Edição 136

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Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

ano I Nº 136

SEXTA-FEIRA, 16 de ABRIL de 2021

Saudades de Botucatu, poesia de Angelino de Oliveira Hino Oficial de Botucatu

Este ano – quando Botucatu comemora 166 Anos! – vamos buscar em nossa Cultura o que de melhor se fez em homenagem à Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas. Estaremos resgatando, nestes dias da Semana do Aniversário da Cidade (14 de abril a 21 de abril), poesias raríssimas feitas em homenagem a Botucatu. É o Registro Histórico-Cultural do que há de melhor em linguagem poé�ca para a nossa cidade. E, de início, após a publicação da poesia cívica “Princesa da Serra” - poesia oficial do Centenário de Botucatu, de autoria de Trajano Pupo Jr -, vamos destacar a poesia de Angelino de Oliveira, consagrado compositor de “Tristezas do Jeca”, que nos deu “Saudades de Botucatu”, música que viria a ser a nossa Música Oficial:

Saudades de Botucatu

Nunca esquecerei de �, oh minha terra, Berço onde o amor nasceu. És princesa lá da serra, Terra dos carinhos meus Não mais poderei viver longe de �. Tu és a minha adoração. Oh! Botucatu, Cidade dos meus sonhos, Terra do meu coração. Oh! Botucatu, Cidade dos meus sonhos, Terra do meu coração.

Últimas Notícias ! “NÃO ESPERO MAIS NADA DO GOVERNO ESTADUAL”, afirma Pardini

No aniversário da cidade de Botucatu – 14 de abril – o Prefeito Municipal, Mário Pardini, segue de carro para Brasília. Com certeza, nessa viagem inesperada, irá buscar recursos e VACINAS para a Saúde. Ainda repercutem suas palavras: “(o Governo do Estado) anunciou que o AME teria 29 leitos de UTI, mais não sei quantos de enfermaria, depois eram 11 leitos e o que nós temos hoje no AME, não sei se aumentou ontem, mas são dois leitos de enfermaria e isso não é nada, né?”

EVITE AGLOMERAÇÃO FAÇA DISTANCIAMENTO SOCIAL


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Diário da Cuesta

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INFLUÊNCIA MINEIRA EM BOTUCATU Olavo Pinheiro Godoy

Botucatu é uma cidade privilegiada pelo seu clima, pois o ar que respiramos é gostoso e nos enche saudavelmente os pulmões. Plínio Airosa nos esclarece sobre a origem do nome Botucatu : “ sendo Katu, enfim adjetivo, que se traduz por bom, util; saudável; etc. . . nada mais natural que ybytucatu equivalha a: bons ares, ventos saudáveis, ventos bons, como geralmente já vem registrado em vários estudos de toponomia brasileira de origem tupi-guarani”. A influência dos mineiros teve fator de importância na origem de Botucatu. É que a Serra de Botucatu, na qual se estende tão aprazível localidade, tem seus vertentes para o Tietê e, em oposição, para o Pardo; afluente do Paranapanema.

Daí é que desceram os mineiros para as paragens do Paranapanema a cujo devassamento emprestaram o seu decidido esforço. E Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, nos informa que “em 1776 tenha sido inaugurada a capela de Nossa Senhora das Dores, de Cima da Serra, onde provavelmente está localizada a cidade”. Porém, só se constituiu em fulcro do povoado depois de 1843, quando José Gomes Pinheiro adquiriu a posse da sesmaria antes concedida a João Pires, e que ali formou fazenda de criar e que doou o terreno do patrimônio. A Enciclopédia dos Municípios Brasileiros fala sobre a atuação dos mineiros: “Em Botucatu as principais figuras ainda eram os mineiros e entre eles citam-se Tito Correa de

Melo, Felisberto Antônio Machado, João da cruz Pereira e Francisco de Assis Nogueira”. No livro “Achegas para a História de Botucatu”, fala Hernâni Donato, com abundância de detalhes, sobre o mineiro Joaquim Costa; que começou, nessas paragens da Serra de Botucatu, como simples capataz, mas que teve tino e, que pode dilatar as mofinas posses iniciais, tornando-se grande proprietário, depois de um ajuste feito com José Gomes Pinheiro antes grande latifundiário, mas que nunca residiu nos sítios de sua propriedade. Joaquim Costa, ao contrário, fixou-se no local, alargou o patrimônio de Nossa Senhora das Dores, com uma larga doação, trouxe a família, assim como parentes e afins de Minas. E quantos como o mineiro, vindos de outras terras, emprestaram esforço pioneiro ou de cooperação, tornandose verdadeiros botucatuenses.

O GIGANTE DEITADO VOCÊ SABIA?

