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Boletim Informativo Clube Niteroiense de Montanhismo Ano VII – número 17 Fundado em 20/11/2004

Edição especial Dia do Meio Ambiente – junho 2011

O CNM na Semana do Meio Ambiente 2011, no PESET

Pedra da Catarina Como se proteger de raios Travessia da Serra Fina Devemos nos alongar?! Código de Ética de Niterói


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TENTANDO NOS ACHAR: PEDRA DA CATARINA – NOVA FRIBURGO, RJ Por Neuza Ebecken e Eny Hertz

Com o Guia de Escaladas da Pedra da Catarina Mãe de Leonardo Amorim e Daniel Ferreira nas mãos, Neuza Ebecken e eu, Eny Hertz, fomos conhecer a base das vias localizadas na face norte, e se tivéssemos tempo, subir a Pedra Mãe. O guia de escalada deixa a desejar em relação a orientação dentro da cidade até o inicio da trilha. Não há nome de ruas, só indicações de locais, no caso, mais especifico o Condomínio Sitio da Pedra. A trilha (que um dia foi uma estrada de terra) até a Pedra da Catarina está bem marcada, bem larga podendo passar um carro 4X4 ou moto. Fomos informados por um motoqueiro que esta trilha leva para a estrada Teresópolis x Friburgo (RJ-130). Parece ser boa tanto para uma caminhada quanto para mountain bike. No começo da trilha a subida é um pouco íngreme, depois se torna suave. Após a entrada da trilha para o cume da Catarina Mãe, ela desce bem ao longo de um vale. O visual é muito bonito. Pouco antes da trilha para o cume há um pequeno grupo de casas a direita com cães que resolveram recepcionar as visitantes. Felizmente nossos calcanhares saíram intactos. Os cães intimidaram, porém não atacaram. O mapa da trilha ao longo da pedra também não oferece boas indicações do início das trilhas para a base das vias de escalada. Não conseguimos achar o começo da trilha para os boulders e face leste, e passamos direto da entrada para a face norte, que está parcialmente fechado pelo mato. Felizmente um motoqueiro nos indicou. A trilha para a face norte apresenta um córrego no início, logo a frente há outro que foi destruído pela

força das águas de janeiro de 2011. Assim que se cruza este último, inicia-se uma subida íngreme com pedras meio soltas que levam a base da via. Tome cuidado neste último trecho. No mapa para as vias da face norte aparece uma trilha ao longo da rocha exposta, passando pelas bases de todas as vias. Embora não a tenhamos visto. Assim que se chega a rocha podemos ver três vias muito próximas umas das outras: Face Norte 4V (A-O 5a E1; Cristaleira 4 VI + E1 e Vem Ca meu Nego 4 V E1) . Há dezoito croquis das vias de parede no guia. A variação das durações das vias varia de D1 a D3. Os autores recomendam que se leve 2 cordas. A maior parte das vias começa com um 4o grau. Percebemos que nesta época do ano as vias estão bem molhadas. Aconselhamos escalá-las somente no período da seca. Há uma travessia pelos cumes dessas três pedras, que dura umas oito horas. Foi uma boa aventura.


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SEGURANÇA: COMO SE PROTEGER DE RAIOS EM CASO DE UMA TEMPESTADE Por Thiago Campos

De acordo com uma pesquisa do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais) o Brasil é o país com a maior incidência de raios do mundo. A frequência destas tempestades tem sido tão significativa que o assunto merece um pouco mais de atenção, veja abaixo 10 dicas para se proteger. 1) Em lugares mais altos como montanhas e colinas, a probabilidade de ser atingido por um raio é muito maior, descer durante a tempestade é arriscado, mas mesmo assim se houver condições é melhor desçer bem rápido, mas com atenção sem descuidar da segurança. Continuar no cume pode ser muito mais arriscado. 2) Tente ir embora antes da tempestade começar. Observe as nuvens e a velocidade do vento tanto na altitude que você se encontra como também no nível das nuvens. Uma bússola pode ajudar nessas horas, no Rio de Janeiro, ventos Sudoeste indicam aproximação de chuva, portanto ao perceber a formação de nuvens e a presença de vento cancele a escalada. 3) Evite áreas descampadas, tais como praia, campo de futebol e não fique embaixo de árvores. Nesses locais a probabilidade de ser atingido por um raio é muito maior. 4) Caso esteja em uma área descampada evite ficar de pé, mas também não deite no chão, nessas posições suas chances de ser atingido aumentam. A posição correta é ficar abaixado e colocar a cabeça entre os joelhos, formando uma posição mais esférica e menos alta, o

