Diário da Cuesta
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Estudante morto no estopim da Revolução de 32 é de São Manuel, SP
Mário Martins foi um dos 4 jovens mortos na invasão à Liga Revolucionária. Das iniciais dos nomes deles surgiu o movimento oposicionista MMDC. Página 2
Sigla adotada por uma organização civil paramilitar criada em São Paulo no dia 24 de maio de 1932 MMDC eram as iniciais dos nomes pelos quais eram conhecidos os estudantes Cláudio Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Américo Camargo de Andrade, mortos na noite de 23 de maio na praça do Patriarca, durante uma manifestação popular em favor da “autonomia” de São Paulo e da reconstitucionalização do país, que culminou na invasão da sede do Partido Popular Paulista, antiga Legião Revolucionária de Miguel Costa.
ANO IV Nº 1105 QUINTA-FEIRA , 23 DE MAIO DE 2024
Dia da Juventude Constitucionalista: 23 de Maio!
No dia 9 de julho, o Estado de São Paulo celebra um dos capítulos mais significativos de sua história: o Movimento Constitucionalista de 1932. Este movimento, no entanto, tem suas raízes em eventos ocorridos em 23 de maio daquele ano, quando a insatisfação popular contra o governo de Getúlio Vargas culminou na morte de 14 manifestantes durante um protesto. Entre esses mártires, quatro estudantes – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo – se destacaram, dando origem à sigla MMDC, que se
tornou o emblema da revolução.
A participação da juventude foi crucial na Revolução Constitucionalista de 1932. Os jovens, especialmente os estudantes, não apenas estavam na linha de frente das manifestações, mas também foram fundamentais na mobilização social e no engajamento popular. Esses jovens se levantaram em nome de princípios democráticos, exigindo a promulgação de uma nova Constituição que limitasse os poderes do governo provisório de Vargas e restaurasse a ordem constitucional
A coragem e o sacrifício dos jovens paulistas simbolizam a resistência e o desejo de uma sociedade mais justa e democrática. A sigla MMDC transcende o tempo, lembrando-nos que o espírito de luta pela liberdade e pela justiça é frequentemente impulsionado pela energia e pelo idealismo dos jovens. O movimento de 1932 demonstrou que a juventude pode ser uma força poderosa de mudança, capaz de desafiar sistemas opressores e lutar por direitos fundamentais.
Com o passar dos anos, o legado da Revolução Constitucionalista e o papel vital desempenhado pelos jovens continuam a inspirar novas gerações a se engajarem politicamente e a defenderem os valores democráticos. A história nos ensina que a participação ativa da juventude na política é essencial para a construção e manutenção de uma sociedade mais equitativa e democrática.
Ao comemorarmos o aniversário deste movimento, não apenas honramos a memória daqueles que lutaram e morreram pela causa constitucionalista, mas também reafirmamos a importância de incentivar e apoiar a participação da juventude na vida política e social do país. A Revolução Constitucionalista de 1932 é um testemunho perene do poder da juventude em moldar o futuro e defender a justiça.
A DIREÇÃO
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EDITORIAL
Estudante morto no estopim da Revolução de 32 é de São Manuel, SP
Mário Martins foi um dos 4 jovens mortos na invasão à Liga Revolucionária. Das iniciais dos nomes deles surgiu o movimento oposicionista MMDC.
Em 1932, os paulistas se levantavam contra o governo federal para exigir uma nova constituição. O estopim da guerra foi a morte de quatro jovens estudantes. Em São Manuel (SP), a fazenda onde viveu um dos jovens mortos ainda é preservada pela família O antigo casarão ainda guarda detalhes do século 19. Tudo muito conservado.
Nos banheiros ainda se usam as banheiras antigas. Os móveis, em perfeito estado, fazem quem entra na casa voltar no tempo. Nas paredes estão retratos de figuras do passado, muitos deles, parecem pintados à mão e documentos com mais de 100 anos ainda permanecem bem guardados. Foi no casarão que Mário Martins de Almeida viveu parte da juventude. “Ele foi um dos protagonistas da revolução de 1932”, explica Eduardo Ayres Delamonica, pesquisador histórico.
Em 1930, um ano depois da crise do café, Getúlio Vargas assumiu o país. No governo provisório, o presidente nomeou interventores para governar São Paulo. Contrariados, os grandes fazendeiros de café, começaram a organizar um movimento no estado para derrubar Vargas e pedir uma nova constituição no país.
O estopim da revolta teve início com a morte de quatro jovens no centro da cidade de São Paulo, em 23 de maio de 32 Os estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade morreram durante uma tentativa de invasão ao escritório da Liga Revolucionária, grupo que apoiava o governo. “Colocaram uma
EXPEDIENTE
escada para tentar subir e esses quatro, no meio da multidão, foram alvejados e os corpos cairam no chão. Os manifestantes, como forma de protesto, carregaram os corpos e levaram até a Praça da República, onde existe um monumento erguido para eles, dali começou a revolução de 32”, ressalta o pesquisador.
