guardian.co.uk Edition 03. September, 19 - 2015 - Published in London and Manchester
UNICEF
OMI
Projeto de proteção a crianças e adolescentes refugiados em zonas de conflito apresenta falhas. P. 04.
Fiscalização da Liga dos Estados do Mar Meridional da China é aprovada em resolução. P. 04.
Primeiro-ministro Winston Churchill define prioridades de Gabinete
Foto: Gustavo Linhares.
LEA
UNODC
CORTE
Projeto de resolução é aprovado e busca a inclusão digital voltada para o âmbito educacional. P. 02.
Apesar de opiniões desarmônicas no Comitê, dois projetos são aprovados acerca da discussão sobre diversidade sexual. P. 04.
Réporter do The Guardian acompanha julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém. P 03.
PRONUNCIAMENTO DOS EUA
As ações dos Estados Americanos para garantir a liberdade digital árabe. P. 04.
Edition 03. September, 19 - 2015 - Published in London and Manchester - The Guardian - P. 02
LEA |
Discussão sobre inclusão digital chega a um acordo
Parceiros
Entre 16 países-membros, Tunísia foi o único a votar contra a proposta. Suzana Mesquita Enviada ao Cairo
Delegação da Tunísia considera inviável taxação apresentada na proposta. Foto: Gustavo Linhares.
Na última sexta-feira (18), na cidade do Cairo, a Liga dos Estados Árabes concluiu o debate sobre inclusão digital e a função da internet no mundo árabe. O projeto de resolução número 2, que foi aprovado, busca a inclusão digital voltada para o âmbito educacional, com intercâmbios em universidades, aulas de informática em escolas e implantação de projetos de extensão sobre tecnologias. Foi fomentado o auxílio mútuo entre os países, com
incentivo ao apoio de multinacionais, onde cada país decidiria individualmente a porcentagem do lucro a ser dividida (entre 12% e 40%). Entre os participantes, a Tunísia foi o único país que votou contra o projeto, o que já era esperado, tendo em vista as declarações feitas pelos delegados ao longo das sessões. Durante a reunião da manhã, o delegado Renato Tartuce chegou a afirmar que, mesmo se a proposta fosse aprovada, o país não cumpriria o que
estava sendo apresentado. Em entrevista, o delegado da Tunísia justificou o voto contrário: “A nossa ideologia está defendendo a nossa corporação. O documento ajuda financeiramente os empresários do petróleo. O governo da Tunísia não apoia esse tipo de favorecimento econômico para uma parte da população árabe que já é abastada. Pensando no nosso povo, nós nos posicionamos contra”, explica. Os delegados da Jordânia, um dos países signatários da proposta, lamentaram a decisão da Tunísia. Segundo o delegado João Carlos Chastinet, “a maior parte do conteúdo do projeto teve consentimento e até mesmo a ajuda de algumas opiniões do delegado da Tunísia”, pontua. Teoricamente ,as propostas apresentadas vão alcançar o objetivo que se buscava da inclusão digital. Resta saber se eles serão colocados em prática, especialmente a questão das multinacionais, fortemente criticada pelo governo tunisiano.
Realização
Expediente PRODUÇÃO: THE GUARDIAN EDITORAS-CHEFE: Andrezza Albuquerque e Milena Santiago REPÓRTERES: Marília Torres, Ruthy Oliveira e Suzana Mesquita PROJETO GRÁFICO: Milena Santiago IMPRESSÃO: Eurocópia
EDITORIAL Organização de Informação Árabe: órgão de supervisão ou estratégia para obtenção de mercado? Ilhados por opiniões contrárias à inclusão digital no mundo árabe, os Estados Unidos, em reunião com a Liga dos Estados Árabes, lançaram uma proposta ousada. A Organização de Informação Árabe (OIA) surge a partir da necessidade (enxergada pelos EUA) da existência de um órgão que supervisione a
imprensa no Oriente Médio. O documento que propõe a fundação desse órgão avisa previamente: o objetivo não é controlar a imprensa. Pelo contrário, os EUA garantem, inclusive, a liberdade de expressão individual e o livre acesso a informação. Convém salientar que a Jordânia, Iraque, Síria e Egi-
to se engajaram no projeto de criação da OIA: tudo o que os EUA precisavam. Com o apoio de alguns países árabes, uma porta facilmente se abre para o gigante americano adentrar no mundo árabe e expandir seu monopólio de comunicação e informação. As consequências são dedutíveis: numa tentativa
de pacificar e democratizar a situação social e digital do Oriente Médio, os Estados Unidos sairia com créditos de um país que viabiliza o processo de democratização da informação, com a vantagem (grande e individual) de dominar este mercado da informação no mundo Árabe.
