1 GUERRA INFINITA ? A ETERNA LUTA CONTRA O AEDES EGYPTI E A DENGUE UMA RESISTÊNCIA DE INSETOS A FORMULAÇÕES INSETICIDAS: MECANISMOS E AÇÕES GESTÃO NOS NEGÓCIOS Página 29Página 15 Página 21 ISSN 1982-4262 A primeira revista brasileira de pragas urbanas ESTEJA SEMPRE UM PASSO À FRENTE
2 SOMOSJUNTOSMELHORES . . . . . . . . . . . . . . . . FAÇA PARTE DESSE TIME QUE SEMPRE APOSTA EM DIAS MELHORES. Confira alguns benefícios: Assessoria Jurídica Assessoria Técnica Full Time (Biólogos, químicos, engenheiros). Estreitamento com Órgãos Reguladores (Inea, Crbio, Anvisa, Crea). Participação e descontos nos cursos mensais e eventos da Associação. Tels.: (21) 2577-6433 / (21) 3435-2477 Av. Pastor Martin Luther King Jr, 126 Torre 3000 - 14º andar - Sala 1504 - Office Nova América Del Castilho - Rio de Janeiro - RJ Shopping Nova América www.abcvp.com.br | abcvp@abcvp.com.br O
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O problema é complexo. Há uma série de fatores favoráveis para que o animal se prolifere no Bra sil. As condições ambientais são extremamente propícias, com temperaturas variando entre 20 e 40 graus na maior parte do território. Esta edição de Vetores & Pragas traz uma reflexão sobre os desafios para o combate do mosquito que causa tanto prejuízo para a saúde pública.
A Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas deixa ainda o convite para os cursos e eventos a serem realizados nos próximos meses.
EXPEDIENTE Vetores&Pragas é uma publicação quadrimestral da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas - ABCVP Av. Pastor Martin Luther King Jr, 126 Torre 3000 - 15º andar - sala 1.504 Office Nova América - Del Castilho - RJ Tels.: (21) 2577-6433 / 3435-2477 abcvp@abcvp.com.br / www.abcvp.com.br DIRETORIA CLAUDIO MELLO Presidente da ABCVP VALDIR VIANA Vice-presidente da ABCVP EVANDRO BASTOS JUNIOR Diretor Financeiro da ABCVP ROBERTA TAVARES ARRAES Diretora Técnica da ABCVP LINA MAESTRELLI Diretora Administrativa da ABCVP CONSELHO EDITORIAL ROBERTA TAVARES ARRAES Diretora Técnica da ABCVP MARCELO CUNHA FREITAS Biólogo, especialista no controle de Vetores e Pragas e Membro da Comissão Técnica da ABCVP UIARA CAROMANO TREVISO Bióloga e Membro da Comissão Técnica da ABCVP RODRIGO NOGUEIRA ALVES CARNEIRO Biólogo CONSELHO CONSULTIVO ROSA DUARTE (In Memorian) Editora e Jornalista Responsável RAFAELA CASCARDO - Reg. Prof. 0040661/RJ Comercialização / Publicidade ABCVP Tels.: (21) 2577-6433 e (21) abcvp@abcvp.com.br3435-2477 Assinatura: Telefone para (21) 2577-6433 / (21) 3435-2477 ou envie e-mail para abcvp@abcvp.com.br Tiragem: 1000 exemplares Vetores&Pragas Online www.abcvp.com.br/revistasonline.html
ANA EUGÊNIA DE CARVALHO CAMPOS Bióloga - Doutora em Zoologia e Assessora da Presidência do Instituto Biólogo - SP CLÁUDIO MAURÍCIO VIEIRA DE SOUZA Aracnologista - Laboratório de Artrópodos, Instituto de Biociências da USP e Consultor MÁRIO CARLOS DE FILIPI Zootecnista, especialista em Entomologia Urbana JAIR
A revista também traz um artigo que mos tra os mecanismos e ações de formulações in seticidas na resistência de insetos, além de técnicas de controle integrado de escorpiões de importância médica, matéria que nos ajuda a entender o perigo que corremos com esses animais, o comportamento deles e a melhor forma de lidar com esses bichos peçonhentos.
Uma grande oportunidade de atualização dos pro fissionais do nosso setor sobre temas importan tes, como o manejo integrado de mosquito, curso previsto para setembro. O calendário completo pode ser conferido através do site e das redes sociais da Associação. A Diretoria Toda a referência bibliográfica dos artigos da revista pode ser consultada através da ABCVP GUERRA INFINITA?
Nas próximas páginas de Vetores & Pragas o lei tor pode conferir conteúdo técnico rico e dicas importantes sobre gestão e escrita. Informações cruciais para fortalecer as empresas do nosso setor.
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© Os textos assinados são de responsabilidade de seus autores. Para entrar em contato com algum deles envie um e-mail para a ABCVP. É vedada a reprodução dos artigos e reportagens, em quaisquer meios, sem autorização prévia da Associação e, mesmo quando autorizada, será obrigatória a citação da fonte. Após ter sido erradicado em 1955, o mosqui to Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, ressurgiu no Brasil por falta de cuidados preventivos da população e das au toridades. Mas é possível vencer o mosquito?
Pragas Urbanas 05 Controle de Escorpiões 09 Resistência de Insetos 15 Guerra Infinita 21 Gestão nos Negócios 29 Moscas 31 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . .
revista Vetores & Pragas é um caso à par te, pois o lançamento da edição on-line já é um grande sucesso de visualizações. Através das edições quadrimestrais, temos novos anuncian tes divulgando suas marcas para o Brasil e o exterior e se tornando um grande atrativo para empresas, fabricantes e distribuidores.
A ABCVP tem se empenhado em fazer a lei 7806/2017 de controle de pragas ser cumpri da. O departamento jurídico da Associação é bastante atuante. Realizamos inúmeras impug nações de editais de contratação para serviços de controle de pragas que não seguem suas normas, principalmente no quesito de serviços mensais.
Claudio Mello Presidente da Associação Brasileira no Controle de Vetores e Pragas
Curso realizado pela ABCVP
Vamos continuar inovando com foco em gestão e tecnologia, o que é um grande desafio para o nosso segmento, formado, em sua maio ria, por empresas de porte pequeno e médio. Buscamos sempre profissionalizar e moralizar nosso mercado, uma associação forte e para todos.
5 Com Palavraa
Aos associados que são de fundamental rele vância, a ABCVP coloca à disposição assessoria jurídica, contábil, administrativa, técnica e até comercial para que as empresas possam usu fruir destes benefícios. Uma variedade de cur sos técnicos também são disponibilizados aos associados e não associados ao longo do ano e ajudam na capacitação das empresas e fortale cimento do setor.
Agora, nosso grande desafio é fazer com que as empresas valorizem seus serviços e façam a lei ser cumprida, não aceitando editais e contra tações fora dos prazos estabelecidos. Somente com a união das empresas, denunciando essa prática ilegal de contratação, será possível que os orgãos públicos e contratantes obedeçam a lei.A
A ECOPRAG 2023, que será realizada no Rio de Janeiro, já está sendo desenvolvida e terá foco na gestão de empresas e pessoas. O evento de grande sucesso e público, que foi adiado por causa da pandemia, estará de volta. O lança mento está previsto para o último trimestre de 2022. A versão on-line, realizada em novembro de 2020, já deu mostras do que vem por aí.
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A ABCVP vem inovando e trabalhando no profissionalismo do setor ao longo dos últi mos anos. O presidente da Associação, Cláudio Mello, acredita que trabalhar em conjunto com as empresas associadas e as demais associações do Brasil pode gerar ações a nível nacional que ajudem no desenvolvimento do setor. A parti cipação efetiva na Feprag também é de suma importância para que alcancemos esse objetivo.
O controle de pragas urbanas, como todas as ciências, caminha ora acertando, ora errando, ora lentamente e de vez em quando dando um salto evolutivo alterando completamente os ru mos da pesquisa. Foi mais ou menos assim que, do final do século passado para o início deste, o controle de pragas urbanas mudou seu discurso antes centrado na Erradicação para o do atual Controle, o que significou adotar a noção de to lerância ou grau de convivência com as pragas, antes quase que inadmissível, e a utilização de produtos e processos não agressivos ao homem e ao meio ambiente. Hoje são realizadas muitas investigações quanto aos possíveis efeitos deletérios de pro dutos antes de colocá-los em uso, mas nem sempre foi assim. Para citar apenas um exemplo de importância mundial, até que se distinguiram os benefícios e os malefícios da radioatividade, muitas pessoas adoeceram e outras tantas mor reram vítimas da exposição a elementos radio ativos.Aatual preocupação mundial quanto a con servação e proteção ambiental que vem cres cendo desde o século passado foi fator decisivo na busca de novos produtos e metodologias, mas até chegarmos a este novo estágio, quan tos erros! Quantos ajustes! Mas também quan
Para o moleque que aos oito anos de idade viu chegar a televisão no país as sistindo algumas partidas da Copa do Mundo de Futebol de 1958, no único televisor existente na pequena cidade do inte rior de Minas Gerais, disponibilizado ao público pelo dono do bar da Avenida Central, mostran do imagens fantasmagóricas em preto e branco de jogadores em meio a uma tempestade de chuviscos e ouvindo num rádio em alto volume locutores narrando aquilo que tentávamos ver no famoso aparelho, poder hoje, após 63 anos, conversar com pessoas do outro lado do mun do, e não apenas falar e ouvi-las, mas vê-las e ser visto em um pequeno aparelho na palma da mão é como, a exemplo do ancestral hominídeo de Stanley Kubrick, ter tocado o monólito.
