Folha Metalúrgica n° 864

Page 1

Informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

Nº 864 1ª edição de maio de 2017 Rua Júlio Hanser, 140 Lageado - Sorocaba/SP

CEP 18030-320 Filiado a CUT, CNM e FEM

Assim se resiste aos ataques de Temer 28 de Abril

1º de Maio

Os trabalhadores de Sorocaba e região resgataram nos últimos dias sua tradição de lutas operárias e participaram em massa tanto da greve geral do dia 28, organizada por sindicatos e movimentos sociais, quanto do 1º de Maio promovido pelo SMetal. Na greve, por exemplo, 90% dos 36 mil metalúrgicos da região não foram para o trabalho. O transporte público e ônibus fretados não circularam nas 42 cidades da área de abrangência do sindicato dos condutores. Trabalhadores de outros setores da indústria e também do comércio aderiram ao movimento. O silêncio nas fábricas e nas ruas do centro e da zona industrial no período da manhã só foi interrompido por volta do meio-dia, quando milhares de pessoas começaram a se concentrar na praça Coronel Fernando Prestes para protestar contra os ataques da direita contra os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Já no 1º de Maio, Dia do Trabalhador, mais de 9 mil pessoas prestigiaram o ato político-cultural organizado pelo SMetal no Parque dos Espanhóis, em Sorocaba. O ato teve apresentações de músicos e atores da região e foi encerrado pela banda Detonautas Roque Clube. Confira textos e fotos das duas datas nesta edição especial da Folha Metalúrgica.

SMetal repudia censura e assédio moral no jornal Cruzeiro do Sul

PÁG. 4


Página 2

Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

editorial

A verdade realmente liberta Passado menos de um ano após o golpe parlamentar e midiático contra a democracia, simbolizado pelo impeachment sem sustentação legal da presidenta Dilma, a grande maioria da população já está vacinada contra as tramóias e manipulações da direita. Por população entenda-se trabalhadores da ativa e aposentados, estudantes e os pequenos empresários que estão cientes de que eles não são os tubarões das finanças para os quais o golpe foi armado para beneficiar. Não foi por acaso que 40 milhões de brasileiros aderiram à greve do dia 28 de abril. Sorocaba, cansada de ser um ninho tucano, demonstrou respeito à sua história operária e teve uma participação importante no movimento, bem como deu show de envolvimento e consciência sócio-política no 1º de Maio do SMetal. A verdade está vindo à tona. A “grande imprensa”, trombeta de longo alcance dos golpistas, perde credibilidade a cada dia. A farsa dos noticiários e das redes sociais dos últimos anos vem sendo desmascarada. Hoje também temos uma noção melhor de como os inimigos da classe trabalhadora estão encravados em todas as instâncias de poder; e contam com os donos dos grandes veículos de comunicação para tentar vendê-los ao público como “heróis da moralidade”, até que os fatos provem o contrário.

Hoje percebe-se que, ao tomar o poder de forma tão desavergonhada, a direita veio com muita sede ao pote Ao tomar o poder de forma tão desavergonhada, a direita veio com muita sede ao pote para garantir um futuro extremamente lucrativo para os empresários nacionais e internacionais que vivem da renda de ações (os rentistas); e só ligam para a produção quando ela é vantajosa para negociar suas quotas acionárias no mercado financeiro. Agora, em maio de 2017, a maioria da população já percebeu que a desatenção à artimanha golpista resultou em um ataque sem precedentes aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários de todos os brasileiros. Argumentos falsos e manipulações da direita não colam mais. Dizer que o motivo dos sindicatos terem ajudado a organizar a greve do dia 28 foi o risco de perder o imposto sindical, por exemplo, é uma mentira estúpida. A CUT é contrária ao imposto sindical desde

sem acordo

luto Foguinho / Arquivo

SMetal lamenta a morte de Zé Augusto, ex-presidente da Coreso

Liderança: José Augusto era um defensor incansável no combate à desigualdade social

Faleceu na última segunda-feira, dia 1º de maio, aos 70 anos, o ex-presidente e fundador da Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso), José Augusto Rodrigues de Moraes, conhecido como seu Zé. De origem humilde, ele nasceu em Laranjal Paulista. Zé Augusto faleceu após complicações em uma cirurgia de trombose e vinha há um tempo com a saúde debilitada. Batalhador incansável no combate à desigualdade social e no direito ao trabalho digno, faleceu no Dia do Trabalhador, data expressiva por sua história.

