REVISTA # MAIO # 2016

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PROGRAMA

POVO

MAIO . 2016

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ÍN DI CE


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POETAS DO POVO 06. RAP: RITMO & POESIA 08. POESIA DO DESEJO 10. SLAM LX 12. CABEÇAS FALANTES 14. A POESIA DE RUI COSTA 16. POEMA DO MÊS 16. 5 CURIOSIDADES SOBRE POESIA

20 RESIDÊNCIA DE FADO 22. UM DIA NO MUNDO DE JOÃO SILVA 22. BIOGRAFIA INÊS HOMEM DE MELO

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GASTRONOMIA

28. IMAGINA QUE...? COM FÁBIO PAIXÃO DA SILVA 32. RECEITA: PEITO DE FRANGO RECHEADO COM ALHEIRA E QUEIJO DA ILHA 34. RECEITA: COCKTAIL ALEXANDER

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POE DO POV


ETAS

VO

A Lisboa de sempre, que reúne na mesma equação os poetas de antigamente e uma nova geração, novas culturas, novas linguagens, num espaço inesperado. É este o espírito que marca as noites de segunda no Povo, num reencontro entre a cidade, os seus habitantes e as suas palvras. Poesia do diaa-dia. Poesia de proximidade. Um encontro informal entre escritores, músicos, actores, cineastas e outros artistas, porque o poema é uma porta escancarada. Façam o favor de entrar.

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RAP: RITMO E POESIA SEG . 2 MAI Na sessão 151 dos Poetas do Povo 22H00 celebramos uma das mais contemporâneas e

intervenientes formas de expressão poética: a palavra envolvida no ritmo, a linguagem à solta que diz e cria o novo.

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POESIA DO DESEJO SEG . 9 MAI “Pode um desejo imenso”, diz-se num verso 22H00 de Camões. A poesia sempre foi e será um

dos mais perfeitos veículos para despertar, lamentar ou descrever um desejo, uma antecipação física ou espiritual. Nesta noite, o desejo manda.

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SLAM LX SEG . 16 MAI O torneio de poetry slam é já um dos grandes

22H00 momentos da programação dos Poetas do

Povo. Com a extraordinária apresentação de Filipe Homem Fonseca, os concorrentes são desafiados a dizerem os seus poemas, absolutamente originais, perante uma plateia que os irá avaliar. Emoções poéticas garantidas.

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CABEÇAS FALANTES SEG . 23 MAI Os

Talking Heads são justamente considerados um dos projectos musicais 22H00 mais inovadores da música popular. A sua estética musical e sobretudo a energia criativa de David Byrne fizeram a diferença e muitas vezes a ruptura, abrindo novos caminhos e legados. Esta noite iremos celebrá-los e a todo o mundo que os rodeia.

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A POESIA DE RUI COSTA SEG . 30 MAI “Um perfeccionista”.”Um olhar de infinito”. 22H00

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“Um poeta no sentido herbertiano, difícil, torrencial, metaforicamente rico”. Isto é apenas alguns exemplos do que se disse e diz de Rui Costa, um poeta reconhecido mas ainda pouco conhecido. Desaparecido tragicamente aos 39 anos, Rui Costa era já uma voz singular e extraordinária da poesia portuguesa contemporânea. Vamos redescobri-lo nesta sessão.


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POEMA DO MÊS

ESCOLHA DE FILIPE HOMEM FONSECA

ADVERTÊNCIA Não levem para o cosmos os humoristas sou eu quem vos avisa. Catorze planetas sem vida, alguns cometas, duas estrelas, e logo no caminho para o terceiro eles perdem o humor. O cosmos é como é - isto é, perfeito. E isso não lho perdoam os humoristas. Nada os contentará: o tempo - demasiado eterno, o belo - sem defeitos, a coragem - impossível fazer qualquer anedota. Enquanto os outros admiram, ele boceja.