DUARTEROSAJAIRPRAGAS
URBANAS ASSIM CAMINHA O CONTROLE
6 OÇSEPA
minha jornada na era dos produtos para tratamento químico de madeiras, os cha mados preservantes: o Creosoto, o CCA (cobre -cromo-arsênio) eo CCB (cobre-cromo-boro), destinados ao tratamento de postes de madeira para eletrificação e a dos produtos usados no controle de pragas urbanas: os organoclorados, depois os organofosforados, mais tarde vieram os piretroides e mais recentemente as novas moléculas e novos métodos mais ambiental mente amigáveis hoje em uso ou ainda em de senvolvimento.Noqueserefere aos insetos xilófagos cujo foco do controle é centrado especialmente na proteção da madeira, seu substrato de alimen tação, nidificação e/ou desenvolvimento pós -embrionário, as práticas de proteção desse material pouco se alteraram no decorrer desses anos todos. Assim, continuam válidas as orien tações para o emprego correto desse material nas suas diferentes aplicações bem como trata mentos para sua proteção. Além de produtos e métodos, é igualmen te importante para o nosso meio profissional a transmissão do conhecimento. E essa trans missão não deve se restringir ao público espe cializado, mas ao público em geral. Como bem disse a poetiza Cora Coralina “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Foi ensinando que aprendi muito sobre cupins e brocas de madeira, explicando a biologia desses insetos para pessoas não pertencentes ao meio científico. Realizei essa atividade atendendo pessoas que iam ao IPT, às vezes em desespero, buscar auxílio para os problemas de infestação dos quais eram vítimas. Esse atendimento, ofe recido ao cidadão pessoa física, serviu durante vários anos a nós pesquisadores daquela insti tuição para, não somente prestar um serviço à comunidade, mas aprimorar nossa comunicação sobre o assunto. As pessoas que nos traziam seus problemas nos forneciam, sem saber, sub sídios para aprimorar nossas investigações e aprofundar nosso conhecimento. Um leigo ao fazer perguntas sobre a biologia dos insetos pode suscitar ao doutor entomólogo inúmeras questões a serem esclarecidas que ele sequer cogitou.
É compreensível, mas não aceitável, que quem não vivenciou a evolução do controle de pragas urbanas, pelo menos a dos últimos 60 anos, não consiga fazer uma crítica adequada dessas transformações. Não devemos valorizar os novos produtos e métodos desmerecendo os tradicionais, ignorando a importância que eles tiveram nas suas respectivas épocas e que mui tos deles ainda têm. A ciência caminha por ca minhos diversos e muitas vezes os erros são até mais didáticos que os acertos e, não raro, são eles o motor que impulsiona mudanças radicais no rumo das pesquisas. Além disso, os métodos e princípios que hoje merecidamente defende mos podem vir a ser rapidamente ultrapassados ou tornarem-se até mesmo não recomendáveis.
7 to aprendizado! Não vai longe o tempo em que nem se falava de produtos para controle de pragas no meio urbano; o que existia de dis ponível eram produtos destinados às pragas da agricultura, comércio muito mais rentável para as indústrias de pesticidas.
No entanto, a má fé, que certamente pode existir ao se servir de produtos hoje condená veis*1, não deve ser tolerada e precisa ser com batida, mas é o trabalho didático de orientação que tem sido muito bem realizado pelas asso ciações de classe e instituições de pesquisa que permitirá que cheguemos a um tempo em que estaremos todos ajustados às boas práticas de controle, as quais não se limitam a usar ou não tal ou tal produto. Tenho o privilégio de poder viver 71 anos, até agora, e ter podido assim acompanhar e partici par de importantes etapas do desenvolvimento de métodos e produtos destinados ao controle de pragas urbanas, particularmente no que se refere aos insetos xilófagos e à preservação de madeiras, minha especialidade pela formação e pela atividade que exerci como pesquisador do IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo*2.Comecei
Infelizmente
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Essa “escola informal” que funcionou duran te vários anos no IPT, além de ter promovido um sentimento de dever cumprido para com a população, foi, como disse, um instrumento im portante na minha formação. Outro meio de divulgação são as publicações. são ainda poucas as em português de artigos técnicos sobre controle de pragas urbanas, mas cabe aos envolvidos na área es timular sua leitura bem como aos pesquisado res publicar seus experimentos não apenas em revistas estrangeiras, bem como difundi-los no idioma pátrio em revistas nacionais de amplo acesso.Nas aulas que tenho ministrado ao pessoal técnico de empresas controladoras de pragas, eu os tenho estimulado a publicarem trabalhos. É triste perceber que a maioria desse pessoal, que certamente guarda interessantes informa ções, parece ignorar a importância do que eles têm em mãos, fruto do trabalho de controle que executam. Além disso ignoram a importância que teria para aprofundar seu conhecimento se se lançassem à tarefa de escrever um trabalho sobre alguma atividade interessante com a qual se defrontou no seu dia-a-dia. Muitas das pe quenas publicações que fiz durante minha vida ativa na instituição foram nada mais nada me nos que resultantes das inspeções e trabalhos de controle realizados. É essa mesma iniciativa que procuro estimular nos técnicos que seguem meus cursos, sempre colocando que esta é uma das melhores maneiras de estudar a matéria que denominamos “controle de pragas urbanas”. Encerro assim este depoimento, como próprio de um professor, com a esperança de que al guns técnicos controladores de pragas urbanas transponham o umbral da sala de leitura para a de redação.
1Notas:-
Há quem ainda defenda o uso dos inseti cidas organoclorados e os adquira no mercado paralelo. Os danos ambientais e à saúde hu mana e de animais são imensos. É a isso que o autor se refere, com muita propriedade, pois ele atuou profissionalmente na época em que esses produtos eram utilizados e foram, finalmente, banidos. 2 - O Instituto de Pesquisas Tecnológicas/IPT tem sua origem como Gabinete de Resistência dos Materiais, criado em 1899 por Antônio Fran cisco de Paula Souza, para avaliar a qualidade e resistência dos materiais na construção civil. Em 1926, foi convertido no Laboratório de En saios de Materiais, que realizou testes de apoio tecnológico às grandes empresas ferroviárias do país, como São Paulo Railway, Paulista, Mo giana, Sorocabana, Central do Brasil e Carajás, além de estudos de propriedades das madeiras brasileiras, pioneiro para conhecer as espé cies e suas aplicações. Finalmente, em 1934, o LEM foi transformado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas/IPT, que vem contribuindo com o avanço tecnológico e científico em diversas áreas: metrologia, grandes construções, auto estradas, siderurgia, metalurgia, equipamentos aeronáuticos, estabilidade de morros, indústria naval, hidrelétricas, combustíveis, mecânica de rochas, geologia, fontes renováveis de energias, segurança contra incêndios, erosão, corrosão, biodegradáveis, embalagens, restauro e conser vação de edifícios históricos, entre outras.
Antonio Tadeu de Lelis Biólogo, Termitólogo
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FAUNA NO MUNDO E NO BRASIL
Já foram registrados a mais de 5.500m de altitu de, dentro de cavernas sem luz, sob pedras co bertas de neve e dos desertos mais áridos até as florestas mais úmidas (BRAZIL E PORTO, 2010).
Os escorpiões são artrópo des quelicerados que perten cem à Classe Arachnida. Esses animais estão entre os poucos privilegiados que puderam acompanhar o desenvolvimen to da terra, além da extinção de algumas espécies. Este fato pode ser comprovado pelos re gistros de fósseis que notificam a existência dos escorpiões há mais de 450 milhões de anos no ambiente marinho (Perío do Siluriano); sendo que seus primeiros registros terrestres datam de 350 milhões de anos no fim do período Devoniano e início do Carbonífero. Os escorpiões são animais peçonhentos, pois possuem glândulas secretoras de di ferentes substâncias como a peçonha (veneno) - que pode ser inoculada em outro orga nismo causando alterações em seus processos fisiológicos. Algumas espécies se destacam como risco para a saúde do ser humano, sendo classificados como escorpiões de importân cia médica, uma vez que são capazes de causar acidentes graves que necessitam de in tervenção médica.
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A maioria das espécies apresenta exigências específicas com relação ao hábitat e micro-hábitat e possuem padrões ecológicos e biogeográficos previsíveis e localizados. No entanto, de 5% a 10% das espécies apre sentam alta plasticidade ecológica e padrões irregulares de distribuição, podendo ocorrer inclusive em ambientes perturbados ou modi ficados pela ação do homem, onde encontram abrigo e alimentação dentro e/ou próximo das residências humanas, como por exemplo, as es pécies do gênero Tityus.
CONTROLE INTEGRADO DE ESCORPIÕES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA
Apesar da ampla distribuição geográfica, a capacidade de sobrevivência de algumas es pécies a condições extremas não caracteriza os escorpiões como animais ecologicamente generalistas.
No mundo existem 23 famílias, 166 gêneros e aproximadamente 2.654 espécies de escorpi ões catalogadas. No Brasil são 172 espécies, 27 gêneros e 4 famílias. Três delas são inofensivas ou causam picadas que provocam efeitos mais leves: Bothriuridae, escorpiões que vivem no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste; Chactidae, comuns na Amazônia; e Hormuridae, que vivem em algumas regiões do Centro-Oeste e da Ama zônia e raramente provocam acidentes (BUTAN TAN, 2021).
Os escorpiões ocorrem em todos os ecossis temas terrestres, com exceção da tundra, áreas boreais e em algumas áreas de elevada altitude.
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Figura 2: Morfologia externa dorsal e ventral de um escorpião: es) par de estigmas respiratórios do sexto segmento mesossomal; et) esterno; ms) mesossoma; mt) metassoma; pe) perna; pd) pedipalpo; pn) pentes; ps) prossoma; ql) quelícera; tl) télson. Fonte: Candido e colaboradores (2005).
