CASA DE PARTO PAPIRO_DOLA

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CA SA DE PA R TO

2015-2019 ARQUITETURA casa de parto |Uberlândia, Brazil.

VINÍCIUS TEIXEIRA M. VILELA DE CARVALHO

pitágoras uberlândia



VINÍCIUS TEIXEIRA MARTINS VILELA DE CARVALHO

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura da Faculdade Pitágoras de Uberlândia, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador(a): Profª. Arq. Esp. Carolina Fernandes Vaz UBERLÂNDIA 2019


VINÍCIUS TEIXEIRA MARTINS VILELA DE CARVALHO CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Pitágoras de Uberlândia, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador (a): Profª. Arq. Esp. Carolina Fernandes Vaz

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

Uberlândia, 17 de Junho de 2019.

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BANCA EXAMINADORA: Orientadora Arq. Carolina Fernandes Vaz

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Arq. Edson Taufy

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DEDICATÓRIA

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Dedico este trabalho ao meu filho Lucca que me permitiu viver a incrível experiência de ser pai.

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EPÍGRAFE

AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente à Deus pela oportunidade de ter me aberto tantas portas durante minha vida. Sem as direções Dele eu estaria perdido. Obrigado Deus. Sou eternamente grato à minha mãe Vânia Cristina que me pariu, me dando à vida com tanta alegria. E ao meu pai Aldo Vargas que se empenhou tanto pela minha educação. Agradeço à minha irmã Rayssa Carvalho, aos meus amigos de longa data Alberto Farnese, Giácomo Bombonato, Igor

Sousa, Thiago Messias, Alex Yogoro e os de faculdade, especialmente, Mariana Souza e Gidalti Ranieri que sempre me motivaram com força e estima para superar os desafios que apareceram. Àqueles que por ventura deixei de mencionar, contribuíram de alguma forma para a melhoria deste projeto meu MUITO OBRIGADO! Por último, não menos importante, agradeço à minha querida namorada e amiga Karina Palmieri. Seus esforços para me ajudar foram indispensáveis para conseguir esse título.

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“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá.” Êxodo 20:12

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Sumário

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INTRODUÇÃO 11 REFERENCIAL TEÓRICO 15 ESTUDOS DE CASO 27 CONTEXTOS 33 SÍNTESE PROJETUAL 56 MEMORIAL JUSTIFICATIVO 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS 108


mento do recém-nascido.

Este caderno apresentado

Foram utilizadas técnicas

trata-se de um projeto na área da arquitetura hospitalar. O objeto de estudo foi o centro de parto nor-

para tornar os ambientes ambientalmente confortáveis como o uso da ventilação natural, iluminação

mal humanizado. Foi pro-

natural indireta e paisa-

posto uma solução para

gismo abundante.

um modelo de negócio

PALAVRAS-CHAVE: Parto Normal, Arquitetura Hospitalar, Parto Humanizado, Conforto Ambiental

misto. Esta instituição é composta basicamente de dois grandes setores: os consultórios e os quartos pré-parto, parto e pós-parto (PPP). A proposta arquitetônica foi projetada para atender à mulheres e família em todas as etapas do processo de parto natural. Desde o pré-natal até a alta, após o nasci-

ABSTRACT This booklet is a project in the area of hospital architecture. The object of study was the normal birthing center. A solution was proposed for a mixed business model. This ins-

titution is basically composed of two major sectors: the offices and the pre-delivery, delivery and postpartum (PPP) rooms. The architectural proposal was designed to serve women and families in all stages of the natural childbirth process. From prenatal to discharge after the birth of the newborn. Techniques were used to make environmentally comfortable environments such as the use of natural ventilation, indirect natural lighting and abundant landscaping. KEYWORDS: Natural Childbirth, Hospital Architecture, Humanization of Birth, Environmental Comfort

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

RESUMO

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10 CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO


CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

IN IN TRO TRO DUDU ÇÃO ÇÃO

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OBJETO DE ESTUDO

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

O conceito de maternagem foi pensado como intrinsecamente relacionado à maternidade, como função feminina por excelência, sobretudo, à natureza da mulher, embora alguns autores pontuam que essa dedicação da mulher ao papel materno deve-se muito mais “a uma transposição social e cultural das suas capacidades de dar à luz e amamentar” (CHODOROW, 1990 apud MOURA; ARAÚJO, 2011).

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Segundo Seibert et al. (2005) o cuidado prestado à mulher durante o processo de parir sofreu muitas transformações ao longo do tempo, sobretudo, decorrente da medicalização e institucionalização do parto, da inovação tecnológica e desenvolvimento da medicina obstetrícia, interferindo me-

canicamente, de modo a hospitalizar o nascimento e tentar padronizar em um único formato às mulheres e ao processo de parir. Para os autores, essas transformações tornaram o parto um processo impessoal, tratado como procedimento patológico que situou a mulher na condição de paciente, sem autonomia do seu próprio corpo, além de ser separada dos familiares e do filho ao nascer. Segundo Moura e Araújo (2011) a partir do século XVIII e, principalmente, no século XIX, desenhou-se uma nova imagem de sua relação com a maternidade, na qual a mãe e a criança transformam-se nos objetos privilegiados da atenção materna e podem vivenciar integralmente a experiência do parto natural. A devoção


Diantes desses fatos e do levantamento realizado, este estudo tem a intenção de desenvolver um projeto de uma Casa de Parto Peri-Hospitalar, contando com suporte da tecnologia da engenharia clínica e técnicas de tra-

balho de parto aprimorados. Este edifício terá um espaço humanizado para resgatar a sensação de empoderamento, remetendo à um ambiente domiciliar.

OBJETIVO Sob essa perspectiva, este trabalho tem por objetivo projetar um espaço de assistência ao parto e ao nascimento, sobretudo, ao parto humanizado, onde a mulher possa dar à luz em um ambiente aconchegante, confortável e íntimo.

JUSTIFICATIVA A justificativa da elaboração do projeto se encontra na importância de instituir uma casa de parto em Uberlândia, Minas Gerais, pois, hoje não há nenhum espaço específico de acolhimento às par-

turientes para a realização de partos para gravidez de baixo risco, que refere-se às casas de parto ligada à rede cegonha. Além disso, o que concerne às motivações para a realização desta pesquisa, não se pode deixar de mencionar o interesse pessoal devido à minha primeira formação acadêmica de engenheiro biomédico, em especial, por poder aprofundar e estender meus conhecimentos de engenheiro à luz de um talento artístico atrelado à arquitetura hospitalar.

METODOLOGIA No que tange aos aspectos teóricos, a metodologia de pesquisa teve como procedimentos uma revisão teórica e histórica realizada por meio de levantamento bibliográfico

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e presença vigilantes da mãe surgem como valores essenciais, sobretudo, ao processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional da mãe e do bebê, sem os quais os cuidados necessários à preservação da criança não poderiam mais se dar. A ampliação das responsabilidades maternas fez-se acompanhar, portanto, de uma crescente valorização da mulher-mãe, a “rainha do lar”, dotada de poder e respeitabilidade desde que não transcendesse o domínio doméstico (MOURA; ARAÚJO, 2011).

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que concerne à temática do parto humanizado, ao conceito de maternidade ao longo da história no bojo das transformações sociais, culturais e do avanço tecnológico da medicina obstetrícia, bem como um panorama geral da arquitetura do ambiente do nascer. Posteriormente, buscou-se descrever dois estudos de caso, visando entender a dinâmica dos fluxos de pessoas e materiais, bem como a materialidade e viabilidade do projeto.

