AmchamNews Setembro 2011

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São Paulo, 05 de outubro de 2011

Publicação da Câmara Americana de Comércio

Relações trabalhistas

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A Amcham reuniu no comitê estratégico de Economia de São Paulo em 30/09 o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, o ex-secretário de Política Econômica Bernard Appy, o economista e professor da USP José Pastore, o exministro do Trabalho Almir Pazzianotto e Sérgio Mendonça, economista do Dieese, para debater um tema essencial à maior competitividade brasileira: as relações trabalhistas. Os especialistas convergem na avaliação de que é inviável a votação de uma ampla reforma nessa área em curto ou médio prazo, mas que é necessário aproveitar todos os espaços possíveis para conduzir uma reforma fatiada, algo que de certa forma já está em curso e pode continuar a avançar, a exemplo dos seguintes projetos: • Aprovação da Lei 12.740/11, que estabelece alíquota diferenciada de contribuição à Previdência Social para o microempreendedor e vincula à Previdência profissionais autônomos, desde que contribuam com R$ 30 mensais e tenham renda limitada a R$ 3 mil ao mês. Além disso, a medida faculta trâmite especial e simplificado para o processo de registro e abertura de firma ao microempreendedor. “É uma lei excelente, que cuida da informalidade do trabalhador por conta própria”, comentou Pastore. • Criação de um Simples Trabalhista (Projeto de Lei 951/11 em tramitação no Congresso) para facilitar os processos de contratação e demissão, nos moldes do Simples (Lei das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte nº 9317/96) e do Supersimples (Lei Complementar 123/06), que simplifica-

Fotos: Glener Uehara

Sem perspectiva de reforma ampla na área a curto prazo, especialistas apostam em avanços fatiados

Almir Pazzianotto, ex-ministro do Trabalho

ram a burocracia a aliviaram a contribuição previdenciária para micro e pequenas empresas, tendo estimulado fortemente a formalização de empregados (três milhões apenas no primeiro ano em vigor). • Incentivo à contratação de jovens sem experiência anterior (Projeto de Lei 7556/10 apensado ao PL 6941/10 em tramitação no Congresso). Pela proposta, empresas que empregarem pessoas recém-formadas com esse perfil durante 12 meses têm despesas reduzidas de contratação. Os benefícios são múltiplos: a companhia pode testar o jovem, o profissional tem seus direitos garantidos, e o governo arrecada recursos para a Previdência.

Engajamento do empresariado

Outro ponto comum na análise dos especialistas é a visão de que é vital o engajamento do setor privado para que haja maiores progressos no campo trabalhista. “Falta uma mobilização maior da inicia-

José Pastore, professor da USP

tiva privada”, apontou Pazzianotto. O empresariado precisa também dedicar atenção ampliada às negociações salariais, indicaram os participantes do comitê da Amcham, lembrando que, sempre que os reajustes concedidos ficam além da inflação e dos ganhos de produtividade, a competitividade das empresas e do País como um todo fica comprometida. “O lado empresarial tem responsabilidade de construir uma interface mais próxima com os trabalhadores, que permita melhorar o entendimento sobre a realidade da economia e dos negócios e chegar a acordos (salariais) mais realistas”, pontuou Pastore. O Brasil registra dois milhões de novas ações trabalhistas ao ano, um cenário de insegurança jurídica que gera custos incorporados continuamente às operações das companhias. Esses custos, por sua vez, são, em última instância, transferidos aos preços. O resultado é que o consumidor e a competitividade pagam a conta, concluíram os palestrantes.


CURTAS BrasIL Prêmio ECO

Neste ano, com uma campanha ampliada de divulgação, o Prêmio ECO registrou aumento de 32% no total de projetos inscritos em relação a 2010. Foram 108 trabalhos de 85 empresas, sendo 22 pequenas e médias (responsáveis por 24 projetos) e 63 de grande porte (84 trabalhos). Em 2010, foram submetidos 82 projetos de 67 companhias. Treze unidades da Federação estão representadas, bem acima das oito do ano passado.

