EDIÇÃO ESPECIAL DE 194 ANOS DE EMANCIPAÇÃO DE TATUÍ 09 de agosto de 2020
Tatuí e sua ‘doçura ilustrada’ Especial integra 98 anos do jornal e traz trabalho de Débora Holtz Com pouco mais de 70 anos do início da profissionalização, a produção de doces caseiros em Tatuí é uma atividade consolidada. Reforça uma tradição, movimenta uma cadeia produtiva e cria oportunidades, características fixadas a partir de um projeto visionário, denominado Feira do Doce. O evento de maior visibilidade do município, o mais rentável e de maior público, é tema da edição especial de aniversário de Tatuí. Preparado em comemoração aos 194 anos da Cidade Ternura, o material é composto por seis reportagens e uma exposição artística. O caderno que acompanha a edição especial de aniversário do bissemanário integra, também, a celebração dos 98 anos do veículo de comunicação mais tradicional e duradouro da cidade, comemorados em 30 de julho. As reportagens são ilustradas com trabalhos da fotógrafa Débora Holtz. Em parceria com o jornal, Débora cedeu imagens clicadas com o propósito de divulgar a edição 2019 da Feira do Doce. Cobertura que, no mesmo ano, originou a exposição “Douceur Illustrée”, criada com o intuito de salvaguardar a importância do título de Terra dos Doces Caseiros, atribuído a Tatuí. “A ideia surgiu, na verdade, em 2017, a partir de um pedido do secretário municipal do Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, Cassiano Sinisgalli”, inicia a fotógrafa. Segundo ela, o titular da pasta tinha planos de preparar um material publicitário para divulgar a realização da quinta edição do evento gastronômico. “O objetivo era apresentar quem estaria na feira como expositor”, explica. Era a primeira edição sob o comando de Sinisgalli. Para aprimorar o marketing do evento, o secretário programou uma sessão fotográfica dos doces que seriam comercializados. Basicamente, entre uma a duas imagens por expositor. As primeiras fotografias, em 2017, foram clicadas nas condições que os doceiros impuseram. “Ficou um trabalho legal, mas vi que tinha potencial e que poderia ser aprimorado”, ressalta. Empolgada com o desafio, Débora apresentou um novo projeto visual ao secretário, em janeiro de 2018. Ela tinha a ideia de produzir imagens com foco no consumo e estilo artístico. “Cassiano adorou a proposta”, comenta a fotógrafa. O trabalho levou dois meses para ser finalizado, sendo realizado em quatro etapas. A primeira consistiu na conceitualização da ideia; a segunda, na apresentação do projeto para o secretário; a terceira, na reunião com os doceiros; e a quarta, na produção das imagens. Em média, Débora fotografou quatro doces por dia, totalizando 400 imagens. “Para chegar ao resultado final, fiz muitas fotografias do mesmo doce, em vários ângulos. Daí, ter um acervo muito grande”, argumenta. A proposta da exposição veio no ano seguinte. “A intenção era chamar atenção do público para a feira, começar a instigar no pessoal a vontade de visitá-la e de comer os doces caseiros produzidos em Tatuí”, explica a profissional. Débora elegeu 30 imagens para
compor a mostra, que entrou em cartaz no MHPS (Museu Histórico “Paulo Setúbal”). A iniciativa aconteceu entre os dias 6 e 7 de julho do ano passado, sendo realizada em parceria com a Unimed e apoio cultural da Aprodoce (Associação dos Produtores de Doces de Tatuí). Por conta do evento, Débora decidiu pesquisar e estudar sobre fotografia de alimentos, vindo a se especializar no assunto. A dedicação resultou em novas oportunidades profissionais, no ramo de produtos em geral. “Recebi muitos convites para trabalhos que se abriram para mim depois das fotos dos doces, em vários ramos de produção, como os de saboaria e de semijoias”, conta. Em uma nova ação ligada aos doces, Débora selecionou imagens produzidas por ela para compor o especial de O Progresso. A fotó-
grafa explica que sempre costuma compartilhar trabalhos, quando solicitada. E considera a iniciativa do jornal importante, principalmente no período de pandemia. “Ninguém está podendo ir a lugar algum e, infelizmente, não tivemos a feira. Acho que poderemos não a ter neste ano. Então, lembrar que esse evento é importante para a cidade, ainda mais com imagens, é fantástico”, declara. Débora Holtz é natural de Sorocaba e mudou-se para Tatuí ainda criança. Apaixonada por fotografia, iniciou estudos na área em 2012, no Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio), na unidade de Salto. Especializou-se em fotografia “newborn” (de recém-nascidos). Entre 2015 e 2018, trabalhou cobrindo eventos da cidade. Nesse período, Débora participou de diversos workshops, entre eles o “De
Comer com os Olhos”, que despertou o interesse da fotógrafa pela área gastronômica. Atualmente, segue carreira autônoma, com trabalhos autorais para diversos segmentos. Suas fotografias estão disponíveis em plataformas digitais, como Instagram e Facebook. O especial de aniversário tem pauta composta por diversos temas, todos relacionados à Feira do Doce. A reportagem de abertura trata do histórico do evento, detalhando como surgiu, os obstáculos vencidos e as primeiras metas alcançadas. Na sequência, o assunto é o aspecto de constante transformação do evento, que ganhou status de feira, já sob a direção do atual secretário Sinisgalli. A terceira reportagem trata da criação da Aprodoce, os motivos que levaram os produtores a se unirem, as con-
quistas e as dificuldades ainda a serem superadas. O texto seguinte parte de como as técnicas distintas contribuem para manter viva e financeiramente rentável a tradição doceira, com a evolução da fabricação. A quinta reportagem tem como tema a evolução em números da Feira do Doce em relação a público, com foco no perfil dos consumidores, volume dos doces produzidos e comercializados, valor movimentado e a importância do evento para a economia local e para a condição de MIT (Município de Interesse Turístico). O caderno traz, ainda, as novidades que estão sendo projetadas para a Feira do Doce, e um texto complementar que conta a história da Clara Doces & Cia., empresa símbolo de inovação e marca mais significativa de doces e bolos da região.