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Em relação ao método de procedimento, realizou-se o programa do projeto para elucidar quais são os espaços que uma casa de parto necessita obedecer segundo a legislação vigente.

Em última instância, realizou-se a elaboração do projeto. Para tanto, foi necessário escolher um terreno próximo a um hospital que contenha maternidade e de fácil acesso à vias coletoras. Posteriormente, elaborou-se a concepção de um partido arquitetônico a partir de um conceito para dar significado ao projeto e desenhou-se croquis para a visualização das ideias elaboradas. Diante disso, projetou-se a planta baixa e planta de layout do empreendimento, além de cortes, fachadas, modelo 3D e as pranchas. Por meio da aplicação dessa metodologia foi possível elaborar este trabalho em três capítulos: 1) panorama geral da arquitetura do ambiente

do nascer; 2) programa do projeto; 3) projeto. Em última instância, realizou-se considerações finais a respeito dos resultados que concernem à elaboração do projeto atrelado ao conceito do parto humanizado.


RERE FEREN FEREN CIAL CIAL TEÓ TEÓ RICO RICO 15


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HOSPITALIZAÇÃO DO PARTO

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O local do nascimento pode influenciar no processo do nascimento? Esta pergunta vem sendo estudada nas últimas duas décadas, seguindo o movimento de humanização da assistência ao parto e nascimento. A mudança do parto de um processo natural para um procedimento controlado acarretou na transferência do local do parto do domicílio para unidades hospitalares. Desta forma, parte do “calor humano” e do ambiente conhecido e acolhedor foi retirado deste momento. O hospital, se comparado a uma casa, se apresenta como um local impessoal e desconhecido, criando um ambiente de desconforto e frieza. Hoje a dor é que pode ser

aliviada por uma série de procedimentos médicos, levam as mulheres a serem atraídas pela ideia de segurança e “conforto” do parto hospitalar, e acabam adotando-o como o melhor local para terem seus filhos. Ao contrário do que se vê̂ em outras partes do mundo, onde a situação encontrada é de que menos de 20% das mulheres possuem facilidade de acesso ao atendimento hospitalar, sendo assim o parto domiciliar não é uma opção e sim o único meio para terem seus filhos. Seja por razões geográficas, sociais, econômicas e até culturais estes partos são realizados em domicílios e são assistidos por parteiras e não por uma equipe médica. Historicamente o nascimento é um evento natural, e que por muito tempo

se manteve dissociado de formas e mecanismos de controle. A experiência do parto possuía um caráter íntimo e privado, sendo, nas mais diferentes culturas, uma experiência vivenciada por mulheres. Ainda hoje, partos acontecem sem nenhuma intervenção, a não ser a da própria mãe, que como agente ativo neste acontecimento, a vivência de forma plena. Esta plenitude se traduz no fato de o nascimento ser um evento singular, único dentro do universo humano, uma experiência que significa nada mais do que gerar a vida. O ato do nascer, dar à luz é inerente à nossa natureza, faz parte do processo que dá continuidade à nossa espécie, e o corpo humano foi especialmente concebido para tal função, tendo-a exercido por milhares de anos.


A ideia de que existe uma natureza biológica determinante e dominante no que diz respeito à condição feminina, se torna o meio pelo qual a medicina poderá́ se apropriar do corpo da mulher. A

capacidade de gestar, parir e amamentar são fatos biológicos que ocorrem no corpo da mulher e se baseiam em sua natureza feminina. Estes fatos se tornam alvos dos interesses da ciência, que diante deste evento de uma importância imensurável vêem a necessidade de

buscar sua compreensão. Como argumento descrevem que por serem tidos como fatos biológicos e científicos tornam-se passíveis de serem compreendidos e estudados (VIEIRA, 1999). Com o surgimento de conquistas científicas em

áreas como a biologia, aliadas às descobertas conceituais e filosóficas, emersas no início do séc. XIX, todos estes fatores criaram espaço para o desenvolvimento do saber médico na obscuridade que, até então, envolvia o ato do nascimento humano. A razão, transformada

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A prova disto é a nossa existência.

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em ferramenta, começava a ocupar o lugar outrora ocupado pela intuição e pela experiência provenientes de um ato natural da mulher. Este ato natural ao corpo humano, passa a ser objeto e ato fisiológico controláveis pelo conhecimento científico, não havendo mais lugar para o saber nato da mulher. Existem indícios de que na antiguidade grega clássica surgiram os primeiros estudos que dizem respeito ao processo biológico relativo ao nascimento, ficando esquecido durante séculos até que, no Renascimento, este assunto volta a ser discutido. Durante muito tempo os partos foram assistidos por parteiras leigas, sendo uma atividade exclusivamente feminina. A partir do início do séc. XVI esta atividade passa a sofrer

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regulamentações por parte do governo e da igreja, submetendo as parteiras das cidades européias a inúmeras condições, entre elas a obrigação de prestar exames diante de comissões municipais e eclesiásticas. O intuito desta regulamentação era o de prevenir as parturientes contra abortos e infanticídios, assegurando também o batismo dos recém-natos, princípios de interesse tanto da igreja como do estado (VIEIRA, 1999). A partir do início do século XVII, o homem já se iniciava na tarefa de atender as gestantes e realizar os partos, deslocando paulatinamente as parteiras, curiosas e “bruxas”, que durante milênios foram as únicas “cuidadoras de mulheres” no momento de parir. Começa a surgir uma

inversão de postura diante do parto. A mulher, que tinha o domínio do ato de parir, passa cada vez mais a assumir uma postura passiva diante deste processo. O marco inicial desta revolução poderia ser materializado no primeiro grande instrumento médico empregado no atendimento ao parto: o Fórceps. Criado pelos irmãos Chamberlen, na Inglaterra, este instrumento, utilizado para extrair o bebê do útero em casos indicados foi mantido em segredo por muito tempo, por ser uma ferramenta tão importante, a ponto de ser alvo da cobiça de concorrentes (JONES, 2002).

HUMANIZAÇÃO NA ARQUITETURA HOSPITALAR Os estabelecimentos assistenciais de saúde, tem necessidade de serem


A prática de humanização de espaços não deve ser confundida com ambientes de luxo, mas sim de qualidade, que são obtidos através de vários fatores que estão atribuídas à iluminação, ventilação, utilização correta de cores, mobiliário adequado às necessidades de parto, sendo que garantir a

qualificação desse espaço, deve-se levar o conjunto como um todo. Os hospitais, geralmente, estão relacionados à locais para cura de doenças, no entanto, a origem da palavra hospital provém do latim hospitalis, adjetivo o que quer dizer ser hospitaleiro, acolhedor. O edifício hospitalar tem que transmitir um sentimento receptivo, de bem-estar, e a humanização parece ser a solução para tornar esses espaços mais acolhedores. (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). A humanização dos hospitais provê uma série de ações sobre diversos costumes e práticas para a prestação dos serviços de saúde.

