Brasil de Fato RJ - 258

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RIO DE JANEIRO

22 a 28 de março de 2018 distribuição gratuita brasildefato.com.br

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@Brasil_de_Fato

Ano 6 | edição 258

Mídia Ninja

MARIELLE É SEMENTE A vereadora Marielle Franco foi assassinada na última semana no Centro do Rio de Janeiro e sua morte chamou atenção, principalmente, porque ela representava muitas e muitos. Marielle era jovem, negra, moradora de favela e ousou chegar ao parlamento municipal carioca, com mais de 40 mil votos, nas últimas eleições. Marielle ainda era mãe, socióloga, política e militante dos direitos humanos. Após sua morte, diversas manifestações estouraram pelo Brasil e pelo mundo, reunindo milhares de pessoas e mostrando que quiseram matar Marielle, mas não sabiam que ela era semente. ESPECIAL P. 4 A 9


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GERAL

RIO DE JANEIRO, 22 A 28 DE MARÇO DE 2018

CHARGE | Latuff

EDITORIAL

Marielle, uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos todas as mulheres que fazem luta, que denunciam, que ocupam as ruas cotidianamente. A potência dos gritos de denúncia das mulheres incomoda e por isso é preciso calá-las. A vereadora, assim como diversos movimentos populares, era crítica da intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro. Há duas semanas, ela assumiu a função de relatora da comissão criada na Câmara de Vereadores para acompanhar a atuação das tropas na intervenção. Sua vida foi dedicada à militância na defesa dos direitos humanos e contra ações violentas nas favelas do Rio de Janeiro, sua luta foi impulsionada após a morte de uma amiga, vítima de bala perdida durante um tiroteio envolvendo policiais na favela da Maré, onde nasceu. Que agora sua vida e sua luta consigam ser transformadas em fermento e indignação para muitas mulheres que tiveram que, mais uma vez, transformar o medo em coragem e sair às ruas nos atos que se multiplicaram pelo Brasil. Por Marielle e Anderson, nenhum minuto de silêncio e toda uma vida de luta!

RESISTÊNCIA DAS RUAS Mídia Ninja

M

arço é, desde o início do século 20, o mês de luta das mulheres trabalhadoras. Março de 2018, não está sendo diferente nesse quesito. Milhares de mulheres tomam às ruas de várias cidades brasileiras desde o início do mês. Entre as principais pautas a luta contra o golpe e pela democracia, contra a reforma da previdência e contra a violência. Este, também será o mês em que lembraremos Marielle Franco, vereadora pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) que foi executada no Rio de Janeiro na última quarta-feira (14). Além de Marielle, o motorista do veículo em que estava também foi morto, seu nome, que pouco apareceu nas manchetes é Anderson Pedro Gomes, ele fazia um bico de motorista, estava desempregado. Marielle tinha 38 anos e foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, com 46.502 votos em sua primeira disputa eleitoral. O assassinato de Marielle é simbólico de como operam as estruturas da violência e da classe dominante no país. Executar uma mulher negra, favelada – cria da Maré -, LGBT, política é um recado para todos e, sobretudo, para

www.brasildefato.com.br redacaorj@brasildefato.com.br /brasildefatorj @Brasil_de_Fato (21) 99373 4327 (21) 4062 7105 CONSELHO EDITORIAL Alexania Rossato, Antonio Neiva (in memoriam), Carolina Dias, Joaquín Piñero, Mario Augusto Jakobskind, Rodrigo Marcelino, Vito Giannotti (in memoriam) | EDIÇÃO Vivian Virissimo | SUBEDIÇÃO Mariana Pitasse | ADMINISTRAÇÃO Angela Bernardino e Marcos Araújo | DISTRIBUIÇÃO Carolina Dias | REDAÇÃO Flora Castro, Luiz Ferreira, Jaqueline Deister e Raquel Júnia.

Na noite de terça-feira (20), cerca de 30 mil pessoas novamente lotaram o centro do Rio em manifestação em solidariedade ao assassinato da vereadora Marielle Franco. Os manifestantes caminharam da Candelária até a Cinelândia onde aconteceu um ato inter-religioso, em memória ao sétimo dia do assassinato de Marielle. Em sua homenagem, durante o trajeto, placas de ruas dos centro foram modificadas para "Rua Marielle Franco".


