Folha Metalúrgica n° 861

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PPR Assembleia define critérios de negociação

Plano de saúde Metalúrgicos da Apex Tool entram em greve

Terceirização Saiba porque Temer sancionou PL no dia 31

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Informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

Nº 861 1ª edição de abril de 2017 Rua Júlio Hanser, 140 Lageado - Sorocaba/SP

CEP 18030-320 Filiado a CUT, CNM e FEM

Um ‘esquenta’

Foguinho

para a greve geral

Os metalúrgicos realizaram nesta terça-feira, dia 4, um aquecimento, chamado de ‘esquenta’, para a greve geral do dia 28 de abril, que vem sendo convocada por centrais sindicais e movimentos sociais e populares. Um ato público contra a terceirização e as reformas de Temer, liderado pelo SMetal com apoio de sindicatos de outras categorias

profissionais, reuniu mais de 4 mil trabalhadores nas primeiras horas da manhã desta terça-feira. A manifestação aconteceu na alça de acesso à Castelinho, na zona industrial de Sorocaba. Antes disso, na sexta-feira, dia 31, dirigentes sindicais, movimentos sociais e estudantes realizaram passeatas contra a reforma na região central de Sorocaba e de Piedade. PÁGS. 3 e 4


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editorial

Nas entrelinhas da assinatura de Temer A matéria desta edição da Folha Metalúrgica sobre a sanção do Projeto de Lei 4302, que implanta a terceirização irrestrita no Brasil, lembra que a assinatura do presidente ilegítimo Temer ocorreu na sexta-feira, dia 31 de março. Bem no aniversário de 53 anos do golpe de 1964. Para um governo acusado de ter chegado ao poder por meio de um golpe parlamentar, o gesto de Temer foi quase uma admissão de culpa. A assinatura da Lei aconteceu também na data em que centenas de milhares de brasileiros saíram às ruas para exigir que fossem arquivadas as propostas de terceirização irrestrita, de Reforma Trabalhista e de Reforma da Previdência. O recado dele, nesse caso, foi que o clamor das ruas só interessou a ele e aos seus parceiros de tramóia enquanto foi conveniente para eles ocuparem o poder. O dia 31 também foi o dia de divulgação de uma pesquisa que mostra o crescimento da rejeição ao governo Temer. Segundo o Ibope, 55% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Para 79% dos entrevistados, Temer não merece confiança. Para um presidente que chegou ao cargo pela porta dos fundos, a aceitação popular é um requisito desprezível. Um governo que tomou o poder por meio de uma conspiração arquitetada por anos pela direita, pelos empresários mais gananciosos do país, pela Fiesp, pelo capital multinacional, por uma parcela do judiciário e pela imprensa manipuladora, não iria mes-

No último dia 31, numa só canetada, Temer deu um tapa na cara dos trabalhadores e da democracia mo se importar com a opinião pública atual. Ou seja, no último dia 31, numa só canetada, Temer deu um tapa na cara dos trabalhadores e da democracia. E outras canetadas e tapas virão se a classe trabalhadora, os estudantes, os pequenos empreendedores e os excluídos do país não se unirem imediatamente. Caso contrário, o futuro é sombrio. Se tudo der certo para a direita, daqui para frente a população de baixa e média renda será, obrigatoriamente, submissa à elite financeira e governamental. Se os planos arquitetados pelos golpistas vingarem, os trabalhadores de hoje e do futuro formarão um estoque imenso de peças de reposição, que aceitarão qualquer subemprego em nome da sobrevivência. Se a armadilha dos golpistas não for desarmada pela pressão popular a tempo, a democracia será cada vez mais de fachada. Aliás, no que depender de fascistas como os Bolsonaros da vida, nem fachada de democracia vai sobrar. Numa tentativa enganosa de contar com o apoio de uma parcela desavisada da sociedade trabalhadora, Temer alega que suas reformas têm o objetivo