A arquitetura pode ser um instrumento terapêutico se contribuir para o bem-estar físico do paciente com a criação de espaços que [...] desenvolvam condições

de

con-

vívio mais humano (CORBELLA, 2003 apud MARTINS, 2004, p.2)

O ícone Lelé, arquiteto dos hospitais da Rede Sarah, consegue ver em elementos da arquitetura brasileira inúmeras possibilidades para agregar a humanização do ambiente físico hospitalar. Segundo Lelé, os hospitais são rigorosos em no que diz respeito à sua função. No entanto, a estética não pode ser rechaçada. As obras de Lelé comprovam que sim existe a possibilidade de se criar hospitais mais humanos, sem dispensar

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adaptáveis e as constantes transformações envolvendo estes espaços. E incorporar o conceito de humanização é um desafio que cabe arquitetura, pois é ela quem pode humanizar os espaços. No entanto, considera ser um bom projeto, aquele que atende às necessidades de seus usuários, onde foi possível compatibilizar arquitetura e a medicina, a partir da perspectiva do olhar do paciente. (CIACO, 2010)

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CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

da funcionalidade. “É funcional criar ambientes em que o paciente esteja à vontade.” (LIMA, 2004).

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A questão do paciente se sentir à vontade remete à ideia de lar, intimidade. Segundo o arquiteto Jorge Costa “O hospital é um símbolo da possibilidade de reformulação corporal e mental, portanto, seus espaços devem ser configurados a partir do ponto de vista dos seus usuários”. Para o autor, o acolhimento em um edifício hospitalar ocorre, sobretudo, pelo fato do paciente passar do domínio privado, i.e., do ambiente familiar e entrar no domínio público do hospital (LUKIANTCHUKI; SOUZA, 2010). Refletir sobre esse espaço quer dizer compreender as impressões que uma vez foram deixadas com cicatrizes no corpo das mães ao dar à luz. Estas cicatrizes são re-

sultantes de experiências corpóreas e psíquicas que a paciente sofreu durante sua trajetória como parturiente, deste modo, mãe e o espaço formam, em conjunto, lugar memória das experiências de vida (COSTA, 2001). Objetivando a humanização e a valorização do parto normal, o Ministério da Saúde tem se proposto a buscar soluções mais humanizadas aos ambientes que geralmente são medicalizados da obstetrícia, e.g., o desenvolvimento de ambiente único para o pré-parto, puerpério, visando evitar que a parturiente seja transferida de um quarto ao outro o que possibilita a ela bem estar e segurança. Os quartos pré-parto, parto e pós-parto (PPP) são quartos individuais, podendo ter banheira ou não, com

cama e espaço suficiente para a parturiente movimentar-se (deambulação). Além disso, este quarto deve ter um espaço destinado para os primeiros cuidados do recém-nascido, e.g, poltrona reclinável para acompanhante. Sendo assim, o objetivo é que esses quartos PPP tornem-se cada vez mais aconchegantes e semelhantes ao ambiente familiar.


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Parto Cesárea CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

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CENÁRIO ATUAL DO PARTO NO BRASIL Por meio de um processo que se inicia em 1808 com a criação do curso de arte obstétrica nas escolas de medicina brasileiras, a designação sobre a atividade da parturição vai passando das mãos da parteira leiga para as mãos dos médico (BRENES, 1991). Tanto estas, que atendem nas casas das Pastorinhas, quanto as parteiras diplomadas, que chegam de outros países que estabelece suas casas de maternidade, tem sua ação coibida pelo poder instituído

Ao governo interessava a implantação de uma política sanitarista, a redução da mortalidade infantil e controle de registros de nascimentos, o que era facilitado quando a criança nascia em hospital, ou seja, um espaço institucionalizado. Essa instituição era também desejada pela classe médica, é claro, não só para consolidar o parto como sua atribuição exclusiva em detrimento do parto domiciliar apoiado por parteiras leigas ou diplomadas, mas também para ampliar a presença do corpo feminino em seu domínio espacial e assim estudá-lo.

A hospitalização aparada na inserção de medicamentos e tecnologia como rotina da quarta lição, a chamada cascata de intervenções - que se consolidou a partir da metade do século XX não só no Brasil como em boa parte do mundo - contribuiu ativamente para opressão do corpo feminino. Tal opressão pode ser velada pela desinformação a respeito dos procedimentos por parte da mulher e sua família, mas também pode culminar em casos de violência obstétrica, que vai desde a proibição criminosa da presença de acompanhante na sala de


Gráfico 1 / Taxas de parto cesárea no mundo No ano de 2014 foi vetado em Uberlândia, no Hospital Madrecor o parto humanizado. Essa decisão foi em decorrência dos gritos das parturientes do hospital (UNIDAS, 2014). O hospital respondeu em nota que não tem estrutura adequada para o tipo de parto e que estaria envolvido em processos judiciais em função disso. Este veto causou balbúrdia no âmbito da saúde da cidade provocando manifestações, processos do Ministério Público e outras parto quanto a prática de injúrias verbais e físicas. No Brasil, a prevalência do parto como um ato médico teve adoção inicialmente lenta. Apenas após a segunda metade do século XX se observa um aumento da procura por estabelecimentos hospitalares para execução do parto. A partir dos anos 1970, no entanto, houve uma aceleração notável no processo, que coincidiu com a expansão da cobertura hospitalar pública que foi estruturada no atendimento por unidades conveniadas, gerenciada por empresas

privadas e filantrópicas, estabelecimentos estatais. Este modelo segue influências estatizantes, Na Europa, e privatista, e dos Estados Unidos, ambos com predomínio do caráter curativo, centrado no médico, Indústria farmacêutica e de equipamentos de alta tecnologia (CARVALHO, 2015). O processo de nascimento gerou consequências particulares ao modelo, onde mesmo passou a ser considerado como doença, adotando o meio cirúrgico como técnica preferencial (COELHO, 2003). A pesquisa “Nascer Brasil”, realizada entre 2011

Fonte: Organização Mundial de Saúde

de 2012 pela Fundação Oswaldo Cruz (BRASIL, 2014), aponta que o Brasil é recordista no mundo em cesarianas de 1990 a 2010 a proporção de cesarianas quadruplicou, passando de 14,5 a 50%. Em 2015, a proporção de cesarianas foi de 52%, na rede suplementar esse número é ainda maior, chegando a 88%. Enquanto é preconizado internacionalmente pela Organização Nacional de Saúde (OMS) no máximo de 15%. Diante disso, os gráficos a seguir nos revelam o aumento de cesarianas ao longo de décadas.

denúncia sobre a violência obstétrica na cidade. A partir de então, esse tema foi pauta na agenda de instituições

importantes

como a Secretaria de Saúde de Uberlândia e também a Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Segundo Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 70% dos partos são cesarianas, representando um percentual

muito

além

do preconizado pela OMS, que é de 15% (DIÁRIO DE UBERL NDIA, 2018).