GERAL

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QUE DIREITO É ESSE? NAIARA BITTENCOURT | ADVOGADA E MILITANTE DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

Quais são as medidas protetivas de urgência para mulheres vítimas de violência? » A Lei Maria da Penha criou ferramentas para tentar impedir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Pela lei, violência contra a mulher são todas as situações que causem sofrimento, desde agressão física a agressões psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais (sobre bens e dinheiro). O(a) agressor(a), nestes casos, geralmente é próximo da vítima, pode morar na mesma casa ou ter alguma relação pessoal

com ela. Como essas relações são delicadas, a lei prevê medidas de proteção urgentes, para evitar novas violências. As medidas protetivas devem que ser solicitadas pela mulher à autoridade policial (na Delegacia da Mulher, por exemplo) ou ao Ministério Público, e serão decididas pelo(a) juiz(a) em 48 horas. As medidas contra o agressor podem ser: o afastamento do lar; a proibição de ter contato com a mulher e, em alguns casos,

com filhas/os; proibição de frequentar lugares (como bares, local de trabalho da mulher, casa dos avós da criança); o pagamento de pensão provisória; e impedir a posse ou porte de armas. Já as medidas para as mulheres e seus filhos são: o encaminhamento a programa ou abrigo de proteção; voltar ao lar após o afastamento do agressor; garantia de pensão e de não perder dinheiro e bens, separação, entre outros.

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AMIGA DA SAÚDE Por Sofia Barbosa, enfermeira do Sistema Único de Saúde (SUS)

Desde que tive meu filho, de 4 meses, notei que meu interesse pelo sexo caiu muito. Isso é normal? O que devo fazer para melhorar? Julcimara Valente, 32 anos, técnica administrativa

Cara Julcimara, este momento que você está vivendo, após o parto, é bem propício para redução da libido. Primeiramente, porque há um aumento significativo da prolactina, hormônio responsável pela produção de leite, que pode reduzir o desejo sexual. Depois, porque o pós-parto costuma ser muito cansativo para a mulher, principalmente se não há uma rede de apoio cuidando das tarefas de casa. Aí junta o cansaço físico com as variações hormonais mais a preocupação com a saúde do bebê, fica difícil manter a libido em alta. O caminho para retomar a vida sexual é investir na intimidade com o parceiro. Conversar sobre seus sentimentos nessa fase que estão vivendo e combinar que ele também assuma as tarefas em casa, para que você possa descansar. Ter momentos só do casal, mesmo que sejam curtos quando o bebê dormir, também ajuda. Tocar o parceiro e se deixar tocar, aumentar as carícias durante o dia a dia, tudo isso vai despertando o desejo. É importante passar por uma avaliação com profissionais de saúde e conversar sobre isso. Pode ser também que haja questões relacionadas ao assoalho pélvico (músculos da região genital) que precisam ser tratadas. Tire suas dúvidas com a Amiga da Saúde Esse espaço é só nosso. Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde. Mande sua dúvida para amigadasaude@brasildefato.com.br, ela vai ter o maior prazer em responder.


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GERAL

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ENTREVISTA

O que a mídia não falou sobre o caso Marielle?

um período em que há um grande ódio a democracia, que há um grande ódio a participação democrática, com grande ódio aos direitos também. Mídia Ninja

A professora Nataly Queiroz faz uma análise geral da imprensa no país um dia após a execução DANIEL LAMIR

RECIFE (PE)

P

Para especialista, há uma priorização de uma cobertura policial no caso do assassinato de Marielle e do motorista Anderson

Brasil de Fato: Como avalia a cobertura feita pelos meios de comunicação no país? Nataly Queiroz: É muito interessante perceber como os

próprios veículos de comunicação, neste primeiro momento, privilegiaram uma cobertura de cunho mais factual. Estava mais focada nos fatos, do que efetivamente nas discussões acerca do contexto em que envolveu a morte de Marielle. Um contexto de intervenção militar federal, de militarização da segurança e de muita crítica e muita insatisfação das pessoas das comunidades periféricas do Rio de Janeiro, em relação as medidas de segurança que têm sido adotadas. Há um processo

ara sabermos mais sobre a cobertura dos meios de comunicação diante da execução da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e do motorista Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro, entrevistamos a professora e pesquisadora Nataly Queiroz, doutora em comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

de secundarização nessa mídia comercial hegemônica das vozes das comunidades, das vozes do grupos que eram efetivamente representados pela Marielle. Assim, há uma priorização de uma cobertura de cunho policial. Além dos meios de comunicação tradicionais, estamos também na época das redes sociais. Juntando o tema dos direitos humanos e os debates na internet, qual sua análise?

Há, historicamente, uma criminalização dos movimentos sociais e das pautas que envolvem os direitos humanos. Essas pessoas que estão lendo as matérias e que estão reproduzindo discursos de ódios em relação aos direitos humanos foram midiaticamente formadas por discursos proferidos, historicamente, pelas empresas de comunicação no Brasil. As reações que esses leitores, ouvintes e telespectadores têm em relação a morte de Marielle são muito sintomáticos de

Avalia que a abordagem feita pelos meios de comunicação é responsável pelo cenário turbulento que o país atravessa? A mídia como um todo tem um papel fundamental na forma como as pessoas olham determinados temas. Pensa no seguinte: boa parte daquilo que a gente sabe sobre o mundo nos é contado pelos veículos de comunicação. A abordagem desse veículo, se positiva ou negativa, vai influenciar na forma como as pessoas observam aquele fato. Por isso que casos como o de Marielle têm que ser acompanhados e têm que ser vistos com olhos muito críticos, porque em um país que a gente tem a maior parte dos veículos nas mãos de empresários e de políticos, obviamente que este conteúdo pode vir permeado de conotações que dizem respeito aos interesses desses políticos e desses empresários.