Em 1999, foi um dos fundadores da Coreso, projeto que trouxe dignidade a centenas de catadores de materiais recicláveis de Sorocaba, tirando-os das ruas, ensinando uma profissão e transformando suas vidas. Os diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) lamentam sua morte e se solidarizam com familiares e amigos. Que a dor em seus corações seja confortada. José Augusto deixa a esposa Benedita Rosa de Moraes e as filhas Claudia, Cleuza e Cleise.

que foi fundada, em 1983. O imposto é uma antiga lei federal que nunca foi derrubada porque os grandes empresários não queriam, pois as organizações patronais sempre usufruíram financeiramente dele. Sindicatos, federações e confederações patronais recebem sua parte no imposto, pago pelas empresas em março, com base em seu capital social. Agora que Paulo Skaf, da Fiesp, e seus aliados do meio patronal, contam com o governo Temer e a grande maioria do Congresso para satisfazer suas vontades e necessidades imediatas e futuras, talvez o imposto não seja mais necessário para eles. A tomada de consciência e as mobilizações recentes podem levar a classe trabalhadora a vencer desafios e manter seus direitos. Podem e devem, também, proporcionar o amadurecimento da democracia. Esse amadurecimento implica no eleitor votar consciente de quais interesses os candidatos representam. É ingenuidade acreditar no lugar-comum, repetindo que o político só representa o interesse dele mesmo. Na hora de assinar ou votar cada medida ou projeto de lei, todo político está representando o interesse de algum segmento social: dos empresários, banqueiros, ruralistas; ou dos trabalhadores. O importante, na democracia próspera, é o cidadão saber se o candidato representa o segmento social do qual ele, eleitor, faz parte.

Greve na Apex é retomada e impasse completa um mês Metalúrgicos da Apex Tool retomaram a greve na tarde de quarta-feira, dia 26, após rejeitarem proposta da empresa, que não atendem às reivindicações dos funcionários. Com a retomada a paralisação, o impasse entre trabalhadores e empresa completou um mês nesta quarta-feira, dia 3. A greve, que teve início no dia 3 de abril, foi suspensa por 15 dias pelos trabalhadores, porque a Justiça do Trabalho recomendou que as partes retomassem negociações. O SMetal e a empresa se

reuniram após a decisão, mas não chegaram a uma proposta de agrado dos trabalhadores. Uma nova audiência no TRT (15º região) foi realizada nesta quarta-feira, dia 3. O acordado na reunião deve ser tema de assembleia com os trabalhadores nesta quinta, 4. Os trabalhadores reivindicam negociar o plano de saúde, a qualidade do transporte dos funcionários, o plano de cargos e salários e a correção do vale-compras.

Comunicação SMetal Diretoria Executiva SMetal Presidente: Ademilson Terto da Silva Vice Presidente: Tiago Almeida do Nascimento Secretário Geral: Leandro Cândido Soares Administrativo e de Finanças: Alex Sandro Fogaça Secretário de Organização: João de Moraes Farani Diretor Executivo: Joel Américo de Oliveira

Folha Metalúrgica, Portal SMetal, Revista Ponto de Fusão, redes sociais, comunicação visual e assessoria de imprensa

Jornalista responsável: Paulo Rogério L. de Andrade

Sede Sorocaba: Tel. (15) 3334-5400

Redação e reportagem: Paulo Rogério L. de Andrade Fernanda Ikedo Daniela Gaspari

Sede Iperó: Tel. (15) 3266-1888

Fotografia: José Gonçalves Filho (Foguinho)