provocação

de gerar empregos nesta época de crise [crise que ele mesmo e seus cúmplices de conluio protencializaram]. Porém, a crise é cíclica. Ela tende a passar. A questão é quanto tempo ela vai durar e quem sofrerá eventuais sequelas dela no futuro. A duração depende da estabilidade política do país e da capacidade produtiva e de consumo. Quesitos esses destroçados pelos golpistas. Quanto à quem sofrerá sequelas de uma crise mal administrada, vai depender de preservar ou sacrificar a legislação de sustento social nesse período. Alguém tem dúvida da opção dos golpistas? Se a preocupação de Temer fosse com os postos de trabalho, bastariam medidas provisórias, ações localizadas de aquecimento do mercado ou pactos sociais em nome da retomada do crescimento. Mas não. O que ele pretende é mudar permanentemente as leis de proteção social, incluindo a Constituição e a CLT. Ele quer garantir na legislação que o capital financeiro tem mais valor que os direitos da população. Quer preparar terreno para privatizar todos os bens e serviços públicos possíveis no país. As propostas do governo Temer têm o claro propósito de engessar inclusive futuros governantes, que terão grandes dificuldades em reverter o estrago. Dia 28 de abril está aí. O quanto a população desmascarou esse governo — e o quanto não aceita mais ser manipulada por conspirações da elite burguesa e por pseudo burgueses — será demonstrada com o silêncio das máquinas nas fábricas e nos centros comerciais e de serviços.

qualificação

Temer escolhe dia do golpe de 64 para sancionar terceirização

Sócios do SMetal podem ter bolsas de 65% na Anhanguera

O presidente não-eleito Michel Temer sancionou o projeto de terceirização irrestrita na última sexta-feira, dia 31. Na mesma data, o Brasil lembrava os 53 do golpe de 1964, que suprimiu a democracia no país por mais de 20 anos. Também no dia 31, milhares de brasileiros saíram às ruas pela democracia e contra as reformas que Temer quer impor ao país. Temer sancionou a terceirização com apenas três vetos, insignificantes. Um deles proíbe que o absurdo período de experiência de 270 dias seja prorrogado. Os outros dois vetos retiraram do texto dispositivos que já estavam previstos na Constituição. A lei foi publicada no Diário Oficial da União e já está valendo. No entanto, já há questionamento na Justiça sobre a validade da lei, pois o trâmite do projeto de terceirização (PL 4302/98), na Câmara, está sob suspeita de irregularidades. Na justiça, além do questionamento sobre o trâmite do PL 4302, há a possibilidade dele ser

A Faculdade Anhanguera de Sorocaba, em parceria com o SMetal, oferece bolsas de estudos de 65% em todos os cursos presenciais de graduação para sócios do Sindicato dos Metalúrgicos. A promoção vai até o dia 7 de abril e é válida também

confrontado com outra proposta, que está no Senado, o PLC 30, e tem o senador Paulo Paim (PT-RS) como relator. Paim modificou a proposta original para que a futura lei regularize a situação de quem é terceirizado, sem ampliar o volume de terceirização e nem permiti-la na atividade-fim das empresas. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei sancionada por Temer no dia 31 deverá ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

para dependentes de sócios. A bolsa será concedida a quem se sair bem em um vestibular agendado. O agendamento, até o dia 7, pode ser feito pelos telefones (15) 3031-9304 ou 99632-3041; com Tatiana Oliveira.

Comunicação SMetal Diretoria Executiva SMetal Presidente: Ademilson Terto da Silva Vice Presidente: Tiago Almeida do Nascimento Secretário Geral: Leandro Cândido Soares Administrativo e de Finanças: Alex Sandro Fogaça Secretário de Organização: João de Moraes Farani Diretor Executivo: Joel Américo de Oliveira

Folha Metalúrgica, Portal SMetal, Revista Ponto de Fusão, redes sociais, comunicação visual e assessoria de imprensa

Jornalista responsável: Paulo Rogério L. de Andrade

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Redação e reportagem: Paulo Rogério L. de Andrade Fernanda Ikedo Daniela Gaspari

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Diretor Executivo: Silvio Luiz Ferreira da Silva

Sindicato do Metalúrgicos de Sorocaba e Região Rua Júlio Hanser, 140 - Sorocaba SP - www.smetal.org.br

Sede Araçariguama: Tel. (11) 4136-3840

Folha Metalúrgica Impressão: Bangraf Publicação: Semanal Tiragem: 30 mil exemplares


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contra as reformas

Ato público de metalúrgicos reúne mais de 4 mil pessoas Gabriela Guedes

Os sindicatos dessas categorias profissionais deram apoio ao ato organizado pelos metalúrgicos. O Sindicato dos Condutores, por exemplo, ajudou na logística dos ônibus que transportavam os trabalhadores.