São Paulo Combate à pirataria

Apesar de ainda elevada, a taxa de pirataria em programas de computador no Brasil, segundo a Microsoft, caiu de 64% para 54% entre 2005 e 2010. Mundialmente, o País registra a terceira redução mais acentuada desse índice no período, atrás de Rússia e Catar. “A pirataria de software está diminuido drasticamente no Brasil como resultado de uma maior conscientização dos consumidores sobre riscos e crimes relacionados. As parcerias entre empresas e governos têm estimulado o cumprimento das leis e o aperfeiçoamento das ações repressivas”, disse David Finn, diretor jurídico global da Microsoft para Combate ao Mercado Ilegal, em café da manhã promovido com o apoio do Etco (Instituto de Ética Concorrencial) no dia 02/09.

Porto Alegre Atendimento ao cliente

Como em São Paulo (veja matéria na página 5), a excelência no atendimento ao cliente foi objeto de seminário na regional gaúcha em 13/09. Ana Reinert, diretora do laboratório Weinmann, ressaltou a importância do cumprimento das promessas feitas aos consumidores e lembrou que cada cliente é único. “O compromisso das companhias é entender as necessidades específicas do consumidor e entregar um resultado de acordo com essa proposta”, aconselhou.

Belo Horizonte

Qualificação de profissionais

Em um cenário de escassez de mão de obra qualificada que dificilmente se equacionará a curto e médio prazos, as empresas cada vez mais assumirão o papel de formar profissionais para continuar a crescer. A função de treinamento e desenvolvimento ganhará relevância nas organizações não por opção, mas porque elas serão obrigadas a isso, sinalizou Claudemir Oribe, consultor organizacional da Qualypro Management, no comitê de Gestão de Pessoas em 14/09.

São Paulo Produção cultural

A iniciativa privada tem papel fundamental na meta do governo de incentivar e disseminar a produção cultural em todo o território nacional. As companhias podem complementar os recursos públicos e contribuir para reverter o quadro de concentração nas regiões Sudeste e Sul, avaliou Kleber Rocha, diretor de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, no comitê de Marketing em 13/09.

Campinas Business Day

Mais de 800 executivos e profissionais visitaram em 15/09 os 60 estandes do Amcham Business Day, considerado a maior feira de negócios multissetorial da região de Campinas e o principal encontro de networking da regional. O evento teve palestra de José Mário Caprioli, presidente e fundador da Trip Linhas Aéreas, tratando de empreendedorismo em mercados altamente competitivos.

Curitiba Diversidade

A diversidade entre opiniões muitas vezes é interpretada como causa de conflitos dentro do ambiente corporativo. Para Wilson Meiler, coach em empresas como Volvo, Volkswagem e Itaipu Binacional, essa, no entanto, pode ser justamente a principal contribuição do trabalho em equipe. “São diferentes cabeças, opiniões e criatividades, uma diversidade que proporcionará maiores chances para o alcance do melhor resultado”, defendeu ele no Debate de Gestão de Pessoas em 15/09.

São Paulo Receita Federal

Cláudia Pimentel, representante da Coordenação de Tributos sobre Renda, Patrimônio e Operações Financeiras da Receita Federal, visitou a Amcham em duas ocasiões em setembro. Em 01/09, falou à força-tarefa de Tributação sobre o Regime Tributário de Transição (RTT), que tem como objetivo eliminar possíveis distorções contábeis e fiscais que poderiam ocorrer em virtude da mudança do padrão contábil brasileiro para o modelo internacional IFRS a partir de 2010. Em 14/09, no comitê de Legislação, mostrou como a Receita busca intensificar o controle de remessas financeiras do Brasil a paraísos fiscais, adotando e aperfeiçoando regulamentações, com base em discussões em fóruns internacionais e com o setor privado nacional.