Limitados. Preferem a quinta-feira ao infinito. Primitivos. À música das estrelas preferem uma fífia. Dão-se melhor na discussão entre prática e teoria, entre causa e efeito. Mas como aqui não é a Terra tudo os confunde. No trigésimo planeta (afirmando que é um perfeito deserto) recusam-se a sair da nave e doi-lhes a cabeça ou um dedo do pé. Um problema e uma vergonha destas Tantos desperdícios deitados pelo cosmos.

No caminho para a quarta estrela vai ser ainda pior. Sorrisos amarelos, perturbações do sono e falta de equilíbrio, conversas sem sentido: que é corvo com um queijo no bico, uma mosca no retrato do supremo senhor, ou um macaco a tomar banho - ora cá está uma destas!

WISLAWA SZYMBORSKA na colectânea POESIA DO MUNDO edição ALMA AZUL 17


5 CURIOSIDADES SOBRE A POESIA O Povo para além de restaurante é um bar e um local que promove a cultura. A poesia é uma das iniciativas culturais que o Povo luta por promover e tem corrido bem até agora, e já lá vão 3 anos a fazerem-se sessões de declamação de poesia. Todas as noites de segunda-feira são dedicadas à poesia, e vários convidados, ou mesmo meros espectadores comuns, sobem ao palco do Povo e declamam alguns poemas. Por isso trazemos-vos este mês 5 curiosidades sobre esta bela arte. Sabia que existe o dia mundial da Poesia? Este celebrase a dia 21 de Março, e foi estabelecido pela Unesco em 1999. Sabia que os poemas mais antigo são de 2300 a.C.? A autora desses poemas seria a pricensa do Império do Grande Reino da Mesopotâmia. Sabia que o poema com um dos títulos mais longos de sempre é russo? Pertence a Gavriíl Románovich Derzhávin. Sabia que Pablo Neruda só conseguiu publicar o seu primeiro livro após vender todos os seus bens para ter meio de financiamento? Hoje em dia é um dos maiores poetas de sempre. Sabia que Fernando Pessoa foi criado na África do Sul? O inglês era a sua segunda língua.

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INÊS HOMEM DE MELO: FADISTA RESIDENTE MAIO A JULHO 2016 20


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UM DIA NO MUNDO O Povo é conhecido não só por ser um restaurante, como também pelas suas noites de Fado. Existem quatro noites por semana dedicadas ao nosso património nacional, o Fado. As terças geralmente são totalmente reservadas à fadista residente e estão dividas em três partes. Já às quartas e quintas a fadista residente é acompanhada, seja por um ex-fadista residente ou por um músico convidado adicional que toca sempre um instrumento diferente. As quartas e quintas são também elas divididas em três partes. Aos domingos a festa prolonga-se e a fadista residente e os respectivos músicos fazem a noite de quatro partes. Não só os nossos músicos tocam ou cantam no Povo, como também em outros locais. É o caso de João Silva. Para perceber como corre lá fora, fomos então acompanhar um serão de João Silva à Adega dos Machados. Lá, o músico não só toca como canta e o serão é seguido e dura cerca de uma hora e pouco. Após o serão, estivemos à conversa com o fadista sobre várias coisas, entre elas, no que consiste este projeto da Adega dos Machados e não só. Fica abaixo na íntegra a pequena conversa resultante do acompanhamento do nosso músico, que resultou num bom final de tarde de Fado. Como é que nasceu o teu interesse pelo fado? O meu interesse pelo fado nasceu mesmo antes de eu nascer. O meu Pai tocava guitarra Portuguesa, o seu irmão e meu Tio cantava (e canta) fado, portanto é algo que já vem das minhas raízes. As minhas primeiras memórias musicais pertencem ao Fado. Muito cedo comecei a aprender a tocar viola (aos 6 anos), o meu irmão mais tarde iniciou-se na Guitarra Portuguesa e desde então, com Pai e Irmão na mesma casa, intrinsecamente ligados ao Fado, rodeado de família e amigos amantes de fado, nunca mais me pude separar desta paixão. Para além de tocares no Povo, o que mais costumas de fazer no campo do fado? Neste momento toco diariamente na Adega Machado, uma das mais conceituadas casas de fado do País, num projecto intitulado “Fado Inside the Box” em que apresentamos, durante a tarde, um espectáculo intimista e interactivo aos turistas que visitam Lisboa. Está a ser uma experiência muito enriquecedora quer a nível profissional, quer a nível pessoal, quer a nível cultural. Participo também em alguns projectos, dos quais saliento o Disco “Semente” do meu Irmão Ricardo Silva – guitarra portuguesa – e o projecto “Identidade F”, um espectáculo de Fado e Flamenco. Ambos têm tido uma recepção fantástica por parte do público. Para além disso vou acompanhando diversos fadistas realizando vários concertos como viola de fado. Fala-me um bocado das tuas inspirações a nível musical. O meu Pai, antes de se dedicar unicamente à Guitarra Portuguesa, tinha um grupo de baile, pelo que cresci a ouvir a (boa) música que se fazia nos anos 70, 80 e 90. Estas são as minhas primeiras influências, que mais tarde me levaram a explorar géneros musicais como a Bossa Nova ou o rock a partir dos anos 60. Ouvi muita música Brasileira, bem como Pink Floyd, Queen ou Guns’n’roses. No entanto as minhas maiores referências são autores portugueses como Fausto Bordalo Dias ou Jorge Palma. Também a música erudita teve uma grande influência pois fiz o conservatório de guitarra clássica e um curso de composição. No entanto, o fado foi e continua a ser o estilo musical que mais ouço e que maior influência detém nas minhas inspirações musicais. 22


