São Paulo, 27 de abril de 2012
Brasil-EUA
Roberto Stuckert Filho-Abr
Publicação da Câmara Americana de Comércio
Encontro dos presidentes Dilma e Obama marca momento histórico de estreitamento da relação bilateral Os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama na Casa Branca
E
m dez dias no início de abril, Brasil e Estados Unidos viveram um período muito construtivo da história do relacionamento bilateral. Uma sequência de encontros de alto nível deixou clara a evolução do processo de aproximação dos dois governos e o otimismo do empresariado, que aposta em um estreitamento das parcerias econômicas e culturais. Em 09/04, os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama se reuniram em Washington, um ano após a visita dele a Brasília. No mesmo dia, autoridades envolvidas nesse encontro, incluindo a presidente Dilma, cinco ministros brasileiros, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o secretário de Comércio dos EUA, John Bryson, participaram de um grande seminário organizado pelo Itamaraty com o apoio da Amcham, voltado a discutir oportunidades para a relação em múltiplas frentes. A presidente também dialogou, na véspera, com o empresariado brasileiro – ocasião em que a Amcham esteve representada pelo presidente do conselho, Eduardo Wanick, e pelo CEO, Gabriel Rico – e afirmou que o setor privado tem papel fundamental para a relação bilateral. Uma semana depois, em 16/04, a secretária Hillary veio ao Brasil para dar continuidade às conversas, ao lado de Ken Salazar, secretário de Interior dos EUA. Ambos estiveram em almoço correalizado pela Amcham em Brasília. A conjunção de eventos que retratam a apro-
ximação não parou por aí, tendo incluído ainda visitas à Amcham-São Paulo de líderes de dois importantes estados americanos: o governador de Missouri, Jay Nixon, em 16/04, e o vice-governador da Georgia, Casey Gagle, em 11/04. Resultados e sinais para o futuro Essas reuniões sinalizaram aproximação em áreas como inovação, educação, energia e infraestrutura, fundamentais para a maior competitividade brasileira e a retomada da economia americana. Foram marcadas também por resultados concretos, tais como: • O anúncio da reabertura de consulados americanos em Belo Horizonte e Porto Alegre para facilitar e agilizar a emissão de vistos; • O reconhecimento da cachaça como produto brasileiro; • A assinatura de um memorando para parceria em aviação; • E a celebração de acordos com 14 universidades americanas para assegurar que a meta de que 20 mil das 100 mil bolsas de estudo do programa Ciência Sem Fronteiras sejam concedidas em instituições nos EUA. Nesse âmbito, a Amcham estrutura um papel importante, articulando a promoção de estágios em empresas americanas para os estudantes do programa, para que vivenciem um ambiente de inovação voltado à obtenção de patentes. Há que se notar igualmente que esse conjunto de eventos indicou que a parceria Brasil-EUA tende a se tornar ainda mais relevante no futuro. Autoridades e empresários de ambos os lados revelaram que veem espaço para o estabelecimento de dois acordos fundamentais nesse sentido a médio e longo prazos: um para promoção do livre comércio, precedido de um tratado para eliminar a bitributação; e outro para eliminar a obrigatoriedade de vistos nas viagens bilaterais. Fica claro, portanto, um entrelaçamento crescente de Brasil e EUA, com relações diplomáticas melhores, abrindo espaço para mais negócios #brasileua e investimentos. Leia mais sobre este tema na página 4
CURTAS
Em 03/04, foi publicada a Medida Provisória nº 563, que trata, entre outros temas, de alterações na legislação de Preços de Transferência. A MP incorpora sugestões apresentadas por um grupo de trabalho entre governo e setor privado que a Amcham integrou por meio de representantes de seu comitê aberto de Tributação, e agora será submetida ao Congresso. IPO
Preços de Transferência
Brasília
Ciclo de Decisões
How to
Campinas e curitiba
A feira de negócios Amcham Business Day teve duas edições em abril: em 19/04 em Campinas e em 26/04 em Curitiba, atraindo públicos recordes, respectivamente de 850 e 500 pessoas.
Washington
Washington e Rio de Janeiro
Em 10/04, Amcham e US Chamber promoveram um almoço em Washington com o presidente do INPI, Jorge Ávila. Pouco depois, em 26/04, a Amcham também apresentou os resultados da mais recente pesquisa de avaliação do instituto durante seminário no Rio de Janeiro que celebrou o Dia Mundial da Propriedade Intelectual.
Belo Horizonte
Voltada a discutir o aprendizado que as mudanças trazem, a 5ª edição do Ciclo de Decisões começou em 26/04. O primeiro evento teve como foco a gestão de talentos, atraindo mais de 500 pessoas para ouvir palestras como a de Fernando Alves, sóciopresidente da PwC no Brasil. Estão previstos outros três encontros, em 29/06 (governança), 17/08 (tecnologia) e 26/10 (CEO Fórum). #ciclo2012
Competitividade
Hong Kong é uma grande porta de entrada para empresas que querem chegar à China, defendeu Charles Ng, diretor da empresa de fomento a investimentos InvestHK, em reunião no dia 17/04. “Temos uma legislação transparente e compreensível pelo mundo, que abraça a segurança jurídica, e somos um caminho para conexão com o mercado chinês”, justificou.
