Folha Metalúrgica nº 796

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CAMPANHA SALARIAL

Edu Guimarães/SMABC

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LEGISLAÇÃO

Saiba o que é assédio moral e dano moral

FEM iniciou negociação com quatro bancadas

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Informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

Nº 796 2ª edição de agosto de 2015 Rua Júlio Hanser, 140 Lajeado - Sorocaba/SP

CEP 18030-320 Filiado a CUT, CNM e FEM

Pries retoma atividades mas salários continuam atrasados Os 150 trabalhadores da Pries estão com os salários atrasados há dois meses. Mesmo assim, parte deles aceitou retornar às suas funções. O SMetal conversou com os funcionários na reabertura da fábrica e continua prestando atendimento jurídico a eles. PÁG. 3

Foguinho

Com autorização da Justiça Cível, a Tecnomecânica Pries reabriu a fábrica em Sorocaba na manhã desta quarta-feira, dia 5. A empresa ficou 15 dias fechada, pela Justiça Federal, por causa de dívidas com a proprietária do terreno onde a fábrica está instalada.

Retorno: Cerca de 90 dos 150 trabalhadores da Pries estiveram na fábrica na manhã de quarta; 30 voltaram para casa após saberem que não havia certeza de data para pagamento dos salários

Conheça um pouco da trajetória e do repertório da banda Efeito Imoral, que vai participar este ano, pela segunda vez, do Rock dos Metalúrgicos no dia 30 de agosto. PÁG. 4

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O octógono já está instalado no ginásio do Clube de Campo dos Metalúrgicos, no Éden. A primeira luta será às 19h neste sábado, dia 8. Ainda há ingressos à PÁG. 4 venda.

Efeito Imoral: rock nacional e releitura da Jovem Guarda Foguinho

Clube se prepara para receber MMA no sábado


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Folha Metalúrgica - Agosto 2015 - Ed. 796

editorial

É preciso acabar com a ‘cultura’ do assédio moral Diante do aumento de denúncias de assédio moral o Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo lançou, em julho, uma campanha de combate a essa irregularidade trabalhista. Ao longo de julho e agosto deste ano serão veiculados anúncios em TV, rádio e jornal nos principais veículos de comunicação alertando para a necessidade de respeito no local de trabalho. Foram recebidas, pelo Ministério Público do Trabalho, em São Paulo, até julho de 2015, 445 denúncias, o que representa quase o total de denúncias feitas em todo o ano anterior. Essa campanha é importante para que os trabalhadores se conscientizem sobre o que é assédio moral para que aí sim possam denunciar e combater essa prática, tão enraizada em algumas empresas que se pode considerar até como uma “cultura”. Cultura essa que precisa ser transformada com conscientização e luta. Como disse o próprio advogado do SMetal, Imar Rodrigues, em matéria publicada logo abaixo nesta página, a maior dificuldade no combate ao assédio é a sua caracterização. O Sindicato recebe denúncias através do site (www.smetal.org.br), além do contato direto dos dirigentes com a categoria, o que permite

um ambiente de trabalho saudável é aquele onde não há desrespeito nas relações interpessoais

ter base para tomar as medidas cabíveis nas instâncias jurídicas. Hostilizar, humilhar e ameaçar são práticas que devem ser banidas do ambiente de trabalho, seja de chefe para funcionário ou entre colegas de produção. Acreditamos que um ambiente de trabalho saudável é aquele onde não há desrespeito nas relações interpessoais, nem abuso nas cobranças por meta inalcançáveis.

conscientização

De acordo com a advogada do SMetal, Érika Mendes, a maioria dos atendimentos realizados pelo jurídico sobre assédio moral necessitam de mais elementos para a comprovação da prática contra o trabalhador. “Quase cem por cento dos processos necessitam de provas testemunhais, mas todos os elementos como emails, são úteis”, afirma a advogada. A intenção do agressor que pratica o assédio moral é fazer com que o trabalhador desista do emprego. “Tivemos um caso em que a fábrica tinha um ‘cantinho do castigo’ e colocou um trabalhador para operar a máquina nesse canto. Outra situação foi um processo onde a empresa dispunha de uma sala de vidro no meio da produção e deixava a pessoa lá para afastá-la do convívio com os colegas, para isolar mesmo”, explica Érika. O assédio é, muitas vezes, confundido com o dano moral, conta

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Entenda as diferenças entre assédio e dano moral

o advogado do SMetal, Imar Rodrigues. Para ser caracterizado como assédio é preciso que haja uma conduta negativa, antiética, de longa duração, desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. Ele ressalta que a humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental” Já um exemplo de dano moral é um xingamento eventual por parte da chefia, que não se configure como perseguição ao trabalhador.

