Comentário: 11° Domingo do Tempo Comum - Ano B

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A FORÇA DO REINO DE DEUS BORTOLINE, José - Roteiros Homiléticos Anos A, B, C Festas e Solenidades - Paulos, 2007 * LIÇÃO DA SÉRIE: LECIONÁRIO DOMINICAL * ANO: B – TEMPO LITÚRGICO: 11° DOM. COMUM - COR: VERDE

I. INTRODUÇÃO GERAL 1. O Reino de Deus possui força extraordinária, porém diferente das forças e mecanismos de pressão atuantes em nossa sociedade. A parábola da semente que cresce por si só e a do grão de mostarda o demonstram (evangelho, Mc 4,26-34). A vida vai abrindo caminho, mudando a sorte dos que penam sob qualquer forma de opressão, pois Deus é reconhecido como tal por seus atos libertadores (1ª leitura, Ez 17,22-24). O apelo de Jesus é para que as pessoas de boa vontade se unam a ele, confiantes, para sentirem a força que o Reino possui. A união com Jesus – passando de fora para dentro do Reino – traz conseqüências que marcam para sempre a conduta cristã (2ª leitura, 2Cor 5,6-10).

(e isso está ao alcance de qualquer um) e de fazer brotar a árvore seca (o que ninguém poderá fazê-lo, a não ser o que tem o poder sobre a vida).

Os versículos de hoje têm sabor messiânico. Empregando imagem agrícola, o profeta apresenta Deus como o que tira um galho da copa do cedro (o povo eleito), transplantando-o sobre o alto monte de Israel (isto é, em Jerusalém, vv. 22-23a). O exílio não é razão suficiente para que Deus deixe de cumprir a promessa feita a Davi (cf. 2Sm 7,11-16), dando-lhe sempre um descendente no trono de Judá.

bem dispostos, prontos para tudo, assíduos. Aos poucos, porém, o esmorecimento, dúvidas, crises e abandonos se avolumam. As parábolas, portanto, visam superar as crises da caminhada (dos catecúmenos e dos cristãos de todos os tempos). Marcos afirma que é preciso começar de novo (cf. 4,1, onde Jesus começa de novo. O Evangelho de Marcos tem diversos começos: cf. 1,1; 4,1; 8,31. É preciso começar sempre!). Os catecúmenos e os cristãos de todos os tempos tendem ao desânimo ao ver o projeto de Deus sofrendo rejeições fortes como as que Jesus enfrentou. E se perguntam: se Jesus é de fato o Messias, o Filho de Deus (cf. 1,1), por que não é aceito? Por que ele não reage de forma mais convincente? Que atitude tomar diante da indiferença ou hostilidade em relação ao projeto de Deus?

O fato de Deus conceder vida ao que estava morto, suscita reconhecimento internacional (as árvores do campo representam as nações): ele é Javé, aquele que outrora libertou seu povo do Egito, e agora o livra do poder dos babilônios, concedendo-lhe novamente a vida. Javé é reconhecido como tal por seus atos de libertação, por sua capacidade de transformar em vida situações de morte, pois é o único que fala e realiza o que prometeu.

6.

Evangelho (Mc 4,26-34): A força do Reino de Deus 7. Para entendermos as parábolas de Mc 4 é oportuno nos perguntarmos a qual etapa da atividade de JeII. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS sus elas correspondem; em outras palavras, por que 1ª leitura (Ez 17,22-24): Deus é reconhecido como Marcos as inseriu nesse lugar? tal por seus atos de libertação 8. No Evangelho de Marcos, Jesus inicia sua ativida2. O profeta Ezequiel foi levado para o exílio na Ba- de com estrondoso sucesso: Rapidamente, porém, o bilônia durante a primeira deportação (597 a.C.). É no sucesso é substituído pela hostilidade da família e dos exílio, vivendo com seu povo o peso da opressão babi- adversários de Jesus (cf. 3,6; 20-35), a ponto de ele lônica, que exerce sua atividade profética. Sendo ao formar, com os que lhe são fiéis, a nova família. As mesmo tempo sacerdote, procura animar seu povo parábolas de Mc 4, portanto, estão no centro do confliprojetando a futura reconstrução de Jerusalém e do to entre Jesus e seus adversários. São parábolas que Templo, símbolos da identidade nacional perdida. E visam superar a crise. Deus se serviu dele para transmitir esperança ao povo 9. Mas não se trata só da crise de Jesus. O Evangelho exilado. O livro de Ezequiel é uma proposta nova de de Marcos foi, talvez, o primeiro catecismo para os sociedade, pois a que provocou a ruína do povo nada catecúmenos. Com eles também acontecia algo de mais contém de bom. semelhante à atividade de Jesus: no início, estavam 3.

Continuando a imagem do cedro transplantado, o profeta apresenta-o majestoso e cheio de frutos; debaixo de sua sombra todos os pássaros do céu farão seus ninhos (v. 23b). É a descrição da sociedade ideal, que serve de abrigo e proteção internacional (os pássaros do céu representam as nações). O v. 23 motivou a escolha desse texto para relacioná-lo, na liturgia de hoje, com o evangelho (cf. Mc 4,32).

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O fim do exílio é visto como mudança de sorte, porque Deus é o Deus dos fracos. A imagem agrícola continua, agora expressa em termos de poda e crescimento: ele abaixa a árvore alta (o império babilônico opressor) e eleva a árvore baixa (isto é, liberta o povo oprimido; cf. Lc 1,52). O simbolismo se torna ainda mais eloqüente: agora se trata de secar a árvore verde

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a. O Reino de Deus tem força irresistível (vv. 26-29) A parábola da semente que cresce por si só é uma das respostas à crise na atividade de Jesus e na caminhada das comunidades cristãs. Em meio aos conflitos, crises e resistências, o importante é ir semeando. É o que fez Jesus e o que devem fazer os cristãos. A parábola faz ver como trabalhavam os agricultores no

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