Ano 8 • nº1816 Novembro/2014 Matureia
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Família unida dá exemplo de soberania no sertão
Ao chegar na casa de Maria José e Damião (Dão), que residem com os filhos, Natália, Bruno e Maria Clara, na comunidade Santo Antonio, em Matureia, sertão paraibano, somos levados até o seu quintal produtivo, onde existe uma grande diversidade de hortaliças e fruteiras. Nas primeiras horas do dia, Maria José se dedica a cuidar das plantas e também das criações de galinhas e caprinos. Ela conta que sempre plantou, mas nos períodos de estiagem eles precisavam fazer um grande esforço para manter as hortas. A família utilizava água retirada de um poço, mas não foi suficiente, muito da produção se perdeu. Para manter as criações de galinhas e caprinos, houve um desafio ainda maior. “Antes não tinha muita água, a gente tinha que escolher: ou água para os bichos ou para a gente”, relata Maria. Hoje a água utilizada para dar de beber aos animais e também para Maria cultiva seu oásis cultivar as plantações é retirada da Cisterna de Enxurrada. O arredor de casa se transformou e de tudo tem um pouco, mamão, macaxeira, goiabeira, bananeira, cajueiro, maracujá, jerimum, abacaxi. Além de plantas medicinais e canteiros de alface, coentro e cebolinha. O casal está sempre buscando alternativas para a melhoria da qualidade de vida da família. Enquanto Maria cuida das plantações, que garantem alimentos saudáveis na mesa todos os dias, e também das criações, que são uma fonte de renda extra e carne de qualidade, Dão trabalha como pedreiro, construindo cisternas.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Paraíba
Ele começou a se interessar pela construção de cisternas, quando conquistou a sua, através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), executado pelo Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS). Auxiliou os pedreiros que foram trabalhar em sua casa e procurou aprender o máximo com eles. Depois foi ajudar nas construções das cisternas de outras famílias da comunidade. Também participou da capacitação de pedreiros, que é uma das atividades de formação do programa. Dão sempre trabalhou com construções, ele mesmo faz as reformas necessárias em casa e já trabalhou como servente em obras. Hoje trabalha em parceira com seu irmão Nilton, juntos, eles já construíram mais de 20 cisternas. “Ele é um grande companheiro, sempre trabalhamos juntos e um ajuda o outro”, relata Dão. Hoje a atividade é a principal fonte de renda da família, que apostou na permanência no campo como caminho para uma vida melhor. O casal conta que em 1995 foi morar em São Paulo, mas quando sua primeira filha nasceu, decidiram voltar a terra natal. “Não queria criar ela lá, é um lugar perigoso e tudo é mais difícil. A gente paga aluguel, água, médico. Aqui vivemos sossegados, o custo de vida é menor, e temos a oportunidade de plantar, criar”, comenta. UM OÁSIS NO SERTÃO Plantar, regar e colher Para ver sua terra florescer E tornar mais bela a produção Lá no sítio Santo Antonio Tornou-se real esse sonho Virou um oásis no Sertão Quintal produtivo
Criação de caprinos
Na casa de Damião e Maria Alcançou-se a soberania Além de Segurança alimentar Convivendo com o semiárido E caminhando lado a lado Com a agricultura familiar A família toda trabalha Não foge da luta diária Dona Maria cuida do canteiro Da casa e da criação Já Damião é um pedreiro Constroi cisterna e galinheiro Trabalha com garra e dedicação Damião é pedreiro valente e forte
Galinheiro
Construção de cisterna
Já construiu no Sul e no Norte Mas na cisterna encontrou guarida Foi capacitado pra construir Gostou do que viu, e quis investir. E fez da cisterna seu meio de vida Criação de galinhas caipiras
Realização
Cisterna finalizada
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