Sede Piedade: Tel. (15) 3344-2362

Projeto Gráfico e Editoração: Cássio de Abreu Freire Estagiária: Gabriela Guedes

Diretor Executivo: Silvio Luiz Ferreira da Silva

Sindicato do Metalúrgicos de Sorocaba e Região Rua Júlio Hanser, 140 - Sorocaba SP - www.smetal.org.br

Sede Araçariguama: Tel. (11) 4136-3840

Folha Metalúrgica Impressão: Bangraf Publicação: Semanal Tiragem: 30 mil exemplares


Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

Página 3

contra as reformas

Foguinho

Foguinho

Sorocaba resgata sua tradição de luta operária e se engaja na greve geral

Nas fábricas: No final da manhã, estacionamentos de funcionários permaneciam vazios

Terminais vazios: Motoristas não apenas pararam de circular, como participaram de ato no centro

Já no início da madrugada da última sexta-feira, dia 28 de abril, o silêncio predominava nas ruas de Sorocaba. A greve geral, de caráter nacional e pacífica, teve adesão de trabalhadores de diversos setores, em protesto à retirada de direitos trabalhistas, sociais e previdenciários. Durante toda a manhã do dia 28, a Imprensa SMetal percorreu diversos pontos da cidade e as principais fábricas do setor metalúrgico de Sorocaba. Mesmo em horário de pico, o movimento nas ruas apresentava um fluxo baixo de carros e os estacionamentos das empresas estavam vazios. Segundo o presidente eleito do

Rodoviários, 100% dos trabalhadores em transportes nos setores urbano, intermunicipal, rodoviário, de fretamento e de cargas cruzaram os braços contra as reformas. Os terminais de ônibus também permaneceram vazios na sexta-feira, mostrando conscientização da população sorocabana sobre o tema. Trabalhadores do comércio, educação pública e particular, além de outras setores da indústria também aderiram à greve geral em Sorocaba.

Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Soares, mais de 90% da categoria na base da entidade aderiu à greve, o que representa mais de 32,5 mil metalúrgicos. “O dia 28 foi um primeiro recado que demos ao governo Temer e os deputados da base aliada. Caso não seja feito um debate mais aprofundado com a sociedade sobre essas medidas de retrocesso, com certeza iremos realizar novos protestos e manifestações no País”, assegura Leandro. Os ônibus também não circularam pela cidade durante todo o dia 28. Segundo o Sindicato dos

Mobilização

Passeatas e mobilizações contra as reformas da Previdência e Traba-

lhista, além da terceirização irrestrita, saíram de várias partes da cidade e se concentraram, de forma espontânea, na região central de Sorocaba. A concentração aconteceu na praça Coronel Fernando Prestes e reuniu mais de três mil pessoas, entre jovens, trabalhadores de diversos setores e sorocabanos que aderiram ao protesto.

SAIBA MAIS Veja mais fotos e informações da Greve Geral em Sorocaba no Portal SMetal (www.smetal.org.br). Acesse também a página no Facebook, pelo www.facebook.com/smetalsorocaba

GREVE HISTÓRICA

Mais 40 milhões de brasileiros paralisaram suas atividades

Ricardo Stuckert

No Brasil, mais de 40 milhões trabalhadores paralisaram suas atividades na última sexta-feira, dia 28. A Frente Brasil Popular, que junto com o Fórum das Centrais e a Frente Povo Sem Medo convocou as ações, afirmou que a greve geral ficou marcada como a maior paralisação da história do País. No dia 28, o Brasil amanheceu com garagens de ônibus paralisa-

das, piquetes nas fábricas, vias bloqueadas, ruas vazias e centenas de categorias de trabalhadores com os braços cruzados. Na capital paulista, manifestantes também se concentraram no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo (foto). A ação reuniu 70 mil pessoas, que caminharam do local até a casa do presidente golpista Michel Temer.