O mesossoma é formado por sete segmen tos, onde estão contidos os órgãos e as es truturas reprodutivas. No segundo segmento mesossomal, ventralmente, encontram-se um par de pentes sensoriais, estruturas que fun cionam como quimiorreceptores e mecanorre ceptores, importantes para percepção da presa, orientação espacial e para a busca de fêmeas, realizada pelos Ventralmente,machos.doterceiro ao sexto segmen to mesossomal, há os espiráculos ou estigmas respiratórios - um par por segmento - para permitir a passagem do ar atmosférico aos pul mões, onde ocorrem as trocas gasosas.
O corpo dos escorpiões é dividido em duas partes: prossoma (cefalotórax) e opistossoma, este último subdividido em mesossoma (tronco) e metassoma (cauda).
O prossoma é coberto dorsalmente por uma carapaça única, onde encontramos os olhos medianos e os laterais, extremamente sensí veis à luz e eficientes para os hábitos noturnos. Dessa estrutura partem os principais apêndices dos escorpiões: um par de quelíceras, um par de pedipalpos e quatro pares de pernas.
Figura 1 - Escorpiões de importância médica do Brasil: A) Tityus bahiensis; B) T. obscurus; C) T. serrulatus; D) T. stigmurus. Fonte: Brazil e Porto (2010).
O metassoma é formado por cinco estrei tos segmentos denominados popularmente de “cauda”. A inoculação do veneno ocorre pelo ferrão localizado no télson, composto pela vesí cula ou acúleo, que comporta as duas glândulas de veneno, e o ferrão ou aguilhão.
Os escorpiões da família Buthi dae são encontrados em todo o Brasil. Nessa família, encontra-se o gênero Tityus, o mais perigoso dos escorpiões. Todas as espécies consideradas de im portância em saúde no Brasil são do gênero Tityus: escorpião-amarelo (Ti tyus serrulatus), escorpião-marrom (Tityus bahiensis), escorpião-amare lo-do-nordeste (Tityus stigmurus) e escorpião-preto-da amazônia (Tityus obscurus) (BUTANTAN, 2021).
EBIOLOGIACOMPORTAMENTO
Os escorpiões são forrageadores senta-es pera, e para a captura de seu alimento (bara tas, grilos e aranhas) se orientam através de estruturas sensoriais, seguram as presas com as quelas dos pedipalpos, e, caso elas ofereçam resistência, o escorpião inocula o veneno para paralisá-la.Pimenta
RJG et al. (2019) constataram que o Tityus serrulatus é altamente tolerante à pri vação alimentar, podendo permanecer até 400 dias sem se alimentar; porém, o acesso à água desempenha um papel fundamental na sobrevi vência dele.
Essa característica facilita a inspeção e o controle, viabilizando a captura dos mesmos, sendo a coleta mecânica noturna mais eficaz em relação à coleta por busca ativa diurna em áreas de infestação.
Reprodução O T. bahiensis e T. obscurus reproduzem -se de forma sexuada, na qual há transferência indireta de espermatozóides do macho para a fêmea, após o comportamento de corte, que envolve sequências completas de condutas ri tualizadas.O T. serrulatus e de T. stigmurus reprodu zem-se de forma assexuada (partenogênese), onde os óvulos se desenvolvem sem a fecunda ção de um macho, gerando novas fêmeas. Até pouco tempo atrás, estas espécies eram reco nhecidas apenas como partenogenéticas. Porém, em 2009, pesquisadores do Instituto Butantan publicaram a descrição completa e distribuição dos machos destas espécies, e passou-se a re conhecer que ambas também se reproduzem sexuadamente. As populações sexuadas ainda estão restritas a áreas preservadas, enquanto que as populações partenogenéticas prevale cem nas regiões antropizadas (BOLETIM ENTO MOLÓGICO N° 4 DO LACEN/BA, 2016).
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Reprodução
Suas peculiaridades comportamentais abrangem: a letargia, estado em que o escorpião permane ce imóvel com o corpo retraído por 97% do tempo; e a tanatose, quando existe ameaça o escorpião pode se manter sem apresentar atividade por até 24h, ou seja “se fingir de morto”. Outro fenômeno é a apresentação da coloração do substrato. Para se proteger de predadores, o animal pode tomar a cor do substrato se mantendo camuflado ou mimetizado. Esses costumes podem aumentar os riscos de acidentes com humanos.
Alimentação
O corpo segmentado e achatado com cauda flexível permite a ocupação de diferentes micro-há bitats. Durante o dia se escondem em ambientes escuros, úmidos e sem movimentação, podendo ser encontrados em frestas de rochas, cascas de árvores, troncos em decomposição, sob pedras, em cavernas, escondendo-se de seus principais predadores naturais: macacos, quatis, seriemas, galinhas, corujas, sapos, rãs e lagartos.
Alimentação
Dentre
as inúmeras funções da carapaça dos escorpiões, como sustentação para o corpo e proteção, ela abriga também substâncias denominadas de mucopolissacarídeos, que possuem propriedades de fluorescência com a incidência da luz UV (luz ultravioleta).
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A fêmea é vivípara, ou seja, os filhotes desenvolvem-se dentro da mãe. Para as espé cies de importância médica, a gestação dura em torno de três meses, com 20 filhotes, apro ximadamente, por ninhada, e com dois partos por ano. O desenvolvimento até a fase adulta é de aproximadamente um ano, passando por sucessivas ecdises. O crescimento é dependente de fatores como temperatura, disponibilidade de alimento e reprodução.
Tityus bahiensis: tem o tronco escuro, per nas e palpos com manchas escuras e cauda marrom-avermelhado. A cauda é lisa, sem es pinhos ou dentes nos dois últimos segmentos da cauda. Possui o tubérculo subaculear junto ao ferrão. Quando adulto, ele alcança até 7 cm de Essacomprimento.espécieé comum nos estados de São Paulo e Minas Gerais, com registros para os estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Ca tarina e Rio Grande do Sul. Era a principal espécie causadora de acidentes no estado de São Paulo, mas vem sendo substituída pelo T. serrulatus em muitas regiões do estado.
IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
Tityus serrulatus: possui as pernas e cauda amarelo-claro e o tronco escuro. A denomina ção da espécie é devida à presença de espinhos ou dentes (serrilha) nos 3º e 4º anéis da cau da. Esta, por sua vez, tem uma mancha escura na região ventral do último segmento. Junto ao ferrão, há o tubérculo subaculear (semelhante a um espinho). O adulto pode alcançar até 7 cm de Essacomprimento.espécieé originária do estado de Minas Gerais, porém, sua distribuição se ampliou bas tante nas últimas décadas. Atualmente, pode ser encontrada em todas as regiões do Brasil, incluindo a Região Norte, onde já há registro da espécie em Rondônia.
A partenogênese facilita a dispersão dos es corpiões, e uma vez transportados de um local a outro (introdução passiva), eles instalam-se e se proliferam com muita rapidez, devido a alta capacidade de adaptação.
Tityus stigmurus: caracterizado pela co loração amarela dos palpos, pernas e cauda. Apresenta uma faixa escura longitudinal na parte dorsal do seu mesossoma, seguido de uma mancha triangular no prossoma. Também possui serrilha, como o T. serrulatus, porém, menos acentuada. O tubérculo subaculear está presente, junto ao ferrão. Ele também alcança até 7 cm de comprimento, quando adulto.
Tityus obscurus: quando adultos, possuem coloração negra, porém quando jovens sua co loração é bem diferente, com o corpo e apên dices castanhos e totalmente manchados de escuro, podendo ser confundido com outras espécies da Região Amazônica. Possuem tubér culo subaculear, junto ao ferrão e alcançam até 9 cm de comprimento quando adultos. São es corpiões tipicamente amazônicos com registros para os estados do Pará e Amapá.
Essa espécie é amplamente distribuída pelo Nordeste do Brasil, com registros para os es tados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Per nambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e também em Minas Gerais, Ilha de Fernando de Noronha e na capital de São Paulo.
Ocontrole dessa espécie já foi consi derado difícil. Porém, conhecendo bem a anatomia diferenciada que os escorpiões apresentam e seus hábitos comportamentais, é possível realizar o controle de forma eficaz e segura, e ainda des mistificar o mito de que não existem produtos para o controle químico desses aracnídeos.
Ao realizar o tratamento, sempre informe ao cliente, sem causar apreensão ou pânico, sobre o possível risco de acidentes e o que fazer em casos de picadas de escorpiões. Verifique onde está localizada, em sua cidade, a Unidade de Toxicologia, que possui o soro antiescorpiôni co, e informe ao seu cliente. Sempre mantenha essa informação registrada no Comprovante de Execução de Serviços (CES).
Estabelecer a periodicidade para realização dos tratamentos e do monitoramento também é imprescindível para que o controle integrado seja eficiente.
Há produtos registrados e eficazes para re alizar o controle destes animais. Opte sempre pelos praguicidas que tenham princípios ativos com menor ação irritante ou protegidos por mi crocápsulas, e utilize formulações que tenham uma boa ação residual no ambiente. Não utili ze princípios ativos com ação repelente, pois o escorpião é capaz de perceber essas substân cias, aumentando o risco de acidentes.
Realize a pulverização, sempre obedecendo a diluição do rótulo, utilize bico leque, e aplique o produto, formando uma barreira protetora no piso, nas paredes, ao redor das edificações, no contorno de portas e janelas, e de forma locali zada, nos locais de esconderijo dos escorpiões, principalmente em fendas e frestas. Sempre que possível, associe a pulverização à técnica de polvilhamento, visto que os escorpiões também acessam as instalações pela rede elétrica.
O controle dos escorpiões deve ser implan tado em todas as suas etapas, iniciando-se com uma inspeção detalhada do local para obtenção do diagnóstico da situação, atentando-se sem pre para o ambiente. A Controladora de Pragas deve orientar o cliente a adotar as medidas pre ventivas e corretivas, a fim de impedir a atração e a proliferação dos escorpiões. O manejo deve ser realizado de forma integrada, ou seja, deve -se associar todas as técnicas de manejo e de controle que forem convenientes e compatíveis ao local que será tratado.
