Jornal da CIPA DOS TRABALHADORES DA GM Órgão Informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Santa Branca e Igaratá
Outubro/2012
COM LAYOFF, PRESSÃO E RITMO DE TRABALHO AUMENTAM e a exigência do cumprimento de muitas horas extras, inclusive aos sábados, estão deixando os trabalhadores cada vez mais esgotados. Tudo isso leva ao crescimento do desgaste físico, o que aumenta ainda mais o risco de lesões, desenvolvimento de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Outro agravante é o terror psicológico feito pela empresa. Diante da ameaça de demissões, o trabalhador não tem qualquer garantia de que permanecerá no emprego, o que cria um clima de apreensão e estresse permanente dentro da fábrica. Os trabalhadores da GM estão sentindo na pele as consequências do layoff e da política de demissões da empresa. A suspensão do contrato de trabalho de 925 funcionários e a demissão de outras centenas por meio dos PDVs au-
mentaram a pressão nas linhas. Isso acontece porque, ao contrário do que a direção da GM afirma, a produção segue em alta e cada vez com menos trabalhadores. O ritmo acelerado de trabalho
Não às demissões Por tudo isso, nossa luta agora é muito maior. Além de um ambiente de trabalho seguro e livre de acidentes, buscamos também a garantia dos empregos dentro da fábrica. A prorrogação do acordo que
gm amplia ataque à organização dos trabalhadores Conforme avança a luta por melhores condições de trabalho na GM, a empresa aumenta sua política de ataques às organizações de defesa dos trabalhadores. Este ano, já foram mais de 15 casos de suspensão de cipeiros e diretores, punidos por defender a saúde e segurança do trabalhador. Enquanto tenta enfraquecer nossos mecanismos de defesa, crescem a precarização e o risco de acidentes dentro da fábrica. Na linha de montagem é comum ver operários realizando operações arriscadas só porque os equipamentos adequados para o serviço estão quebrados ou inoperantes. No início do mês, após interromper uma operação deste tipo no setor de Tapeçaria (S-10), o diretor do Sindicato Valmir Mariano foi suspenso pela GM de forma arbitrária. Ao invés de
JORNAL CIPA GM-out 2012.indd 1
efetuar o conserto da máquina, a empresa pune aqueles que tentam evitar acidentes. Desconto de salário, transferência de turno e de setor são outras formas de repressão usadas pela montadora para afastar os companheiros do caminho da luta por um ambiente de trabalho mais seguro. Alegando abandono do posto de trabalho, todo mês a empresa corta parte dos salários dos cipeiros. Entretanto, a lei determina que é dever dos cipeiros realizar inspeções periódicas no ambiente de trabalho para identificação de situações de risco, sem prejuízo no pagamento. “A empresa quer se livrar da CIPA e do Sindicato para explorar cada vez mais os trabalhadores. Mas a liberdade de atuação é um direito nosso, e faremos de tudo para exercê-lo”, avalia o cipeiro Alex Silva Gomes, o Cabelo.
estende o layoff até janeiro representa um novo fôlego para prosseguirmos em nossa mobilização, mas de forma alguma garante os empregos. Apesar das negociações e mobilizações feitas até agora, o plano da montadora ainda é demitir cerca de 1.800 funcionários. Por isso, até janeiro, a mobilização tem de continuar. O governo federal, que concede milhões em incentivos fiscais e financiamento público para a montadora, deveria, no mínimo, cobrar a manutenção dos empregos e a qualidade do trabalho dentro da fábrica. “Chamamos os companheiros e companheiras a unirem-se à CIPA e ao Sindicato contra as demissões, a precarização e o desrespeito à saúde e segurança no trabalho, que tanto penalizam a todos nós”, convoca o vice-presidente da CIPA Anderson Ferreira do Prado.
VEM AÍ A SIPAT 2012 A SIPAT é a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho e tem como objetivo esclarecer e conscientizar os trabalhadores sobre a política de prevenção de acidentes e sobre seus direitos e deveres em todo o processo. Para que cumpra este objetivo, é necessária a ampla participação de todos os trabalhadores e cipeiros na elaboração e organização do evento. A SIPAT deve refletir os problemas sentidos pelo trabalhador. Na GM as principais questões apontadas são a pressão e o alto ritmo de trabalho. Ao contrário das edições anteriores, este ano, a direção da empresa voltou a chamar os cipeiros para compor a comissão de organização do evento. Portanto, procurem seus cipeiros, falem sobre os principais problemas de sua unidade e sugiram temas a seres discutidos. Vamos construir uma SIPAT forte que ajude em nossa luta por um ambiente de trabalho mais seguro.
19/10/2012 15:29:07