Comentário: 15° Domingo do Tempo Comum - Ano B

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VOCAÇÃO E MISSÃO PROFÉTICAS DO POVO DE DEUS BORTOLINE, José - Roteiros Homiléticos Anos A, B, C Festas e Solenidades - Paulus, 2007 * LIÇÃO DA SÉRIE: LECIONÁRIO DOMINICAL * ANO: B – TEMPO LITÚRGICO: 15º DOMINGO COMUM – COR: VERDE

I. INTRODUÇÃO GERAL Ser povo de Deus não é privilégio; é compromisso sério que requer discernimento constante. Esse discernimento provoca posicionamento decisivo e atitude profética contra as manipulações do poder e da religião. Como Amós, o povo de Deus não teme provocar conflitos, nem foge deles, mesmo que, por causa disso, seja acusado de conspirador (1ª leitura Am 7,12-15). Isso porque a missão do povo de Deus em nada difere da missão de Jesus, que provocou rupturas, pondo-se a serviço dos que não tinham liberdade (endemoninhados) nem vida (enfermos), restabelecendo-os e integrando-os (Evangelho Mc 6,7-13). No plano do Pai, fomos feitos filhos seus e herdeiros do Reino, graças à ação do Cristo em nosso favor. Os filhos e herdeiros têm a tarefa de serem continuadores do projeto divino (2ª leitura Ef 1,3-14). 1.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS 1ª leitura: (Am 7,12-15): Vocação e missão do profeta

confunde-o com um membro das corporações proféticas mantidas pelo Estado (“ganhe lá seu pão”). A resposta de Amós resume a vocação e missão proféticas: ele não era profeta, nem discípulo de profeta, isto é, não pertencia a uma corporação (não se trata de profetismo “hereditário”). Tinha uma profissão da qual vivia: era vaqueiro e colhedor de figos selvagens (v. 14). Sua vocação e missão têm raízes profundas: não nasceram do interesse ganancioso, nem visam lucros (cf., no evangelho, como Jesus envia os discípulos). Pelo contrário, sua vocação nasce de Deus, que o tirou (esse verbo, em hebraico, denota uma espécie de arrebatamento irresistível) de junto do rebanho (v. 15a). Sua missão é dirigida ao povo de Israel e em sua defesa, e não em defesa dos interesses dos poderosos: “Vá e fale como profeta a meu povo Israel” (v. 15b). A missão do profeta provoca mudanças e rupturas radicais na sociedade: Jeroboão, com sua política apoiada pelos sacerdotes e profetas da corte, se apossara do povo. Deus garante que o povo lhe pertence (“meu povo”) e ninguém poderá, ainda que em nome da própria religião, manipulá-lo e oprimi-lo. Essa tomada de consciência fará com que Amós não tema os poderosos, ainda que se auto-afirmem “de corpo inteiro” pessoas “religiosas”, mas cuja prática demonstra estarem esmagando a herança de Deus!

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2. Amós, o primeiro “profeta escritor”, exerceu sua atividade profética em torno do ano 760 a.C., no tempo em que Jeroboão II reinava em Israel (783-743 a.C.). Esse período se caracteriza pelo expansionismo das conquistas do rei e pelo crescente abismo que divide a sociedade entre ricos e pobres: ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada Evangelho (Mc 6,7-13): A missão dos discípulos de Jevez mais pobres. sus

Depois da morte de Salomão (931 a.C.), o reino por ele deixado dividiu-se em dois: Israel ao norte e Judá ao sul. No norte, Jeroboão I assumiu o poder. Querendo evitar que o povo continuasse indo a Jerusalém para as festas anuais, cria novo calendário religioso e estabelece dois santuários como locais de peregrinação para as tribos do norte: Dã e Betel. Assim evitou que, indo a Jerusalém, o povo voltasse de lá com a “cabeça feita” contra ele. Ao mesmo tempo, evitava evasão de dinheiro destinado ao culto em Jerusalém. Nesses santuários colocou dois bezerros de ouro (1Rs 12,26-33). Betel passou, assim, a ser “santuário do rei”, com sacerdotes e profetas servindo-lhe de suporte ideológico, manipulando a religião e o culto a gosto dos interesses do Estado.

3.

O Evangelho de Marcos foi, provavelmente, o primeiro catecismo de iniciação cristã. Em contato com esse evangelho, as pessoas vão descobrindo quem é Jesus e o que é ser cristão.

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9. Depois de ter chamado os discípulos (cf. 1,16-20; 2,1314), e depois de ter instituído os doze para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar com autoridade de expulsar demônios (cf. 3,13-19), Jesus os envia agora oficialmente à missão.

10. O texto de hoje se situa logo após a rejeição de Jesus em sua terra, Nazaré (cf. 6,1-6; cf. evangelho do domingo passado). Isso faz parte do esquema de Marcos: o discípulo vai aprendendo quem é Jesus e quem é o cristão a partir dos conflitos que Jesus e a comunidade cristã encontram ao 4. É essa situação complexa que Amós encontra. Ele era longo da caminhada. Esse mesmo esquema já tinha sido do sul, mas fora mandado profetizar no norte. O texto de empregado no final do capítulo 3: depois de rejeitado pelos hoje o situa em Betel, “santuário do rei”, com sacerdotes e familiares, Jesus inicia nova etapa (cap. 4). profetas financiados pela corte. Em troca, ofereciam ao rei uma “teologia e culto de sustentação” do aparato opressor. a. Começar tudo de novo (v. 7) 5. Amós se apresenta em Betel decretando a morte do rei Jeroboão II. Amasias, o sacerdote, ao saber disso, acusa Amós de conspiração contra o Estado (7,9-11). Temos aí uma das características do profeta: discerne quando o poder é legítimo e quando não o é, e mantém distância da “religião oficial” que encobre os desmandos dos poderosos. Religião e culto, enquanto comunhão com o Deus libertador, só têm sentido à medida que servem à criação da sociedade justa, igualitária e fraterna.

O v. 7 marca novo início (o Evangelho de Marcos é sempre um “começar de novo”, cf. 1,1; 4,1; 6,7; 8,31). Rejeitado, Jesus chama os doze e começa a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos maus. Temos aqui a junção da vocação com a missão dos discípulos. Sua missão é a mesma de Jesus: desativar e destruir os mecanismos que geram morte, dependência e opressão, mostrando assim a novidade do Reino. O primeiro milagre de Jesus, no Evangelho de Marcos, é a expulsão de um espírito impuro (cf. 1,21-28). Os que presenciaram o fato declaram estar 6. Amós é expulso de Betel: “Vidente, vá embora e prodiante de novo ensinamento feito com poder. Agora, esse cure refúgio na Judéia; ganhe lá seu pão e exerça lá a sua poder está nas mãos e sob a responsabilidade dos discípulos função de profeta” (v. 12). Amasias, ao expulsar o profeta, 11.


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