Ambiente previsto pela portaria

Novo ambiente / Nova nomenclatura

Acolhimen 1

Recepção

2

recepção Sala de espera

ATENDIMEN 4

Sala de exame e admissão de parturientes

Sala de exame e admissão de parturientes

5

Sanitário para funcionários e acompanhantes

Sanitário para funcionários e acompanhantes

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

PARTURIÇ 6

Quarto pré parto/ parto / pós-parto (PPP)

Quarta de parturição

7

Banheiro para parturiente com lavatório bacia sanitária chuveiro com água quente

Sala de banho

8

Área de prescrição

Posto de Enfermagem

12

Areia para lavagem das mãos

Areia para lavagem das mãos

14

Área para assistência ao recém-nascido

Área para assistência ao recém-nascido

15

Sala de estar para acompanhantes

16

Sala de utilidades

Sala de utilidades

17

Depósito de material de limpeza

Depósito de material de limpeza

18

Depósito de equipamentos e materiais de consumo

Depósito de equipamentos e materiais de consumo

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Rouparia/Armário

Rouparia/Armário

APOIO E ADMINI 20

Copa/Cozinha

Copa/Cozinha

21

Refeitório

Refeitório

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Sala Administrativa

Administração

23

Estar assistencial

Estar Assistencial

24

Estar apoio

25

Vestiário funcionários

Vestiário funcionários

26

Vaga de Ambulância

Vaga de Ambulância

27 28

24

Depósito de Lixo (reciclável, comum e séptico) Depósito de gases / Guarda de resíduos

Depósito de Gases

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Espaço Yoga

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Consultório Obstétricos com Banheiro

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Consultório Psicológico / Enfermaria / Nutricional / Fisioterápico


ra

Dimensionamento para unidade

Dimensões mínimas RDC 50

Instalações RDC 50

Para mínima de projeto m2

Total m2

olhimento 1

8

52

1

15

90

NDIMENTO 2

8

2

3,4

5

14

3

5

1

2

HF, HQ

15

36

7

26

HF, HQ, FO, FV, C

25

145

HF, HQ

12

60

8

38

RTURIÇÃO

HF

1

5

9,2

FAM, FO, FVC, EE, ED

10

10

5

100

1

2

HF

3

7

2

2

HF

3

6

4

4

1 1

2,2

2.5

2,5

HF, HQ, FAI, C, ADE

30

37

20

20

12

26

1

8

8

1

8

8

2

13

26

28

172

6

7

ADMINISTRAÇÃO

onal /

1 1 1

1 1 1

ADE

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CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

sumo

1

6

34 32 21 18

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O ESPAÇO DE CENTRO DE PARTO NORMAL (CPN) COMPONENTES, AMBIENTES E BLOCOS O art 5º da portaria N.º 985/GM descreve os equipamentos mínimos que o CPN deve possuir os seguintes componentes:

• • • • • • • • • • • • • • • • •

Mesas para exames ginecológicos Berço comum Mesa auxiliar Cama de PPP Cadeira para acompanhantes Mesa de cabeceira Fita métrica Escadinha de dois degraus Duas cadeiras estetoscópio de Pinard Estetoscópio clínico Esfigmomanômetro Material de exames Sonar Cardiotocógrafo Aspirador de secreções Berço aquecido

Os ambientes do CPN são definidos pelo Art 4º:

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Atendimento:

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• Sala de exame de admissão de parturientes; • Quarto para pré parto, parto e pós parto (PPP); • Área para lavagem das mãos; • Área de prescrição; • Sala de estar para parturiente em trabalho de parto para acompanhantes; • Área para Assistência ao recém-nascido

Apoio: • Banheiro para parturientes com lavatório; bacia sanitária de chuveiro com água quente • Copa cozinha • Sala de utilidade • Sanitário para funcionários e acompanhantes • Depósito de material de limpeza • Depois de equipamentos em materiais consumo • Sala administrativo • Rouparia armário

Foi separado em cinco grandes blocos os grandes grupos de ambientes: • • • • •

Acolhimento Atendimento Parturição Apoio e administração Serviços


CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

ESES TUTU DOS DOS DEDE CASO CASO

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CASA ANGELA CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

A Casa Angela foi o primeiro centro de parto Normal peri-hospitalar do Brasil, tendo sido inaugurado no ano de 1997 no jardim Mirante na zona sul de São Paulo-SP, pela alemã Angela Gehrke. A estrutura da Casa é um misto de concreto madeira, com grandes planos de vidro na tentativa de proporcionar o máximo de luz natural possível. Ela é dividida em cinco blocos: Acolhimento, atendimento, parturição, apoio, e

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administrativos e serviços.

A área de acolhimento é composta por um saguão, onde ocorre o primeiro contato da gestante com a casa, composto por móveis e decoração feitos à base de madeira e bambu revestido com tecidos coloridos. O atendimento, a área de apoio e o administrativo se encontram próximos à entrada do edifício, sendo onde estão a sala para realização do pré-natal, a recepção e salas de uso do administrativo como almoxarifado e escritório. Ambientes esses que representam uma área de preparação para o nascimento (CASA ANGELA, 2019).

Os ambientes que compõem a parturição são todos aqueles voltados para o momento do nascimento, como a área de deambulação, os quartos PPP (pré parto e pós- parto) equipados com jardim e refeitório. A casa Angela possui 3 quartos PPP, sendo que dois dos quartos possuem banheira para o caso da gestante querer ter seu bebê na água. Cada quarto é equipado por uma cama hospitalar regulável e por equipamentos como a banqueta, as barras e a bola suíça que podem auxiliar com o conforto da mulher durante o trabalho de parto.


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CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO


HOSPITAL SOFIA FELDMAN Idealizado por José de Souza Sobrinho, o Hospital Sofia Feldman foi criado para que pudesse suprir às necessidades da sua comunidade, na cidade de Belo Horizonte-MG. Apesar de ser uma pessoa muito católica (seu apelido era Zé Católico), ele foi capaz de conversar e se articular com pessoas de outros credos e crenças, como evangélicos e comunistas, para efetivar a construção e a manutenção do hospital.

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Ele foi construído de forma solidária pelas pessoas da comunidade no formato de mutirão, além de ter conseguido tanto o terreno quanto o projeto por meio de um donativo. As atividades enquanto maternidade tiveram inicio da década de 1980, de forma ainda retraída. No entanto, atualmente é a referência em maternidade e partos normais e humanizados na cidade de Belo Horizonte. Desde o princípio de sua criação, o Hospital conta com profissionais da área, como enfermeira obstetras e também assistência direta à parturiente. No ano de 2001, foi inaugurado o primeiro Centro de Parto Normal do Estado de Minas Gerais.


HOSPITAL SANTO ANTÔNIO O Hospital Santo Antônio é um centro de parto normal intra-hospitalar, ou seja, se localiza nas dependências internas do estabelecimento hospitalar, situado na Penha zona leste de São Paulo. Inaugurou em 2016 um ala especialmente voltada para

a realização de parto normal para atender gestantes via SUS. O hospital referência para o atendimento de gestação de alto risco, E segue em seu protocolo de aco-

lhimento um procedimento de triagem que visem à cada gestante um procedimento mais seguro e qualificado. O Centro de parto normal possui quatro quartos PPP

com sanitário que privativo, equipamentos com materiais para estímulo de parto como espaldar para alongamento e bola suíças sendo dois quartos equipados com banheira para realização de nasci-

mento na água.

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CASA DE PARTO ALMA MIDWIFERY - EUA A casa de Parto Alma Midwifery está localizada no centro da cidade de Portland, nos Estados Unidos, com localização e acesso privilegiado para todos os pontos da cidade. Instalada em uma grande casa da Era Vitoriana, a Casa de Parto foi inaugurada em 2005 já trazendo características fortes e um projeto de muita personalidade. Foi mantida toda a estrutura externa da casa, tornando o local totalmente residencial e sem nenhum traço que remete a um atendimento hospitalar.