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que o tornaria menos vulnerável — a posição pode ser vista no desenho abaixo: Se estiverem em grupo mantenham-se afastados uns dos outros. Isso evita que mais de uma pessoa seja atingida ao mesmo tempo caso um raio resolva cair sobre alguém. Em muitas ocasiões, durante uma tempestade, uma pessoa pode sentir que vai ser atingida por um raio, porque a pele começa a formigar e os pelos do corpo se eriçam. Caso isso aconteça não pense duas vezes, faça os indivíduos do grupo de afastarem uns dos outros e se abaixarem como na figura acima. Isso deve ser rápido e feito de forma automática, questionamentos numa situação dessas podem fazer alguém de vítima. Barracas não protegem ninguém contra raios, as melhores proteções são construções com pára-raios e automóveis com os vidros fechados. Prefira ficar fora da barraca em uma posição mais baixa (algo como um vale). Fique longe de qualquer objeto de metal — cercas, postes de fiação, antenas. Cuidado ao carregar bastões de caminhada, bastões de ski ou varas de pescar, esses objetos podem servir como um “pára-raio” indesejado. Não use aparelhos eletrônicos, como celulares e rádios. É possível prever mais ou menos a distância entre você e a tempestade usando uma técnica simples. Ao ver um raio caindo comece a contar os segundos, quando você ouvir um trovão pare a contagem e multiplique o tempo contado (em segundos) por 300. O resultado será a distância em metros entre você e a tempestade. Isso acontece por que o som viaja a uma velocidade de 300 metros/segundo. Assim basta contar os segundos e fazer a conta para saber qual a distância. Um detalhe curioso, raios podem cair a uma distância de até 15km do local da tempestade, portanto cuidado.


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RELATO DE ATIVIDADE

Travessia da Serra Fina MG/SP/RJ 21-24/04/2011 Por Thiago Campos Pereira

Há alguns anos ouvi o relato de alguns amigos sobre a travessia de Serra Fina, vi algumas fotos e bastante impressionado com o visual das montanhas, prometi a mim mesmo fazer esse circuito um dia. Esse ano, pra minha sorte, houve dois feriados em dias consecutivos no mês de abril (quinta e sexta). Era exatamente o que eu precisava para cumprir esta jornada. Chamei um amigo de trilha e escalada, Ary Carlos, com quem fiz a travessia Petro x Terê no ano passado e, ele topou na hora. Convidou a Alessandra Neves, uma amiga do nosso clube de montanhismo (CNM) e, a equipe estava montada... Tivemos uma ou duas semanas para tentarmos planejar o mínimo e realizar a travessia. Na realidade, o planejamento não foi dos melhores, mas o importante é que no final deu tudo certo! SOBRE A TRAVESSIA

A Serra Fina está localizada na Serra da Mantiqueira, na região entre o Parque Nacional do Itatiaia e o Maciço Marins x Itaguaré. Neste conjunto de montanhas, com mais de 10 picos acima de 2.000 metros de altitude, localiza-se a Pedra da Mina (2.798 m), quarto maior ponto culminante do Brasil e, o Pico dos Três Estados (2.665 m), com esse nome por estar exatamente na junção dos estados de MG, SP e RJ, representando o décimo ponto mais alto do país. É considerada por muitos, a travessia mais difícil do Brasil, por ser bastante longa (mais de 45 km de extensão), apresentar subidas bem íngremes e exigentes, além de vários trechos de trepa-pedra e, principalmente, raros pontos de abastecimento de água, o que faz com que, normalmente, os trekkers carreguem muito mais peso em suas mochilas. 1° DIA (21/04/2011) — PASSA QUATRO/MG — TOCA DO LOBO — CAPIM AMARELO