CONTROLE INTEGRADO
ESCORPIONISMO NO BRASIL No Brasil os acidentes com escorpiões represen tam um importante problema de saúde pública. A maio ria dos casos fatais são pro vocados pelo T. serrulatus - principalmente em crianças. Nas áreas urbanas, os números de acidentes com escorpiões crescem a cada ano - devido à alta oferta de alimento, fal ta de predadores e condições climáticas favoráveis a estes animais. Os escorpiões são mais ativos nos meses mais quentes e chuvosos do ano. No período das chuvas, o ris co de acidentes aumenta, pois eles saem dos esconderijos e migram para as casas em busca de abrigo e alimento.
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As ações multidisciplinares de educação em saúde devem ser realizadas durante todo o ano, principalmente em áreas prio ritárias, além da conscientiza ção da população quanto ao manejo ambiental. Para evitar a presença e proliferação de es corpiões devem-se adotar me didas preventivas, tais como: manter os ralos fechados, vedar frestas de muros e de soleira das portas, não acumular entu lho ou materiais de construção e manter o ambiente limpo.
Cibele Rocha Médica ConsultecDiretoraVeterináriaTécnicadaPragasUrbanas.
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INSETICIDAS: MECANISMOS E AÇÕES
No nosso meio de atuação escuta-se com facilidade e certa frequência a expressão “resistência dos insetos”. Porém, na prática, você sabe o que isso significa? Todo inseto, de forma na tural, apresenta uma certa “tolerância a inseticidas”, resultado de características biológicas como idade e tamanho corporal. Por exemplo, indivíduos adultos tendem a ser mais toleran tes a inseticidas do que os jovens da mesma espécie, devido as diferenças no tamanho do corpo, espessura do exoesqueleto e capacida de de metabolizar um produto. Porém, algumas pessoas confundem esta tendência natural (ou resistência natural) com a verdadeira resistência a inseticidas. Mas, afinal, o que é a “resistência a inseticidas”? Como ela surge? Ela pode ser evitada? Pois bem, a resistência é definida como uma mudança na sensibilidade de uma popu lação de inseto a um inseticida, resultando na falha de uma aplicação para controlar tal orga nismo.Não é incomum as pessoas pensarem que os insetos mudam ou sofrem mutações para se tornarem resistentes, ou ainda, que a resistência ocorre de forma individual. Na verdade, todos os casos de resistência são motivados por um processo de seleção, já que não é o indivíduo que muda, mas sim sua população. Quando um inseticida é aplicado em um local, uma pequena proporção da população de um vetor ou de uma praga (por exemplo, alguns indivíduos em meio a muitos deles) pode sobreviver à exposição ao produto por causa da sua composição genética, a qual possui genes que conferem resistência a ele. Desta forma, estes indivíduos sobrevi vem ao tratamento e passam por um processo de seleção, transmitindo essa resistência aos seus descendentes que herdam esta caracterís tica genética tornando-se também resistentes e não sofrendo os efeitos de uma futura aplica ção. Se este mesmo inseticida for utilizado com frequência neste mesmo local, a proporção de indivíduos menos suscetíveis na população au mentará.Quando um controlador de vetores e pragas reconhece que o inseticida outrora altamen te eficaz não controla mais o inseto na mesma proporção, não raramente observa-se aplica ções mais frequentes, bem como um preparo de soluções mais concentradas, até que com o tempo, o inseticida fornece pouco ou nenhum controle. Pode-se então dizer que a população se tornou resistente. Figura 1. Representação esquemática do processo de evolução da resistência de insetos. Fonte: Bernardi, et al. (2016).
RESISTÊNCIA DE INSETOS
A FORMULAÇÕES
são organizados em classes - organofosforados, carbamatos, piretróides, dentre outros – que compartilham uma estru tura química e um modo de ação comum. No mundo, entre insetos e artrópodes, mais de 500 espécies apresentam taxas alarmantes de resistência. Contudo, existem diferentes meca nismos que levam um organismo a desenvolver esta característica, não sendo incomum que os insetos apresentem mais de um destes meca nismos ao mesmo tempo. Em meio a eles, en contram-se:
3. Resistência comportamental: insetos detectam o produto e alteram o seu comporta mento para evitar o contato com o i.a., poden do, por exemplo, parar temporariamente de se alimentar ou de se desalojar. Este mecanismo de resistência tem sido relatado para várias classes de inseticidas, incluindo organoclorados, orga nofosforados, carbamatos e piretróides.
Segundo a União Internacional da Química Pura e Aplicada - IUPAC (2006), um inseticida é um tipo de pesticida (do latim pestis/a do ença e cida/o que mata) usado para o controle de insetos. Este controle se dá através do uso de substâncias que causam a morte do inseto, podendo estas serem, ou não, específicas às suas fases de desenvolvimento: ovicidas para eliminar ovos, larvicidas para larvas, pupicidas para pupas e adulticidas para adultos. Todo in seticida apresenta como características básicas: o ingrediente ativo (i.a.), substância química principal de um produto e que lhe confere efi cácia, o mecanismo de ação, local onde o i.a. age sobre o inseto e o modo de ação (chamado MoA), como o i.a. age e qual a rota específica usada (local-alvo específico ou sítio de ação), a qual pode causar a morte ou a inibição do seu crescimento.Osinseticidas
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4. Resistência por sequestro do inseti cida: o i.a. é fragmentado por ação de enzimas e as substâncias formadas são “sequestradas” por certos tecidos do inseto, a fim de impedir que ajam sobre o organismo.
Figura 2. Mecanismo de resistência a inseticidas: o uso maciço de inseticidas contribuiu para o desenvolvimento da resistência, maiores desafios na elimina ção de mosquitos Aedes e, consequentemente, um aumento do risco de trans missão da dengue e outras arboviroses. Fonte: Adaptado de Gan, et al. (2021).
2. Resistência alterada do local -alvo (ou sítio de ação): os processos bioquímicos e fisiológicos são alterados e o local-alvo onde o i.a. deveria se ligar para agir é modificado para reduzir os efeitos do inseticida. A modificação pode ser genética ou por redução na sensibilidade do local-alvo ao produto.
1. Resistência metabólica: é um dos mecanismos mais comuns e desafiadores. Os insetos que desenvolvem este tipo de resistên cia possuem níveis enzimáticos mais altos ou formas de ação mais eficientes que permitem as enzimas modificar ou detoxificar o inseticida em compostos não tóxicos, podendo degradá-lo (degradação metabólica) ou mesmo eliminá-lo rapidamente do corpo, pre venindo assim sua ação no local-alvo.
5. Resistência à penetração: este meca nismo ocorre quando a cutícula externa do in seto desenvolve barreiras que podem retardar e reduzir a absorção dos produtos químicos em seus corpos, assim os resistentes absorvem o i.a. mais lentamente do que os suscetíveis. Fre quentemente, este mecanismo ocorre em con junto de outros.
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A resistência pode se desenvolver sobre um único inseticida, no entanto, é mais comum que os insetos apresentem resistência à classe com o mesmo MoA, como aconteceu com a mosca domés tica na década de 1950, quando populações se tornaram resistentes ao DDT e também, sem prévia exposição, aos inseticidas piretróides usados nas décadas seguintes, em função de ambos terem o mesmo MoA, em um fenômeno conhecido como resistência cruzada Além deste fenômeno, outros podem acontecer e acometer os insetos, como a resistência múl tipla. Nela, populações de insetos resistem a duas ou mais classes de inseticidas com modos de ação diferentes. Sua expressão ocorre quando um inseticida é usado até que os insetos apresentem resistência e o mesmo processo se repete com o inseticida de substituição, e assim sucessiva mente. Mesmo sendo menos comum que a resistência cruzada, a resistência múltipla é motivo de preocupação, pois uma vez instalada reduz drasticamente o número de inseticidas que podem ser usados para controlar o inseto em questão. Contudo, quando identificada a resistência, a indicação é que seja feita uma rotação entre os produtos disponíveis recomendados para o inseto e o local de aplicação, porém adotando alguns critérios de escolha, como substituir por outro que não seja da mesma classe e com o mesmo modo de ação.
Figura 3. Princípio básico da rotação de inseticidas. Fonte: Adaptado de Bernardi, et al. (2016).
Mas, como saber se o inseticida é da mesma classe que o usado anteriormente? Para facilitar o reconhecimento de diferentes clas ses e modos de ação, o Comitê de Ação de Resistência a Inseticidas (IRAC) criou um esquema de classi ficação que distingue os mecanismos de ação. Atualmente, os inseticidas são classificados em cinco grandes grupos, com base no local de atuação: (a) no sistema nervoso e/ou muscu latura; (b) no intestino médio; (c) no crescimento e/ou desenvolvimento; (d) no metabolismo respiratório e; (e) aqueles que o modo de ação são des conhecidos ou inespecíficos. Destes grupos, 32 subgrupos foram criados a partir do mesmo modo de ação, os quais receberam números.
Pode ocorrer de um inseticida ter o mesmo MoA que outros, porém cada um pertencer a uma estrutura química diferente. Para identificar esta situação, o IRAC esquematizou a classificação do MoA com números e letras, por exemplo, 1A e 1B. Os inseticidas do subgrupo Carbamatos 1A têm o mesmo MoA que os Organofosforados 1B, por isso recebem o mesmo número, mas ambos diferem na estrutura química e, devido a essa diferença estrutural, os diferentes inseticidas são metaboli zados por diferentes enzimas e podem se ligar ao local-alvo de maneira diferente, recebendo assim diferentes letras. É possível o controlador obter estas informações através do site: www.irac-br. org/modo-de-acao. Em caso de dúvida, recomenda-se requerer auxílio a empresa fabricante.