Edition 03. September, 19 - 2015 - Published in London and Manchester - The Guardian - P. 03
Gabinete
Tropas nazistas em região da Itália são prioridade
Tendo como atual prioridade a articulação de ataques ao exército nazista em solo italiano, Gabinete do primeiro-ministro mostra-se firme na decisão de utilizar fogo em território civil.
Marília Torres Londres
1º de janeiro de 1944
O Gabinete do primeiro ministro Winston Churchill discute, em Londres, no segundo dia de reuniões, estratégias para a possibilidade de um ataque às tropas nazistas localizadas na Itália. O país recentemente se uniu aos aliados e seu território ainda se encontra parcialmente sob domínio do exército alemão. Contudo, importantes temas tais como a ameaça japonesa e os ainda presentes conflitos na união soviética vem sendo deixados de
Pela primeira vez na história, Gabinete do primeiro-ministro foi aberto para imprensa. Foto: Gustavo Linhares.
lado, apesar de ambas as pautas serem consideradas igualmente relevantes na atual conjuntura dos aliados. De acordo com o ministro britânico de produção, Oliver Lyttelton, o
Gabinete acha preferível tratar as questões por partes. A prioridade, no momento, é resolver os conflitos em território italiano, planejando ataque em área de habitação
civil. As outras problemáticas serão discutidas após a resolução da questão italiana. No que diz respeito às pessoas que vivem nas zonas de conflito, o conservador primeiro ministro inglês afirma duramente: “se eles forem nazistas, nós os mataremos”. Em relação aos civis, churchill declara que está sendo discutida a possibilidade de uma evacuação destas pessoas. O ministro afirma estar ciente de que não há possibilidade de salvar todos os inocentes, mas que esforços se voltarão para que as perdas sejam as mínimas possíveis.
opiniao
Eichmann: representação de julgamento dos anti-semitas Debates sobre crimes de guerra constituem grandes controversas. Vistos como “passados indomáveis” não apenas para seu povo, como também para a construção e formatação da história, esses crimes levantam questionamentos morais que inferem em toda a complexidade e intricamentos na modernidade sobre a conduta humana. Um desses casos é o julgamento de Adolf Eichmann. Eichmann é acusado de fazer parte de arquitetar um dos maiores genocídios do mundo, ocorrido na Alemanha e será julgado até domingo na corte de Jerusalém. Nessa sexta-feira (18), Eichmann depôs ao juri e respondeu às perguntas, comprometendo-se a colaborar com toda a investigação. “Na minha interpretação de Kant, acredito que como homem eu devo seguir as minhas premissas ideais e esses ideais envolviam
a minha profissão e minha profissão envolvia respeitar ordens”, afirmou Eichmann. Os protestos da defesa diziam que Eichmann era afinal apenas uma “pequena engrenagem” na máquina da Solução Final; já os da acusação anunciavam ter descoberto em Eichmann o verdadeiro motor da Segunda Guerra. Pode-se afirmar que a questão não é mais um ser humano particular, um único indivíduo distinto no banco dos réus, mas sim o povo alemão em geral, do anti-semitismo em todas as instâncias. Se o acusado é tomado como um símbolo e o julgamento é um pretexto para levantar questões que são aparentemente mais interessantes que a culpa ou inocência de uma pessoa, então, o que devemos esperar da Corte? Uma tomada de decisão como uma lição ou um cumprimento humanitário de lei?