Recife Gerenciamento de projetos

Em sua quarta edição, o Encontro Pernambucano de Gerenciamento de Projetos, realizado em 05 e 06/09 numa parceria com o Project Management Institute, teve como um de seus destaques a participação de Geraldo Julio, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Ele mostrou como o governo pernambucano vem lidando com o tema. “De 2007 a 2010, montamos um mapa de estratégias que abrangia 800 projetos a serem realizados em diversas áreas (educação, saneamento e segurança, entre outras). Neste cenário, as estratégias de gerenciamento de projetos foram essenciais para alcançarmos sucesso”, indicou.

Brasil Turismo de Saúde

Entre 24 e 28/10, a Amcham organiza, em parceria com a Embaixada do Brasil em Washington, uma missão aos EUA focada no segmento de Turismo de Saúde. A comitiva passará por Washington DC e Chicago e a agenda prevê reuniões de relacionamento e negócios com empresas e entidades do setor, além de palestras e idas a hospitais de referência. Haverá visita à Joint Commission International e ao Medical Tourism and Global Health Care Congress.


De olho em 2012

Pesquisa da Amcham mostra expectativas do empresariado para o próximo ano Estudo realizado pela Amcham em parceria com o Ibope junto à base de associados da entidade revela otimismo do empresariado nacional sobre seus negócios em 2011 e 2012, mesmo diante de turbulências globais. Pela sondagem, 77% dos executivos afirmam acreditar em aumento de vendas em 2012. Com relação a 2011, 71% fazem essa mesma avaliação. A iniciativa privada apresenta uma visão positiva com relação aos mais variados aspectos de suas operações. A maioria planeja ou conta com aumento dos lucros (68% para 2012 e 55% para 2011), contratação de funcionários (51% e 52%) e investimentos (50% e 53%). Em 2012, os investimentos deverão ser distribuídos em quatro áreas principais: estratégias comerciais que envolvem canais de vendas, promoções e ações (70%); marketing, representando lançamento de produtos, comunicação, feiras e eventos (52%); recursos humanos, a partir de contratações, treinamentos e benefícios (51%); e inovação (47%). Apesar do clima favorável, a pesquisa também procurou detectar fatores que preocupam o empresariado. Foram mencionados a possibilidade de desaceleração da economia nacional (64%); o sistema de impostos e a alta carga tributária (58%); a disponibilidade e a qualificação

da mão de obra (43%); e o avanço da inflação (28%). O levantamento foi apresentado em 04/10 na Amcham-São Paulo durante o evento “Business Round Up – Perspectivas 2012”. Entre 20 e 27/09, a Amcham ouviu 231 altos executivos de empresas associadas dos mais variados portes e segmentos.

Macroeconomia

As variáveis macroeconômicas também foram objeto de análise do empresariado na sondagem. A maioria dos entrevistados acredita em crescimento ou estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, sendo que 44% projetam expansão e 42% estabilidade. Somente 14% acreditam que o PIB apresentará queda em relação a 2011. Metade dos consultados vê estabilidade da inflação no próximo ano, 44% acham que haverá aumento e apenas 6% apostam na queda. Quando à taxa Selic, 47% estimam estabilidade em 2012. Por outro lado, 28% consideram a possibilidade de aumento e 25% esperam queda. Para 63% dos executivos, o câmbio ficará estável em 2012. Outros 29% acham que o real se fortalecerá em relação ao dólar e 8% pensam que a moeda brasileira sofrerá depreciação.

Governo e competitividade

Um ponto alto do estudo da Amcham é a avaliação de como o empresariado percebe o novo governo brasileiro em comparação com o anterior. Um grupo de 58% concorda que, na gestão Dilma Rousseff, há interesse maior no fortalecimento da relação Brasil-EUA; 43% veem aumento da abertura para o diálogo com o setor privado; e 41% apontam melhor distribuição dos recursos para infraestrutura. Uma fatia de 54% sinaliza piora nas condições de aprovação de uma reforma tributária. “Há percepção de melhoria na condução da política externa, mas as empresas não identificam sinais claros na busca de acordos bilaterais de comércio”, comentou Mara Lacerda, responsável pela apresentação dos dados. Sintonizada com o projeto “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham, que discute propostas para aumentar competitividade nacional, a sondagem para a Business Round Up revelou que os principais gargalos do País, para a iniciativa privada, dizem respeito a: carga tributária e eficiência dos gastos do governo (65%); infraestrutura (15%); e disponibilidade e qualificação da mão de obra (10%).

