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Edição Especial

NeoMondo

www.neomondo.org.br

um olhar consciente

Ano 3 - Nº 23 - Junho 2009 - Distribuição Gratuita

Dia mundial do

Meio Ambiente Agenda Criança

Podemos Sim,

Prioridade na Amazônia

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Habitante Consciente

Produzir Água!

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Em construções convencionais


Dê alimentos orgânicos para seus filhos. Seus netos agradecem.

Para manter o corpo em equilíbrio e a saúde em dia é fundamental uma alimentação saudável. Por isso, você precisa conhecer melhor os alimentos orgânicos. São frutas, hortaliças, grãos, laticínios e carnes produzidos com respeito ao meio ambiente e sem utilizar substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores. O resultado são produtos de melhor qualidade, mais nutritivos, que certamente trarão mais saúde para a sua família e para todo o planeta. 2 Neo Mondo - Maio 2008


Neo Mondo - Maio 2008

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Seções FLORESTAS 10 Os conflitos do desenvolvimento da Amazônia Pesquisa aponta que bioindústrias atuam com bases sustentáveis.

18 A criança na agenda Amazônica Um esforço para incluir a criança na pauta de prioridades.

Biopirataria esbarra na falta de um marco legal Crime causa prejuízos morais e econômicos ao país.

22 Registrar para preservar Alguns animais que compõem a fauna Amazônica sob o olhar de Paula Lyn.

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14 24 Raio X da Amazônia Conheça os principais indicadores da região.

Mata Atlântica - O que restou do paraíso É preciso cuidar dos 7% restantes de um dos mais ricos biomas do Planeta.

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Água

30 Reserva particular do patrimônio natural Sesc pantanal concilia desenvolvimento e preservação ambiental.

A água nossa de cada dia Conheça o caminho que a água percorre até chegar às torneiras.

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Soluções Ambientais O que é feito com a água servida?

40 Podemos sim, produzir água! Facilitando a reposição das águas nos aquíferos e preservando as florestas.

44 Desafios pela frente Não basta ensinar a pescar; é preciso cultivar o peixe.

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51 Amazônia em pleno mar Brasil busca ampliação de seus limites marítimos.

Nova e promissora fronteira Supercomputador integra a estratégia de exploração da Petrobras.

54 O valor da água no semi-árido do Brasil No país das águas, milhões convivem com a escassez.

Aquecimento global Impactos do aquecimento global na economia Pesquisa irá revelar as principais alterações que podem ocorrer nos agronegócios com o aumento da temperatura global.

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58 Consumo Cidadão Aquecedor solar representa ganhos para a comunidade, para o meio ambiente e para o resgate da cidadania.


Aquecimento global 62 Vencendo a poluição industrial Como o maior centro industrial do país está com a questão da poluição industrial.

Leis não bastam País é bom de leis, e na área ambiental não é diferente, mas falta acompanhar o ritmo e a abrangência desejadas.

70 Algo de bom no ar Empresas adotam dispositivos avançados que as tornam mais competitivas e em dia com a missão ambiental.

66 Construções sustentáveis Sustentabilidade se aprende e se faz na escola Educação é matéria prima de mudanças, em que a pesquisa faz a sua parte.

78 Ações pela sustentabilidade Exemplos não faltam na iniciativa privada ou pública.

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74 82 Habitante consciente em construções convencionais É possível adotar uma postura ambientalmente correta sem ter que reconstruir a casa.

Animais Cadê as abelhas? O mundo inteiro está sofrendo com o desaparecimento das abelhas.

Expediente Diretor Responsável: Oscar Lopes Luiz Conselho Editorial: Oscar Lopes Luiz, Takashi Yamauchi, Marcio Thamos, Terence Trennepohl, João Carlos Mucciacito, Dilma de Melo Silva, e Natascha Trennepohl Redação:Gabriel Arcanjo Nogueira (MTB 16.586) e Rosane Araújo (MTB 38.300) Estagiário: Caio César de Miranda Martins Revisão: Instituto Neo Mondo Diretora de Arte: Renata Ariane Rosa Projeto Gráfico: Instituto Neo Mondo Diretor Jurídico: Dr.Erick Rodrigues Ferreira de Melo e Silva

Publicação Correspondência: Instituto Neo Mondo Rua Primo Bruno Pezzolo, 86 - Casa 1 Vila Floresta - Santo André – SP Cep: 09050-120 Para falar com a Neo Mondo: assinatura@neomondo.org.br redacao@neomondo.org.br trabalheconosco@neomondo.org.br Para anunciar: comercial@neomondo.org.br Tel. (11) 4994-1690 Presidente do Instituto Neo Mondo: oscar@neomondo.org.br

A Revista Neo Mondo é uma publicação do Instituto Neo Mondo, CNPJ 08.806.545/0001-00, reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça – processo MJ nº 08071.018087/2007-24. Tiragem mensal de 30 mil exemplares com distribuição nacional gratuita e assinaturas. Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição da revista e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo desta revista sem prévia autorização.

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Editorial

Um olhar O

despertar da consciência holística tornou-se uma necessidade absoluta e inadiável em nossas relações com o meio ambiente. Desenvolver uma visão de mundo que, mais do que antropológica, seja ampla e profundamente ecológica, arraigar essa visão nas novas gerações a fim de que as consequências ativas de nosso ser e estar no mundo possam integrar-se num todo harmônico, encontrar o equilíbrio sustentável que garanta desenvolvimento saudável às populações, tudo isso são urgências e preocupações relativamente novas que

exigem reflexão e engajamento por parte de todos. A questão ambiental traz em si a virtude da comunhão espontânea entre os povos. Ela nos convida a um entrelaçamento universal de mãos e nos sugere uma dança telúrica, viva e ritmada, em que os gestos de cada um sejam a um tempo causa e consequência do júbilo de se sentir de fato integrado a esse todo maior ao qual denominamos humanidade. Amor à vida exige razão e solidariedade – atributos necessários a uma sociedade que busca soluções duradouras para a complexa problemática ambiental. Por soluções

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Kid NEOMONDO

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UM MUNDO DIFERENTE

Ano 1 - Nº 1 - Setembro/Outubro 2008 _ R$ 8,50

De olho no Universo

Gente do Bem

Conheça os Animais Astronautas

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consc

Um papo com Mauricio de Sousa

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duradouras não podemos nunca imaginar meios ou métodos definitivos, prontos e acabados. Como tudo o que envolve o humano, trata-se sempre de estarmos atentos ao processo. Só este é permanente. Daí a necessidade constante do aprendizado ambiental, isto é, do vivo interesse na percepção de tudo o que nos rodeia a fim de encontrarmos formas mais elevadas de interação global, não apenas do ponto de vista físico ou material mas também, e principalmente, de uma perspectiva histórica e espiritual. Nesse sentido, os meios de comunicação responsáveis têm

Especial de Natal

UM MUNDO DIFERENTE

Ano 1 - Nº 2 - Novembro/Dezembro 2008 _ R$ 8,50

De olho no Universo

Intervalo Cultural De presente, um divertido jogo radical

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Kid NEOMONDO

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Gente do Bem Marcos Ponte

O Sol

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Intervalo Cultural Um jogo de Valor


iente... um importante papel a cumprir. Ao promover a veiculação contínua de informações, propiciam e alimentam qualitativamente o diálogo socioambiental, aprofundando os diversos aspectos envolvidos, sem restringir o debate apenas entre especialistas, mas, antes, convidando a todos à reflexão e à ação. É com esse espírito de seriedade e pioneirismo que a equipe Neomondo elaborou esta edição especial da revista, cujo tema central é o “Dia Mundial do Meio Ambiente”. As matérias a seguir sintetizam mais de três anos de trabalho do Instituto Neo Mondo,

abordando com profundidade temas como aquecimento global, Mata Atlântica, Amazônia, consumo consciente e reuso da água, sumiço das abelhas e seu efeito colateral, construções sustentáveis e habitante consciente, entre outros. Nestas páginas, sem dúvida será possível notar que “um olhar consciente” é, por definição, um olhar sensível e compromissado com a transformação socioambiental. Boa leitura!

Márcio Thamos é Colunista e Conselheiro da Revista Neo Mondo

Currículo: Doutor em Estudos Literários. Professor de Língua e Literatura Latinas junto ao Departamento de Linguística da UNESP-FCL/ CAr, credenciado no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da mesma instituição. Coordenador do Grupo de Pesquisa LINCEU – Visões da Antiguidade Clássica.

Márcio Thamos

EDIÇÃO ESPECIAL

NEOMONDO

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UM OLHAR CONSCIENTE

Ano 2 - Nº 22 - Maio 2009 - Distribuição Gratuita

Gente

do BEM Paulo Skaf

CRAMI

Os caminhos do desenvolvimento

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Teatro

Respeito é bom, e criança gosta!

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Em busca da fala


O Animal da Floresta* De madeira lilás ( ninguém me crê ) se fez meu coração. Espécie escassa de cedro, pela cor e porque abriga em seu âmago a morte que o ameaça. Madeira dói?, pergunta quem me vê os braços verdes, os olhos cheios de asas. Por mim responde a luz do amanhecer que recobre de escamas esmaltadas as águas densas que me deram raça e cantam nas raízes do meu ser. No crepúsculo estou da ribanceira entre as estrelas e o chão que me abençoa as nervuras. Já não faz mal que doa meu bravo coração de água e madeira. Thiago de Mello

O poeta Thiago de Mello é um pilar da poesia social brasileira. Nasceu na cidade de Barreirinha, no coração do Amazonas, no dia 30 de março de 1926. É conhecido internacionalmente por sua luta em prol dos direitos humanos, pela ecologia e pela paz mundial. Suas obras foram traduzidas para mais de trinta idiomas. Dentre elas estão: Silêncio e Palavra, 1951 , Faz Escuro, mas eu Canto, 1965; Os Estatutos do Homem, 1977 (com desenhos de Aldemir Martins); Mormaço na Floresta, 1984; Vento Geral – Poesia 1951-1981, 1981; Num Campo de Margaridas, 1986; De uma Vez por Todas, 1996. 8

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* Publicação do poema autorizada e sugerida pelo próprio autor.

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Florestas

Os conflitos do

desenvolvimento na Pesquisa aponta que bioindústrias atuam com bases sustentáveis. Da Redação

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Amazônia A

necessidade do desenvolvimento sustentável da Amazônia é um consenso no Brasil. Todos os segmentos da sociedade concordam que não há mais espaço para modelos predatórios que contribuem para a destruição dos recursos naturais, até porque a história já provou que essa prática não promove equidade. Se existe consenso, faltam soluções claras de como aplicar esse novo conceito, que se convencionou chamar de sustentável. O geomorfologista Aziz Ab’Saber, maior referência viva da geografia brasileira, em conversa telefônica, disse que uma proposta para a Amazônia só será possível, se for efetivamente baseadas no conhecimento das realidades territoriais e sociais. O professor que considera o termo sustentabilidade completamente banalizado e inadequado, explicou que para cada uma das 23 células da Amazônia é preciso avaliar a saúde, a educação, o transporte, as aspirações das populações, o saneamento básico, a produção cultural, etc, com embasamento científico e crítico. Segundo ele, é necessário conhecimento para respeitar as enormes diferenças existentes, e assim, obter um planejamento para atingir a “utopia” de máximo desenvolvimento com a Floresta em Pé. Ele fala com conhecimento de quem estuda a região há muitas décadas e realizou um estudo de zoneamento da Amazônia, conferindo de perto o que a maioria dos brasileiros acompanha pelas notícias: conflitos fundiários, violência, descaso ecológico e os mais altos índices de problemas sociais do país. Essas mesmas notícias mostram que a economia da região Amazônica continua a se expandir de modo insustentável nas atividades exploratórias da madeira, na mineração, na agricultura e pecuária.

Um estudo de uma pesquisadora da USP, a geógrafa Laís Mourão Miguel, mostrou, no entanto que dois setores da bioindústria: cosméticos e fitoterápicos, estão conseguindo desempenhar atividades produtivas em bases sustentáveis, com articulações de pesquisa e desenvolvimento com centros e instituições de pesquisa; utilização de matéria-prima certificada e geração de desenvolvimento para as comunidades tradicionais. Suas pesquisas foram realizadas junto a doze bioindústrias, de diferentes portes, instaladas na Amazônia. REDE DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA Segundo ela, foi possível constatar a formação de uma rede de cooperação para pesquisa e inovação pelas principais instituições de pesquisa da Amazônia, que promovem o aproveitamento do potencial da biodiversidade local. As instituições que mais participam, segundo o estudo, são: o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). A pesquisadora explicou que as empresas estudadas buscam desde o início da cadeia de produção fazer o uso sustentável da biodiversidade regional, através da certificação da matéria-prima, conhecida como Selo Verde. Ela constatou ainda que o setor tem inserido nesse processo produtivo, as comunidades tradicionais, que passaram a se organizar em cooperativas de extração, produção e processamento. As matériasprimas amazônicas se transformam em insumos para a fabricação de medicamentos fitoterápicos, produtos de higiene pessoal, perfumaria, extratos padronizados, produtos alimentícios, enzimas de interesse in-

dustrial, corantes e conservantes derivados de plantas, animais e microrganismos. SELO VERDE Possuir o selo verde, uma das exigências do comércio exterior, significa estar dentro de normas e padrões estipulados por organismos nacionais e internacionais que prevêem fatores ambientais, de manejo conservacionista e aspectos sociais. Conforme explicou Alexandre Harkaly, diretor de negócios de certificação, do Instituto Biodinâmico - IBD, reconhecido internacionalmente, ao buscar esse Selo Verde, cria-se um processo de mudança da cultura extrativista. É necessário elaborar um projeto de manejo, onde são mapeados, inventariados e estimados a produção, bem como apresentar o estudo dos recursos naturais a serem utilizados. “Eles precisam demonstrar que estão respeitando a capacidade de regeneração natural, sem o risco de exaurir a espécie” – disse. Também é necessário adotar novas práticas, uma vez que não é permitida a queimada da superfície do solo. No caso de ocorrer fogo acidental, a certificação é temporariamente suspensa para discussão junto à certificadora sobre as medidas a serem adotadas. Do mesmo modo, devem ser respeitados os caminhos preferenciais da fauna local, assim como as trilhas e corredores de fauna existentes, áreas alagadas, além da vegetação que os protege. Mas ele diz que há muito ainda o que avançar nessa questão. “Além de muito marketing empresarial, ainda há ceticismo nas comunidades sobre a importância da certificação. Muitos que sempre viveram da atividade extrativista não entendem que o processo permitirá que a atividade seja feita com mais responsabilidade e

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Florestas

conhecimento” – disse. Harkaly explicou que normalmente são as indústrias que requerem a certificação, mas já há casos de cooperativas e até de comunidades indígenas que aderem ao Selo Verde.

ASPECTO SOCIAL – GANHOS PARA A COMUNIDADE Um dos demonstrativos mais convincentes de sustentabilidade está na inserção das comunidades tradicionais no sistema de desenvolvimento. Uma das empresas que vem mantendo relacionamentos bem sucedidos com essas comunidades é a bioindústria de cosméticos Natura.

A Natura mantém 19 contratos de fornecimento de ativos naturais com comunidades tradicionais da Amazônia formadas por grupos de agricultores familiares ou de extrativistas. Em agosto, assinou com o Governo do Amapá os dois primeiros contratos de repartição de benefícios para acesso ao patrimônio genético do uso da castanha-do-brasil e da copaíba. Os recursos serão repassados ao governo estadual e sua aplicação será definida pelo Conselho Deliberativo, formado por representantes da Natura, das comunidades e do Governo, devendo obrigatoriamente estar vinculada a iniciativas e projetos de benfeitorias e

CASO IRATAPURU Situada na floresta amazônica do Estado do Amapá, a remota comunidade de Iratapuru é parceira da Natura. Há várias gerações essa população vive da colheita da castanha-do-Brasil. São 30 famílias, que se organizaram através da Cooperativa Mista dos Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru, e vendem, hoje, óleo de castanha bruto para uma empresa beneficiadora que refina a essência e a entrega à Natura, para uso na fabricação de xampus, condicionadores e sabonetes. A comunidade é remunerada duas vezes, no começo da cadeia produtiva, a título de fornecimento, pela venda do óleo, e no final, com uma percentagem sobre a venda dos produtos Natura. O preço do insumo e o percentual sobre a venda foram definidos em várias assembléias comunitárias com a participação de lideranças familiares, de profissionais da Natura e de funcionários da empresa beneficiadora. 12

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desenvolvimento sustentável da reserva de onde serão extraídos os produtos. A empresa já possui também a autorização, junto ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético - CGEM, para utilização e repartição de benefícios de outros ativos: breu branco, candeia, cupuaçu-manteiga, extrato de erva-mate, extrato aromático de erva-mate, maracujá-proteína, pariparoba e sesbânia. “Esse processo de reconhecimento do direito de provedor das comunidades representam grandes avanços na afirmação da cidadania e importantes fatores de inclusão social”, ressalta Rodolfo Guttila, diretor de Assuntos Corporativos e Relações Governamentais da Natura.

CRITÉRIOS PARA OBTENÇÃO DO SELO VERDE De acordo com as “Diretrizes para o Padrão de Qualidade Orgânico IBD”, considera-se sustentável a coleta/extração de produtos silvestres ou naturais retirados em quantidades nunca acima do ganho de biomassa do produto colhido no período entre ciclos de corte, no caso de material vegetativo. A quantidade retirada também não pode comprometer a freqüência de ocorrência da espécie no ambiente em questão, no caso de coleta de sementes.

Em quatro anos, os recursos provenientes dos contratos e dos investimentos da Natura na comunidade permitiram a construção de uma fábrica de extração de óleo na comunidade, processada por ela mesma. A Natura pagou pela contratação da Imaflora, a representante no Brasil da Forest Stewardship Council, que certificou a produção de castanha, com o “selo verde FSC”, em 2004. Para evitar a dependência da comunidade com a empresa, e o risco de uma relação de assistencialismo, parte do percentual recebido pela venda dos produtos foi direcionada para a criação de um Fundo de Desenvolvimento Sustentável. Seu propósito é fomentar outras iniciativas econômicas da comunidade, fortalecendo sua capacidade de gestão técnica e comercial, traçando suas próprias metas de desenvolvimento sustentável, sem prescindir do apoio da Natura.

Ainda segundo as Diretrizes, não são passíveis de certificação:

Fonte: Natura

Fonte: IBD

a) produtos silvestres coletados em locais onde forem observados sinais de degradação por excesso de população em relação à área de exploração, isto é, que ultrapasse o limite da capacidade de suporte do ecossistema; b) produtos coletados em áreas onde não se observe sua regeneração em níveis satisfatórios; c) produtos cujo manejo prejudique a estrutura ecológica preexistente, inclusive da fauna; d) produtos obtidos por meio de processamento, utilizando substâncias ou benfeitorias que interfiram negativamente sobre o ambiente; e) produtos oriundos de projetos não suficientemente isolados, que possam permitir a contaminação por pesticidas agrícolas.