Figura 4. Representação esquemática do processo de evolução da resistência de insetos.
Fonte: irac-br.org/modo-de-acao.
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Esta classificação foi cria da como uma ferramenta para que o controlador possa iden tificar facilmente os modos de ação dos produtos os quais está fazendo uso em suas ati vidades e selecionar os produ tos da substituição. De acordo com as ações preconizadas pelo Manejo de Resistência de Insetos (MRI), é indicada uma rotação entre os inseticidas utilizados em um determina do local após um período de tempo, a fim de evitar que se tenha a atuação dos mecanis mos de resistência. Na ausên cia de outras alternativas, é possível fazer a rotação de in seticidas entre os subgrupos, mas deve-se ter clareza de que não existem mecanismos de resistência cruzada nas po pulações-alvo.Alémdarotação com di ferentes MoA, vale desta car a importância da adoção de métodos alternativos e complementares, como o controle biológico, para o sucesso do MRI. O controle biológico é uma ferramenta utilizada no controle de pra gas, em que uma população regula o crescimento de ou tra população por ação de parasitoides, predadores e patógenos, a fim de manter o equilíbrio populacional. Um exemplo clássico é o uso de Bti (Bacillus thuringiensis var. israelensis) contra o mosquito Aedes aegypti, onde as toxi nas liberadas por uma bactéria conseguem controlar uma po pulação de larvas.
A velocidade com que uma espécie desenvolve re sistência a um inseticida de pende de muitos fatores.
Quanto mais frequentemente forem usados inseticidas com o mesmo MoA, maior será a probabilidade de ocorrência de resistência. Alguns traba lhos científicos mostram que os casos de resistência, após a introdução de nova classe de inseticida, surgem entre dois e 20 anos. Para desacelerar este processo, medidas estratégi cas se fazem necessárias. As estratégias de manejo da resistência podem diferir en tre insetos, inseticidas e área geográfica. Entretanto, deve -se sempre seguir as recomen dações de gerenciamento de resistência impressas nos ró tulos dos produtos inseticidas, as quais indicam como reduzir o desenvolvimento potencial de pragas resistentes e as condições sob as quais é ne cessária a rotação do produto para um MoA diferente.
Seguir as instruções do rótulo para a aplicação: cuidado com subdoses ou superdoses e formas de aplicação não descritas como eficazes. Monitorar as pragas pré e pós-tratamento, através de amostragem de captura.
Além disso, é fundamental se fazer os registros corretamente sobre os produtos usados (números do grupo MoA) ao longo do tempo e por qual período foi utilizado, visando o desenvolvimento de um esquema de rotação eficiente. “Prevenir é melhor do que reme diar”, expressão antiga, mas que faz todo o sentido neste contexto, já que uma vez detectada uma população resistente, é difícil conter a propagação da resistência.
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O manejo da resistência de insetos visa prevenir, retardar e/ou reverter a evolução da resistência em insetos, para preservar as tecnologias existentes de modo a continuarem eficazes no controle de pragas por mais tempo. Diante disso, algumas táticas devem ser adotadas, dentre elas o “manejo por moderação”, que tem o intuito de preservar os organismos suscetíveis. Dentre as atividades contidas neste manejo estão: fazer uso de inseticidas quando for estritamente necessário, após implementação de outras medidas de controle (visando uma menor quantidade e frequência de aplicação), fazer uso de produtos de baixa persistência e realizar aplicações durante o estágio de vida mais vulnerável da praga.
Apesar de muitos acreditarem que o insucesso no controle de um inseto esteja necessaria mente relacionado a resistência ou a ineficácia do produto usado, na maioria das vezes não está.
Antes de assumir que os insetos que sobrevivem a uma aplicação são resistentes, deve-se eliminar possíveis falhas de execução: erro na identificação da praga e, consequentemente, na escolha do produto; dosagem ou forma de aplicação inadequados; aplicação em momentos que os vetores ou pragas não estão expostos, ou ainda; condições que permitam possíveis reinfestações. Uma vez eliminadas, algumas particularidades devem ser investigadas, já que caracterizam locais com possíveis insetos resistentes àqueles com um histórico de uso extensivo de um único inseticida ou inseticidas com o mesmo MoA ou lugares em que se fez pouco uso de outras medidas de controle que não as químicas. Estas informações podem ser encontradas nos relatórios técnicos disponibili zados após os serviços de controle.
Além destas medidas, é fundamental desenvolver um plano de manejo integrado de pragas (MIP), focado em: EDCBA Empregar medidas de controle mecânicas, biológicas e, em última necessidade, químicas, além de melhorar as condições sanitárias do local. Selecionar criteriosamente o inseticida e, em casos onde várias aplica ções são necessárias, alternar produtos com diferentes MoA, de modo que não sejam feitas mais de duas aplicações consecutivas de cada um.
Manter bons registros sobre os insetos presentes e o uso dos inseti cidas para ajudar no planejamento futuro: quais e onde os inseticidas foram aplicados, o número de aplicações feitas e o nível de eficácia alcançado.
Para se ter a confirmação sobre a resistência de insetos em um local específico, a Or ganização Mundial da Saúde (OMS) preconiza dois métodos para detecção de resistência a inseticidas, principalmente frente a mosquitos: o método OMS de tubos com papéis im pregnados com inseticidas e o método de garrafas impregna das, originalmente desenvol vido pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC). De uma forma geral, nestes métodos, um valor de susce tibilidade relativa (SR) é deter minada comparando os efeitos letais do inseticida em uma população resistente contra uma população de laboratório suscetível. Valores aumentados de SR mostram uma resistên cia potencial, exigindo alguns cuidados e a execução de al gumas ações de controle. Além destes métodos, outros podem ser realizados, dependendo do objetivo: (a) bioensaios com doses de diagnóstico definidas pela OMS para detectar a resis tência independentemente do mecanismo pelo qual se ade riu; (b) bioensaios de resposta a doses para avaliar o nível de resistência na população; (c) ensaios bioquímicos para de tectar atividade de enzimas as sociadas à resistência, os quais permitem obter informações sobre mecanismos específicos responsáveis pela resistência e (d) ensaios moleculares, para detectar genes alelos recessi vos* e fornecer um ‘aviso an tecipado’ de resistência futura. *Genes são responsáveis por armazenar e reproduzir os dados genéticos de um in divíduo, enquanto os alelos são diferentes variantes de um mesmo gene que, neste caso, podem ser resistentes ou re cessivos.
Cristiane Matavelli Bióloga, doutora em Ciências e diretora técnica da BioUrbanus.
Se a resistência a inseticidas for confirmada, é necessário que se pare, imediatamente, de usar a classe do inseticida em questão e outros com o mesmo MoA sobre aquele lo cal. A reversão da resistência pode ocorrer em algumas po pulações de pragas, caso estas sejam absorvidas por outras e diluídas entre suscetíveis. No entanto, não se pode prever se ou quando as pragas resis tentes voltarão a ser uma po pulação suscetível. Somente o tempo e o monitoramento po derãoSempreresponder.quepossível, contri bua divulgando ações que mi nimizem as chances de acesso de insetos nocivos a popula ção, como manter a higiene e o descarte correto de lixo, se possível telar portas e jane las, alimentar-se somente em locais apropriados para evitar migalhas no ambiente, acon dicionar alimentos em em balagens adequadas, manter ralos fechados, evitar entulhos, manter jardins limpos, vegeta ção aparada e evitar água pa rada. Mais importante do que prevenir a resistência é evitar que estes insetos se estabele çam, garantindo a segurança e a saúde da população.
Arauto de uma guerra biológica que se arrasta há mais de um século, e na qual estamos per dendo. Terror secular. O inimigo formidável.
E pensar que já declaramos vitória nes sa guerra, entre os anos de 1950 e 1960. No fundo, foi apenas um soluço de paz que durou menos de uma década e meia. Para quem quer entender os primórdios dessa guerra no Brasil, a Dra. Ima Braga, lendária pesquisadora brasilei ra, registra os primórdios desta guerra infinita em um artigo de revisão intitulado Aedes aegyp ti: histórico de controle no Brasil (Braga, 2007). Basicamente, remonta dos esforços que tivemos no passado para frear a febre amarela urbana em nosso país, tendo o Aedes como alvo. Na época, tínhamos uma arma (literalmente) mortal – o DDT, hoje (felizmente) não mais disponível. Usamos o mal para conter o mal. E foi dessa maneira que muitos países erradicaram vetores em seus territórios – ao custo da saúde humana de seus cidadãos. Aqui, mesmo assim não fun cionouPorém,completamente.independente das ações do passado, a guerra mudou, pois o inimigo tem se modi ficado. O vetor está diferente do que os livros antigos de entomologia nos ensinam. Está mais resistente a inseticidas, voa mais longe, espalha seus ovos em mais criadouros por postura, tem atividades de repasto fora do comum (início da Voltando a fazer estragos no pós-covid, o Aedes está de volta – e com ainda mais força. Mas finalmente podemos ter meios de virar essa batalha.
