Cinema brasileiro e censura a repressão na ditadura militar

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Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza

Cinema brasileiro e censura: a repressão na ditadura militar Coletivo Blog Sobpressão Classificado dá Notícia

Inf ormação Publicado às 1 de abril de 2014 por blogdolabjor em Geral e marcado 50 anos de Ditadura, Cao Hamburger, Cena de 'Terra Em Transe', Cinema Brasileiro, ditadura, Glauber Rocha, O Bandido da Luz Vermelha, Rio 40 graus, Sérgio Rezende.

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Cena do filme ‘O Passageiro da Agonia’.

Quando em 31 de março de 1964 o reg ime ditatorial foi instalado no Brasil, o cinema brasileiro vivia o seu aug e. O O Pagador Pagador de de Promessas Promessas (Anselmo (Anselmo Duarte) Duarte) havia g anhado, em 1962, categ oria de melhor filme no Festival de Cannes; Deus Deus ee oo Diabo Diabo na na Terra Terra do do Sol Sol (Glauber (Glauber Roc Rocha), ha) Vidas Vidas Secas Secas (Nelson (Nelson Pereira Pereira dos dos Santos) também participaram do festival francês, enquanto O s fuzis (Ruy Guerra) foi Santos) O s fuzis premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim. Esse reconhecimento internacional foi resultado de um movimento artístico iniciado no fim da década de 1950, o Cinema Novo. Inspirado por vang uardas cinematog ráficas como a Nouvelle Vag ue e o Neo-realismo italiano, o Cinema Novo era constituído por artistas de esquerda, eng ajados politicamente. “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” era o seu lema. O O ccontexto ontexto

Cena do filme ‘Rio, 40 graus’.

Durante a década de 1950, o Brasil passava por um momento de rápida industrialização, com a política nacionalista-desenvolvimentista do então presidente da república Juscelino Kubitschek. Os “50 anos em 5” tiveram g randes reflexos positivos na arte e cultura nacional, especialmente no cinema. Os cinemanovistas buscavam retratar a identidade brasileira em temáticas de cunho essencialmente social, como a precariedade vivida pelo sertanejo, o cotidiano das pessoas nas favelas, a miséria e a fome. Princ Principais ipais obras obras do do Cinema Cinema Novo Novo Rio, 40 graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos Barravento (1961), de Glauber Rocha Os Cafajestes (1961), de Ruy Guerra


Cinco Cinco vezes vezes favela favela (1961), (1961) filme dividido em cinco episódios de diretores diferentes: O favelado, de Marcos Farias; Z é da Cachorra, de Mig uel Borg es; Couro de g ato, de Joaquim Pedro de Andrade; Escola de samba, aleg ria de viver, de Cacá Dieg ues; Pedreira de São Diog o, de Leon Hirszman. Assalto ao trem pagador (1962), de Roberto Farias. O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte. Deus e o diabo na terra do sol (1963), de Glauber Rocha. Os fuzis (1963), de Ruy Guerra. Selva Trágica (1964), de Roberto Farias. Vidas Secas (1964), de Nelson Pereira dos Santos. Após o g olpe de 1964, os cineastas e suas obras sofreram perseg uições, pois, ao abordar temáticas de crítica e denúncia social, a maioria dos filmes foi submetido à censura. Naquele momento, a esperança de um país mais justo socialmente foi enfraquecida e, mais do que isso, destoava do novo g overno a visão de mundo daqueles artistas, baseada na vitória do oprimido sobre os opressores, que seus filmes buscavam reproduzir. “Com o g olpe, o Cinema Novo apresenta-se em um novo ciclo. Narrativas mais elaboradas e menos didáticas começaram a surg ir para, também, dissimular a censura. No entanto, a característica do eng ajamento permanecia presente, como foi com T erra em T ranse, de Glauber Rocha”, explica Glauber Filho, cineasta e professor dos cursos de Jornalismo e Audiovisual.

Cena Cena de de ‘T ‘Terra erra Em Em T Transe’. ranse’.

Filmes Filmes produzidos produzidos durante durante oo reg regime ime militar militar ccom om aa temátic temáticaa da da ditadura ditadura

O desafio (1965), de Paulo César Saraceni. A derrota (1967), de Mario Fiorani. Terra em transe (1967), de Glauber Rocha. O bravo guerreiro (1968), de Gustavo Dahl. Eles não usam black-tie (1981), de Leon Hirszman. Pra frente, Brasil (1982), de Roberto Farias. Nunca fomos tão felizes (1984), de Murilo Salles. A partir de então, cineastas fizeram a ditadura militar ser a temática principal para seus filmes, o que intensificou a censura sobre eles, principalmente após o decreto do Ato Institucional Nº 5, em 1968. O cinema, portanto, encontrava-se em g randes dificuldades para continuar mantendo o seu padrão de crítica social e passou a fazê-la de modo implícito. Exemplo disso são filmes como Brasil Ano 2000 (1968), de Walter Lima Jr e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, obras que fazem referências ao g overno vig ente na época. Porém, o que a censura de cunho político não podia repreender, a de cunho moralista o