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Florestas

Biopirata

esbarra na falta d

Crime causa prejuízos morais e econômicos ao país. Da Redação

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história da biopirataria no Brasil remonta ao tempo da colonização. Já nessa época, o país provocava a curiosidade de países estrangeiros, que realizavam “aventuras científicas”, coletando amostras e o conhecimento sobre o uso da flora e fauna nacional. Os exemplos mais famosos são do pau-brasil, cujo segredo de extrair a pigmentação vermelha foi absorvida dos povos indígenas, e o caso das sementes de seringueira levadas pelo inglês Henry Wickham para colônias britânicas na Malásia, tornando-a a principal exportadora de látex. Esses são apenas dois casos, dentre tantos outros, que além dos prejuízos de ordem moral à soberania brasileira ainda abalaram a estrutura econômica do país. A biodiversidade foi por muito tempo tida como um bem da humanidade. Isso mudou a partir da publicação da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB”, na Eco 92, que passou a considerar biopirataria a apropriação ilegal de diversas formas de vida da flora e da fauna e também dos conhecimentos das populações tradicionais, a respeito de ativos e propriedades terapêuticas ou comerciais dos recursos naturais. Desse modo, esses recursos passaram a ser compreendidos como ativos do patrimônio genético nacional, que entretanto, Flor de Árvore Pau Brasil 14

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aria

de um marco Legal necessitam de uma regulamentação de uso, estabelecido pelo país. É nesse ponto que se concentra um grande problema. Desde 92, o Brasil não conseguiu ainda aprovar uma legislação definitiva e clara sobre o assunto. A gestão do patrimônio genético brasileiro está regulada por Medidas Provisórias 2.052 -00 e 2.186-16, de agosto de 2001. Com elas, criou-se o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), colegiado governamental responsável pelo controle do acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais a eles associados. A diretora do CGEN, Celeste Emerick, se mostrou bastante contrariada com a demora na definição de um Marco Legal para o assunto. “Vivemos uma insegurança jurídica. Isso inibe a pesquisa e não protege adequadamente o conhecimento das comunidades tradicionais” – disse ela. A difícil interpretação jurídica e as atuais exigências burocráticas para autorização de pesquisas de campo sobre biodiversidade, de acordo com a diretora, desestimulam o desenvolvimento científico e econômico, impedindo o objetivo maior que é repartir benefícios para todas as cadeias que participaram da geração daquele conhecimento. Outro ponto fraco da Medida Provisória é não possuir

interfaces com outras leis como a Lei de Inovação, dos Fundos Setoriais, de Políticas Industriais. “Tudo isso nos coloca numa situação de extrema fragilidade”. De fato, conforme relatou o presidente da ONG Amzonlink, Michel Franz Schmidlehner, em 2002, a entidade descobriu e denunciou que alguns produtos brasileiros já tinham suas marcas registradas. Foi o caso do “cupuaçu” e “cupulate”, que já estavam patenteadas na União Européia, Japão e EUA pela empresa japonesa Asahi Foods. Descobriu ainda registro da marca “açaí” e de patentes da copaíba, andiroba, ayahuasca e outros casos. O fato acirrou as discussões e a indignação dos brasileiros. Em 2003, o governo determinou ao CGEN a elaboração de um Anteprojeto de Lei, aberto à participação da sociedade civil, a ser encaminhado ao Congresso. Celeste disse que o projeto de “Lei de Acesso a Recursos Genéticos, Conhecimentos Tradicionais e Repartição de Benefícios” foi concluído em 2007 e aberto à consulta pública, para que as comunidades tradicionais e locais, organizações não-governamentais, institutos de pesquisa, empresas, entidades da sociedade civil organizada e provedores individuais encaminhassem suas contribui-

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Florestas

O Brasil é considerado megadiverso, mas conhece muito pouco desse imenso potencial natural e cultural

ções ao novo marco legal. “Foram cerca de 60 respostas, mas houve a solicitação de reuniões presenciais junto às comunidades tradicionais, por dificuldade de acesso das mesmas” – disse. Desse modo, somente após essa consulta presencial, o anteprojeto será encaminhado ao Congresso. Segundo a diretora, a esperança é que seja apreciada ainda em 2008 e que se sobreponha ao conflitos de interesses. A nova lei irá definir o acesso aos recursos genéticos e derivados, remessa de material biológico, acesso e proteção de conhecimentos associados, e ainda a questão dos direitos dos agricultores e a repartição de benefícios. Ela acredita que a falta de regulamentação atual impede até mesmo uma fiscalização eficiente e o pior, paralisa a pesquisa científica no Brasil, impedindo o conhecimento real da biodiversidade e da sociobiodiversidade brasileira, que na Amazônia Legal é representada por mais de 200 etnias, com um conjunto de comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, caiçaras e outros. “Nossa produção científica é muito pequena. O Brasil é considerado megadiverso, mas conhece muito pouco desse imenso potencial natural e cultural” - afirmou.

Açaí 16

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Entidades ambientais estimam que o Brasil perca cerca de 5 bilhões de dólares por ano com o tráfico de animais, produtos da flora, madeira e conhecimentos das comunidades tradicionais. O pior é que para coletar material biológico, não há necessidade de grandes aparatos, basta retirar um pedacinho da planta, acondicionar num saco plástico e pronto. Justifica-se aí a importância do conhecimento da nossa biodiversidade, até para conseguir resguardá-la. Celeste cita como fundamental, além da regulamentação e da fiscalização, a conscientização das comunidades tradicionais. Schmidlehner concorda: “A população é o legítimo guardião desse conhecimento e deve ser orientado sobre como fazer isso” - defende.

Cupuaçú

Conforme o relatório conclusivo da CPI da Biopirataria, que analisou além dos casos já citados, denúncias de venda de animais e madeira, será necessário uma mudança social profunda para eliminar esse crime que explora a pobreza, a desigualdade e a exclusão.

MADEIRA ILEGAL Da Redação com pesquisa de Caio Martins O maior problema encontrado, hoje, na Amazônia é a extração ilegal da madeira. Cerca de 85% são retiradas da mata de maneira criminosa, o que provoca um desperdício de 70% do produto e ainda destrói tudo que está à sua volta. Para cada árvore extraída, outras 59 são danificadas, abrindo imensas clareiras. Em junho de 2008, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou 612 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representa um aumento de 23% em relação a junho de 2007 quando o desmatamento somou 499 quilômetros quadrados. No acumulado do período (agosto de 2007 a junho de 2008), o desmatamento totalizou 4.754 quilômetros quadrados. Segundo dados do IMAZON – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, divulgados em 2007, a floresta já havia perdido quase 20% do seu tamanho original - 700 mil quilômetros quadrados.

Nessa atividade, madeireiros abrem milhares de quilômetros de estradas não-oficiais em terras públicas facilitando a grilagem (posse de terras alheias). Além da questão do desmatamento e todas as suas conseqüências ambientais, a atividade ainda aumenta as mazelas sociais. Levantamento do Imazon mostra que os indicadores de qualidade de vida nessas regiões desmatadas em muitos casos são piores que de áreas preservadas. O pseudoenriquecimento, que na verdade atinge a pouquíssimos, se vai junto com as toras e carvão, deixando no lugar um solo infértil, especulação, assassinatos por disputas de terra e uma pobreza maior do que antes da derrubada da floresta. A comunidade de áreas devastadas deixa de ter os serviços gratuitos da natureza como ervas para cura, fribras, frutos, peixes, etc... Fonte: Dados do IMAZON


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A Crian莽a na agenda

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amaz么nia

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cal. O Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, desenvolve na região um trabalho que objetiva incluir a criança e o adolescente na Agenda de prioridades da Amazônia. A “Agenda Criança Amazônia” é um processo de mobilização social, onde foram convidados nesse primeiro momento, 70 municípios dos estados do Amazonas, Pará e Maranhão. Ao aderir à Agenda, cada município comprometese a melhorar, até 2012, importantes indicadores sociais, como taxa de pobreza, mortalidade infantil e materna, desnutrição infantil, registro civil, acesso ao pré-natal, gravidez na adolescência, violência e trabalho infantil, incidência de aids e malária, acesso à água potável, acesso e permanência na escola, entre outros.

Um esforço para incluir a criança na pauta de prioridades. Da Redação

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Amazônia Legal Brasileira vem sendo motivo de repercussão nos meios de comunicação de todo o mundo, que volta seu olhar e preocupação para esse ponto verde do planeta. Mas nem só de florestas, minérios, riquezas e biodiversidades é feito esse lugar. Há gente ali no meio. Brasileiros

de muita dignidade e que vivem diante de desafios que grande parte do país e do mundo nem imagina. A criança talvez seja uma peça fundamental nesse contexto, pois é a representação óbvia do futuro da região. Garantir seus direitos fundamentais é algo ainda mais complexo, em função das especificidades do lo-

DIREITOS FUNDAMENTAIS Quando se fala em direito à escola em qualquer outra região do país, são discutidos aspectos como número de vagas, qualidade de ensino, equipamentos adequados, merenda, transporte escolar, etc. Conforme explicou o coordenador do UNICEF Belém, Fábio Moraes, na Amazônia Legal a preocupação antecede essas questões e esbarra muitas vezes na impossibilidade de deslocamento por via terrestre, o que impõe a várias comunidades uma vida de isolamento, sem acesso sequer a informações básicas e onde o principal meio de transporte é a tradicional embarcação pluvial. “Os conceitos precisam ser repensados sob a ótica do lugar” – explicou ele. “No estado do Pará, a viagem de algumas cidades até Belém, por exemplo, podem levar cerca de 19 horas de barco” – disse Moraes. Nesse esforço de entender os desafios locais, a Unicef identificou problemas como as condições das embarcações utilizadas no transporte de crianças. “Precisamos considerar os cuidados de segurança, evitando novos casos de escalpelamento de crianças (cujos cabelos e couro cabeludo são arrancados após serem tragados pelos motores das embarcações)” - explicou. O exemplo que pode parecer exótico para as demais regiões do país é uma

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Florestas

mostra de como os problemas precisam ser encarados, analisados e combatidos de forma singular. OPERACIONALIZAR AS IDÉIAS Moraes traz na bagagem experiência semelhante desenvolvida há quatro anos no Semi-árido brasileiro. Ele explica que é um trabalho de mobilização social com a participação efetiva dos atores envolvidos. Isso significa colocar num mesmo espaço de discussão, autoridades constituídas, entidades e, sobretudo, membros das diversas comunidades. Para ele, definir metas, estabelecer soluções é muito bonito no papel, mas a operacionalização disso só é possível com o envolvimento de toda a sociedade local. Entra ai a metodologia da Unicef, onde o grande mérito está em esclarecer e tornar acessíveis informações antes inatingíveis para a população. Dessa forma, oferece a

mais poderosa ferramenta social: o conhecimento. Com a apresentação de forma didática, as comunidades passam a conhecer sua situação e a entender que fazem parte das soluções. “O Unicef tece redes e oferece condições para que eles próprios encontrem suas saídas” – afirmou. Moraes esclareceu que são definidos articuladores, pessoas da comunidade, que fazem a ponte entre a população, autoridade e instituições. Nesses encontros estabelece-se o diálogo, onde todos podem ser ouvidos e onde todos passam a ser co-responsáveis pelas melhorias e soluções. CONTROLE SOCIAL Exemplificando, cita a questão do orçamento municipal. “Sem conhecimento técnico, um cidadão comum não consegue entender o orçamento de um município. O que fazemos é decodificá-lo e

Como Vive a Criança na Amazônia Nove milhões de crianças e adolescentes vivem na Amazônia Legal Brasileira, representando praticamente 40% da população da região – a mais jovem de todo o País. Ao lado do Nordeste, a Amazônia tem hoje os piores indicadores sociais brasileiros, apesar dos avanços nos últimos anos. Enquanto o nível de pobreza das crianças e dos adolescentes – aqueles que vivem com famílias com renda per capita de menos de ½ salário mínimo mensal – é de 50% para o Brasil como um todo, esse percentual sobe para 61% na Amazônia Legal Brasileira, chegando em alguns Estados da região a superar 65% (IBGE, 2006).

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Com a taxa de mortalidade infantil o quadro repete-se: na Região Norte, 25,8 crianças morrem antes de completar o primeiro ano de vida em cada grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e da região Sul é de 16,7. Em relação ao direito de aprender, a disparidade também permanece: os Estados da Amazônia ainda têm as menores proporções de crianças em creches e pré-escolas, respectivamente, 8% e 64,2%. Nessa região, mais de 92,2 mil adolescentes são analfabetos e cerca de 148 mil crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, estão fora da escola. Fonte: Unicef

torná-lo claro para as pessoas” – revelou Moraes. Assim é feito com todos os demais dados e indicadores que envolvem aquela comunidade. São índices de mortalidade, de analfabetismo, de moradia, de renda, etc. Segundo ele, quando uma pessoa que não sabe sequer ler passa a entender a situação do lugar onde vive, tudo muda! Tudo se transforma! “Ela passa a participar como co-responsável pelos esforços dessa melhoria. Passa a ter um sentimento de pertencimento àquele lugar” – afirmou. Para ilustrar essa compreensão, cita o caso da depredação de escolas e patrimônios públicos, comum a todo país. Quando a comunidade percebe o quanto isso custa e o quanto isso impede a aplicação de recursos para outras necessidades, passa a atuar nessa situação. Da mesma forma, na limpeza pública, cujo custo pode ser reduzido com uma nova postura da população. São exemplos simples que servem aos demais aspectos e que permitem, segundo Moraes, o controle social, que deixa de ser responsabilidade exclusiva da autoridade governamental. As ações junto a essas comunidades também procuram resgatar a história do lugar e os contadores dessas histórias, pessoas que precisam ser valorizadas e que geram à comunidade um acréscimo de auto-estima. Para o Unicef, o mais importante é conseguir com essa mobilização, garantir melhores condições para a criança e o adolescente e desenvolver competências locais para a solução dos inúmeros problemas. “Quem mais conhece do lugar, são as pessoas do lugar” – enfatiza o coordenador.

Selo Unicef Município Aprovado Em 2009, será lançado o Selo Unicef Município Aprovado, na Amazônia. Depois de um período de acompanhamento, os municípios que demonstrarem avanços na garantia dos direitos da criança e adolescente receberão esse reconhecimento do UNICEF. O Selo já é utilizado no Semi-Árido Brasileiro e funciona como um motivador na busca por melhorias contínuas nas políticas públicas.


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Florestas

Registrar para pre Alguns animais que compõem a riquíssima fauna Amazônica. Da Redação Fotografia: PaulaLyn Carvalho

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or maiores que sejam as informações recebidas sobre as riquezas da região Amazônica é no flagrante das lentes fotográficas e cinematográficas que a exuberância dessa grande fatia do Brasil chega às demais regiões e ao mundo. O papel desses profissionais em captar a beleza e muitas vezes, também o pedido silencioso de socorro dessas espécies, é imprescindível para conscientizar sobre a importância de ser manter a floresta em pé. A fotógrafa PaulaLyn é uma dessas profissionais que emprestam a sensibilidade e técnica, a serviço da defesa do meio ambiente. Com um trabalho voltado

à essa causa, vem realizando ensaios e exposições sobre o tema. São dela as fotos da fauna amazônica, expostas a seguir. Agumas dessas imagens fizeram parte da exposição “Sentir Brasil”, que aconteceu em junho na Câmara Municipal de São Paulo. A maioria das imagens foi captada no Parque Ecológico de Januari, em Manaus, no Amazonas e no Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), em janeiro de 2008. Paula é motivada pela sua paixão pela natureza. “Olho a lua, o sol, o mar, as árvores, os rios, os animais, como se os estivesse vendo pela primeira vez. São, para

mim, respostas a todas as minhas perguntas.” – disse. A fotógrafa acredita que cada um pode contribuir com ações que estão ao seu alcance. “A minha contribuição é através das imagens. Quero poder tocar o coração de cada um através do meu olhar, usar um sentido humano tão valorizado na contemporaneidade para despertar os outros sentidos e a consciência. Registrar para preservar” – concluiu. Se o mundo precisa da Amazônia para minimizar os efeitos ambientais do aquecimento global. Para esses animais, que somam milhares de espécies, a Floresta é sinônimo de vida.

Arara As araras estão entre os pássaros mais belos da fauna brasileira. São aves grandes e possuem e um bico curvo resistente usado para quebrar frutos e sementes. As araras vivem em casais nas copas das árvores mais frondosas e fazem seus ninhos em ocos de árvores.

Bicho-Preguiça O Bicho-Preguiça é considerado um animal muito sossegado. Dorme o dia todo nas árvores, pendurado num galho de costas para o chão e com a cabeça pendida sobre o peito. É um mamífero de hábitos noturnos. Orienta-se pelo olfato, pois tem uma visão muito fraca. Alimenta-se apenas das folhas, frutos e brotos de algumas árvores. É um animal inofensivo.

Gavião-real O gavião-real, também conhecido como harpia ( Harpia harpyja), é a maior ave de rapina do Brasil e do mundo, podendo atingir 2,5 m de envergadura. Seus hábitos são diurnos. Alimenta-se de moluscos, crustáceos e peixes até serpentes, lagartos, alguns pássaros e alguns mamíferos, como a preguiça (seu alimento favorito) que captura no solo.

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reservar Jacaré O jacaré é um dos maiores répteis brasileiros. O jacaré amazônico chega a alcançar até 5 metros, mas em geral não ultrapassa 2 metros. A temperatura do seu corpo varia de acordo com o meio em que ele está, por isso precisa ficar exposto ao sol a fim de captar calor.

Macaco-de-cheiro O Macaco-de-cheiro é um primata que gosta de viver no topo das árvores mais altas da floresta, geralmente a 30 ou 40 metros do chão. São animais de extrema agilidade. Sua comida preferida são insetos, mas alimenta-se também de frutos e da seiva das árvores. Na Amazônia, os ribeirinhos costumam domesticá-los. São peraltas e brincalhões.

Macaco-aranha O Macaco Aranha possui como habitat as florestas tropicais chuvosas e tem hábitos diurnos. Vive em bandos de até 30 indivíduos e pode chegar até 33 anos. Os animais atingem de 6 a 8 quilos. Alimentam-se de frutas, sementes, folhas, insetos e ovos.

Tartaruga A tartaruga da Amazônia passa os dias nos rios de águas calmas, nadando, alimentando-se e de vez em quando sai para respirar e tomar um pouquinho de sol a fim de manter a temperatura do corpo São ovíparas, colocando seus ovos nas praias, durante a noite, em buracos que escavam na areia. São animais de vida longa, podendo atingir centenas de anos.

“Um Olhar Consciente” em “Este Mundo é Meu” Em continuidade ao projeto “Um Olhar Consciente”, PaulaLyn participará com painéis fotográficos no evento “Este mundo é meu 2008: integração sócio-ambiental”, que irá ocorrer no Centro Cultural São Paulo, de 08 a 29 de outubro de 2.008. Com ênfase nas questões ambientais, nas ações da sociedade em defesa da cidade, de si própria e de tudo que gira em seu entorno. A programação permitirá reflexões por meio de palestras, com convidados de várias especialidades na área de meio ambiente, bem como, oficinas e instalações.

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Florestas

RX da Am Estatísticas apontam disparidades entre riqueza de biodiversidade e indicadores sociais. Da Redação

Abrangência: A Amazônia é a região definida pela bacia do rio Amazonas, que nasce na cordilheira dos Andes e estende-se por nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela e onde se localiza a maior cobertura vegetal de floresta tropical, a Floresta Amazônica. Bacia Hidrográfica: Tem muitos afluentes importantes tais como o rio Negro, Tapajós e Madeira, sendo que o rio principal é o Amazonas. Temperatura: A temperatura média anual é de 28ºC. Amazônia Brasileira: Sessenta por cento da Amazônia está em território brasileiro, em área chamada Amazônia Legal , constituída por 750 municípios distribuídos em nove Unidades Federativas: Amazonas (62), Amapá (16), Acre (22), Roraima (15), Rondônia (52), Pará

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(143), Tocantins (139), Maranhão (160) e Mato Grosso (141), perfazendo um total de 5.033.072 km2, o que representa 61% do território brasileiro. População: 24,5 milhões de habitantes correspondendo a 12% do contingente populacional brasileiro. Em cada quilômetro quadrado da região tem-se, em média, 3,3 habitantes enquanto que no restante do país essa proporção é de 21,4 habitantes por km2. Diversidade social: A região é a segunda do país em registros de remanescentes de quilombos, bem como é onde se concentra a maior parte da população indígena, representando 49% do total. É também onde se encontra o maior percentual de projetos de assentamentos da reforma agrária e diversas comunidades locais, como: caiçaras, babaçueiros, jangadeiros, ribeirinhos/caboclo amazônico, ribeirinhos/caboclo não amazônico (varjei-

ro), sertanejos/vaqueiro, pescadores artesanais, extrativistas, seringueiros, camponeses. PIB: Em 2004, o PIB da região foi de R$ 137,9 bilhões (US$ 64,7 bilhões), o que representa 8% do PIB nacional. IDH: Em 2000, a região apresentava médio desenvolvimento humano, com um IDH igual a 0,705. Biodiversidade: • Reúne quase 12% de toda a vida natural do planeta; • Concentra 55 mil espécies de plantas superiores (22% de todas as que existem no mundo); • 524 espécies de mamíferos; • Mais de 3 mil espécies de peixes de água doce; • Entre 10 e 15 milhões de insetos (a grande maioria ainda por ser descrita); • Mais de 70 espécies de psitacídeos: araras, papagaios e periquitos;


azônia • Grande variedade de ecossistemas, dentre os quais: matas de terra firme, florestas inundadas, várzeas, igapós, campos abertos e cerrados; • Jazidas minerais de metais nobres dos mais variados tipos, acumulando recursos da ordem de US$ 1,6 trilhão. Principais Ameaças à Floresta: Grilagem (posse ilegal de terras mediante documentos falsos), Desmatamentos, Queimadas, Atividades extrativistas predatórias (madeireiras, pesca, caça ilegais e biopirataria), Expansão da fronteira pecuária e agrícola (soja, principalmente, no Mato Grosso) e Fiscalização insuficiente. Indicadores Sociais: • Analfabetismo: Entre os maiores do Brasil, em 2005 chegava a 10,3% (maiores de 15 anos) e 13% (menores de 15 anos). • Insegurança Alimentar: 35% da população da Amazônia viviam, em

2005, em domicílios onde havia insegurança alimentar média ou grave Mortalidade infantil: 25,8 crianças na Região Norte morrem antes de completar o primeiro ano de vida em cada grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e da Região Sul é de 16,7. Registro Civil (Certidão de nascimento): O estados amazônicos ainda concentram as piores taxas, chegando a superar 40% em algumas regiões. Saúde: A taxa da incidência de AIDS , em 2004, subiu dez vezes, chegando a 12,4 por 100 mil habitantes. A Amazônia responde pela quase totalidade dos casos registrados de malária no país. Entre 2002 e 2004, o número de casos aumentou 32% e a taxa de incidência subiu 19% na região. Saneamento Básico: A porcentagem da população que vive em domicílios com abastecimento adequado de

água aumentou de 48%, em 1990, para 68% em 2005, contra a média de 88% no resto do Brasil. A porcentagem da população que vive em domicílios com instalações adequadas de esgoto na Amazônia aumentou de 33%, em 1990, para 48%, enquanto a média brasileira é de 67%, em 2005. Somente na Amazônia, 11,7 milhões de pessoas vivem em residências sem coleta de esgoto. • Assassinatos Rurais: A Amazônia lidera casos de assassinatos rurais (60%) dos 386 ocorrências (1997 a 2006). • Trabalho Escravo: A região é campeã em trabalho escravo, com 66% dos casos. Só em 2006 foram libertadas 12 mil pessoas do regime escravo.