GUERRA INFINITA
22 Sim, ele voltou. Ele, o odioso do Egi to. Até remonta a uma praga bíblica, tamanho o grau de impacto que o abominável ser tem em nossa civiliza ção. Tantas vidas, tantas dores, tantos recursos reduzidos a pó. O inimigo está sempre tão pre sente que praticamente aprendemos a conviver com ele... a tolerá-lo e só conter seus excessos, sonhando com o dia em que surjam tecnologias heroínas que nos salvem definitivamente desse mal. Por vezes, até nos esquecemos dele, quan do voltamos os olhos para a Covid-19. Mas, na verdade, ele nunca esteve longe. Enquanto nos protegíamos da pandemia, nos descuidamos daquele que voltou a ser o inimigo número um de nossa sociedade. E ele se escondia e se re produzia entre latas, garrafas, pneus, calhas e um calhamaço de possibilidades de água parada que as nossas zonas urbanas oferecem. E mais: que as nossas casas, condomínios, empresas, hospitais, praças e ruas sempre permitiram. Enquanto o tempo passa, mais difícil tem fi cado de controlá-lo. E ainda com a urbanização desenfreada e pouco planejada, o Aedes aegypti continua a avançar sem retroceder... e tem se estabelecido em áreas antes inóspitas à própria sobrevivência. Atualmente, ele está mais forte, mais resistente, mais adaptado. Seus exércitos se espalham a cada dia mais. Sua incrível ca pacidade de se ajustar, sobreviver, reproduzir e ganhar territórios em nosso ambiente beira o infinito. E ao fazê-lo, tem espalhado cada vez mais moléstias, espurcos de sua grande habili dade em sobreviver e carrear vírus zoonóticos.
23 manhã e final da tarde). Claramente ampliou a faixa de temperatura e umidade em que se encontra ativo, tanto calor e – principalmente –frio. Inclusive, evidências de microevolução nas asas do Aedes (Louise C, 2015) ajudam a expli car o enorme sucesso adaptativo da praga, que ganhou presença simplesmente em todos os estados do Brasil, independente de temperatura e umidade.Hoje,estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul tem problemas recorrentes com o vetor e surtos epidêmicos se tornaram ende mias. Esse ganho de amplitude reprodutiva e comportamental tem tornado o Aedes aegypti uma praga cada vez mais difícil de combater. Mesmo com a remoção dos criadouros, eles simplesmente encontram formas de colocar seus ovos no ambiente para garantir a sobrevi vência das próximas gerações de mosquitos, ali, bem perto das nossas ruas, empresas e casas. Ovos resistentes, que duram meses. Muitos me ses, esperando só algumas gotas de chuva para eclodir. E nem quero citar indícios de autogenia, um fenômeno em que mosquitos sugadores de sangue conseguem completar o primeiro ciclo gonotrófico sem repasto sanguíneo, usando apenas reservas energéticas larvais passadas. O raro fenômeno foi observado por pesquisadores em Aedes aegypti no Kênia (Ariani CV, 2015), e queira Deus que só exista nas populações de lá. Isso ilustra a enorme capacidade de adaptação reprodutiva dos Aedes. Aqui, até em tampinhas de garrafas PET há evidências de reprodução dessa praga.
Esquema sobre as principais características do Aedes aegypti. Fonte: Análise própria. 23
E as baixas dessa guerra não param. Vamos às contas: no mundo, o vetor é responsável pela maioria dos 96 milhões de casos anuais de dengue e das mais de 40.000 mortes anuais reportadas (Ong, 2021). No Brasil, no período de 2008 a 2019, foram notificados aproximada mente 11,6 milhões de casos de Dengue, Chi
Para Chikungunya, pesquisadores encontraram 83,3% de eficiência de transmissão para o Ae des aegypti (Vega-Rúa A, 2014). Para Dengue, foram encontrados pelo menos 33% (Stephanie L. Richards, 2012), mas estimam ser bem maior.
Para ilustrar, na primeira década deste sécu lo, o Aedes aegypti só era responsável pelo car reamento de três sorotipos de dengue no Brasil: DENV-1, DENV-2 e DENV3. O DENV-4 tinha aparecido e desaparecido no final do século an terior. De lá pra cá, o sorotipo 4 (DENV-4) voltou e se estabeleceu. Tivemos também o retorno da Febre Amarela, e o aparecimento e manuten ção de Chikungunya e Zika vírus, com surtos
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Falando em PET, mas de outros pets – os ani mais de estimação – dou razão às palavras do professor Dr. José Bento, da Fiocruz, que brinca (e com a seriedade que lhe é própria) com um sorriso nervoso: “O Aedes aegypti é o pet prefe rido do brasileiro”. Em poucos lugares do mun do o infame inseto foi tão bem tratado e teve tão boas condições para procriação e sobrevi vência. Fornecemos abrigo, sombra, água fresca parada e muita, muita comida – como plantas, nós mesmos, ah, e nossos pets também. Enga na-se quem acredita que o Aedes só usa san gue humano para reprodução. Pesquisadores do Texas, por exemplo, mostraram que lá os Aedes aegypti usavam repasto sanguíneo de cães em 50%, o que poderia ter boas implicações para frear o espalhamento de alguns arbovírus (Ol son MF, Discorrendo2020).
Novos vírus entram na conta, velhos vírus retornam, e os problemas se acumulam. E sem querer ser o corvo da tempestade, ainda há mais vírus adaptáveis ao Aedes para virem ao Brasil e se estabelecerem em nosso território, como o Mayaro (Wiggins, 2018), Encefalite Equina Ve nezuelana (Larsen JR, 1971), Vírus do Oeste do Nilo (Turell MJ, 2005 ) dentre outros.
sobre arbovírus – e como se não bastasse – o inimigo aegypteo também teve elevada a compreensão de sua capacidade ve torial, que pode ser entendida didaticamente como o quão eficaz o mosquito é em carregar, manter e transmitir os vírus a ele adaptados.
monstruosos e consequências nefastas como a Síndrome de Guillain-Barré (que causa paralisia temporária) associada à Chikungunya e micro cefalia neonatal associada à Zika. Lembrando que o Aedes não escolhe pobres ou ricos: mu lheres grávidas tanto em comunidades como em condomínios de luxo podem ser acometidas por Zika e terem seus bebês infelizmente afetados. O inimigo é implacável. A mutação brasileira que originou casos de microcefalia associada ao vírus Zika, inclusive, é um caso à parte. Se fosse um filme de terror, contar que um vírus teria a capacidade de des truir cérebros de bebês humanos em formação seria demasiadamente vil até para o mais vilão dos vilões. Porém, é a mais pura realidade. Se gundo o Ministério da Saúde tivemos no Brasil entre 2015 e 2020 mais de 19.600 casos sus peitos de microcefalia pelo Zika – ou Síndrome Congênita associada à infecção pelo vírus Zika (SCZ) para ser mais exato (Ministério da Saúde, 2021). E o Aedes ainda é o principal responsável por circular e manter esse mal. Chega ao ab surdo de já ter evidências de que um mesmo mosquito pode carrear mais de um vírus (Zika e Chikungunya) e – incrivelmente – ter a ca pacidade de transmitir ambos os vírus em um mesmo repasto sanguíneo. E isso sem afetar a própria competência vetorial (Göertz GP, 2017). É, literalmente, o fim da picada.
E está ficando mais claro para a comunidade científica que ao carrear os principais flavivírus, o sistema imune do mosquito mantém ele com praticamente o mesmo fitness dos mosquitos não-infectados (Carrington LB, 2015). Na práti ca, esses estudos mostram que esses arbovírus não fazem mal o suficiente aos mosquitos, ga rantindo ampla competência vetorial.
25 kungunya e Zika, com 7.043 mortes por essas doenças. Os dados são do Ministério da Saúde. Se adicionarmos os anos de 2020, 2021 e os primeiros meses de 2022 (já com 1.172.882 de casos de Dengue, e 585 óbitos decorrentes; 122.075 casos de Chikungunya com 23 óbitos; e 5.699 casos de Zika até junho), esses números sobem para assustadores 14,6 milhões de casos, e 8.486 mortes (Ministério da Saúde, 2022). Já estamos nesse ano com números muito piores do que os últimos quatro da série histórica.
DENGUE CHIKUNGUNYA
ZIKA
Distribuição da taxa de incidência de dengue, chikun gunya e zika, por município, Brasil, SE 1 a 24/2022. Fonte: Boletim Epidemiológico nº24, Volume 53, junho de 2022. Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde.
Nos cofres públicos, o impacto: R$ 2,3 bi lhões em perdas por ano no Brasil (Sense Com pany, 2018). Nos últimos 20 anos, certamente mais de 30 bilhões de reais viraram cinzas por conta dessa guerra. E engana-se quem acha que o Aedes é caso somente de saúde pública. Quando há surtos epidêmicos significativos em municípios, empresas inteiras ficam com seu funcionamento comprometido. Segundo pesquisa realizada pela Gesto Saúde e Tecnologia em 2016, 2,5% dos funcionários de grandes empresas foram afastados por cau sa da dengue durante o ano naquela epidemia – se tornando a 5ª maior causa de afastamentos no trabalho. Em alguns casos, 30% de setores in teiros de empresas ficaram entre 1 e 15 dias de recuperação (Estado de Minas, 2016).