O DE JOÃO SILVA Porquê que escolheste a guitarra como o teu instrumento? Aconteceu. O meu Pai adquiriu uma guitarra de tamanho indicado para crianças, quando eu tinha cerca de 6 anos. A partir daí comecei a tocar e acabei por assumir a guitarra como o meu Instrumento. Dá-me a tua opinião sobre o estado do fado em Portugal. O Fado está vivo e recomenda-se. Quando cheguei a Lisboa, há cerca de dois anos e meio, fascinou-me imenso a quantidade de gente ligada ao Fado. Principalmente novos músicos com muita qualidade, e pertencentes a uma faixa etária relativamente baixa. Isso faz acreditar que o futuro do Fado está assegurado e que o Fado se irá assumir cada vez mais como um estilo muito forte quer a nível nacional quer a nível mundial. A prova disso é a quantidade de espectáculos que têm percorrido o país e o mundo, bem como a quantidade cada vez maior de turistas que procuram as casas e os espaços de fado. Perante isto, considero que o Fado em Portugal, e não só, está de boa saúde. Qual a melhor coisa que te poderia acontecer enquanto fadista? Neste momento sinto-me bastante realizado enquanto fadista. A minha actividade centra-se unicamente em tocar viola de fado (algo que há três anos atrás julgava ser difícil de acontecer) e faço-o diariamente, sendo esta a minha profissão. Mas também o meu hobby. Pelo que profissional e artisticamente me sinto bastante feliz. O que me poderia acontecer? Ver os projectos em que participo ganharem uma maior projecção e, claro, eu próprio poder atingir essa projecção. Falo ao nível dos grandes palcos, das salas de concerto, dos artistas de renome. É óbvio que já vou tocando em alguns destes locais com alguns destes artistas, por isso não vivo (muito) preocupado com isso. Mas tenho noção que ainda posso crescer muito dentro do fado e trabalho diariamente para isso. As coisas estão a acontecer pelo que espero continuar neste caminho.

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BIOGRAFIA INÊS HOMEM DE MELO Inês Homem de Melo nasce a 22 de Dezembro de 1991 no Hospital de São João no Porto, o mesmo onde em 2015 termina o curso de Medicina. Desde pequena que vive cantarolando melodias e, aos 9 anos, integra o Coro infantil do Círculo Portuense de Ópera. Com 16 anos inicia o estudo de canto lírico no Conservatório de música do Porto, sob a tutela da soprano Cecília Fontes. Findo este ciclo e fascinada pela linguagem do jazz vocal, decide aventurar-se neste universo musical, guiada pelo mestre Kiko Pereira, ainda no Conservatório. Em 2008, vai com a avó Rosa ao cinema ver “Amália, o filme”. Não sabia ainda o que era o fado, mas apaixona-se (à primeira vista) pela diva, pelas suas canções e pela sua história. Começa então a devorar álbuns de fado e a frequentar o circuito do fado no Porto. Em 2016 escolhe a cidade de Lisboa para exercer medicina pela primeira vez na vida. Vem atrás dos ares da capital, da portugalidade que nela se respira e da sua canção. Uma cidade que tem o fado nas veias - palco perfeito para se estrear como médica e como fadista.

