobinadeira foi incorporada na configuração de link direto 1:1 (com 26 unidades de bobinagem). De acordo com as especificações, a empresa optou pela ligação subterrânea, na qual as bobinas e os tubos de fiação se deslocam por

A MKAS Textile Pvt. Ltd. usufrui de uma redução de 25% nos custos de energia com a instalação da Autoconer 21 Multilink

baixo do solo entre o filatório de anel e a bobinadeira. Essa disposição gera um espaço de passagem para os operadores entre as duas máquinas, facilitando um manuseio mais prático e controlado.

REDUÇÃO NOS CUSTOS DE

ENERGIA E INVESTIMENTO COM O SISTEMA MULTILINK 2:1

A fiação está agora em plena capacidade de produção. Mohamed Suhil, Diretor Executivo da MKAS Textile Pvt. Ltd., afirma estar “altamente satisfeito com a instalação da Autoconer X6 Multilink. Os custos de investimento mais baixos e, principalmente, a redução de até 25% nos custos de energia na operação são fatores fundamentais para garantirmos a rentabilidade do negócio. Isso nos permite consolidar nossa posição como uma nova empresa de fiação com produtos de alta qualidade em um mercado desafiador e exigente”. Os custos

de investimento para instalar o sistema Multilink 2:1 com 442 unidades de bobinagem, adaptado à especificação de layout da empresa, foram significativamente menores em comparação com o sistema de link direto 1:1 com 442 unidades de bobinagem, graças à quantidade ideal de máquinas, componentes e agregados.

CONSUMO DE ENERGIA 25% MENOR

Recentemente, a MKAS Textile Pvt. Ltd. realizou um estudo sobre consumo de energia comparando sua máquina de link direto 1:1 com o sistema Multilink 2:1. Foi registrada uma redução de aproximadamente 25% no consumo de energia nas máquinas Multilink. Isso representa uma economia de 238.750 kWh por ano, o que equivale a uma redução anual nos custos de energia de 1.910.000 INR (considerando uma produção diária de 4,5 toneladas, 362 dias úteis por ano e um custo de 8 INR/kWh).

ÁREA DE TRABALHO AMPLIADA PARA OS OPERADORES

Além disso, o sistema Multilink proporciona grandes vantagens em economia de mão de obra, devido às bobinadeiras mais longas e ao layout otimizado da fábrica. Em vez de quatro operadores, agora são necessários apenas dois para gerenciar as tarefas das oito bobinadeiras Multilink. Isso significa que um operador pode manusear quatro máquinas Autoconer (produção de 7.296 fusos de filatório de anel), o que se traduz em uma duplicação de sua área de trabalho.

S. Mohamed Suhil, Diretor Executivo da MKAS
Textile Pvt. Ltd., está altamente satisfeito com a instalação da Autoconer X6 Multilink

FEBRATEX

GROUP REFORÇA

SUA PRESENÇA EM SÃO PAULO COM A FEBRATÊXTIL E

TECNOTÊXTIL

Feiras acontecerão no primeiro semestre de 2025 na capital e interior paulista

Oano de 2025 está com uma agenda repleta de feiras e eventos voltados ao setor têxtil e confeccionista brasileiro, liderada, especialmente, pelo Febratex Group, maior grupo promotor de feiras do país, que está retomando sua presença no mercado paulista com a FebraTêxtil, que após um gap de alguns anos, fará sua terceira edição, que acontece da 18 a 20 de fevereiro no Expo Center Norte; e a sexta edição da TecnoTêxtil Brasil, a segunda a ser realizada no Polo Têxtil de Americana, de 22 a 25 de abril.

Maior centro econômico e de negócios da América Latina, São Paulo – em especial a capital paulista – sempre foi palco dos maiores eventos de todos os setores, como as memoráveis Fenit e Fenatec, mas no têxtil acabou perdendo espaço principalmente pelos custos e mobilidade dificultada devido ao grande volume de carros. Mas agora está sendo feito um movimento de resgate, encabeçado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Sinditêxtil-SP e Febratex Group, com toda a sua expertise.

“São Paulo é o centro do Brasil, e hoje o Brasil, no segmento têxtil, representa o quarto lugar em produção mundial. E nós não temos nenhuma feira que represente todo esse potencial”, destaca Helvio Roberto Pompeo Madeira, presidente do Febratex Group. “Em cima disso, junto a entidades como a Abit, que como parceiro solicitou que fizéssemos uma feira, estamos plantando uma semente para demonstrar a importância da indústria têxtil e a sua força, pois temos que ter uma representatividade maior, já que cada vez mais estamos ten-

do invasões do mercado internacional, principalmente da parte oriental.”

Pompeo ainda reforça a necessidade de o setor ter uma representatividade maior por meio das feiras, inclusive governamental, assim como acontece no agropecuário. “São Paulo é hoje a capital que representa essa força. E é o que nós estamos fazendo, mostrando a nossa força, demonstrando, assim, que com o setor têxtil temos um potencial muito grande, não só no sentido de produzir, mas também de exportar. A feira é a oportunidade que se tem de fazer networking, principalmente porque traz lançamentos e amplia a visibilidade da sua marca para o teu visitante e, por consequência, também o percentual maior de clientes novos para a indústria brasileira”, diz.

NOVAS CONEXÕES

Na edição 2025 da FebraTêxtil novas conexões estão engatilhadas. Uma delas é a ENT, é uma exposição de nãotecidos e tecidos técnicos, porque compõem a cadeia têxtil, e a realização do concurso Brasil Fashion Designers, que terá Vivi Haydu como tema e homenageada.

“O Brasil Fashion Designers é um evento já é tradicional com o grupo Febratex, que valoriza os jovens talentos, esses profissionais do amanhã. Para São Paulo, o tema é a Vivi Haydu, que é uma pessoa que teve um reconhecimento nacional e internacional pela indústria têxtil e de moda, e nada melhor do que ser a sua imagem, a sua pessoa, o tema do concurso”, comenta Pompeo.

Helvio Madeira Jr., diretor de comunicações do Febratex Group; Giordana Pompeo Madeira, diretora-executiva do Febratex Group; e Helvio Roberto Pompeo Madeira, presidente do Febratex Group.

O primeiro lugar fará uma exposição na feira ExpoTêxtil Peru, na cidade de Lima, no Peru, projetando, assim, o seu trabalho no âmbito internacional.

OLÁ, PRINCESA TECELÃ

É dessa forma que a cidade de Americana é conhecida: Princesa Tecelã, pois possui um dos mais antigos e importantes polos têxteis paulista e nacional.

E no mês de abril, a cidade receberá, pela segunda vez, a TecnoTêxtil Brasil, feira direcionada a tecnologias têxteis que acontecerá no espaço FIDAM, que vem fazendo algumas melhorias com o apoio da prefeitura local. Inclusive, há projeto de um novo pavilhão, para trazer mais infraestrutura e conforto aos expositores e visitantes. “Até alguns anos atrás, Americana foi a principal transformadora de tecido

Helvio Roberto Pompeo Madeira, presidente do Febratex Group.

no Brasil. E essa potência está voltando agora com ajuda até da própria TecnoTêxtil. Nós estamos na segunda edição na cidade e 100% de toda a feira foi vendida, demonstrando a importância e o interesse do empresário na região em fazer investimento”, declara o presidente do Febratex Group.

Ele ainda relembra que assim como foi em Santa Catarina, desde a primeira edição da Febratex, em 1991, a TecnoTêxtil tem muito potencial para crescer. Nesta edição, a feira receberá em torno de 300 marcas expositoras.

“A expectativa é que superemos o nosso público de 2023 em cerca de 15 a 20%. Já estamos divulgando a feira e um número expressivo de visitantes está se inscrevendo, fazendo a programação de viagens, de reservas de hotéis. Isso demonstra o interesse e a vontade de ter a feira em Americana”, conclui.

HEIMTEXTIL 2025

Entre os dias 14 e 17 de janeiro foi realizada, em Frankfurt, Alemanha, a edição 2025 da Heimtextil, feira dedicada aos têxteis para decoração, hotelaria, tapeçaria, cama, mesa, banho e bem-estar. Com mais de 3 mil expositores, a Heimtextil 2025 ocupou 8 pavilhões do centro de eventos da Messe Frankfurt, um dos maiores e mais antigos grupos organizadores de feiras do mundo, com 180 eventos anuais distribuídos por 50 países.

A Revista Têxtil, mais uma vez, em parceria com a Messe Frankfurt, foi convidada a cobrir o evento, e nesta matéria trazemos ao nosso público brasileiro alguns cases, inovações e as mais interessantes novidades do setor têxtil apresentadas na feira. Durante os quatro dias de feira, mais de 50 mil compradores conheceram, em primeira mão, as últimas coleções, materiais e soluções têxteis para design de interiores. As tendências Heimtextil 25/26 da Alcova Milano e a instalação “Entre Nós”, da famosa designer Patricia Urquiola, estabelecem novos padrões para design de interiores, varejo e

Por Fred Haydu e Ernesto Arias Hück

hospitalidade. O programa de conteúdo focou em design assistido por IA, processos de produção sustentáveis e interiores orientados para o futuro. O resultado foi de pavilhões cheios, 142 países participantes, aumento de expositores e visitantes e elevados índices de satisfação.

ECONOGY TOUR

Por meio de visitas guiadas, pudemos conhecer estandes que oferecem produtos acabados ou maquinaria de apelo sustentável para o setor têxtil. Entre elas, encontramos não só máquinas de dobrar e embalar, mas também máquinas para colocar o enchimento de edredons, almofadas, para enchimento com fibras recicladas e de recheios orgânicos, como penas. Como destaques, vimos colchões viscoelásticos, moldados no formato final e sem cortes ou colas; e o aumento do uso de fibras vegetais orgânicas, como a do cânhamo para lençóis, entre muitos outros.

INDÚSTRIAS EM TRANSIÇÃO ESTRATÉGICA

O desenvolvimento sustentável em todos os aspectos da indústria têxtil é um tema que vem sendo abordado sob múltiplas perspectivas. No atual contexto geopolítico – marcado por guerras, sanções e ameaças de guerras comerciais –, a indústria têxtil global distribui os seus recursos de forma estratégica.

Prova disso é o crescente desenvolvimento de novas unidades de produção e plataformas comerciais para a Eurásia no Vietnã, e através das feiras têxteis VIATT, a Messe Frankfurt Hongkong promove novas plataformas comerciais para compradores da América, Ásia e África. Um exemplo disso é a semana de design VMARK Vietnã, anunciada pela Sra. Danh Tran, vice-presidente da VDAS Design Association e fundadora e CEO do VMARK Vietnam Design Week, que convocou designers e entidades de todas as áreas para participarem da criação de um design hub no Vietnã.

EVENTOS

PATRICIA URQUIOLA DEU O TOM NA HEIMTEXTIL 2025

Durante a Heimtextil deste ano, uma grande hospitalidade imersiva de design têxtil foi assinada por Patricia Urquiola, designer e arquiteta espanhola, que apresentou uma incrível instalação de 650 metros quadrados no coração do Hall 12. Batizada de “among us”, a instalação criou no ambiente uma atmosfera têxtil de conceito, onde foram feitas conversas sobre sustentabilidade, convivência e o brilho do design.

A atmosfera acolhedora e interativa convidou à discussão sobre design, sustentabilidade e comunidade. Juntamente com parceiros como Kettal, Moroso e Kvadrat, Urquiola deu vida a uma experiência única cheia de cores, formas e ideias. Foi uma grata surpresa ao público e um convite a uma pausa, relaxamento e muita inspiração durante a feira, refletindo sobre os novos tempos dentro da indústria têxtil, que trazem a necessidade do pensamento de um futuro mais belo e responsável ecologicamente.

Durante umas de suas apresentações, Patricia destacou que temos hoje de pensar na reutilização de produtos que já foram produzidos e que hoje são descartados, mas não têm prazo de validade, o que gera um grande descarte e poluição, trazendo consequências devastadoras para o meio ambiente. Há a necessidade da coleta desses produtos e o desenvolvimento de arte sustentável, circular e útil com esses materiais.

Na Heimtextil 2025, Patricia criou grandes sofás, poltronas, instalações artísticas e painéis feitos de resíduos têxteis, de produtos descartados e com inovação e tecnológica. A designer espanhola utiliza tecnologia avançada pra desenvolver novas texturas, com as que parecem emborrachadas, sensíveis ao toque, macias e resistentes, painéis de linhas, costuras macramê e bordados, e uma técnica de pintura sobre o tecido muito incrível e bela, todas à base d’água.

“É um privilégio trabalhar com uma designer tão reconhecida internacionalmente como Patricia Urquiola e a equipe do Studio Urquiola. Partilhamos a mesma paixão e visão por projetos criativos, diálogos de tendências e

EVENTOS

soluções sustentáveis no mundo do design têxtil”, disse Olaf Schmidt, vice-presidente de Têxteis e Tecnologias Têxteis da Messe Frankfurt.

“A Heimtextil é perfeita para nós. Oferece a oportunidade de criar um diálogo bidirecional que começa durante o evento e continua ao longo do ano. Dirigimo-nos a todos aqueles que estão interessados no setor têxtil. Queremos ouvir tanto quanto queremos apresentar e valorizar a troca pessoal”, comentou Urquiola.

CONCEITOS DE DESIGN DE INTERIORES

No pavilhão 3.0 da Heimtextil, encontramos o espaço Interior Design Concepts: Window, Wall & Floor, onde os visitantes puderam encontrar uma vasta gama de produtos: desde papel de parede e impressão digital, cortinas e revestimentos de piso, incluindo proteção solar e privacidade. A combinação de produtos individuais de alta qualidade e coleções completas cria conceitos de espaço holísticos que se adaptam de forma ideal às necessidades de decoradores e designers de interiores, lojas de bricolagem e varejistas especializados. Os pavilhões adjacentes 3.1 e 4.1 complementam este espectro com tecidos decorativos e móveis. Juntos, ambos os níveis ofereceram a mais ampla gama internacional de tecidos decorativos e de estofamento, têxteis contratuais, artigos sintéticos semelhantes ao couro, têxteis para exteriores e os precursores fibras e fios. Entre os espaços mais notáveis estava a biblioteca

Interior. Arquitetura. Hospitalidade no pavilhão 3.1 e a instalação projetada por Patricia Urquiola no pavilhão 3.0. Eles transformam a área em um centro nevrálgico para designers, arquitetos e tomadores de decisão em hotelaria.

DA IA À CIRCULARIDADE: HEIMTEXTIL 2025 COMO CENTRO DE CONHECIMENTO GLOBAL

Resiliência através da troca de conhecimento: com mais de 140 conferências, workshops e visitas guiadas, a indústria e o comércio contribuem para reagir às mu-

danças do mercado e inovar. O programa de conteúdo respondeu diretamente às necessidades do mercado têxtil global e dos consumidores. “Com o Retail Stage e o Texpertise Stage, a indústria se beneficiou das nossas novas fortes parcerias, bem como de conhecimentos que melhoram os negócios sobre processos de produção circular, tendências de interiores orientadas para o futuro e design apoiado pela IA”, explicou Olaf Schmidt, da Messe Frankfurt.

PERSPECTIVAS: HEIMTEXTIL 2026

IMPULSIONA A TRANSFORMAÇÃO E O DESIGN TÊXTIL

A Heimtextil está expandindo o design de interiores têxteis ainda mais na próxima edição: em 2026, Patricia Urquiola continuará a desenvolver seus designs pioneiros para a feira. A parceria define, assim, novas e progressivas declarações para conceitos têxteis de interiores. A Alcova Milano também continua a impulsionar sua pesquisa de tendências globais em materiais inovadores e novas estéticas: a plataforma de design está pesquisando a influência dos têxteis na sociedade, bem como o potencial e as limitações da indústria

têxtil - e está incorporando isso às próximas tendências de têxteis para o lar de uma forma que seja ainda mais lucrativa para a indústria.

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA

Tivemos a presença de um designer brasileiro expondo na Heimtextil 2025, o artista Lucius Villar, que começou sua jornada na moda com Walter Rodrigues, com quem trabalhou até 2012, e a partir dali, iniciou seu próprio caminho. Hoje dá aulas em três universidades e tem seu estúdio de estamparia, o Atelier Lucius Villar.

O que ele trouxe pra Heimtextil foi seu trabalho de estamparia com seu designs exclusivos e originais, criados por ele e inspirados na cultura e flora do nosso país, trazendo muita brasilidade em suas estampas.

TENDÊNCIAS ALCOVA

–“UM FUTURO CONTÍNUO”

Pela primeira vez, o estúdio Alcova Milano fez a curadoria da Heimtextil. Seus fundadores Valentina Ciuffi e Jo-

seph Grima, combinaram arte contemporânea, design e arquitetura com instalações imersivas.

Desde 2018, essa plataforma agrega profissionais e organizações do setor durante a Semana de Design de Milão, na Itália, para ajudar a moldar as tendências com o trabalho de inovação em espaços de vivência coletiva, produtos, materiais e tecnologias. Com esse time criativo e internacional, a Alcova trouxe para a Heimtextil uma visão das próximas tendências para todas as camadas da indústria têxtil com seu estudo intitulado “Um futuro contínuo”.

Naturalmente, as tendências não são lineares, elas desenham o passado e moldam o futuro numa dinâmica interdisciplinar, e o “Um futuro contínuo” desvenda uma herança que continua se ligando com o têxtil, onde a arte de tecer se encontra com o mundo novo digital, falando sobre o ressurgimento de fibras naturais num mundo tecnológico e, principalmente, o que o têxtil um dia foi e o que deverá ser.

“Como nosso conhecimento do passado pode transformar e inovar para o futuro com conceito de sustentabilidade? Deixe o passado nos guiar em direção ao mundo sustentável de amanhã”, disse Olaf Schmidt.

“Recicle, reduza e reuse” hoje esta sendo ajustado para os termos “restaure, renove e reponha” para uma evolução e mudança no discurso sobre sustentabilidade.