Mário Martins morreu durante a invasão
Das iniciais dos jovens mortos nasceu o movimento oposicionista conhecido como MMDC - Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Mário Martins foi um dos jovens que morreram em 1932. O primeiro M da sigla é em homenagem ao jovem de São Manuel. No dia 9 de julho de 1932, o Estado de São Paulo se levantou em defesa da democracia. “Ele é nascido em São Manuel, nós temos até a certidão de nascimento dele”, ressalta o pesquisador.
Mário Martins de Almeida nasceu em São Manuel em 1901 Estudou na capital e trabalhou em fazendas da família em Sertãozinho, também no interior paulista. Segundo os historiadores, Martins estava na capital para visitar os pais e acabou se envolvendo com a manifestação. O corpo dele foi sepultado em São Paulo e atualmente está no Mausoléu do Obelisco do Ibirapuera. Mas, São Manuel ainda guarda relíquias de um dos seus filhos mais ilustres.
Movimento
No museu da cidade há uma sala exclusiva da revolução de 32. São objetos que homenagem os combatentes desta batalha. São capacetes, fardas e uma pasta só do Mário Martins de Almeida. Inclusive com uma cópia da certidão de nascimento, provando que ele é de São Manuel. Na certidão consta a inscrição de que ele lutou na revolução.
O museu recebe mais de 300 pessoas por mês. Segundo a coordenadora, Aparecida Toledo Crotti muita gente visita o local para aprender mais sobre a revolução, principalmente sobre Martins. “Pessoal vem muito pela curiosidade, conhecer mais sobre este episódio da nossa história”, conta a coordenadora.
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
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I V R O S
"Dei Ouro para o bem de São Paulo"
Edil Gomes
A principal dificuldade da Revolução Constitucionalista de 1932, foi levantar recursos para manter as tropas e para isso contou com o apoio maciço da população que aderiu as diversas campanhas. Estavam todos descontentes com o governo provisório de Getúlio Vargas, que chegou ao poder em 1930, época em que São Paulo sofria fortemente com uma recessão econômica e desemprego em alta, com diversas medidas de intervenção federal.
Uma das primeiras medidas dos líderes da Revolução, foi a criação de uma casa da moeda em que foram emitidos cédulas de emissão de emergência, o conhecido "Dinheiro Paulista", em diversos valores, além de Bônus Pró-Revolução, de uso interno dos bancos.
Também houve a produção de peças “comemorativas” para serem vendidas e revertidas em financiamento da guerra.
Mas o que realmente fez a diferença e de extrema importância foram as diversas doações feitas pela sociedade, na chamada "Campanha do Ouro".
O objetivo da campanha era arrecadar ouro, e espontâneamente o povo de São Paulo doava tudo que representasse valor, desde propriedades, objetos de arte, moedas, títulos e dinheiro em espécie até ferro velho, e ainda as suas alianças e anéis de formatura, que eram substituídos por outros, de prata, com a inscrição: DEI OURO PARA O BEM DE SÃO PAULO – 1932.
Rendeu a “CAMPANHA DO OURO”, a importância necessária para o custeio da revolução. Contudo, com a falta de adesão dos outros Estados e vendo a revolução perdida, e que o que não foi utilizado da arrecadação iriam para a forças legalistas vitoriosas, os administradores dessa sobra, que não era pouco, fizem uma doação a Santa Casa da Misericórdia de São Paulo, com instruções de ser feita a distribuição, do que fosse apurado, entre as instituições de Santa Casa de Misericórdia do interior de São Paulo.
Assim, Santa Casa criou uma Comissão para cuidar desses bens recebidos, realizar o balanço e promoveu a sua venda, convertendo em moeda corrente.
Foram entregues 282.555 kgs. de ouro e 547.003 kgs. de prata, em moedas, alianças e objetos que foram fundidos em lingotes.
A fundição foi realizada na própria Santa Casa, por dois técnicos contratados, também foram criadas barras de ouro e prata comemorativas, que foram vendidas acompanhadas de um estojo e um certificado, essas feitas pelas firmas C. NATALE ou F. MONTINI.
Outra forma de converter em valores a doação recebida, foi a aplicação de um carimbo em moedas de prata e de outros metais que sobraram e assim vendidas como lembrança, é a contramarca do Capacete CO-1932, aplicada em moedas de toda espécie que não foram derretidas.
de ouro
Barra de prata
Chegava assim sua fase final da liquidação dos bens doados na Campanha do Ouro.
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da pesquisa: Boletim 81 da SNB
Fonte