deus do vinho e do prazer da mitologia grega - assim surgiu o diálogo com o coro. Posteriormente, no lugar da carroça, introduziu-se uma plataforma - o palco 11 -, incorporaram-se as túnicas, máscaras 12, tochas, texto poético, atores, coro 13 e arquibancadas para um grande público, condição para a tragédia grega, que falava de realidades, e mitos e de histórias que eram do conhecimento de todos. As tragédias falavam de heróis sempre em luta contra o destino inexorável e de deuses sempre dispostos a castigar ou recompensar. O Teatro sempre possibilitou as manifestações de várias linguagens artísticas integradas à sua para apresentar suas ações, interpretações e representações. É uma forma de expressão viva e, desde o inicio, reis e governos ditatoriais tentaram controlar a classe teatral, pois o Teatro tem o poder de realizar a catarse – efeito de purgação de emoções provocadas por sentimentos despertados pelo ator no público que o assiste no momento em que apresenta suas ações, e que pode levar a profundas reflexões capazes de transformações inesperadas. O Teatro tem o poder de fazer rir, de fazer chorar, de questionar as políticas e a condição humana, talvez seja por isso que o Diretor de Teatro, pesquisador e autor do Teatro do Oprimido, Augusto Boa,l 14 tenha falado que “O Teatro é a arte do futuro, pois só lá encontraremos com outro ser humano” 15.
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Tablado, estrado, parte do teatro destinado a os atores, à cena. Artefatos que representam a face ou parte dela, usados para cobrir o rosto, como disfarce para quem o coloca. O símbolo do Teatro são duas máscaras – a comédia e a tragédia significando a vida em todas as suas dimensões 13 Na Grécia Antiga, designava um grupo de dançarinos e cantores usando máscaras que participavam das festas religiosas e teatrais. Na Tragédia Clássica o coro é uma personagem coletiva que tem a missão de contar partes significativas do drama e funciona como um espectador sempre ideal que se responsabiliza pelo equilíbrio das emoções e pela moderação dos discursos. 14 Em sua proposta, Boal elimina aquele que assiste a ação, mas quer que ele venha fazer parte da mesma, libertando-os da condição passiva de espectador, o público pode tornar-se protagonista a qualquer momento. Ele afirma que suas técnicas podem ser usadas por todas as pessoas, não só por atores . 15 - O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'. 12
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