Começamos o trekking às 07h40min, partindo da fazenda Toca do Lobo (antigo abrigo dos garimpeiros da região). Logo no início conhecemos um montanhista — Isaías Schuindt — que estava sozinho, planejando encontrar um grupo que havia começado a travessia no dia anterior. Ele seguiu com a gente, fazendo parte do nosso grupo até o fim da travessia e nos ajudou bastante. Cruzamos o rio onde abastecemos os cantis e iniciamos uma longa subida entre os arbustos, até o alto do espigão. Dali era possível avistar os vales e fazendas da região. Após três

horas de caminhada por cristas, fizemos uma boa parada para o lanche e partimos para o Alto do Capim Amarelo (2.491 m). Do cume, uma vista espetacular. Como já havia grupos acampados no topo, achamos melhor descer em direção ao Maracanã, área de acampamento situada entre o Capim Amarelo e a Pedra da Mina. Avançando um pouco, ganharíamos tempo no dia seguinte, além de maiores chances de uma área melhor para acamparmos. Chegamos lá por volta das 15h30min, nenhum outro grupo no local. Montamos as barracas e, não demorou para que outros grupos começassem a chegar. Os termômetros chegaram a marcar 0° grau nesta madrugada. 2° DIA (22/04/2011) — PEDRA DA MINA (2.798 M)

Acordamos não muito cedo, tomamos um cappuccino, desmontamos as barracas e começamos a caminhar às 08h30min, em direção à Pedra da Mina, ponto culminante da Serra da Mantiqueira e quarto mais alto do Brasil. A caminhada seguiu por cristas, num intenso desnível topográfico. Do cume, uma vista de 360° de toda a região. O primeiro ponto de abastecimento de água encontra-se antes da subida à Pedra da Mina, na Cachoeira Vermelha. Enchemos os cantis que já estavam vazios e tocamos pra cima, agora carregando mais peso ainda. Andamos!!! E chegamos ao topo por volta das 15h. Pouco abaixo do cume, no que chamam de “cratera”, alguns bons locais para montar a barraca. Ainda estava cedo e conseguimos arrumar nossas coisas em um pequeno areal ,protegido, em meio a tufos de capim. Assistimos em seguida, a um espetacular pôr do sol. 3° DIA (23/04/2011) — PICO DOS TRÊS ESTADOS (2.665 M)

Novamente levantamos tarde, pois fazia muito frio pela manhã. Muita preguiça de sair da barraca, mas como não tinha jeito e tínhamos muito chão pela frente, quando o sol começou a aparecer, começamos a desmontar acampamento. Iniciamos caminhada às 8h30min. Apesar de ter sido um dos últimos grupos a sair da “cratera”, ainda passamos por boa parte dos grupos que saíram à nossa frente, pois mantínhamos um bom ritmo. Neste dia nosso primeiro obstáculo foi vencer o enigmático vale do Ruah a 2.512m. Ali toda atenção era pouca, para não nos perdermos entre as touceiras de capim de anta, que quase nos engoliam. Havia muito charco nesse trecho. Atravessamos um


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riacho e depois seguimos pela margem direita do rio Verde, no sentido da correnteza, quase até o final do vale, quando abastecemos pela última vez na travessia. Dali para frente não havia mais pontos de água. Avistamos um totem bem no alto de um morro, à direita do riacho. E começamos um sobe e desce, passando pelo Cupim de Boi, de onde já é possível avistar o pico dos Três Estados. Uma parte muito bonita da travessia. Um guia nos aconselhou montar acampamento no bambuzal, que fica cerca de 1h20min do Pico dos Três Estados. Foi o que fizemos. Chegamos no Bambuzal mais cedo, às 14h30min já montávamos acampamento. Fomos os únicos a acampar nesta área. Como era nossa última noite na travessia, fizemos um jantar pra comemorar, juntando tudo que tínhamos, a fim de diminuir o peso das mochilas no dia seguinte. 4° DIA (24/04/2011) — PICO DOS TRÊS ESTADOS (2.665M) / ALTO DOS IVOS (2.513 M)

Último dia de travessia: o único em que levantamos cedo (às 5h). Dia em que mais andamos também. A barraca amanheceu bem molhada, pois choveu na madru-