Como as companhias fecharão 2012 versus 2011 (%)

Vendas Lucro Preço unitário Investimentos Nº de funcionários Market Share Expansão Operacional

2011x2010

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2012x2011 2011x2010 31

2012x2011

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2012x2011

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6 13 8

61 50

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2011x2010 2012x2011

46

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34 46

3 6 4

Fonte: Amcham/ Ibope


De olho em 2012

Em linha com a sondagem da Amcham, painel de debates da “Business Round Up – Perspectivas 2012” confirmou o clima de confiança do setor privado de que 2012 será um ano positivo para os negócios, sem deixar de considerar a perspectiva de agravamento dos cenários externo e interno, incluindo a crise fiscal que ameaça a Europa, uma possível desaceleração na China e incertezas em relação à inflação doméstica. Conforme a consultoria Tendências, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumentará 3,5% neste ano e 3,7% em 2012. “Ainda que o Brasil cresça 3,5% em 2012 a uma inflação de 6% e com algumas incertezas no rumo da política econômica, trata-se de um horizonte muito melhor do que aquele que prevaleceria se o País não tivesse resistência a questões externas. O Brasil terá um quadro muito melhor do que o dos países desenvolvidos. Haverá expansão econômica com geração de emprego e aumento (de 5,7%) da massa salarial”, disse Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências e ex-ministro da Fazenda. Para o ex-ministro, neste ano a inflação brasileira superará o teto da meta de 6,5% estabelecido pelo Banco Central, atingindo de 6,6% a 6,8%, mas em 2012 recuará e ficará aquém do teto, em torno de 6%. As projeções para o câmbio se tornaram complexas devido às turbulências externas, mas, para Nóbrega, no próximo ano, podese falar em um patamar de R$ 1,60. Em relação à taxa Selic, ele estima que o juro básico feche 2011 em 10,5% ao ano, caindo para 9% no final de 2012. Acompanhe o que preveem representantes de alguns dos mais importantes setores da economia brasileira:

Alimentos

Para este ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) espera um faturamento 17% maior que os R$ 330 bilhões de 2010, chegando a R$ 390 bilhões. Em 2012, se as projeções de ampliação das vendas em torno de 7% se confirmarem, o setor terá alcançado um volume de R$ 417 bilhões, indicou Edmundo Klotz, presidente da Abia.

Fotos: Glener Uehara

Setores representativos da economia revelam otimismo em debate

A partir da esquerda, Gonçalves (IDV), Klotz (Abia), Nóbrega (Tendências), Watanabe (SindusCon), Gil (Brasscom) e Ribaldo (Abimaq)

Varejo

O crescimento médio do varejo, segundo cálculos do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), ficará em torno de 7% neste ano. Para 2012, a expansão deve prosseguir nesse nível, informou Jorge Gonçalves, conselheiro do IDV. Alguns segmentos vêm apresentando ritmo mais forte. Entre eles, estão Informática e Comunicações, que crescem 20% ao ano, Móveis (15%) e Materiais de Construção (10% a 12%).

Construção civil

A construção vive um momento excepcional, tendo evoluído 13% em 2010 (descontada a inflação), com previsão de outros 5% em 2011. Se a crise europeia não se agravar, o setor tende a apresentar taxas anuais de expansão de 4% a 4,5% nos próximos cinco anos, estimou Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon).

TI

O mercado de Tecnologia da Informação (TI), hoje, é responsável por um faturamento de US$ 85 bilhões. A perspectiva de crescimento para este ano é de 13% a 15% e, para 2012, espera-se algo na mesma faixa, conforme Antonio

Maílson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda

Gil, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). A ascensão da classe C e novas aplicações em áreas como Educação, Saúde, Segurança e Bancos impulsionam o segmento.