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GAS TRO NO MIA


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Imagina que…? Com Fábio Paixão da Silva

Este mês propusemos um desafio ao chef do Povo, Fábio Paixão da Silva, que consistia em imaginar que podia criar a tua rede de restaurantes pelo mundo. Como seria a rede (o que constaria na ementa, tipo de comida, como decoravas, etc)? E que países é que teriam a honra de ter um restaurante da rede do nosso chef? Fica a resposta. Fábio Paixão da Silva responde: “Se tivesse a possibilidade de criar uma rede mundial de restaurantes seriam, sem dúvida, restaurantes de cozinha tradicional Portuguesa. Teria na ementa os sabores da nossa cozinha, o nosso peixe, o nosso frango assado, os nossos arrozes... por aí. A decoração gostaria que tivesse traços de arte contemporânea Portuguesa… Que se sentisse Portugal, sem que seja “azeiteiro” demais. Sendo uma rede qualquer local do mundo poderia ter um restaurante destes. Mas gostava entrar e dominar no mercado americano.”

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O Povo é um restaurante/bar lisboeta que pretende reunir o conceito de tasca portuguesa, aliando o conceito a um contexto mais urbano. Aqui combinam-se pratos de comida tradicional portuguesa com um toque de inovação, que se deixam acompanhar por sessões culturais. O Povo dispõe ainda de um serviço de bar. Para além de tudo isto, o Povo promove cultura. O Fado é uma das apostas do Povo. O objetivo do Povo é promover e ajudar novos artistas que pretendem vincar neste mercado do Fado português. E claro, proporcionar boas noites de fado a quem visite o local. De três em três meses o Fado do Povo muda de cara. Durante os três meses em que o fadista fica pelo Povo, aprende e desenvolve o seu repertório sendo que no fim todos têm a oportunidade de gravar um disco. A nossa residente mudou de cara. Inês Homem de Melo é o nome que fará você deslocar-se até ao Povo para uma boa de noite de Fado. Para além de existir a fadista residente, existem sempre convidados que dinamizam as noites e antigos fadistas residentes que voltam para nos cantar belos fados. Pode-se então afirmar que a variedade é uma constante no Povo, e que nunca se peca pela repetição. Se quer assistir a um belo serão de Fado, apareça em qualquer dia da semana, menos segunda. Segunda não há Fado, só poesia. Fora isso, às terças, quartas, quintas e domingos existem noites de Fado das 21:30h às 23:30h e sextas e sábados das 20h às 22h. Prometemos diversão e muita alegria, apareça.

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RECEITA

PEITO DE FRANGO RECHEADO COM ALHEIRA E QUEIJO DA ILHA Para 4 pessoas: 4 peitos de frango 1 alheira 50 gr de amendoa laminada 100 gr de queijo da ilha q.b de sal q.b de pimenta q.b de azeite 2 dentes de alho com casca 1 ramo de alecrim

Confecção: .Faça uma pasta no robot de cozinha com a alheira, o queijo e a amendoa. .Limpe os peitos de frango e faça um corte da lateral, recheie o interior com a pasta. .Tempere com sal e pimenta, coloque num pirex e regue com azeite. coloque por cima os dentes de alho esmagados e o tomilho. .Leve ao forno 20 min a 200 graus. .Deixe descansar por 10min antes de servir com arroz a seu gosto.

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BEBIDA

COCKTAIL ALEXANDER INGREDIENTES: 7,5cl de conhaque 5cl de creme de cacau 5cl de natas Noz-moscada

Confecção: Agitar todos os ingredientes no shaker com gelo, coar e servir polvilhado com noz moscada.

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