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

Em seu interior, a casa foi adaptada para a criação de quatro quartos de parto, com projetos diferentes que tornam cada um dos quartos em um ambiente único e individual, todos dotados de uma grande banheira e muitas cores em tons claros e alegres.

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Além dos quatro ambientes individuais, a Casa de Parto conta com uma ampla área de uso comunitário, dividida entre circulação, salas de encontro e de estar, ampla cozinha e um salão para prática de atividades de preparo para o parto. Todas as áreas são decoradas com mobiliário confortável e intimista como em uma grande casa. Há vasos de plantas por todos os lados, inclusive nos quartos, e a iluminação natural é predominante em todos os espaços, sendo garantida por grandes janelas. A equipe oferece técnicas naturais para alívio da dor, como o uso da água, homeopatia e massagens, além de parceria com profissionais quimioterápicos, e acupunturistas que complementam o atendimento humano às gestantes, que ficam até dois dias sob os cuidados da Casa de Parto.


CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

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ESCOLHA DO TERRENO O terreno está localizado na cidade de Uberlândia, Minas Gerais Brasil. Está situado na Zona Sul uberlandense, no Bairro Jardim Karaíba, em frente ao Uberlândia Medical Center (UMC), o que propicia a possibilidade de incorporação do empreendimento ao respectivo hospital privado, pois, cumpre o requisito da Portaria 11, a qual exige que o terreno esteja próximo à um hospital.

O terreno é circundado por três ruas, Rua Rafael Marino Neto, Rua João Marçal Dionísio e pela Rua Coronel Ernesto Rodrigues da Cunha. A Rua Rafael Marino Marino Neto é uma via arterial onde circulam todos os dias milhares de veículos, pois é uma via que conecta o centro da cidade aos condomínios de classe média alta da Zona Sul da cidade. Dentre esses condomínio estão Villa dos Ipês, Village Karaíba, Bosque Karaíba entre outros. Esse é o público que o projeto quer atingir.

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O UMC tem se mostrado um hospital com visão diferenciada no quesito humanização hospitalar, com projetos interessantes aos pacientes. Atualmente, o complexo conta com uma área de 4.000 m2, no entanto já está em construção a área onde abrigará um hotel para pacientes e familiares, e também um centro clínico, alameda de serviços especializados para proporcionar aos pacientes a melhor experiência possível.

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REDE DE HOSPITAIS EM UBERLÂNDIA HC-UFU MATERNIDADE ODELMO LEÃO HOSPITAIS PRIVADOS UAIS


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CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO


PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO As usuárias deste empreendimento são mulheres de classe média alta, i.e., classe B. Elas gozam de elevado padrão de vida, consumindo bens de luxo e com investimentos materiais planejados. São elas empresárias, profissionais autônomas, professoras universitárias, juízas, médicas e etc.

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

O acesso à recursos da Casa de Parto se dá por meio de planos de saúde que cubram tal assistência especializada ou também de forma particular.

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RECURSOS FINANCEIROS E VIABILIDADE A viabilidade do projeto, bem como recursos financeiros advêm de fundos provindos de investidores associados à classe médica, que vislumbram neste projeto uma viabilidade técnica, devido à crescente tomada de consciência de mulheres quanto à medicalização e empoderamento feminino. Deste modo, acredita-se que essas mulheres estão cada vez mais resgatando a essência do ser feminino e o parto normal sem intervenção, sobretudo, faz parte deste processo. Segundo consulta realizada com proprietário do terreno vizinho do empreedimento, o valor do m2 deste terreno é de aproximadamente R$ 2.300,00 sendo o valor do terreno da área da Avenida Rondon Pacheco e Avenida Nicomedes Alves dos Santos devido seu elevado valor agregado junto à Zona Sul da cidade. Tomando com base a taxa de ocupação do Sistema de Indicadores Hospitalares (SINHA) desenvolvido pela Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) a taxa de ocupação média no Brasil, (ANAHP, 2012) é de 78,8%. Tendo em vista que um parto natural custa à parturiente aproximadamente R$ 6.000,00, em 2019, temos uma receita aproximada sem levar em consideração os custos fixos e variáveis do empreendimento:

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

30 dias x 5 quartos x R$ 6.000,00 x 78,8% = R$ 725.400,00

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Além dos quartos PPP este empreendimento contará com ala especializada para profissionais ligados ao nascimento, entre eles: • • • • • •

Médicos Ginecologista - Obstétrico Psiquiatria Enfermeiras Obstétricas Nutricionistas Psicólogos Fisioterapeutas

• Educadores físicos - Pilates e Yoga


CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

Nesse modelo será possível atender parturientes e mesmo pacientes que não estão em gestação no que diz respeito à saúde da mulher. Os consultórios serão sublocados por diversos profissionais que podem fazer rodízio no uso da sala, modelo semelhante à um coworking.

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As cotas do terreno são: 120m (Rua Rafael Marina Neto), 127m (Rua João Marçal Dionísio), 89m (Rua Cel. Ernesto Rodrigues da Cunha). A área total disponível para construção é de 6.210 m2.

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

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TOPOGRAFIA Este possui desnível suave em sua topografia, sendo que sua cota mais baixa é de 860,5 m em relação ao nível do mar, e a cota mais alta 862,25 m, sendo georreferenciamento disponibilizado pela Prefeitura de Uberlândia (PMU). Entretanto, é importante destacar que o terreno apresenta em seu centro pequenos desníveis relacionados ao processo de erosão.


POLUIÇÃO SONORA As fontes produtoras de ruído são provenientes, sobretudo, dos automóveis que trafegam na Rua Rafael Marino Neto. No entanto, essa fonte é mais acentuada em horários de pico, onde as massas se deslocam da Zona Sul para o Centro e no final do dia Centro para Zona Sul. Outro fator importante para se levar em consideração são as linhas de ônibus, uma vez que no próprio terreno se encontra uma parada de ônibus. Por esse motivo os quartos PPP foram posicionados em local estratégico para que as parturientes ficassem em local mais silencioso possível.

CONSTRUÇÕES DO ENTORNO A Rua Rafael Marino Neto é uma via arterial onde se concentram diversos serviços. Desde supermercados, farmácias, posto de gasolina, restaurantes até academia de ginástica e padarias. O antigo complexo denominado Ubershopping hoje dá lugar ao UMC, escritórios de advocacia, laboratórios de exame e também uma faculdade UNA.


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CONDICIONANTES NATURAIS - VEGETAÇÃO

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A partir de levantamento no local observou-se a presença de cinco árvores de médio porte. Uma delas possui somente seu tronco e galhos secos, o que deu morada à diversos pássaros como tucanos, corujas e outros. A vegetação original não será mantida pois as árvores se localizam em locais de projeto. No entanto, um bosque com predominância de árvores Sete Copas (Terminalia catappa) com altura média de 12m serão plantadas para recompor este espaço que a fauna deixará de usufruir.

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No que tange à vegetação da cidade de Uberlândia, temos o cerrado e suas variáveis como veredas, campos limpos, campos sujos ou cerradinhos, cerradões, matas de várzea, matas de galeria ou ciliares e matas mesofíticas. Apenas na parte oeste do município, em locais onde a altitude varia de 700 a 850 m, os solos são mais rasos com baixa fertilidade e a vegetação predominante é a mata subcaducifólia.