Fontes de Pesquisa: Conservation International, IBAMA, Silvan, Câmara dos Deputados, Unicef, Imazon e Datasus

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Florestas

MATA ATLÂNTICA

o que restou do paraíso

É preciso cuidar do que restou de um dos maiores biomas do Planeta. Da Redação

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espirar fundo e sentir o frescor suave do ar puro que vem da mata, se banhar e refrescar em seus rios e cachoeiras, se deliciar com seus frutos e se maravilhar com a beleza de seus habitantes são privilégios dos brasileiros. Regalias glorificadas pelos europeus que chegaram em 1500 a estas terras de muitas riquezas. Mistérios escondidos dentre a imensidão, até então, infinita de enormes árvores e vegetação fechada da mata banhada pelo Oceano Atlântico. Mas, de quê serve os mistérios, senão para desvendá-los? Riquezas, senão para possuí-las? Terras férteis, senão

para aproveitar-se delas? Foi este o pensamento que motivou os desbravadores desta terra e os acompanhou desde a extração do pau-brasil, da mineração, do plantio da cana-de-açúcar e do café, da expansão da pecuária e da agricultura até os dias atuais. Segundo o geógrafo, ambientalista e diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, os responsáveis pelos ciclos econômicos enxergavam a Mata Atlântica como algo a ser conquistado. E atitudes, que pareciam tão importantes para a prosperidade do homem, o levaram para o caminho da escassez.


Hoje, de toda a imensurável área de Mata Atlântica que percorria o Brasil de Norte ao Sul no período da colonização, que ocupava 15% do território nacional, restam somente derradeiros 7%. Ou seja, foi desmatado, queimado, explorado e urbanizado, sem manejo adequado, 93% da Mata, o que a caracteriza como o segundo bioma mais ameaçado de extinção do Planeta, atrás somente das florestas de Madagascar, no Sul da África. Mesmo assim, “até 30 anos atrás o governo brasileiro ainda tinha como improdutivas as áreas florestais, impulsionando, então, o desmatamento” - destaca Mantovani.

Foi destruído mais do que o necessário

Contudo, sua magnitude permanece! E mesmo sofrendo com a imprudência, ela ainda é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo, distribuída em faixas litorâneas, florestas de baixada, matas interioranas e campos de altitude. Além de ser detentora de sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras, responsá-

veis pela distribuição de água potável para 3,4 mil municípios, em uma área onde vivem 62% da população brasileira, e para os mais variados setores da economia nacional como a agricultura, a pesca, a indústria, o turismo e a geração de energia. Por isso, não são poucas as intenções de proteção da área existente.

errado de que a Mata Atlântica seria apenas a franja ombrófila densa. Como resultado, tivemos a interpretação criminosa dos que continuavam desmatando como se as áreas não fossem Mata Atlântica (e, portanto, estivessem liberadas para o desmate, principalmente nos estados da região Sul que se interessavam em explorar a araucária)” – explica Mantovani em depoimento ao bole-

tim da SOS Mata Atlântica. Hoje, o intuito da legislação é preservar os 7% restantes da floresta, incentivando a criação de áreas de reserva e proteção ambiental. “Oitenta por cento do restante da Mata está nas mãos de proprietários, mas somente 20% são Unidades de Conservação. A situação é periclitante! Temos que restaurar e espalhar áreas não contínuas da floresta, por meio dessas ações” – alerta o ambientalista.

Lei da Mata Uma das tentativas de conter a devastação é a Lei da Mata Atlântica, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, no final de 2006, que modernizou e valorizou o controle socioambiental da Mata. “Corrigimos aqui um erro histórico. Antes, contávamos com o Decreto 750 para regulamentar isso de uma forma muito embrionária e confusa, o que possibilitou o entendimento

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Florestas

PANORAMA DA MATA ATLÂNTICA Composição da Mata A Mata Atlântica apresenta um conjunto de ecossistemas interligados, formados por florestas Ombrófila Densa, Ombrófila Mista (mata de araucárias), Estacional Semidecidual e Estacional Decidual e os ecossistemas associados como manguezais, restingas, brejos interioranos, campos de altitude e ilhas costeiras e oceânicas. A relação entre os ecossistemas, caracterizada pelo trânsito de animais, o fluxo de genes da fauna e flora, forma as áreas chamadas de transição ecológica. Fauna A riqueza da fauna endêmica, peculiar da Mata Atlântica, é impressionante. Das 1711 espécies de vertebrados que vivem ali, 700 são endêmicas, sendo 55 espécies de mamíferos, 188 de aves, 60 de répteis, 90 de anfíbios, 133 de peixes, além daqueles que continuam sendo catalogadas, como a rã-de-Alacatrazes e a rã-cachoeira, os pássaros tapaculoferrerinho e bicudinho-do-brejo, os peixes Listrura boticário e o Moenkhausia bonita, e até um novo primata, o micoleão-da-cara-preta, entre outros. Mas se há abastança de um lado, do outro a realidade é triste. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Mata Atlântica abriga hoje 383 dos 633 animais ameaçados de extinção no Brasil. Água As águas da Mata Atlântica abastecem 70% da população dessa região, mas os rios estão assoreando. Para se ter uma idéia, hoje se gasta mais com

desassoreamento do que com saneamento. “Poderíamos fazer produções diferentes, usar melhor o poder do plantio da nossa terra, produziríamos muito mais” – ressalta Mantovani. Fertilidade da terra Segundo Mantovani, não há necessidade de abrir mais espaço na floresta para o crescimento da agricultura, é possível utilizar as áreas que já foram devastadas e estão inutilizadas. Pois, embora a vegetação original tenha sido degradada, a terra continua fértil. “Foi destruído mais do que o necessário. Atualmente temos 43% dessa área de terra que pode ser aproveitada pela agricultura”. A qualidade da terra é incontestável. Há países em que o eucalipto demora cerca de 50 anos para atingir um tamanho para corte, na Mata Atlântica, isso leva 5 anos. Uso sustentável Se tivéssemos respeitado os 20% de reserva legal das propriedades, onde não é permitido o corte de vegetação, de acordo com a Lei Federal 4.771/65, hoje teríamos 17% da Mata Atlântica. Os ambientalistas defendem que hoje é possível conciliar o desenvolvimento sem destruir nossos recursos. Dentre as alternativas estão o investimento no cultivo de plantas medicinais, de espécies utilizadas como matérias-primas para a produção de vestimentas, corantes, essências de perfumes, nos insumos para a indústria alimentícia, manejo sustentável de árvores por meio do corte seletivo para a produção de móveis certificados, no ecoturismo e no mercado de carbono.

Viva a Mata A Fundação SOS Mata Atlântica realiza a quarta edição do Viva a Mata – mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica, que acontece entre os dias 30 de maio e 1º de junho, das 10 às 18h, na Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Com apoio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, o

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evento tem como objetivo comemorar o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio), promover a troca de informações e experiências entre os que lutam pela conservação deste Bioma, realimentar o movimento ambientalista e informar e conscientizar a sociedade. Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica


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Sesc Pantanal conciliando preservação e desenvolvimento Responsabilidade socioambiental promove desenvolvimento de região. Da Redação

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atuação do Terceiro Setor, no Brasil, tem exemplos bem sucedidos e que mostram como é possível atuar com ênfase na responsabilidade social e ambiental, viabilizando negócios e promovendo o desenvolvimento de regiões e de sua população. O Turismo ecológico tem sido defendido como um viés positivo para a preservação de áreas, sem comprometer o crescimento econômico de localidades ainda pouco urbanizadas. Nessas regiões, existem alguns biomas e ecossistemas, cujo consenso mundial aponta para a necessidade de preservação. Um deles é o Pantanal Mato-grossense. Pois é exatamente lá que o Sesc (Serviço Social do Comércio) mantém a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do País – RPPN, SESC Pantanal, com 106.000 ha. O empreendimento surgiu em 1996, com a

aquisição de cerca de 20 fazendas, que estavam economicamente decadentes e que foram transformadas numa estância, que tem por objetivos a educação ambiental, a preservação da biodiversidade, a pesquisa científica e o ecoturismo. Está situada nos municípios de Poconé e Barão de Melgaço, na parte norte do Pantanal Mato-grossense, entre os Rios Cuiabá e São Lourenço. O supervisor do Sesc Pantanal, Nivaldo Pereira relata que essa instalação exigiu uma mobilização singular e interação com nativos, com a comunidade indígena, com pesquisadores, universidades, institutos de pesquisas e organizações não governamentais. Pois parece ser exatamente essa atuação conjunta com os demais segmentos da sociedade organizada que tem garantido a tônica da sustentabilidade ambiental. Pereira, disse que todo o trabalho desenvolvido

tem o comprometimento com a melhoria da qualidade de vida dos que habitam ou trabalham no entorno. Para ele, a presença do Sesc ali mudou a realidade dessa comunidade, a começar pelos empregos. Oitenta e cinco por cento do quadro de funcionários mantidos na Reserva são de moradores da região, cerca de 200 vagas. “Para isso, foi necessário um esforço e ações de qualificação e capacitação dessa mão-de-obra. A Reserva e o Hotel também geram cerca de 1000 empregos indiretos, incluindo-se ai os fornecedores” - disse. Com a chegada do Sesc, a comunidade ganhou também uma escola, um cinema, quadras de esportes, odontologia e internet social, além de cursos de informática e outros de geração de renda. Tudo aberto à comunidade dos municípios de Barão de Melgado e Poconé.

Todo o trabalho desenvolvido tem o comprometimento com a melhoria da qualidade de vida dos que habitam ou trabalham no entorno

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Florestas

PESQUISA A pesquisa foi o primeiro passo da implantação desse grande projeto ambiental. É através dela que ainda hoje se obtém os conhecimentos técnico-científicos necessários a uma gestão ecológica e sustentável. Para isto, foram estabelecidas parcerias com universidades federais, com a Embrapa e com ONGs em diversos estudos e pesquisas avançados sobre a fauna, flora, recursos hídricos, solos, clima, turismo, organização social, meio ambiente e educação ambiental. ECOTURISMO A Estância dispõe de um Hotel diferenciado, concebido pelo desejo de realizar e demonstrar a viabilidade de empreendimentos ambientalmente corretos. Recebe majoritariamente os trabalhadores do comércio (associados do Sesc), e também escolas, pesquisadores e visitantes. Um variado cardápio de atividades ecológicas que incluem passeios diurnos e noturnos de barco, caminhadas em trilhas, cavalgadas, visitas ao borboletário e ao formigueiro de saúvas em atividade, preenchem os olhos e os dias dos hóspedes. Os passeios variam conforme a época de vazantes ou cheias, quando muitas áreas sofrem transformações e proporcionam roteiros alternativos. As atividades asseguram experiências de contemplação e observação da natureza em toda sua exuberância. Aves como araras, tuiuiú, pelicanos, garças brancas, cabeça-secas e colhereiros, além dos barulhentos bugios (macacos, que apresentam uma curiosidade, os machos têm pelagem escura e as fêmeas pêlos claros, são loiras como brincam os guias), jacarés, capivaras, sapos podem ser vistos em seus habitats. Uma dica de programação é o Alvorecer: o passeio começa antes do nascer do sol, com saída do hotel às 04h30min da manhã, ainda escuro. Os visitantes se-

guem por quase uma hora de barco pelo rio Cuiabá, ouvindo apenas os sons que vêm da mata com o despertar de seus habitantes, enquanto aguardam a deslumbrante aurora pantaneira, um verdadeiro espetáculo. Imperdível e inesquecível. Já no passeio noturno é possível observar os olhos dos jacarés brilhando no escuro e por vezes, passando bem próximo aos barcos. Famílias inteiras de capivaras nas praias ou nadando. Cardeais, maguaris, biguatingas, urupapás (aves mais avistadas). O passeio possibilita ainda conhecer as flores que só abrem e exalam perfume à noite, como a Viuviu e a Ninféia. PROJETO BORBOLETÁRIO Criado com o intuito de sensibilização ambiental, o Borboletário é composto de um viveiro de visitação, um laboratório para criação de larvas, um criadouro (ou berçário), um horto para a criação de plantas e um viveiro de visitação. Este último é a grande atração do complexo, uma estrutura em forma circular e hemisférica, com 300 metros quadrados e nove metros de altura, protegida por uma tela especial. Lá dentro, num jardim com cascata e bancos de praça, o visitante pode apreciar até 1500 borboletas de várias espécies. Esse projeto apresenta ainda uma dimensão social importante. O Sesc disseminou a técnica de criação de borboletas entre a população local, que se organizou em uma associação, a ACBP – Associação de Criadores de Borboletas de Poconé, formada por 27 famílias. O Sesc hoje compra dessa entidade as borboletas, que se transformaram em fonte adicional de renda para os moradores envolvidos. O fornecimento está se expandindo para outras instituições, inclusive fora do estado. Os ovos das borboletas continuam a ser fornecidos pelo próprio Sesc que os coleta nas folhas das plantas existentes no Borboletário.


A gota d’água

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Água

A Água Nossa de

CADA DIA A água que consumimos diariamente segue um longo caminho até chegar às nossas torneiras. Confira esses passos. Da Redação

Sulfato de Alumínio, Cal e Cloro

Represa 34

Neo Mondo - Junho 2009 Captação ou

Bombeamento

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ão resta dúvida que a água é um dos bens mais preciosos da humanidade, mas é exatamente quando nos falta na torneira, que percebemos sua importância e o quanto dependemos desse líquido. Mas até chegar aos nossos chuveiros, torneiras, mangueiras e descargas, percorre um longo caminho. Toda água fornecida a população é tratada e potabilizada. Conforme a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp, a captação pode ocorrer em rios, poços ou mananciais (represas). O tratamento de água em todo o mundo segue um processo convencional, com pequenas alterações, que variam conforme a qualidade da água captada.

Floculação

Decantação

Filtração


Basicamente, a água percorre o seguinte trajeto até chegar às casas: 1. A água é captada e bombeada para as estações de tratamento, conhecidas como ETAS. 2. Na estação de tratamento ela recebe a adição de cloro, para facilitar a retirada de matéria orgânica e metais. (Précloração) 3. Em seguida recebe cal ou soda, que permite o ajuste do PH, necessários às fases seguintes do tratamento. (Préalcalinização) 4. A água ganha agora o sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante. Nessa fase, passa por um processo de agitação violenta para provocar a desestabilização elétrica das partículas de sujeira. Isso auxiliará sua agregação. (Coagulação) 5. Passa então, por uma mistura lenta, que formará os flocos com as partículas. (Floculação) 6. O líquido segue para grandes tanques onde permanecerá para decantação dos flocos de sujeira. (Decantação) 7. De lá, a água segue para tanques que contêm leito de pedras, areia e carvão antracito, para retenção de alguma sujeira que tenha passado. (Filtração) 8. Novo processo para correção final do PH da água, evitando problemas de corrosão ou incrustação das tubulações. (Pós-alcalinização). 9. Novamente é adicionado cloro à água, antes de sua saída da ETA, garantindo assim um teor residual e a garantia de que a água irá chegar isenta de bactérias e vírus. 10. Por fim, a nossa água de todo dia recebe flúor, que auxilia na prevenção de cáries. Dessa forma, a água potável, clorada e fluoretada chega às nossas casas e muitas vezes, é desperdiçada com torneiras abertas, lavagem de calçadas, vazamentos e todo tipo de mau uso possível. Um bem tão precioso deveria ser utilizado racionalmente.

Reservatório

Cloro Flúor

Distribução

Neo NeoMondo Mondo- - Junho 2009

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Água

Soluções A O que é feito com a água servida? Da Redação

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sociedade atual vem despertando para as questões de sustentabilidade do planeta, o que tem gerado discussões, estudos e ações sobre preservação dos recursos naturais. A água é um dos temas, bastante propagados, sobretudo no tocante ao consumo. Quando pensamos em água, imaginamos logo aquele líquido cristalino presente nas tor36

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neiras, nos rios ou até nos mares. Mas o que acontece com a água depois de utilizada? Sim, porque cada gota de água que consumimos ou que utilizamos vai para algum lugar. Estima-se que os brasileiros produzam 32 milhões de metros cúbicos de esgoto por dia. Conforme números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, apenas 25% desse esgoto é tratado antes de ser descartado. Isso demonstra o tamanho do desafio ambiental que essa questão representa para o país. O saneamento básico, que é o nome dado ao conjunto de ações que engloba a captação, tratamento e distribuição de

água, coleta e tratamento de esgoto, bem como sua disposição final é realizado por empresas públicas e privadas. Até 2010, o governo deverá investir R$ 40 bilhões em obras de saneamento. Esses investimentos precisam ser cumpridos para que o país alcance a meta estabelecida pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. MAIOR PROJETO DE SANEAMENTO EM EXPANSÃO Um dos maiores projetos de saneamento e recuperação ambiental em andamento no Brasil é o Onda Limpa, desen-


mbientais volvido pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Sabesp, na Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). As obras que foram iniciadas em maio do ano passado deverão estar concluídas em 2011. De acordo com o superintendente da Unidade de Negócios da Baixada Santista, Reinaldo Young, o programa visa aumentar os índices de coleta de esgoto da região, de 53% para 95% e o de tratamento de esgoto para 100% até 2011. São previstos investimentos de R$ 1,23 bilhão, sendo R$ 1,04 bilhão em empreendimentos de coleta e tratamento de esgotos e R$ 187 milhões em aprimoramento de água, com o financiamento do Japan Bank Internatio-

nal Cooperation (JBIC) e a contrapartida da Sabesp e do BNDES. Serão instalados 1.175 km de redes coletoras, coletores-tronco, interceptores e emissários; 120.424 mil ligações domiciliares; 101 Estações Elevatórias de Esgoto; 7 Estações de Tratamento de Esgotos e Emissários Submarinos de Santos e Praia Grande, beneficiando uma população de 1,6 milhão de habitantes (residentes) e 1,35 milhão de pessoas em período de alta temporada e que nos momentos de pico chega a alcançar 2,95 milhões. O Onda Limpa prevê ainda a ampliação do emissário submarino de Santos, numa complexa operação que envolverá mer-

Reynaldo Young, Superintendente da Sabesp, na Baixada Santista

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Àgua

Cidade

Grades Rede de Distribuição

Rio

Esgotos Decantador

Represa Reservatório Captação

Floculação Decantação Filtração

Ciclo do Saneamento

Tubulação que será utilizada na ampliação do emissário submarino

gulhadores, helicópteros, embarcações e que interromperá o trânsito do maior Porto da América Latina, o de Santos, durante a operação que transportará uma tubulação de quase mil toneladas e 425 metros, que será acoplada à tubulação já existente sob o mar.

