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Agradecimentos Rodrigo Capeleiro (Hacker Lisbon School - IST) Rafael Calado, Rui Sequeira (FabLab) Senhor Guilherme (Carpintaria) Mário Almeida (FCT) Filipa Barradas (IADE) Ana la Féria José Branco Vasco Carrondo Hugo Fitas Teresa Freitas
MUSIC, UNIQUELY AMONG THE ARTS, IS BOTH COMPLETELY ABSTRACT AND PROFOUNDLY EMOTIONAL. IT HAS NO POWER TO REPRESENT ANYTHING PARTICULAR OR EXTERNAL, BUT IT HAS A UNIQUE POWER TO EXPRESS INNER STATES OR FEELINGS. MUSIC CAN PIERCE THE HEART DIRECTLY; IT NEEDS NO MEDIATION.
Oliver Sacks - Neurologista
Propagação s.f. acto ou efeito de propagar(-se) 1 acto ou efeito de espalhar; difusão, disseminação 2 aumento por meio da reprodução; proliferação 3 acção de fazer chegar a uma grande número de pessoas; divulgação, vulgarização. Acção de mergulhar, mergulhia; aumento do território; prolongamento. Multiplicar; propagar; prolongar; estender, alargar, engrandecer, aumentar, desenvolver. Plasticidade s.f. qualidade do que é plástico. Plástico adj. 1 capaz de ser moldado ou modelado 2 que dá forma ou é capaz de dar forma ou de alterar uma forma 2.1 cujo objecto é a elaboração das formas 6 que se pode estirar ou comprimir sem se romper ou partir ou partir; capaz de ser, até certo ponto, deformado em qualquer direcção sem se romper; elástico, flexível, maleável. Vórtice s.m. 1 movimento forte e giratório; remoinho, turbilhão, voragem 3 FÍS.
FLU movimento intenso de forma espiralada numa região limitada de um fluido
◉ ETIM lat. vōrtex,ĭcis ‘turbilhão, remoinho (de água,vento, pó); fig. raio; abismo, profundeza’;
Esfera s.f. 1 GEOM sólido limitado por uma superfície esférica fechada e que tem todos os seus pontos à mesma distância de um ponto no seu interior 2 corpo sólido completamente redondo em toda a sua extensão; bola, globo 3 ASTR o globo terrestre 4 meio, círculo, ambiente 8 ETIM gr. sphaîra,as ‘todo o corpo redondo; bola para jogar; GEOM esfera; objectos diversos em forma redonda; globo terrestre, celeste, etc’ pelo lat. sphaera,ae ‘esfera, globo; bola para jogar’ in Dicionário Houassis da Língua Portuguesa
O projecto Vortex é a representação de uma comunidade do microorganismo Paenibacillus Vortex, uma bactéria conhecida pelo seu peculiar comportamento social e pela sua habilidade em sobreviver em ambientes adversos. Deve-se à constante renovação do código genético a possibilidade do desenvolvimento de um organismo em condições que não lhe são favoráveis. Tal é semelhante ao conceito de neuroplasticidade, onde o cérebro reformula as suas redes neuronais quando sujeito a qualquer estímulo de aprendizagem. Para representar esta comunidade construiu-se uma instalação interactiva, cuja interação com o meio é efectuada em dois sentidos, input e output. Como input, é considerado o movimento, ou as ondas vibracionais resultantes do acto de movimento de um qualquer interlocutor. Como output, a comunidade transforma este estímulo, através da programação de plataformas Arduino, propagando-o através de efeitos luminosos e sonoros. Pretende-se criar uma experiência renovada de um meio físico e sensorial, através da interação entre a comunidade e um interactuante, para redefinir o paradigma relacional entre as pessoas e os espaços.