Deputado e juíza são acusados de crime de ódio contra Marielle Franco EMILLY DULCE

SÃO PAULO (SP)

» A Associação Brasileira de

Juristas pela Democracia (ABJD) e o gabinete do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) denunciam os crimes de ódio cometidos nas redes sociais por um deputado federal do DEM e uma desem-

bargadora contra a vereadora pelo PSOL Marielle Franco, assassinada no último dia 14. Ela e o motorista Anderson Gomes foram executados a tiros no Estácio, no centro do Rio de Janeiro. O crime gerou uma comoção internacional e diversas manifestações a favor dos direitos humanos.

Por meio de representação jurídica (quando há indícios de prática de crime), o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) e a desembargadora Marília Castro Neves do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) são acusados de calúnia e ataques aos direitos humanos. Os dois crimes são com-

provados por postagens em redes sociais onde culpam Marielle pela própria morte e afirmam que a vereadora foi eleita por uma organização criminosa do Rio de Janeiro conhecida como Comando Vermelho. As afirmações são falsas e estão sendo rebatidas pela equipe da vereadora no site mariellefranco.com.br.

As representações foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC). Ambas reivindicam procedimento de investigação e responsabilidade, com aplicação de medidas judiciais cabíveis ao deputado e a desembargadora.


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5 Jaqueline Deister

Fotos Mídia Ninja

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Manifestações em solidariedade a Marielle Franco acontecem no país e no mundo JAQUELINE DEISTER

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RIO DE JANEIRO (RJ)

assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes na última semana, no Centro do Rio de Janeiro, gerou forte repercussão no Brasil e também no mundo. Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Irlanda, Inglaterra, Argentina e Colômbia foram alguns dos países que realizaram atos contra o crime brutal. Pelas redes sociais também houve muita manifestação. De acordo com o levantamento da Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), das 22h de quarta-feira (14), quando o assassinato aconteceu, até às 18h de sexta-feira (16)

ocorreram 84,6 mil tuítes em inglês e 133 mil em espanhol de apoio a Marielle. No Brasil, diversas cidades realizaram atos cujo principal lema foi "Marielle, presente" e "Anderson, presente". Na capital do Rio de Janeiro, uma série de atos têm ocupado as ruas do centro da cidade. Na terça-feira (20), 30 mil pessoas acompanharam uma manifestação inter-religiosa em homenagem à vereadora. O ato começou na Candelária, no Centro do Rio, e seguiu entoando palavras de ordem em memória da ativista até a Cinelândia. No último domingo (18), moradores do Complexo de Favelas da Maré em conjunto com organizações que atuam na comunidade realizaram uma marcha por Ma-

rielle e Anderson pela Linha Amarela e Avenida Brasil. A manifestação exigia o fim do extermínio da juventude negra, o fim da Polícia Militar e a justiça no caso Marielle. A marcha contou com a participação de mais de 5 mil pessoas, entre artistas, líderes comunitários, parlamentares e representantes de movimentos sociais. O ato terminou com uma celebração religiosa no Parque União, na Favela da Maré. Durante a missa, ocorreu uma homenagem a todos aqueles que foram vítimas da violência do estado no Rio de

Janeiro. Ainda no domingo, a cantora Katy Perry também homenageou Marielle em seu show na cidade. Já na semana passada, a quinta-feira (15) foi o dia mais marcante. Uma multidão ocupou as escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e toda a região da Cinelândia no final da manhã e início da tarde para dar o último adeus à Marielle. A emoção tomou conta da população que com lágrimas no rosto e o sentimento de indignação no peito entoou, principalmente, o canto: “compa-

Na terça-feira (20), milhares de pessoas acompanharam uma manifestação inter-religiosa em homenagem à vereadora

nheira me ajuda que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”. Após o fim do velório, que aconteceu na Câmara Municipal, com cerimônia reservada para amigos e familiares, os manifestantes seguiram em marcha pelo Centro. A organização estima que cerca de 100 mil pessoas compareceram ao protesto. A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados na região central do Rio após a parlamentar sair de um evento que tratava sobre empoderamento da mulher negra, no bairro da Lapa. Marielle foi a quinta vereadora mais votada do município do Rio, com 46 mil votos. Marielle deixa uma filha de 20 anos.