SMetal negocia dia parado com empresas O Sindicato dos Metalúrgicos já iniciou negociações com várias empresas a respeito da eventual compensação do dia 28 de abril pelos trabalhadores. Os dirigentes sindicais também têm realizado assembleias em frente às fábricas para dar informações sobre o assunto. A direção SMetal solicitou às empresas que compreendam as justas razões do trabalhador que o levaram a não ir para a fábrica no dia 28. Porém, o desconto da data é uma prerrogativa da empresa. Naquelas onde há união e mobilização dos trabalhadores, porém, já há sinais de nãodesconto ou de compensação do dia parado. Como nas greves por fábrica, onde o trabalhador conquista as reivindicações e depois negocia os dias parados, assim deve acontecer com o 28 de abril. A greve é uma contribuição do trabalhador por uma causa maior, que pode ser uma reivindicação específica não atendida pela empresa; ou a preservação de direitos garantidos em lei, como foi o 28 de abril. Em ambos os casos, o Sindicato precisa do apoio e da mobilização dos trabalhadores para conquistar o não-desconto das horas ou dias parados.


Página 4

Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

mídia e polícia

Mídia local tentou envolver Sindicato em ocorrências no dia da greve

Repúdio e provas de manipulação do noticiário A direção do SMetal repudia as calúnias cometidas no dia da greve e recomenda aos veículos sérios de comunicação que confiram bem as informações passadas pela polícia política de Geraldo Alckmin, do PSDB, antes de reproduzi-las. O SMetal também lembra que há anos os golpistas vêm intensificando a estratégia de criminalização dos movimentos sindicais, sociais e populares. Essa manipulação cotidiana de notícias ajudou, inclusive, a desviar a atenção do golpe parlamentar contra a democracia que era preparado nos bastidores pela direita e que foi colocado em prática no ano passado. Os ataques atuais aos direitos dos trabalhadores são consequências desse golpe e dessas manipulações do noticiário. Confira nesta página a denúncia de censura, manipulação de noticiário e assédio moral no jornal Cruzeiro do Sul no dia da greve geral.

Gabriela Guedes

da agressão seria um sindicalista metalúrgico. A acusação foi totalmente desmentida antes do jornal ir ao ar. Não havia ninguém do SMetal nem perto do local do conflito.

Respeito

Em contato com a redação da TV Tem, além de provar não ter relação com o episódio, o SMetal lembrou que sempre respeitou os profissionais de comunicação como trabalhadores que são. A direção do Sindicato também reafirmou que não confunde os profissionais com os veículos de comunicação nos quais trabalham, ainda que esse veículo seja filiado à uma rede golpista e manipuladora como a Globo. Outra tentativa de criminalizar o sindicalismo metalúrgico e cutista foi tentar associá-lo com um ato de vandalismo contra o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), na região central. Novamente, nesse caso, a relação do SMetal com o corrido foi falsa e teve que ser desmentida.

CENSURA

SMetal repudia assédio moral contra jornalistas A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) repudia o grave assédio moral e ataque à liberdade de imprensa ocorrida na sexta-feira, dia 28, dia da Greve Geral, sofrido pelos jornalistas da redação do jornal Cruzeiro do Sul. Além da censura dos textos jornalísticos sobre o dia de greve, os profissionais da redação foram constantemente ofendidos durante o dia por parte da direção da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), liderado pelo maçon da Loja P-III e promotor de justiça, Antonio Farto Neto. A ação autoritária ditou a manchete do jornal, retirando qualquer isenção e imparcialidade jornalística. Toda a diretoria do SMetal e coordenação da subsede de Sorocaba da CUT se solidarizam com os jornalistas, incluindo o editor-chefe José Carlos Fineis, que sofreram a ação mais truculenta da história do jornal.

Reprodução Internet

Durante a greve do dia 28 de abril em Sorocaba alguns veículos de comunicação, principalmente a TV Tem, afiliada da Globo, tentou ligar o Sindicato dos Metalúrgicos (SMetal) a algumas ocorrências divulgadas pela polícia. O envolvimento do nome da instituição foi feito de maneira precipitada, sem a devida checagem e totalmente desmentido minutos depois. Ainda na madrugada, a polícia apreendeu um furgão VW Kombi com “miguelitos” (apetrechos para furar pneus de carros). Estavam no veículo três supostos sindicalistas. A emissora de TV seguiu a divulgação apressada da Polícia Militar e relacionou o caso com o SMetal. Porém, ficou comprovado que nem o veículo, nem seus ocupantes tinham qualquer ligação com o Sindicato dos Metalúrgicos ou com a CUT. Também nas primeiras horas da manhã, um cinegrafista da mesma TV foi agredido na estação rodoviária de Sorocaba. Novamente a emissora se precipitou e chegou a divulgar uma chamada no jornal da manhã afirmando que o autor

