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UMA DUPLA FORA DA CAIXA DOIS CAFÉS & A CONTA A
from T81 - Março 2023
by T Digital
Por: Maria Monteiro
Tapper
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Não foi de um legado de gerações passadas, mas antes uma ambição de casal que misturou paixão pela criação e um sonho muito próprio pelo mundo têxtil, que surgiu a Spring. Alexandra Carneiro e Hélder Gonçalves são o seu rosto há 21 anos e os seus indissociáveis pilares. Alexandra tem um papel fundamental na produção e na criatividade e Hélder é quem olha em frente, para o futuro da empresa. “Ela é o drone da empresa, está por cima a olhar por tudo”, segundo Hélder. Para Alexandra, o marido tem o comando: “está sempre a controlar todas as situações, a identificar os problemas, o que se pode melhorar e desenvolver, sempre com uma visão mais à frente. Com ele está sempre tudo controlado”.
A criatividade está presente não só no ADN do casal, como também no laboratório da Spring que é onde toda a magia acontece. “Nós não nos limitamos a esperar que os clientes nos mandem os dossiers com o que querem. Nós fazemos todo esse trabalho criativo. O cliente vê em nós uma empresa criativa”, afirma o casal.
Foi com as lacunas que sentiram no mercado das camisas, onde havia muita quantidade, mas fraca qualidade e falta de diversidade, que entenderam que o caminho seria por aí. Hoje, a marca oferece multiprodutos, mas o seu core é a camisaria.
A Spring cresceu gradualmente, de uma forma muito orgânica, sem grande exposição no mercado, mas isso de alguma forma é o passado: chegou em determinada altura a fase em que o casal decidiu dar ou- tros passos. Habituados a fazer roupa para os outros, nomeadamente para marcas estrangeiras, arriscaram numa marca própria, a A line. “Achámos que este poderia ser o nosso futuro. Já que sabemos fazer, porque não termos a nossa própria marca? Parece fácil, mas não é. Mas por outro lado, ao estarmos por dentro, isto veio dar-nos muito know-how, isto é, como é que os nossos clientes fazem, quais as necessidades deles. E o facto de termos o design interno vem complementar o lado criativo: estarmos sempre acima das tendências. O resultado final acaba por ser uma alavancagem grande de conhecimento”, explica Hélder. Que acrescenta: “no dia que pararmos de fazer isso, vamos ser uma empresa normal de fazer roupa”.
Estando a estratégia bem presente em todos os passos que a Spring tem dado, todas as oportunidades são cruciais para dar asas ao crescimento da empresa. Um exemplo disso foi a fase da pandemia: um entrave passou a ser um instante favorável. “Focámo-nos nas certificações. Percebemos que o facto de sermos certificados, neste caso com certificação BCORP (com pontuação de 105,7 pontos), contribuiu para que a Spring fosse considerada pioneira e uma mais-valia na indústria têxtil, fundamental para encarar o futuro. Em termos estratégicos, enquanto indústria, na nossa ótica não me parece que haja outro caminho a seguir a não ser este”, explicou o casal.
E é neste ritmo de estar sempre mais à frente – mas também por uma questão de autonomia na produção – que o casal achou conveniente investir numa unidade industrial, a Clothique que nasceu certificada e permitiu dar alguma segurança à empresa. Um investimento de cerca de 200 mil euros com o objetivo principal de habilitar a empresa para mais complexidade e, por essa via, atrair produção com valor acrescentado. A este projeto junta-se agora o próximo passo: um novo edifício multisserviços – que não dispensa uma cantina e um jardim: também tem de ser bom trabalhar na Spring.
O ano de 2022 fechou com um volume de negócios de seis milhões de euros, com as exportações a representarem quase a totalidade – os principais mercados são os nórdicos, a Alemanha e mais recentemente o norte-americano. “Com a nossa presença este ano na feira de Nova Iorque pela primeira vez, deparou-se-nos que existe facilidade em vendermos o nosso país como um mercado de proximidade. O que mais ouvimos é que os norte-americanos querem sair da China e querem ir para Portugal”, revelaram.
Com uma estrutura composta por 30 pessoas, “a nossa maior qualidade é a qualidade das pessoas, somos poucos, mas somos muito eficientes e focados”, refere o casal – que já está alinhado no próximo sonho: atingir os 10 milhões de euros de faturação em 2025. “O mais importante para nós é sempre o objetivo, o foco, o sonho e a estratégia. Se soubermos para onde vamos, o caminho é muito mais fácil”, concluem.t








Fotos Ntese 6
Rodrigues & Bebiana Rocha
Uma Uni O
Que Leva Mais Longe
Dois dias de recordes e satisfação generalizada marcaram o MODTISSIMO 60+1, que decorreu na Exponor nos dias 15 e 16 de fevereiro, numa edição que reforçou a aposta na internacionalização. A fasquia subiu com a presença de 5.163 visitantes, 504 deles compradores internacionais, e a apresentação de 346 coleções. A sustentabilidade continuou a ser o mote, a par da inovação, como vimos pelo programa paralelo de talks e fóruns.