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ENTREVISTA

MARCELO FREIXO, DEPUTADO ESTADUAL

"Fico honrado com possibilidade da unidade da esquerda" Agênica Brasil

JAQUELINE DEISTER

RIO DE JANEIRO (RJ)

Brasil de Fato: Como você vê essa grande adesão às manifestações que estão acontecendo não só no Brasil, mas pelo mundo inteiro em solidariedade a esse triste ocorrido com a Marielle? Marcelo freixo: Assim como eu não esperava que fizessem isso com a Marielle, não havia nenhum indício disso, não tinha nenhuma ameaça, também não esperava essa reação tão forte e tão surpreendente do mundo inteiro. O que conforta e aumenta a necessidade da gente não sair da rua pra que tudo que a Marielle representou possa ter continuidade. Não tenho a menor ideia de quem fez isso com a Marielle, muito menos a motivação, mas seja lá o que for, tem que ter resposta. E a resposta está sendo dada pelo mundo. Tem muita gente chorando e sentindo profundamente a morte da Marielle sem a ter conhecido. Por quê? Talvez porque existisse uma Marielle dentro dessas pessoas, talvez porque existisse o significado da Marielle como um desejo tão profundo de mudança dentro de cada um.

Usar a Marielle para falar que intervenção é necessária é intolerável

"Resposta pelo assassinato de Marielle está sendo dada pelo Brasil e o mundo nas ruas"

Brasil de Fato: Toda a solidariedade mundial acaba sendo importante, mas por outro lado a gente vê também que estão ocorrendo muitas notícias falsas que estão sendo veiculadas principalmente nas redes sociais. Como que você vê esses ataques, qual é a sua avaliação com relação a tudo isso? Isso é crime. Uma desembargadora, um deputado federal, quando falam determinadas coisas da Marielle eles cometem crime. Crime de calúnia, de difamação.

Nós entramos no Conselho Nacional de Justiça contra a desembargadora. Ela vai ter que responder criminalmente, penalmente por isso. Ela não é paga com dinheiro público pra pré-julgar. Ela é paga pra julgar. A Marielle não vai sofrer um duplo homicídio. Brasil de Fato: Freixo, a gente também está vendo um movimento por parte da mídia, e também da Segurança Pública da atual gestão, de tentar utilizar o fato da Marielle pra justa-

mente provar a necessidade de se ter uma intervenção militar no Rio de Janeiro. Como você vê isso? A gente tem uma posição contrária à intervenção, sempre estivemos. Intervenção é uma jogada eleitoral do Temer. A integração era bem vinda a intervenção não. Essa integração seria bem vinda no setor de inteligência, na ação preventiva, no controle do comércio de armas e munições. Eu quero pontuar,especificamente, a fala do Ministro Jugman, que foi uma das coisas mais desrespeitosas que eu vi nos últimos tempos. É inadmissível o que ele vem fazendo. Usar a Marielle para falar que a intervenção é necessária é intolerável. Brasil de Fato: Na coluna do Paulo Cappelli do jornal O DIA de hoje (21) foi noticiado que tanto o PT, quanto o PC do B abririam

mão de suas candidaturas se você concorresse ao governo estadual. Essa possibilidade existe? Como que você vê essa movimentação? Eu fui surpreendido com essa notícia porque eu encontrei com todos os companheiros do PT e PC do B ao longo da semana inteira e ninguém me falou absolutamente nada. Ninguém me chamou para nenhuma reunião, ninguém me falou nada, eu fiquei sabendo através da imprensa. Fico muito honrado de saber que existe a possibilidade da unidade da esquerda, eu acho que para 2020 seria ótimo e já abro a possibilidade deste diálogo. Brasil de Fato: E como que você vê a importância de uma unidade da esquerda, como você bem mencionou, aqui dentro do estado do Rio? Reflete uma mudança muito grande das pessoas não acharem que com o PMDB se faz política. Teve um setor da esquerda que acreditou que era com o Eduardo Paes, Picciani e Cabral que poderíamos ter avanço na cidade e a gente sempre achou que não. Se a gente supera isso e entende que o PMDB não é um aliado em nenhuma hipótese, isso fará bem para a esquerda.


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Moradores das favelas se articulam para criar a Comissão Popular da Verdade Fernando Frazão / Agência Brasil

Organização da comissão se mostra ainda mais urgente depois do assassinato da vereadora Marielle Franco MARIANA PITASSE

RIO DE JANEIRO (RJ)

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om objetivo de acompanhar de perto e denunciar as violações aos direitos humanos cometidas pelo Exército durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, está sendo articulada a criação da Comissão Popular da Verdade. Seu nome faz referência à Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011 para apurar violações ocorridas na ditadura militar. A Comissão Popular tem sido construída por moradores das favelas, movimentos populares, organizações de direitos humanos, universidades, instituições de pesquisa e diversos mandatos parlamentares. Shirley Muriel, moradora da Rocinha e membro do Coletivo de Favelas, está fazendo parte da construção da Comissão. Para ela, esse é um espaço muito importante para que os mais pobres consigam sobreviver e resistir à intervenção militar no dia a dia. “Antes a gente conseguia denunciar nos ministérios e na Defensoria Pública, mas a gente não tinha uma organização com pessoas de outras favelas. Então, a