Manchetes ditadas: Reportagens sobre a greve sofreram censura e manipulações

SAIBA MAIS • Confira no portal www.smetal.org.br texto do Sindicato dos Jornalistas e do Sindicato dos Metalúrgicos sobre o assunto


Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

Página 5

greve geral

Gabriela Guedes

Comparação: O movimento grevista conquistou o silêncio nas ruas no período da manhã, em forma de protesto contra as reformas

Gabriela Guedes

Foguinho

A greve geral na sexta-feira, dia 28, aumentou o debate sobre as reformas da previdência e trabalhista e reuniu milhares de pessoas em protesto, na praça central de Sorocaba. Em virtude da paralisação, organizada pela Frente Brasil Popular — que reúne movimentos sociais e sindicais — a Polícia Militar aumentou o contigente nas ruas de forma ostensiva. O 7º Batalhão da Polícia Militar do Interior (7º BPM/I) convocou todo o efetivo e as folgas foram suspensas. Não há informações sobre destacamentos vindos de outras cidades, mas em toda Sorocaba havia esquema policial a cada poucos quilômetros. O patrulhamento foi feito também pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Rodoviária. Houve algumas detenções para averiguações destacadas pela imprensa local. Todos foram liberados em seguida.

Foguinho

Efetivo policial jamais visto na cidade

Efetivo: O policiamento foi bastante reforçado no dia da greve, em todas as regiões da cidade; abordagens policiais foram frequentes, mas a manifestação contra o governo ilegítimo de Temer foi pacífica

Fotos: Montagem MIdia Ninja

NACIONAL

Durante a Greve houve presos políticos e truculência A greve geral contou com a adesão de cerca de 40 milhões de brasileiros e, em São Paulo, houve a prisão dos manifestantes Luciano Firmino, Ricardo Santos e Juraci Santos. Eles foram detidos e mantidos presos “em nome da ordem pública”, de acordo com a decisão da juíza Marcela Filus Coelho. A prisão ocorreu no dia 28 de abril, quando os movimentos sociais e as centrais sindicais organizaram greve geral e milhares de pessoas ocuparam as ruas do país. O portal de jornalismo investigativo “Ponte Jornalismo”, apurou que a denúncia de “incitação

ao crime”, que prevê pena de até seis meses de detenção, está sustentada apenas pelo relato dos policiais militares. Um dos casos mais graves de truculência praticada pela Polícia Militar ocorreu em Goiânia. Enquanto protestava contra as reformas trabalhista, da previdência e a terceirização, o estudante Mateus Ferreira da Silva, 33, foi agredido por um cassetete de polícia militar no rosto. Ele foi internado com traumatismo cranioencefálico e múltiplas fraturas. Não corre risco de morte, de acordo com boletins divulgados pela imprensa.

Presos políticos: Luciano Firmino, Ricardo Santos e Juraci Santos, do MTST

Truculência: O estudante goiano Mateus foi agredido de forma violenta e teve trauma craniano


Página 6

Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

“Nenhum Direito a Menos” foi o tema do evento, que contou com muita música, atrações teatrais e conscientização sobre os ataques aos direitos sociais e trabalhistas ao público presente. O ato teve início às 14h e terminou pouco depois das 22h30, após show da banda Detonautas.

Fotos: Foguinho, Gabriela Guedes e Daniela Gaspari

1º DE MAIO Artistas locais apresentam talento e engajamento social

O ato político-cultural promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) no dia 1º de maio – Dia do Trabalhador – levou mais de nove mil pessoas ao Parque dos Espanhóis, na Vila Assis.