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gada. Como ainda estava escuro, arrumamos as coisas à luz da lanterna e, partimos às 6h30min. Chegamos ao Pico dos Três Estados em menos de uma hora e, começamos a descer em direção ao Alto dos Ivos, antes dos outros grupos. Vários trechos de trepa-pedra até o cume , seguido de extensa descida até a fazenda onde termina a travessia. Nos deparamos com uma cobra na descida, tiramos umas fotos dela e depois a lançamos no meio do mato, para os outros grupos não terem problemas. Dúvidas na última bifurcação. Seguimos à esquerda. E, quando finalmente chegamos à fazenda (final da travessia), já destruídos, ainda faltava caminhar por uns 3km até a rodovia, onde a caminhonete nos esperava para fazer o resgate. No caminho, observamos a Pedra do Picú, que se destacava da serra à frente, como uma barbatana de tubarão e, descemos pensando voltar, em breve, para escalá-la. Chegamos bem graças a Deus. Mais uma travessia e mais uma oportunidade de reconhecer o quanto somos insignificantes diante da imensidão de montanhas por onde passamos.


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TÉCNICA

Comunicado Femerj 01/2011 — Março/2011 http://www.femerj.org/destaques/Protecao_inox_vias_escalada.htm PROTEÇÃO DE INOX EM VIAS DE ESCALADA

1. A FEMERJ constituiu o Grupo de Trabalho (GT Inox) para analisar detalhadamente a questão de utilização de proteções fixas (grampos e chapeletas) em inox em vias de escalada em função do recente acidente ocasionado pela quebra de um grampo de aço inox nas falésias de Barra de Guaratiba (RJ) e dos resultados iniciais de um estudo desenvolvido pela UIAA e Petzl com chapas em aços inox fixadas próximas a ambiente marinho, que mostrou que 10 a 20% dessas proteções podem falhar com força aplicada entre 1 a 5 KN, enquanto que o padrão da UIAA para proteções fixas é de 22 KN. Destaca-se que algumas dessas proteções não apresentavam trincas visíveis e romperam tendo apenas o peso de um escalador. Veja o que diz a UIAA 2. Os trabalhos do GT Inox se concentrarão nos seguintes pontos: Comportamento do aço inox como material de proteções fixas em vias de escalada, observando: (i) a dificuldade de avaliação do estado de corrosão das proteções em inox, situação particularmente critica nas vias localizadas a beira-mar; e (ii) o processo de soldagem na fabricação de grampos inox, que pode influir significativamente na redução da sua resistência; b. Levantamento das vias equipadas por proteções em inox; c. Estudo das alternativas disponíveis à proteção de inox para os locais próximos a ambientes marinhos, onde foram registradas as ocorrências de rupturas das proteções em inox. Alguns locais com essa característica são listados a seguir: - Barra de Guaratiba, Urca (Pão de Açúcar, Morro da Urca, Morro da Babilônia, falésias e blocos), Ilhas costeiras do Rio de Janeiro, Falésias da Niemeyer e do Vidigal, Falésia do Pepino, Falésias e blocos da Joatinga, Morro do Leme, Morro do Urubu e Parque Estadual da Serra da Tiririca.

os demais locais com vias diretamente expostas aos efeitos diretos da maresia. 3. Atualmente, o GT Inox já está analisando o grampo que sofreu ruptura em Guaratiba. 4. Com o avanço dos trabalhos do GT Inox estaremos divulgando outros comunicados sobre o assunto. 5. Lembramos que, em última análise, o próprio escalador é o responsável por suas decisões e ações relativas à avaliação da qualidade e do estado de integridade das proteções fixas. 6. Para titulo desse informe, a FEMERJ considera vias à beira-mar aquelas que estão expostas diretamente ao efeito da água do mar, como as vias em falésias, praias e ilhas costeiras, podendo inclusive receber respingos e ondas no seu trajeto. 7. Encorajamos a participação dos escaladores no GT Inox através do envio de informações e sugestões sobre o referido assunto através do info@femerj.org Diretoria da FEMERJ

a.

Lembrando, porém, que a relação acima é preliminar, à qual pode ser ajustada e devem ser considerados todos

REUNIÕES SOCIAIS

As reuniões sociais do CNM são realizadas sempre na primeira quinta-feira de cada mês ímpar e na primeira quarta-feira de cada mês par, às 19:30h, na Churrasqueira Branca do Condomínio Solar do Barão, na Av. Prof. João Brasil, 150 – Fonseca– Niterói. Os encontros acontecem em clima de total descontração e informalidade, quando os sócios e amigos do CNM aproveitam para colocar a conversa em dia, trocando experiências, relatando excursões e vivências ou, simplesmente, desfrutando a companhia de gente simpática e fraterna. Periodicamente acontecem reuniões e seminários técnicos com o intuito de possibilitar miores detalhes e informações atualizadas aos sócios e interessados. Informem-se sobre os temas das palestras técnicas e reuniões acessando o site http://www.niteroiense.org.br. Compareçam e sejam muito bem vindos!!!