INTRODUÇÃO
Ao longo da história a música une e permite estreitar laços entre distintas culturas. A música é inata para o ser humano, sendo profundamente emocional e também abstracta, procura-se hoje entender de que forma é que a música pode desenvolver melhor qualidade de vida para o ser humano. A música é hoje objecto de estudo na área das ciências neurológicas. A capacidade biológica de moldagem ou plasticidade, está intrinsecamente ligada à capacidade de adaptação por parte de um ser biológico, tal verifica-se por exemplo a nível da reformulação da expressão génica como resposta a alterações do meio - quando sujeitos a estímulos externos de qualquer ordem, adaptamo-nos de forma a que tenhamos a maior capacidade de sobrevivência e reprodução. A nível neurológico, a neuroplasticidade é a capacidade de um tecido nervoso cerebral se adaptar a uma nova realidade de acção. Cada actividade iniciada determina a reorganização do processamento de informação, consequentemente ao surgimento de novos circuitos neuronais, onde a repetição e rotina de execução de uma tarefa promove a eficiência na realização desta. O cérebro, em constante moldagem, retém e armazena informação, ou seja, memoriza sob a forma de ligações nervosas activadas através de estímulos sensoriais. O conceito de plasticidade cerebral aplicado ao estímulo musical é semelhante ao processo de reformulação e aumento de densidade de circuitos neuronais, onde alterações estruturais a nivel das redes neuronais são promovidas. Supõe-se que o estímulo musical pode activar o córtex visual, talvez pela tentativa por parte do cérebro de construir uma imagem visual da música, desencadeia reações meânicas, entre as quais acções motoras que nos levam a reagir através do bater do pé ou do abanar de anca.
DESPITE ALL THE BEAUTIFUL THINGS PEOPLE OBSERVE IN BIRDS AND LOCUSTS AND HIGHER ANIMALS, IF YOU LOOK AT THE MIGRATION OF BACTERIA, IT’S STILL MORE SOPHISTICATED THAN ANY OF THIS
Eshel Ben-Jacob (biological physicist at Tel Aviv University)
PAENIBACILLUS VORTEX
Nos anos 90, Ben Jacob e o seu grupo de investigação (Universidade de Tel Aviv), descobriram um tipo de bactérias que forma os padrões mais peculiares do que se conhece. Uma colónia de Paenibacillus Vortex apresenta uma forma fractal onde a partir do seu núcleo emergem padrões semelhantes à forma inicial, cada forma fractal depende das condições do meio em que se encontra, e do tipo de alimentação que assimila. Cada colónia de P. vortex é composta por um conjunto de microorganismos que se movem em uníssono, como um enxame - swarm intelligence. Foi atribuido a estas colónias um alto valor de inteligência colectiva ou social IQ score, bastante acima da média no micro cosmos que nos rodeia. Investigadores concluiram que estas bactérias possuem genes associados a uma função social que permite que as bactérias comuniquem entre si, assimilem informação e sintetizem compostos químicos determinantes para o êxito na competição com outros organismos. Estas colónias libertam um fluido lubrificante que permite que as células adquiram a capacidade de se movimentar, formando extensas e dinâmicas colónias, altamente ramificadas. No final de cada ramo, um movimento padronizado e circular de bactérias expande as suas arestas, aumentando continuamente a àrea de influência da colónia.
Classe: Bacilli Ordem: Bacillales Família: Paenibacillaceae Genus:Paenibacillus Binominal name: Paenibacillus Vortex
The entire colony can be thought of as a big brain, a super brain, that receives signals, processes information and then makes decisions about where to send bacteria and where to continue to expand. Eshel Ben-Jacob (biological physicist at Tel Aviv University)
Paenibacillus Vortex - Eshel Ben-Jacob (biological physicist at Tel Aviv University)
PARÁBOLA
A espécie humana tem tanto de musical como de verbal. E essa predisposição para a música pode assumir muitas e diferentes formas. Todos nós (com raras excepções) somos capazes de apreender a música, de apreender sons, timbres, distância entre sons, contornos melódicos, harmonias e (talvez de uma forma mais elementar) ritmos. Integramos todos esses elementos e «construímos» mentalmente a música, usando para isso diferentes partes do cérebro. E a esta capacidade estrutural em grande parte inconsciente - para apreciar a música acrescenta-se amiúde uma profunda e intensa relação emocional à música. «A inexprimível profundidade da música», escreveu Schopenhauer, «tão fácil de compreender e tão inexplicável, deve-se ao facto de reproduzir todas as nossas mais fundas emoções, mas desligadas da realidade e das suas dores. [...] A música exprime apenas a quintessência da vida e dos seus acontecimentos, e nunca os acontecimentos em si.