Grupo Krucatá

Grupo teatral Nativos Terra Rasgada

Márcio Brown e Nossa Cara Preta

Márcia Mah e banda

Hominídeos

Manduca e Fiúza

Banda Desgarrados

Rádio Comida

Rolando Beltran, Simone Sil e Mari Marcato

Grupo Koskowisck

Quartetotal

Marcos Boi e Mad Dog Blues

Levante Popular da Juventude


Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

Página 7

parque dos espanhóis

Fotos: Foguinho

Dia do Trabalhador teve público de 9 mil pessoas

O dia todo: movimentação começou às 14h

Público: no total mais de 9 mil pessoas prestigiaram a curtiram o 1º de Maio do SMetal no Parque dos Espanhóis

Mais de 9 mil pessoas prestigiaram o ato político-cultural promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos (SMetal) no dia 1º de Maio, Dia do Trabalhador, no Parque dos Espanhóis, em Sorocaba. Desde a divulgação, o tema do evento foi claro: Nenhum Direto a Menos, em protesto contra os ataques aos direitos sociais e trabalhistas promovidos pelo governo ilegítimo de Temer. O público começou a se concentrar no parque nas primeiras horas da tarde. À espera das atrações, famílias e grupos de amigos se acomodaram nas sombras das árvores, visitavam as tendas de alimentos e serviços montadas no local e crianças se divertiam nos brinquedos instalados pela organização do evento. Quando a primeira atração subiu ao palco, o grupo de percussão Krucatá, por volta das 15h, centenas de pessoas já estavam no parque. Seguiram-se apresentações teatrais, circenses e muita música, para todos os gostos, de rock e

blues a MPB e samba; e também rap a reggae, além de viola e paródias. No final da tarde o público já se contava aos milhares. Com frequência, durante ou nos intervalos das apresentações, o parque era tomado por palavras de ordem do público, como “Fora Temer” e “Nenhum Direito a Menos”.

Atrações locais

Exceto o grupo Detonautas, que encerrou o evento à noite, todas as outras atrações foram de Sorocaba e região. Os artistas locais participaram do 1º de Maio por engajamento na causa da democracia e dos direitos sociais, e não por cachê. Confira a relação de atrações nesta página. As expressões nos rostos e o gestual do público, retratados em uma galeria de imagens na página do SMetal na internet, mostravam nitidamente a satisfação por participarem do evento, considerado histórico pela organiza-

Agradecimentos A direção do SMetal agradece ao público e a todos os que se dedicaram para que o 1º de Maio de 2017, no Parque dos Espanhóis, se transformasse no evento memorável, acima das expectativas, que se tornou. O agradecimento é dedicado a cada pessoa do público, às famílias e indivíduos que entenderam o sentido da data e foram ao parque na segunda-feira, dia 1º, curtir as atrações. A direção agradece também aos artistas da região, que fizeram apresentações belíssimas; aos funcionários do SMetal que se empenharam pelo sucesso do evento; aos parceiros e entidades assistenciais que atenderam nas tendas de alimentação e serviços; as prestadoras de serviços que atuaram no local (como locação de som, segurança, etc). O SMetal agradece também à secretaria municipal de cultural de Sorocaba, o corpo de bombeiros, a polícia militar e a Guarda Civil Municipal.

Detonautas: Banda deu show de rock e consciência política

ção e nas declarações de diversos participantes. Pouco antes das 21h, Leandro Soares foi juntamente com Izídio de Brito, também dirigente sindical metalúrgico e ex-vereador. Após reafirmarem os temas e objetivos do 1º de Maio de 2017 do SMetal, chamaram ao palco a banda Detonautas, que fez o público cantar, pular e refletir sobre a realidade brasileira durante quase duas horas.

Atrações do 1º de Maio Artistas que se engajaram na proposta de ato políticocultural do SMetal e se apresentaram no 1º de Maio 2017 no Parque dos Espanhóis, em Sorocaba.