Entre 09 e 13/04, a Amcham realizou a terceira edição do road show How to Do Business and Invest in Brazil, para levar informações a americanos sobre como investir e fazer negócios no País. A comitiva promoveu eventos com esse objetivo em Washington, Nova York e Boston, que reuniram no total mais de 220 potenciais investidores. Em Boston, houve participação do governador de Massachusetts, Deval Patrick. #howto
Porto Alegre
A Amcham e o BrazilUS Business Council assinaram em 10/04 um acordo de cooperação (MOU) com o Council on Competitiveness para elevar a parceria global em inovação, ciência e #brasileua tecnologia.
Recife Panorama de Marketing
Desonerar o ICMS nas operações do regime drawback, estimulando seu maior uso, sem comprometer a fiscalização de bens, foi a tônica de reunião com Marcelo Bergamasco Silva, membro da Coordenação de Administração Tributária de SP, no dia 25/04.
Washington, Nova York e Boston
Business Day
Inteligência e gestão do conhecimento são ativos estratégicos para monitorar cenários e promover negócios em um mundo cada vez mais complexo, mostrou o seminário ‘Gestão da Informação e do Conhecimento’ em 17/04. Para tanto, é preciso transformar dados de mercado em análises diferenciadas, o que exige metodologia e envolvimento. “Trata-se de um processo estruturado, com o objetivo de gerar resultados para a organização”, explicou Armelle Decaup, sócia da consultoria Defí Inteligência Competitiva.
Propriedade intelectual
Negócios em Hong Kong
Drawback
Gestão da Informação
São Paulo
A 8ª edição do Panorama de Marketing em Pernambuco, em 24/04, reuniu gestores de agências de comunicação e gerentes de marketing para debater uma nova tendência, o storytelling. A técnica consiste em contar histórias em busca de aproximação com o consumidor. Também houve palestras de representantes de ESPM, Coca-Cola Brasil, Agência Babel e PUC-Rio.
Entrando em seu 3º ano, o programa da Amcham que ajuda a preparar companhias com interesse em realizar abertura de capital (IPO) acaba de conquistar um grande resultado. Em 23/04, a mineira Locamerica iniciou a negociação de suas ações no Novo Mercado da BM&FBovespa.
fotos: Mário Miranda
comércio exterior
Seminário debate livre concorrência e inovação como elementos vitais à competitividade a longo prazo
Kyonglim Choi, embaixador da Coreia do Sul no Brasil, Wilfried Grolig, embaixador da Alemanha no Brasil, e Paulo Estivallet de Mesquita, diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores
coragem de não escolher as companhias que deveriam sobreviver. O mercado é que deveria fazer isso”, opinou o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge. Exemplos de Coreia e Alemanha A discussão na Amcham foi embasada em exemplos de países como Alemanha e Coreia do Sul, que viveram e vivem dilemas da mesma ordem, tendo que optar entre necessidades de curto prazo (e pressão por protecionismo) e uma visão de longo prazo (com investimento maciço em inovação e produtividade). A Coreia do Sul, uma das nações mais industrializadas e competitivas do mundo, trilhou um caminho difícil até chegar à atual posição. Antes da crise de 1997, sua indústria cresceu em parte apoiada em proteção governamental, mas a eficiência deixava a desejar em relação a concorrentes globais. Com as turbulências, o país decidiu levar a cabo mudanças na economia, pautadas pela liberalização do mercado. “Muitas companhias declararam falência, mas as que sobreviveram se reestruturaram. A partir daí, surgiram empresas como Hyundai e Samsung”, contou o embaixador da Coreia do Sul no Brasil, Kyonglim Choi. Na Alemanha, a regra é não ceder à tentação de proteger setores ameaçados, explicou o embaixador do país no Brasil, Wilfried Grolig. É preciso concorrer e tentar sobreviver no mercado, mesmo que haja riscos de extinção de alguma indústria local. Isso acontece hoje com o setor de energia solar, que vem tendo subsídios reduzidos, mesmo diante da pesada concorrência chinesa. “O segredo do sucesso alemão é que nunca nos protegemos da concorrência”, assegurou. #competitividadebr
How To
Uma nova publicação da série How to, intitulada How to Invest in Paraná, foi lançada em 26/04 na sede do governo do Estado, com a presença do governador Beto Richa e secretários. Na foto, a partir da esquerda, Ricardo Barros (secretário de Indústria), José Richa Filho (secretário de Infraestrutura), Darci Piana (presidente da Fecomércio PR), Eduardo Guy de Manuel (vice-presidente regional da Amcham-Curitiba), Beto Richa, Gabriel Rico (CEO da Amcham), Gilberto Camargo (presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento) e Cassio Taniguchi (secretário de Planejamento) #howto
Ricardo Akan
C