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Com tudo isso, setores privado e pú blico precisam de reforços para a guerra. A Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Vigilância das Arboviroses do Depar tamento de Imunização e Doenças Trans missíveis (CGARB/DEIDT/SVS), publicou: “A despeito dos esforços empreendidos pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), a ocorrência de epidemias explosivas de dengue e principalmente chikungunya, tem sido cada vez mais re correntes, sobretudo em grandes centros urbanos.”. Isto é um claro chamamento para união de forças, onde empresas do setor privado – incluindo o de controle de pragas - têm a chance de levar contribui ção, seja com produtos/serviços, seja com informações, seja com inovações. E tam bém a aprender como fazer combate em largaPorescala.isso,um aparato de novas tecnolo gias está ficando em evidência. Algumas são facilmente adaptáveis ao setor privado, outras ao setor público. Existem aquelas
Estratégias parecidas, mas usando iscas com inseticidas (toxic sugar-baited traps) também tem ajudado a conter a proliferação de mosqui
tos adultos em diversas localidades no mundo. Assim como compostos nanoestruturados em tintas e repelentes mais eficazes para o Aedes, como é o caso da icaridina. Toda e qualquer ajuda séria e replicável é bem-vinda. E, por fa vor, esqueçam repelentes caseiros com óleos, álcool, cravos-da-índia, canela... o objetivo é atacar o inimigo, não temperá-lo. A falsa sen sação de segurança gerada por receitas mágicas de internet na era do Tiktok – inclusive aque las arapucas sem sentido – tem ajudado muito o inimigo. Principalmente a ganhar território na inocência das pessoas leigas. Na esfera da realidade, mosquitos trans gênicos podem reduzir populações inteiras de vetores, controlando mosquitos. Numa lógica parecida, mosquitos machos estéreis também podem atingir o mesmo efeito, sem que seja necessário existir alteração genética. Em ambos os casos, as técnicas baseiam-se na soltura su per volumosa dos insetos modificados (na casa das centenas de milhares e milhões), de forma que esses substituam grande parte da popula ção original (ao menos nas primeiras gerações) e favoreçam a cópula dirigida, de forma a obter na geração seguinte o efeito desejado: no caso dos transgênicos, mosquitos sem asas; no caso dos machos-estéreis, ovos inférteis. Por razões de contrassenso, muito dificil mente essas técnicas poderiam ser aplicadas no controle de pragas privado. Tentativas foram feitas, é verdade. Mas a relutância das pesso as em ver mais mosquitos sendo produzidos e soltos ao invés de destruídos tem feito essas técnicas ficarem mesmo nas esferas públicas. Está sendo complicado convencer as pessoas a pagar para soltarem mosquitos, mesmo que façam bem. Na esfera do tempo – e já com previsão de pelo menos décadas de guerra infinita – uma outra estratégia está sendo posta em prática: a da aceitação de que o inimigo aegypteo é in vencível, mas que ele pode se tornar inócuo... “vacinando-o”. Essa estratégia tem como maior proeminente o uso de uma bactéria do gênero
27 também que podem ser utilizadas amplamen te nos dois setores, de forma a somar esforços conjuntos capazes de nortear uma reviravolta. Assim são as recentes inovações no controle de mosquitos: novos compostos químicos e bio lógicos estão à disposição, além de estações disseminadoras, pulverizadores eletroestáti cos, e ativos micro e nanoencapsulados. Um novo arsenal para prolongar efeitos residuais sem danificar outros organismos, como as no vas apresentações de BTI (Bacillus thuringien sis israelensis) e spinosad (Saccharopolyspora spinosa), que tem dado resultados animadores, freando mecanismos de resistência rápida em Aedes aegypti. Uma verdadeira joia nessa guer ra infinita. Outro exemplo: imagine se houvesse um dis positivo ou tecnologia capaz de fazer com que os Aedes se matem. Não seria ótimo? Cortar as linhas do inimigo fazendo-os destruírem a si mesmos? Pois é. Mas isso existe. São as ar madilhas auto disseminadoras: onde um agente químico – geralmente um larvicida com capa cidade de ação em ultrabaixa concentração – é colocado em contato com o mosquito, que car reia o químico para todos os locais onde a fê mea pousar para ovipor, contaminando-os. Na prática, ela torna os criadouros próximos letais, usando o próprio mosquito como um agente de saúde ou técnico de controle de pragas que iria fazer o controle larval. Latas, garrafas, pneus, calhas e demais pequenos criadouros passam a ficar inóspitos aos mosquitos, e o “vizinho” dei xará de ser desculpa. Alguns dispositivos, como a In2care®, são capazes inclusive de matar a fê mea adulta visitando após um tempo, através da contaminação por fungos entomopatogêni cos. Se me permitirem algum grau de liberdade didática, as estações disseminadoras estão para os Aedes e seus criadouros como as iscas fungi cidas de formigas estão para as suas colônias. É a aplicação máxima da arte da guerra: que seus inimigos guerreiem entre si.
Cook University, na Austrália, da Universidade Federal de Minas Gerais e já fabricado no Brasil, permite mensurar graus de infestação de ala dos de forma segura e prover índices bastante úteis baseados em insetos adultos. A iniciativa já foi testada com sucesso em alguns municí pios, como em Pará de Minas, em Minas Gerais (Prefeitura Municipal de Pará de Minas, 2022). Adicionalmente, ao reter e preservar os alados, permite-se rápida inspeção, identificação a olho nu e contagem, que pode ser tabulada em apli cativos móveis e guardada em bancos de dados para análises. Os alados preservados, inclusive, podem ser utilizados para investigações de in fectividade por técnicas de DNA e RNA.
E por último – e sem sombra de dúvidas - a esfera mais importante: a das pessoas, a céle bre joia da alma, que contém a chama interior que arde por um propósito. Nenhuma inovação poderá mudar o cenário sem que as pessoas as compreendam, aceitem, disseminem e usem. Sem que as pessoas acreditem que são agen tes da mudança. As pessoas com essa chama na alma têm dedicado o precioso e finito tempo de vida para diminuir as chances de o inimigo avançar, seja combatendo-o diretamente, seja ensinando e educando a população, seja expan
Wolbachia, que reduz muito a capacidade do Aedes de transportar arbovírus de importância humana. Inicialmente testada contra os vírus da Dengue, a ação vem obtendo resultados anima dores mundo afora (Ong, 2021). Desta forma, dado um tempo suficiente, será possível dimi nuir as doenças sem necessariamente diminuir a densidade dos vetores, focando na elimina ção dos vírus, suas armas letais. Ao suprimir a artilharia do inimigo, diminuímos seu poder de fogo, e consequentemente, aumentamos a chance de vencer a guerra. Ao menos até que surjam novos vírus adaptados ao vetor. Quanto à inteligência, saber onde o Aedes está – e principalmente onde ele não está – é uma estratégia crucial para combater o proble ma de forma efetiva, seja em condomínios, hos pitais ou empresas. As vantagens são enormes: além da redução do custo associado ao des perdício de inseticidas, há uma otimização da mão de obra na aplicação de insumos de con trole químico focal e UBV. Passa-se a usar os recursos de controle de forma otimizada. Para auxílio, já estão disponíveis no mercado softwa res de georreferenciamento que, associadas a determinadas armadilhas de monitoramento, podem fornecer dados comparativos espaciais sobre o tipo, sexo e grau de infestação do vetor, em ciclos temporais curtos (semanais, quinze nais ou mensais). Dependendo do dispositivo, até o horário de atividade pode ser registrado –como robôs contadores - e tudo pela net: joias da mente na era da informação. Aliás, a internet das coisas (do inglês, Internet of things ou IoT) é uma macrotendência de inovação no mundo todo, e no setor de controle de pragas não po deria ser diferente. Mais uma importante ajuda para tentar virar o rumo dessa guerra.
Como dispositivos de monitoramento, re centemente uma armadilha de captura de ala dos chamada GAT (Gravid Aedes Trap) vem fazendo bastante sucesso, tendo sido citada pela Organização Mundial da Saúde em estudo sobre testes de eficácia de armadilhas para Ae des (WHO , 2018). O dispositivo, desenvolvido numa parceria entre pesquisadores da James
Parece absurdo? Mas sim, já é possível – e bastante viável economicamente – detectar os arbovírus em mosquitos coletados, em tempo hábil, e trazer essa informação para o combate vetorial, tanto público quanto privado. Técnicas biomoleculares herdadas da ampla demanda da pandemia da Covid-19 podem agora abastecer uma necessidade latente para o controle de mosquitos vetores: o de detectar material ge nético viral em mosquitos infectados. Ao saber que uma determinada região possui vírus cir culantes, dá-se à prioridade total na supressão populacional, de forma a controlá-los rapida mente, obstruindo a circulação e manutenção viral. Imagine criar áreas livres de arboviroses como Dengue, Zika e Chikungunya... talvez não estejamos tão distantes de condomínios, empresas e hotéis “Dengue free” com o que já há de ferramentas disponíveis.
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29 dindo o conhecimento sobre o vetor, seja pes quisando e desenvolvendo novas tecnologias, seja fazendo outras atividades igualmente im portantes para o propósito de pôr fim à guerra infinita. Refiro-me aos agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde, co ordenadores e gestores, professores, pesquisa dores, técnicos do setor privado e tantas outras profissões e funções, gente que trava batalhas no dia a dia. A eles, nosso agradecimento e re conhecimento, já que, sem eles, essa guerra já estaria perdida há muito tempo. No horizonte atual, o céu ainda está escuro. Mas há um brilho no horizonte, talvez indícios de um alvorecer que renovará as esperanças em dias melhores. De qualquer maneira, o aviso: travaremos batalhas árduas no restante deste ano de 2022 e nos que se seguirão. Talvez haja um multiverso na qual extermi namos essa praga e ninguém precise mais viver sob ameaças mais. Ou talvez, haja outro na qual eles nos dizimaram. Na nossa realidade, a não ser que algo novo surja e vire o jogo para um dos lados, ainda há o combate. Porém, o fato: ainda estamos perdendo. Sozinhas, essas tec nologias pouco farão diferença na guerra. Jun tas, porém - e se bem utilizadas - podem ser o estalo necessário para virarmos a maré dessa guerra sangrenta, que já deu tanto prejuízo e ceifou tantas vidas. É preciso acreditar que o inimigo invencível pode ser vencido, e é pre ciso acreditar que nós, somos sim capazes de vencê-lo. Afinal, podemos não ter outra chance. Novos tempos virão. Tempos de paz. Rodrigo Monteiro da Mota é biólogo formado na UFMG especialista em Inovação Tecnológica pela Unicamp. É um apaixonado por biotecnologia e inovação na área de controle de pragas rodrigo@rm2inovacao.com.br. linkedin.com/in/rm2inovacao
Caro leitor, talvez você se pergunte como isso é possível. Seguramente, independente do porte da sua empresa ou mercado de atuação, a gestão é uma só. “É preciso sempre ter um cai xa reserva para suportar as eventualidades que podem acontecer em nosso país, assim como a pandemia”.Comomencionado
Um negócio escalável não perdura sem gestão
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Empresas que tem um processo de gestão qualificado e sustentável agregam cada vez mais valores aos seus negócios, fazendo com que suas empresas tenham cada vez mais visibili dade e investidores interessados, assim como agregam valor para a economia do nosso país.