Comissão tem objetivo de denunciar as violações aos direitos humanos cometidas durante a intervenção militar

Cada dia estamos com mais medo. Já tivemos outras intervenções lá com o Exército e só vimos ficar pior a violência. Shirley Muriel, moradora da Rocinha comissão vem com o propósito de unir forças de várias organizações para trabalhar pela segurança do povo”, explica. Uma das maiores preocupações de Shirley com a intervenção é o aumento da perseguição e restrição de liberdades aos moradores das favelas. “Cada dia estamos com mais medo. Já tivemos ou-

tras intervenções lá com o Exército e só vemos ficar pior a violência. Quando fazemos manifestação no outro dia vem bomba, vem tiro, vem todo o processo de repressão do estado em cima da gente. Estamos sendo controlados, estamos com medo. A morte da Marielle nos deixou com mais medo ainda”, desabafa. A Comissão Popular da

Verdade se reúne justamente a partir da necessidade de construir um espaço de denúncia que não precise esperar o fim da intervenção militar para começar a atuar, segundo Fernanda Pradal, professora de Direito da PUC-Rio e pesquisadora do Núcleo de Direitos Humanos, “Uma Comissão Popular da Verdade do tempo presente pode fazer frente ao aprofundamento da situação de violações de direitos pelas forças de segurança, ao afirmar que não haverá silenciamento e imposição de esquecimento sobre essas ações”, explica. A Comissão Popular foi pensada em resposta à declaração do general Eduardo Villas Bôas, que reivindicou

“garantia aos militares para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade no futuro”, como aconteceu mais de 30 anos após o fim da ditadura militar. Segundo Lucas Pedretti, militante do Coletivo Memória, Verdade e Justiça do Rio de Janeiro, a organização se mostrou ainda mais urgente depois do assassinato da vereadora Marielle Franco. “A morte da Marielle foi um acontecimento brutal e trágico, que pegou todo mundo de surpresa e, sem dúvida, vendo um momento de radicalização da violência. Uma das coisas que temos clareza é que se torna fundamental unificar as iniciativas, precisamos nos fortalecer ainda mais”, afirma.


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ENTREVISTA

WASHINGTON QUAQUÁ, PRESIDENTE ESTADUAL DO PT

“Com campanha ampla e de unidade, Freixo se elege governador do Rio de Janeiro” Mídia Ninja

JAQUELINE DEISTER

RIO DE JANEIRO (RJ)

Brasil de Fato: Como vê a repercussão internacional do assassinato da vereadora Marielle? Washington Quaquá: Mais que um assassinato, foi uma execução política brutal pelas circunstâncias do crime e pela expressão da Marielle: mulher, negra, de esquerda, de comunidade. Esse estado paralelo sai para assassinar todos os dias negros e pobres, mas nunca teve ousadia de assassinar uma representante política do povo. É uma ultrapassagem perigosíssima. A resposta do movimento popular e da esquerda no Brasil e no Rio de Janeiro tem que ser muito grande. E tem sido. A Marielle é um símbolo da democracia e da justiça social. Brasil de Fato: Qual o impacto desse assassinato no cenário político carioca? Exige desprendimento e atenção dos atores da esquerda e dos movimentos populares do Rio de Janeiro. Estamos em uma encruzilhada. Precisamos evitar que não aconteça

nada com os assassinos da Marielle e enfrentar o estado paralelo. Não é o moleque da Maré que anda com AR 15 que é o dono do crime, quem lucra com o crime é o fazendeiro cujo helicóptero traz a droga para o Rio, quem é sócio do crime é o cara que revende armas para os morros. Ou seja, precisamos desmontar a engrenagem que está diretamente associada à burguesia que lucra com isso. É fundamental que a reação à execução da Marielle seja coordenada. Brasil de Fato - A coluna do Paulo Capelli, do jornal O Dia, noticiou ontem que PT e PC do B abririam mão de suas candidaturas caso Marcelo Freixo (PSOL) disputasse o Palácio da Guanabara. Por que o PT está disposto a isso? Essa possibilidade se restringe apenas ao Freixo? Não é o momento de pensar sob a bandeira partidária, do ponto de vista exclusivo. É hora de enfrentar o estado paralelo e a direita que está cada vez mais associada à intervenção militar, ameaça à democracia e ao assassinato dos representantes do povo, como é o caso da Marielle. É hora da unidade. Porque falamos do Freixo? Pois o tamanho de Tarcísio

"Estamos dispostos a enfrentar e a derrotar a direita no RJ"