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SAÚDE

Devemos nos alongar?! Por Alessandra Neves

Não é incomum observarmos, na prática de qualquer esporte, tradicionais rotinas de alongamento durante o aquecimento. Sabe-se que antes do exercício, o alongamento aumenta a flexibilidade musculo-tendínea, mas ao contrário do que se imagina, publicações científicas recentes têm questionado o alongamento pré- exercício como fundamental para reduzir a dor muscular de início tardio e/ou evitar lesões. São várias as técnicas de alongamento, todas com o mesmo objetivo. Importa saber, no entanto que, ao optarmos pelo alongamento estático, sua duração deverá ser de 15- 30s, para que seja eficaz. Dentro de um alinhamento biomecânico satisfatório e mantendo alongados apenas os grupos específicos, pode se obter melhora, ainda que temporária, da flexibilidade, após uma única sessão de alongamento. Se o objetivo for melhorar a flexibilidade, gradativamente, semana após semana, então os esquemas de alongamento precisarão ser realizados regularmente, 3-5 dias por semana, independente de se realizar ou não a atividade física. Mas quais seriam os efeitos do alongamento na força muscular? Alguns estudos afimam que antes do exercício, o aumento da flexibilidade pode causar um déficit temporário de força, indesejado em alguns esportes. Relaciona-se pois, menor flexibilidade com economia de energia, no caminhar e correr, por exemplo. Restrições a alongamentos das articulações críticas, antes dos exercícios também são feitas nos esportes em que a estabillidade articular é absolutamente necessária. Entretanto, cabe dizer que, a maior parte dos estudos que correlacionam flexibilidade e força, apresentam limitações metodológicas e/ou dados inconsistentes. Logo, ainda é prematuro contra indicar de forma absoluta o alongamento antes do exercício, especificamente nesses esportes.

O que se pode afirmar com certeza é que o alongamento regular, realizado inclusive fora do contexto de atividades é altamente benéfico, sendo capaz de melhorar tanto a força, quanto o desempenho, em quaisquer atividades. E que, o nível de preparo aeróbico, mais do que as rotinas de alongamento estático, é fator imperativo na diminuição dos riscos de lesão associadas ao esporte. As evidências científicas parecem ainda fracas para corroborar o benefício do alongamento antes dos exercícios, mas seria este o motivo para tantos esportistas continuarem a manter a rotina de alongamentos tão rígidas? Acredita-se que a ciência, através de estudos randomizados e controlados venha ajudar a esclarecer o papel do alongamento, ainda bastante controverso. Mas até que a contribuição específica do alongamento pré e pós atividades seja elucidada, cabe-nos uma abordagem mais prática e claro, a tomada da decisão, de incluir, ou não, o alongamento nesse esquema. Se optarmos pelo alongamento, cautela! Especialmente se for realizado antes dos exercícios, pois a musculatura “não aquecida” possui mais riscos de sofrer lesão, pelo próprio alongamento. Repita-o 3x em cada grupamento muscular, sentindo o “repuxamento” — nunca a dor – e, tentando obedecer o tempo de duração mínima, para que realmente seja eficaz. E por último, conscientes de que a condição cardiovascular e os exercícios de aquecimento podem melhorar seu desempenho e diminur risco de lesões, não deixe de enfatizá-los, associando-os ou não a sua rotina de alongamentos. Enfim, devemos ou não devemos nos alongar antes das práticas de montanha? A DECISÃO É SUA!