2. A AZÁFAMA FEZ-SE NOTAR NO STAND DA LEMAR, QUE ESTEVE A APRESENTAR OS SEUS MAIS RECENTES TECIDOS FEITOS A PARTIR DE RECICLADOS DE PNEUS DE CARROS



3. ENTRE AS INÚMERAS OFERTAS DA JOF, A SUA ETIQUETA ‘ECO RECYCLE’ BRILHOU E CONQUISTOU O JÚRI DOS ITECHSTYLE AWARDS NA CATEGORIA ACESSÓRIOS


7. A OLMAC LEVOU AO MODTISSIMO, ENTRE OUTRAS CRIAÇÕES, O SEU STUBBORN POLO SHIRT. UMA PEÇA DOIS EM UM CRIADA POR OLGA JONES (AO CENTRO NA FOTO), NOMEADO PARA OS FINALISTAS DO ITECHSTYLE AWARDS
8. OS TECIDOS ORGÂNICOS, LINHOS NATURAIS CERTIFICADOS E O 100% ALGODÃO FORAM AS ESTRELAS DA TEXSER, QUE NÃO QUIS PERDER A OPORTUNIDADE DE ESTAR PRESENTE
4. CARLOS SERRA, CEO DA TROFICOLOR, E A SUA EQUIPA ESTIVERAM A APRESENTAR UMA COLEÇÃO QUE DÁ UMA NOVA VIDA A TECIDOS INTEMPORAIS DE COLEÇÕES ANTERIORES
PARA
ANOS DE COLABORAÇÃO ENTRE A MESSE MUNICH E A ASM. ONDE TOBIAS GRÖBER, HEAD DO GRUPO ISPO, E TÂNIA BARROS, REPRESENTANTE DA MESSE MUNICH EM PORTUGAL, FIZERAM AS HONRAS
ALEMÃES, AUSTRÍACOS E ESPANHÓIS, OS COMPRADORES ASIÁTICOS VIERAM CONHECER AS NOVIDADES DO MADE IN PORTUGAL E A NOVA REVISTA ‘THE GREEN WAY FROM PORTUGAL’, DA AUTORIA DA ATP, AJUDOU NO PROCESSO



9. OS FÓRUNS FORAM “MUITO VISTOS E APRECIADOS”, SEGUNDO MANUEL SERRÃO, CEO DA ASM. A PAR DO FÓRUM DE TECIDOS, DESTACOU-SE AINDA O FÓRUM JOVENS CRIADORES E O ITECHSTYLE SHOWCASE

Conhecidos Os Finalistas Do Itechstyle Awards
Tintex Textiles Inverte A L Gica Do Seu Neg Cio
A Tintex lançou recentemente coleções cápsula que se constitui como uma tentativa de se aproximar das tendências e novidades de mercado numa perspetiva de tempo longo. São as coleções Imotion, InMotion, uma drop com poliamida, e a woven, que traz uma aproximação das malhas ao tecido. As expectativas são otimistas: a empresa espera crescer ao longo deste ano, não só a nível do core, o B2B, mas também através do digital, com o e-commerce mais vocacionada para os designers e as start ups e que precisam de aceder a stocks de forma imediata.

Foi durante o MODTISSIMO 60+1 que foi conhecida a lista dos finalistas da próxima edição dos iTechStyle Awards, nas categorias acessórios, tecidos, sustentabilidade e produtos. Com várias dezenas de propostas, a inovação e sustentabilidade foram os critérios considerados para a seleção dos 19 finalistas.
Os finalistas escolhidos nesta edição da maior feira têxtil da Península Ibérica juntam-se aos finalistas escolhidos na edição de setembro de 2022. Na categoria acessórios foram escolhidos o ‘Botão Can of Sofa’ da Eurobotónia, o ‘Neckline Application’ da Grácia Sofia, o ‘Transfer OLED’ da Hugo Miranda e Bordados Oliveira, a ‘etiqueta Eco Recycle’ da JOF Leather Labels e o
‘fecho Natulon Plus Reciclado’ e o ‘fecho Magnet’ da YKK.
Nos tecidos, ‘Jhemp’ da Coelima by Mabera, ‘EA0140v40 B/2’ da Riopele, ‘Sequoia’ e ‘Technical Flannel E1179’ da TMG Textiles, ‘68540 Second Chance’ da A. Sampaio e ‘05558’ da Inovafil, foram os escolhidos pelo júri.
O ‘Poncho I22OLED‘ da Adalberto, o ‘Tapete HelpinTEX’ da António Salgado, o ‘Wear2Heal’ da Tintex Textiles, o ‘Coordenado’ da Gulbena, o ‘Sistema de Vestuário de Proteção’ da DIF Jacket, o ‘Stubborn Polo Shirt’ da Olmac e o ‘Geocylinder’ da Sicornete foram os produtos escolhidos para os iTechStyle Awards.
Os membros do júri – Fer- nando Pereira (departamento de Engenharia Química da FEUP), Hélder Carvalho (departamento de Engenharia Têxtil da UM), José Morgado (diretor de Engenharia e Tecnologia do CITEVE), Pedro Guimarães (Modatex), Carla Silva (departamento de Química e Biotecnologia do CITEVE) e José Gonçalves (CeNTI) – reuniram-se para esta tarefa, que não se mostrou nada fácil face à qualidade e diversidade das propostas candidatas.
Por fim, na categoria Sustentabilidade – em que os selecionados foram conhecidos em setembro de 2022 – os materiais finalistas pertencem às empresas Adalberto, Burel Factory & Louropel, JF Almeida, Têxteis Penedo e Tintex. t