Motta (PSOL), Leonardo Giordano (PC do B) e Celso Amorim (PT) é o mesmo. Mas o Freixo é a figura de esquerda que consolidou representatividade eleitoral. Ele quase ganhou a prefeitura do Rio, mas no segundo turno não fez a unidade que deveria ter feito, inclusive. Ele é o nome mais consistente e que ganha o governo do estado se abrir o palanque para Lula (PT), Manuela D´Ávila (PC do B), Marcelo Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT). Se fizer uma campanha ampla e de unidade, eu não tenho dúvida alguma que o Freixo se

elege governador do Rio. Talvez a gente tenha a única oportunidade de ter um cara da esquerda que tenha coragem de enfrentar o estado paralelo, a burguesia associada ao crime e passar o Rio de Janeiro a limpo. Brasil de Fato: Já houve uma conversa com o PSOL sinalizando essa unidade? Em várias outras eleições já houve cantadas, eu mesmo já declarei em outras ocasiões o apoio ao Freixo, mas isso nunca foi levado em conta pelo PSOL. Mas vivemos uma situação excepcional: golpe de Estado, in-

tervenção militar, tivemos uma vereadora do PSOL assassinada. Pode ser que esse estado paralelo se ache no direito de assassinar outras lideranças de esquerda, como acontece com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Precisamos conter isso, a exigência de unidade é muito grande. Nós não procuramos formalmente, mas fizemos sinalização pública. Se o PSOL topar, nós vamos concretizar esse apoio. Brasil de Fato: Isso significa que o PT está aberto ao diálogo. Estamos dispostos a enfrentar e a derrotar a direita, ganhar o governo do estado e a desmontar o estado paralelo. Queremos fazer uma política de segurança pública que não seja o assassinato de pobres e negros, que reforme as polícias, que pague melhores salários para os policiais e que ao mesmo tempo exija que seja uma polícia cidadã. Que desmonte os grandes donos do crime, que é a burguesia, e não a ponta, o negro e pobre da favela. Que faça política cultural, que dê renda básica para os meninos pobres terem possiblidade de não irem para o tráfico, com uma vida decente com educação e emprego. Com reforma agrária e reforma urbana, oferecendo saúde para o povo. Não tenho dúvida que o Freixo é o melhor nome para isso.


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Assassinatos de lideranças políticas aumentaram após golpe de 2016 Fernando Frazão / Agência Brasil

A execução de Marielle jogou luz também sobre as dezenas de lideranças mortas no último período MARIANA PITASSE

RIO DE JANEIRO (RJ)

Gibran Mendes

O

assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) chamou atenção pela grande perda que representa sua morte. Marielle era jovem, negra, moradora de favela e havia ousado chegar ao parlamento municipal carioca, com mais de 40 mil votos. Além disso, sua morte também alertou para uma realidade gritante: o crime não foi um fato isolado. Após o golpe de estado instaurado no país, em 2016, diversas lideranças políticas e defensores dos direitos humanos estão sendo assassinados no campo e nas cidades. De acordo com dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), somente no campo, foram 61 assassinatos, em 2016, cerca de 65, em 2017, e aproximadamente 3, em 2018. Se somadas as mortes nos centros urbanos, esses números crescem ainda mais. Entre os mortos estão lideranças indígenas, quilombolas, comunitárias, sindicais e de trabalhadores rurais. Para Thiago Valentim, da coordenação nacional da CPT, o contexto do golpe se relaciona diretamente com o aumento dos conflitos no campo e nas cidades e, consequente-

Assassinato da vereadora Marielle também alertou para uma realidade gritante: o crime não foi um fato isolado

mente, com a morte das lideranças ou de outras pessoas que estão envolvidas na luta. “É um momento de retrocessos. Há uma ofensiva muito forte contra as pessoas, grupos e movimentos que se posicionam contra esse momento político. Quem

ousa falar contra e denunciar o que está acontecendo fica no alvo de diversos grupos que assaltaram o poder, não só político mas também econômico”, afirma. Isso foi justamente o que aconteceu com Márcio Matos, liderança do Movimen-

to dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que foi morto em casa, na Bahia, com três tiros, na frente de seu filho. Também com Jefferson do Nascimento, líder comunitário em Madureira, que foi encontrado com sinais de enforcamento um

dia após desaparecer no Rio. Ou ainda com João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas, morto a facadas na porta de casa. Esses e os outros tantos casos de assassinatos políticos têm uma característica comum: são crimes hediondos que não permitem à vítima o direito de defesa. Para Thiago Valetim, da CPT, a crueldade e o aumento das mortes se dá pelo aumento da resistência e da repressão. “Por um lado, há a resistência maior dos povos e, por outro, o Estado brasileiro que não garante os direitos dos povos da terra, das águas, das florestas, das cidades, ou seja, o que chamamos de minorias mas na verdade são maioria que tem os direitos negados e pouco que conseguiram estão sendo em tão pouco tempo derrubados”, argumenta. Para Alice De Marchi, pesquisadora da Justiça Global, nesse contexto de aumento da perseguição política aos movimentos populares, o assassinato de Marielle coloca em evidência outros crimes que estão acontecendo pelo país. “Não tem como não associar a morte da Marielle, por exemplo, com as pautas que ela carregava, assim como as outras lideranças. Então, há uma necessidade gritante de não deixar que se capture e apague a luta da Marielle, e todos os outros, para a implementação de mais repressão. Precisamos dar visibilidade para o que está acontecendo”, conclui Alice.