Há quem defenda que a grande massa de empresas que fecharam só neste ano deve-se às elevadas demissões que foram feitas por conta da pandemia, sem uma breve análise e com es tratégias adequadas, o que pode gerar custos irreparáveis nas empresas.
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UM PASSO À FRENTE NOS NEGÓCIOS
Vale ressaltar que mais da metade das em presas abertas no Brasil são do setor de serviços.
Assim, contar com um quadro de funcionários integrado com a filosofia e dinâmica da empresa passou a ser um fator indispensável para o su cesso dos grandes negócios, apesar de poucos empresários e empreendedores conseguirem ter essa visão 360°. Embora existam inúmeros empresários sem essa visão cirúrgica sobre a importância de sa ber gerir todos os setores de suas empresas, existem grandes empresários que não renun ciam a uma excelente gestão em todos os seto res que competem suas empresas.
Em 2022 foram abertas em torno de 808.243 empresas e mais da metade disso já fecharam esse ano. Os motivos são inúmeros e muitas das vezes são os que imaginamos, como por exemplo: crise no Brasil e pandemia da Acovid-19.verdade é que há muitas outras razões pre dominantes que justificam o fracasso de tantas empresas. E um deles é a forte e considerável falta de gestão apropriada nas organizações, empreendimentos e instituições.
São
no início “um negócio não pode perdurar sem gestão”, essa é uma verdade que todo dono de negócio precisa entender e aderir.” E implantar um processo de gestão não é uma tarefa tão difícil assim. O ponto de parti da é o reposicionamento de empresas, apresen tando soluções na gestão de negócio, formando um negócio diferenciado, entendendo a im portância e aplicabilidade de uma forte cultura, desenvolvendo um modelo de gestão eficaz e assertivo. De maneira que todos que compõe a
mais de 19.373.257 empresas ati vas no Brasil, considerando inclusive microempreendedores individuais.
Sabe-se que é bem complicado a busca por esse profissional, assim como qualquer outra profissão, entretanto é possível encontrarmos excelentes profissionais no seguimento de marketing digital no mercado. “Se você não tiver resultado no digital nos primeiros meses, mude de profissional, não postergue muito”, diz Hil ton Martins, gestor de redes sociais e tráfego.
Pois de nada adianta planejar, organizar e direcionar se não for executado. E tem um fator muito importante: o imediatismo, pois muitos empresários, por quererem resulta dos “para ontem”, deixam de implantar uma boa gestão que demanda tempo, paciência e constância. Certamente, se muitas empresas tivessem 50% de tudo que falei acima, não tinham sofrido tanto com a pandemia e todo o caos que veio junto dela.
Suelen Rocha Formada em Gestão Administrativa, Recursos Humanos e Business Consultant. Especialista em Desenvolvimento Humano.
Digo isso pois, com todo o contexto em que vivemos nos últimos meses, como empresários e como indivíduos, muitos negócios tiveram que sair de dentro da caixa e trazer coisas novas para a empresa e para os clientes.
Um exemplo claro disso tudo foi o avanço da tecnologia e sua relação com as empresas e divulgação. É imprescindível que entendamos a necessidade e importância de investir no digital em nosso negócio para que ele não estacione.
Entender a necessidade de se posicionar, não somente internamente, como externamente, profissionalizando seus processos, adequando o comportamento do cliente e dos colaborado res juntamente com a política da empresa, sem pre com muito equilíbrio e poder de inovação.
31 organização estejam alinhados com as diretri zes determinadas pela corporação.
A gestão da sua empresa não acontece só uma vez no ano, é um trabalho contínuo em busca de resultados maiores acompanhados mês a mês. Começando por um planejamento eficaz, criando e acompanhando metas, definin do indicadores, analisando taxas de conversões e desenhando claramente o objetivo com o ne gócio específico. Uma organização minuciosa: como fará para executar todo o planejamento, quanto precisará investir para executar o plano, quantos colaboradores precisará, quais perfis desses colaboradores, quais serão suas compe tências, quem são os concorrentes e avaliação do cenário externo. E colocar tudo isso em prá tica com um poder de execução maior do que tudo que mencionei acima.
O importante é que, com o que passou, ficaram os aprendizados e uma nova chan ce de fazer tudo de forma mais assertiva de modo a elevar o patamar dos seus negócios em níveis ainda mais altos. E digo com or gulho e paixão que a única maneira de esca lar os resultados de um negócio é com uma gestão estratégica bem aplicada, consisten te, que vise a otimização dos processos de maneira mais eficaz, alinhando os objetivos da empresa com as ações de crescimento. Trata-se de um desafio diário, que requer muita visão, determinação, foco e constância.
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As moscas adultas vivem cerca de 30 dias. Este inseto é atraído por diferentes odores, che gando a voar cerca de 1000 a 3000 metros em 24 Ashoras.moscas são transmissores de doenças ao ser humano e animais domésticos, por isso denominados vetores. Após terem pousado so bre fezes, feridas e animais mortos, elas podem pousar sobre o alimento humano e contaminá -lo, depositando sobre este as bactérias conti das em sua saliva, patas e cerdas do seu corpo.
As fêmeas colocam os ovos em criadouros, localizando-os através do olfato existente nas antenas e se posicionam de tal forma que os ovos são colocados nos locais úmidos e som breados. Em 24 horas, as larvas de primeiros estágios eclodem, passando por dois outros es tágios, durando cinco a oito dias, mas durante o inverno, o desenvolvimento pode ser mais lento e prolongar-se por semanas.
Nome Cientifico: Musca Domestica
As moscas possuem apenas um par de asas membranosas correspondente às asas anterio res. Possuem metamorfose completa, ou seja, apresentam as fases de ovo, larva, pupa e adul to.
Trata-se de uma espécie de suma importân cia, pois além de ser extremamente bem adap tada ao ambiente, torna-se bastante incômoda e pode transmitir mais de uma centena de orga nismos patogênicos (vírus, bactérias, protozoá rios, helmintos...) para o homem e para animais domésticos.Osovosdesse inseto são brancos e alonga dos, medindo cerca de 1mm. São colocados em massas de 75 a 170 ovos de cada vez, num total de 500 a 800, depositados em qualquer matéria orgânica fermentável como lixo, fezes e etc.
No primeiro estágio, ele mede cerca de 2mm de comprimento e no terceiro de 10 a 14mm. As larvas são de coloração clara e movimentam-se ativamente. Alimentam-se de substâncias solu bilizadas e principalmente de bactérias, além de uma grande variedade de substâncias minerais e vegetais, principalmente as açucaradas.
Existem várias espécies de moscas, mas como mencionei, vamos nos ater a moscas do mésticas.Nome
Vamos focar na espécie mais importante para o nosso controle urbano que é a mosca domés tica (nome popular), nome científico (Musca Do mesticaPode-se) reconhecer as moscas pela cabeça, nitidamente distinta e móvel, com dois grandes olhos facetados. Possuem aparelho bucal com capacidade de absorver líquidos, pois o alimen to para as moscas só pode ser líquido ou pasto so e para isso a mosca lança substância (saliva) sobre o mesmo para dissolver e assim poder in geri-lo, pois não consegue colocar nada sólido para dentro do organismo.
A grande maioria dos controladores de pra gas e vetores participa de cursos de Biologia e controle das mais diversas pragas, mas não dão a devida importância ao vetor mosca.
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MOSCAS
Popular: Mosca Doméstica
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Este inseto é muito ativo durante o dia, à noite ele repousa. Os locais visitados por moscas apre sentam manchas escuras, produzidas pelo depósito de suas fezes. Possuem atração pela luz, que se denomina fototaxia positiva. Agora, já doutores em moscas, vamos traçar estratégia de controle. Primeiramente vamos realizar um laudo técnico e verificar a questão do lixo, lixeiras, higiene, acessos, áreas vicinais. Claro, o que estiver em desacordo, deveremos mencionar no laudo e orientar ao cliente sua imediata correção.
CERTO ERRADO
Passada a fase de laudo, vamos para a fase química que se trata de pulverização de inseti cida contra moscas, com bico em leque de todas as paredes, cartazes, balcões e etc. Lembram que ela repousa à noite? A mosca após pousar para o repouso em superfície tratada vai a óbito.
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ARMADILHA
Por fim, totalmente eficaz, porém deve ser utilizado em conjunto com a armadilha lumino sa. As armadilhas luminosas são eficazes, quan do utilizadas de forma correta, tanto quanto o modelo, altura a ser colocada e posicionamento. Partindo da biologia das moscas, já mencio namos sobre fototaxia positiva. As moscas sen tem atração pela luz, realizam o voo em direção à luz, colidem com o plástico transparente po sicionado em 45º graus e caem presas na placa cola.
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Em todas as minhas experiências com arma dilhas, dou sempre preferência para os modelos que apresentam melhor eficiência de captura e não as que se apresentam melhor esteticamen te. A escolha de locais deve ser na altura de no máximo 2 metros, não deve haver balcões, me sas, alimentos sob essas armadilhas a fim de se evitar qualquer contaminação por acidente, inclusive na troca do papel cola, que deve ser trocado apenas após ser ocupado por 80%. Im Portanto, para quem busca excelência no controle de moscas há a necessidade de serem utilizadas várias técnicas em conjunto: • Laudo Técnico; • Pulverização ou pincelamento; • Armadilha Luminosa; Mapa de localização de armadilhas; PesquisaMonitoramento;desatisfação;
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