GLOBALIZAÇÃO “O grande desafio que enfrentamos hoje é certificarmo-nos de que, em vez de deixar para trás milhares de milhões de pessoas que vivem na miséria, a globalização se torne uma força positiva para todos os povos do mundo. Uma globalização que favoreça a inclusão deve assentar na dinâmica do mercado, mas esta só por si não é suficiente. É preciso irmos mais longe e construirmos juntos um futuro melhor para a humanidade inteira, em toda a sua diversidade”. Kofi Annan, Relatório do Milénio
Estatísticas fundamentais Dos 6 mil milhões de habitantes do mundo, 1200 milhões vivem na extrema pobreza, ou com um rendimento de cerca de 1 dólar por dia. Pouco menos de 3 mil milhões de pessoas vivem com 2 dólares por dia ou menos. •
Os países industrializados, com 19% da população mundial, são responsáveis por 78% do comércio mundial de bens e serviços, 58% do investimento estrangeiro directo e 91% do total de utilizadores da Internet.
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Mais de 1500 milhões de dólares são cambiados diariamente nos mercados mundiais de divisas.
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O investimento estrangeiro ultrapassou os 400 mil milhões de dólares em 1997, um nível sete vezes superior, em termos reais, ao da década de 1970.
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Entre 1983 e 1993, as vendas transfronteiriças de obrigações do Tesouro dos Estados Unidos aumentaram de 30 mil milhões para 500 mil milhões anuais.
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Os empréstimos bancários internacionais aumentaram de 265 mil milhões, em 1975, para 4,2 biliões, em 1994.
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As 200 pessoas mais ricas do mundo aumentaram para mais do dobro os seus activos líquidos nos quatro anos que antecederam 1998, tendo atingido mais de 1 bilião de dólares. Os bens dos três maiores bilionários são superiores ao conjunto do PNB de todos os países menos desenvolvidos, com os seus 600 milhões de habitantes.
Globalização – uma força imparável? Houve uma época em que a Coca-Cola era a marca distintiva da uma empresa mundial, que vendia o seu refrigerante praticamente em todos os países, praticamente em todas as línguas. Mas, hoje em dia, o mundo está habituado à McDonald’s a vender hambúrgueres em Moscovo, Beijing e Carachi, enquanto carrinhas de caixa aberta Toyota percorrem o Sahel africano e televisões Sony ocupam um lugar central em lares de todo o mundo. Esta é a idade de ouro para os negócios e o comércio. Nunca antes, na história do mundo, houve uma oportunidade semelhante de vender tantos bens a tantas pessoas, como agora. Não são apenas as grandes empresas que estão inseridas nesta explosão – embora possam dominar. As informações e comunicações instantâneas permitem que as populações indígenas da Guiana comprem camas de rede feitas à mão através da Internet e até as cerca de 50 pessoas que vivem na remota Ilha Pitcairn podem vender o seu artesanato em qualquer lado.