10 CULTURA & LAZER CAÇA-PALAVRA www.coquetel.com.br

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DICAS MASTIGADAS

BOLO DE BANANA

Ingredientes:

•  6 bananas com casca; •  1 xícara de água; •  1 xícara de leite; •  30g de fermento fresco; •  1/2 xícara de óleo; •  1 ovo; •  1/2 pitada de sal; •  1/2 kg de farinha de trigo.

Modo de preparo: 1. Bater as cascas de bananas e a água no liquidificador; 2. Juntar o óleo, os ovos e o fermento e bater mais um pouco; 3. Acrescentar a farinha, o sal e o açúcar e misture; 4. Por último, colocar na massa as bananas em rodelas; 5. Colocar a massa em uma forma untada com margarina e farinha de trigo; 6. Deixar crescer até dobrar de volume e levar para assar em forno pré-aquecido.

Esta e outras receitas você encontra no Mapa de Feiras Orgânicas do IDEC: http://feirasorganicas.org.br/receitas

TIRINHA | André Dahmer http://www.andredahmer.com.br/

Tempo

Quinta-feira, 22 de março

Chuvas com trovoadas

29

ºC

25°

SEX

SAB

DOM

29° 24°

32° 24°

32° 24°


CULTURA & LAZER

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Divulgação

HORÓSCOPO DA SEMANA ÁRIES (21/3 A 20/4) Aquela vontade de só fazer o que quer vai lhe deixar mais cabeça-dura do que de costume. Tome cuidado com isso, inclusive para o seu relacionamento.

TOURO (21/4 A 20/5) Momento de se guardar mais um pouco para conseguir entender melhor seus projetos. Preserve-se. Algumas questões do passado devem retornar e, para seguir em frente, deverá ser flexível.

GÊMEOS (21/5 A 20/6)

Carro-chefe da banda continua sendo os tambores, o violão e a poesia

Cordel do Fogo Encantado anuncia lançamento de novo álbum "Viagem ao coração do sol" é o nome do disco da banda pernambucana que vem por aí NORMA ODARA

SÃO PAULO (SP)

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banda do sertão p e r n a m b uc a no, Cordel do Fogo Encantado, reacende suas chamas depois de oito anos longe dos palcos. O retorno da poesia de cordel e dos tambores vigorosos foram anunciados pelos integrantes do grupo. Além de disponibilizar todos os sucessos nas plataformas de streaming, a banda cênica se prepara para lançar um novo trabalho: o álbum Viagem ao

coração do sol. "Esse agora, Viagem ao coração do sol, é como se seguíssemos a história e, saindo desta hibernação, saímos de dentro da terra e estamos em um caminho em direção ao sol, onde mora a filha do vento que chamamos de liberdade. São personagens que a gente desenvolveu para contar essa história e musicalmente a mesma formação, com os mesmo tambores", conta o letrista e vocalista Lirinha. Com voz que exala poesia, José Paes de Lira, o Lirinha, diz que foi em 2016 que os integrantes se reuniram novamente para organizar a discografia e decidiram voltar, mas manti-

veram segredo. "Nessa tentativa da gente organizar este material, os integrantes se reuniram e os sentimentos foram aquelas mesmas coisas do início. Aquela vontade de mandar a mensagem do Fogo Encantado", revelou. O carro-chefe da banda continua sendo os tambores de raízes africanas, o violão e a poesia. O lançamento do novo álbum está marcado para o dia 6 de abril, mas as datas de apresentações e turnês ainda não foram divulgadas. Para ir matando a saudade, o Cordel do Fogo Encantado reuniu todos os sucessos anteriores nas plataformas de streaming Spotify, Deezer e na loja Itunes.

É preciso se preparar para mudanças nos planos, porque nem tudo deve sair como esperado. Ainda que pareça difícil, aproveite para fortalecer seus ideais e insistir pelo que acredita.

CÂNCER (21/6 A 22/7) No mundo do trabalho, podem surgir surpresas! Se prepare para uma promoção ou quem sabe uma nova oportunidade? Faça sua parte e lembre-se da paciência durante os processos de mudança.

LEÃO (23/7 A 22/8) Os detalhes do cotidiano vão demandar mais atenção, e todo planejamento será necessário. Novos projetos estão surgindo, porém não do jeito esperado.

VIRGEM (23/8 A 22/9) Resista a iniciar novos projetos nesse período, porque nem tudo deve estar tão claro neste momento e podem surgir ainda mudanças significativas.

LIBRA (23/9 A 22/10) Alguns processos que já iniciaram têm a ver com sua vida emocional, mas você precisar ser pragmático e objetivo para resolver algumas questões e se adaptar ao novo.