Termos como circular, sustentável e sem desperdício são especificações que estão começando a ser interpretadas como real definição e não apenas como um rótulo de “green washing”. Precisamos entender a real sobre consumo consciente, além do importante fato de cuidar do nosso meio ambiente e do nosso planeta.

A noção de regeneração é biológica, mas também um termo usado na Inteligência Artificial, onde as coisas estão constantemente se regenerando.

A ciência hoje também e uma tendência muito importante: a inspiração em técnicas ancestrais e indígenas que trazem muito conhecimento e nos encaminha novamente para as fibras naturais, que talvez sejam o capítulo final visando agora o futuro da indústria têxtil assimilando a tecnologia, fluxo de dados, ética política e novas formas de produção.

A Alcova também trouxe novas maneiras de pensar na produção de determinados produtos que puxam a ne-

cessidade de uma mudança nas complexas formas de produção têxtil, definindo uma nova tendência, com a pluralidade de novas vozes de diferentes profissionais que introduzem em diferentes ângulos, cruzando a fronteiro dos que os tecidos foram, o que são e como eles poderão ser no futuro.

Têxteis são fundamentais para nossa cultura, ajudam integralmente a construir nosso mundo além da forma funcional para comunicação e isso inclui toda maneira como são fabricados. Podemos tecer narrativas, pontuar questões, desvendar mistérios, achar fios ou cordões e, eventualmente, perder o filamento ou a fibra.

A modernidade chegou inerente a tecidos que retêm calor, que dão respirabilidade à pele, impressoras 3D, crescimento de biotêxteis em laboratório, seda de aranha, tecidos comestíveis. O lowtech também como os tecidos upcycling, produções locais, orgânicas, que trazem mais uma vez as fibras naturais. E o movimento de máxima eficiência, sem desperdício, respeito a ancestralidade e povos originários, com práticas já conhecidas que hoje estão em laboratório, como tecidos feitos de fermentação e cultivo de bactérias para criar pigmentos e tinturas.

Isso tudo hoje tem sido visto como uma evolução para como todos enxergam o têxtil, a manufatura, gerando, assim, um poder criativo que começa a moldar como pensamos e nossa realidade.

SELOS E CERTIFICADOS DE QUALIDADE E RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Hoje é fundamental ter certificações socioambientais, que certificam que matérias primas e a produção em todas as etapas da cadeia têxtil sejam feitas de maneira justa, consciente, com responsabilidade social, de relações humanas, processos limpos, que tenham o mínimo ou nenhum impacto sobre o meio ambiente.

Dentre tantos certificados, citamos alguns que estavam presentes nos expositores da Heimtextil 2025, agregando valor, luxo e responsabilidade.

EVENTOS

OEKO TEX: inclui o teste quantitativo de elementos GMO, a segurança de não utilização de pesticidas e a rastreabilidade do produto em toda cadeia. Oferecem também o selo OKEO-TEX Organic Cotton, que certifica um algodão orgânico na produção e beneficiamento de acordo com IFORM. / www.oeko-tex.com

BETTER COTTON INITIATIVE: uma instituição sem fins lucrativos que apoia países subdesenvolvidos diretamente na produção familiar de forma sustentável. Diretamente ligado a parceiros governamentais gerando impacto positivo onde atua. / www.bettercotton.org

GOTS - GLOBAL ORGANIC TEXTILES STANDARD: uma organização mundial que aborda a certificação de fibras naturais com critério socioambiental, fornecendo um certificado independente para toda cadeia têxtil. Produção orgânica, responsabilidade com o meio ambiente, condições justas de trabalho com respeito e dignidade aos trabalhadores são alguns dos principais aspectos requeridos. / www.global-standard.org

BLUE ANGEL: desde 1978 esta certificadora alemã tem a missão de entregar o rótulo ambiental com base em critérios do governo alemão. / www.blauer-engel.de

NOVIDADES APRESENTADAS

PORTUGAL

CITEVE: Cristina Castro, diretora de relações públicas do CITEVE – Centro Tecnológico das Industria Têxteis de Portugal, apresentou um grande projeto de bioeconomia no setor têxtil relevando a necessidade de toda a cadeia se envolver mais com a questão de proteção ao meio ambiente, evitando fibras de origem fóssil, os corantes químicos danosos e encontrar processos mais amigos do ambiente. Trouxeram um mostruário de diversos desenvolvimentos para têxteis-lar, como peças feitas de linho e tingidas com tinta extraída de resíduos de denim, um processo que poupa recursos naturais para dar cor; e outras desenvolvidas com fibras de cortiça, urtiga com algodão orgânico, entre outros diversos materiais.

ALEMANHA

OUTLAST: traz uma tecnologia exclusiva, desenvolvida para a Nasa, de agregar à fibra um componente de cera natural que cria o efeito termodinâmico, não deixa as

superfícies de colchões e travesseiro esquentar, uma barreira natural desenvolvida para deixa as regiões de contato com a pele mais frescas. / www.outlast.com

ADVANSA: apresentou travesseiros com enchimento de cânhamo, porém, o que mais chamou atenção foram as fibras Aerelle blue, feitas de garrafa PET, um projeto em parceria com o Plastic Bank, que retira mais de 200 milhões de garrafas PET da foz do rio Nilo, contribuindo para a redução da poluição de um dos mares mais sujos do planeta. / www.advansa.com

SANDER KAUFFMANN: com mais de 200 anos de experiência desenvolvendo enchimentos de colchões e travesseiros tradicionalmente feitos de plumas de ganso, trazem agora uma novidade na fabricação de fios por upcycling, ou seja, sem emissões de CO2 e sem químicos. A grande estrela foi a fibra feita das folhas do abacaxi para o enchimento de travesseiro, porém, para um melhor desempenho, esta fibra é misturada com 20% de fibra de bambu, conferindo muito conforto, maciez, durabilidade e sustentabilidade.

BREARTH AIR: fornece uma almofada de estrutura 3D permeável ao ar e estável aos raios UV para uso interno

e externo, com fibras retardantes de chamas, que são usadas em transporte público e colchões de bebês para fornecer segurança e evitar sufocamento.

STEINBECK: excelência em fibras animais naturais, principalmente de lã merino, cashmere, alpaca, yakis e camelo, desenvolve colchas, pashminas, cobertores e mantas de qualidade impecavel e luxusa em seus acabamentos.

BÉLGICA

LENZING: na Heimtextil, anunciou a expansão de seu portfólio LENZING™ Liocel para preenchimento dentro da família de fibras TENCEL™. Essa expansão mais ampla apresenta uma variante mais fina com vários comprimentos de corte, adaptada para aplicações de envase em têxteis para o lar e vestuário.Com duas densidades lineares distintas (1.7dtex e 6.7dtex) e vários comprimentos de corte, o portfólio expandido de fibras oferece compatibilidade aprimorada para se misturar perfeitamente com outras fibras e materiais de enchimento, como o poliéster e a penugem. As novas fibras, mais finas, adequadas não apenas à tecnologia de cardagem, mas também à tecnologia de enchimento por sopro, aprimoram a experiência sensorial em

EVENTOS

travesseiros, brinquedos de pelúcia e outras aplicações leves. Enquanto isso, as fibras mais grossas já estabelecidas continuam a oferecer controle de umidade inerente e volume para melhorar o conforto do sono em edredons, colchas e outras aplicações têxteis domésticas, especialmente aquelas que usam a tecnologia de cardagem. Essa versatilidade é compatível com diferentes tecnologias de enchimento e construções de produtos, atendendo a diversas necessidades de design e aplicação e às preferências específicas dos consumidores em têxteis domésticos, vestuário e muito mais.

LIBECO: fundada em 1858, a Libeco traz toda a versatilidade do linho com o selo de CO2 neutral e de produto orgânico da melhor qualidade, produzida na França, Bélgica e Holanda.

BULGÁRIA

SVEPOL: traz a produção de fibras sintéticas de PET, resina PSF, acrílicas e outras, onde se baseam na reintrodução das resinas e fibras na reciclagem e reuso, com materiais feitos para indústria textil e muitas outras como de alimentos, automóveis e cosméticos. / www. svepol.com

CHINA

HANGZHOU GAGA: a fabricante chinesa de colchas de lã e plumas apresentou fibras térmicas de pinha para roupas de cama. As colchas preenchidas com “melatonina de pinha” fornecem uma textura gelatinosa, suave à pele e aquecimento por irradiação infravermelha. Este enchimento à base de plantas e ervas é antibacteriano de grau 5A. Possui parceria com a HeiQ para controle térmico, com o uso de 10% fibras DuPont e em produtos com CBD.

DINAMARCA

FIBREPARTNER: com uma tecnologia de ponta na fabricação de fibras sintéticas muito similares ao poliéster, porém, muito responsável com a natureza, alta qualidade e performance na fibra, que e totalmente biodegradável, retornando ao ambiente com água, CO2, metano, biomassa e humus ao fim do ciclo. Destaque para a fibra Primaloft.Bio, tecnologia que transforma a fibra em açúcares. Outra inovação é a Fibrepartner Orbit, tecnologia para transformar resíduos têxteis em poliéster, gerando, assim, circularidade. / www.fiberpartner.com

ESTÔNIA

ODEJA: produz cobertores e travesseiros de luxo de fibras naturais animais e vegetais, prezando pela qualidade inigualável de ser produtos, que são feitos numa grande cartela de diferentes fibras, de penas, seda, pelos de camelo, lã, alpaca, cashmere, combinadas com fibras de bambu, algodão orgânico, milho, cânhamo, chia, kapok, látex, lavanda e Tencel®, numa diversidade de combinações e texturas para diferentes temperaturas. /www.odeja.si

ESPANHA

CANDIDO PENALBA: a empresa fundado em 1901 hoje traz uma linha que preza pela segurança, conforto e saúde em seus protetores de colchoes e travesseiros,

com utilização de materiais orgânicos, naturais e reciclados. Ideal para o nicho hospitalar e infantil.

HOLANDA

TRICOVER: empresa que, junto com a Orizio, desenvolve maquinário para a automação em colocar capas de travesseiros e colchões. Voltados para hotéis, hospitais e lugares que precisam de uma automação de maior escala e rapidez, sem a necessidade do toque humano, sobrepondo a dificuldade de colocar principalmente travesseiro de memory form, que anatomicamente são maiores que as fronhas. / www.tricover.com

NXTILE: desenvolve produtos feitos 100% de algodão reciclado, com rastreabilidade e redução de danos ao meio ambiente, utilizando menos de água e gerando o mínimo impacto num processo circular. www.nxtile.eu

ENKEV: fabrica colchões de luxo de extrema qualidade, feitos sob encomenda. Seu grande diferencial é a cartela de matérias-primas, onde são usadas fibra de coco, cânhamo, pelo de cavalo, material mui -

tas vezes descartado, trazendo durabilidade e qualidade aos seus produtos, tornando-os naturalmente anti-mofo, antibacteriano e antiácaros. Mesmo após um ciclo de 60.000 vezes, seus colchões dão garantia que não se deformam, aguentando mais de 140 kg. / www.enkev.com

ÍNDIA

AGNI: vinda do Rajastão, a empresa, que nos tempos de automação e altas tecnologias, traz com toda humildade, beleza e grandeza a manufatura manual em seus bordados e criações lúdicas. Nesta nova coleção, com animais e muitas cores, a preciosidade do tralhado manual em tapetes enormes. O poder do artesanato com produtos muito bonitos e de qualidade ímpar. / www. agniexports.com

BIRLA CELLULOSE: fabrica fibras 100% à base de plantas, tem o diferencial que disponibiliza toda a rastreabilidade da fibra por uma tecnologia de blockchain chamada GreenTrack Fibre Traceability Platform. Com sua molécula única, é possível rastrear em qualquer lugar da cadeia têxtil. Suas fibras têm a capacidade de oferecer uma vasta diversidade de produtos, de cama mesa

EVENTOS

e banho, vestuário e tapeçaria. Com diversos selos de sustentabilidade, também agrega benefícios antimofo, respirabilidade da pele e efeito retardante de chamas. / www.livabybirlacellulose.com

RECRON FS: tecnologia indiana a RECRON traz uma solução aplicada em seus poliésteres, gerando maior segurança em relação ao fogo, já que o poliéster é altamente inflamável. Essa tecnologia envolve o fio, dificultando a propagação de chamas. / www.recronfs.com

ITÁLIA

GERUSSI: especializada em maquinário de beneficiamento de fibras, enchimentos de travesseiros, traz muita tecnologia em seus equipamentos, como automação e controle de produção, atributos da Indústria 4.0. Destaque para equipamentos de acordo com a economia circular (Again recycle line), que gera menos desperdícios de materiais e menor consumo de energia elétrica. / www.agerussi.com

GRASSI: outra empresa de maquinário italiana cheia de tradição, trouxe equipamentos robustos para laminação

de espumas e colchões, pautada na Industria 4.0, que traz muita tecnologia embarcada e possui grandes parceiras como Siemens, SMC e Omrom. / www.gruppograssi.it

QUARRATA FORNITUNE: tecnologia italiana em maquinário de diferentes tamanhos, para enchimento de travesseiros. A diversidade de materiais que podem ser operados por essas máquinas, desde penas e plumas, lã, produtos resinados e de poliuretano em chips, com extrema rapidez e seguranca. / www.quarrataforniture. com

GTECHNOLOGIES GROUP / BROSIO MECCANICA: com sua grande diversidade de maquinário, equipamentos muito robustos para automação de média a larga escala, produz desde máquinas de enchimentos para travesseiros, para mistura de fibras, de corte de colchões, para embalagem à vácuo de produtos têxteis de diferentes escalas de tamanhos e formas, como roliços. Destaque para a máquina de enchimentos de travesseiros sem costura. / www.gtechnologies-srl.com

MINARDI PIUME: especializada em plumas de ganso, a centenária italiana hoje está adotando a fibra de Kapok em seus produtos. Chamada de painera ou barriguda

EVENTOS

no Brasil, esta árvore lindíssima de flores rosas, quando sementeia e abre seus casulos nos dá um penugem farta, macia e leve, sendo muito resistente com umidade e mofo. / www.minardipiume.it

KOKUN: em colaboração com uma das mais renomadas empresas chinesas, a Cathanya, líder em produção de seda, a Kokun busca a milenar tradicional produção de seda com a excelência de produção italiana em lençóis de extrema qualidade, que trazem todo um processo natural desde o cultivo de bichos da seda até o produto final. Naturalmente não prolifera mofo, bactérias e traças.

JAPÃO

C-ENG: produz o C-CORE, que traz uma simbiose com a natureza e uma estrutura 3D reticulada desenvolvida com a NEXCO, inicialmente para estruturas de trânsito anti-impacto, muito leve e de alta resistência. A partir dos anos aos 2000, começou a ser usada para estruturas de colchões, especialmente em navios, pois não retém umidade, e em colchoes para bebês e crianças, que quando dormem de barriga para baixo, não tem perigo de bloquear a respiração. Se queimado, esse produto não produz dióxido de carbono e sempre pode voltar ao processo circular de reciclagem. / hashi@c-eng.net

MIMAKI: com equipamentos de impressão e seus derivados de grande tecnologia e eficiência, apresentou impressoras têxteis como o modelo TS330-1600, com mais de três metros de largura, tintas ecológicas para têxteis e papéis com selo ecológico. / www.mimaki. com

TURQUIA

FELTVIBE: a partir de garrafas PET desenvolve um feltro para painéis de diferentes espessuras, formatos, cores e formas geométricas distintas, com acabamento impecável para isolamento acústico. Faz também produtos automotivos e de decoração como cestos, bolsas entre outros. As placas de isolamento acústico são impermeáveis e tratadas com tecnologia antichamas. / www.feltvibe.com

EVENTOS

IPEKER: apresentou uma grande inovação, a seda vegana, um produto patenteado pela Ipeker e desenvolvido a partir da casca da semente do algodão, o cupro. Uma matéria-prima que sempre foi descartada hoje se faz presente no desenvolvimento de um produto altamente sustentável, rico e de toque igual ao da seda natural, conferindo a robes, lençóis, colchas, fronhas e outros produtos extrema maciez e brilho. A parceria com fibra Tencel®, da Lenzing, dá duas opções de seda vegana, uma 100% de cupro e outro com 53% de cupro e 47% de fibra Tencel®. / www.ipeker.com

LINNER: maquinário turco para manufatura de colchões, espumas e travesseiros, tem um largo leque de máquinas para corte, enchimento, embalagem, entre outras. Destaque para os diferentes maquinários que picam e trituram fibras e espumas, podendo dar continuidade para matérias usadas a serem introduzidas no ciclo da reciclagem. / www.lineerinnovations.com

SUÍÇA

HEIQ: com uma tecnologia de ponta, desenvolve químicos inovadores para os têxteis, como a tecnologia com probióticos que consomem bactérias nocivas aos seres humanos, bases antialérgicas a pelos de animais, poeira e pólen, além de promover a renovação da pele como um dermocosmético protetor. Outra tecnologia é para a redução de odor gerado pelo corpo, onde os probióticos consomem bactérias causadoras do mau cheiro. Grande parte de suas tecnologias são desenvolvidas à base de plantas (72%), biológicas e naturais, aprovadas com selo de garantia Oeko-Tex e vegano. / www.heiq.com

MONGÓLIA

MUTAG WOOL: startup vinda da Mongólia traz toda rica cultura daquele país. Devido ao frio extremo em seus

desertos, a Mutag Wool, traz fibras de camelo, yakis, cabras vermelhas que dão um cashmere ainda mais rico e macio, além da lã original de suas famosas ovelhas. Extraídas de maneira artesanal, penteadas e fiadas com a colaboração de artesãos locais faz o desenvolvimento de cobertas, mantas e tapetes que mostram a riqueza original de um povo nômade e autossuficiente, hoje levando toda essa bagagem ancestral e cultura mongol para o mundo. / www.nutagwool.com

NOVA ZELÂNDIA

M.M LINEN: com uma linha de produtos de cama mesa e banho, traz a essência da Nova Zelândia com a inspiração de sua natureza. Empresa que preza pela neutralidade de CO2, usando materiais luxuosos de extrema qualidade numa produção sustentável. / www.mmlinen.com

PAQUISTÃO

LUCKY: uma gigante produtora de cama mesa e banho, com uma linha de decoração atemporal e criativa, a Lucky desenvolve produtos para todo o mundo, sendo fornecedora de grande marcas e lojas de varejo em diversos países, como Wallmart, TJ Max, Kia Motors, entre outras. A versatilidade da Lucky de atender diferentes culturas e países e sua integração vertical - consegue fornecer desde o fio até à peça de cama e utensílios têxteis para o lar prontos para venda -, faz com que leve excelência ao seus clientes. Possui diversos selos de sustentabilidade. / www.luckytextilemills.biz

POLÔNIA

BARTEX: especializada em produtos para pets, como camas e brinquedos, elaborados materiais pensados

EVENTOS

na redução de resíduos e com tecnologia de corte Lectra. Podem ser feitos pedidos que incluem a possibilidade do uso de fibras de quaisquer tipos. / www.bartexpolska.pl

ALTENBURG EM VISITA À

HEIMTEXTIL 2025

Com o objetivo de mergulhar em estudos e pesquisas para 2026, um time de estilistas e gestores da Altenburg passou 15 dias entre a Alemanha, Inglaterra e Portugal, com visitas a lojas de varejistas referência em cama, banho e decoração, em Londres e Lisboa, e como não poderia deixar de ser, à feira Heimtextil, em Frankfurt, referência em têxteis no setor hoteleiro e de decoração.