Mensagem: Leandro Soares, do SMetal, reforçou os temas do evento e chamou os Detonautas para o palco Apresentação: Benão de Oliveira foi o mestre de cerimônias do evento

SAIBA MAIS • Confira no portal www.smetal.org.br uma galeria de imagens completa com fotos das atrações e do público

• Apresentador: Benão de Oliveira • Grupo Krucatá - percussão • Grupo teatral Nativos Terra Rasgada. • Márcio Brown e Nossa Cara Preta (Rap/hip-hop) • Quarteto Rolando Beltran, Lucas Pereira, Mari Marcato e Simone Sil (MPB e música latina) • Márcia Mah e banda (MPB e samba) • Grupo Koskowisck (apresentações circenses) • Banda Desgarrados (rock nacional, MPB e paródia) • Marcos Boi e Mad Dog Blues (blues e rock’n’roll) • Levante Popular da Juventude (batucada e teatro) • Hominídeos (reggae) • Manduca e Fiúza (viola e contação de histórias) • Quartetotal (canções consagradas da MPB com arranjos musicais da banda sorocabana) • Rádio Comida (paródias) • Encerramento: Detonautas Roque Clube (rock nacional)


Página 8

Folha Metalúrgica - Maio de 2017 - Ed. 864

dia do trabalhador

Detonautas contagiou milhares de pessoas

Foguinho

A banda entrou no palco agitando o público com repertório que incluiu músicas desde o início da carreira

Foguinho

Diversos gêneros musicais embalaram o público no Parque dos Espanhóis com artistas locais e da região. Por volta das 21h, Detonautas Roque Clube entrou no palco para encerrar a programação. A banda se preocupou em escolher as músicas para agregar também o público que não gosta ou não conhece rock. “A gente incluiu alguns artistas que a gente gosta de tocar. Sabemos que aqui não tem só o público que curte rock”, ressaltou o vocalista Tico Santa Cruz, em entrevista ao SMetal.

Conhecido por expressar seu posicionamento político nas redes sociais, o vocalista Tico Santa Cruz segurou um cartaz ao final do show com os dizeres “Nenhum Direito a Menos”, tema do evento deste ano. Para Tico, está difícil travar diálogos e mostrar que há muita coisa por trás do discurso preconceituoso e perseguidor aos movimentos progressistas. A banda, que segue na contramão dessas narrativas, busca emocionar as pessoas por meio da música. “Falamos sobre o amor fraterno, que

falta para as pessoas. O Brasil caminhou para um estágio de retrocesso gigantesco, de ódio disseminado, fico triste de ver o Brasil indo por esse caminho. Poderíamos ter diminuído os impactos se tivéssemos respeitado a democracia”. “A cultura e a arte é a que lida com o imaginário, com a identidade do povo. Criminalizar a cultura faz parte da estratégia de isolar a parte emocional das pessoas para que elas fiquem rígidas e lidem de forma autoritária”. Tico Santa Cruz

Tico Santa Cruz fala sobre o novo disco e sobre a conjuntura política A banda Detonautas Roque Clube contagiou milhares de pessoas no Parque dos Espanhóis, no 1º de Maio dos Metalúrgicos de Sorocaba. Pouco antes de subir ao palco, o vocalista Tico Santa Cruz concedeu entrevista à Imprensa SMetal. Com abertura para misturar gêneros musicais e aproveitando a variedade da música brasileira, Detonautas está com disco quase pronto para ser lançado no próximo mês, junho. O vocalista destaca que “tem muita influência dos anos 70 e de música de Bolero, que ninguém espera que o Detonautas faça”. Em agosto de 2015, a banda se apresentou no evento dos Metalúrgicos de Sorocaba em homenagem ao Dia Mundial do Rock, no Parque das

Águas. Era um momento de tensão política, com ânimos acirrados pelo discurso preconceituoso e perseguidor da grande mídia aos movimentos sociais. Passado quase dois anos Tico Santa Cruz destaca que ainda está faltando a sociedade entender que a democracia exige que as pessoas tenham respeito pelas ideias divergentes. “Vejo que há muita confusão na cabeça das pessoas. Vivemos num país sem democratização da comunicação, onde seis famílias comandam a grande mídia e a narrativa é sempre contra os setores progressistas”. Confira mais trechos da entrevista no portal www.smetal.org.br


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.