Adesão visível

A adesão dos trabalhadores ao protesto foi visível. Todos os dirigentes sindicais que falaram ao microfone, de diversas categorias profissionais, foram aplaudidos. A todo o momento ouvia-se grupos de trabalhadores gritando palavras de ordem como “Fora Temer”, “Abaixo às Reformas”, “O Sindicato está certo” e “Vamos para a greve”, entre outros. O presidente da Fede-

Zona industrial: Manifestação na manhã de terça durou 3 horas e aconteceu na alça da Castelinho

ração Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM), Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, esteve em Sorocaba para participar da mobilização da categoria. O protesto foi pacífico, sem registros de incidentes. Como sempre, alguns

Jônatas Rosa

SAIBA MAIS • Para conhecer todas as metas procure um dirigente sindical ou acesse www.smetal.org.br

Participação: Critérios foram debatidos e aprovados em assembleia dia 31

- Eleição interna de comissão de negociação;

- Valores iguais para todos;

- Plenária com trabalhadores para negociar PPR;

- Lutar para estender o PPR para afastados por auxilio doença, estagiários, menores aprendizes, terceirizados e prestadores de serviços;

- Não negociar acordos abaixo do piso de cada Grupo Patronal (Convenção Coletiva); - Pagamento integral para afastados por doença ocupacional, acidente de trabalho e gestantes;

SAIBA MAIS • Protesto desta terça foi considerado mais uma preparação para a greve geral do dia 28 de abril • Leia mais e veja fotos e vídeo da manifestação desta terça na página www.smetal.org.br

Troca de convênio médico causa greve na Apex Tool

Metalúrgicos definem critérios para negociação do PPR Metalúrgicos se reuniram na sexta-feira, dia 31, na sede do SMetal, em assembleia para definir os critérios a serem seguidos pelo sindicato para negociar o Programa de Participação nos Resultados (PPR). Veja abaixo alguns dos pontos decididos no encontro.

conhecidos órgãos de imprensa comercial preferiram dar destaque à lentidão do trânsito do que ao motivo da manifestação, que é a resistência da população contra a perda de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Metalúrgicos da Apex Tool, em Sorocaba, entraram em greve na segunda-feira, dia 3, para reivindicar um acordo sobre convênio médico, grade salarial, qualidade do transporte e correção do vale-compras dos funcionários. Eventuais propostas serão debatidas na manhã de quarta-feira, dia 5. O convênio atual, da Amil, atende os trabalhadores há cerca de cinco anos. Antes de ser implantado, o plano foi debatido pela operadora, corretora, Apex Tool e representantes dos trabalhadores (SMetal). “Agora a empresa anunciou a troca de forma arbitrária, unilateral”, diz Silvio Ferreira, diretor executivo do Sindicato e membro de CSE na Apex. O SMetal também quer que a política interna de salários (grade salarial), negociada anteriormente, seja cumprida, e também o vale-compras mensal, que não teve seu valor reajustado na data-base, em setembro. A Apex Tool (antiga Cooper Tools) está instalada na zona industrial de Sorocaba e tem 450 trabalhadores. Foguinho

Mais de 4 mil trabalhadores da indústria em Sorocaba, principalmente metalúrgicos, participaram de um ato público liderado pelo SMetal nesta terça-feira, dia 4. O protesto foi contra a terceirização sem limites e as reformas Trabalhista e Previdenciária, pretendidas pelo governo de Michel Temer. A manifestação durou três horas, das 6h às 9h, e aconteceu na alça de acesso da Rodovia Senador José Ermírio de Moraes, a Castelinho. Metalúrgicos eram maioria, mas como o local fica no trajeto de indústrias de outros setores, também participaram da manifestação trabalhadores químicos, têxteis, do vestuário, da borracha, e motoristas de ônibus.

- A empresa fica obrigada a apresentar até o 15º dia do mês o relatório das metas do mês anterior; caso não apresente, as metas daquele mês consideram-se atingidas. Até a noite de terça, dia 4, a greve continuava por falta de acordo

ABRIL VERMELHO

Central Única defende atos públicos de todos os setores como preparação para a greve do dia 28


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rumo à greve

Folha de Piedade

Foguinho

Passeata em Sorocaba contra Temer reúne mil pessoas

Centro: manifestação em Sorocaba percorreu diversas ruas da região central

Piedade: 350 piedadenses também participaram de ato na cidade contra as reformas

A manifestação em Sorocaba contra Temer, na manhã de sexta-feira, dia 31, reuniu mil pessoas no centro da cidade durante as duas horas de protesto. O ato, contra a terceirização e as reformas da Previdência e Trabalhista, teve participação de sindicatos de 60 categorias profissionais, além de movimentos sociais, centenas de estudantes e pessoas