Clovis Stahnke; a gerente de produto Patrícia Higino; as estilistas Anna Di Domenico, da linha de toalhas e bordados; e Pâmela Klug, da marca de luxo Altenburg Haus.

“A Altenburg visita a Heimtextil há mais de 20 anos, e faz questão de ir a esta feira todos os anos, a fim de conferir as novidades, pois sempre encontramos algo diferente, inovações, alguma ideia que não pensamos antes para o mercado brasileiro. Vimos notando não exatamente uma diminuição da feira, mas uma qualificação. Este ano, a quantidade de expositores estava menor, mas não houve a perda de qualidade dos fornecedores, e isso nos permite ficar mais tempo com eles, além de visitar mais empresas com o mesmo padrão, pois quando a feira está muito cheia, acabamos nem conseguindo ver tudo o que ela tem a oferecer devido ao seu tamanho. Fiquei feliz em ver o que já temos projetado em termos de cores e estampas para 2025 foi se confirmando na feira, tanto para este quanto para o próximo ano”, diz Patrícia Higino, gerente de produto da Altenburg.

O grupo estava composto por Otávio Correia de Arruda, gerente de marcas e marketing da Altenburg; o diretor comercial Luiz Carlos de Souza; o gerente de compras, RT

COLOMBIATEX 2025

Com muita alegria, a Revista Têxtil desembarcou em Medellin, na Colômbia, para a cobertura da Colombiatex 2025, realizada nos dias 28, 29 e 30 de janeiro no centro de exposição Plaza Mayor. Promovida pelo Inexmoda, a Colombiatex, que este ano celebrou sua 37ª edição, é reconhecida como a principal feira da América Latina voltada ao segmento têxtil. O evento proporciona uma plataforma única de networking e demonstração das últimas inovações no setor, além de representar uma grande oportunidade para ampliar laços comerciais, dada a posição da Colômbia como um hot spot de exportação para a América do Sul e Central.

A frase mais contundente que se ouvia em todos os cantos é que “sustentabilidade não é mais uma tendência, e sim uma realidade”, e a ciência e ancestralidade unidas geram um resultado impressionante de negócios e oportunidades que posiciona o departamento de Antioquia, onde está Medellin, como um polo têxtil com expressivos resultados comerciais.

PARCERIA ESTRATÉGICA

Fred Haydu

Durante a feira, o cônsul honorário do Brasil em Medellin, Sr. Sergio Escobar, recebeu a imprensa brasileira com muita hospitalidade e excelente explanação sobre a grande parceria econômica que Brasil e Colômbia exercem entre si. A alegria do cônsul em ter 43 empresas brasileiras expositoras, entre têxteis e de maquinário, afirma que a Colombiatex é uma feira onde se faz negócios, e especialmente em Medellin, que é parte importante do “cluster” têxtil da região.

Segundo o cônsul, Brasil e Colômbia têm uma relação amadurecida de mais de 20 anos como aliados estratégicos, e a vantagem que a Colômbia tem de acordos comerciais com a Europa, Estados Unidos, Canadá e Mexico torna muito interessante ao Brasil produzir parte de seus produtos por lá, especialmente em Medellín, para ter essa expansão internacional com outros países que não fazem parte, ainda, de seu rol de parceiros comerciais.

Sebastián Díez, presidente do Inexmoda

“Um exemplo é que após a pandemia, o México se favoreceu muito fornecendo aos Estados Unidos, mas hoje está com a demanda saturada e, aí, se abre a possibilidade de Brasil e Colômbia, junto ao México, exportar aos EUA, com fios e matérias-primas do Brasil sendo transformadas na Colômbia e México para venda na América do Norte com alíquotas melhores”, comenta Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp) e presidente emérito da Abit, que junto à Lilian Kaddissi, superintendente de Projetos Estratégicos da Abit, trouxeram grandes reflexões e informações sobre a presença brasileira na feira.

A conversa aconteceu no espaço Brasil do Texbrasil, programa de promoção comercial entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e ApexBrasil, que apoiou as empresas têxteis nacionais ali presentes. O local também serviu como um mostruário geral dos materiais das empresas participantes e ponto de apoio para negociações.

Consul Sergio Escobar, Rafael Cervone Lilian Kaddissi da ABIT

EVENTOS

“As expectativas para a Colombiatex 2025 são muito positivas em negócios. Ano passado, as empresas brasileiras participantes da feira tiveram mais de US$ 10 milhões vendidos, além do aumento das exportações para a Colômbia, especialmente após a assinatura do ACE 72, acordo comercial entre Brasil e Colômbia que zera a tarifa de importação de mais de 6 mil itens, inclusive têxteis”, dizem os porta-vozes da Abit.

“Nesta edição, assim como nas anteriores, temos amostras do que há de melhor no Brasil em têxtis e máquinas, lembrando da bioeconomia brasileira em alta, os fios naturais e sustentáveis, tecnologias avançadas em novas fibras, como tecidos de algas, de cana de açúcar e utilização de grafeno. Isso não é uma tendencia, é uma realidade, e o público da feira tem uma grande expectativa quanto a inovações como essas”, complementam.

NOVOS ESPAÇOS

O anfitrião Sebastián Díez, presidente do Inexmoda, abriu oficialmente o evento no novo espaço da feira, destinado a empresas fornecedoras de Pacote Completo (full package) de diferentes portes e produtos de vestuário, como artigos de couro, roupas de ginastica, moda praia, produtos de algodão orgânico e acessórios dos mais diversos, trazendo a grande relevância da manufatura responsável do início ao fim do processo.

LEMBRANÇAS

Salões muito bem-sinalizados em ruas largas, porém apinhadas de visitantes do setor, desde a abertura até o último dia da feira, o frenesi de novidades e ativações não parou. Mesas sempre cheias em todos os estandes, negócios, vendas e parcerias sendo efetivados e um olhar muito respeitoso à nova realidade que a indústria têxtil vem tomando. E entre encontros e desencontros, a lembrança de que a Revista Têxtil cobre a Colombiatex desde 1989, com histórias dos nossos editores Ricardo e Vivi Haydu pelos corredores do Plaza Mayor com amigos de longa data e longas viajens, e

com uma calorosa e afetuosa recepção do presidente do Inexmoda, Sebatián Díez, e a diretora de feiras e novas conexões da Indexmoda, Leonor Hoyos, que hoje são responsáveis pela movimentação de mais de 12 mil trabalhadores diretos e indiretos que fazem essa robusta, sólida e encantadora feira.

VISITA À EXPOFARO

Luis J. Rodriguez, vice-presidente da empresa colombiana Expofaro, recebeu o grupo de imprensa internacional para uma visita às suas instalações nos arredores de Medellín, mostrando, com muito carinho, todo o processo de manufatura de jeans, tanto de sua marca própria, a Neim, quanto de sua maior licenciada, a Levi’s, tendo entre os modelos o icônico 501 e jaquetas peluciadas da marca americana.

Logo na entrada da fábrica, onde pequenas estações de água da lavanderia de denim são tratadas para poder retornar ao processo ou ser reintroduzida na natureza sem contaminação, grafites dos brasileiros Os Gêmeos e de outros artistas locais ornam toda a fábrica que, em 2019, devido a ventos fortes, teve os tetos destruídos, levando a uma fase muito difícil, mas a reconstrução trouxe cor por meio da arte em grafitti e mais determinação na genialidade no desempenho da Expofaro.

Impecabilidade seria a expressão correta para a linha de produção: centenas de máquinas de costura Juki a todo vapor nas modelagens cortadas a serem unidas, rebites, botões e as famosas costuras com linhas beges entre o denim cru das 501 ‘Hecho en Colômbia’, feitas para o mercado interno colombiano e caribenho. Artes grafitadas e mensagens de positividade e autoestima nos uniformes trazem muita leveza e um ar lúdico a um processo tão preciso e de excelência técnica realizado pela Expofaro, mostrando, além de sua preocupação ambiental, seu lado humano e social.

Na sequência da visita, fomos conhecer a área de lavanderia, com todo o maquinário robusto da Tonello, empresa de ponta italiana que proporciona processos de lavagem e secagem, dando cores distintas e alma ao verdadeiro blue jeans, reduzindo seu impacto ambiental

com uma quantidade muito pequena de água e químicos. As máquinas de laser e de desgaste fazendo arte nestas calcas índigo, dando personalidade a um dos maiores ícones pop, o jeans original, um Levi’s.

Já o showroom da Expofaro e de sua marca própria, a Neim, é um recinto muito inspirador, onde Pilar Rodriguez, diretora de inovação da Expofaro e diretora criativa da marca Neim, tem sua mesa de trabalho repleta de criatividade e muy buena onda, unindo arte e espiritualidade para e geração de novas peças e oportunidades em collabs, como a criada especialmente para a Santista Jeanswear em comemoração aos seus 95 anos, que ficou em exposição no estande da tecelagem brasileira na Colombiatex 2025.

“TECENDO SONHOS”: SUTEX E AS TEJEDORAS DE MAMPUJÁN

Da costa caribenha da Colômbia, em Mampuján, Bolivar, o projeto “Mulheres Tejendo Sueños” ou Tejedoras de Mampuján, apoiado pela empresa de tecidos Sutex, traz a bela forma de expressão artística de ‘tela sobre tela’, ou seja, tecido sobre tecido.

De forma encantadora e poderosa, Juana Alicia Ruiz Hernandez, uma das tejedoras de Mampuján, nos conta que sua comunidade sofreu atentados civis que os devastou e muitos assassinatos geraram extrema tristeza e revolta. Como forma de curar as feridas, Juana e um grupo de mulheres da comunidade resolveram tecer, tela sobre tela, criando numa formar de “patchwork” uma forte expressão contra a violência, reluzindo em obras de arte, inspiradas na expressão de sua comunidade e magnifica natureza de onde vivem. Arte que conta histórias de dor, mas também de esperança.

Afrodescendentes da costa sul da África do Sul, seus antepassados chegaram à Colômbia como escravos, e agora, nesta geração, estão empoderados. Mampuján hoje tem um museu de arte e memória local, que foi dado à sua comunidade como reparação pelo que aconteceu pós-guerra civil em seu povoado.

Literalmente, sua arte traz alma. Após a guerra, quando nada tinham e começaram a tecer, usaram as roupas

surradas dos mortos para criar as telas de arte, cortando e começando a tecer pequenos detalhes, como montanhas, casas e a vida cotidiana da comunidade. A fim de mudar esta realidade, a Sutex começou a apoiar as artesãs e doar tecidos de diversas cores, texturas, estampas, criando uma arte colorida que traz muita essência e a beleza da vida, encantando o mundo inteiro com exposições até em Nova York e, com muita alegria, estampando a capa desta edição da Revista Têxtil.

“A razão do porquê existirmos não é o que vendemos, mas porque vendemos; não o que fazemos, mas porque fazemos. E dentro dessa ideia, uma grande inovação que a Sutex está fazendo é a colaboração e apoio às Tejedoras de Mampuján, um trabalho de grande impacto não somente às 170 mulheres da fundação. Queremos levar essa iniciativa para todo pais, podendo impactar 30 mil mulheres no futuro”, diz Leon Amitai, CEO da Sutex. “Não temos mais sobras de tecidos, hoje esses retalhos são uma matéria-prima valiosa para a criação de obras de arte, um proposito superior que inspira sonhos, gera impacto positivo na sociedade em que vivemos e no meio ambiente. O mais importante é dignificar o trabalho que elas fazem, para poderem ver o real valor do trabalho feito à mão, da exclusividade e da narrativa das histórias que contam”, conclui.

JEANOLOGIA

A Jeanologia, empresa espanhola referência em tecnologias sustentáveis para lavagem e acabamento em jeans – e que está completando 30 anos -, apresentou suas novidades na Colombiatex 2025.

Carmem Silla, diretora de marketing e comunicação da Jeanologia, conta que uma delas é a tecnologia à laser que elimina o uso de permanganato e químicos tóxicos nos acabamentos em denim. A outra é a G2, uma lavadora que por meio do ozônio, que é um oxidante natural, faz o processo de lavagem e efeitos de desgaste com segurança e sem químicos, utilizando apenas um copo d’água em todo o processo. A terceira tecnologia se dedica aos desenhistas de moda e estilistas, o software denim print. Através desse software se cria coleções virtuais hiper-realistas e todos os inúmeros testes de

EVENTOS

amostras necessários antes da produção física, tudo isso numa economia considerável de tempo, materiais e geração de carbono.

PRÊMIO DE SUSTENTABILIDADE PARA EMPRESAS BRASILEIRAS

A Colombiatex tem investido, ano a ano, na promoção de empresas que inserem a sustentabilidade nas práticas do seu dia a dia. Neste ano, além da Rota da Sustentabilidade, o Inexmoda realizou uma premiação a empresas que se destacaram neste sentido, e entre as três vencedoras, duas eram brasileiras: Covolan e Beatriz Têxtil, que ganharam o troféu categoria Ouro em Sustentabilidade e Meio Ambiente.

“Essa conquista foi emocionante para nós, pois mostrou que o mundo está alinhado com nossa visão para o futuro do planeta. Isso prova que, juntos - e somente juntos - podemos ir muito mais longe. Essa premiação faz o mercado interpretar a importância de se investir em profissionais competentes e comprometidos com o meio ambiente e, principalmente, com as futuras gerações. A empresa alcança admiração ao receber este prêmio, dentre outras gigantes do setor da moda mundial”, disse Jair Covolan, diretor da Covolan Denim.

“Para ser honesto, nunca buscamos prêmios; sempre vimos a sustentabilidade como uma obrigação, um dever como empreendedores e uma responsabilidade para com as pessoas que servimos. O prêmio serve como lembrete que a meta de um futuro sustentável é palpável e o mundo toma nota. Esta vitória não é apenas para a Covolan, é para o Brasil. É uma história de paixão, perseverança e propósito que ressoa muito além da indústria têxtil”, refletiu Rafael Covolan. Desde sua fundação em 1966, a Covolan tem evoluído para uma indústria que busca o equilíbrio entre produção e preservação. A empresa mais certificada na América - incluindo Oeko-Tex® Standard 100, ISO 45001, ISO 14001, ISO 9001 e ESG ABNT2030 -, adota processos que priorizam a economia de recursos naturais, com a água tratada retornando limpa às fontes de consumo e utilização de energia proveniente de biomassa, garante transparência e rastreabilidade em toda a cadeia produ-

Jair Covolan, diretor da Covolan Denim

tiva, onde cada etapa do processo é monitorada, desde a seleção de fornecedores até a produção final. Opera no modelo B2B fornecendo tecidos que são transformados por parceiros do setor varejista em peças de vestuário no Brasil e exterior

MERCADO GRÁFICO

A criatividade e a inovação dos jovens criadores da Colegiatura brilharam na área de Mercado Gráfico da Colombiatex 2025. Durante três dias de feira, suas propostas gráficas e a maneira de conceber o desenho têxtil se transformou num grupo de referência criativa, ressignificando a comunicação visual, integrando sustentabilidade e narrativas pessoais numa linguagem que transcende o estético e se converte em mensagem.

Seis criadores marcaram a pauta desta edição, Volar, Florecer Carmesí, Profluvio, Bruma de Recuerdos, Vertible e Raíces. Cada um em seu tema trouxe uma representação única sobre conexão humana, transformação cultural, e o impacto da natureza no desenho.

Aliada às peças gráficas, a participação da Colegiatura abriu conversações-chaves para o futuro do desenho gráfico na moda, consolidando a criatividade como um pilar essencial para evolução da indústria têxtil.

VICUNHA DENIM NIGHT

Na noite de quarta-feira, 29 de janeiro, a Vicunha realizou a Denim Night, proporcionando um desfile, com lugares muito concorridos, de uma coleção cápsula feita em parceria com a designer colombiana Carolina Ronderos, trazendo luz à questão da moda responsável. Criadas a partir do conceito de upcycling, as peças partem da ideia de que é preciso desconstruir para reconstruir, sendo um convite para a quebra de preconceitos e para projetar o presente e o futuro.

O resultado visto foi de texturas muito bem formadas e estruturadas em linhas verticais, que trouxeram muito glamour para a coleção, e a lembrança do canelado de Issey Miyake, porém em denim, conferindo movimento e, com certeza, elevando o jeans a um patamar luxuoso. Chic, fashion e sustentável.