riar um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico, à competitividade de longo prazo e a uma maior inserção no comércio global demanda uma combinação de livre concorrência, investimentos em inovação e aumento de produtividade. A receita foi debatida no ‘Seminário Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil frente à nova configuração dos blocos econômicos mundiais’ realizado pela Amcham-São Paulo em 24/04. No evento, analisou-se comparativamente a situação de dois setores brasileiros: a indústria manufatureira, que vem perdendo espaço nos mercados internacionais por conta de fatores como custos elevados e baixo índice de inovação, e sendo crescentemente objeto de medidas protecionistas por parte do governo; e o agronegócio, hoje um dos mais competitivos do mundo em boa parte porque teve de se reestruturar décadas atrás quando deixou de receber subsídios. “No Brasil, tenta-se salvar toda e qualquer empresa, por mais ineficiente e improdutiva que seja. Precisamos ter
Visão do governo brasileiro Paulo Estivallet de Mesquita, diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, transmitiu a perspectiva do governo brasileiro sobre o tema aos participantes do seminário. Segundo ele, a opção recente do governo por algumas medidas de cunho protecionista tem como justificativa enfrentar “tempos extraordinários”. “Temos a preocupação de que setores de grande potencial no longo termo desapareçam no curto prazo por estarem enfrentando um choque de competitividade”, afirmou. Mas o ministro ressalvou: “estamos administrando a política comercial com cautela e adotando medidas que não podemos manter no longo prazo”.
“A parceria Brasil-EUA é uma conquista diária, sistemática, que vemos com seriedade e aprofundamos a cada dia. Esperamos uma cooperação especialmente forte no programa Ciência Sem Fronteiras. Agradeço a receptividade das universidades e companhias americanas aos estudantes que aprimorarão sua formação e, voltando ao Brasil, contribuirão para que haja um salto de competitividade nas pequenas e médias empresas brasileiras.”
Ian Wagreich/ US Chamber (arquivo)
“A parceria entre Brasil e EUA nunca foi tão forte, mas sempre há melhorias que podemos realizar. Temos importante progresso a fazer, por exemplo, em energia. O Brasil é líder em biocombustíveis e está se tornando um player mundial em petróleo e gás. Somos não somente um grande comprador em potencial, mas podemos atuar juntos em muitos projetos. Em outra frente, estamos trabalhando para estimular o comércio e a interação de nossas sociedades. Reduzimos drasticamente o tempo necessário para emissão de vistos a brasileiros e estamos abrindo novos consulados no País.” Barack Obama, presidente dos EUA, 09/04, Washington
“O Brasil tem dois grandes parceiros nas relações comerciais: China e EUA. Com a China, vendemos produtos básicos e compramos manufaturados. Com os EUA, é muito diferente. Somos economias muito parecidas, que têm tudo para se integrar. O Brasil precisa dos EUA para dar um grande salto tecnológico e colocar sua indústria no século XXI, e os EUA necessitam do acesso ao mercado brasileiro para alavancar sua economia.”
José Paulo Lacerda/ CNI
Antonio Cruz/ABr
Dilma Rousseff, presidente do Brasil, 09/04, Washington
EUA
“Reafirmamos a importância que o Brasil dá à relação política e econômica com os EUA. Vemos uma grande complementaridade de interesses.” Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, 09/04, Washington
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, 09/04, Washington
“Precisamos redobrar nossos esforços para concluir um acordo para evitar a dupla tributação. Necessitamos explorar um tratado de investimento bilateral e considerar no futuro acordos de livre comércio.” Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, 16/04, Brasília
“Hoje, 70% do petróleo dos EUA vêm de águas profundas. Olhamos com muito interesse para o pré-sal brasileiro. Sabemos da relevância de compartilhar conhecimento entre os dois países na exploração desses recursos.” Ken Salazar, secretário de Interior dos EUA, 16/04, Brasília
Ian Wagreich/ US Chamber
“O relacionamento Brasil-EUA é maduro e baseado em confiança e valores comuns. Percebemos os EUA como um parceiro privilegiado por sua capacidade de se reinventar.” Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, 09/04, Washington
“Mantemos um relacionamento bilateral de dois séculos, vitalmente importante. Temos similaridades históricas e diferenças que podemos conciliar juntos.” John Bryson, secretário de Comércio dos EUA, 09/04, Washington #brasileua
EXPEDIENTE Editora: Giovanna Carnio (MTB 40.219). Para esta edição, enviada especialmente a Washington. Reportagem: André Inohara, Anne Durey, Dirceu Pinto, Gabriela Vieira, Marcel Gugoni Design: MONDOYUMI. www.amcham.com.br
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José Paulo Lacerda/ CNI
Ian Wagreich/ US Chamber
BRASIL
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Brasil-EUA
Acompanhe o que de mais importante se falou sobre a parceria dos dois países neste mês de abril
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