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DESTAQUE

Recomendações Gerais do Código de Ética de Niterói Em 21/10/2006, ocorreu o 1º Encontro Niteroiense de Escalada, onde juntos, FEMERJ, CNM e escaladores independentes, aprovaram as seguintes recomendações gerais do Código de Ética de Niterói: 1) Durante a escalada ou rapel faça o possível para reduzir os danos sobre a vegetação. Quando existir esta opção, escolha sempre a descida pela caminhada, pois o rapel é bastante impactante. Se após uma ascensão, o rapel for inevitável, procure não realizá-lo emendando duas cordas, caso exista esta opção. Opte sempre pela descida menos impactante. 2) Evite a colocação de grampos em cumes acessados por caminhadas, evitando assim a prática exclusiva de rapel (prática extremamente danosa à vegetação de paredes). 3) O esforço exigido pela colocação de proteção fixa de forma tradicional (talhadeira e marreta), em geral, leva a uma maior reflexão da validade e da qualidade da rota escolhida. Privilegie esta forma de conquista. Pelos mesmos motivos, não conquiste com corda de cima, especialmente em vias não esportivas. 4) Na base, evite se arrumar ou se aglomerar para a escalada em platôs de vegetação. Da mesma forma, não utilize a vegetação como apoio, proteção natural ou ancoragem. 5) Utilize as trilhas existentes, não abra ou utilize atalhos. Contribua para a manutenção das trilhas existentes. No caso da necessidade de abertura de uma nova trilha, entre em contato com o Clube Niteroiense de Montanhismo. 6) Destaca-se que o compromisso com o baixo impacto de uma via conquistada não se refere somente ao ato da conquista, que deve ser feita em linhas sem vegetação. Neste sentido, as conseqüências das repetições e das descidas futuras também devem ser pensadas. Por exemplo: se numa parede com vegetação, deixarmos uma via bem equipada, com possibilidade de rapel, e ainda juntarmos a facilidade de acesso, temos que pensar que as repetições serão muitas, bem como as descidas pela via. Assim, pouco vai sobrar daquele cuidado inicial de não remover a vegetação durante a conquista. 7) Ao pensar em realizar uma conquista explore o potencial oferecido pelas vias já existentes no setor (escale!). Conheça um pouco da história dessas vias (informe-se nos guias já publicados para área ou com escaladores locais mais experientes). Isto pode evitar que se cometam alguns equívocos como: abertura de variantes de variantes, rotas muito próximas ou atravessando (e por vezes intermediando) vias clássicas, etc. 8) Não promova e nem participe de escaladas com um grande grupo de pessoas (um grupo de oito pessoas já é suficientemente grande para uma escalada). Estas excursões causam grande impacto nas trilhas e nas vias. Aprecie o as-

pecto reflexivo e contemplativo da escalada, que só são possíveis longe da multidão. A parede não é o melhor lugar para festas, deixa as comemorações para locais mais apropriados que vias de escalada. 9) Lembre-se que se o objetivo é o mínimo impacto, restrinja ao estritamente essencial sua passagem na parede. Não coloque grampos exageradamente (estes são a última opção de proteção, não os transforme na única opção), privilegie as proteções móveis não grampeando fendas. Não bata grampo ou chapeletas em boulders. Não coloque agarras artificiais, bem como não quebre ou cave agarras na rocha. Não faça pinturas, pichações ou outras marcações na parede. Leve todo o seu lixo para casa. 10) Certos locais apresentam indícios de que não comportam mais vias sem que ocorra um dos seguintes casos: vias coladas umas nas outras ou muita vegetação destruída. Estas situações não acrescentam nada de positivo para a história da escalada em Niterói. 11) Dê preferência às proteções fixas em inox em áreas que sofram influência de maresia. (Ver matéria da pág. 6) 12) Utilize sempre chapeletas e fixadores de material idêntico. Materiais metálicos diferentes, quando em contato, causam uma diferença de potencial eletroquímico, o que acelera consideravelmente a corrosão. O mesmo vale para os grampos e palhetas. EXPEDIENTE

CNM - CLUBE NITEROIENSE DE MONTANHISMO Início das Atividades em 26 de Março de 2003 Fundado em 20 de Novembro de 2004 Website: www.niteroiense.org.br e-mail: cnm@niteroiense.org.br Contato: 8621-5631(Alex Figueiredo) Diretoria Presidente: Alex Figueiredo Vice Presidente: Eny Hertz Diretor Técnico: Luis Andrade Diretor de Meio-Ambiente: Ary Cardoso Conselho Fiscal: Alan Marra, Adriano Paz, Neuza Ebecken Tesouraria: Leandro Collares Informativo Nº 17 As matérias aqui publicadas não representam necessariamente a posição oficial do Clube Niteroiense de Montanhismo. Ressaltamos que o boletim é um espaço aberto a todos aqueles que queiram contribuir. Envie sua matéria para cnm@niteroiense.org.br.


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