PROJETO BRAZIL MACHINERY SOLUTIONS

O projeto setorial de fomento à exportação Brazil Machinery Solutions (BMS), resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), apoiou a participação de fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil na Colombiatex.

A ação é parte da estratégia do programa BMS de reforçar a imagem do Brasil como fornecedor de inovação e tecnologia no segmento de máquinas e equipamentos para o setor têxtil e ampliar oportunidades de negócios na América Latina.

Além disso, o país sul-americano é um mercado estratégico para o setor exportador de máquinas e equipamentos têxteis. Representando 4,3% do volume no fluxo das exportações, a Colômbia figurou como 6º destino das exportações brasileiras desta vertical em 2024. Nesse período, as vendas para o mercado colombiano cresceram 37,3% em relação a 2023, somando US$ 2,4 milhões.

Para Paulo Guerra, gerente de Relações Institucionais e Promoção Comercial da Abimaq, o mercado colombiano apresenta dinamismo e uma relação comercial em crescimento com o Brasil, incluindo o setor têxtil, que desempenha papel relevante nas duas economias. “As vendas para o país cresceram quase 40% em relação a 2023, refletindo estratégias favoráveis que ampliam as oportunidades aos fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos. A feira é o principal acontecimento internacional para o setor na América do Sul.”

A participação destas empresas pelo programa BMS gerou US$ 2,8 milhões entre negócios realizados e esperados, representando um aumento de 70% em relação à última edição (US$ 1,67 milhão em negócios). Durante os três dias de evento, os estandes receberam visitas de compradores da Colômbia, El Salvador, Equador, Guatemala, Peru e Venezuela.

“O crescimento de 70% nos negócios durante a Colombiatex 2025 não apenas reflete a qualidade e a inovação dos

produtos brasileiros, mas também evidencia a confiança que os mercados internacionais depositam em nossa indústria. Esse desempenho é fruto de um trabalho conjunto entre as empresas, a Abimaq e a ApexBrasil, que têm atuado de forma estratégica para posicionar o Brasil como um fornecedor de tecnologia de ponta e soluções competitivas. Estamos não apenas atendendo às demandas atuais, mas também antecipando as necessidades futuras do setor têxtil global, reforçando nossa reputação como parceiros confiáveis e inovadores”, analisa Guerra.

CONHEÇA AS EMPRESAS

PARTICIPANTES DA COLOMBIATEX 2025 PELO BMS

Albrecht: pioneira no desenvolvimento de equipamentos para beneficiamento têxtil, a Albrecht promoveu o seu secador de leito fluidizado Hercules, um equipamento com controle individualizado de sobrealimentação por esteira que oferece flexibilidade e qualidade para o pré-encolhimento das malhas antes da compactação final, além de alta produtividade e eficiência energética.

Audaces: referência mundial em inovação tecnológica para a moda, oferecendo soluções em criação, desenvolvimento e produção de moda e outras indústrias, utilizadas por mais de 40 mil profissionais em mais de 70 países. O carro-chefe da marca é a plataforma Audaces 360, que integra pessoas nas etapas criativas e produtivas, otimizando recursos, integrando informações e melhorando a comunicação.

Castilho Máquinas Têxteis: fabricante com presença no mercado internacional, a Castilho promoveu seu carro-chefe, a atadora de urdume Áquila. Considerada a melhor atadora de urdume do mundo, a máquina está equipada com componentes de alta tecnologia, que garantem rapidez e perfeição na emenda de fios.

Comelato Roncato: sediada em Americana, São Paulo, a Comelato Roncato é uma fabricante de máquinas têxteis presente há 66 anos no mercado. A marca divulgou sua linha de urdideiras, além de gaiolas para urdideiras, carros para movimentação de urdume e tecido e enroladores tangenciais para tecido.

Inarmeg: A Inarmeg atua no setor de máquinas especiais, oferecendo principalmente soluções para a indústria têxtil, e promoveu sua célula completa de máquinas para corte, costura, dobra e embalagem de produtos têxteis voltados para linha de cama, mesa e banho. Todos os equipamentos estão adequados às normas nacionais e internacionais e contam com um sistema de automação pronto para operar dentro da indústria 4.0.

Sociotec: líder em automação industrial, a Sociotec apresentou em seu estande na Colombiatex a sua linha de máquinas automáticas para costurar e passar bolsos, de alimentação automática ou manual de fácil operação e adaptabilidade, que entregam bom desempenho e baixo custo de produção.

SPGPrints: A SPGPrints atua no setor de impressão têxtil industrial, oferecendo soluções inovadoras em tecnologia de impressão. O destaque da multinacional holandesa foi a máquina de impressão por sublimação Rose. Feita com tecnologia de ponta e precisão, a máquina é ideal para impressão em grandes volumes, proporcionando cores vibrantes e durabilidade superior.

EVENTOS

NOVOS EVENTOS A CAMINHO

Durante a Colombiatex 2025, o presidente do Inexmoda anunciou o lançamento de mais dois eventos ao seu portfólio: o Colombia Fashion Summit, em parceria com MODAES, que será realizado em 2 de outubro de 2025 em Medellin, reunindo líderes da moda da Colômbia e do mundo para um análise das grandes tendências de transformação; e a Nextech, feira de tecnologia têxtil marcada para 22 a 24 setembro de 2026, também em Medellin, no Plaza Mayor, que trará as descobertas e soluções de automação de maquinários, adotando a transformação digital com a I.A. Big Data, antecipando tendências para um novo hábito de consumo com novas tecnologias e o envolvimento da sustentabilidade.

CIRCOLO ITALIANO

Uma piccola vila se formou no Pavilhão Amarelo da Colombiatex 2025, com forte presença de fabricantes de maquinários têxteis italianos promovida pela Italian Trade Agency (ITA) e apoio da Italian Textile Machinery (ACIMIT). Rossella Difrancesco, diretora da ITA, nos compartilhou que a agência governamental faz assessoria para empresas italianas a fim de promo-

vê-las internacionalmente, com mais de 80 escritórios pelo mundo integrados ao consulado italiano, além de ser impulsionada pelo Ministério Italiano dos Assuntos Exteriores. Compartilha também a importância dessa delegação da Itália que abre muitas portas na América Latina, tendo a Colombiatex como base.

Também presente à feira, Rafaella Carabelli, presidente da ACIMIT, comentou sobre a alta tecnologia embarcada nos maquinários italianos no segmento têxtil, sua eficiência e seu baixo consumo energético, voltados à Indústria 4.0, e sobre o sistema DigitalReady, primeira certificação digital especialmente dedicada ao maquinário têxtil Made in Italy, com um uma linguagem única e padronizada de gerenciamento de dados para a integração desses maquinários aos sistemas de produção.

ITEMA: representada no Brasil pela Tabatex, a Itema destacou a R95002 Denim, segunda geração de maquinário para o denim com novos dispositivos inovadores e ferramentas aprimoradas, como uma inovação mecatrônica revolucionária para eliminar resíduos de ourela no lado esquerdo do tecido, além da redução do consumo de energia.

TONELLO: empresa tradicional de lavanderia, traz o DYEMATE, máquina de tingimento e lavagem de

EVENTOS

Indigo sustentável, processo operado com tanque de nitrogênio, com sistema de automação e com baixa temperatura no processo, dando toque vintage às peças.

COLORSERVICE: maquinário de automação de dosagem de corantes, com alto rendimento e performance, dando a capacidade de misturas de corantes e controle de alcalinidade.

FICIT: equipamentos termo técnicos e de tratamento de águas primárias e secundários, por vapor, por água quente e água fria, diminuído o desperdício e tratando águas contaminadas pós-produção para reuso ou retorno dela limpa, sem impacto ao meio ambiente.

MARTEX: fabricação de suportes industriais para carreteis de linha para automação de máquinas de tecelagem.

EFI Reggiani: destacou suas máquinas de impressão digital têxtil e a linha ecoTERRA Solutions, que usa pigmentos à base de água.

OUTROS DESTAQUES DA FEIRA

LYCRA®: ícone do elastano mundial com inúmeras parceiras, do gym ao denim, em todos os tipos de vestuário a Lycra® segue inovando. O Lycra® Adaptiv é um elastano com efeito modelador que se adapta em diversas silhuetas, com efeito de segunda pele e “stay in place”, sem transparência e sem deformação das fibras. Um lançamento é o elastano Lycra® EcoMade, feito com 70% bioderivado do milho, componente renovável, mantendo as mesmas qualidades do fio tradicional Lycra®, porém, usando uma fonte mais sustentável. Outro destaque é a collab com a Canatiba na linha EKO, que fez o primeiro denim com o fio Lycra® EcoMade; e marca Anselmi, que usou esse mesmo fio, porém com lã na sua coleção de esqui.

DOPTEX: com tecidos leves para camisaria, workwear, activewear e a linha de malhas. Artigo de puro algodão cotton prime presando com qualidade, um produto superinteressante, feito de algodão internamente para melhor toque na pele e externamente em poliéster.

CREORA: detacou o Regen. elastano feito de biomassa de milho e, a partir de 2026, será à base de cana de açúcar. Hoje a Creora traz a tecnologia de fios 100% reciclados, pois são produzidos por elastano a partir dos próprios resíduos pré-consumo da Creora. O artigo DMax, da Canatiba, é produzido com fio Creora 3DMax, agora feito sem poliéster bicomponente, que reduz a massa plástica e não se deforma.

SANTISTA JEANSWEAR: apresenrou o Bio Denim, um tecido com poliéster biodegradável que some em condições de exposição ao clima, se desintegra com rapidez sem agredir o meio ambiente, reduzindo de 300 para 10 anos sua decomposição. Em parceria com a Repreve® (Unifi) e a Lycra®, cada calça jeans feita com o Re Power Denim retira 5 garrafas PET do meio ambiente. Levou também um de seus mais recentes lançamebtos, o Legacy , que traz a beleza da marcação dos fios e em collab com a The LYCRA Company. Os tecidos no Wash, que não precisam de lavanderia, são tratados podendo se associar com o corte de modelos de alfaiataria. Na linha de workwear, o destaque

foram os tecidos com retardantes a chamas, como o TitanioLite, de algodão e poliamida.

SANTACONSTANCIA: linha de tecidos carbon neutral, que faz a neutralização de sua pegada de carbono; linha de artigos com o fio Adaptiv, da Lycra®; tecidos com microtexturas, como o Cordele; e um leque bem extenso de cores com tons vibrantes.

BRAND TÊXTIL: tecidos com grandes diversidades de estampas sempre muito vivas, floridas e coloridas, uso em tecidos sustentáveis, parceiro Tencel inovando por 20 anos na criação de estampas exclusivas

CANATIBA: este ano, a Canatiba se consolida na Colombiatex em três diferentes áreas: Special Fabrics, Denim e Utilitários (workwear). Sempre presando a inovação, e exemplo do tecido PT 100% Liocel. Toda linha Canatiba tem fundamentos ecológicos, seja no algodão usado, no tingimento sem anilina e nos processos executados. A linha Utilitários foi a grande sacada, tendo crescimento de 100% ano após ano. São tecidos com alta performance

EVENTOS

para trabalhos pesados, que requerem tecidos mais resistentes, com uma atenção ao design moderno e fashion, onde a roupa acaba sendo mais versátil e permeia a moda.

COVOLAN: como lançamento apresentou o Tec Fulia, denim rústico, com toque natural, encorpado, ideal para abraçar silhuetas jovens como cargos, proporções amplas e quimonos. Elaborado em 100% algodão, construção panamá, atende desde o streetwear à alfaiataria.

LENZING: a empresa europeia presente no mundo inteiro, fabricante da fibra celulósica Tencel®, expôs seu portfólio e uma linda parceria internacional com a Carhartt, ícone norte-americana de workwear.

CAPRICÓRNIO: segundo ano de participação na Colombiatex, apresentou os artigos lançados em outubro na DCSP e todo seu portfólio, com destaque aos tecidos de puro algodão, 98/2 e bases mais pesadas. O queridinho denim Algarve Dark Blue, o Algarve Light Black Glow, que já vem com brilho que parece glitter; o tingimento Baby Black, com tom cinza claro, foi apresentado pela primeira vez na Colômbia.

FABRIL MASCARENHAS: 3 linhas de tecidos são seus carros-chefes: a Evox, voltada ao workwear, bem resistentes, a;ta durabilidade e com matéria-prima 100% brasileira; a linha branca, com tecidos bem resistentes de sarja para aguentar lavagens mais pesadas; e tecidos de cores florescentes de alta visibilidade.

CATAGUASES: em parceria com a Dalila Ateliê Têxtil, a Cataguases destacou toda a sua coleção de verão em fibras naturais, como o algodão certificado, orgânico, linho. Os tecido Galles, Orford e Carbon Brush são os carros-chefes, proporcionando versatilidade, sustentabilidade e diversidade na cartela de cores.

FABRICATO: empresa colombiana de mais de cem anos, dá preferência a fibras naturais, como do algodão e cânhamo, e de materiais reciclados. A linha FabriEco é composta por um tecido que eles mesmos fazem a reciclagem, conferindo uma aparência bela e rustica como a de papel reciclado feito artesanalmente.

EVENTOS

UNO X UNO: seus jacquards para decoração, feitos em teares com fios coloridos, dão a impressão de estampa, num trabalho muito rico em diferentes padronagens e inspirado na natureza. Seus tecidos para exteriores feitos de polipropileno são resistentes ao sol e a luz sem desbotar e possuem acabamento antibacteriano.

EPSON: super lançamento, a impressora F9570H chega com o novo conceito da Epson de um equipamento simples, compacto e eficiente, economiza muito plástico na fabricação e de fácil transporte. Outro lançamento é a F11070 impressora industrial de sublimação, trazendo a novidade do jumbo roll, um alimentador que suporta uma quantidade maior de papel, dando mais autônoma para as indústrias fazerem sua impressão.

VICUNHA: uma extensa variedade e infinitas de possibilidades de criação com sua enorme gama de denim, a Vicunha vem trabalhando com inúmeros estilistas latino-americanos, direcionando seus trabalhos para um alto nível.

DELTA MÁQUINAS: há muitos anos expondo na Colombiatex apresentando soluções têxteis com tecnologia e inovação. Maquinário têxtil com destaque para as revisadoras, relaxadoras e lavadoras de amostras.

SURYA LAKSHIMI: parceira de marcas como a Lee e a Wrangler, tem a suas pecas de denim todas feitas

com algodão orgânico certificado, muitas cores em suas lavagens.

SKN TEXTILES: parceira da Focus Textil no Brasil, traz um linho impecável de toque, maciez e qualidade, inspirando a manufatura da famosa camisaria indiana.

AMAR INTERNACIONAL: potência indiana em tecidos, fios e resíduos de algodão orgânico, exporta diversos produtos por todo o mundo, com qualidade e comprometimento junto ao meio ambiente. RT

SUSTENTABILIDADE

DOD ALFAIATARIA LANÇA COLEÇÃO

SUSTENTÁVEL INSPIRADA NA

ANCESTRALIDADE DA BLACK MUSIC

COM TENCELÔ E CANATIBA TEXTIL

Intitulada “DOD Records”, a collab destaca práticas de produção responsáveis e sustentáveis, com influências do estilo de vida urbano e da potência do Soul, Jazz, Rhythm & Blues e Hip Hop

Aindividualidade e a versatilidade são elementos essenciais nas coleções da DOD Alfaiataria, marca paulistana de alfaiataria não tradicional que une moda, arte e cultura em seus processos criativos. Com esse conceito em mente, a marca anunciou a terceira collab com as fibras TENCELÔ e a Canatiba Textil, resultando no lançamento da DOD Records, uma coleção cápsula sustentável que homenageia a ancestralidade e a potência da cultura musical negra.

Após celebrar o samba de quintal e a cultura afro-brasileira na estação passada, o lançamento da DOD Records celebra a força e a singularidade da Black Music, gênero que envolve o Soul, Jazz, Rhythm & Blues e Hip Hop. A linha traz seis peças, incluindo calças, shorts, bermudas e jaquetas desenvolvidas com denim da Canatiba Textil, feito com fibras TENCELTM Liocel. A coleção garante conforto e qualidade de maneira sustentável para qualquer ocasião.

“Nascemos das necessidades individuais e cultivamos essa personalidade: tiramos medidas, escolhemos tecidos únicos e produzimos autenticidade. Abrimos espaço para diferentes corpos e estabelecemos novos parâmetros, criando a Alfaiataria Não Tradicional”, afirma Jubba Sam, fundador e diretor criativo da DOD Alfaiataria.

As fibras TENCELÔ Liocel, principal marca de fibra têxtil do Grupo Lenzing, são produzidas a partir de madeira

de fontes controladas ou certificadas, que cumprem os rigorosos padrões FSC® e PEFC - organizações sem fins lucrativos dedicadas à gestão responsável das florestas. Fabricadas com pelo menos 50% menos emissões de carbono e consumo de água, essas fibras destacam-se pela sustentabilidade.

“Colaborar com marcas parceiras como DOD Alfaiataria e Canatiba Textil nos permite inovar e inspirar o mercado da moda, sempre priorizando a sustentabilidade. Esta parceria marca a nossa terceira colaboração com estas marcas, reforçando a ideia de que a sustentabilidade é um compromisso contínuo. Pequenas ações, como a escolha consciente de materiais e processos de produção responsáveis, têm um impacto significativo. Nossas fibras celulósicas são biodegradáveis, compostáveis e provenientes de madeira de origens responsáveis e certificadas”, afirma Juliana Jabour, gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios na América do Sul do Grupo Lenzing.

