TERRÁQUEOS, de Sayaka Murata

Page 1

© Bungeishunju Ltd.

SAYAKA MURATA nasceu em 1979 em Inzai, na província de Chiba, próxima a Tóquio. Fã de mangás e ficção científica, desde a infância já escrevia histórias. Seu romance Querida konbini (Estação Liberdade, 2018) — que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares em todo o mundo — rendeu-lhe o prêmio Akutagawa em 2016. Antes, havia recebido os prêmios Gunzo e Noma, em 2003 e 2009, ambos voltados para novos escritores, e o prêmio Yukio Mishima, em 2013. Os temas abordados por ela costumam se relacionar à não conformidade dentro da sociedade japonesa nas relações de gênero, trabalho e na sexualidade, muitas vezes incorporando aspectos distópicos ou de horror. Seu conto “Um casamento limpo”, sobre um casal que deseja conceber um filho sem fazer sexo, foi publicado na Granta Vol. 13: Traição, também em tradução de Rita Kohl.

Terráqueos - Capa.indd 1

N atsuki poderia passar por uma criança

“Um bebê produzido por ela dormia em um ber-

ço ali na sala de estar. A casa de Shizuka sempre me fazia lembrar do quarto dos bichos-da-seda em Akishina. A imagem de seu bebê no berço se sobrepunha à imagem dos bebês de bichos-da-seda que, segundo me disseram, ficavam enfileirados naquele quarto. Eu me perguntava se não haveria, também em nosso caso, alguma mão gigantesca e invisível nos obrigando a se reproduzir.”

comum, com devaneios infantis, como a crença em dons mágicos, seres extraterrestres e bruxas. Mas, conhecendo sua história, questionamo-nos se esses não são, na verdade, mecanismos de fuga que a menina desenvolveu para lidar com uma sociedade opressora — e, mais especificamente, com traumas desencadeados por abusos de diversas ordens. Seu estranho namoro com o primo Yuu, seus “poderes mágicos” e seu amigo de pelúcia Piyut são as únicas coisas que mantêm Natsuki — em suas próprias palavras — sobrevivendo, já que viver lhe parecia algo muito fora de alcance. “Até quando eu teria de sobreviver? Será que algum dia poderia apenas viver e não sobreviver?”

SAYAKA MURATA

Nesta trama genial e provocante, Sayaka Murata, assim como em Querida konbini — só que desta vez com mais audácia —, questiona e confronta o conceito de normalidade da sociedade atual, desafia tabus, colocando em pauta temas como a obrigatoriedade do trabalho, do casamento, do sexo e da reprodução, bem como a noção de família e os papéis de gênero. Uma leitura perturbadora, da qual certamente não saímos de forma plácida.

Sentindo-se desajustada, a pré-adolescente vê o mundo, a sociedade, como uma grande Fábrica de Gente, que para ela se assemelha ao “quarto dos bichos-da-seda” da casa de férias de seus avós, no qual se produziam os “bebês de bicho-da-seda”, tal qual os bebês humanos na Fábrica. Para Natsuki, ou você se ajusta e se torna uma peça na engrenagem das coisas, ou é excluído. Apesar de, em seus desatinos, não considerar a si mesma uma terráquea, mas sim uma alienígena, originária do planeta Powapipinpobopia, ela decide tentar se ajustar ao funcionamento da Fábrica.

Tradução do japonês

Rita Kohl

Na vida adulta, porém, esse ajustamento pode ser mais difícil que o planejado por Natsuki, e sua inconformidade social a leva a comportamentos extremos. A partir do retorno à casa de férias e do reencontro com Yuu, a trajetória da protagonista toma contornos inesperados, e até mesmo absurdos.

ISBN 978-65-86068-24-5

9 786586 068245

LAMINAÇÃO FOSCA

23/02/2021 10:16:25


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.