Sabemos que muitas empresas acabam utilizando a crise econômica do país para justificar apertados ajustes que recaem sobre o trabalhador, como demissões desnecessárias que fazem com que trabalhadores acumulem funções e se sacrifiquem para atingir metas estipuladas para o maior alcance de lucros. O vídeo da campanha do MPT tem direção do cineasta pernambucano Heitor Dhalia e mostra um chefe reunindo vários subordinados para apontar um deles, chamando-o de “incompetente do mês”. O dinheiro para a campanha veio de um termo de ajuste de conduta (TAC) que o MPT-SP firmou com a Samsung em dezembro de 2014. Sobre a campanha, a médica e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, comentou, em entrevista à Rádio Brasil Atual, que o assédio moral é uma violência psicológica cotidiana exercida nas empresas, que pode ocorrer de diversas maneiras. Ela ressalta que o trabalhador que sofre a agressão não pode se isolar. Nesse sentido, repudiamos chefias que sugerem que trabalhadores peçam demissão, que dão tarefas sem sentido, que controlem o tempo de idas ao banheiro, que tornem público algo íntimo do/a subordinado/a, usem de difamação e ridicularizem seus subordinados.

sorocaba

Santa Casa alerta para ação de estelionatários O grupo gestor da Santa Casa de Sorocaba alerta a população sobre a ação de estelionatários que têm procurado familiares de parentes internados no hospital para fazer cobranças financeiras indevidas. Os criminosos tentam cobrar R$ 1.500 dos familiares a título de custos com procedimentos e exames. A administração da Santa Casa esclarece, porém, que o

hospital não cobra nada pelos serviços realizados, pois os procedimentos, inclusive do Pronto Socorro, são totalmente executados com verba do Sistema Único de Saúde (SUS). Quem receber telefonema fazendo esse tipo de cobrança deve informar a tentativa de golpe à Santa Casa, pelo telefone (15) 2101-8036, além de registrar Boletim de Ocorrência.

Folha Metalúrgica Informativo do SMetal Sorocaba Diretor responsável: Ademilson Terto da Silva (Presidente) Jornalista responsável: Paulo Rogério L. de Andrade Redação e reportagem: Paulo Rogério L. de Andrade Fernanda Ikedo

www.smetal.org.br diretoria@smetal.org.br

Sede Sorocaba: Rua Júlio Hanser, 140 - Lageado Tel. (15) 3334-5400 Sede Iperó: Rua Samuel Domingues, 47 - Centro Tel. (15) 3266-1888

Fotografia: José Gonçalves Filho (Foguinho)

Sede Araçariguama: Rua Santa Cruz, 260 - Centro Tel (11) 4136-3840

Projeto Gráfico e Editoração: Lucas Eduardo de Souza Delgado Cássio de Abreu Freire