Com uma abordagem moderna e sofisticada, a DOD tem se destacado como uma marca que atende às necessidades do público de forma única, buscando impactar positivamente a moda e a sustentabilidade. As fibras TENCELTÔ Liocel, conhecidas por sua maciez natural e conforto ao toque, são incorporadas aos tecidos da Canatiba Textil, que alia práticas industriais responsáveis à sustentabilidade. O resultado são peças com caimento impecável, alinhadas aos valores de preservação ambiental e compromisso com a responsabilidade social.

“Nesta edição, destacamos a qualidade e a inovação do Denim, junto com a linha de tecidos Bárbaro, além de incorporar o ícone da Lebre em uma construção jaquard. O TENCELÔ Liocel oferece o visual da alfaiataria, aliado ao conforto e à fluidez. O design exclusivo eleva o produto e celebra esta terceira colaboração entre as marcas”, destaca Ivna Barreto, gerente de Marketing da Canatiba Textil.

As peças da coleção DOD Records foram lançadas internacionalmente em Paris, na França, no dia 21 de janeiro, dentro da Maison Guava onde ficaram disponíveis até o dia 23 de janeiro. A linha também ficará disponível no e-commerce da DOD Alfaiataria e em multimarcas parceiras no Brasil, além de ser lançada oficialmente no Brasil no dia 19 de fevereiro na loja física da marca, em São Paulo.

MODA

BRASIL FASHION

DESIGNERS

VIVI HAYDU

HOMENAGEIA

Aoitava edição do Brasil Fashion Designers acontece em São Paulo, de 18 a 20 de fevereiro, como a grande atração da primeira Edição da FebraTêxtil. O concurso, que é destinado aos estudantes dos cursos de moda e têxtil da Grande São Paulo se inspiraram no tema “Vivi Haydu – O Legado de uma Mulher de Vanguarda” para criar as coleções.

A trajetória de vida da nossa eterna diretora de redação da Revista Têxtil e seu baú de memórias tão bem guardadas, o qual abrimos depois da sua partida, foi o fio condutor da criatividade dos participantes do concurso. Os 10 finalistas selecionados apresentarão suas coleções no primeiro dia da feira, quando serão conhecidos os 3 primeiros colocados e o vencedor do Prêmio Excelência – dedicado ao profissional mais dedicado do certame. Quem vencer o concurso com a melhor coleção escolhida por um júri técnico, irá desfilar na Expotextil Peru, que acontece em Lima, de 23 a 26 de outubro.

Cada um dos 10 finalistas contará várias histórias de Vivi. Seu nascimento na cidade do Cairo, no Egito, a travessia pelo mar até o Brasil, sua chegada em Santos, sua vinda para São Paulo, além da sua trajetória profissional e pessoal. Vale lembrar que a última passarela que Vivi pisou foi na edição do Brasil Fashion Designers – Pernambuco, em Caruaru, que aconteceu em março de 2024, mês anterior à sua partida, quando ela sem saber foi entrevistada para que a organização do concurso criasse a cronologia da sua vida para fornecer como material de pesquisa para o concurso.

“Quando entrevistei a Vivi em Caruaru com o intuito de ter mais informações da sua cronologia para auxiliar os participantes do concurso, jamais pensei - e muito menos o time do Febratex Group, pois todos sabiam que ela seria o tema da edição 2025 do BFD – que Vivi não estaria conosco recebendo esta homenagem em vida. Mas sabemos que ela estará fazendo uma festa

tremenda vendo os looks inspirados na sua história. Ela sempre foi incentivadora e promotora de projetos destinados aos jovens designers e nos ensinou a importância em oferecer a eles a oportunidade de desenvolver e apresentar suas criações em um ambiente profissional, conectando-os diretamente com a indústria têxtil e as tendências do mercado”, destaca Ricardo Gomes, gerente de Projetos Especiais do Febratex Group e idealizador do Brasil Fashion Designers.

FINALISTAS

A edição 2025 conta com dez finalistas que foram escolhidos com base em critérios como criatividade, originalidade, conceito e adequação ao tema. São eles:

• André Rodrigues – FAM - Faculdade das Américas

• Bianca Vieira – USP Leste

• Douglas Lopes – SENAI

• Guilherme da Silva – FMU Vila Mariana

• Gustavo Marques – USP Leste

• Jeniffer Rodrigues – USP Leste

• Kauê Gomes – FAM - Faculdade das Américas

• Lívia dos Passos – SENAI

• Mariana Vallim – FAM - Faculdade das Américas

• Sofia de Oliveira – UniDrummond

VIVI E A FENIT, HAYDU E A FENATEC

Amoda e a indústria têxtil brasileira tiveram duas grandes incubadoras para toda cadeia têxtil nacional de hoje. No ano de 1958, nascia essa grande mãe da indústria têxtil nacional, a Fenit - Feira nacional da Indústria Têxtil, que acontecia anualmente nos meados de junho no Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

A Fenit hospedou passarelas de Denner, Clodovil, e com muito glamour, a feira sempre foi a única e principal referência da moda brasileira até que eventos começarem a surgir nas décadas de 1970 e 1980. Rhodia, o Objetivo, na Fiesp, Mart Center, os concursos “Look of the Year”, Phytoervas Fashion, o Morumbi Fashion, SPFW, Hot Spot, Casa de Criadores, Dragão Fashion e tantos outros eventos que se espalharam pelo pais, e os icônicos concursos da década de 1990, como Novos Talentos e a Novíssima Geração, esses sediados na Fenit e por Vivi Haydu, que trouxeram tantos talentos de todo

Brasil para o epicentro da moda nacional. Num vórtice de glamour, bussines, oportunidades e visibilidade, os participantes se projetaram aos quatro cantos do país e até cruzando mares e fronteiras.

Mares e fronteiras foram atravessadas no outro sentido também. Pela Fenit, a moda internacional chegou ao Brasil por esse portal fashion e como se apresenta: cheia de tendências, atitude, inovação, expressão, espontaneidade e arte. Lembra dos tempos da Fenit? Tapetes vermelhos, desfiles feitos em quase todos os estandes, rotativamente e em turnos, aquela barulheira de máquinas enormes, e do Caio e da ViVi Haydu.

Caio de Alcantara Machado foi um ícone, promovento mais de 50 feiras de todos os setores, como a famosa UD, Cosmética, Salão do Automóvel.... E um dia, na década de 1990, convidou Vivi Haydu para ser diretora da Fenit. E em mais de uma década Vivi Haydu transfor-

mou os 5 mil metros quadrados de feira do início em 55 mil metros de relações e conexões para o mundo têxtil e da moda.

VIVI HAYDU ESTENDEU O TAPETE VERMELHO PARA A MODA

Vivianne Westwood, Jean-Paul Gaultier, Sonia Rykiel, Katherine Hamnett, Jean Charles de Castelbajac, Chantal Tomas, o Studio Edelkoort, Workers for Freedom e uma lista fashion VIP debutaram no Brasil com o acolhimento da Fenit e de Vivi Haydu.

Com seu feeling vanguardista afiadíssimo, Vivi trouxe para o mesmo teto do Anhembi ícones da moda, o Mercado Mundo Mix, o Brás, o Bom Retiro, Goiás e, sem medo, deixava e dava oportunidade para todos serem admirados.

Os concursos para novos estilistas eram sua paixão; estudantes de moda de todo Brasil mandavam seus croquis para os selecionados serem apoiados e virem trazer suas coleções de 5 looks para desfilar na Fenit. Raquel Zimmermann, Caroline Trentini entre muitas tops desfilaram para esses novos estilistas, e até mesmo a boneca Susi desfilou na Fenit com o concurso da boneca da Estrela. E fizeram uma Vivi boneca Susi naquela época.

Hoje, em fevereiro de 2025, Vivi foi homenageada como tema e inspiração para o Brasil Fashion Designers, apresentado na FebraTêxtil 2025, em São Paulo, concurso comandado por Ricardo Gomes, amigo e ex-editor da Revista Têxtil, que já foi produtor dos concursos da Fenit com Vivi. Com certeza, ela está feliz e sorrindo emocionada.

Numa época em que não havia muitas mulheres em cargos de liderança, Vivi sempre foi uma mulher de vanguarda, inovadora, espontânea e uma enlaçadora dos

MEMÓRIA

mundos do têxtil e da moda. Sempre participou do tecer da moda brasileira, deu oportunidade às oportunidades. Com sexto sentido afiado, criava, recriava, trabalhava com alegria. Era chic e simples no seu jeito de vestir, Jaques Janine semanal e sempre a mesma de calca Big, se lambuzava comendo caranguejo na praia em Fortaleza vestida de Issey Miyake canelado gala. Moda e vanguarda, e o Yoga em dia.

No meio dos anos 2000, assumiu a direção da Revista Têxtil e trouxe a moda para a integração da cadeia têxtil em suas páginas. Entre 2014 e 2016, reuniu diversos profissionais para a revista impressa TÊXTIL MODA, antes da digitalização massiva dos meios de comunicação.

Voltando à década de 1990, Vivi adotou a Fenatec - Feira Internacional de Tecelagem, a tecelagem se unia à moda e tecnologia. Máquinas enormes e pesadas, às vezes dava medo do barulho, mas era o corpo, o têxtil sendo moldado, gerado, beneficiado, o têxtil tomava forma ali dentro com maquinários e tecnologias das mais distintas áreas da cadeia. E Ricardo Haydu, com a Revista Têxtil, ali residia todos os anos. Grande amigo do tio Caio, Ricardo Haydu foi sempre um anfitrião da indústria têxtil brasileira, levando o legado do Professor Jose Haydu, seu pai.

“Ricardo esteve presente em toda Fenit e Fenatec desde que me conheço por gente”, diz Caio de Alcantara Machado Junior, o Caito, que complementa: “Ricardo sempre deu a maior forca na divulgação de ambas as feiras.”

E como não se lembrar da Fenatec e das festas que a Revista Têxtil fazia por lá, com muita pizza Monte Verde, samba, passistas e rainhas de bateria.

No dia 31 de janeiro deste ano, Ricardo e Vivi fariam 54 anos de união, e união talvez seja um sinônimo de amor! Hoje, a Revista Têxtil abraça todo setor têxtil, a moda e suas nuances de tecnologia, inovação, sustentabilidade, oportunidade, arte, com união e amor. Vivi fez sua passagem no dia 21 de abril de 2024, no Dia da Indústria Têxtil, e seu brilho, sorrisos e inspiração seguem vivos no coração do setor. RT

DENIM

BRASIL: O NOVO

PROTAGONISTA DA INDÚSTRIA GLOBAL DO DENIM

Com uma cadeia produtiva robusta, inovação crescente e práticas sustentáveis, o Brasil vem ganhando destaque no cenário global do denim. Tradicionalmente dominado por polos como China, Bangladesh, Paquistão e México, o mercado mundial começa a enxergar no país sul-americano um novo e promissor centro de produção.

Um dos principais fatores que impulsionam essa transformação é a força do mercado interno e a posição estratégica do Brasil em blocos econômicos como o Mercosul e os BRICS. Além disso, o país lidera a produção de algodão certificado pelo programa Better Cotton Initiative (BCI), que promove práticas sustentáveis.

A Vicunha, maior produtora de denim da América Latina e uma das três maiores do mundo, tem desempenhado um papel fundamental nesse movimento. Fundada em 1967, a empresa se tornou sinônimo de inovação e responsabilidade ambiental. Entre suas iniciativas mais impactantes está o sistema que permite a produção de tecidos com 100% de água reciclada, além da linha Regen, que utiliza algodão cultivado com práticas regenerativas para preservar a saúde do solo e reduzir o consumo de água.

“O nosso compromisso vai além da produção de tecidos premium; buscamos inspirar a moda jeanswear com criatividade e responsabilidade ambiental”, destaca German Alejandro Silva, diretor de marketing da Vicunha.

Esse cenário de inovação e sustentabilidade também tem atraído a atenção de players internacionais. A italiana Officina39, referência em tecnologias para o denim, apostou

no Brasil ao perceber o potencial do mercado para produtos alinhados às tendências globais. Em parceria com a Vicunha, a empresa lançou uma coleção cápsula em 2024 e trouxe ao país o revolucionário processo Aqualess, que elimina o uso de água no tratamento do denim e substitui a pedra-pomes por uma alternativa sustentável.

Em uma matéria publicada pela Rivet, Andrea Onate destaca que, além do Aqualess, outras tecnologias inovadoras da Officina39, como o Zero PP (que cria efeitos vintage sem permanganato de potássio) e o Deterpal Bluecast (que evita o amarelamento pós-desbotamento), estão chegando ao mercado brasileiro.

Apesar das inovações, desafios ainda precisam ser superados. Tarifas de importação elevadas e obstáculos logísticos dificultam a competitividade internacional, e algumas questões ambientais demandam atenção. No entanto, o cenário está mudando. Empresas como a Vicunha estão implementando práticas regenerativas no plantio do algodão, e a presença de grandes marcas internacionais, como a H&M, indica que a indústria brasileira precisa apenas de algumas adaptações para atender às novas demandas do mercado global. O diretor da Denim Première Vision, evento do qual a Vicunha participa ativamente, Fabio Adami Dalla Val, afirmou: “O Brasil está prestes a se tornar um grande player na indústria global do denim.”

Com criatividade, inovação e uma capacidade já comprovada de reinvenção, o denim brasileiro está se preparando para conquistar o mundo. Essa história está apenas começando

O MERCADO DENIM PERDE UNS DOS

MAIS BRILHANTES PROFISSIONAIS: NELSON LEVADA

Amor à moda, à profissão de alfaiate, pela qual iniciou no mercado, e um autêntico sangue azul. Essa foi a carreira de Nelson Levada, mais conhecido no meio por Nelsinho. Alegre, divertido, exigente, sempre atento aos mínimos detalhes, esse grande profissional do segmento jeanswear, partiu no dia 6 de janeiro e deixará um vazio enorme no mundo denim.

Nelsinho dedicou a maior parte de seu tempo ao jeans. Cuidou de todas as fases de sua elaboração - desde a concepção das peças à produção e venda dos produtos. Nascido em 1955, aprendeu a costurar com a mãe, aos 9 anos, foi engraxate em 1969, com 14 anos, depois foi assistente num ateliê de alfaiate e, em seguida, montou seu próprio estúdio, onde costurava muito bem à mão. Na sequência, juntou-se em sociedade com Luis

Vanessa de Castro (Guia Jeanswear)

Antônio Fiori, na marca Di Fiori, cuidando da criação, desenvolvimento e produção do jeans, na fábrica em Capivari (SP), onde ficou por 15 anos.

Foi proprietário, entre 2002 e 2009, da Nikos, uma private label que fornecia peças para grandes marcas como Billabong, Carmin, Cavalera, Grupo Valdac, Le Lis Blanc, Osklen, Reserva, Sergio K, Spezzato, Zoomp, entre outras. Também se associou à Mario Protti, da Doc Dog, e foi responsável por todo o jeanswear da marca.

Em 2010, Nelsinho fundou sua marca, a Santo Jeans, juntamente com sua esposa, Claudia, unindo o amor pelo denim ao fashion business em peças que valorizavam a modelagem, lavagem, e detalhes como estampas e texturas. Na Carmim, foi responsável pelo desenvolvimento do jeans masculino, entre 2012 e 2015. Depois, foi para o Brás e contribuiu com a fundação da Denim City SP, espaço totalmente voltado ao jeans que reúne

CULTURA

fornecedores, lavanderia e cursos. Ele era conhecido no local como “Master Tailor do Denim”.

Nelsinho também participou do projeto “Qual o tom da sua jaqueta”, encabeçado pela Capricórnio Têxtil, onde estilistas convidados desenvolveram jaquetas que foram à leilão para uma causa beneficente. Sua criação foi inspirada no filho Nicolas, portador de deficiência física.

“Quando convidaram para o projeto, ele me perguntou: o que eu faço? E eu amaria usar jaquetas, mas como tenho uma deficiência, os botões são difíceis de prender e as mangas são duras por não ter elastano, aí eu perco mobilidade. E é difícil encontrar uma roupa que se adapte ao meu corpo, eu me sinto como um ‘Alien’, ET mesmo, como se eu chegasse nas lojas e nada fosse para mim. Então, ele gostou dessa ideia e chamou um amigo grafiteiro que fez metade da jaqueta com um Alien pensando nisso, e adaptações como botões de pressão, ao invés de ser caseado e, na manga, punho invisível para ficar mais fácil de vestir e não precisar ficar abotoando. Esse projeto nasceu de um briefing da nossa conversa e, desse limão, fez uma limonada, meio que de uma maneira irreverente e brincalhona. No fim, passou um recado importante por meio dessa peça. Ele usou boa parte de seus talentos para tornar a minha vida mais fácil”, conta Nicolas Levada, publicitário e filho de Nelsinho.

“Nelson Levada, ou Nelsinho, como carinhosamente era chamado, já era um amigo e conhecido de alguns dos membros da Denim City SP quando estavam iniciando o projeto. Na concepção inicial da DCSP, existia a criação de uma marca própria de jeanswear, a “Blue&Cool”, que nasceu com o propósito de mostrar ao mercado de denim e jeans nacional, que é possível fazer produtos com qualidade, beleza, sustentabilidade e valor percebido.

Com sua formação de alfaiate e vasta experiência em várias indústrias de jeans, Nelsinho, junto com Renato Kherlakian, embaixador da Denim City SP, foi incumbido de desenvolver e produzir a marca. Os produtos que surgiam eram incríveis - sua exigência e busca pela perfeição não permitiam que nenhuma

CULTURA

peça ficasse aquém do excelente. Além do seu papel fundamental na marca, Nelsinho foi um importante suporte para os nossos cursos, que tratam de tecido, construção, lavagens e acabamentos. Seguindo com seus trabalhos todos voltados ao universo denim, passou a desenvolver peças-piloto e mostruários para importantes tecelagens aqui na DCSP, como por exemplo Canatiba, Paraguaçú e outras. Um talento sem igual e uma dedicação ao que sempre foi sua paixão, o jeanswear, fizeram de Nelson Levada um amigo querido e uma referência para todos os que admiram um bom produto e um jeans primoroso! Nos ajudou - a Denim City e o setor - a caminharmos al-

guns passos rumo a um azul mais brilhante!”, explica Fernando Lutz, CEO da Denim City SP.