PROGRAMA REÚSO DE ÁGUA A Sabesp, a exemplo do que fazem países desenvolvidos, implantou o Programa Reúso de Água, que vem sendo, a cada dia, mais adotado por indústrias e alguns condomínios privados. Os objetivos são: proteção da saúde pública, manutenção da integridade dos ecossistemas e uso sustentado da água. A conta é simples, cada litro de água de reúso é um litro a menos de água captada.

Também é um litro a mais de água potável destinada para uso mais nobre: o consumo humano. Cabe lembrar que fazemos parte de uma população que dá descarga, lava o carro e o quintal com água potável. A água de reúso, atualmente produzida e disponibilizada dentro das estações de tratamento de esgotos, pode ser utilizada para lavagem de ruas e pátios, irrigação e rega de áreas verdes, desobstrução de rede de esgotos, assentamento de poeira em canteiros de obra e cura de concreto. Ela não pode ser utilizada para consumo, nem para banhos, nem para agricultura de produtos de consumo direto (ex: ervas, verduras ou frutas). Os municípios de São Paulo, São Caetano, Diadema, Carapicuíba e Barueri já utilizam o produto para lavagem das vias públicas e desobstrução de galerias pluviais. Empresas do setor petroquímico, têxtil, construção civil e demais segmentos industriais já fazem uso dessa água em seus processos.

A distribuição acontece através tubulações ou por caminhões-pipas, dependendo da demanda, utilização e projeto apresentado. São tratados em São Paulo, 16 mil litros de esgoto por segundo. Apenas 1% está sendo utilizado como água de reúso. Conforme explicou a analista Eliane Rodrigues de Almeida Florio, do Departamento de Planejamento, Controladoria e Desenvolvimento Operacional, da Sabesp, teoricamente, todo esgoto tratado poderia ser disponibilizado como água de reúso. É evidente que esse fornecimento teria que ser estruturado conforme a demanda e especificações de uso. “Acredito que a prática do reúso da água é irreversível e uma das melhores soluções ambientais” – disse ela. Atualmente, são fornecidas na Região Metropolitana de São Paulo, 1,08 milhão/ m3/ano (dados 2008) de água de reúso para usos não-potáveis.

Capacidade de Produção para Venda do Produto

Custos

ETEs ABC Barueri São Miguel Suzano Parque Novo Mundo Total

Os preços atuais (a partir de 11/09/08) são de R$ 0,48/m³ para empresas públicas e R$ 0,81/m³ para empresas privadas e são reajustados de acordo com a política tarifária da Sabesp. Projetos customizados para fornecimento via rede têm seus preços determinados de acordo com as características de cada contrato.

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Capacidade ETAs (L/s) 13 3 12 20 48


Estação de Tratamento de Esgoto assemelha-se a um jardim

PLANTAS NO TRATAMENTO DE ESGOTO Um tratamento de esgoto com utilização de plantas tem se mostrado um eficiente método alternativo para recuperação de água servidas. Chamado Sistema Zona de Raízes é um tratamento primário que funciona como um decantador com três câmaras e um filtro anaeróbico. A decantação primária remove os sólidos em suspensão de maior dimensão. Em seguida, o efluente é conduzido para o filtro biológico (tratamento secundário) por gravidade, por meio de uma canalização de PVC de 100 mm de diâmetro. O líquido que passou pelo meio filtrante vai até o poço de sucção e é bombeado para o tratamento final: O canteiro de juncos – “ Zona de Raízes “.

Esgoto após tratamento por plantas.

Conforme explicou Stephan Posch, diretor da ADESCAN - Agencia de Desenvolvimento Econômico e Social de Caldas Novas, o sistema tem sido utilizado para tratamento de esgoto doméstico e efluente industrial (após análise). São utilizadas plantas da família de juncos, como por exemplo, a taboa e também bambu e plantas ornamentais. As plantas oxigenam o efluente e permitem a limpeza do esgoto. A água limpa por essa técnica pode ser utilizada para irrigação de jardins, descarga de vaso sanitário ou ser descartada sem riscos de contaminação. O melhor é que tem baixo custo, exige uma operação menor que o tratamento tradicional, reaproveita a água utilizada e a estação de tratamento ainda se asseme-

lha a um jardim comum. O mecanismo tem sido utilizado por empresas, residências e universidades de Goiânia. VANTAGENS • Permite o reúso da água sem lâmpada ultravioleta; • Consome pouca energia; • Permite ligação no pluvial; • Um jardim ornamental; • Exige mínima manutenção e operação; • É supersilenciosa; • Inibe mau cheiro.

TECNOLOGIA SOCIAL Uma pesquisa divulgada pela Agência FAPESP mostra que cientistas irlandeses estão utilizando a nanotecnologia para aprimorar um método de baixo custo para a desinfecção da água por meio da luz solar. Segundo a matéria, de autoria de Fábio de Castro, os estudos coordenados por Patrick Dunlop, professor da Escola de Engenharia da Universidade de Ulster, na Irlanda do Norte, buscam desenvolver fotocatalisadores nanoestruturados para aplicação em um equipamento de baixo custo que possa utilizar a energia solar para purificar a água em regiões carentes. O método

é muito simples e consiste em depositar água em garrafas PET, que são colocadas sob o sol por um período de cerca de 6 horas, normalmente sobre os telhados das casas, antes do consumo. O projeto é realizado em diversos países da África, Sudeste Asiático e América Central, além de Peru, Equador, Bolívia e Brasil, onde foi implantado na comunidade de Prainha do Canto Verde, na região de Fortaleza (CE). Estudos mostraram que crianças com menos de 6 anos que utilizaram água submetida à desinfecção solar tiveram sete vezes menos probabilidade de contrair cólera. Por outro

lado, alguns patógenos ainda são resistentes e há problemas para garantir a qualidade e as condições da garrafa. Por isso mesmo, o grupo coordenado por Dunlop desenvolveu protótipos de equipamentos que utilizam fotocatalisadores para acelerar a desinfecção da água, com a intenção de substituir as garrafas PET por um reator de fluxo contínuo que está sendo desenvolvido na Espanha. Depois de uma análise de custo, esses aparelhos, em formato portátil, serão testados em comunidades africanas em 2009, aumentando a eficiência e a segurança do processo.

Fonte: Agência FAPESP. Neo Mondo - Junho 2009

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Àgua

Podemos Sim,

Produzir

Facilitar a reposição das águas nos aquíferos e preservar as florestas são ações imprescindíveis para defesa da água. Da Redação

A

o contrário do que se pensa em um primeiro momento, é possível sim produzir água. Isso pode ser feito devolvendo ao solo a capacidade de recuperar a água das chuvas, de forma que estas retornem aos aquíferos, bolsões subterrâneos, onde está concentrada boa parte da água doce do planeta. Atualmente, uma das principais dificuldades encontradas para esta reposição natural é o tratamento inadequado do solo para utilização na agricultura e pecuária. A impermeabilização usada em muitas plantações e pastos acaba se transformando em uma barreira para que as águas das chuvas voltem ao subsolo. Outro fator que prejudica o equilíbrio hidrológico é o desmatamento. As florestas funcionam como “esponjas gigantes” absorvendo água durante o período das chuvas e soltando-a no período da 40

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Água! “

Ecossistemas florestais e de montanha são os principais responsáveis pelo fornecimento de água doce no mundo

seca. Elas também são responsáveis pelo umedecimento do solo, abastecimento das nascentes e dos rios e pela qualidade dos cursos d’água, pois reduzem sedimentos e filtram poluentes. Para combater o problema, instâncias do poder público em parceria com ONGs têm promovido programas de incentivo à adoção de práticas de conservação do solo por parte de produtores rurais. Em âmbito nacional, a ANA (Agência Nacional das Águas) criou o Programa Produtor de água que visa melhorar a qualidade e a quantidade de água em áreas rurais das sub-bacias, onde há mananciais de abastecimento, fornecendo apoio técnico e financeiro para iniciativas de conservação de solo, recuperação e proteção de nascentes, reflorestamento de áreas de preservação permanente (APPs), saneamento ambiental e o pagamento de incentivos aos produtores que comprovadamente contribuírem para a proteção e recuperação de mananciais. “Os pagamentos são feitos durante ou após a implantação de um projeto específico, previamente aprovado, e cobrem total ou parcialmente os custos da prática implantada, dependendo de sua eficácia de abatimento da poluição difusa. Para tanto,

contratos são celebrados entre os agentes financiadores e os produtores participantes”, explicou Devanir dos Santos, gerente de Conservação de Água e Solo da ANA. Segundo ele, os recursos utilizados para pagamento dos produtores rurais vêm da cobrança pelo uso da água, instituída pela lei 9.433/97, conhecida como Lei das Águas. Por enquanto, apenas duas bacias hidrográficas federais estão realizando esta cobrança - a bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) em São Paulo e Minas Gerais e a bacia do Paraíba do Sul em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A nível estadual, várias outras bacias já iniciaram a coleta do recurso. O caso de Extrema Criador da primeira lei municipal brasileira de sistemas PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), baseada no conceito do protetor-recebedor, o município de Extrema, em Minas Gerais, um dos quatro mineiros que fazem parte da Bacia do PCJ e um dos principais contribuintes do Sistema Cantareira, vem compensando financeiramente os produtores rurais que participam do projeto, por ações ligadas à restauração e conservação florestal, conservação do solo e saneamento rural nas suas propriedades.

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Àgua

Aurélio Padovezi - TNC

Produtores rurais atuam na preservação da área em que atuam e recebem pagamento

“O principal resultado do projeto é colocar em prática o conceito de Pagamento por Serviços Ambientais, um conceito que internaliza no nosso sistema econômico custos que até então andavam à margem: o lucro do poluidor em cima dos que são obrigados a conviver com a poluição e o prejuízo dos conservadores para manter a qualidade ambiental para toda a sociedade”, analisou Aurélio Padovezi, assistente de conservação do Programa de Conservação Mata Atlântica da ONG The Nature Conservancy (TNC), um dos parceiros do Programa de Extrema. Para identificar os pontos estratégicos a serem conservados na cidade, a Prefeitura desenvolveu um sistema de informações geográficas baseado em imagens de satélite e num banco de dados digital, o qual possibilita identificar espacialmente as propriedades rurais, bem como seus respectivos usos de solo, auxiliando no desenvolvimento e no monitoramento dos projetos e na definição dos valores para o PSA. Esses estudos deixaram aparente a necessidade da restauração florestal nas margens dos rios, nascentes e topos de morro, o saneamento ambiental e ações de conservação do solo. “Além da redução da erosão e aumento da infiltração, também estão previstos no projeto a construção de fossas sépticas, recuperação das APP’s (matas ciliares e topos de morro) e o incentivo à manutenção das áreas hoje vegetadas, as quais, a partir da construção de barragens na região, passaram a ser

ameaçadas pela pressão imobiliária”, acrescentou Devanir dos Santos, da ANA. A área do projeto engloba 4.000 hectares nas cidades de Extrema, Joanópolis e Nazaré Paulista. Até a sua conclusão, a previsão é que sejam plantadas 300.000 mudas de árvores nativas e cercados 1.000 ha de áreas de preservação permanente ou de florestas existentes. A microbacia das Posses foi a primeira a ser recuperada e a fazer o PSA. Segundo dados da TNC, foram realizados 38 contratos até dezembro de 2008 e cerca de 100.000 mudas foram plantadas nas Áreas de Preservação Permanente (APP) e em outras propriedades não beneficiadas pelo PSA. O pagamento em 2008 foi de R$ 159,00 por hectare ano, considerando a área da propriedade como um todo. No total e até 2008, já foram investidos pelos parceiros cerca de R$ 1,2 milhões. “O sucesso alcançado pelo Programa tem despertado o interesse dos estados e municípios na sua aplicação e são inúmeras as propostas de parceria apresentadas à ANA”, informou Devanir. No momento, a ANA está desenvolvendo estudos para implementação do Programa na bacia hidrográfica do Pipiripau, importante manancial de abastecimento do Distrito Federal, e conta com a parceria da ADASA, CAESB, The Nature Conservancy, Universidade Federal de Brasília, Fundação Banco do Brasil, Banco do Brasil e EMATER DF.

Fotos: Aurélio Padovezi - TNC

Proteção da mata ciliar é uma das propostas do projeto Produtor de Águas

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Extrema, em Minas Gerais, é referência no sistema de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)


Fonte: Ministério dos Transportes

MAPA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS

Abundante, mas não infinita Brasil é reconhecidamente bem servido de recursos hídricos, mas pode passar por problemas nas áreas mais populosas Um dado é sempre usado para defender a autosuficiência brasileira no abastecimento de água: o país detém 11,6% da água doce superficial do mundo. A oferta é mesmo grande, mas a ocupação populacional não seguiu a lógica da distribuição dos recursos: 70% da população brasileira vive na área da Mata Atlântica, uma concentração que sobrecarrega o sistema hídrico. “A água não é uma carência do país, a região com maior escassez é o sertão nordestino. Por outro lado, grandes centros urbanos, como a região metropolitana de São Paulo, tem gigantesco consumo, mas tratam mal seus mananciais como a represa de Guarapiranga que, por conta da ocupação desordenada de suas margens, ameaça desabastecer a metrópole”, comentou Marcelo

Ribeiro de Carvalho, geógrafo formado pela USP (Universidade de São Paulo) e professor de Geografia do Anglo Vestibulares. Para o professor, não adianta ter toda esta água disponível se não há uma distribuição e cuidados adequados, já que água, uma vez contaminada, deixa de ser um recurso renovável. Recurso é distribuído por meio de bacias hidrográficas Bacia hidrográfica é o conjunto de terras que fazem a drenagem das águas das precipitações até o curso da água, que geralmente é um rio. No Brasil, são oito principais: Bacia Amazônica, Bacia do Araguaia-Tocantins, Bacia do rio Paraíba, Bacia do rio São Francisco, Bacia do rio Paraná, Bacia do rio Paraguai, Bacia do rio Paraíba do Sul e Bacia do rio Uruguai.

A maior, não só no âmbito do Brasil como também do mundo, é a Amazônica, com área de drenagem da ordem de 6 x 106 km² prolongando-se dos Andes até o Oceano Atlântico. Ocupa cerca de 42% da superfície brasileira, estendendo-se além da fronteira da Venezuela à Bolívia. Para gerir todas essas bacias, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh) determinou os Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos colegiados compostos por representantes do poder público, dos usuários das águas e das organizações da sociedade com ações na área de recursos hídricos. “É um instrumento democrático, pois o simples cidadão pode intervir no que se refere à bacia hidrográfica de onde mora”, opinou o presidente da ONG Universidade da Água, Gilmar Altamirano.

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Água

Desafios pela

O

Brasil pode tornar-se autossuficiente na produção de pescado, desde que se mudem a mentalidade e a prática no País. É nesta linha que atua a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap), criada em 2003, e que pode virar ministério, de fato, mediante projeto de lei. A tentativa de criar o Ministério da Pesca por medida provisória encontrou resistência política. O que o governo federal pretende é efetivar a gestão compartilhada com base no tripé desenvolvimento da produção, com inclusão social e

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respeito ao meio ambiente. Quem explica é o engenheiro de Pesca, João Felipe Nogueira Matias, diretor de Desenvolvimento da Aquicultura da Seap. Felipe Matias distingue as duas vertentes, que correm lado a lado: pesca é captura; aquicultura é cultivo. Na área que dirige privilegia-se o fomento, esclarece. Um dos desafios do governo é tratar o potencial pesqueiro do País, minimizando os efeitos da “sobrepesca”. Com mestrado em Aquicultura, prestes a concluir doutorado, além de MBA em Gestão, o especialista acen-

tua que aquicultura é fomento, diferentemente de produção aumentada pura e simplesmente. Potencial subdimensionado Com 8,5 mil km de costa marítima, sem falar nos 5,5 milhões de hectares de lâmina d´água de reservatórios de hidrelétricas, com clima favorável e uma diversidade de espécies (são 3 mil só em água doce, ou 30% dos peixes existentes no mundo), o potencial pesqueiro no Brasil ainda está subdimensionado, acredita. “Temos cerca


frente Não basta ensinar a pescar; é preciso cultivar o peixe. Da Redação

de 600 mil pescadores, basicamente artesanais, e 100 mil aquicultores. Estes 700 mil, diretamente envolvidos, se multiplicados na média familiar de 5 pessoas, representam 3,5 milhões dependentes da atividade.” Em convênio com o Ibama, a Seap apurou que, em 2006, foram comercializadas no País mais de 1 milhão de toneladas por ano, a um preço médio de R$ 3 o quilo. O que permite projetar um faturamento de R$ 3,5 bilhões ao ano. Ou seja, potencial o Brasil tem. Trata-se de ordená-lo ou, se preferir, reordenar a atividade.

Para 2011, Felipe Matias prevê ser possível atingir a autossuficiência do mercado interno de peixes, quando se deve passar dos atuais 7 quilos por habitante para 9 kg/habitante. A Seap considera importantes as parcerias interministeriais - notadamente com os ministérios do Meio Ambiente, da Integração, do Desenvolvimento Social -, no sentido da cooperação para conseguir atingir as metas do segmento, em que se destaca o desenvolvimento da aquicultura familiar, para garantir a democratização do acesso de pessoas ao

mercado com renda entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil. Felipe Matias lembra que o que é feito no Brasil despertou interesse de participantes no Fórum Ibero-Americano e no Congresso Mundial, em 2007. Evolução da atividade pesqueira (Aquicultura + Pesca) 2004 - 1,015 milhão de toneladas 2006 - 1,050 milhão de toneladas 2007 - 1,090 milhão de toneladas Fonte: Ibama/Seap

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Àgua

“ Felipe Matias, da Seap: gestão compartilhada permite avanços

Brasil à deriva? O relatório À deriva - Um panorama dos mares brasileiros, do Greenpeace, não se limita a apontar problemas ou enfatizar suas críticas ao modelo de gestão, ao apontar sobreposição de atribuições, mas apresenta soluções para vencer os desafios que se colocam. A ONG é clara ao dizer, logo na Introdução, a que veio com o relatório À deriva: “ Se considerarmos que a atividade pesqueira marinha, no Brasil, gera 800 mil empregos e é responsável pela sobrevivência de 4 milhões de pessoas, a falta de governança na gestão pública e o descaso na fiscalização assumem ares ainda mais graves. A queda da produção pesqueira pode, também, causar impactos negativos na dieta alimentar do brasileiro, e a redução da biodiversidade de nossos mares constitui uma perda inestimável para a ciência e para o próprio ecossistema marinho, ameaçando seu equilíbrio natural”. O relatório pode ser acessado na íntegra em www.greenpeace.org.br Mais que princesinha do mar Copacabana, cartão postal do Rio de Janeiro, cantada como a princesinha do mar, vai além. Que o digam os pouco mais de 1 mil pescadores das quase 800 famílias que compõem a Colônia Z-13 no Posto 6.

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Que nossas autoridades olhem com mais carinho para nossos pescadores em certos projetos

Kátia Janine, presidente do grupo, diz que, por ficar numa área urbana, “sufocados por prédios, clubes, áreas militares e olhares especuladores, resistimos com muita garra”. Isto se deve a uma estrutura mais moderna que conseguiram formar, desde a fundação em 29 de junho de 1923. Na verdade, lembra, a colônia é do tempo dos índios. A rotina ali não difere muito da de outras colônias: “O pescador sai entre 5 e 6 horas da manhã, para retirar a rede, e retorna por volta das 8, 9 horas para vender o pescado. Alguns fazem a pesca de linha, sem precisar de horário regular para isso. Como nossas águas estão muito poluídas, temos núcleos que fazem a despoluição, retirando lixos de superfícies”. Kátia cita os shows culturais que realizam na sede, na avenida Atlântica, sem abrir mão da festa de São Pedro, sempre no dia 29 de junho, para manter a colônia com visibilidade. A presidente da Z-13 faz apelos às autoridades. Apesar de reconhecer - ou até mesmo por isso - a importância de

organismos como o CNRH e o Ministério da Pesca, os pescadores querem ser atendidos com mais frequência, e não apenas duas vezes por semana. “E que olhem com muito carinho para o pescador quando aceitarem projetos como os da Petrobrás, empresas de minérios e outras. Que pelo menos façam projetos sociais com nossos pescadores, pois são os mais prejudicados com esses projetos”.