ESCORPIÃO (23/10 A 21/11) Querer que tudo dê certo o tempo todo pode lhe deixar mais ansioso que o habitual. Ainda que apareçam novas dúvidas, deve começar a ter mais clareza do caminho a seguir.

SAGITÁRIO (22/11 A 21/12) Acreditar em si próprio é seu maior desafio nesse momento. Novos projetos e surpresas no amor devem acontecer, porém apenas se você tiver certeza que merece o desejado e for atrás!

CAPRICÓRNIO (22/12 A 20/1) Dias importantes para lhe ajudar a arrumar a casa! Também vai servir para você se cuidar e resolver algumas questões que ainda estão lhe prendendo e perceber qual é sua vontade de verdade.

AQUÁRIO (21/1 A 19/2) Vai precisar de cuidado com a pressa para fazer as coisas acontecerem. Nem tudo pode ser só do seu jeito e o diálogo será necessário para evitar problemas.

PEIXES (20/2 A 20/3) Não é um momento de muitas certezas, mas aposte nas tentativas mesmo que erros venham no caminho. Na descoberta de novos espaços de trabalho e de grupos sociais, não esqueça seus princípios..


12 ESPORTES

RIO DE JANEIRO, 22 A 28 DE MARÇO DE 2018

PAPO ESPORTIVO

LUIZ FERREIRA Lucas Figueiredo/CBF

Tite é unanimidade na seleção?

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credito que muitos sejam apaixonados pela Seleção Brasileira. Não, amigo. Não estou falando da galera que vestiu amarelo e foi fazer papel de trouxa lá perto da FIESP. Tô falando da Seleção mesmo. A chamada Pátria de Chuteiras. Essa que teve Pelé, Zico, Zizinho, Leônidas da Silva, Marta, Formiga e outras lendas do futebol brasileiro. E como todo apaixonado por essa lenda chamada Seleção, a expectativa pela Copa do Mundo cresce consideravelmente nesses dias. Assim como cresce a atenção em torno de quem comanda o time. Sim, amigo. Vamos falar do Tite. Quando ele assumiu o comando da Seleção Brasileira, o time passava por um momento extremamente complicado. Falava-se até em ausência no

Mundial pela primeira vez na história. Tite chegou depois do clamor da imprensa, arrumou a equipe, achou um lugar para Neymar e Gabriel Jesus e recolocou o escrete canarinho de volta nos trilhos. Diante de tudo o que eu e você vimos, me parece que o treinador da Seleção é unanimidade entre os torcedores. Será mesmo? Tite tem muitos méritos. É um baita treinador. Tanto que apostou em Paulinho e Renato Augusto quando os dois atuavam no futebol chinês para montar a sua equipe. Deu um afago em Neymar e mostrou onde ele rendia mais. E ainda apostou em nomes como Alisson Becker, Casemiro e Philippe Coutinho. O grande X da questão está nas suas últimas convocações. Por mais que eu acompanhe o futebol internacional fica complicado entender por

Arquivo

Tite assumiu o comando da Seleção Brasileira quando o time passava por um momento complicado

que o treinador apostou em nomes como Taison e Willian José e deixou o gremista Luan de fora da última lista antes da convocação final. Assim como também é difícil ver Vanderlei (goleiro do Santos) matar um leão por dia e não ser lembrado nenhuma vez. "TEIMOSIA" É natural que Tite queira fazer

suas escolhas e privilegiar sua estratégia de jogo. Por outro lado, a sua “teimosia” com certos nomes deixa este que vos escreve com uma pequena pulga atrás da orelha. Será que nosso treinador ainda é unanimidade? E será que não tinha ninguém melhor que certos nomes convocados? Cartas para a CBF…

Paulo Fernanes/Vasco

ÁRBITRO DE VÍDEO

COPA DO BRASIL

O árbitro de vídeo foi confirmado na Copa do Mundo. A tendência é que erros históricos como o gol da Inglaterra na Copa de 1966 e “la mano de Díos” não passem mais despercebidos. Isso pelo que a FIFA diz. A conferir.

O Botafogo saiu na primeira fase. O Fluminense saiu na terceira. Flamengo e Vasco só entram nas oitavas de final. Será que os clubes do Rio de Janeiro vão pagar mico na Copa do Brasil ou rubro-negros e vascaínos vão honrar o estado? Tá puxado, viu?

MAIS SELEÇÃO BRASILEIRA Falei de Luan, falei de Vanderlei, mas é preciso falar de Arthur. O volante do Grêmio anda jogando demais. E tem vaga nesse meio-campo da Seleção Brasileira. Ainda mais com Renato Augusto em má fase.

Staff Images/Flamengo

Divulgação

CAMPEONATO CARIOCA Parece que vamos ver os quatro grandes do Rio disputando o título mais uma vez. E com uma média de público ridícula e com jogos medonhos. Depois reclamam quando pedem o fim dos campeonatos estaduais…


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