“Trabalhei com Nelsinho na Denim City SP, formamos um grupo espetacular no desenvolvimento de produto, na criação, na produção, na lavanderia e no acabamento do denim. Tive a oportunidade de conhecê-lo e o admirei muito nesse período que trabalhamos juntos pela sua capacidade técnica, científica também, no que diz respeito aos mistérios do denim e principalmente a parte profissional - muito empenhado e com conhecimento brilhante. Creio que a ausência dele será muito sentida no universo denim, porque como Nelsinho, existiam ou existem poucos no mercado”, Renato Kherlakian, criador da Zoomp.

“Por mais de um ano, éramos só nós dois na lavanderia da Denim City SP. Em meio à uma pandemia ficamos trabalhando, nos divertindo, nos arriscando, nos conhecendo, nos desentendendo, nos admirando, trocando experiências valiosas e aprendendo com as nossas diferenças. Nelsinho era um dos caras mais criativos e de olhar apurado que eu tive o prazer de conviver. Uma vez, ele me disse que eu era sua versão profissional feminina, só que mais ajustada e equilibrada. Isso soou como um elogio para mim. Quem te conheceu não te esquece”, relembra Juliana Medina, fashion designer e professora na Denim City SP.

“Meu melhor amigo do mercado, meu tutor na realidade. Se sou reconhecido nesse segmento, se fiz algo de bom, eu devo a ele. Ele que me ajudou no começo, foi meu padrinho de casamento, conheceu toda a minha família e eu, a família dele. Fizemos viagens juntos, de trabalho e de lazer. Tenho Nelsinho guardado no meu coração, para sempre”, diz Marcelo Bellasalma, com 25 anos de mercado, passagens pela Canatiba e, atualmente, representante da Capricórnio Têxtil.

“Falar do Nelsinho Levada é uma coisa muito fácil, na verdade, ainda mais quando falamos em amor pelo denim. Eu conheci poucas pessoas que tocam no tecido como ele tocava. Sempre achei que entendia bastante de fabricação de jeans porque trabalhei com isso a vida inteira, fui criado dentro de uma fábrica, até conhecer Nelsinho. Quando eu o conheci, eu tinha 25 anos e ele já tinha 40 e, quando eu o vi tocando no jeans, reconheci uma coisa que eu via no meu irmão que me ensinou a

CULTURA

trabalhar com o denim e em algumas pessoas que eu conheci no mercado.

Nessa época ele estava saindo da Di Fiori e eu entrando para ocupar o lugar dele. No início, me olhou meio torto, mas me elogiou falando que apesar de ser muito novo eu entendia do assunto, viramos amigos. Ele sabia muito sobre o mercado do jeans, sabia fazer um produto maravilhoso e tinha muito amor por isso. Acho que vai ser muito difícil o mercado de jeans produzir outros ‘Nelsinhos’. Tomara que produza, mas produzir uma pessoa que tinha consciência de mercado, de fabricação e de renovação do jeans, eu não vi. Meu último contato com o Nelsinho foi em dezembro de

2024, no Fashion Brás.  A notícia da partida dele me assustou muito. E a primeira coisa que me veio na cabeça: ‘’quem é que vai tocar o jeans com aquele amor todo, que eu sempre gostei de ver?’ Eu nunca conheci alguém que amasse tanto esse ramo. Eu falava: “nem sempre os melhores são os que vão ganhar mais dinheiro, mas os melhores serão lembrados por todos nós”. E o Nelsinho sempre será lembrado”, diz Roberto Ferreira, da Slam Comunicação.

Nelson Levada foi uma das grandes referências do setor denim, deixando um legado de excelência, paixão e inovação. Sua história continuará a ser um guia para todos os que seguem a paixão pelo denim. RT

NOTAS

RIACHUELO É HOMENAGEADA COM MEDALHA DO MÉRITO ABIT 2024 POR IMPACTO SOCIAL ATRAVÉS DO INSTITUTO RIACHUELO

OInstituto Riachuelo foi um dos destaques na última solenidade da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que entregou a Medalha do Mérito Abit 2024 a seis instituições reconhecidas por suas contribuições à capacitação, geração de renda e inclusão social. A premiação ocorreu no dia 12 de dezembro, em São Paulo, durante reunião com empresários do setor têxtil e representantes de associações.

O Instituto Riachuelo foi homenageado pelos resultados alcançados com programas como o Pró-Sertão, o Agro-Sertão e o trabalho de capacitação junto às bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, iniciativas que impactam milhares de famílias no semiárido nordestino. O Pró-Sertão, principal projeto, já resultou na geração de milhares de empregos por meio de mais de 100 oficinas de costura no Rio Grande do Norte, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da região.

“Este reconhecimento é resultado do esforço coletivo para transformar realidades e fortalecer comunidades através do trabalho digno e sustentável do Instituto”, declarou Renata Fonseca, gerente do Instituto Riachuelo, que recebeu a medalha em nome da instituição e destacou a importância de investir em economia circular, artesanato local e inclusão produtiva.

Além do Instituto Riachuelo, outras cinco instituições receberam a Medalha do Mérito Abit 2024, entre elas: Amigos do Bem, Gerando Falcões, Costurando Sonhos, ABCP - Associação Beneficente & Comunitária do Povo e a Fundação Projeto Pescar. Todas foram selecionadas por suas iniciativas de impacto na capaci-

tação, inclusão e geração de renda, especialmente no setor têxtil.

Desde 2010, a Medalha do Mérito Abit reconhece empresas, instituições e personalidades que promovem o desenvolvimento do setor têxtil e de confecção, destacando projetos que aliem responsabilidade social, sustentabilidade e inovação.

O PAPEL DO BOM RETIRO NO NOVO CONSUMO DE MODA

OBom Retiro é um dos bairros mais icônicos de São Paulo, com uma história rica que reflete a diversidade e a força da cidade. Colonizado por imigrantes italianos no início do século XX, o bairro logo se tornou um polo comercial. Com o tempo vieram os judeus, gregos, árabes e coreanos, cada um trazendo sua cultura e impulsionando o crescimento do comércio de moda.

Desde sua formação, o bairro passou por diversas transformações, e hoje, o Bom Retiro é um dos principais polos de confecção e atacado de moda do Brasil, e sua herança multicultural combinada ao empreendedorismo dinâmico de seus comerciantes se tornou referência na produção e comercialização de vestuário, sempre acompanhando as mudanças na indústria têxtil e no comportamento do consumidor.

De acordo com dados da Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (CDL), o bairro abriga cerca de 2.500 lojistas, sendo que 2.000 são fabricantes. A região gera aproximadamente 60 mil empregos diretos e produz cerca de

Têxtil #790

20 mil peças mensais por empresa. Impressionantemente, 55% da moda feminina do Brasil tem origem no bairro. Com um fluxo diário de 100 mil pessoas, número que cresce para 120 mil em períodos como o Natal, o bairro movimenta cerca de 2,5 bilhões de reais por ano.

Cristiane Kassis, gerente de comunicação do Shopping Lombroso, conta que chegou ao bairro em 1981, aos 18 anos de idade, e relembra sua trajetória até 1993 na fábrica de jeans Fiorucci, marca-desejo italiana trazida para o Brasil em 1979 pela empresária Glória Kalil, ao lado dos sócios José Kalil e Marcos Santin.

A operação fechou e, em 2006, com o aumento dos consumidores de classe média no bairro devido à mudança na arquitetura e vitrines sofisticadas, deu espaço a um novo empreendimento, o Lombroso Fashion Mall, shopping atacadista que hoje atende pelo nome de Shopping Lombroso e abriga mais de 60 marcas premium.

“A área foi reurbanizada e adaptada para atender um público mais exigente, com segurança, estacionamen-

Daniela Marx

to, restaurante e infraestrutura voltada ao atacado de moda exclusiva. O Shopping Lombroso se consolidou como um destino obrigatório para quem busca moda de qualidade e curadoria impecável. Nosso mix de marcas combina desde grandes labels até designers emergentes, trazendo sempre as principais tendências do mercado.”

O BOM RETIRO E AS NOVAS DEMANDAS DO MERCADO

Nos últimos anos, o setor da moda passou por profundas transformações impulsionadas pelo aumento das compras online, pela busca por sustentabilidade e pelo crescimento das marcas de nicho. O Bom Retiro, apesar de ser um polo tradicionalmente voltado ao atacado físico, tem se reinventado para atender às novas demandas do mercado.

Com a digitalização, muitos lojistas passaram a investir em e-commerce e plataformas de vendas no WhatsA-

Separação dos resíduos têxteis do Projeto BR Recicla. Campanha da marca Uhnika, do Bom Retiro.

Dani Marx, mentora de Negócios de Moda

pp, facilitando o acesso de clientes de todo o Brasil aos produtos da região.

“No competitivo mercado digital, muitos lojistas que antes não vendiam nada online estão transformando seus negócios e atingindo um faturamento de R$ 100 mil por mês em apenas 90 dias. Esse crescimento acelerado é resultado de uma estratégia robusta baseada em tráfego pago, análise de dados e uma assessoria especializada para a equipe de vendas”, diz Victor Che Un In, CEO da Agência UP, responsável por ajudar muitas marcas do bairro que vendiam apenas no físico a expandirem suas vendas no online.

Diferentemente das estratégias voltadas para o varejo online tradicional, a combinação entre uma gestão eficiente e um time bem estruturado permite que lojistas recebam até 50 novos clientes diariamente. O grande diferencial está na alocação inteligente do orçamento de anúncios: com um investimento inicial de apenas R$ 5 mil, esses lojistas alcançam um re-

Marina Ferraz, diretora-criativa e fundadora da Uhnika.

torno sobre investimento (ROI) impressionante de 20 vezes o valor investido.

No entanto, apesar do potencial comprovado, muitos lojistas de atacado ainda não aderiram a essa nova onda de digitalização, o que representa uma oportunidade valiosa para aqueles que desejam se posicionar à frente da concorrência. Quanto antes uma marca investir na sua presença digital, maior será seu posicionamento no mercado e sua capacidade de captar clientes qualificados de forma escalável. A transformação do setor atacadista já está em curso, e os negócios que adotam estratégias digitais agora têm a vantagem de consolidar sua marca e conquistar uma fatia expressiva desse mercado antes que ele se torne ainda mais competitivo.

Além disso, a busca pelo consumo consciente e sustentabilidade levou algumas marcas do bairro a adotarem práticas mais sustentáveis, seja na escolha de materiais ou na produção de menor impacto ambiental.

MERCADO

PROJETOS E INICIATIVAS PARA MODERNIZAR O BOM RETIRO

A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), que tem sede no Bom Retiro e representa mais de 2.700 associados em todo o Brasil, tem trabalhado para modernizar e revitalizar a região. Entre os projetos desenvolvidos para fortalecer o bairro e promover a inovação no setor, destacam-se:

• O “Universo da Moda Bom Retiro” (UM BR), iniciativa que busca consolidar a identidade do Bom Retiro como um polo de moda diferenciado de outros polos do Brasil. Esse projeto busca impulsionar vendas, aumentar a divulgação e fortalecer a presença do bairro no mercado nacional e internacional, gerando mais visibilidade aos fabricantes e lojistas locais. Entre as ações, está o evento “UM BR Fashion Day”, dedicado ao lançamento de coleções dos associados promovendo ampla divulgação e estrutura para receber compradores de diversas partes do país, tornando o evento uma vitrine para o mercado atacadista de qualidade.

• O Programa “Bom Retiro Recicla”, criado a partir da crescente preocupação ambiental, conta com um sistema gratuito de coleta de resíduos têxteis das confecções do bairro que, posteriormente, se transformam em material para a indústria automobilística. Desde o seu início, no final de 2020, mais de 500 toneladas de resíduos têxteis já foram coletadas e recicladas. Atualmente, são coletadas mensalmente de 10 a 15 toneladas. Cinthia Kim, Presidente ABIV, conta que ainda é um desafio para muitas confecções aderirem ao programa porque a coleta precisa seguir regras de separação têxteis de outros resíduos, o que aumenta processos, tempo e custos para as confecções.

A União Europeia tem implementado uma série de medidas para promover a reciclagem de resíduos têxteis e avançar em direção a uma economia circular no setor de moda. Uma legislação-chave nesse contexto é a Diretiva-Quadro dos Resíduos (2008/98/ CE), que estabelece os princípios fundamentais para

a gestão de resíduos na UE. Em 2018, essa diretiva foi revisada para incluir metas mais ambiciosas de reciclagem e a obrigatoriedade de recolha seletiva de resíduos têxteis até 1º janeiro de 2025.

O CASE DA UHNIKA: SUSTENTABILIDADE NA MODA DO BOM RETIRO

Entre as marcas que estão redefinindo o futuro da moda dentro do Bom Retiro, a Uhnika se destaca como exemplo sólido de inovação e sustentabilidade. Parte ativa do “Programa Bom Retiro Recicla”, a marca reafirma seu compromisso com a produção responsável, adotando um modelo de negócio baseado na economia circular, na redução de resíduos e em processos de baixo impacto ambiental.

Marina Ferraz, diretora-criativa e fundadora da Uhnika, conta que desde a escolha de matérias-primas certificadas, como algodão reciclado e viscose reflorestada (selo FSC), até a implementação de um rigoroso sistema de zero resíduo têxtil, que transforma sobras de produção em materiais para estofamento e construção civil, a marca prova que moda e sustentabilidade podem andar juntas. Além disso, adotam um modelo de comércio justo, investindo na produção local e no pagamento digno para sua mão de obra, fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

As peças são atemporais, com estética minimalista e conforto, feitas para durar e respeitar a identidade de cada mulher, vestindo do PP ao G4 e valorizando todas as silhuetas femininas.

Em um momento em que o setor da moda enfrenta desafios como o aumento das compras online, a exigência por transparência e o crescimento da moda sustentável, a Uhnika demonstra que é possível aliar a tradição do polo confeccionista do Bom Retiro com práticas inovadoras e responsáveis. Seu trabalho não apenas atende à demanda crescente por moda consciente, mas também reforça a posição do bairro como um centro inovador e alinhado às novas exigências do consumidor moderno. RT

QUALIDADE

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE NO SETOR TÊXTIL

No competitivo mercado têxtil, tornou-se verdade absoluta que a qualidade deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica para a sobrevivência e crescimento das empresas. Grandes empresas e magazines do setor têxtil e da moda mundiais e brasileiras estão destinando parte de seus investimentos para a área de qualidade, contratando profissionais mais qualificados e consultorias para reestruturar seus programas de qualidade assegurada. Mais do que garantir produtos bem confeccionados, a qualidade abrange aspectos que vão desde a escolha das matérias-primas até a experiência final do consumidor, considerando também a sustentabilidade em cada etapa.

Qualidade no setor têxtil refere-se à capacidade de atender, e muitas vezes superar, as expectativas dos clientes em relação aos produtos. Isso inclui atributos como durabilidade, conforto, design, adequação às normas técnicas, resistência a lavagens, uniformidade de cor e impacto ambiental reduzido. Adotar padrões rigorosos de qualidade não só melhora a reputação da marca como também reduz custos operacionais por meio da diminuição de perdas e retrabalhos. A qualidade deve ser acompanhada de práticas de organização como a famosa 5S (metodologia de organização japonesa baseada em cinco conceitos: Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Shitsuke) e de práticas sustentáveis. Minimizar o desperdício de recursos como água, energia e matéria-prima, além de evitar a geração excessiva de resíduos, são pilares fundamentais. Implementar processos otimizados, como reutilização de materiais e controle eficiente de produção, contribui diretamente para a preservação ambiental e redução de custos.

Implantar a qualidade assegurada em uma empresa significa considerar todos os elementos que influenciam o ciclo de vida do produto, conectando qualidade e sustentabilidade. Isso inclui controle de qualidade em vários pontos críticos do processo como por exem-

plo na entrada de matérias-primas, dos processos de tecelagem, confecção e acabamento, e inspeção final do produto antes do envio ao cliente. Práticas como a reutilização de resíduos têxteis e a escolha de matérias-primas recicláveis têm impacto significativo na sustentabilidade do negócio.

Tecnologias como o Controle Estatístico de Processos (CEP) e sistemas integrados de gestão (ERP) são essenciais para alcançar eficiência. A rastreabilidade também é um pilar fundamental. Com a crescente demanda por transparência e a tendência para o fast fashion, sistemas que monitoram a origem e o processamento de cada lote de produção são indispensáveis. Tecnologias que permitem que fornecedores acessem informações detalhadas sobre a produção, aumentando a confiança e fortalecendo a relação com a marca.

A TexApex, empresa de consultoria e treinamento de qualidade pela qual sou fundadora e CEO, adota técnicas e ferramentas de qualidade em suas consultorias como análise de Objectives and Key Results (OKRs) e metas SMART para avaliar se os processos estão consistentemente dentro dos limites especificados. Essas práticas reduzem variações que possam comprometer a qualidade final. Oferecemos também serviço de consultoria premium para empresas do setor têxtil, vestuário e moda, incluindo confecções, tinturarias, tecelagens, marcas próprias e grandes varejistas. Onde utilizamos o Método Milena Abreu, composto por 15 entregáveis bem definidos, que incluem desde a criação de manuais de padrões, acabamentos e defeitos, além de treinamentos práticos em oficinas de costura. Completa nossas consultorias uma equipe de engenheiros têxteis altamente qualificados. Também pensando na evolução da cadeia têxtil, realizamos treinamentos presenciais bimestrais em Blumenau/SC, além de serviços in company, palestras e mentorias que abordam qualidade, sustentabilidade, conceitos têxteis, logística e gestão de pessoas e negócios.

