João Simões (cocurador da Explode! Residency)
Vestígios Caminhava por uma avenida Paulista e, como que atraído por um chamado, adentrei o vão vazio do Masp. A passos soltos, cheguei ao seu beiral, onde pude avistar uma bela planície. Árvores, rios, pássaros e outros seres habitavam aquela imensidão de mata. Como num timelapse ao vivo, observei a floresta se transformar entre a expropriação da terra e o soterramento do rio, apagamento de vidas karijós, tupinikins, guayanás, maromomis, extirpadas, violentadas e exploradas, assim como de africanos sequestrados e escravizados. Corpos que vinham e desapareciam na mesma velocidade com que outros iam ocupando seus lugares. E, nesse desaparecimento, vi surgir a imensidão do concreto e da modernidade veloz de carros e contradições.
Este sonho, que foi recorrente por um tempo de minha vida, veio-me presente após a escuta de duas falas que compuseram o Festival. Ao ouvir sobre estas experiências de resistência, de ocupação, de transformação, de ressignificação dos espaços em relação à
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“Tava durumindo cangoma me chamou Tava durumindo cangoma me chamou Disse levante povo cativeiro já acabou”