Máquinas e Equipamentos

Menos otimista que os demais setores representados no evento da Amcham, Máquinas e Equipamentos tem expectativa de expansão de 6% em 2012, revelou Márcio Ribaldo, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).


informados e exigem das companhias aperfeiçoamento constante no atendimento

Frustração e expectativas

A pesquisa mostra que a maior parte dos consumidores brasileiros se frustra por ter de lidar com atendentes que não estão bem informados (86%) e/ou não reconhecem suas necessidades e preferências específicas (83%). Num comparativo com outras edições do levantamento, fica claro que a expec-

tativa dos clientes com relação aos serviços de atendimento aumenta ano após ano. No Brasil, metade dos consumidores manifestou agora expectativas maiores em relação a 12 meses atrás e 74% informaram ter neste momento expectativas superiores na comparação com sua visão há cinco anos. Eles querem atendimento mais rápido (83%), representantes mais capacitados (77%) e maior facilidade no acesso ao atendimento (76%), entre outros aspectos.

Redes sociais

A sondagem revela ainda que 89% dos brasileiros consultados navegam na internet com frequência, sendo que uma fatia entre 30% e 45% faz uso constante de mídias sociais para interagir sobre produtos e serviços das companhias. Um terço dos consumidores brasileiros declara ser influenciado por comentários nesses canais da web para decidir suas aquisições. Além disso, quase metade dos ouvidos sinaliza que gosta quando as empresas se empenham ativamente nas mídias sociais e que isso aumenta sua propensão a fazer negócios com elas.

Rene Parente, gerente sênior da prática de CRM da Accenture Brasil

Foto: Glener Uehara

Quais são as principais características do consumidor atual e o que as empresas vêm fazendo e ainda precisam colocar em prática para atendê-lo de modo eficaz, garantindo um relacionamento duradouro e bons resultados? Este foi o foco das discussões do “II Fórum de Excelência em Serviços – Gestão do Atendimento e Relacionamento com Clientes” promovido pela Amcham-São Paulo em 01/09. O cliente hoje é bem-informado e exigente, e continua a ter na propaganda “boca a boca” – agora amplificada pelas redes sociais – a mais poderosa fonte de informações para embasar suas decisões de compra, indica o Estudo Global de Comportamento do Consumidor 2010, realizado pela consultoria Accenture em 17 países (incluindo o Brasil) e apresentado no evento. Conforme a sondagem, no Brasil, 85% dos consumidores revelam ter contato com produtos e serviços por meio de pessoas conhecidas e 66% consideram as informações recebidas dessa forma como relevantes para definir suas aquisições. As explicações prestadas pelos atendentes nos estabelecimentos comerciais também são bastante valorizadas. No estudo, 72% afirmaram que conheceram produtos e serviços a partir de orientações dadas nas lojas e 51% se basearam nesse tipo de atendimento para efetivar compras. “O brasileiro é muito comunicativo, gosta de trocar experiências e busca saber sobre produtos e serviços nas lojas”, disse Rene Parente, gerente sênior da prática de CRM (Customer Relationship Management) da Accenture Brasil.

Foto: Glener Uehara

Tendências Consumidores estão mais

Capacitação e tecnologia

Durante o fórum da Amcham, especialistas e executivos compartilharam boas práticas e dicas sobre o que vêm fazendo para aperfeiçoar o atendimento a esses consumidores mais demandantes. Além de trabalhar para atrair, capacitar e reter profissionais que atuam no relacionamento com clientes nos mais diversos pontos de contato, as companhias investem em tecnologias para ajudar a monitorar conteúdos relacionados aos seus negócios que são veiculados em mídias sociais e desenvolver serviços de inteligência de mercado, captando tendências de comportamento e hábitos de consumo. “Os consumidores, mais preparados, exigem das organizações capacitação e agilidade de suas equipes de atendimento pré-vendas, nos pontos comerciais e no relacionamento pós-vendas. A atenção ao

Antonio Carlos Morim, professor da ESPM

fator humano resulta em lucro, uma vez que a precificação fica diferente. Os consumidores, quando bem atendidos, deixam de olhar os preços como custos, veem valor agregado nos produtos e serviços e pagam por isso”, explicou Antonio Carlos Morim, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Vivemos a era dos serviços, na qual até os produtos têm essas atividades embutidas. Hoje, esticar o relacionamento com os consumidores traz vantagens aos negócios”, completou.