Uma parceria de sucesso que temos, em 2023, a Parigi Confecções, de Blumenau (SC), enfrentava grandes desafios. As auditorias eram uma preocupação constante, com resultados abaixo das expectativas, equipe sobrecarregada por processos ineficientes e pedidos que não aumentavam — às vezes até diminuíam.

Com o objetivo de implantar a Qualidade Assegurada e obter o certificado de magazines, a empresa contratou a TexApex. Após 10 meses de consultoria, com visitas semanais e um trabalho intenso junto à equipe interna da Parigi, aplicando o Método Milena Abreu — desenvolvido ao longo de mais de 20 anos de experiência no setor têxtil —, a empresa alcançou 100% de conformidade na auditoria da Qualidade Assegurada. Como resultado, obteve 100% de isenção no ano todo de 2024, tornando-se fornecedor ouro no segundo semestre e com um aumento expressivo de 10 vezes na produção. Atualmente, a Parigi continua em parceria com a TexApex para novos desafios e reciclagens.

RT

Milena Abreu é sócia-fundadora e CEO da TexApex Qualidade e Treinamento Têxtil, uma empresa especializada em oferecer soluções para a indústria têxtil. Ela é engenheira têxtil pela FEI São Paulo e pós-graduada em Marketing Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É autora do primeiro Manual da Qualidade Têxtil no Brasil e, com mais de 20 anos de experiência no setor, ela trabalhou em grandes empresas multinacionais, como BASF, Decathlon e Track & Field. Em 2016, decidiu fundar a TexApex, que tem como principal objetivo ajudar empresas da indústria têxtil a otimizar seus processos e reduzir desperdícios, implantando a cultura da qualidade assegurada.

Encontre Milena Abreu nas redes sociais: Instagram: @_abreumilena; Linkedin: Milena Abreu; WhatsApp: (47) 98808-2002; Website TexApex: https://www.texapex.com.br/

EPSON AMPLIA PARCERIA COM SHAKIRA PARA DESTACAR INOVAÇÃO

NO AMBIENTE CORPORATIVO

A colaboração com a artista internacional evolui para o setor B2B, promovendo ambientes empresariais que valorizam a eficiência, produtividade e sustentabilidade, aliados à criatividade

AEpson, líder global em tecnologia para impressão, anuncia a ampliação de sua parceria com Shakira, renomada artista internacional, como embaixadora da marca na América Latina. A colaboração, anteriormente voltada ao consumidor final, agora se estende ao setor B2B, reforçando o compromisso de ambas as partes com a criatividade, eficiência e sustentabilidade em ambientes empresariais.

No centro da campanha, o vídeo “Criando com Shakira: Inovação e Tecnologia Epson” mostra a artista utilizando diversas soluções da marca, como impressoras corporativas, equipamentos de sublimação e projetores, enquanto prepara seu próximo espetáculo. O material evidencia como as tecnologias da marca podem apoiar tanto processos criativos quanto a produtividade no ambiente corporativo.

“É uma honra continuar colaborando com a Epson, levando sua tecnologia a espaços onde inovação e eficiência são fundamentais para inspirar criatividade e transformar ideias em realidade”, afirma Shakira.

A campanha busca engajar líderes e empreendedores, mostrando como as soluções empresariais

da Epson podem transformar dinâmicas de trabalho e promover a criatividade em diversos contextos. Produtos como impressoras WorkForce — ideais para o setor corporativo —, impressoras de sublimação para personalização no mercado têxtil e projetores profissionais para apresentações imersivas são alguns exemplos. Além disso, a linha de impressoras corporativas com impressão a frio, que consomem menos energia e reduzem o desperdício, reflete o compromisso da Epson com práticas mais sustentáveis.

Fabio Neves, vice-presidente de Vendas e Marketing da Epson América Latina, comenta: “Essa parceria no segmento empresarial reforça nossa missão de oferecer tecnologias que atendam às necessidades das empresas modernas, com foco em eficiência, criatividade e responsabilidade ambiental”.

A nova campanha, intitulada “Criando um Show Juntos”, foi lançada no dia 26 de novembro de 2024, com Shakira estrelando o anúncio principal. Para saber mais sobre as soluções empresariais da Epson e a colaboração com a artista, acesse: epson.com.br/shakira-solucoes-empresariais.

A INDÚSTRIA TÊXTIL EM 2025: O FUTURO DA MODA NA ERA DIGITAL

Transformação tecnológica e sustentabilidade como vetores de crescimento

Osetor têxtil global está atravessando uma fase de transformação profunda, impulsionada por mudanças estruturais na economia, avanços tecnológicos e novas demandas dos consumidores. Com um crescimento projetado em ritmo moderado, conforme apontado pelo relatório The State of Fashion 2025 da McKinsey (https://www.mckinsey.com/industries/retail/our-insights/the-state-of-fashion-2025), empresas do setor precisam se adaptar rapidamente a um ambiente de incertezas, onde a diferenciação e a eficiência operacional serão determinantes para a sobrevivência e o crescimento.

O CENÁRIO GLOBAL: PRESSÕES E POSSIBILIDADES

A moda e o varejo têxtil estão diante de desafios econômicos significativos. A inflação persistente, a volatilidade das cadeias de suprimentos e a crescente preocupação com a sustentabilidade estão remodelando o setor. Em um mundo pós-pandemia, a digitalização se consolidou como um fator crítico de competitividade, com empresas investindo em automação e soluções baseadas em IA para otimizar processos e reduzir custos. O estudo da Gartner, Artificial Intelligence Use-Case Comparison for Short Life Cycle Retail (https://www.gartner.com/en/documents/798784/artificial-intelligence-use-case-comparison-for-short-life-cycle-retail), destaca a IA como um elemento-chave na gestão do ciclo de vida de produtos de varejo de curta duração, permitindo melhor previsibilidade da demanda e eficiência operacional. Além disso, 80% do impacto ambiental

Por Filipe Marques

CEO S4 Digital

de um produto é determinado na fase de conceito, reforçando a necessidade de digitalização para melhorar práticas sustentáveis.

O

BRASIL: UM MERCADO EM BUSCA DE EFICIÊNCIA E INOVAÇÃO

No Brasil, a indústria têxtil desempenha um papel estratégico na economia, gerando milhões de empregos e movimentando uma cadeia produtiva complexa. Entretanto, o setor enfrenta desafios críticos, como a alta carga tributária, a concorrência com produtos importados e as oscilações cambiais que impactam os custos de produção. Por outro lado, o avanço da digitalização abre novas oportunidades. As Pequenas e Médias Empresas (PMEs), que representam uma fatia significativa do setor, precisam de ferramentas que lhes permitam competir de forma mais eficiente e flexível.

A DIGITALIZAÇÃO COMO FATOR DE INCLUSÃO E COMPETITIVIDADE

A adoção de tecnologias como IA, Internet das Coisas (IoT) e análise de dados avançada pode transformar a indústria têxtil brasileira. A digitalização não apenas melhora a eficiência operacional, mas também amplia as possibilidades de personalização e interação com o consumidor. Conforme apontado pelo estudo da Deloitte, Future of Retail: Profitable Growth Through Technology and AI (https://www2.deloitte.com/insights/ us/en/industry/retail-distribution/future-of-retail.html), a tecnologia está no centro da transformação do va-

rejo, permitindo que empresas façam transições para modelos mais ágeis e sustentáveis. “A tecnologia não é apenas um facilitador, mas a base sobre a qual os varejistas devem construir para atender às demandas dos consumidores modernos e garantir o retorno sobre seus investimentos”, reforça o relatório da Deloitte.

O FUTURO DA MODA É DIGITAL E SUSTENTÁVEL

A indústria têxtil global e brasileira se encontra em um ponto de inflexão. Empresas que investirem em digitalização, eficiência operacional e sustentabilidade estarão melhor posicionadas para enfrentar os desafios de um mercado

cada vez mais volátil e competitivo. Para apoiar essa transformação, soluções como o Mendix Digital Lifecycle Management (DLM), da Siemens, surgem como ferramentas fundamentais para empresas que buscam automatizar processos, otimizar a gestão de estoques e acelerar o ciclo de desenvolvimento de produtos. O Mendix DLM para Fashion & Retail possibilita que PMEs criem um ecossistema digitalizado, reduzindo desperdícios e contribuindo para a democratização da inovação na indústria têxtil brasileira.

A moda de 2025 será definida por aqueles que conseguirem aliar criatividade, inovação e eficiência. Nesse contexto, a tecnologia é mais do que um diferencial competitivo: é um imperativo estratégico para o futuro do setor.

ARTE TÊXTIL DA TERRA MÃE

Exposição “Entre a cabeça e a terra – A arte têxtil tradicional africana”, trouxe ao Brasil, pela primeira vez, peças da coleção particular da filantropa camaronesa Ly Dumas, fundadora da Maison Gacha

APinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresentou a exposição “Entre a cabeça e a terra: arte têxtil tradicional africana”, desenvolvida em colaboração com a Maison Gacha, sediada em Paris, França, e com a Fondation Jean-Félicien Gacha, sediada em Bangoulap, Cameroun.

Dividida em sete núcleos, a mostra apresentou 129 peças têxteis que buscavam estimular novas percepções sobre a África no público brasileiro, a partir de um olhar múltiplo e diverso para um continente povoado de saberes, tradições e contribuições artísticas.

Com curadoria de Renato Menezes e do curador convidado Danilo Lovisi, a exposição nasceu a partir de uma pesquisa sobre tecnologias têxteis ancestrais e transmissão de saberes tradicionais de África. Os curadores visitaram diferentes regiões do Cameroun

(Camarões) para dialogar com lideranças e autoridades locais, instituições e artesãos, processo que foi fundamental para o desenvolvimento da mostra. Os objetos apresentados, em sua maioria provenientes do acervo da instituição franco-camaronesa, são produzidos com materiais diversos e funções múltiplas, e nos permitem conhecer ritos e cosmogonias de diversos povos da África. Entre eles, máscaras, túnicas, adornos, tecidos bordados e tingidos, além de estatuetas, ajudam a contar uma história que percorre o caminho entre a cabeça e a terra, isto é, entre as inteligências e liberdades criativas individuais, exercidas por cada artesão, e a terra, nosso chão, lugar associado à manutenção das tradições e dos elos com as identidades coletivas.

“Nosso objetivo com essa exposição foi de pensar uma África múltipla, rica, povoada por diversos grupos culturais que são verdadeiros mananciais de sa -

Fotos: Silvia Boriello

beres que resultam de uma experiência direta de observação e transformação da natureza. Queríamos falar de uma África dissociada do trauma colonial, um continente onde abundam artesãos cujos ofícios não se diferem em nada dos grandes mestres da alta costura. Olhar esses tecidos abre espaço para uma conclusão prévia: temos muito a aprender com esses artistas, tanto sobre a produção dessas peças quanto sobre técnicas de conservação delas”, afirmaram os curadores.

CONEXÕES

Pela primeira vez, um conjunto tão importante de obras saiu da coleção particular de Ly Dumas e foi mostrado ao público brasileiro, ainda muito acostumado a associar o têxtil africano às estampas coloridas de produção industrial. Ao longo das sete salas expositivas do edifício Pina Luz, os visitantes puderam entrar em contato com obras que formavam de um conjunto de saberes artesanais ancestrais, peças cujo processo de produção pode levar semanas, até meses. A exposição procurou não somente apresentar esses tecidos, mas também relacioná-los, como forma de enfatizar a natureza cosmopolita das diferentes sociedades africanas e de evitar uma abordagem que tomou essa produção artística como menor.

Na primeira sala, “Geometria animal”, estava na importância que os animais têm para grupos culturais como os Bamileké, Bamoun e Wuraki, do oeste e noroeste do Cameroun. Panteras, onças, crocodilos e elefantes ganharam formas mais figurativas ou abstratas, em função da liberdade criativa do artesão. Um conjunto excepcional de mais de vinte máscaras-elefante de diferentes tamanhos, todas bordadas com contas de vidro multicoloridas, utilizadas pelos Bamileké completavam o conjunto. Em seguida, no segundo núcleo, “O azul vegetal”, foram expostas uma diversidade de tecidos tingidos de índigo por meio de diferentes técnicas. O índigo, tom de azul profundo obtido através da manipulação de plantas indigóferas, aparece no ndop, tecidos de algodão, nos adire, dos Iorubá, e nos Baúle, do grupo cultural homônimo, da Costa do Marfim, entre outros.

CULTURA

I Revista Têxtil #790

CULTURA

O processo tradicional de produção do ndop camaronês envolve uma longa cadeia de produção. Do agricultor, que cultiva o algodão, ao especialista no tingimento com índigo, passando pelo artesão que se ocupa do desenho sobre o tecido cru, o que realiza as amarrações de ráfia – que manterão zonas protegidas da cor azul – e o que se encarrega de retirar essas amarrações. Cada pessoa envolvida nessa cadeia é preparada pela geração anterior para exercer a função. Ao final do processo, o tecido ganha a importância de uma joia: apenas os reis e pessoas notáveis na comunidade possuem o direito de usá-lo.

No terceiro núcleo, “A tecnologia da linguagem”, foi apresentado um diálogo entre os kenté e os ewe, tecido real utilizado entre os Ashanti e os Ewe, e o andebele, adornos de pescoço utilizado entre os Ngunis, da África do Sul, a partir da ideia de linguagem e comunicação como uma tecnologia gráfica. Em seguida, o quarto núcleo, “A rota das miçangas”, apresentou um conjunto de peças têxteis e escultura que têm em comum seu uso como suporte para a criação de símbolos com contas de vidro multicoloridas, feitas por diversos grupos culturais como os Bamileké e Iorubá.

Na sala seguinte, o núcleo “Opacidade e transparência” buscava criar um diálogo entre um conjunto denominado “veludos kassai”, peças produzidas pelos Shoowa, povo pertencente à província de Kassai, na República Democrática do Congo, e véus de seda melhfa, produzidos na Mauritânia. O veludos kassai combinam texturas e tonalidades diferentes, sempre opacas, resultado de um processo de bordado coletivo, enquanto os véus destacam-se pela sua leveza e translucidez.

No sexto núcleo, “A dança das formas”, tecidos instalados no centro da sala deram um sentido de coreografia aos diversos tecidos produzidos pelos Kuba, entre os quais os ntshak, da República Democrática do Congo, dialogando com bandeiras em apliques, muito difundidas no Benim, no antigo reino do Dahomé. O sétimo núcleo, “Tintas da terra”, concluía o percurso apresentando um conjunto de tecidos Bògólan, produzidos no Mali com uma mistura de lama e ervas. RT

8ª BRASIL ECO FASHION WEEK CONSOLIDA SUA ABRANGÊNCIA NACIONAL

SOB O TEMA BIOECONOMIA E COOPERAÇÃO, EVENTO TEVE REPRESENTANTES DE TODAS AS REGIÕES BRASILEIRAS, DESFILES, DEBATES, OFICINAS E EXPOSIÇÃO DE MAIS DE 80 MARCAS SUSTENTÁVEIS

OBrasil Eco Fashion Week (BEFW), maior evento de moda sustentável no Brasil, aconteceu no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista, de 13 a 15 de dezembro, tendo por tema Bioeconomia e Cooperação, já fazendo link com a COP30, já que escolha do tema é resultado de um diálogo contínuo que a plataforma vem estabelecendo com a região amazônica desde 2023, quando realizou em Belém a Conferência “Moda, Sustentabilidade e a COP30

Têxtil #790

no Brasil”, reunindo lideranças do setor para discutir o papel da moda brasileira no contexto das mudanças climáticas. Inclusive, haverá uma edição especial do BEFW dentro da COP30, que acontecerá em novembro deste ano, em Belém (PA).

De acordo com Rafael Morais, diretor-executivo do evento e da plataforma Brasil Eco Fashion, que promove novos negócios no mercado e indústria da moda

Weena Tikuna

com foco em sustentabilidade, iniciativas como o BEFW desempenham papel essencial para promover a visibilidade da bioeconomia da Amazônia e dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) do Nordeste, posicionando essas regiões no cenário nacional de soluções sustentáveis para a moda.

“Em 2024, o Mercado Eco dobrou o número de marcas do Norte e Nordeste, registrando um recorde de expositores comprometidos com a bioeconomia e o empreendedorismo sustentável dessas regiões. O apoio do Sebrae Nacional foi fundamental para ampliar essa participação, garantindo recursos e suporte técnico às empresas”, destacou Rafael

Essa perspectiva se alinha à visão de Décio Lima, presidente do Sebrae Nacional, que declarou que os pequenos negócios (que representam 97,5% das empresas de moda no Brasil) devem assumir protagonismo nas discussões globais sobre desenvolvimento sustentável, inovação e inclusão socioprodutiva.

RetalharArvore de natal

Weena Tikuna
Retalhar

MODA

‘ECO-MARATONA’ DE ATIVIDADES

Durante os três dias de evento foram 25 desfiles, 18 painéis de conversa, 18 oficinas práticas e mais de 80 expositores no Mercado Eco, além de 5 mostras de moda e exposição de biomateriais no Espaço Inovação. Esta edição a BEFW consolidou sua abrangência nacional com a participação de marcas de todas as regiões do Brasil.

A Lojas Renner, patrocinadora do evento, um estande inovador com diversas iniciativas sustentáveis, como o totem 3D, o Guia de Circularidade, as peças feitas com tecidos e processos mais sustentáveis e um coletor de roupas usadas. Também promoveu duas rodas de conversa: uma sobre comportamentos emergentes e novas formas de fazer moda e outra sobre inovação com modelagem digital e desperdício zero.

DESFILE NORDESTESSE, CANATIBA E TENCEL™

Em 2024, as têxteis Canatiba e Tencel®, duas empresas parceiras há mais de 25 anos, convidaram a Nordestesse para que elaborassem um concurso onde marcas e estilistas da plataforma desenvolvessem uma coleção

cápsula de 4 looks feitos com tecidos Canatiba compostos de fibras naturais Tencel® Liocel.