Oliver Sacks
PARÁBOLA
O ouvido é o órgão da instrução e o homem rege-se pela capacidade de ouvir.1
A música activa tantas partes do nosso cérebro que é impossível dizer que temos uma só área cerebral dedicada a esta disciplina. Quando ouvimos música, o lobo frontal e o lobo temporal processam os sons, juntamente com as diferentes células cerebrais que trabalham com o intuito de decifrar características de ritmo, tom e melodia. Não se sabe ao certo de que forma é que esta acção se dá no cérebro mas independentemente da maneira como é realizada, difere em cada um de nós segundo uma série de factores - desde a experiência que cada indivíduo tem com a música, se esta é tocada ao vivo ou gravada, se possui letra ou não, etc. 2 Plasticidade cerebral A palavra plasticidade deriva do grego plastikos que significa “capaz de ser moldado”. A plasticidade do cérebro ou a neuroplasticidade, é a capacidade que um tecido nervoso cerebral tem de se adaptar a uma actividade ou situação nova que se realize de forma frequente. Cada actividade nova gera novos circuitos neuronais de forma a realizá-la de forma mais eficiente. O cérebro tem a habilidade de reter e armazenar, ou seja, de memorizar, todos os mecanismos nervosos necessários para realizar cada actividade. A realização repetida de actividade musical, dá lugar a alterações no funcionamento e na estrutura do cérebro, redefinindo as inter-ligações entre neurónios. Plasticidade do genoma Os organismos vivos são definidos pelos genes que o constituem. De uma forma geral, o controle de expressão de um gene como resposta a um estímulo ambiental determina se o organismo poderá sobreviver nestas novas condições e se pode competir por meios para se reproduzir. Ou seja, as mutações genéticas originadas como resposta adaptativa podem ser bem ou mal sucedidas, as características evidenciadas podem potenciar ou ameaçar as possibilidades de sobrevivência do organismo. Deve-se ao tempo passado, à evidente seleção natural, a escolha das gerações mais capazes de prosperar num novo ambiente.
1. Aristóteles 2. Martí Vilalta
VORTEX
Music can move us to the heights or depths of emotion. (...) music occupies more areas of our brain than language does - humans are a musical species.3
Vortex é uma paisagem interactiva criada pela interação com o comportamento humano. Através do Vortex, é emitida luz e som de acordo com a expressão de movimento das pessoas que interagem com a peça. A partir de um sensor é gerada uma reação em cadeia em que toda a instalação reage. A emissão luminosa e sonora está também dependente do ambiente onde a instalação se encontra, redimensionando a relação que temos com o tempo, a natureza e os espaços urbanos. Durante o dia, o Vortex exibe um jogo de sombras e som, do anoitecer até à madrugada apresenta um jogo de luz e som. A paisagem de esferas constituintes do Vortex funciona como uma zona de interação onde o objectivo é tornar esta estrutura num ponto de encontro urbano onde através da expressão corporal seja criada uma nova forma de expressão e de relacionamento entre o espaço e as pessoas.
The essential new lesson learned from bacteria is that colonial high complexity provides the degree of plasticity and flexibility required for better durability and adaptability of the whole colony to a dynamic environment.4
3. Oliver Sacks 4. Eshel Ben Jacob
PROCESSO
A ideia do projecto consiste na criação de uma paisagem interactiva a partir de uma estrutura e da interação que é estabelecida pelo indivíduo. Constituído por sensores electrónicos, permite que luz e som respondam à intensidade e forma do movimento dos interlocutores, partindo do local de interação. Em função da constituição da estrutura, a interação gera uma reação em cadeia dos elementos esféricos propagando a reação de um primeiro sensor com os restantes elementos constituintes da instalação que reagem à emissão de luz. O projecto iniciou-se no papel, com estudos de formas e de materiais. Idealmente as formas seriam dodecaedros que Platão considerou que era a representação do universo. Os gregos teorizaram que a cada elemento era associado um sólido - à terra o cubo, ao fogo o tetraedro, à água o icosaedro e ao ar o octaedro - deixando de fora o dodecaedro, o único poliedro regular, o mais difícil de construir e com um espírito enigmático. O uso dos dodecaedros serviriam para representar o universo do Paenibacillus Vortex. Idealmente os dodecaedros seriam de acrílico translúcido de forma a que deixasse passar a luz, sem permitir que se visse de forma nítida os LEDs através da sua espessura. Os custos e contratempos de produção, levaram a uma readaptação do projecto. Ainda contemplando a hipótese de usar o acrílico e alterando as formas para algo mais simples, como cubos, os custos seriam demasiado elevados e o produto final não seria o desejado. Posto isto e num sentido mais pragmático, a experimentação das bolas de ping pong revelaram-se um sucesso quer em termos visuais quer conceptuais. Pela sua simplicidade, as esferas fazem com que esta paisagem seja facilmente adaptável a qualquer espaço, tornando-o numa fluida conversa entre pessoas, luz e som.
