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DO FIO DE LINHO AO CORPO ETÉREO DO SUDÁRIO

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Em 2015 fui convidada a participar na Colombo Art Biennale do ano seguinte pelo curador britânico Alnoor Mitha que acabara de ser selecionado como o Curador Principal da mesma Bienal. A minha participação consistiria em conceber uma obra de arte para ser apresentada na Catedral de Colombo, no Sri Lanka.

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O convite trouxe-me entusiamo e inquietação. Se, por um lado, teria a hipótese de pensar numa obra específica para um espaço – algo que sempre me estimula – por outro, nunca tinha estado no Sri Lanka, a cultura local não me era familiar e, por isso, era fundamental que a obra dispensasse palavras e conseguisse comunicar apenas pela sua existência naquele espaço.

O curador enviou-me os desenhos de arquitetura da catedral – plantas, cortes e alçados – e foi através desses desenhos que visitei pela primeira vez o lugar que viria a receber a instalação de arte com 23 metros de largu- ra por 4,5 metros de altura, O Sudário.

Quis encontrar uma forma universal de contar algo que fosse inteligível pelos visitantes no Sri Lanka, uma história que lhes fosse familiar e decidi-me pela simbologia das catedrais, para lá da religião que representam. São lugares que o Homem concebeu e ergueu para se sentir mais próximo do divino, do espírito. Independentemente da fé que professam, todas as religiões creem na existência de uma alma humana que continua a sua vida para além do corpo físico. A ideia subjacente à criação d’O Sudário era representar o momento em que a alma atravessa o espaço terreno para uma dimensão desconhecida. Assim, a instalação de arte pode ser atravessada pelos visitantes.

Também a ação de fazer a obra de arte partiu de um lugar universal. Descobri, em Várzea de Calde, no Concelho de Viseu, uma comunidade que ainda hoje realiza todas as ações do ciclo do linho: plantação; colhei- ta; fiação e produção do pano de linho, ou estopa, em tear manual.

Para produzir O Sudário estampei à mão, no meu estúdio, 120 metros de linho tecido pelas mãos das tecedeiras de Várzea de Calde. Cada uma das 14 peças de tecido foi adornada com franjas de seda e algumas unidas entre si com fitas de cetim entrançadas. O próprio processo de produção, que consistiu em longas horas de trabalho manual em têxtil, também é familiar às mulheres em qualquer parte do mundo.

Na simplicidade do conhecimento local encontrei uma linguagem universal que me permitiu contar uma história sem utilizar palavras. Parti da semente de linho e criei o corpo etéreo d’O Sudário.

Depois de exposta na Catedral de Colombo, no Sri Lanka, a obra de arte foi exposta na Sé Catedral de Viseu e posteriormente, na Sala 11, da MATADERO, em Madrid, Espanha.

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