Sede Piedade: Rua José Rolim de Goés, 61, Vila Olinda. Tel. (15) 3344-2362

Auxiliar de Redação: Gabrielli Duarte

Impressão: Bangraf Tiragem: 30 mil exemplares


Folha Metalúrgica - Agosto de 2015 - Ed. 796

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decisão judicial

Depois de 15 dias fechada por ordem da Justiça Federal, devido a dívidas com o dono do terreno onde está instalada, a Tecnomecânica Pries, em Sorocaba, reabriu na tarde de terça-feira, dia 4, por determinação da Justiça Cível, e retomou a produção na manhã desta quarta-feira, dia 5, mas sem previsão de pagamento dos salários atrasados dos trabalhadores. Os 150 trabalhadores da empresa, que produz componentes para a linha branca, como fogões e geladeiras, estão com dois meses de salários atrasados e três meses sem receber a cesta básica de alimentos. Como a decisão de reabertura foi cumprida na tarde de terça, não houve tempo de avisar todos os funcionários sobre a volta das atividades na manhã de quarta. Dos cerca de 90 trabalhadores que foram para a fábrica, 60 decidiram retomar suas atividades. Outros 30 voltaram pra casa após saberem que não tinham perspectiva de receber os salários atrasados. O Comitê Sindical de Empresa (CSE) da Pries conta com dois integrantes, Sérgio João e Joel Camargo; que acompanharam o retorno dos funcionários, juntamente com o vice-presidente do SMetal, Tiago Almeida, e o coordenador regional da CUT, Joselito Mansinho.

Fotos: Foguinho

Pries reabre, mas sem previsão de pagamento dos salários

Sindicato: A primeira conversa dos trabalhadores na manhã de quarta foi com dirigentes do SMetal, em frente à empresa

Situação da empresa

Antes de decidir se retornavam ou não para suas funções, os trabalhadores tiveram uma reunião com o gestor da empresa, Delcides Barbosa, que explicou a situação jurídica e financeira da Pries e as perspectivas de futuro. “Não vou criar ilusões para vocês. Estamos voltando em uma situação mais difícil do que quando fechamos, 15 dias atrás. Perdemos credibilidade com clientes. Não temos condições de falar sobre pagamento agora”, afirmou o gestor na reunião. Delcides passou a administrar a empresa após a aprovação de uma recuperação judicial (RJ), em maio deste ano. Com a RJ, a Pries obteve a chance de negociar a dívida com credores, sob supervisão da Justiça, ao mesmo tempo em que tenta se recuperar financeiramente.

Retorno: Após 15 dias fechada, portões foram reabertos

Gestor: Já dentro da fábrica, gestor da Pries explicou situação

RESCISÃO INDIRETA • O SMetal disponibilizou para os trabalhadores da Pries a opção de abrir processos para rescisão indireta de contrato de trabalho, visto que a empresa não se dispõe a dispensar funcionários. • Com a rescisão indireta o trabalhador rompe seu vínculo com a empregadora e pode requerer o seguro-desemprego ao mesmo tempo em que aciona a empresa na Justiça para garantir seus direitos trabalhistas no futuro.

campanha salarial

Edu Guimarães/SMABC

FEM já começou a negociar com quatro grupos patronais

Pauta: Nas primeiras reuniões, dirigentes da FEM reforçaram as reivindicações

A Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM) teve, nos últimos dias, as primeiras negociações sobre a campanha salarial com as bancadas patronais do setor. A data-base da categoria é 1º de setembro. A pauta de reivindicações foi entregue aos grupos metalúrgicos dia 3 de julho. A primeira reunião foi dia 23 de julho com o Grupo 3 (autopeças, forjarias e parafusos). No dia seguinte, 24, o diálogo inaugural foi com o grupo das Fundições. Dia 30 foi a vez da abertura das negociações com o Grupo 2 (máquinas e eletroeletrônios). Nesta quarta-feira, 5 de agosto, a reunião foi com o Grupo 8 (trefilação, lamina-

ção, refrigeração, entre outros). O Grupo 10 (lâmpadas, equipamentos odontológicos, entre outros) ainda não marcou reunião.

A pauta

Nesses primeiros encontros a FEM tem reforçado as reivindicações, como reposição da inflação e aumento real de salários, unificação e valorização dos pisos salariais, redução da jornada e ampliação das cláusulas sociais. Em breve devem acontecer as primeiras assembleias de mobilização da campanha salarial, lideradas pelo SMetal, nas fábricas metalúrgicas da região de Sorocaba.


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Divulgação

encontro de bandas Banda Efeito Imoral tocará repertório nacional no 10° Rock dos Metalúrgicos QUANDO?

• 30 de agosto, a partir das 13h30, no Parque das Águas, Jardim Abaeté. De graça!