A partir deste concurso, realizado em outubro de 2025 e apresentado na Pinga Store, em São Paulo, foram selecionados cinco estilistas nordestinos para desenvolver coleções-cápsula usando tecidos sustentáveis. Os criativos receberam 200 metros de denim Canatiba com fibras TENCEL Liocel e criaram as coleções apresentadas na 8ª edição Brasil Eco Fashion Week.

“O uso de tecidos feitos com fibras que são clean de um extremo a outro da cadeia foi um presente que recebemos, o tipo de parceria que queremos nos dedicar cada vez mais”, destacou Daniela Falcão, CEO da Nordestesse.

George Azevedo, do Rio Grande do Norte, transformou seu dom de pintura em uma marca de moda que ressignifica peças em desuso. Inicialmente pintava telas e logo migrou para intervenções em jeans, resgatando a estética das marcas brasileiras dos anos 1980 e 1990, com foco na fauna nordestina. A marca se destaca pelo upcycling de peças com pequenos defeitos.

Na passarela, apresentou a coleção inspirada no caju, com 12 looks que misturam referências dos Painel Dialogos

anos 1980. Entre peças oversized e fluidas - jaquetas, blazers, bomber jackets e vestidos - as intervenções artísticas incluíam pinturas manuais, renda de bilro e crochê, celebrando o artesanato brasileiro. A MOA, de Moema Cardoso, apresentou a coleção Varanda, que convida ao aconchego e desaceleração. Com looks que trazem a rusticidade do crochê e texturas de fios, a coleção explorou formas confortáveis e soltas, representando os cantos de descanso de uma varanda. As peças, que inicialmente eram bolsas e agora incluem saias e vestidos, celebram o artesanato como linguagem de memória e conexão. Detalhe curioso: a pernambucana é formada em Administração e Arquitetura, e é uma vidreira premiada, tendo decidido criar sua marca própria em 2019, aos 50 anos, inicialmente com bolsas autorais que mesclam técnicas como cestaria, macramê, crochê e tricô.

Já a Inttuí, marca fundada pelo baiano Washington Carvalho, apresentou a coleção “Imaginário - Ouro do Brasil”, unindo design, ancestralidade e moda sustentável. A coleção incorporou elementos do folclore e saberes ancestrais em peças vestíveis. A identidade da marca é reforçada através de recortes sinuosos, sobreposições, bordados e volumetria, com inspiração na arquitetura e ancestralidade.

O criativo utiliza uma variedade de tecidos sustentáveis, incluindo fibras naturais, algodão, paetês ecológicos da Moltec, com produção 100% manual e descarte zero, além de miçangas de madeira e canutilhos de vidro. A paleta de cores transita entre azul noturno, azul céu, amarelo, off-white, marrom ouro e bege natural, representando diferentes aspectos da liberdade e prosperidade, temas centrais da coleção.

A marca Balbina, fundada em 2020, em Feira de Santana (BA), dse estaca por sua abordagem sustentável e inclusiva na moda. Dirigida por Moab Barros e Maria Helena Barros, a marca utiliza técnicas artesanais como fuxico, patchwork e crochê, além de tecidos e fibras naturais como a palha. Na coleção apresentada na BEFW, homenageou Feira de Santana como entroncamento rodoviário, destacando o interior do Nordeste brasileiro como produtor de moda sustentável.

Mais uma designer baiana, Adriana Meira, nascida em Brumado, fundou sua marca homônima em 2014 após uma jornada que incluiu formação em Gestão e Design de Moda em Salvador e experiências em diversas marcas.

A marca Adriana Meira se destaca por suas criações que mesclam ancestralidade, referências do Sertão,

Ambiente BEFW Dudu Bertholine veste Adriana Meira
Natural Cotton Zwanga
Val Valadares
Balbina
Kunpin Arqueomoda
MOA
Adriana Meira
Luan Vallotto

MODA

santos e orixás, utilizando técnicas artesanais como rendas, bordados e apliques. A marca prioriza upcycling, reaproveitamento de retalhos e trabalho com mão de obra local. Recentemente, o ateliê se mudou para uma fazenda antiga em Brumado, onde Adriana forma artesãs locais.

Rener Oliveira, editor-chefe da Nordestesse, compartilhou sobre essa parceria. “A Nordestesse participando da Brasil Eco Fashion Week, maior semana de moda sustentável da América Latina, apresentou as coleções que foram desenvolvidas com tecidos sustentáveis, biodegradáveis, numa cadeia têxtil mais verde e limpa para moda, que tem tantos problemas e barreiras. Estar numa iniciativa dessa é fundamental para todas as marcas e serve de inspiração para quem está começando na moda ou para quem quer olhar para esse lugar mais responsável da indústria têxtil.”

Segundo o editor, a partir desse estética regional são resgatadas várias histórias, realidades paralelas dentro de um Nordeste só, como as estampas autorais de George Azevedo, que pinta tudo a mão com signos da flora e fauna do Rio Grande do Norte, principalmente o caju, ou como o trabalho em patchwork de Adraina Meira, que traz o sincretismo religioso, transformando essa colcha de retalhos em poesia; ou ate mesmo novos nomes, como Washingtonn Carvalho, da Inttuí, que traz uma alfaiataria fresh e tropical. Outro grande baiano é Moab Barros, com a Balbina, numa moda mais livre em termos de tamanhos, feita pra todos, e a MOA, com uma crochê mais orgânico, pop e ao mesmo tempo clássico.

PATROCINADORES E APOIADORES

A 8ª edição da semana de moda sustentável BEFW contou com patrocínio master das Lojas Renner, que promoveu um desfile apenas com peças de segunda mão de sua plataforma Repassa; patrocínio do Mercado Livre, Sebrae Nacional e co-patrocínio da marca Veja.  Contou com o apoio do Centro de Convenções Frei Caneca, Cotton Move, Therpol Innovation, apoio educacional do Senac-SP e apoio institucional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo (SMDET SP). RT Jota

Peo para Intui
George Azevedo

CASA DE CRIADORES

55ª EDIÇÃO

A55ª edição da Casa de Criadores aconteceu de 5 a 10 de dezembro de 2024 no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, reafirmando seu papel como a grande plataforma para projetar a moda autoral. Com 44 marcas participantes, o evento destacou novos talentos e promoveu o 3º Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, que premiou o estilista Lucas Caslú por sua coleção “Experiências” com R$ 30 mil e uma vaga na próxima edição.

“A Casa de Criadores é um evento pioneiro e fundamental para moda brasileira, conduzido pelo ‘maestro fashion’ André Hidalgo Um evento que há duas décadas celebra a moda autoral brasileira na sua essência, uma moda independente, transformadora, que muito antes já trazia os assuntos hoje tão atuais sobre sustentabilidade, da produção local, com autenticidade e com responsabilidade, da produção de moda a partir de corpos dissidentes, de pessoas diversas representando minorias e pessoas periféricas, já era palco para que essa

Coletiva Trash
Dudu Bertholini veste Visén
Sioduhi
Mateos Quadros
I Revista Têxtil #790
Berimbau Brasil
Fernanda Bastos
Berimbau Brasil
LeBenites
Vitoria Antunes
LeBenites
Roger Dognani
Visen
Sioduhi

MODA

moda acontecesse. E a maioria de nós, profissionais de moda que estão no mercado, passou pela Casa de Criadores de alguma forma.

Posso dizer por mim, Dudu, que já trabalhei como assistente de stylist, estagiarie, estilista, como curador afetive e fiz todos estes trabalhos com muito amor. Fico impressionado refletindo que em mais de duas décadas a Casa de Criadores preserve sua relevância, e se por muito tempo ela também falou de uma moda essencialmente paulistana, já que São Paulo sempre foi o palco para que ela acontecesse, hoje ela fala de todo Brasil. Estamos num momento de descentralização da moda, num momento de parar de pensar somente no eixo Rio-São Paulo, e o evento nos traz toda essa moda continental e essa pluralidade. Uma pluralidade não só territorial, mas étnica, de gênero. Ir à Casa de Criadores vai além de assistir a um desfile, é também um manifesto social e cultural, onde começa o vestir, onde termina a expressão, um emaranhado muito bem tecido e poético, fazendo com que a liberdade criativa possa ser um agente de transformação, de expressão e cultura”.

Nalimo Crochet
Nalimo Crochet
Ale Brito
Koya
Silas Figueira
Lucas Caslú RT

CULTURA

SANTISTA JEANSWEAR CELEBRA 95 ANOS COM EXPOSIÇÃO

ASantista Jeanswear marcou presença na 55ª edição da Casa de Criadores com a exposição “Tecendo o Futuro”, reafirmando seu compromisso com a inovação, sustentabilidade e evolução do denim na moda contemporânea.

O evento, realizado na Galeria Prestes Maia, contou com peças criadas por estilistas e marcas convidadas, como Colcci, Levi’s, Lee, Martins, Dario Mittmann, Jorge Feitosa, Damyller, Pit Bull, Miller, Revanche, Equívoco, Leandro Castro, Felipe Fanaia e Pedro Lacerda, que trabalharam com tecidos desenvolvidos pela Santista. As criações foram apresentadas em conjunto com instalações interativas e projeções visuais, criando uma experiência imersiva que destacou o jeans como elemento fundamental da moda brasileira.

“O jeans é um símbolo de transformação. Esta exposição é uma oportunidade de compartilhar nossa visão sobre o futuro desse material, valorizando a criatividade e responsabilidade ambiental”, afirmou Sueli Pereira, head de Moda e Comunicação da Santista Jeanswear.

INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NO CENTRO DAS CRIAÇÕES

O destaque da exposição foi o compromisso da Santista Jeanswear com a sustentabilidade. Os tecidos utilizados foram desenvolvidos com processos que reduzem o consumo de água e energia, além de fibras recicladas, consolidando a marca como referência na indústria têxtil.

Os visitantes também puderam conhecer detalhes do desenvolvimento do jeans, desde a escolha das fibras até a implementação de tecnologias sustentáveis. Essa transparência reforça o posicionamento da marca como pioneira em soluções ecologicamente responsáveis.

UM OLHAR PARA O FUTURO DO DENIM

Mais do que uma comemoração dos 95 anos da Santista Jeanswear, “Tecendo o Futuro” trouxe reflexões sobre a inovação no setor. A parceria com estilistas permitiu explorar novas formas e acabamentos, apontando caminhos para a evolução da categoria.

A exposição também reforçou a importância da Casa de Criadores como plataforma de novos talentos e ideias criativas, consolidando a união entre tradição e modernidade no mercado nacional.

Com quase um século de história, a empresa segue se reinventando e investindo em pesquisa para entregar produtos que atendam às demandas de um mercado dinâmico. Mais do que um marco histórico, a celebração dos 95 anos da Santista foi um convite para refletir sobre o impacto da moda no meio ambiente e na sociedade. O sucesso da exposição comprova que inovação e sustentabilidade podem andar lado a lado, criando um novo capítulo para o denim brasileiro.

SILVESTRE E GERMANIER: ESTILISTAS TORNAM-SE PARCEIROS E MOSTRAM COLEÇÃO GLAMUROSA E SUSTENTÁVEL

CONFECCIONADA EM CROCHÊ

ASemana de Alta-Costura, que aconteceu em janeiro em Paris, mostrou ao mundo a coleção versátil, sustentável e cheia de beleza designer suíço Kevin Germanier, feita em parceria com o estilista brasileiro Gustavo Silvestre. Ambos mostram no desfile do dia 30 de janeiro o quanto estavam em sintonia na criação deste trabalho. Em nota à imprensa, Gustavo Silvestre declarou: “a nossa confiança mútua

Roselaine Araujo

nos permite explorar ideias de forma fluida, sempre buscando superar nossos limites criativos.”

Kevin Germanier e Gustavo Silvestre se uniram para criar o luxo a partir do lixo. A marca Germanier, fundada em 2018, usa contas, pedrarias e miçangas descartadas. Entretanto, para estrear seu trabalho numa das semanas de moda mais cobiçadas do mundo, o esti-

lista suíço disse que escolheu itens vintage de luxo de algumas de grifes renomadas. “Nós retocamos, trocamos os forros e bordamos. Não é uma customização, é realmente essa ideia de ter uma peça que você ama e quer adaptá-la para continuar usando”, contou Kevin à imprensa internacional.

Já Gustavo Silvestre é reconhecido na indústria da moda por utilizar técnicas manuais em suas coleções e sempre fazer uso de cores fortes acompanhadas de muito brilho. Fundador do Ponto Firme, projeto de transformação social que utiliza o crochê dentro do sistema prisional para resgatar vidas, Silvestre inseriu a vivência resultante desse trabalho neste desfile. Em Paris, Silvestre apresentou sete modelos exclusivos para o desfile feitos em crochê com fita metalizada. Ao todo, 10 artesãs que fazem parte do Ponto Firme

participaram da criação das peças. Com grandes volumes, cores e texturas, os looks de aspecto artesanal ganharam a atenção e prestígio merecido na badalada passarela parisiense.

Desde 2015, o projeto Ponto Firme utiliza o crochê como uma maneira de ressocialização para detentos. A iniciativa vai além dos muros do sistema prisional. Dentro do seu trabalho diário, Silvestre inclui as roupas desenvolvidas dentro da ação social em suas coleções e desfiles. Na 58ª temporada da São Paulo Fashion Week, ocorrida em outubro de 2024, a coleção assinada por ele continha uma série de modelos de paetê, feitos junto ao projeto. “É gratificante ver como uma técnica ancestral pode ser ressignificada na alta-costura, mostrando o potencial ilimitado do trabalho manual”, ressaltou na época o designer brasileiro à imprensa nacional e internacional.

SERPENTE DE CROCHÊ

NO CORAÇÃO DE PARIS

“Le La Serpent”: exposição do artista brasileiro Ernesto Neto nos convida a repensar o ciclo da vida

Acidade de Paris, na França, virou palco para a arte brasileira agora em fevereiro. Há dez anos, o Le Bon Marché Rive Gauche homenageia seus fundadores, Aristide e Marguerite Boucicaut, ao convidar artistas renomados para exposições inéditas. Em 2025, foi a vez do prestigiado artista brasileiro Ernesto Neto. Famoso por utilizar materiais naturais somados a técnicas artesanais, o brasileiro também se destaca ao valorizar a interconexão entre cultura, natureza e espiritualidade.

Neto criou instalações monumentais para a loja de departamentos Le Bon Marché Rive Gauche. Batizada de “Le La Serpent”, a exposição faz o público refletir sobre o mito de Adão e Eva, destacando o papel da serpente não como o famoso símbolo do pecado, mas sim como um elemento que demonstra a força da natureza.  Em sua 10ª exposição e já conhecido internacionalmente por suas obras biomórficas, Neto realiza uma viagem poética sobre um dos principais mitos formadores da humanidade na cultura ocidental.

O artista declarou à imprensa e nas redes sociais como surgiu a ideia da exposição. “Eu não vejo isso como uma história da Bíblia. Vejo como uma história do Ocidente. Esse mito original, o mito da Gênesis, que vem da Torá e que faz parte da Bíblia, tem uma leitura que me tocou muito. Foi há uns dez anos, quando eu tive uma revelação: se a serpente não tivesse falado com Eva, levando aquela conversa ‘de mulher para mulher’, oferecendo a ideia de Eva compartilhar a fruta divina com Adão, eles estariam até hoje no Paraíso. Não seria lindo? Adãozinho e Evinha lá, curtindo a vida no Paraíso... e nós, onde estaríamos? Não estaríamos aqui. Não existiria eu, Le Bon Marché, o Museu de Arte, a alegria,

a tristeza, nem a guerra. Não haveria sofrimento, mas a vida é isso tudo», ressalta Neto.

Ao contrário do consenso ocidental no qual a serpente é uma verdadeira vilã, na exposição ela é grande estrela. Segundo Neto, a serpente pode ser considerada a nossa mãe e pai. Assim como em várias histórias ancestrais ao redor do mundo, o artista inclusive chegou a encomendar uma pesquisa sobre como o animal mítico é visto em diferentes culturas, como na Ásia, África, Oceania, Polinésia, América do Sul, Central e do Norte.

CROCHÊ E MATERIAIS RECICLADOS

Ao ingressar na exposição, o público já se depara com uma serpente de crochê de 28 metros de comprimento, sustentada por arcos de bambu. Trata-se de uma experiência sensorial imersiva: descalços, os visitantes caminham por esculturas que combinam folhas secas, argila e especiarias como cúrcuma e cominho, estimulando o olfato e ativando memórias profundas. A obra leva as pessoas a pensar sobre o ciclo da vida e o infinito.

De acordo com Ernesto Neto, a matéria-prima utilizada foi o algodão e materiais reciclados, como tampinhas de garrafa PET, o que enfatiza também a busca contínua pela sustentabilidade. “Trabalhamos com crochê, utilizando algodão como material base. A serpente, por exemplo, possui elementos simbólicos muito fortes. As cores da obra foram obtidas por meio de tingimentos naturais, como chá preto para o tom bege, e jatobá e casca de cebola para o marrom. Esses métodos nos conectam à energia da Terra, oferecendo uma experiência sensorial mais rica em comparação aos tingimentos

Serpente de crochê de 28 metros de comprimento destaca-se no Le Bon Marché Rive Gauche

sintéticos. A ideia foi também trazer à tona uma representação de Adão e Eva com tonalidades mais escuras, refletindo as origens africanas desses personagens”, contou Neto à imprensa internacional.

A exposição “Le La Serpent” fica em cartaz no Le Bon Marché Rive Gauche até o dia 23 de fevereiro de 2025, no Le Bon Marché. Saiba mais, acesse: www.lebonmarche.com

110 I Revista Têxtil #790
“LET THE PAST GUIDE YOU INTO THE SUSTAINABLE WORLD OF TOMORROW”
OLAF SCHMIDT, VICE-PRESIDENT. TEXTILES & TEXTILE TECH, MESSE FRANKFURT

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