Brasil-EUA

No dia 31/08, a Amcham celebrou um acordo de cooperação (MOU) com o Ministério das Relações Exteriores com o objetivo de estimular o crescimento do fluxo de comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos. Assinaram o documento Gabriel Rico, CEO da Amcham, e Norton Rapesta, então diretor do Departamento de Promoções Comerciais do Itamaraty. O novo diretor do departamento, Rubens Gama, também participou, sinalizando o alinhamento da nova gestão com o compromisso. O memorando oficializa a parceria entre Amcham e Itamaraty em diversas ações de promoção comercial (já foram co-realizadas dez missões comerciais) e abre espaço para uma colaboração ainda mais intensa entre as entidades, com incremento de ações conjuntas que beneficiarão empresas brasileiras na ex-

pansão de seus negócios para o mercado americano. Estão previstas, além de missões, iniciativas como o compartilhamento de estudos. “Antes de a Amcham iniciar as missões comerciais, os empresários brasileiros que pensavam em exportar para os EUA se dirigiam inicialmente a Miami, alguns para Nova York e raramente para a Costa Leste. Com a Amcham, foram realizadas as primeiras missões comerciais nos EUA para destinos como Kentucky, Arkansas e Minnesota”, lembrou Gama.

Lançamento de publicações da série How to

Na mesma ocasião, a Amcham lançou mais cinco publicações da série How to Do Business in Brazil, que tem como objetivo auxiliar potenciais investidores externos ou pro-

Norton Rapesta na assinatura do acordo Amcham-Itamaraty

fissionais e executivos recém-chegados ao País a entenderem e atuarem no mercado nacional. Também foram relançadas outras cinco edições, com conteúdo atualizado. Além de Rapesta e Gama e de representantes da Embaixada dos EUA no Brasil, da Receita Federal, da Apex e dos governos de São Paulo e Paraná, o evento teve a presença de Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

Brasil-EUA

Seis meses após a visita de Barack Obama ao País, para a realização da qual a Amcham desempenhou importante papel numa parceria com o Brazil-US Business Council e a Confederação Nacional da Indústria, novamente os presidentes dos EUA e do Brasil se encontraram em 20/09, em Nova York. Na cidade para participar da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, os dois líderes tiveram uma reunião a portas fechadas, seguida de divulgação da “Parceria para Governo Aberto”, projeto de iniciativa dos governos americano e brasileiro que tem como objetivos a promoção da transparência orçamentária e o direito ao acesso às informações públicas. “Dilma e Obama estão reconstruindo a relação Brasil-EUA em outra linguagem, mais focada em questões sociais, inclusão, valores,

Foto: Roberto Stuckert Filho/ Presidência da República

Relação bilateral se fortalece, com foco especial em questões sociais

anticorrupção, transparência e fortalecimento da democracia”, analisou Gabriel Rico, CEO da Amcham, em Nova York, onde representou a Amcham em jantar no dia 20/09 em homenagem à presidente Dilma promovido pelo Woodrow Wilson Center. Na visão da Amcham, com a visita aos EUA da presidente Dilma, acompanhada

Os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama em encontro em Nova York

de vários ministros, e a futura ida do vicepresidente Michel Temer ao país, o relacionamento se torna mais amplo e aprofundado. “O desafio é fazer acontecer os muitos acordos de intenção já assinados”, completou Rico.

EXPEDIENTE

Editora: Giovanna Carnio (MTB 40.219) Reportagem: André Inohara, Anne Durey, Daniela Rocha, Dirceu Pinto e Gabriela Vieira Design: MondoYumi O noticiário completo da Amcham você encontra no site www.amcham.com.br Acompanhe o conteúdo da Amcham também em www.facebook.com/amchambrasil e www.twitter.com/amchambr

Foto: Rodrigo Meireles

Amcham firma acordo de cooperação com Itamaraty para promover investimento e comércio entre os dois países


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