Que teria sido brasileiro o famoso herói inglês que marcou presença na Primeira Grande Guerra Mundial? Teria sido botucatuense esse herói? Teria nascido na Cuesta de Botucatu esse herói que encantou gerações com sua bravura e idealismo? A Revista Peabiru apresentou minucioso estudo sobre a trajetória desse herói mundial. Na história ou na “lenda” de Lawrence da Arábia, temos como berço natal do herói a Cuesta de Botucatu, mais precisamente, a Fazenda do Conde de Serra Negra, localizada em Vitoriana. Verdade ou lenda ?!? Segredo guardado ou sonho “botucudo” surgido antes da virada do século passado?!? Mas fica – com certeza! – a imagem positiva e heroica de Lawrence da Arábia: um brasileiro nascido na CUESTA DE BOTUCATU.

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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VISITANDO A TRANQUILA AREZZO

Marcelo Delmanto Em uma das minhas primeiras viagens, ainda morando em Perugia, eu e meu companheiro de quarto, o polonês Tomaz, decidimos visitar Arezzo. Para a viagem, compramos pães para cachorro quente e recheamos com queijo, presunto cru e maionese, afinal não sabíamos onde e como comer nessa cidade. Como fazíamos em todas as viagens, fomos à estação ferroviária para pegar um trem que nos levasse à cidade. Durante a viagens já fomos presenteados pelas lindas paisagens que podíamos contemplar como, por exemplos, a imensa plantação de girassóis, que é de encher os olhos e uma das marcas registradas dessa região ímpar. Lá chegando, adquirimos um mapa da cidade no postinho de informações turísticas presentes em todas as estações ferroviárias da Itália. Arezzo é uma comuna (cidade) italiana, da região da Toscana, na província de Arezzo, onde reconhecemos logo ao chegar os cenários do filme “A Vida É Bela” (1997), de Roberto Benigni: um emaranhado de ruelas com cafés, lojas de antiguidades e empórios que vendem massas e vinhos. Na praça principal existem dois cartazes, em tamanho natural, dos personagens Guido e Giosué, onde os turistas podem tirar fotografias. Identificamos também outros lugares que aparecem no filme, inclusive passagens bem engraçadas, como onde o ator caiu da bicicleta.

Eu havia assistido o filme há pouco tempo e estava “fresco” na cabeça. A propósito, todos os filmes exibidos no cinema ou na televisão, na Itália, nacionais ou não, estarão todos em italiano, ou seja, não serão exibidos filmes estrangeiros legendados no país inteiro. Como eu meu colega não tínhamos muito tempo tivemos disponível apenas um dia na semana, pois tínhamos outras atividades nos fins de semana e, por essa razão, não conhecemos a Fiera An�quaria, o mercado de antiguidades de Arezzo que acontece sempre nesses dias. A cidade sofreu bombardeios durante a Segunda Grande Guerra e a reconstrução moderna a deixou um pouco desfigurada, mas a parte que permaneceu intacta justifica com sobra a visita. O Borgo Medieval, um dos mais conservados da Itália, abriga muitos eventos no verão, com ótima proximidade de muitos pequenos e bons produtores de vinho. Neste quesito é indispensável, quase obrigatório, provar o vinho dessa região, nem que seja ao menos uma taça, pois é um dos melhores da Itália. Existe também uma pequena arena, onde entramos e constatamos que é muito bem conservada, ou melhor, eu diria, a mais conservadas de todas que eu já visitei na Itália. Arezzo é aquele tipo de cidade mais calma, bem diferente do ritmo louco das grandes cidades da Europa ou mesmo da região da Toscana. A grande maioria das maravilhas de Arezzo podem ser vistas em um único dia,

porém uma estada um pouco mais prolongada de mais ou menos dois dias permitiria desfrutar das deliciosas cafeterias nos finais de tarde da Toscana. A Toscânia ou Toscana (em italiano Toscana) é uma região da Itália central, com cerca de 3,7 milhões de habitantes e 22.997 km², cuja capital é Florença. Tem limites a noroeste com a Ligúria, ao norte com a Emilia-Romagna, a leste com as Marcas e a Umbria e, ao sul, com o Lácio. A oeste seus 397 km de litoral são banhados pelo Mar Ligure e o Mar Tirreno. A Toscana administra ainda as ilhas do Arquipélago Toscano, a principal das quais é iIlha de Elba. A Toscana é uma das maiores regiões italianas em território e número de habitantes.


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A BOIADA CUIABANA

Revista Hippus (Edição nº 42, de março/83, páginas 40 e 41, com o título de “Tropeirismo em Botucatu”)