Às 9h45 o grupo começou a descer a Rua São Bento e na altura da Rua Padre Luiz, os estudantes da zona norte se juntaram à passeata. Em seguida, dezenas de outras pessoas que estavam no trajeto aderiram ao movimento.

que circulavam pelo centro e aderiram à passeata. A concentração começou às 8h30, no Largo São Bento. Enquanto aguardavam mais de 200 estudantes de escolas públicas da zona norte, que estavam vindo a pé pela Avenida Itavuvu para participar da manifestação, lideranças sindicais e juvenis se revezavam no microfone.

Desemprego recorde

SOROCABA

Metalúrgicos de quatro centrais se unem para organizar a greve

Ex-ministro da Previdência participa de audiência pública

Metalúrgicos de São Paulo

Mais uma do Lippi

• Leia mais e veja fotos e vídeo das manifestações de sextafeira em www.smetal.org.br

UNIDADE

Dirigentes de 10 entidades metalúrgicas ligadas à Força Sindical, CUT e Intersindical/Conlutas reuniram-se, na sexta-feira, dia 31, em São Paulo, para discutir estratégias conjuntas de preparação para a greve do dia 28 de abril. As centrais superaram divergências para se unir contra a terceirização irrestrita, as reformas Trabalhista e da Previdência e contra os ataques que os sindicatos e movimentos sociais vêm sofrendo por parte da direita. O encontro reuniu Miguel Torres (CNTM, Metalúrgicos de SP e Força Sindical); Rafael Marques (Metalúrgicos do ABC); Adilson Faustino (SMetal Sorocaba e FEM/CUT), Leandro Soares (SMetal Sorocaba/CUT); Zé Maria (Intersindical/Conlutas); Eliezer Mariano (Metalúrgicos de Campinas/ Intersindical); Paulo Cayres (CNM/CUT); José Carlos de Oliveira e Alexandre Luís Pires da Cruz (Limeira), Claudinei Gato (Santos) e Mancha (São José dos Campos).

Levantamento do IBGE divulgado no final da semana passada revela que 13,55 milhões de brasileiros estão desempregados. Em termos percentuais, o desemprego atinge 13,2% da população economicamente ativa (PEA). O levantamento foi feito no trimestre de dezembro a fevereiro. No trimestre anterior, a taxa era de 11,7%. Em relação ao início de 2016, o crescimento foi de 30,6%. Exatos 3,176 milhões de brasileiros ficaram sem emprego em um ano.

Depois votar a favor da terceirização, na semana passada o deputado Vitor Lippi (PSDB) votou “sim” na PEC que permitiria às universidades públicas cobrarem dos alunos por cursos de extensão e pós-graduação. Por 4 votos a proposta foi rejeitada. Além de Lippi, os outros 4 deputados eleitos pela Região Metropolitana de Sorocaba também votaram “sim” para a cobrança. Foram eles: Jefferson Campos (PSD), Herculano Passos (PSD), Missionário José Olímpio (DEM) e Guilherme Mussi (PP).

Ainda na manhã de sexta-feira, dia 31, em Piedade, um ato contra

SAIBA MAIS

União de Centrais: Encontro aconteceu na sexta-feira, em SP

Gabriela Guedes

notas

Ato em Piedade

a terceirização e as reformas reuniu 350 pessoas no centro da cidade, principalmente jovens. A manifestação em Piedade também contou com o apoio e a participação do SMetal.

Na Câmara: Berzoini foi ministro da Previdência no governo Lula

O impacto da Reforma da Previdência foi o tema da audiência pública realizada na segunda-feira, dia 3, na Câmara Municipal. Proposta pelos vereadores Francisco França e Iara Bernardi (PT), o encontro contou com a participação do ex-ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, e de representantes de dezenas de sindicatos de trabalhadores, além de participantes de movimentos sociais O juiz do trabalho Marcos Menezes Barberino, representando o desembargador João Batista Martins César, do TRT-15; o economista Fernando Lima (SMetal/Dieese); o advogado Eduardo Alamino (Comissão da Previdência da OAB); o vice-presidente da Apeoesp, Fábio Santos de Moraes, também participaram da discussão.

• Veja o vídeo completo da audiência em www.smetal.org.br


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