Ruthy Oliveira, Repórter do The Guardian enviada a Jerusalém
Edition 03. September, 19 - 2015 - Published in London and Manchester - The Guardian - P. 04
UNICEF |
É aprovado projeto de proteção à criança em zonas de conflito
Apesar da maioria das delegações terem se posicionado a favor, a resolução apresentou falhas que tornam o projeto obsoleto. Suzana Mesquita Enviada a Nova Iorque
Na última sexta-feira (18), durante a conferência da Unicef, foi aprovada uma proposta de proteção a crianças em zonas de conflito. Acatada por unanimidade, alguns dos tópicos relacionavam-se a transferência desses indivíduos de zonas de conflitos para acampamentos da ONU junto da família. As instituições educacionais desses acampamentos devem contemplar o ensino tolerante e contrário às discriminações. A proposta é que as crianças também passem por acompa-
nhamento com psicólogo. A proposta, apesar de aprovada, possui muitas falhas. Uma delas decorre do fato de que a resolução é muito focada nos refugiados, indivíduos que, apesar de terem fundamental importância no contexto atual, não competem à Unicef, que cuida unicamente de crianças e adolescentes. Outro problema é que o tipo de iniciativa como a que foi proposta já existe, e é executada inclusive pela ONU. Essas falhas fazem com que o projeto seja visto como obsoleto por não trazer inovação.
OMI |
Sessões sobre questões do mar do sul da China são concluídas
Discussões acerca de conflitos marítimos terminam marcadas por debates pacíficos Marília Torres Os países-membros da Organização Marítima Internacional se reuniram para um segundo dia de discussões e encerram tema que debate “conflitos de soberania no mar do sul da china”. O comitê tem como objetivo analisar as disputas territoriais sobre o mar meridional da china. Alguns estados, tais como China e Vietnã, reivindicam controle da região das ilhas Spratly e Paracel. A diplomacia e decoro dos delegados foi algo a se destacar durante as sessões. Com exceção de poucos mo-
mentos de exaltação, as argumentações, mesmo duramente críticas, seguiram de forma pacífica. Com este debate morno, as delegações analisam documento que propõe um tratado da divisão das ilhas do mar do sul da China e da manutenção regional da paz. Desta maneira, ao final da sessão, foi aprovado projeto de resolução que propõe a fiscalização da Liga dos Estados do Mar Meridional da China, além da submissão dos litígios à jurisdição do tribunal internacional do direito do mar no que diz respeito as questões conflituosas.
OPINIÃO Uma visão ocidental dentro do comitê árabe Os Estados Unidos da América gostariam de pronunciar-se quanto ao que irão fazer, juntamente com nossos amigos árabes, para garantir parcialmente e, em última instância, totalmente a liberdade digital, no que se refere à internet. O governo americano está dando o máximo de si, na medida do possível, mas não podemos fazer pelos árabes aquilo que eles devem fazer por si mesmos, nem podemos tomar o lugar dos nossos parceiros árabes e decidir por eles. Nosso objetivo é claro: garantir acesso à informação e ao conhecimento a outras culturas e etnias por meio da internet. A internet é uma aproximação crucial para o aprimoramento da democracia, da transparência e da participação popular. Dentro da Liga dos Estados Árabes (LEA) já fizemos progressos significativos, mas ainda há mais trabalho por fazer. Levará tempo para erradicar um câncer como o controle do acesso ao conhecimento, a outras culturas e outras opiniões, mas continuaremos lutando pelos que querem atingir o ápice li-
bertário. Acreditamos que a LEA, apesar de em um passado recente ter sido demasiadamente fechada, durante as reuniões que participamos foi bastante flexível no que conta a garantir, pelo menos em parte, o acesso à internet. Infelizmente, durante alguns momentos, algumas delegações proferiram discursos fora de foco e com intenções de atacar o nosso país, porém cremos que, apesar disto, o debate foi engrandecedor e rendeu dois projetos de resolução que deram o primeiro passo em busca da liberdade, no que consta a internet, nos países árabes. Aqueles que disseram que era impossível, com certeza nunca tentaram caminhar ao lado dos Estados Unidos da América. Esta é a liderança americana em sua melhor forma: apoiamos os povos que lutam por sua própria liberdade, e reunimos outras nações em nome da humanidade comum. Cordialmente, Levi Carioca e Augusto Escórcio, representantes dos Estados Unidos da América.
UNODC |
Embates diretos entre países movimentam o segundo dia de debates
Ruthy Oliveira Enviada a Viena
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) finalizou nesta sexta-feira (18) dois projetos de resoluções acatando os temas debatidos nos últimos dias. Em um clima de impas-
ses, o comitê ficou dividido em alguns pontos discordantes. Rússia e Estados Árabes resistiram à flexibilização em que EUA, Reino Unido e os demais países propunham sobre as questões de descriminalização de atos e comportamentos das diversas orientações sexuais.