Neo Mondo - Setembro 2008

A


Água Agência Petrobras de Notícias

Nova e Promissora

Fro

A

Petrobrás faz da tecnologia e do empenho de seus profissionais o cajado que lhe permitirá abrir águas profundas e levar o Brasil à terra prometida entre os maiores produtores de petróleo do mundo. Atingida a autossuficiência em 2006, com 1,8 milhão de barris/dia, a empresa depara-se nos próximos anos com a tarefa de vencer o desafio de viabilizar a exploração das reservas identificadas inicialmente nas camadas pré-sal nas bacias de Santos (SP), Campos (RJ) e Espírito Santo.

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Todas “promissoras”, ressalta a Gerência de Imprensa em entrevista à Neo Mondo. Com o esclarecimento: “Não há números definidos ainda sobre a quantidade dessas reservas. Mas há expectativa de serem 14 bilhões de barris, o que faria dobrar as reservas brasileiras”. Sem problemas quanto a investimentos, que estão garantidos: “São US$ 174 bilhões de 2009 a 2013, como parte de um plano de negócios definidos pela Diretoria da companhia, aprovado pela Presidência da República e Ministério das Minas e Energia”.

Equipamento de última geração No fim de fevereiro, a Petrobrás colocou em operação um equipamento de última geração, o IBM Power 6. Um supercomputador de quase 3 toneladas, “com alta capacidade de processamento, para simular o desenvolvimento da produção em reservatórios de petróleo, a ser aplicado nas acumulações da camada pré-sal da Bacia de Santos”. Novidade que faz parte da estratégia da empresa que, no caso, simula a drenagem ideal de um campo. “São considerados, entre outros dados, o número de poços produtores e injetores


nteira Supercomputador integra a estratégia de exploração da Petrobrás. Da Redação

que deverão ser perfurados, sua posição no campo e geometria (vertical, horizontal ou direcional)”, explica a Gerência de Imprensa. Entre as principais vantagens dessa inovação tecnológica está o aumento da velocidade no processamento das informações geradas no processo produtivo. Desenvolver tecnologias inovadoras e preparar profissionais capacitados a lidar com desafios cada vez maiores é uma constante na história da Petrobrás e, ao confirmar a presença de petróleo no présal santista, abriu-se para a empresa uma nova e promissora fronteira.

Evolução da produção petrolífera no País 1939

é perfurado o primeiro poço em Lobato (BA)

1969

início de produção do primeiro poço marítimo em Guaricema (SE), a 60 m

1974

descoberta de petróleo na Bacia de Campos (RJ) dá início à era da exploração em águas profundas, com sucessivos recordes mundiais de profundidade - começa a curva de crescimento

1987

vencida a barreira de 500 m, no campo de Albacora*

1997

início da operação no campo de Marlim Sul*, a mais de 1,7 mil m

2000

produção atinge a marca de 1,8 mil m, no campo de Roncador*

2005

descoberta de óleo leve, no campo de Uruguá, a 300 km da costa santista e 1,3 mil m; chegada à camada pré-sal, em Santos, a 6,9 mil m

2006

confirmada a presença de petróleo na camada pré-sal santista

2007

iniciam-se os trabalhos de estudos e pesquisas para avaliar o potencial das reservas

2009

começo do teste de longa duração

* Todos na Bacia de Campos (RJ) / Fonte: Gerência de Imprensa/Petrobrás

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Àgua

Agência Petrobras de Notícias

Agência Petrobras de Notícias

A plataforma P-53, no campo de Marlim Leste, Bacia de Campos (RJ) - ancorada em local onde a profundidade d´água é de 1,08 mil m e a 120 km da costa -, será interligada a 21 poços, sendo 13 produtores de petróleo e gás e 8 injetores de água

Ganhos econômicos e tecnológicos Celso Kazuyuki Morooka, professor titular da Faculdade de Engenharia Mecânica e chefe do Departamento de Engenharia de Petróleo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é entusiasta da primeira descoberta brasileira, anunciada no campo de Tupi. “Se as expectativas forem comprovadas, as reservas nacionais poderão se multiplicar na ordem de 5 vezes”, avalia. Engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com mestrado na Yokohama National University e doutorado na University of Tokyo, Morooka acredita em ganhos econômicos e tecnológicos significativos, bem como científicos. “Pela oportunidade da produção de mais petróleo e gás e pelo fato de essa produção necessitar do desenvolvimento de sistemas de perfuração”, diz. Com sua experiência em pesquisa e desenvolvimento de projetos em sistemas marítimos na produção de petróleo e gás, tubulações marítimas de escoamento de petróleo (risers), plataformas flutuantes, poços marítimos de óleo e gás, ondas e correnteza, o professor doutor explica: “As descobertas do pré-sal são campos (reservatórios) marítimos de petróleo em uma área litorânea que se estende aproximadamente do Espírito Santo a Santa Ca-

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Petrobrás aposta em sua tecnologia e empenho dos seus profissionais para vencer desafios

tarina. A perfuração far-se-á não somente em lâminas d´água ultraprofundas (acima de 2 mil m), mas também em camadas de subsolo muito profundas (mais de 5 mil m)”. O que implica em contar com navios e plataformas flutuantes de perfuração e produção, equipamentos submarinos e tubulações de escoamento de óleo e gás (risers) que permitam a operação em lâmina d´água de grande profundidade. Morooka lembra que a importância capital da tecnologia é constante e não poderia ser diferente em setor tão estratégico. “Novos laboratórios experimentais também serão fundamentais para a comprovação e a compreensão de fenômenos observados na prática, com a finalidade de aprimoramento e desenvolvimento das técnicas de projeto e práticas operacionais, assim como para o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções. Nesse sentido, a Unicamp, assim como as universidades nacionais, planeja a construção desses laboratórios, além de constituir centros capacitados para simulações numéricas de alto desempenho e supercomputação”, afirma. Estudos e parcerias A Gerência de Imprensa da Petrobrás vê como decisivos os próximos passos, quando a empresa dedicar-se-á

a muito estudo e pesquisa, em que serão fundamentais as parcerias com Partex, Galp Energia, Repsol-YPF, Shell e BG no trabalho nos blocos exploratórios da Bacia de Santos, na área de Tupi. “Concluído o teste de longa duração, a Petrobrás pretende iniciar a produção de Tupi no final de 2010, num projeto piloto com capacidade de 100 mil barris/dia e 3,5 milhões de m3 de gás. Em todas as etapas, a empresa vai - com seus parceiros, a indústria e a comunidade acadêmica - aplicar toda a sua experiência no desenvolvimento de soluções tecnológicas e de logística que permitam dar início à produção do pré-sal”, afirma. Sem descuidar dos impactos ambientais na exploração dessas jazidas: “Nos desafios tecnológicos para explorar petróleo em águas ultraprofundas estão embutidas as preocupações ambientais, dado o ineditismo da operação. Elas dizem respeito não só à exploração mas também ao transporte do petróleo para o continente, onde será refinado”, garante. Morooka, que é também pesquisador do Centro de Estudos do Petróleo (Cepetro) da Unicamp, não vê maiores riscos ambientais na exploração do présal, além dos eventuais nas atividades de prospecção e produção que se desenvolvem no momento.


Água

Amazônia em pleno

MAR

Brasil busca ampliação de seus limites marítimos para se consolidar em área equivalente a 52% do seu território, uma verdadeira Amazônia Azul. Da Redação

O

Brasil está pleiteando, junto à ONU (Organização das Nações Unidas), um acréscimo de 950 mil km² a seu território marítimo, que atualmente soma 3,6 milhões de km². Se a proposta for aceita, as águas brasileiras totalizarão quase 4,5 milhões de km², uma área maior do que a Amazônia verde e que vem sendo chamada de Amazônia Azul. A expansão é estratégica para o país em diversos aspectos, um dos principais é o econômico. “Sem dúvida é importante. O mar, desde épocas mais remotas da história, revela-se como o espaço que mais se destaca no desenvolvimento econômico mundial. É incontestável a relação de dependência da economia

mundial com o mar, que oferece riquezas estratégicas à sobrevivência das nações, além de 95% do comércio internacional realizar-se através do transporte marítimo. Atente-se, ainda, para o turismo marítimo, a navegação de cabotagem, os esportes náuticos e a exploração de petróleo e gás”, analisou Elaine M. Octaviano Martins, coordenadora e professora do curso de pós-graduação em Direito Marítimo e Portuário da Unisantos e membro da Comissão de Direito Marítimo e Portuário da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. A análise da professora fica ainda mais coerente diante da informação de que 97% dos bens importados e exportados no Brasil são transportados por

navios de outras bandeiras, situação que prejudica as finanças do país. Segundo informações do Centro de Comunicação da Marinha são cerca de U$ 7 bilhões perdidos em divisas na “Conta Frete”. Outro aspecto que não pode ser desprezado é em relação à exploração do petróleo. O Brasil prospecta mais de 80% de seu petróleo e especialistas vem defendendo que a exploração do recurso na nova área deverá possibilitar o aumento de reservas suficientes para atender a demanda do mercado interno brasileiro e ainda possibilitar exportação de excedentes. “Ademais, a questão de novas reservas ganha ainda mais espaço no cenário econômico tendo em vistas as recentes negociações do presidente americano

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Água

Barack Obama com o presidente Lula visando estabelecer um acordo comercial que aumente a venda de petróleo brasileiro para o mercado americano. O andamento das negociações está atrelado à quantidade de petróleo que o Brasil poderá extrair nos próximos anos” ressaltou a professora Elaine. A expansão também é vista como estratégica no âmbito da pesquisa científica e preservação da riqueza ecológica, pois permitirá a manutenção de programas e ações voltada para o uso racional e sustentável dos recursos naturais das águas juridicionais e plataforma continental, entre eles o Programa de Mentalidade Marítima e o Programa de Avaliação do Potencial Sustentável e Monitoramento dos Recursos Vivos Marinhos, entre outros já desenvolvidos pela Marinha. Por outro lado, caso a ampliação seja concedida, para que todos esses benefícios sejam de fato efetivados, a infraestrutura brasileira no setor marítimo necessitará de investimentos. “Proporcionalmente aos direitos, decorrem as responsabilidades. A grande preocupação refere-se ao fato de o Brasil estar efetivamente preparado para investir em políticas de aproveitamento dos recursos, em pesquisas, e, essencialmente, em fiscalização. O país necessita, portanto, dentre outras

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medidas, que a Marinha de Guerra seja imediatamente dotada de navios de primeira geração, além de meios flutuantes, aéreos e anfíbios adequados, em quantidade suficiente para garantir uma presença naval permanente na Amazônia Azul, além de representar os interesses nacionais ou projetar o poder e a influência do país no exterior”, opinou Elaine Martins. Antes disso, porém, é preciso que a ampliação do território seja aceita, o que não é tarefa tão simples. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar (CNUDM), em vigor desde 1994, o limite exterior da Plataforma Continental é de 200 milhas e os países interessados em ampliá-la devem apresentar proposta à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), com base em estudos que a justifiquem. A Rússia foi a primeira a pleitear a ampliação e não teve seu pedido atendido devido a problemas de delimitação das suas fronteiras marítimas com outros países. Após 17 anos de pesquisas, o Brasil foi o segundo a reivindicar, apresentando proposta em 2004. Três anos depois, em abril de 2007, a CLPC formalizou o pedido brasileiro, mas recomendou mudanças. Segundo informações do Departamento de Comunicação da Marinha, embora a CLPC tenha concordado com a extensão dos

limites exteriores para o Platô de São Paulo, não houve concordância integral com as proposições relativas ao Cone do Amazonas, às Cadeias Norte-Brasileira e Vitória-Trindade e à Margem Continental Sul, o que representa cerca de 25% da área inicialmente pretendida. Resta agora à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) avaliar se enviará uma nova proposta, com as recomendações da CLPC, ou se permanece com a proposta inicial, reforçada por estudos ainda em andamento. “É difícil prever a postura da ONU; todavia o Relatório de Recomendações da CLPC sugere que o Brasil apresente nova proposta com novos limites, recomendando certo recuo na propositura brasileira em cerca de 20 a 35% da área originalmente pleiteada. Na minha opinião, em decorrência das recomendações contidas no Relatório, pode-se afirmar que, aparentemente, a ONU sinaliza postura parcialmente favorável ao aumento pleiteado pelo Brasil. Acredito portanto que o aumento e a incorporação da nova área da Amazônia Azul, mesmo que reduzida em nova proposta, deverá ocorrer em breve e o Brasil poderá ser o primeiro país no mundo a ter sua proposta de ampliação de limites da PC aceita pela ONU”, finalizou a professora.

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LI E IT

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O RI TE EX

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LIMITE EXTERIOR

R

)

EE

m 00 (2 n)

Brasil

Arquipélago de São Paulo

ZONA (ZEE)

8.500.000 Km²

Zona Econômica Exclusiva

3.500.000 Km²

Arquipélago de Fernando de Noronha Atol das Rocas

LIM IT E

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(20

0m n)

Território

)

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Extensão Plataforma Continental *

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950.000 Km² LIMITE EXTERIOR (200mn)

(ZE

E)

Amazônia Azul cerca de 4.500.000 Km² (42% do Território)

ZO

NA

Ilha de Trindade e Martin Vaz

LIMITE EXTERIOR (200mn)

NA

12 milhas

ZO

Mar Territorial

(Z

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)

ZEE + Extensão da Plataforma Continental

LI

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TE

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NA

OR

(Z

(2

EE

)

00

m

n)

*Proposta Brasileira

Para entender Todo Estado costeiro tem o direito de estabelecer um Mar Territorial de até 12 milhas náuticas (cerca de 22 km), uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e uma Plataforma Continental (PC) estendida, cujos limites exteriores são determinados pela aplicação de 1 milha naútica = 1,852 km Limites do mar critérios específicos. LINHA BASE

MAR TERRITORIAL 12 milhas (22,2 km) ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA (ZEE) 200 milhas (370,4 km)

PLATAFORMA

PLATAFORMA CONTINENTAL

OCEANO ATLÂNTICO

DE

LU

TA

Os Estados exercem soberania plena no Mar Territorial. Na ZEE e na PC, a jurisdição dos Estados limita-se à exploração e ao aproveitamento dos recursos naturais. Na ZEE, todos os bens econômicos no seio da massa líquida, sobre o leito do mar e no subsolo marinho são privativos do país ribeirinho. Como limitação, a ZEE não se estende além das 200 milhas náuticas (370 km) do litoral continental e insular.

CROSTA CONTINENTAL CROSTA CONTINENTAL

ELEV

AÇÃ

O

PLANÍCIE ABISSAL

CROSTA OCEÂNICA

Fonte: Centro de Comunicação Social da Marinha NeoNeo Mondo Mondo - Setembro - Junho 2009 2008

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Água

O valor da água

no semi-árido do Brasil

No país da abundância hídrica, milhões convivem com a escassez de água. Da Redação

C

erca de 900 mil quilômetros brasileiros compõem o semi-árido brasileiro, que foi delimitado pela Embrapa, em 1991. É uma região de extrema beleza formada pela caatinga e que atinge grande parte do Nordeste, a região setentrional de Minas e o norte do Espírito Santo. No entanto, o semi-árido ficou mais conhecido por uma parcela desse imenso território que é castigado com a seca. Cenas que lembram o deserto, mostram a fome, animais minguando e que colocam a todos diante de duas constatações imediatas: o verdadeiro valor da água e a força de um povo que não se deixa vencer pelas dificuldades. Estima-se que pelo menos um milhão de famílias viva em condições de extrema pobreza no semi-árido, dedicando-se a atividades de cultivo da terra, própria ou de terceiros. Elas enfrentam mais da metade do ano de estiagem, e para eles, a água tem um valor todo especial: o da vida! Desde 1999, uma rede composta por diversos segmentos da sociedade foi formada para fomentar alternativas viáveis e o desenvolvimento dessa região: a ASA Articulação no Semi-árido Brasileiro. 54

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Dieter Bühne/Banco de Imagens ASA

Famílias participam da construção de cisternas no semi-árido

DESENVOLVIMENTO X ASSISTENCIALISMO A ASA defende a construção de políticas públicas que promovam, de fato, o desenvolvimento econômico, humano e ambiental, considerando o bioma específico e as particularidades dessa região. Dessa forma, medidas emergenciais, anti-econômicas e que

geram dependência, como caminhões-pipas e cestas básicas poderiam ser substituídas por ações permanentes e eficazes. No site www.asa.org.br, a entidade declara: “o assistencialismo custa caro, vicia, enriquece um punhado de gente e humilha a todos”.


Sem comida a gente pode passar, mas sem água não

BUSCANDO SAÍDAS Uma das ações implantadas é a construção de cisternas (reservatórios de águas pluviais), através do “Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: um Milhão de Cisternas Rurais” - P1MC. A ASA defende que equipar a população com cisternas de placas custaria menos de 500 milhões de reais (valor muito menor do que o destinado em caráter emergencial) e traria uma solução definitiva ao abastecimento de água de beber e de cozinhar para 6 milhões de pessoas. Conforme explicou o coordenador da ASA, José Aldo dos Santos, cada cisterna têm capacidade para armazenar 16 mil litros de água captadas das chuvas, no período de abril a julho, através de calhas instaladas nos telhados. Com ela, as famílias não precisam mais sacrificar-se em longas caminhadas em busca do líquido. Ganham com isso, tempo para dedicar-se a outros afazeres mais produtivos. A construção é feita por pedreiros das próprias localidades, formados e capacitados pelo P1MC e, pelas próprias famílias, que executam os serviços gerais de escavação, aquisição e fornecimento da areia e da água. Os pedreiros são remunerados e a contribuição das famílias nos trabalhos de construção se caracteriza como a contra-

partida no processo. “Se a água da cisterna for utilizada de forma adequada – apenas para beber, cozinhar e escovar os dentes – dura, aproximadamente, oito meses” disse Santos. Esse cálculo considera uma família de 7 a 8 pessoas. Segundo ele, a água é própria para uso, porque há no programa um treinamento para as famílias sobre os cuidados nesse processo. “Ensinamos o gerenciamento desse recurso hídrico, desde a captação pelas calhas, tratamento para o armazenamento na cisterna até o consumo” – explicou. Já foram construídas 221.514 cisternas. Em abril, novo módulo deve ser iniciado com a construção de mais 23 mil cisternas, financiadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social. O programa conta também com o auxílio do empresariado e de doações. As famílias são indicadas pelas comissões municipais, formadas por entidades da sociedade civil organizada. São considerados diversos critérios de prioridade, como por exemplo: mulheres chefes de família, número de filhos, etc... O coordenador entende que o programa promove mudanças reais na vida das pessoas. “Mais do que construir cisternas, o programa garante a cidadania, a autoestima, a educação, a autonomia e justiça de direitos sociais” – concluiu Santos.

Depoimento Um dos depoimentos de famílias atendidas pelo programa (disponível no site da ASA), deixa claro o significado dessa iniciativa: “Era muito difícil aqui. No período da estiagem a gente passou muitas dificuldades pra lavar roupa, tomar banho e até mesmo pra beber. E, agora, com a cisterna, facilitou tudo. Antes, a gente procurava os riachos, uma água de péssima qualidade. Por causa dessa água, não só os filhos meus, mas na comunidade, as crianças adoeciam desse negócio de diarréia, vermes, essas coisas aí. Antes da cisterna,

quem ia buscar água era eu e meu marido. Inclusive, ele tem um problema de saúde por conta disso, né? Ele tem hérnia de disco, por causa desses tambores pesados. Agora, a gente não precisa mais ir buscar água. O tempo que sobra tem agora o roçado, os bichos e os trabalhos de casa. As crianças que ajudavam também a pegar água, ficam mais livres pra escola. (...) A gente economiza e continua economizando porque a água é tudo. Sem comida a gente pode até passar, mas sem água não. (Antônia Guilhermina Dias da Silva, Manguape - Paraíba).