Gráfico das temperaturas

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Temp. bulbo seco méd. mensal (°C) CONDICIONANTES NATURAIS - CLIMA

Temp. bulbo úmido méd. mensal (°C)

O clima de Uberlândia é caracterizado como tropical (segundo a UFU), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média compensada anual em torno de 22 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico é pouco superior a 1.600 milímetros (mm), concentrando-se nos meses de verão. As precipitações caem sob a forma de chuva, podendo em algumas ocasiões ocorrer granizo. Por outro lado, na estação seca é comum o município registrar índices de umidade relativa do ar crítico, algumas vezes abaixo de 20%, sendo que abaixo de 30% já é considerado estado de atenção.

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Em Uberlândia, a estação com precipitação é úmida e de céu encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens. Durante o ano inteiro, o clima é morno. Ao longo do ano, em geral, a temperatura varia de 15 °C a 30 °C e raramente é inferior a 11 °C ou superior a 34 °C.

CONDICIONANTES NATURAIS - VENTOS PREDOMINANTES A sensação de vento em um determinado local é altamente dependente da topografia local e de outros fatores. A velocidade e a direção do vento em um instante variam muito mais do que as médias horárias. A época de mais ventos no ano dura 3,8 meses, de 28 de junho a 21 de outubro, com velocidades médias do vento acima de 12,6 km/hr. O dia de ventos mais fortes no ano é 29 de agosto, com 14,8 km/h de velocidade média horária do vento.

Nov

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A época mais calma do ano dura 8,2 meses, de 21 de outubro a 28 de junho. O dia mais calmo do ano é 11 de março, com 10,4 quilômetros por hora de velocidade horária média do vento. A direção média horária predominante do vento em Uberlândia varia durante o ano. O vento mais frequente vem do Leste durante 9,6 meses, de 4 de fevereiro a 22 de novembro, com porcentagem máxima de 68% em 10 de agosto. O vento mais frequente vem do Norte durante 2,4 meses, de 22 de novembro a 4 de fevereiro, com porcentagem máxima de 43% em 1 de janeiro.

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CULTURA LOCAL

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Uberlândia é uma cidade que possui um vasto patrimônio cultural. Hoje constam 19 bens tombados, sendo um deles a Praça Tubal Vilela, parte dos projetos urbanísticos elaborados no final do século XIX objetivando a construção de uma cidade moderna. Além disso, há também a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, conhecida por ser o prédio religioso mais antigo no espaço urbano de Uberlândia, e a Igreja do Espírito Santo do Cerrado, foi projetada em 1975 pela arquiteta Lina Bo Bardi a pedido do Frei Egydio Parisi e o Frei Fúlvio.

A trajetória histórica de Uberlândia é composta por manifestações locais que com o passar do tempo ganharam caracterização de tradição cultural e têm esse conceito por resistirem aos efeitos da contemporaneidade e permanecerem. Como exemplo, a cidade de Uberlândia pode ser conhecida por sua tradição cultural na Folia de Reis, em seu Carnaval, suas Festas Juninas, no Congado, por sua fiação e tecelagem, culinária do Cerrado e a medicina popular.


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Vias Arterias Vias Coletoras Vias Estruturais Vias de Serviço

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TRANSPORTE As linhas de ônibus que servem o local são: A131

Saída de Terminal Central com destino à Faculdade UNA, tendo em média um ônibus saindo do Terminal a cada hora. E aos sábados, a linha deixa de operar.

Saída de Terminal Central com destino à Faculdade UNITRI e Uberlândia Shopping, tendo em média um ônibus saindo do Terminal a vinte e cinco minutos. Esta linha funciona aos sábados, domingos e feriados, com intervalos mais espaços de uma hora nestes casos. B911

Saída de Terminal Central com destino à Bairro Laranjeiras, tendo em média um ônibus saindo do Terminal a vinte minutos. E aos sábados opera normalmente, sendo que domingo não há operação. Atualmente, a tarifa de transporte público na cidade de Uberlândia é de R$ 4,30. O acesso principal, tanto de veículos quanto de pessoas será pela Rua Rafael Marino Neto, onde está localizado junto à divisa um ponto de ônibus que servirá de acesso via transporte público.

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CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

SÍN SÍN TESE TESE

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O conceito da Casa de Parto Papiro é resgatar a sensação de intimidade durante o parto. Tendo em vista que o processo de medicalização do parto tornou o nascimento um momento mecânico, a intenção é que este edifício possa traduzir a sensação de intimidade em todos as etapas do nascimento, desde o pré-natal até o pós-parto. Nascimento mistura vida, morte e sexualidade. Este momento de intensa intimidade é carregado por três pilares importantes para a humanização do parto: confiança, respeito e acolhimento. Todos eles juntos foram traduzidos em arquitetura. A Casa de Parto Papiro foi projetada visando ex-

plorar a subjetividade da intimidade em todos os aspectos. Desde a distribuição dos blocos, a escolha do local enfermeria, o dimensionamento dos quartos e também sua locação no terreno. Também foi priorizando este tema que foi especificado os materiais: madeira, metal e vidro.

PARTIDO A escolha dos materiais foi baseada em materiais que resgatam a sensação de ancestralidade. Nenhum outro material foi tão utilizado na arquitetura como a madeira. Desde os primórdios usamos este material para nos abrigar. A madeira representa o acolhimento, sua suave textura é agradável aos olhos pois nos remete à cores da natureza como o caule e troncos. Além

deste, foi escolhido o metal. Este minério que em sua forma bruta está localizado em grandes rochedos foi escolhido para representar a confiança. Ele seguramente suportará toda a estrutura e proverá à edificação a sustentação necessária. E por último, a escolha do vidro se dá no tema do respeito. O vidro, outro material que resgata nossa ancestralidade, possibilita o contato com o exterior, com a natureza, com o que é natural impõe o respeito, pois através dele é possível penetrar um olhar, mas não é possível penetrar. Essa barreira física impedirá que a edificação fique exposta aos intempéries.

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CONCEITO

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EVOLUÇÃO CRIATIVA Os primeiros croquis de estudo no início dos estudos foram embasados na relação genética dos cromossomos XX e XY. No princípio o projeto tinha sua planta baixa em formato de Y, contendo portanto três blocos de igual extensão.

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

No decorrer dos estudos, foi percebido que os blocos não necessariamente deveriam ter tamanho iguais devido o volume da demanda. Além disso, o edifício estava com aspecto de clínica ou hospital. O conceito de intimidade e

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humanização não cabia nessa planta baixa. Em seguida, esses três volumes foram traduzidos no formato de um retângulo, havendo quatro lados. O primeiro lado do retângulo era o da recepção e sala de espera, sendo que os outros era a administração, consultórios e, por último, os quartos PPP. Viu-se a necessidade de uma melhor integração entre todos os blocos e também a criação de um acesso mais exclusivo à área técnica, que até então não havia sido projetado.

A última forma se mostra mais condizente com os fluxos, acessos e perspectivas visadas. Ela é composta pelo mesmo programa, no entanto, possui áreas de circulação mais avantajadas, buscando trazer ao usuário, profissional e mulher, a melhor sensação de conforto ambiental, através de iluminação e ventilação natural.