fazia. A A falec falecida ida (1965), de Leon Hirszman, fora censurado por apreciação moral, pois continha cenas de ‘infidelidade feminina’; enquanto Deus Deus ee oo diabo diabo na na terra terra do do sol sol foi considerado inapropriado para menos de 18 anos, por conter cenas de violência e ‘lesbianismo’. Seg undo Glauber Filho, “os olhos da Censura políticas fixavam mais o Cinema Novo, enquanto os moralistas ocupavam seu tempo com o Cinema Marg inal”. Cinema Cinema Marg Marginal inal

O Bandido da Luz Vermelha (1968).

No final dos anos 60, com suas obras sendo frequentemente interditadas e seus artistas levados ao exílio, como Glauber Rocha, o cinema brasileiro encontrava-se em um momento frenético de transformações. Em 1969 é fundada a Embrafilme, Embrafilme o que ocasiona a transformação paulatina da produção autoral do cinema novo em uma indústria cinematog ráfica, uma vez que os filmes não encontravam produtores e dependiam do mesmo g overno que os censurava. Alg uns diretores aceitaram esse patrocínio da própria ditadura para a produção de seus filmes, pois acreditavam que era uma forma de dar continuidade ao diálog o com a população por meio da arte. Enquanto isso, um g rupo de cineastas contrários a essa ideia propunha o radicalismo extremo e a produção de filmes feita de forma alternativa. Isso foi possível g raças à difusão das câmeras super-oito no início da década de 1970, utilizada pelos artistas do chamado Cinema Marg inal, que permitia a realização de novas obras de forma rápida e a baixos custos. “O “O Cinema Cinema Novo Novo era era mais mais intelec intelectualizado tualizado ee perc percebia ebia os os personag personagens ens soc sociais iais ‘c ‘comuns’ omuns’ numa numa visão visão vertic verticalizada alizada do do intelec intelectual tual sobre sobre seu seu objeto: objeto: oo oprimido. oprimido. O O Cinema Cinema Marg Marginal, inal, mais mais popular, popular, oo ‘oprimido’ ‘oprimido’ não não tinha tinha oo disc discurso urso do do ‘oprimido’. ‘oprimido’. Ele Ele se se protag protagonizava. onizava. Eles Eles se se uniam uniam justamente justamente no no que que oo disc discurso urso heg hegemônic emônicoo da da ditadura ditadura esc escondia: ondia: aa soc sociedade iedade ee suas suas ccomplexidades omplexidades de de relaç relações ões ee personag personagens”, ens” afirma o diretor de cinema Glauber Filho. Princ Principais ipais obras obras do do Cinema Cinema Marg Marginal inal A Margem (1967), de Ozualdo Candeias. O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rog ério Sg anzerla Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), Julio Bressane. Orgia ou O Homem que Deu Cria (1970), de João Silvério T revisan Perdidos e Malditos (1970), de Geraldo Veloso O uso democrático da câmera super-oito e a produção alternativa dessas obras foi de extrema colaboração para a ampliação de

técnicas de

filmag em e

para o

experimentalismo no cinema brasileiro. Porém, após essa fase e o surg imento de novas tecnolog ias, a super-oito tornou-se obsoleta. O O Cinema Cinema na na Retomada Retomada ee Pós-Retomada Pós-Retomada Em 1992,, entra em vig or a Lei Lei do do Audiovisual. Audiovisual A partir de então, novos recursos e incentivos à produção de obras cinematog ráficas conseg uem levar o cinema brasileiro de volta ao reconhecimento internacional. No ano de 1997, as Org anizações Globo inaug uram sua própria produtora, a Globo Filmes, o que intensifica o lançamento de novas películas brasileiras. A temática de alg umas dessas produções é inspirada na abordag em dos cinemanovistas, como o reg istro do cidadão brasileiro na favela, a exemplo de


Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, Carandiru (2003), de Hector Babenco e T ropa de Elite (2007), de José Padilha. Muitos filmes desse momento também retratam cenas do que aconteceu no Brasil durante a ditadura militar. O O que que éé isso, isso, companheiro? (1997), companheiro? (1997) de Bruno Barreto

Ação Ação Entre Entre Amigos (1998), Amigos (1998) de Beto Brant

O O Ano Ano em em que que Meus Meus Pais Pais Saíram Saíram de de Férias (2006), Férias (2006) de Cao Hamburg er

Zuzu Zuzu Angel (2006), Angel (2006) de Sérg io Rezende


Batismo Ratton Batismo de de Sangue Sangue (2007), Helvécio (2007)

Hoje Hoje (2011), (2011) T ata Amaral

Tatuagem (2013), Tatuagem (2013) de Hilton Lacerda


Texto: Milena Santiago Ab o u t th e s e a d s

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