DETONAUTAS

• O show de encerramento do Rock dos Metalúrgicos será com a banda Detonautas e está previsto para às 20h

No dia 30 de agosto a banda Efeito Imoral será uma das atrações no palco do 10° Rock dos Metalúrgicos, que será realizado no Parque das Águas, no Jardim Abaeté, a partir das 13h30. A banda, com pouco mais de um ano de formação, tem em seu repertório alguns clássicos nacionais do rock dos anos 80, pelo qual é diretamente influenciada, e também apresenta versões de músicas da Jovem Guarda, como canções de Roberto Carlos.

Esta será a segunda participação da Efeito Imoral no evento, a primeira foi na 9ª edição, em 2014. Os músicos integrantes são Anderson da Silva - guitarrista; Marcel Bartholo - vocalista e guitarrista; William Ricardo Garcia contra baixo; e Helio Garcia Júnior - baterista. Anderson da Silva, o Copinho, é músico, metalúrgico da ZF do Brasil na planta 2 e dirigente do SMetal. Ele concilia os ensaios da banda com o trabalho. “Nós ensaiamos todas

as quintas-feiras em um estúdio de um amigo que também tem uma banda de rock”, afirma o guitarrista. O público em geral está convidado para curtir de graça o 10° Rock dos Metalúrgicos, que terá o show do Detonautas no encerramento. O evento homenageia o Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho, com shows de bandas com pelo menos um integrante metalúrgico.

MMA

Com um octógono de 10x10m de área total, no padrão do Ultimate Fighting Championship (UFC), o Clube de Campo do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) receberá, no mínimo, 20 lutadores de MMA pelo evento Higen Fight Championship (HFC) neste sábado, dia 8. Os lutadores têm de 18 a 32 anos e são de Sorocaba e região. Wingrid, de Itapeva; e Pamela, de Iperó, serão as duas únicas mulheres a combater no octógono. As principais lutas, dos atletas mais experientes, serão entre Vitor Nunes x Artur Samurai e Renan Cyborg x Luan Slayer. O organizador do evento, o ex-lutador Renato Higen, 27 anos, explica que são três rounds cada luta, que pode chegar a 18 minutos. Esta será a quarta edição do HFC que espera um público de 1.200 pessoas. Os portões vão abrir às 17h. A primeira luta será às 19h. O evento deve terminar por volta das 23h. Ainda há convites à venda na lanchonete do Clube, no Éden; e na cantina da sede do SMetal, em Sorocaba. Sócios e dependentes pagam R$ 20 (arquibancada) e R$ 30 (cadeira Vip). Para não-sócios os preços são R$ 30 e R$ 40, respectivamente. O evento será transmitido ao vivo pelo www.iwtv.com.br e cobertura oficial pela ITV, canal 24 da NET em Sorocaba

Trabalho social

Higen mantém um projeto social em Soro-

Foguinho

HFC prepara clube para evento de sábado

SAIBA MAIS • MMA - MMA é a sigla de Mixed Martial Arts, que significa “artes marciais mistas”. • Origem - Apesar da sigla em inglês, os combates mistos nasceram no Brasil, por iniciativa do lutador de Jiu-Jitsu Carlos Gracie, entre os anos 80 e 90. Lutador Metalúrgico: O organizador do evento, Renato Higen, é ex-metalúrgico. No início da carreira chegava a trabalhar 12h na fábrica e depois ia direto para o treino

caba e é padrinho de outro projeto em Iperó. Cerca de 300 jovens são treinados para o MMA nesses projetos. “O HFC é um evento para abrir portas para atletas que não tem condições financeiras e para projetar atletas para carreiras nacional e internacional”, conta.

Perfil

O sorocabano Renato Higen começou a treinar aos 14 anos e conta que, em sua primeira luta, conquistou o terceiro lugar em

uma disputa nacional, graças à sua técnica de chute. Ganhou vários combates e se aposentou do octógono em 2014, após diversas lesões. Mesmo após ter fraturado as mãos, os dedos, ter quebrado cinco dentes, drenado várias vezes as orelhas, passado por três ataques cardíacos, ele comenta que sente vontade de voltar a lutar. “Mas olho para os meninos do projeto e vejo que o trabalho que realizo com eles me dá muita satisfação”.


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