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60 CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO


Para concretizar a ideia deste novo modelo de negócio na cidade de Uberlândia criou-se uma logotipo. Baseada em uma das ideias durante o processo criativo de desenvolvimento do projeto, o do entrelaço da tríade mãe-pai-filho foi pensada a marca. A partir de dois quadrados de cores diferentes, não opostas mas complementares, um terceiro quadrado se forma. É na fusão das cores entre “mãe” e “pai” que nasce o filho como uma terceira cor, ligeiramente diferente de ambos, mas que carrega em si o DNA das cores “mãe” e “pai”. Nascer é chegar com uma história a ser vivida. É uma página em branco. Neste sentido, nasce o nome PAPIRO. Papiro é uma plan-

ta que, por muito tempo durante a história da humanidade, foi provedora de um meio físico para os humanos expressarem suas ideias e estórias. A luz do exposto, a Casa de Parto Papiro é o local para que novas estórias e vidas possam nascer.

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LOGOTIPO

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PROGRAMA DE NECESSIDADES

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A análise dos estudos de caso somada ao levantamento bibliográfico, juntamente com a revisão da legislação resultou na elaboração do programa de necessidades da Casa de Parto Papiro. Dentre as diretrizes podemos citar a RDC 50 - Planejamento, programação elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde; NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos; RDC 36 - Dispõe sobre Regulamento Técnico para Funcionamento dos Serviços de Atenção Obstétrica e Neonatal e também o Guia de Orientações para Elaboração de Projetos da REDE CEGONHA.

O empreendimento está dividido em cinco grandes blocos: • • • • •

Acolhimento Atendimento Parturição Apoio e administração Serviços

Para melhor conforto dos usuários dos edifícios, todas as medidas estão acima do exigido como dimensão mínima, o que traz à Casa de Parto Papiro uma assistência diferenciada.


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FICHA TÉCNICA Nome do Projeto Casa de Parto Papiro Ano 2019 Local Uberlândia/MG Área do Terreno 6.210 m2 N.º de Pavimentos 1 Pavimento

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Área Total Construída 2325 m2

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Área Permeável 2425 m2 - 39% Taxa de Ocupação 38% Coeficiente de Aproveitamento 0,38


JUSJUS TIFI TIFI CATI CATI VOVO CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

MEME MOMO RIAL RIAL

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ESTRUTURA

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Como preceito no partido arquitetônico, temos a estrutura metálica como pilar da intimidade. Foi projetado a estrutura metálica, exibindo sua aparência crua. A estrutura metálica é um sistema construtivo que alia economia, praticidade e qualidade técnica. A cobertura é composta de telha termoacústica, reunindo propriedades que fazem o isolamento da temperatura e som, além de garantir um controle térmico dos ambientes e auxiliando na demanda do ar-condicionado e outros aparelhos consumidores de energia. Outro ponto importante é a ação protetiva contra chamas, requisito básico para função estrutural. O fechamento das paredes se dá por meio de alvenaria comum, de tijolo cerâ-

mico de dimensões de 19 cm x 14 cm x 39 cm.

ELEMENTOS CONSTRUTIVOS O projeto prevê o uso de diversos materiais e sistemas, dentre eles estão as vigas de metal aparente, a madeira no forro, piso e revestimento das paredes, além das paredes de cortina envidraçadas com vista para o jardim interno ou para o bosque. Também são utilizadas portas de 90cm, com vidro e película para entrada de luz. Acima desta entrada está localizada uma janela basculante para entrada e saída de ar. Os fechamentos dos muros externos é feito com aço pintado de preto e bambu, permitindo de forma sutil a permeabilidade visual. Esse efeito convida os transeuntes a se questionarem sobre o

propósito do edifício.

MOBILIÁRIO A mobília deste empreendimento é semelhante àquela usada em uma casa, ou que poderia ser a de um hotel. Tanto para ambientes de transição temporária, i.e., como a sala de espera e consultórios, quanto para os ambientes de permanência prolongada, como os consultórios. Para tanto, priorizou-se o conforto, aconchego e acessibilidade, como dito anteriormente, foram algumas premissas de projeto. Foram escolhidas diversas linhas de mobiliário da fabricante Herman Miller, tradicional produtora de móveis de elevado padrão. A sala de espera tem um misto de móveis conjugados de forma a trazer a sensação de um am-


Nos consultórios foram adotadas as linhas Sense Desking para a mesa dos médicos, as cadeiras dos profissionais da linha Setu Lounge Chair, cadeira das gestantes da linha SAYL. Já na sala de ultrassom e admissão, para que aconteça conversas menos técnicas e mais próximas à parturiente, foi planejado um espaço de estar com mesa de centro, contendo duas poltronas da linha Tuxedo. Na ala administrativa também seguem a mesma linha de Setu Lounge Chair. Já o mobiliário dos quartos PPP foram perso-

nalizados. A cama seguiu recomendação da Guia de Elaboração de Projetos da Rede Cegonha.

CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

biente lounge e menos um aspecto tradicional e frio de uma sala de espera de uma clínica ou hospital. As linhas escolhidas para a sala de espera foram Tuxedo e Plywood Lounge , devido ao seu design minimalista e elegante.

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PAISAGISMO

espaço disponível.

A proposta do paisagismo é a utilização do estilo jardim inglês. Este estilo traz uma proposta de praticidade, com grandes gramados e densos e oásis de plantas, arbusto e flores. Essa é uma proposta minimalista, pois trabalha com poucas espécies, poucos tons de cores mantendo sempre a praticidade de manutenção.

RESOLUÇÃO BIOCLIMÁTICA

O uso de vaso no interior da edificação também propiciou a sensação de imersão na natureza. O telhado verde do anexo traz a agradável sensação de frescor devido ao excelente isolamento térmico proporcionado pela vegetação no telhado. Foram utilizados diferentes portes e espécies com o intuito de provocar aos usuários o uso de todo o

No quesito da posição em relação ao terreno, os blocos estão longitudinalmente posicionados. Basicamente, existem duas formas de proteção, através dos cobogós e também por meio da grande varanda, onde se localiza os corredores. Os corredores possuem abertura, o que permite a ventilação cruzada. Além disso, as fachadas de todos os

Os estabelecimentos assistenciais de saúde devem prever o melhor conforto ambiental possível aos usuários, preconizadas pela RDC-50. Nos ambientes semi-críticos, de acordo com a norma, deve existir equipamentos de ar-condicionado com sistema de filtragem.

quartos PPP estão protegidas do sol da tarde, provocando uma sensação de maior bem-estar no ambiente. Priorizou-se o uso de ventilação e iluminação natural em todos os ambientes da edificação, por meio de parede, de cortina, envidraçados em conjunto com elementos de proteção solar como os cobogós. A ventilação cruzada acontece quando as portas dos ambientes estão abertas, pois o ar consegue circular. Ademais, a vegetação junto ao bloco de consultório propicia mais uma camada de proteção aos consultórios, tanto de conforto ambiental, quanto de privacidade, impossibilitando a permeabilidade visual. Os cobogós foram usados nas fachadas de dois blocos: Consultório, Admi-


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nistrativo e na Recepção. Estes elementos, além de contribuírem para o conforto térmico do empreendimento são peças chaves para a estética do edifício. Nos quartos PPP o uso de iluminação zenital foi usada para iluminar a sala de acompanhantes.

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RESOLUÇÃO TOPOGRÁFICA

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Segundo o georreferenciamento disponibilizado pela Prefeitura de Uberlândia (PMU), o terreno passa por duas curvas, uma de 860,5 m em relação ao nível do mar, e outro nível de 862,25 m. Apesar de não ter sido possível levantamento topográfico profissional, é visualmente identificável que o terreno não possui desnível de 02 metros. Por isso, foi considerado em projeto a terraplanagem para que ficasse todo no mesmo nível.