A reportagem especial da última edição da Revista Peabiru, “Turismo Rural ou Turismo-Raiz em Botucatu” repercutiu de forma surpreendente. De início, vamos destacar a manifestação do Mestre da Viola de nossa cidade, o João Tavares. Reforçando o destaque dado para as comitivas do passado e a ligação de Botucatu com esse tipo de atividade rural que tanto propiciou o desenvolvimento do nosso Estado, conseguimos do Mestre Tavares a letra da moda de viola, Boiada Cuiabana. Essa música já havia sido lembrada pelo Prof. Vinicio, uma vez que ela destacava a presença de Alambari (Piapara), como ponto de partida das comitivas. Não foi fácil a pesquisa para se encontrar a letra dessa música que é do consagrado músico brasileiro Raul Tôrres. Graças à atenção do Mestre Tavares, conseguimos a letra de Boiada Cuiabana, que reproduziremos no final desta reportagem. O Mestre Tavares é preciso que se destaque que é um dos mais expressivos professores de viola e violão, para música caipira ou música-raiz, de todo o Estado. No Vale do Paraíba temos o Braz da Viola, na região de Botucatu temos o Mestre Tavares. Na casa do Mestre Tavares e nas Academias em que ele ensina a verdadeira música-raiz já passaram os grandes destaques da música caipira : Sampaio (da dupla Teodoro e Sampaio), Pardinho (que fez dupla com Tião Carreiro e João Mulato), Carreiro e Carreirinho, Jacó e Jacózinho, Zé Matão e Matãozinho e Zita Carreiro e Praiana, entre tantos outros que se dedicam só a divulgarem a música-raiz. De se destacar, também, os nomes dos cururueiros, Zito Moreira, Jonata Neto, Waldir Boiadeiro, Dito Carrara e Gusto Belo. Também digna de registro a emoção vivida pelo legendário Lauro Branco com a matéria da qual ele é parte de destaque. Já com o Moacir Fabiano, um dos mais consagrados Tropeiros do Brasil, conseguimos o texto da matéria publicada pela Revista Hippus (Edição nº 42, de março/83, páginas 40 e 41, com o título de “Tropeirismo em Botucatu”) , sobre o Museu do Boiadeiro que ele fundou e mantém bravamente em Rubião Junior. Reproduzimos a matéria da importante revista brasileira que divulga e promove o nosso turismo-raiz. Cada vez mais e mais se consolida a ideia de que é possível, e mais, de que é viável a implantação do turismo-raiz de forma empresarial na cidade de Botucatu. Com a implantação das Comitivas-Turísticas, com o roteiro que sugerimos, partindo do Rio Bonito (Porto Martins), passando por Vitoriana e descendo para Alambari (Piapara), o turismo-raiz já teria o seu roteiro. Acrescente-se a isso, a presença dos tropeiros, de vacas para o leite fresco, da presença dos mestres da viola, da visita às antigas fazendas da região (especialmente a do Conde de

Serra Negra, do Lageado, da Monte Alegre) da visita monitorada ao Museu do Boiadeiro, em Rubião Junior, e o sucesso será garantido. Para completar, a típica comida do tropeiro e a comida caipira em geral e teríamos a certeza do sucesso dessa empreitada no campo promissor do turismo. Boiada Cuiabana Vou contar a minha vida, do tempo que eu era moço. De uma viagem que eu fiz, lá pro sertão de Mato Grosso. Fui buscar uma boiada, isso foi no mês de Agosto. Meu patrão foi embarcado, pra linha Sorocabana. Capataz da comitiva, era o Juca Flor da Fama. Foi tratado pra trazer uma Boiada Cuiabana. Eu saí do Alambari, na minha besta ruana. Só depois de trinta dias é que cheguei em Aquidauana. Lá fiquei enamorado de uma marvada baiana. No baio foi João Negrão, no tordilho Severino. Zé Garcia no alazão, no pampa foi Catarino. A madrinha e o cargueiro, quem puxava era um menino. Na volta de Campo Grande, no Cassino fui entrando. Uma linda paraguaia na mesa tava jogando. Botei a mão na argibeira, dinheiro tava sobrando. Ela mandou pra mim que fosse chegando. Eu virei, disse pra ela: vá bebendo, eu vou pagando. Eu joguei nove partida, meu dinheiro foi andando. De Campo Grande parti, com a Boiada Cuiabana.

M e u amor veio na anca, da minha besta ruana. Hoje eu tenho quem me alegre, na minha véia chopana. Fomos buscar no Pequeno Guia de Botucatu (l988), o curriculum vitae de Raul Torres , com o desenho do Prof. Benedito Vinicius Aloise (Vinicio), retratando fielmente o consagrado autor botucatuense: “Raul Torres (1906/1970), nascido em Botucatu, Raul Torres começou no rádio em 1927, na primeira emissora paulista : a Rádio Educadora, ao lado de Paraguaçu e Arnaldo Pescuma, Canhoto e outros. Convidado pelo Maestro Francisco Mignone, então diretor artístico da gravadora Parlophon, começou a gravar em 1930. Além desta, pertenceu ao quadro de outras gravadoras : Columbia, RCA-Victor, Odeon, Caboclo, Chantecler e Continental. Raul Torres foi compositor, cantor e diretor de vários conjuntos regionais, desfrutando prestígio e popularidade por todo o Brasil e Paraguai. Cantou em duplas e trios com Florêncio, Serrinha, Rieli, Nininho e Castelinho. Deixou gravadas 456 músicas de sua autoria e em parceria com João Pacífico. Raul Torres perdura entre nós através de suas músicas, das quais destacamos: “Boi Amarelinho”, “Chico Mulato”, Cabocla Tereza” e “Mula Preta”. A Moda de Viola e a Toada Sertaneja Botucatuense estão tipicamente representadas em Raul Torres”. (AMD)


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