Materiais 39 Bolas de ping-pong 39 LEDs (alta luminosidade) Resistências 150 R Fios condutores 3 Piezos + altifalante 3 Sonar HC-SR04 3 fontes de alimentação Contraplacado de choupo Primário Tinta preta Cola 4 ímans
Feitas as plantas e uma vez escolhido o material, o FabLab - Fabrication Laboratory - foi um facilitador no desentvolvimento do projecto que permitiu que se procedesse à planificação e corte no material escolhido numa fresadora de grande formato (big milling machine). Após a montagem da base, o processo do sistema eléctrico foi moroso quer pela quantidade de LEDs, resistências e fios que tiveram que ser soldados quer por tudo o que estava ainda por aprender. Uma vez soldados os cabos e encaixados os LEDs na base e nas esferas procedeu-se às experiências de programação que se deram no Centro de Electrónica Aplicada com o apoio da Hacker School Lisbon - Instituto Superior Técnico de Lisboa.
PROCESSO
1. Procura de Forma 2. Maqueta em papel de dodecaedros 3. Materiais 4. Primeiras experiĂŞncias com arduino
PROCESSO
5. Primeiras experiĂŞncias com arduino 6. Novas formas - bolas de ping pong 7. Carpintaria - corte de contraplacado de choupo 8. Corte do material na fresadora de grande formato (FabLab)
PROCESSO
9. Corte do material na fresadora de grande formato (FabLab) 10. Corte do material na fresadora de grande formato (FabLab) 11. Corte do material na fresadora de grande formato (FabLab) 12. Acabamentos
PROCESSO
13. Acabamentos 14. Pintura - primรกrio 15. Pintura - tinta preta 16. Soldagem
PROCESSO
17. Soldagem 18. LEDs + resistĂŞncias + fios condutores 19. Interior 20. Primeira esfera acesa
PROCESSO
21. Resultado 22. Resultado
RESULTADO
Uma base suporta a estrutura de trinta e nove módulos e actua segundo processos exploratórios do operador - as zonas de interacção. Divididos os módulos em três grupos, onde cada grupo é composto por treze esferas, cada grupo apresenta a aptidão de reagir ao movimento de aproximação de um interlocutor, onde através de um sonar, ou sensor de movimento, desencadeia uma dança de luz e som. Podemos considerar o Vortex como um fenómeno que varia em crescendo, a cada conjunto acção/reacção, verifica-se a propagação da resposta de um grupo para os outros, um raciocínio que está em linha de acção comparativamente ao comportamento emergente do Paenibacillus Vortex, este reage aos estímulos para com a sua comunidade e gera estímulos à comunidade. Para que o projecto fosse exequível foi necessário fazê-lo a uma escala menor do que a desejada. Idealmente cada esfera não ocupa menos de 1,5 metros (variável) e o conjunto de esferas também pode variar de acordo com o espaço. Cada esfera é um acumulador de energia solar em que durante o dia absorve energia emitindo som, libertando-a pela noite num permanente diálogo sonoro e luminoso. O seu sentido estético e lúdico pretende aludir ao comportamento das pessoas e ao modo como interactuam entre si e o meio.
1. Maqueta
MUSIC PRODUCES A KIND OF PLEASE WHICH HUMAN NATURE CANNOT DO WITHOUT
Confucius
VORTEX
1. Vortex na Rua da Prata
VORTEX
2. Vortex no Terreiro do Paรงo
VORTEX
2. Vortex no Tejo
VORTEX
2. Vortex no Jardim da Estrela
MEDIALAND // FBAUL . DCNM MARTA MADEIRA 7879