É possível acessar a Casa de Parto por meio da Rua Rafael Marino Neto e pela Rua João Marçal Dionísio. A entrada principal e saída de veículos de usuários é feita pela Rua Rafael Marino Neto. Pela Rua João Marçal é possível acessar ao empreendimento de duas formas. Entrada de veículos de serviços, funcionários e ambulância é feita pela Rua João Marçal Dionísio. O abrigo de resíduos, área técnica contendo cilindros de oxigênio e caixa d’água são feitos pela Rua João Marçal, onde também está o portão de acesso exclusivo à veículos de serviço e o estabelecimento da ambulância, exigido pelas portarias previamente citadas. O empreendimento foi projetado para comportar 38 vagas de estacionamento.

Dessas vagas, 22 são dentro do empreendimento e o restante ficam junto à calçada do lado de fora. As duas vagas prioritárias para cadeirantes são as mais próximas ao empreendimento, priorizando o seu acesso.

FLUXOS Nos blocos de consultório e administração, existem 4 grandes corredores de fluxos de pessoas e materiais. Voltados para o Jardim Interno estão os corredores onde as parturientes terão acesso. São grandes aberturas de 4m cada, propiciando uma excelente circulação de pessoas, e em caso necessário, a circulação de macas ou cadeiras de rodas. Os corredores da periferia dos blocos citados acima são dedicados à circulação de funcionários

e materiais médico-hospitalares. Para se acomodar em seu quarto PPP, a parturiente deve percorrer o corredor do bloco administrativo até chegar em outro corredor, para então ter acesso à “partolândia”, onde estão situados todos os quartos PPP do empreendimento. Nesse sentido, não é possível ter visadas direcionadas aos quartos PPPs. Portanto, esta região do empreendimento se destaca por proporcionar maior privacidade às parturientes. Uma vez que a parturiente chega ao corredor dos quartos, não é possível ter visibilidade de todos os quartos devido à sua implantação. Prevendo que possíveis intercorrências podem suceder, foi previsto um corredor de acesso à todos os quartos PPPs de largura

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ACESSOS

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de 3m, trazendo facilidade de acesso à ambulância, localizada na área técnica.

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IMPLANTAÇÃO

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O edifício está implantado de tal forma que aproveita o desenho do terreno, com seu ângulo de abertura de 29º. Os blocos foram posicionados paralelamente à Rua João Marçal e Rua Rafael Marino. Esta implantação foi projetada com o intuito de preservar os quartos, entretanto, privilegia uma abertura para o Jardim Interno, para qual todos os usuários do empreendimento terão vista. A entrada do empreendimento foi propositalmente colocada em um local onde não se pode ver desde os logradouros. A intuição foi privar o grande jardim interno, para tanto, é preciso fazer

o acesso para dentro do terreno para ter a percepção do todo empreendimento, exceto os quartos PPPs. Por meio de um porte-cochère os automóveis podem fazer uso do extenso beiral, propiciando maior proteção à entrada, e em seguida estacionam os veículos nas vagas destinadas aos usuários do edifício. Uma vez que se dá entrada na recepção, já é possível notar sua extensão. Um grande jardim. Durante o percurso desde a recepção até o quarto PPP a parturiente vai tomando conta de que o jardim se estende para além da sua imaginação, pois o bosque se situa em posição estratégica para causar impacto e surpresa ao usuário do edifício. Dentro do bosque se situa outra edificação, a cafeteria, sala de yoga e capela.

Esses ambiente desfrutam juntos de um espaço contido dentro de um jardim especialmente pensado e desenhado.

VOLUMETRIA A fim de trazer uma unidade projetual, procurou-se desenhar os blocos de forma que se comunicassem. Por meio do uso da estrutura metálica, criou-se volumes com linhas retas e contínuas. Com exceção dos quartos PPPs, cujos volumes estão separados uns dos outros. O empreendimento possui pé direito de 4,00m a fim de proporcionar conforto térmico aos usuários pois o calor das telhas serão dissipados antes de chegar no nível da área de trabalho. Objetivando projetar quartos PPP com a mais


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absoluta sensação de privacidade, a volumetria das fachadas foram embasadas em um ninho de pássaro, com os emaranhados de gravetos de protegendo os filhotes. Além dessa sensação de privacidade esta cobertura traz proteção da chuva, sol e ventos.

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PLANTAS, CORTES E FACHADAS HUMANIZADAS

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B l o co admi n i st r at i vo

Nível 2 400.00

Nível 1

Bl o co at e n di me n t o

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40.00

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Q u a r t o p p p t r an sve r sal

Nível 2 400.00

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40.00


Q u ar t o p p p l o n gi t u dina l

Nível 2

Nível 1 40.00

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400.00

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P L AN TA P P P

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fachada R afae l ma r ino CASA DE PARTO: PROPOSTA DE UM CENTRO DE PARTO NORMAL HUMANIZADO

fachada j oão mar ç a l

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Parturição

Apoio e administração

82 Acolhimento


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Serviços

Atendimento

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Lavabo Pilates DML

Primeiros Cuidados RN Enfermaria Enfermeira Chefe

Banheiro Apoio Auditório

Sala de Pilates Auditório Copa/Refeitório Sala de Utilidades

DML

Vestiário Funcionários

Consultórios

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Banheiros Recepção

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Sala de Reunião

Diretoria

Administração Recepção

Exame e Admissão


Jardim Privativo

Banheiro

Quarto PPP

Sala de Estar

Closet

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varanda

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CON CON SIDE SIDE RARA ÇÕES ÇÕES

FI FI NAIS NAIS


Ao longo de minha trajetória como aluno de duas graduações, Engenharia Biomédica e Arquitetura e Urbanismo, pude buscar nas ministrações dos professores e nos trabalhos que desenvolvi um olhar perspicaz, focado no conforto e estética. Esse olhar

trouxe ao projeto humanidade e beleza. Além disso, para o desenvolvimento deste trabalho foram fundamentais os contatos realizados com profissionais da obstetrícia, engenharia clínica e arquitetura, pois me colocaram a par de possíveis situações que sozinho seria impossível prever. Os estudos de referências em conjunto com o exercício de desenho, fluxos, materiais e legislação foram decisivos para que se pudesse estabelecer a casa de parto. Creio que a cidade de Uberlândia-MG seja um excelente local para a edificação de uma casa de parto, especialmente, devido ao cenário favorável tanto no sentido do desenvolvimento de pro-

fissionais, com as escolas de medicina, enfermagem e doulagem, quanto a presença do público feminino uberlandense, que cada vez mais busca resgatar o sentido natural do parto. Por fim, espero que sejam abordados assuntos relacionados à saúde nos próximos semestres na Faculdade Pitágoras de Uberlândia e também em outras escolas, sobretudo, no que tange à causa do parto natural.

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De modo geral, alunos de arquitetura no final de sua graduação desenvolvem trabalhos que muitas vezes estão conectados com sua personalidade, história e aptidões. No meu caso isso não foi diferente. Adotar este tema atípico e inusitado foi motivo de espanto para muitos que me perguntavam em assunto eu projetava. Até a data presente deste trabalho nenhum outro aluno na Faculdade Pitágoras de Uberlândia abordou este tema como objeto de estudo.

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