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Aquecimento Global

Impactos do aquecimento

na economia De que forma o aumento da temperatura global pode afetar os agronegócios? Da Redação

O

O aquecimento global tem sido um tema exaustivamente comentado e discutido, por todos os setores da sociedade, que buscam soluções e alternativas para detectar as causas e conter o avanço desse processo. No entanto, enquanto isso não acontece de fato é preciso voltar a atenção às conseqüências desse aumento de temperatura. O Brasil é um país que depende economicamente de seus agronegócios, que representam 1/3 do PIB nacional. É indiscutível a interdependência da agricultura às condições climáticas. Dessa forma, a economia do Brasil terá algum tipo de conseqüência nesse processo de aquecimento global. Mas qual será? É exatamente em busca dessa resposta que a Unicamp está participando, por meio do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), de uma pesquisa inédita no Brasil cujo objetivo é determinar que conseqüências o processo de aquecimento global trará para a economia do país. O estudo está sendo financiado pela Embaixada Britânica e irá avaliar o cenário gradual desses impactos nas áreas da agricultura, saúde e energia no período de 100 anos. O resultado desse trabalho, iniciado em junho último e com prazo de conclusão de dez meses, será apontado em um relatório semelhante ao notório Relató-

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Não se trata de uma previsão, mas de um estudo científico que apontará um cenário o mais próximo possível da realidade

rio Stern, que em 2006 apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderá sofrer uma perda de 3% (algo como US$ 1,3 trilhão), caso a temperatura do planeta se eleve em três graus Celsius. No tocante aos agronegócios, os estudos estão a cargo do Cepagri em parceria com a Embrapa Informática, cuja sede está localizada no campus da Unicamp em Campinas. O diretor-associado do Cepagri, professor Hilton Silveira Pinto, explicou que serão analisados os efeitos do aquecimento global para o gado de corte – mais especificamente nas pastagens – e em nove diferentes culturas: algodão, cana-de-açúcar, milho, soja, feijão, arroz, café (arábico e robusto) e mandioca. “Não se trata de uma previsão, mas de um estudo científico que apontará um cenário o mais próximo possível da realidade”, explica. Ele disse que isso é viável porque há informações seguras e oficiais sobre cada cultura existente no Brasil e quais as condições para esses cultivos. “Desde 1996 o Brasil possui um zoneamento de risco agrícola, que diz onde, quando

e o que plantar em cada município do país” – explicou. Com base nesses valores, que incluem temperaturas e variabilidade de chuvas é possível transportar para um clima futuro e entender as conseqüências, que podem ser negativas ou positivas, dependendo de cada espécie cultivada. O pesquisador explicou que não há intenção de provocar alardes, mas permitir que essas informações auxiliem numa eventual necessidade de reorganização econômica, dando visibilidade, nesse caso, de uma nova geografia agrícola e até mesmo de estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias (melhoramentos genéticos) que permitam adequações, como a introdução de novas espécies e controles mitigadores dos impactos decorrentes das mudanças climáticas. Apontará também quais as regiões que poderão ser mais adequadas ao cultivo de determinadas culturas. “As projeções brasileiras em torno dos impactos do aquecimento global têm sido baseadas em estimativas mundiais, principalmente as formuladas pelo Painel Intergovernamental sobre


global

Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), mas precisamos considerar que o aumento da temperatura deverá variar conforme a região de cada país. Para o estudo da agricultura precisamos de uma estimativa mais detalhada” – disse o professor. E é exatamente em busca desse cenário brasileiro que a pesquisa caminha. Para isso, os pesquisadores do Cepagri e da Embrapa Informática contarão com a colaboração do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Cruzando informações sobre clima, relevo, solo, concentração de CO2, imagens de satélite, dentre outros dados, será possível projetar o comportamento da temperatura em quadrantes com 50 quilômetros de área. Estudos anteriores dos pesquisadores do Cepagri e da Embrapa Informática já indicam algumas possibilidades em caso de aumento de temperatura. A pesquisa concluída em 2005 refere-se às culturas de café, arroz, feijão, milho e soja. Na oportunidade, os cientistas alertaram que as áreas de cultivo desses produtos serão drasticamente reduzidas caso a temperatura média do planeta suba 5,8 graus Celsius. Considerando essa condição, o café arábico simplesmente desapareceria dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Nesse caso, as condições climáticas do Sul do país seriam mais adequadas à cultura deste café. Em relação ao arroz, o acréscimo de apenas um grau na temperatura do planeta faria com que a área cultivável caísse de 3,7 milhões para 3,4 milhões de quilômetros quadrados. No pior dos cenários considerados, com 5,8 graus Celsius a mais, a área seria reduzida para somente 1,8 milhão de quilômetros quadrados. Os prognósticos no caso do feijão, milho e soja não diferem muito e no caso de acréscimo de cerca de 5 graus, as áreas aptas para a produção dessas culturas seriam seriamente reduzidas. Algumas delas em mais de 50%, como no caso da soja, que passaria dos 2 milhões de quilômetros quadrados atuais para algo em torno de 900 mil quilômetros quadrados.

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Aquecimento Global

Consumo

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CIDADaO

Aquecedor solar representa ganhos para comunidades de baixa renda, para o meio ambiente e para o resgate da cidadania. Da Redação

E

m meio a tantos problemas ambientais, a AES Eletropaulo optou por uma saída ecologicamente correta: a instalação de equipamentos de energia solar em comunidades de baixa renda, com consumo elevado (acima de 150 kw/h), que tiveram as ligações legalizadas. A instalação do aquecedor solar é parte do Programa de Regularização de Ligações Elétricas, iniciado em 2004. Um conjunto de ações que ajuda a reduzir bastante o gasto com consumo de eletricidade, utiliza energia limpa e ainda acaba com a poluição visual por eliminar o horrível emaranhado de fios em incontáveis gambiarras. Ao buscar soluções, como essa, de viabilidade econômica e socioambiental, a empresa se insere entre as que lêem pela cartilha da responsabilidade social. Desde abril de 2008, o projeto passa por um teste piloto em 20 casas da favela de Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, e deve chegar a 200 mil famílias, em 60 favelas da área abrangida pela empresa. A AES Eletropaulo atende a 24 municípios na Região Metropolitana de São Paulo, entre eles

a capital do Estado, num total de 5,7 milhões de consumidores. “Depois dos testes em Paraisópolis, esperamos chegar com nossos fornecedores ao aprimoramento da solução para aquecimento solar adaptado às condições de urbanização de favelas. Nelas, os imóveis possuem peculiaridades de construção, e seria oneroso e complexo instalar o equipamento-padrão de energia solar nesses locais”, disse o gerente de Recuperação de Mercado, José Cavaretti. A distribuidora espera, até 2010, instalar 10 mil equipamentos de energia solar em favelas e conjuntos habitacionais. Ações educativas A preocupação da empresa com o projeto do aquecedor solar leva em conta três componentes: o econômico, o social e o ambiental, como “estratégia para reduzir o consumo e possibilitar clientes economicamente viáveis”, afirma Cavaretti. Com isso, “evitamos ações traumáticas, que podem chegar ao corte de fornecimento ou a negativação do cliente. Preferimos ações educativas, para otimizar o uso de energia por essas pessoas” – disse o gerente.

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Aquecimento Global

sa prática é educativa”, diz o gerente de Recuperação de Mercado.

A AES Eletropaulo considera clientes de baixa renda os moradores de favelas, cortiços e conjuntos habitacionais populares para efeito desse projeto. Por isso, escolheu um equipamento diferenciado, feito de placa coletora de plástico, mais barato, mas de eficiência igual à de outros disponíveis no mercado. Os gestores da empresa acompanham diariamente o correto uso do aparelho, que permite, por exemplo, que uma família de até sete pessoas tome banhos de no máximo 10 minutos, com economia superior a 30% no consumo. “Mesmo nesse sentido, nos-

Chuveiro, o maior vilão O aquecedor solar instalado, gratuitamente, em casas da favela Paraisópolis é de uso exclusivo nos chuveiros (maior vilão nos gastos excessivos de energia nas residências), e os moradores passaram por treinamento sobre a melhor maneira de utilizá-los. Entre os beneficiados pelo projeto estão a autônoma Rosane Conceição Macário, o marido dela, Everaldo, três filhos com idades de 12 a 16 anos, mais duas pessoas. O exemplo típico da família de 7 membros, citado pela AES Eletropaulo. Rosane diz que “foi muito bom contar com esse aquecedor” e que “ficou muito bonito o visual por aqui” depois da regularização das ligações. A expectativa da moradora - além de tocar direitinho a sua lanchonete na comunidade -, é de, na primeira conta de luz depois dessas mudanças, economizar como uma de suas vizinhas: “A conta dela caiu de 30 para 12 reais”. Além da economia, Rosane está contente com “as crianças”, que souberam entender a novidade como meio de se educar para o consumo cidadão. “Sabe como é adolescente, né. Demora muito no chuveiro. Mas agora eles estão mais disciplinados e colaboram com a gente.” O operário da construção civil, Aloísio Batista da Silva, “desempregado no momento”, mora apenas com a filha de 17 anos e

comemora o fato de poder “gastar mais dois minutinhos no banho”. Ainda mais quando está envolvido em alguma empreitada. Chega cansado e empoeirado em casa, e uma ducha relaxante é o que mais quer. Aloísio destaca a importância de poder contar com um equipamento bem prático, de fácil manuseio e capaz de armazenar 200 litros de água. “Dá para quase 10 banhos, se a pessoa não gastar mais do que 25 litros debaixo do chuveiro.” Econômico-ambientalmente correto O correto uso de recursos energéticos, em que o Brasil é rico potencialmente, está na agenda do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, empossado em maio e nesse caso a AES Eletropaulo faz a sua parte, na iniciativa privada. O ministro, em uma de suas entrevistas, lembrou que pretende estender para o País uma de suas realizações como secretário estadual no Rio de Janeiro. Lá não se constrói mais prédio público que não conte com energia solar, por força de lei, garante a autoridade. Cavaretti esclarece que a empresa, da qual é um dos gerentes, não faz caridade nem favor. De 2004 a 2007, investiu R$ 110 milhões (R$ 80 milhões em reforma e ampliação e R$ 30 milhões do Programa de Eficiência Energética). Tudo constituído de recursos próprios, do que resultou recuperação de R$ 150 milhões pela empresa. “O que significa que o valor acumulado no período supera o investido”, contabiliza.

Famílias com energia elétrica regularizada 80 mil em 2006 71 mil em 2007 70 mil em 2008* 50 mil em 2009* *Previsão

Passo a passo da regularização

Aquecedor solar

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Contatos com as lideranças comunitárias Conscientização das pessoas Cadastro das famílias Instalação gratuita de postes, caixas e cabos de medição Em grandes comunidades, faz-se um posto de atendimento


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Aquecimento Global

Vencendo a

Poluição

Como o maior centro industrial do país está lidando com a questão da poluição industrial. Da Redação

A

partir da década de 60, a industrialização no Brasil sofreu uma aceleração, com vistas ao desenvolvimento econômico. Formaram-se Parques Industriais e iniciou-se o chamado milagre brasileiro. Nessa época, o foco era o crescimento e o aumento das exportações, o Brasil queria e precisava produzir. O estado de São Paulo assumiu a dianteira e tornou-se o grande centro industrial e comercial do país, lugar que ocupa até hoje. O gerente do Departamento de Planejamento de Ações de Controle, Mauro Sato, lembra que nessa época a imagem de

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chaminés emitindo densa fumaça chegava a ter conotação positiva, pois era associada ao progresso. Nesse sentido, as questões ambientais não eram consideradas importantes, simplesmente não se falava no assunto. O resultado, como não poderia deixar de ser, foram taxas elevadas de degradação ambiental, reflexos da poluição do ar, da água e do solo, que expuseram as populações do entorno desses Pólos industriais a uma enorme variedade de substâncias tóxicas e a uma baixa qualidade de vida (ver tabela 1).

A constatação de que a preservação da Natureza significava a continuidade de vida no planeta, apesar de óbvia, custou a ser entendida, mas após algumas catástrofes ambientais mundiais ocorridas entre as décadas de 60 a 80, na índia, União Soviética, Japão e no próprio Brasil - em Cubatão, ficou claro que uma nova postura precisava ser adotada. O desenvolvimento sustentável, que consiste na possibilidade de conciliação entre crescimento econômico contínuo e conservação do meio ambiente, evitando a destruição de seus próprios alicerces naturais, passou a fazer parte do vocabulário nacional. O conceito


Industrial também não escapa do componente ético, já que incorpora à gestão empresarial e pública dimensões sociais, políticas e culturais, como a pobreza e a exclusão social, bem como o respeito às futuras gerações. De lá para cá o Brasil avançou bastante na questão do controle da poluição industrial, criando mecanismos, leis e instrumentos de controle e prevenção da qualidade ambiental dos processos. As agências ambientais se tornaram os principais articuladores dessa questão. Em São Paulo, maior pólo industrial do Brasil cabe a Cetesb (Companhia de Tec-

nologia de Saneamento Ambiental) estabelecer condições, restrições e medidas de controle ambiental. É o órgão estadual responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição. Para isso, utiliza-se dos seguintes expedientes: • licenciamento e fiscalização de fontes fixas; • fiscalização de fontes móveis; • monitoramento da qualidade do ar, das águas superficiais interiores, das águas subterrâneas e da balneabilidade das praias, inclusive as interiores.

Laércio Vechinni, gerente do setor de Planejamento de Ações de Controle da Cetesb, explicou que na questão industrial, o grande instrumento de controle é o Licenciamento Ambiental, documento necessário para a instalação e funcionamento. O licenciamento, bem como sua renovação periódica, tornou-se o grande recurso de controle da qualidade ambiental hoje no Brasil. Segundo Vechinni, esse mecanismo, que envolve o atendimento a diversas premissas, permitiu uma mudança de cenário da questão da poluição industrial, pois impôs um controle muiNeo Mondo - Junho 2009

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Aquecimento Global

Tabela 1 - Setores industriais com maior potencial de emissão Poluente Carga orgânica (DBO) Sólidos suspensos (água) SO2 NO2 CO Compostos orgânicos voláteis Particulados (ar)

Setores industriais Metalurgia de não- ferrosos; papel e gráfica; químicos não- petroquímicos; indústria do açúcar Siderurgia Metalurgia de não- ferrosos; siderurgia; refino de petróleo e indústria petroquímica Refino de petróleo e indústria petroquímica; siderurgia Siderurgia; metalurgia de não- ferrosos; químicos diversos; refino de petróleo e indústria petroquímica Refino de petróleo e indústria petroquímica; siderurgia; químicos diversos Siderurgia; óleos vegetais e gorduras p/ alimentação; minerais não- metálicos

to mais efetivo das ações das empresas, que passaram a obrigatoriamente, ter que seguir um formato aceitável de atuação e parâmetros de emissões. Sato explica que o Licenciamento Ambiental está previsto na Lei Estadual nº 997/76, que dispõe sobre o controle da poluição do meio ambiente no Estado de São Paulo, e na Lei Federal nº 6.938/81, que estabelece as diretrizes da Política Nacional de Meio Ambiente LICENÇA AMBIENTAL As licenças estão divididas em três fases: • Licença Prévia, concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento atividade; • Licença de instalação, que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos; • Licença de operação, que permite a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta nas licenças anteriores. José Jorge

Laércio Vechinni, da Cetesb.

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Após aprovadas as três licenças, o acompanhamento continua com as fiscalizações de rotina. Para alguns casos especiais, de significativo impacto ambiental, os meios de licenciamento mudam, como é o caso da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo que exige que algumas atividades apresentem o Relatório Ambiental Preliminar (RAP) ou o licenciamento no EIA/RIMA. De acordo com o engenheiro Sato, no Estado de São Paulo, os órgãos envolvidos no licenciamento ambiental são, além da CETESB, o Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental – DAIA e o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN. Para empreendimentos localizados na Área de Proteção aos Mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, é necessária ainda a participação do Departamento do Uso do Solo Metropolitano – DUSM. ÁREAS CONTAMINADAS O tema de controle da poluição está num processo evolutivo, porém ainda há muito o que fazer e aperfeiçoar. A questão de áreas contaminadas, por exemplo, sejam elas provenientes de falha mecânica ou mesmo remanescentes de outras épocas ainda é um tema recente, mas que irá avançar com o passar dos anos, com a necessidade de renovação e obtenção de novas licenças ambientais, pois a verificação dessas áreas é mais uma exigência, vinculada ao licenciamento. “Áreas suspeitas de contaminação precisarão apresentar estudo de

investigação ambiental de solo e águas subterrâneas, que subsidiarão a tomada de decisão quanto à necessidade de planos de remediação” – disse Sato. Meio Ambiente & Competitividade No início desse processo de desenvolvimento sustentável acreditava-se que os altos investimentos em processos de controle antipoluentes tornariam as indústrias menos competitivas no mercado internacional. No entanto, o que se observa é que é possível vislumbrar sinergias entre a competitividade e preservação do meio ambiente. Nessa nova postura e visão empresarial, as regulamentações ambientais deixam de ser encaradas apenas como um desafio e passam a ser estímulos ao desenvolvimento de novas soluções. Assim tem sido com as importantes corporações instaladas no país, antes ligadas ao estigma de grandes poluidoras. A pressão para avançar na questão ambiental, geralmente, conduziu à adoção de inovações tecnológicas e novas formas de gestão empresarial, que incluem o uso racional dos insumos, tratamento e/ou reaproveitamento de resíduos industriais para a co-geração de energia, mudança na matriz energética, reuso de recursos naturais e análises de ciclos produtivos, evitando desperdícios. E, apesar do investimento inicial para a implantação desses novos processos, o que se verifica nessas iniciativas é a redução de custos totais de um produto/serviço ou ainda o aumento de seu valor, melhorando a competitividade das empresas e, consequentemente, do país.

POLUIÇÃO & LEIS O controle da poluição do meio ambiente no Estado de São Paulo é regido basicamente pela Lei Estadual nº 997/76 e pelo Decreto Estadual nº 8468/76, além de legislações e normas específicas, tais como as resoluções da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, as resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, etc.


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um olhar consciente

Ano 3 - Nº 24 - Julho 2009 - Distribuição Gratuita

a salvação das empresas Na edição de Julho da Revista Neo Mondo, traremos um caderno especial identificando as principais ações de sustentabilidade empresarial brasileira. Em entrevista exclusiva, Juan Quirós, dono de uma holding de quatro empresas de construção e engenharia de infraestrutura, fala sobre os “green buildings” e aponta que o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de países que investem em construções verdes. “Batemos uma bola” com o Instituto Bola pra Frente, que tem como idealizadores do projeto os ex jogadores Bebeto e Jorginho. Fique por dentro também do relatório 2009 do Unicef, “O direito de aprender”. Com um conjunto inédito de dados, análises e relatos de experiência, o relatório descreve a situação do direito à educação no país. Aprenda brincando com o “Dr. Plástico” como ele leva os alunos à terem um olhar artístico sobre o debate do desenvolvimento de uma sociedade sustentável, através da música e do teatro. Essa é apenas uma parte do que você vai encontrar na edição N° 24 da Revista!

Não deixe de ler.

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Aquecimento Global

LEIS

não

País é bom de leis, e na área ambiental não é diferente, mas falta acompanhar o ritmo e a abrangência desejados. Da Redação

L

eis, decretos, resoluções, portarias, instruções normativas... Somos um país de “vastidão legislativa incomparável, cujo grande problema é a aplicação delas, inclusive as ambientais. O Brasil sempre figura entre os países ricos (ainda que convi-

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dado) em eventos internacionais que discutem temas como aquecimento global, redução de emissão de gases, enfim, estamos sempre presentes nos principais encontros globais. Fomos organizadores do segundo grande encontro mundial, a Rio-92, o que nos

colocou na vanguarda das discussões”. A análise do especialista em Direito Ambiental, Terence Trennepohl, é significativa e serve como novo alerta para que as autoridades sejam mais ativas e a sociedade mais consciente de seus direitos e deveres. Se, de um lado, há


bastam

legislação suficiente, “os órgãos de fiscalização estão muito aquém dos textos legais”, ressalva. “Arcabouço invejável” O advogado, autor de uma série de livros temáticos, acredita que o impor-

tante para o País é, além de possuir uma biodiversidade incomparável, ser coerente entre a teoria e a prática: “Somos exemplo a ser seguido na elaboração de leis; não os melhores em todas as matérias ambientais, mas possuímos um arcabouço legislativo inve-

jável, dada a própria dimensão continental de nosso território”, argumenta. O empresário Marcelo Eduardo de Souza vê a legislação ambiental brasileira como construção “concorrente” nas várias esferas de governo. Isso porque se, em âmbito federal, há muita produção Neo Mondo - Junho 2009

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Aquecimento Global

tituição Federal, de 1988; e a Lei dos Crimes Ambientais, já mais perto de nós: 1998.

Trennepohl: há avanços, graças sobretudo a opinião pública e empresários

normativa em leis, decretos e atos do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), com os equivalentes instrumentos em nível estadual, todavia municípios menores ainda carecem de legislação específica, e apenas alguns dos maiores já se fazem presentes. Ele reconhece, porém, que “há muitos avanços em termos de concepção, principalmente graças à atuação dos conselhos de meio ambiente. Estes representam, de forma equilibrada, a visão do poder público, dos setores empreendedores e da sociedade civil organizada”. “Leis não bastam” Engenheiro florestal (com Mestrado em Ciência Florestal) e advogado, Souza acredita que as leis são instrumentos de controle ambiental, mas não o único recurso. “Há mecanismos privados, decorrentes do mercado, por exemplo, cujo papel é tão mais relevante quanto menor seja a presença do poder público, seja em sua função preventiva, a do licenciamento ambiental, seja na de acompanhamento e repressão, mediante a fiscalização” - explicou. Evolução legislativa Mestre em Direito, prestes a concluir seu Doutorado, Trennepohl cita, entre as principais leis reguladoras do meio ambiente, a 6.938/81 - como a

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primeira verdadeiramente ambiental. O advogado lembra que, antes dela, havia os Códigos de Caça, Pesca, das Águas, Florestal, que eram menos ecológicos e mais patrimoniais: “A defesa dos bens dizia respeito ao patrimônio, a sua valoração econômica”. Isso para não falar das disposições do Código Civil de 1916 sobre o direito de vizinhança. A partir de 1981, à 6.938 se juntam três instrumentos que compõem a evolução legislativa brasileira ( ver QuadroResumo ) e lhe dão sustentação: Lei da Ação Civil Pública, de 1985; a Cons-

Futuro incerto?! A legislação e o Direito Ambiental, para o especialista, têm a ver com eventos históricos, a exemplo da Agenda 21, Protocolo de Kyoto e Declaração do Milênio, marcos na conscientização global. E faz seu alerta: “a humanidade não pode correr o risco de chegar ao caos econômico, mas se nada for feito, o futuro será incerto”. Daí a importância das conclusões e proposições oriundas desses encontros internacionais como ponto de partida para a tomada de decisões sérias e viáveis. Até mesmo porque, a exemplo do Protocolo de Kyoto, os chefes de Estado acordam quando se chega a situações extremas, no caso as emissões de gases. Nesse cenário reside a preocupação por excelência que deve nortear o cuidado com o meio ambiente, na visão de Trennepohl. Soluções pra ontem e pra já Ele argumenta que com proporções continentais e problemas ambientais de toda ordem, o Brasil precisa resolver com urgência, questões sociais como a falta de zoneamento urbano, a desordenação das cidades, o descaso ao meio ambiente no trabalho. Para ele essas questões antecedem o lixo atômico, nuclear, tratamento de resíduos sólidos e alimentos transgênicos. Te-

Quadro-Resumo AS PRINCIPAIS LEIS AMBIENTAIS > Lei 6.938 (31/08/1981) Regula a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de aplicação > Lei 7.347 (24/07/1985) Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico > Constituição Federal de 1988 > Lei 9.605 (12/02/1998) Trata das sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente


mas muito em voga na Europa, onde já não existem problemas como a fome, trabalho escravo, condições insalubres e favelas. Souza cita ainda, entre as mazelas nacionais, o combate à corrupção. Esta, em seu diagnóstico, “doença grave”. Mas não se pode esquecer que, se temos problemas, países hoje avançados conquistaram padrão de desenvolvimento

à custa, muitas vezes, de certo grau de depredação de seus recursos ambientais. Que não nos sirvam de consolo, mas de lição. Trennepohl acredita que há avanços, nem tanto por esforço do Estado, mas graças a uma opinião pública esclarecida e empresários que prezam pela qualidade de conceitos em seus negócios. Nem tudo estaria perdido, entre outros

motivos porque nas esferas federal, estadual e municipal se dispõem de legislação específica, profissionais habilitados e ferramentas técnicas para que o País se desenvolva socioambientalmente. “A população aprendeu a cobrar seus direitos, seja administrativamente, seja em juízo. É uma evolução multifacetária, indispensável ao próprio estado democrático brasileiro”, conclui.

ISO 14000 - Certificado de Fé As normas ISO 14000 – Gestão Ambiental fomentam a prevenção de processos de contaminações ambientais, uma vez que orientam a organização quanto a sua estrutura, forma de operação e de levantamento, armazenamento, recuperação e disponibilização de dados e resultados (sempre atentando para as necessidades futuras e imediatas de mercado e, conseqüentemente, a satisfação do cliente), entre outras orientações, inserindo a organização no contexto ambiental. “A norma 14001 define os requisitos para implantação de Sistemas de Gestão Ambiental.” Quem esclarece é o consultor Marcelo Eduardo de Souza. Ao dizer que essa ferramenta “auxilia na efetividade da legislação ambiental no Brasil”, ele lembra: “As organizações que espontaneamente, ou por pressão do mercado, decidem implantar um sistema de ges-

tão ambiental baseado na ISO 14001 necessitam cumprir extensa série de requisitos”. * Definir política ambiental; * Estabelecer programas de gestão ambiental; * Realizar o mapeamento das realidades ambientais; * Cumprir as leis ambientais próprias das suas atividades. Souza faz uma ressalva oportuna. Não é que a empresa, ao obter a certificação ambiental ISO 14000, vá se ver livre de problemas ambientais ou de eventualmente descumprir uma lei. O certificado é a garantia de que uma empresa atende aos requisitos definidos na ISO 14001 e, por isso, está pronta, “de maneira estruturada, de modo a evitar problemas ambientais e tratá-los, caso venham a ocorrer”.

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Aquecimento Global

Algo de bom

no Empresas adotam dispositivos avançados que as tornam mais competitivas e em dia com a missão ambiental. Da Redação

N

a popular história em quadrinhos “Asterix”, os heróicos gauleses, chefiados por Abracurcix, só tinham um temor: o de que o céu caísse sobre suas cabeças. Houve uma época recente onde esse mesmo temor rondou os grandes centros urbanos brasileiros. A nuvem negra ameaçadora sobre nossas cabeças era a poluição industrial, que hoje é alvo de diversos mecanismos de controle adotados pelas empresas no País, onde se destacam as novas tecnologias e leis que regulamentam o assunto. Nos anos 70 a situação era assustadora em função da quantidade de emissões atmosféricas nos grandes Pólos Industriais do país. Passados mais de 40 anos, até dá para comemorar a melhora obtida na qualidade do ar e outros avanços alcançados como a adoção de

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AR


Nossos investimentos em melhoria do desempenho ambiental não buscam somente o atendimento legal, mas a sustentabilidade

novas formas de gestão dos negócios. Na Quattor, segurança e meio ambiente caminham juntos nos projetos que proporcionam à organização a desejada sustentabilidade. Recém-criada (a constituição da empresa foi anunciada em junho - ver Quadro 1), a petroquímica é uma das melhores do setor em gestão ambiental. Quem garante é Eduardo Sanches, gerente da área de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente. Isto porque privilegia, em todas suas unidades, a instalação de dispositivos de controle de suas emissões, que a mantém nos limites legais. E, mais que isso, mostra que a questão ambiental represente, de fato, a posição estratégica da organização. A preocupação, de acordo com o executivo, é fazer com que todas as ampliações de seus processos produtivos apresentem ganhos ambientais. “É como comparar um carro novo com um antigo: o novo possui dispositivos mais sofisticados para emitir menos poluentes. Além do ganho tecnológico nos novos equipamentos, existem os específicos para controle ambiental que propiciam menos emissões. Embora a empresa esteja dentro dos limites legais de emissões, os órgãos ambientais exigem redução nas emissões para obtenção das licenças dos novos projetos.” esclareceu Sanches, que define essa medida como um processo de melhoria contínua. Planejamento e transparência “Processos importantes, como aquisição ou venda de ativos e ampliações, passam por avaliações ambientais e interferem significativamente nas decisões da empresa. Nossos investimentos

em melhoria do desempenho ambiental (ver Quadro 2) não buscam somente o atendimento legal, mas a sustentabilidade. Para nós, relacionamento transparente com a sociedade e as comunidades do entorno faz parte do nosso planejamento estratégico”, afirmou o gerente. Sanches deixa claro que a Quattor obedece a legislação ambiental do Brasil, mas fundamenta sua estratégia de investimentos na área tomando por base o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do negócio. E acentua: “Se existem tecnologias disponíveis e elas são mais restritivas do que a própria legislação do País, pesquisamos para adquiri-las e implementá-las”. Dinâmica do mercado A política de investimentos de empresas em dia com os mais avançados métodos de gestão leva em conta cenários, que mudam a cada momento, a dinâmica do mercado e dos acontecimentos que norteiam as suas estratégias. A Quattor, atenta a essa constante, considera que até o momento seus objetivos e metas de investimentos na área ambiental a colocam numa posição de destaque positivo no cenário industrial. “Eu diria que nossos investimentos são adequados. Os próximos, já planejados, são analisados constantemente para verificarmos se acompanham os cenários que se apresentam. Nosso objetivo é estar sempre à frente do que preconizam os padrões mínimos”, assegura o gerente. O fato da organização levar em conta a questão ambiental nas suas decisões estratégicas faz com que, já em sua origem, a Quattor defina de forma Neo Mondo - Junho 2009

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Aquecimento Global

Quadro 1 O que é Quattor Participações • Nome inspirado nos quatro elementos da natureza, para designar a Companhia Petroquímica do Sudeste. • É uma das vinte maiores empresas brasileiras. • Constituição Acionária: Unipar 60,0% Petrobrás 31,9% Petroquisa 8,1% Principais Controladas:

Unipar – Divisão Química Polietilenos UNIÃO RIOPOL PQU Suzano Petroquímica

explícita o seu compromisso em obter as melhores práticas adotadas nas unidades consolidadas na nova empresa. Mas não é só. Também em sua estrutura, a Quattor busca os melhores resultados a partir das mais avançadas tecnologias e práticas disponíveis não só em suas unidades, mas em todo o mercado. Sanches é taxativo: “A busca constante da melhoria faz parte da nossa cultura organizacional”. Ele lembra ainda que há resultados muito diferentes em um mesmo segmento. E conclui: “Nossas práticas industriais do setor químico e petroquímico obedecem a rígidos controles não somente em consonância à legislação ambiental, mas a seus próprios códigos do Programa de Atuação Responsável, coordenado no Brasil pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim)”. Planejamento, ações e resultados Outra gigante entre as indústrias brasileiras que investiu pesado na missão ambiental é a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa: a terceira siderúrgica integrada do mundo a obter a ISO 14001, norma reconhecida mundialmente por atestar os mais elevados níveis de gestão ambiental). “Conquistamos a ISO 14001 há nove anos, e o sistema implantado contribuiu para que todas as ações

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realizadas na Cosipa tivessem também preocupação com a sustentabilidade. Ganhamos em planejamento, em ações e resultados”, afirma o superintendente de Meio Ambiente, Ricardo Salgado e Silva. Controle e conscientização Desde a época da privatização, quando a Usiminas assumiu o seu controle em 1993, a Cosipa recebeu investimentos de US$ 435 milhões em equipamentos, ações de controle e conscientização ambiental. “Estes investimentos nos permitiram, a partir de uma política de gestão ambiental, implantar diversos projetos e ações na empresa, que possui 100% dos seus processos ambientais licenciados pela Cetesb”, afirma Salgado e Silva. A partir dos projetos e ações focadas em meio ambiente, a empresa obteve alguns resultados importantes como:

• 96% de índice de recirculação de água doce na usina - a água recirculada volta ao processo produtivo, com redução do descarte de efluentes e da conseqüente necessidade de captação de mais água; • sistema de monitoramento próprio de seus efluentes líquidos; • controle de emissões atmosféricas mediante um trabalho de reestruturação que possibilitou a instalação de 60 modernos equipamentos nas várias fases de produção; • avaliação contínua do desempenho e controle de processos das fontes fixas, com destaque ao monitoramento online das emissões, feito pela Cetesb; • qualidade das emissões atmosféricas continuamente apurada; • tratamento contínuo dos resíduos sólidos, feito em sua Central que recebe materiais da siderúrgica e de empresas contratadas e faz o controle da geração, destinação e reaproveitamento dos lotes desses resíduos (850 t, apenas em 2007). A Cosipa tem presença marcante entre as indústrias do Pólo Industrial de Cubatão, unidas em parcerias que fizeram com que o município saísse da classificação de um dos mais problemáticos em degradação ambiental para a conquista do título de Cidade-Símbolo da Ecologia, em 1992.

Quadro 2 Mais de 10 anos devotada ao meio ambiente * As unidades produtivas da Quattor mudaram as suas matrizes energéticas, alterando a queima de óleo por gás, com redução significativa de emissões atmosféricas: 98% na de material particulado;

99% em óxido de enxofre; 85% em óxido nitroso. * Investimentos de R$ 250 milhões em projetos de Segurança e Meio Ambiente, somente na unidade de químicos básicos de São Paulo (antiga PQU).


Uma viagem pelos

Biomas Brasileiros Prezado leitor, você pode conferir que a partir desta edição à dezembro de 2009 faremos uma viagem pelos biomas brasileiros. Mostraremos as belezas, riquezas, ameaças, enfim, tudo o que você precisa saber sobre o nosso Brasil. Parafraseando Márcio Thamos (ver editorial páginas 6 e 7) “o entrelaçamento universal de mãos” é que proporcionará uma transformação socioambiental.

Leia e assine a revista Neo Mondo, com certeza seu olhar ficará mais consciente. Junho - Amazônia

Julho - Caatinga

Agosto - Cerrado

Setembro - Mata Atlântica

Outubro - Pampa

Novembro - Pantanal

Dezembro - Zona Costeira

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Construções Sustentáveis

Sustentabilidade

e se faz

Educação é matéria-prima de mudanças, em que a pesquisa faz a sua parte. Da Redação

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e o País parece ainda engatinhar no quesito construção sustentável, não é o que acontece em instituições de ensino superior como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Oreste Bortolli Jr, professor doutor do Departamento de Projeto na FAU, fala do prédio “vivo”, projeto escolhido entre 20, voltados à sustentabilidade, participantes de processo seletivo na PróReitoria de Pesquisa da universidade paulista (ver números desse projeto no Quadro). E avisa: “a FAU não engatinha no tema”. Elaborado no Laboratório de Informatização de Acervo de Arquitetura (Labarq) da FAU e desenvolvido pela coordenadora desse laboratório, professora doutora Marlene Yurgel, com o vice-diretor, professor doutor Marcelo Romero, e o professor doutor Eduardo de Jesus Rodrigues, a iniciativa tem a participação de estagiários e alunos da Faculdade. O edifício ficará no campus Butantã, em terreno que resultará em 7,4 mil m2 de área construída, com subsolo, térreo, 3 pavimentos e cobertura técnica. Tudo em 3 blocos funcionais capazes de manter tanto uma independência relativa como uma interatividade. “Dois vazios entre os blocos funcionam como túneis verticais de iluminação e ventilação”, adianta o professor doutor. Estão previstos no projeto um auditório, local de exposições e de encontro, além de laboratórios e salas de aula. Oreste define o conceito que está na essência do prédio “vivo”: ser auto-susten74

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tável, o que significa ser automático em seu todo, com o gerenciamento preciso dos equipamentos e sistemas de climatização, iluminação, geração de energia, aquecimento e consumo de água quente e fria. Se não bastasse, a obra “será também um artefato didático para a pesquisa de projetos e edificações auto-sustentáveis”. Entre as inovações do projeto da FAU, o professor doutor cita o uso de coletores fotovoltaicos, para a geração de eletricidade, “na forma de placas em painéis posicionados na cobertura, com outras placas destinadas a reter o calor para o aquecimento da água”. Outro dispositivo, este de forma paraboloide, se destina ao fornecimento de ar condicionado. Excedente de luz e menos água “A previsão de consumo é de 245 mil quilowatts/hora por mês, obtidos dos painéis fotovoltaicos. O sistema solar acaba por gerar um excedente de luz durante o dia para ser aproveitado à noite”, contabiliza Oreste. Com experiência em Arquitetura e Urbanismo no país e no exterior, ele lembra outra novidade no projeto: estão previstas turbinas eólicas de pequeno porte para a geração de eletricidade. E esclarece: “Com a instalação de equipamentos especiais de torneiras e válvulas com sistemas antidesperdício, pelos cálculos do projeto, o consumo de água tratada poderá ser reduzido em até 30%´”. Além do que, a água utilizada nos vasos sanitários será captada da chuva armazenada na cobertura.

Persianas e paisagismo O prédio “vivo” leva em conta outras inovações. A exemplo das persianas, a ser colocadas na parte exterior das fachadas. “Elas servem como elementos de proteção solar, cujo controle será automizado por meio de sensores, ou seja, abrirão e fecharão de acordo com a intensidade da luz solar”, afirma Oreste. Para o tratamento paisagístico, “serão adotadas espécies vegetais que se adaptem ao solo e clima da Cidade Universitária e que sobrevivam somente com as águas da chuva”, explica. Amplas opções Da graduação à pós, o IMT, cujo campus fica em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, oferece amplas opções. “Durante o curso de graduação de Engenharia Civil, nossos alunos têm a oportunidade de realizar visitas tecnológicas na área da construção civil para vivenciar a atividade profissional na prática. Os conceitos sobre a sustentabilidade são inseridos nas disciplinas de graduação. Na pós-graduação lato sensu, o Instituto oferece, desde 2006, um MBA na área com o título de Gestão Estratégica do Meio Ambiente. Na graduação temos ainda, desde 2007, um Curso Superior de Tecnologia, com duração de dois anos, com o título de Gestão do Meio Ambiente”, afirma o reitor do Centro Universitário do IMT, professor doutor Otávio de Mattos Silvares. O IMT buca oferecer uma formação ampla e generalista sobre Engenharia Civil e Meio Ambiente, de modo a colocar no


se Aprende -

- na escola mercado profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável. “Do projeto até a execução final da construção”, ressalta o professor doutor Márcio J. Estefano de Oliveira, do curso de Engenharia Civil. Ele considera positivo o fato de questões ambientais serem tema de discussões em escolas desde o ensino fundamental. Cuidados com a sustentabilidade “A educação é a matéria-prima principal para impulsionar as mudanças. Entretanto, quando se fala em construção sustentável, outros cuidados devem ser tomados, como não confundir sustentabilidade com economia de projeto, redução de mão-de-obra especializada, dispensa de consultores, economia de material e de outros insumos necessários”, diz. A preocupação do professor doutor faz sentido porque o setor da construção civil anda no fio da navalha. “Quando se fala que é o que mais impacta o meio ambiente” (com todas as implicações negativas de ocupação de áreas de risco, desmatamento, geração de poluentes e resíduos de construção e demolição), “no entanto, é também aquele que mais benefícios traz à população com ha-

bitações, edifícios de todo tipo e obras que reduzem os impactos ambientais”. A capacidade inesgotável do ser humano de encontrar soluções de problemas é posta à prova a todo momento. O ensino de engenharia civil é prova disso, ao englobar na área da construção civil disciplinas como materiais de construção, construção de edifícios, instalações prediais, sistemas construtivos, tecnologia das construções, arquitetura, topografia, construções pesadas e outras. São disciplinas que, no entender de Estefano, “além de apresentarem o conteúdo, especificam e discutem a maneira otimizada de se construir, ou seja, o dimensionamento e práticas construtivas que evitem desperdícios e minimizem o consumo de energia. Nosso aluno recebe informações que auxiliam na concepção de projetos mais sustentáveis”. Estudos de caso Entre os diferenciais dos cursos do IMT o professor doutor ressalta a combinação do preparo do corpo docente com a realidade do mercado: “Atuamos na concepção de projetos que sejam compatíveis com as novas exigências ambientais ditadas por

O prédio ‘ vivo´ será um artefato didático para a pesquisa de projetos de edificações auto-sustentáveis

Oreste, da FAU-USP: inovações do projeto mostram que instituição não engatinha no tema

legislações brasileiras e internacionais. Os conhecimentos dos professores são adquiridos pelos alunos em aulas e estudos de caso, que são a base e o subsídio importante em sua futura vida profissinal”. Seu colega de cátedra, professor Hélio Narchi, lembra a importância de atividades desenvolvidas nos cursos de Engenharia Civil na linha da construção sustentável. “Nos últimos anos abordamos temas como impacto ambiental de urbanizações, utilização de águas de chuva em empreendimentos habitacionais, condomínio ecológico e gestão ambiental na implantação de edifícios. Narchi lamenta que “ainda não haja normas, regulamentações legais suficientes para o amplo escopo de temas abrangido pela construção sustentável”, mas reconheNeo Mondo - Junho 2009

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Construções Sustentáveis

Campus do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia forma alunos preparados para contribuir com o desenvolvimento sustentável

ce que as “certificações, em especial as da linha ISO 14000, são instrumentos muito eficientes para alavancar a sustentabilidade na construção. Muito embora sua aplicação se restrinja a poucas empresas do setor, longe de atingir pequenos construtores”. “Pensar ambientalmente” Nem tudo está perdido, porém, mesmo ao considerar que a construção sustentável está longe de fazer parte da ordem do dia de construtoras, empresas em geral, cidadãos e ONGs. O professor faz coro com outros segmentos, como o dos organismos certificadores (ver matéria na página 14), que apontam entre os grandes desafios a falta de informação e conscientização da importância do tema. Mas vê a ação de órgãos públicos de licenciamento ambiental como algo que pode ajudar muito o desenvolvimento da sustentabilidade na construção. Narchi cita o Semasa, de Santo André, no ABC Paulista: “Nos casos previstos pela lei local, edifícios habitacionais ou comerciais são objeto de licenciamento ambiental em que são exigidos do empreendedor o equacionamento de questões. Entre outras, a gestão adequada de resíduos de construção, o reuso das sobras que ficam nas caixas de retenção de águas pluviais e o controle dos principais impactos causados pela obra”. Um conjunto de medidas, na avaliação do professor, que faz “o empreendedor pensar ambientalmente na obra como um todo - cenário ideal para a implantação dos conceitos de sustentabilidade”. Se no setor público há bons exemplos, a iniciativa privada também faz a sua parte, como a produção de literatura técnica disponibilizada pelo Sinduscon a 76

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seus associados, de modo a incentivá-los na prática da sustentabilidade. A lupa do professor do IMT não deixa escapar nada: “Há ainda os programas de qualidade de

Reitor Otávio de Mattos Silvares: da graduação ao MBA, passando por curso de tecnologia, as opções são amplas

obra desenvolvidos por entidades públicas e privadas, que embora não visem exatamente o tema da sustentabilidade, abordam questões a ele relacionadas”.

Pesquisa permite avanços Roberto de Souza, engenheiro civil e doutor pela Escola Politécnica da USP, lembra a importância das pesquisas tecnológicas como aliadas do setor produtivo no desenvolvimento da construção sustentável. Mesmo porque, argumenta, em “todo o mundo, e em especial no Brasil, o assunto é novo e o desenvolvimento de produtos requer investigação, ensaios e validação, antes de serem aplicados em larga escala no mercado”. Roberto, que é diretor-presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), empresa associada ao Instituto Ethos, USGBC, GBC Brasil e CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, destaca o papel que as universidades representam. Sobretudo porque “realizam pesquisas no campo dos materiais, sistemas construtivos, eficiência energética, conforto ambiental, economia de água e modelos de avaliação da sustentabilidade”. As iniciativas acadêmicas somam-se às da indústria de materiais, por exemplo. Setor que “também faz a sua parte, ao desenvolver produtos e sistemas com características sustentáveis, já disponíveis no mercado”, afirma o especialitsa. Entre outros, ele cita componentes hidráulicos economizadores de água, componentes elétricos economizadores de energia, sistemas construtivos industrializados que combatem o desperdício e componentes de revestimentos fabricados com materiais reciclados. Embora exista uma infinidade de tecnologias em uso, das quais o mercado já tem domínio, Roberto acredita que seria necessário ampliar o seu alcance. “As dificuldades em sua adoção muitas vezes estão ligadas ao investimento necessário. Por outro lado, o aumento da demanda por produtos sustentáveis tem provocado uma diminuição significativa desses custos; há também o surgimento de novos fornecedores e com melhores preços”, conclui. Números do prédio “vivo” → em 2007, a Pró-Reitoria de Pesquisa da USP recebeu 20 projetos; dos 20, 10 são selecionados → o projeto da FAU, cujo mentor é o vice-diretor prof. dr. Marcelo Romero, é o escolhido → encaminhado à Finep, o projeto recebe verba de R$ 700 mil da financiadora do Ministério da Ciência e Tecnologia → a Reitoria da USP destina R$ 5 milhões ao projeto → a soma desses recursos é suficiente para a construção das fundações → o custo estimado da obra é de R$ 20 milhões → a inauguração do prédio está prevista para 2011 → empresas privadas interessadas em parcerias para efetivar o projeto podem contatar oreste@usp.br Fonte: FAU-USP


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Construções Sustentáveis

Ações pela

SUSTENTABILIDADE Exemplos não faltam na iniciativa privada ou pública. Gabriel Arcanjo Nogueira

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sustentabilidade plena, em que pese ainda ser “sonho de consumo”, “tem sido meta permanente” da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). Quem garante é o diretor técnico da empresa, João Abukater Neto, ex-presidente do Crea-SP. Na visão do experimentado engenheiro civil, o conceito muda, “e nós procuramos implementar mais forte os instrumentos” que tornem o sonho realidade. Ainda mais, lembra, quando se trata de desenvolver projetos que atendem a populações com renda entre 1 e 3 salários mínimos. Abukater esclarece que as obras em andamento baseiam-se em novas medidas que levam em conta os avanços possíveis, como utilizar materiais de reciclagem garantida, aproveitamento da energia solar, madeiras certificadas, piso drenante, equipamentos de medição individual do consumo de água. “As estruturas metálicas estão entre nossas preferidas porque representam preservar 120 mil árvores nativas, ou 60 mil de reflorestamento, na produção anual de nossas unidades”, diz o diretor. Novos bairros, novas cidades Abukater enfatiza o alcance socioambiental de projetos que a CDHU realiza na Serra do Mar, em Cubatão (SP), que visam recuperar toda a serra com a construção de novos bairros, novas cidades. O que é possível mediante parcerias e com base em dois pilares de sustentação técnica da empresa: a alta capcitação de seus profissionais e a contratação de empresas gerenciadoras gabaritadas.

Entre os parceiros constantes da CDHU estão a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que possibilitam chegar a um empreendimento como esse, classificado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como “o maior em andamento no mundo”, afirma Abukater. Para ele, “um dos papéis do governo é ser um indutor de ações que tragam benefícios sociais, e nesse aspecto estamos na vanguarda”. Isso porque, avalia, A companhia em números Na média, a empresa constrói 25 mil moradias/ano Em 2009, a meta é atender a 41,5 mil famílias Fonte: CDHU

Foto: Clovis Deangelo

Estruturas metálicas representam preservar 120 mil árvores nativas em projetos da CDHU

Abukater, da CDHU: ações para tornar real o sonho de consumo

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Construções Sustentáveis

A CDHU, com seus projetos na Serra do Mar, pretende criar novos bairros, novas cidades

sustentabilidade é necessidade, e a busca por ela deve ser constante. O que faz a empresa encarar a cada dia o desafio de efetivar ações que produzam ganho de escala e redução de custos, entre outros efeitos socioeconômicos. Evolução de conceitos Construçao sustentável é empreendimento que deve ser muito bem pensado desde antes de fixar as fundações. Exemplo é a unidade do Sesc Guarulhos, que até abril próximo receberá

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Conjuntos sustentáveis da companhia paulista de habitação são fruto de parcerias qualificadas

os trabalhos para escolha do escritório responsável pelo projeto arquitetônico, mediante concurso ( interessados podem acessar http://www.internet. sescsp.or.br/sesc/licitacao/lista_concurso.cfm ). Da análise dos trabalhos por uma comissão multidisciplinar composta por arquitetos e servidores do Sesc e posterior contratação do arquiteto e projetistas, “estimamos o cronograma de um ano e meio para elaboração dos projetos e contratação das obras e a conclusão do empreendimen-

to em até 36 meses”. Quem esclarece é o engenheiro civil Luciano Ranieri, com MBA em Administração para Engenheiros pelo Instituto Mauá de Tecnologia e em Administração de Projetos pela Universidade de São Paulo. Tanto cuidado não é pouco porque, quando estiver concluído, esse será o projeto com o maior número de soluções sustentáveis da instituição. “Não poderia ser diferente porque ao longo do processo toda a evolução de nossos conceitos será incorporada ao projeto”,


Divulgação

Divulgação

Unidades do Sesc (na foto, o de Vila Mariana, na capital paulista) passam por atualizações e modernizações para atender ao clamor ecológico

diz Luciano, gestor de Projetos, Planejamento e Orçamento do Sesc-SP. Para ele, a preocupação com a sustentabilidade não é de hoje e mesmo as unidades já existentes passam por atualizações e modernizações que o clamor ecológico exige. “Todas elas terão, a pártir deste ano, sistemas solares para aquecimento de água das piscinas, assim como o tratamento de água das piscinas passará a ser feito com ozônio”. Estas e outras intervenções menores já se tornaram rotina na instituição, ga-

rante o engenheiro. Sobre o Sesc Guarulhos, especificamente, Luciano ressalta alguns fatores que serão levados em conta. Que o diga o Termo de Referência que norteará a elaboração dos projetos. “Da área total do terreno, 25% no mínimo deverão ter a vegetação original, mata primária, recuperada. Os pisos das áreas descobertas, em sua grande maioria, deverão ser permeáveis, e as coberturas da edificação receber cobrimento de vegetação,apropriada à melhoria do conforto térmico e re-

Para Luciano, do Sesc, a preocupação com a sustentabilidade não é de hoje

tenção de vazão das águas pluviais, que depois serão tratatadas para reuso”, diz. Além disso, de acordo com o gestor, a consultoria de profissionais especializados servirá para avaliar a eficiência energética, bem como o desempenho dos sistemas construtivos, de instalações e materiais, entre outros. Luciano considera relevante também o fato de o futuro empreendimento prever a construção de uma estação de tratamento de esgoto integrada a uma Estação de Educação Ambiental, com área para exposições permanentes, miniauditório para palestras e ações educativas, sala para oficinas culturais temáticas, viveiro de plantas e mudas, mais a pequena usina de compostagem. Sem esquecer das medidas de sustentabilidade que levam em conta a comunidade vizinha, que proporcionarão coleta de lixo reciclável, eliminação de fiação da rede pública aérea, arborização do entorno, atividades educativas com relação à saúde, cidadania, alimentação e esporte. Sempre com foco na qualidade de vida e bem-estar das pessoas, Luciano está convicto de que no Sesc “agrupamos um conjunto de ações, procedimentos e programas que lhe permitiram um avanço na sustentabilidade em áreas que envolvem design arquitetônico e de sistemas, especificação de materiais, operação e manutenção”.

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Construções Sustentáveis

Habitante

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Consciente

em construções convencionais É possível adotar uma postura ambientalmente correta sem ter que reconstruir a casa. Da Redação

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orar em uma construção convencional não é desculpa para deixar de lado os conceitos de sustentabilidade. Com mudança de hábitos e simples trocas de equipamentos é possível deixar o lar mais integrado com o meio ambiente. “Se somente as pessoas que moram em edifícios projetados adotarem conceitos de sustentabilidade teremos um cenário muito infeliz, já que, mesmo em países desenvolvidos, este tipo de construção representa menos de 1% das habitações”, opinou a professora doutora da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP, Vanessa Gomes, especialista em Projetos de Construções Sustentáveis . Para ela, as principais melhorias podem ser feitas na gestão da água e da energia. A própria escolha dos eletrodomésticos da residência pode

ser pautada pela economia, já que, há mais de 20 anos, o país possui o Selo Procel cujo objetivo é orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. “No caso da economia de água, o que consome mais são os vasos sanitários e o chuveiro. Hoje já existem válvulas de descarga com dois volumes de limpeza, não sendo necessário o uso da caixa de descarga. Já para os chuveiros existem reguladores de vazão que podem ser implantados, com custo baixo e que diminuem a quantidade de água consideravelmente”, disse. Segundo ela, muitas vezes o que desestimula a implantação deste tipo de recurso é que as pessoas comparam com a economia imediata que terão na conta de água e luz, uma postura incorreta. “Não pagamos o valor real dos bens

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Construções Sustentáveis

como água e energia. Se pensarmos que estes são produtos cuja oferta está diminuindo, pelas regras de mercado, os preços deveriam estar subindo, mas isso não acontece, pois o setor é muito subsidiado”, comentou. Outras saídas para adaptação das construções é o investimento em pequenas reformas, incluindo substituição de artigos cromados, cujo impacto é grande, recusa de móveis com tratamentos de couro, que geralmente possuem alta toxicidade, opção por produtos de madeiras certificadas, substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, entre outras. Segundo Vanessa, sistemas de aproveitamento de água da chuva e de aquecimento solar também são simples de

IDHEA

Sistema de capatação de água de chuva é de simples implantação e já muito utilizado em algumas regiões do nordeste.

serem implantados, ao contrário dos de reuso da água, que necessitam de investimento e assessoria especializada. “No caso da água de chuva, já é bastante utilizado no Nordeste, enquanto o de aquecimento solar já tem tecnologia consolidada”, afirmou. Maus hábitos utilizados na limpeza das residências também devem ser combatidos por habitantes com consciência ambiental. A utilização de produtos de limpeza à base de solvente ou cloro deve ser evitada, pois podem causar danos à saúde. Produtos à base de água ou mais diluídos devem ter preferência.

Atentar para o clima do lado de fora da casa pode evitar uso desnecessário do ar condicionado ou mesmo de iluminação exagerada. “Tudo é uma questão comportamental. O reaproveitamento de concreto já é feito há muito tempo no Brasil, mas antes não era divulgado, porque as pessoas não recebiam bem. Hoje isso é visto como uma vantagem porque há uma preocupação com a destinação dos resíduos. Existe a consciência de que qualquer processo de produção de qualquer coisa tem que considerar os impactos do processo como um todo” teorizou.

Habitante Consciente Pequenas ações que fazem a diferença • Optar por eletrodomésticos com o selo Procel, que aponta níveis de eficiência energética; • Atentar para o consumo de vasos sanitários e chuveiros, se possível, incrementando reguladores de fluxo; • Tintas, lâmpadas, móveis, tudo deve ser pensado considerando o impacto ambiental; • Abrir janelas com frequência ajuda a melhorar a qualidade do ar e evita aparecimento de fungos; • Procurar interagir com os elementos do edifício pode evitar desperdício, como utilização do ar condicionado em dias frescos, utilização da luz solar ao abrir cortinas, etc. • É sempre válido lembrar um dos principais conceitos da sustentabilidade: REDUZIR- REUTILIZAR – RECICLAR Fonte: Profª Vanessa Gomes 84

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Animais

Cadê as

abelhas?

No mundo inteiro há casos de desaparecimento das abelhas e pra cada um, uma nova explicação. Da Redação

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igadas a uma imagem tão meiga por proliferar flores e frutos, as abelhas estão sendo alvos da mídia do mundo inteiro que faz a seguinte pergunta: Aonde elas foram parar? França, Inglaterra, EUA, Canadá, Espanha, Suíça e até o Brasil estão sofrendo com o desaparecimento súbito e sem rastro das abelhas. Há notícias de que apicultores chegaram a perder cerca de 90% de toda a criação. E o espanto não é à toa! Albert Einstein, há mais de 60 anos, alertou: “Olhem as abelhas, se elas sumirem, a humanidade tem no máximo quatro anos de sobrevida, pois não haverá plantas e nem animais, a polinização é a grande responsável pela produção de alimentos”. Afinal o trabalho delas é, além de produzir mel, levar o pólen das anteras de uma flor, onde são produzidos os pólens, para o estigma de uma outra, ou da mesma flor, gerando novos frutos. No caso do Brasil, o fenômeno pode abalar até o desenvolvimento do biocom-

bustível, uma vez que uma das matériasprimas utilizadas é o girassol, que precisa de um grande potencial de abelhas para polinizar toda a área de plantação. Embora os dados sejam assustadores, para o pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Aroni Sattler, não há motivo para desespero. Segundo ele, já faz tempo que casos de desaparecimentos ocorrem, na Espanha o primeiro surto aconteceu em 2000. Assim como na França, Inglaterra, e outros, mas os episódios tiveram pouca repercussão. Somente em 2006, quando o mesmo aconteceu nos EUA, deu-se maior divulgação. “O trabalho das abelhas é prestar serviço à polinização e se não há abelhas, há comprometimento na economia. Nos EUA, o valor de 60 dólares pelo aluguel de colméias para a polinização de pomares saltou para 150 dólares, após a crise” – relata Sattler.

... embora os efeitos sejam parecidos,

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cada caso é um caso

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Contudo, conforme afirma o especialista, pesquisas mostraram que nos EUA o provável causador do pavoroso fenômeno era um vírus, identificado pela primeira fez em Israel. Já na Espanha, os estudos atribuíram o episódio a um protozoário originário do Sudeste da Ásia. “Portanto, embora os efeitos sejam parecidos, cada caso é um caso” – destaca. Sumiço no Brasil Mesmo ocasionado por causas diferentes, quando a divulgação sobre o desaparecimento chegou ao Brasil logo relacionaram com o que estava acontecendo no resto no mundo, causando confusão para os apicultores que não sabiam que medidas deveriam tomar. “Especificamente no Sul, esse sumiço começou em 2000. E, diferente do que ocorria em outros países, não foi preciso alarme para descobrir os porquês. Identificamos que aqui o fenômeno era causado pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, má conservação e manutenção das colméias e a utilização de dessecantes com formicidas nas plantações próximas às colméias” – explica o pesquisador. Este produto, dessecante, é usado para limpar lavouras, como as de soja, para

controlar a lagarta e o percevejo, porém é muito tóxico para as abelhas, que por sua vez são extremamente sensíveis a produtos químicos. Outro fator atribuído ao desaparecimento é a mudança meteorológica. De acordo com Sattler, ano passado o inverno começou mais cedo eliminando as flores mais rapidamente, sem pólen as abelhas ficaram desnutridas e morreram. “Por isso é importante que o apicultor deixe uma boa reserva de mel para elas se alimentarem” - alerta. Em outro período, o calor foi excedente, fazendo com que elas abandonassem as colméias e longe das rainhas, elas não têm muito tempo de vida. Solução Muitas são as especulações, mas a dica do pesquisador para solucionar este problema é estar atento aos cuidados com o apiário. “Deixar uma reserva boa de mel durante o inverno e lembrar que, em determinadas épocas do ano, é normal este desaparecimento. Em 2006, aqui no Sul perdemos cerca de 40% das colméias, mas hoje já estão totalmente recuperadas. E isto foi um processo natural” – comenta Sattler.

Não é a primeira vez que isso ocorre Ao longo dos últimos vinte anos, em diversos países, pragas atacaram com freqüência provocando o desaparecimento das abelhas em todo o mundo. Por volta dos anos 50, a apicultura viveu um período de grande baixa, 80% das colméias foram dizimadas e

a produção apícola caiu drasticamente, por causa de doenças e pragas advindas da falta de cuidado com o saneamento das colméias. Em 1987, outro pico que atingiu o Brasil, Europa e EUA, dessa vez, o causador foi o ácaro Varoa.

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