vida saudável_POR SUZANA MATTOS
O melhor
do mundo Murilo Endres, ponta da seleção brasileira de vôlei e eleito o principal jogador do Campeonato Mundial de Voleibol, na itália, mostra que a qualidade de campeão vai além do trabalho apresentado nas quadras
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FOTO: thiago PavoNi
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er atleta requer disciplina, disposição e energia para aguentar horas de treino. Ter uma alimentação balanceada e saudável, além de preparação física e emocional, portanto, são requisitos fundamentais. Murilo Endres, ponta da seleção brasileira de vôlei e eleito o melhor jogador do Mundial de Vôlei, que aconteceu na Itália, concorda. E ainda acrescenta: “É disso que precisamos para entrar em quadra”. Solícito e simpático, o gaúcho de Passo Fundo (RS) revelou em entrevista à VIDA NATURAL que faz quase cinco refeições por dia e segue uma dieta com carboidratos e proteínas quando está concentrado para os jogos. Mas, como ninguém é de ferro, o jogador, de 29 anos e 1,93 metro de altura, não dispensa um bom churrasco gaúcho. Mas só aos fins de semana...
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VIDA NATURAL – Qual é a sensação de ser eleito o melhor jogador do Mundial de 2010 na Itália? Murilo – Não sei. É muito difícil encontrar palavras que descrevam esse momento. É mais do que um sonho. É o resultado de uma vida inteira e uma carreira toda em que eu me dediquei. Com tanta gente que admiro no time, eu ser eleito o melhor é difícil de descrever e até de acordar desse sonho.
VN – Essa alimentação é mantida mesmo nas viagens? Murilo – Sim. Nós temos um cardápio balanceado e não almoçamos em restaurantes típicos do lugar nos dias de jogo. Mas quando temos folgas entre as partidas, saímos à procura de restaurantes brasileiros, pois sentimos falta do arroz e do feijão daqui.
VN – Qual é a base da alimentação de um atleta? Murilo – Nós estamos sempre concentrados e, por isso, temos uma alimentação balanceada indicada por especialistas da Federação Brasileira de Voleibol (FBV). Fazemos quase cinco refeições por dia, entre café da manhã, almoço e jantar. Nos intervalos do treino, consumimos muitas frutas também. Basicamente, a nossa alimentação são carboidratos, como arroz, feijão e macarrão, e proteínas, como saladas e verduras. Em quadra, nós precisamos ter muita disposição e energia.
VN – Qual é o seu “petisco” favorito entre as refeições? Murilo – As frutas. Aqui em casa, uma coisa que não falta são as frutas. Eu gosto muito de banana, ameixa, goiaba. Às vezes, estou saindo para o treino e pego uma fruta. Volto do treino e pego outra.
Jogadores da seleção brasileira no Campeonato Mundial de Voleibol, na Itália
VN – O que não pode faltar na sua geladeira? Murilo – Peito de peru e queijo. Meu café da manhã é sempre esse: pão, peito de peru e queijo. Isso nunca vai faltar.
FOTOs: divulgação / FivB
VN – Fora dos treinos, você segue alguma dieta específica? Murilo – Quando estamos jogando, seguimos regras de horários e alimentos estabelecidos pela Federação. Fora, eu costumo ter os mesmos cuidados com a minha alimentação.
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“Aqui em casa, uma coisa que não falta são as frutas. Eu gosto muito de banana, ameixa, goiaba”
VN – Qual é o seu prato predileto? Murilo – Com certeza o churrasco. Eu gosto demais (risos). Mas não todos os dias. Só aos fins de semana. VN – Você gosta de cozinhar? Murilo – Olha, eu não morro de fome (risos). A minha especialidade é o arroz carreteiro. Esse é o único prato que eu me garanto. Minha mãe me ensinou e, por isso, eu o faço muito bem. O arroz carreteiro é uma comida bem típica do Rio Grande do Sul, minha cidade natal. VN - Com relação ao esporte, você pratica outra atividade física além do vôlei? Murilo – Não. O vôlei nos toma 100% do tempo. VN – O que faz para relaxar? Murilo – Assisto a filmes, vou ao cinema, passeio com o cachorro. Faço coisas para distrair a mente, mas nada de especial. Eu e minha esposa não saímos muito. Nosso lazer é caminhar no shopping, almoçar em um lugar diferente. VN – Você não é muito de sair por conta do assédio da imprensa e dos fãs? Murilo – Não, imagina. A culpa não é da imprensa. Mas nós ficamos a semana toda jogando e, quando chegamos em casa, gostamos – pelo menos eu gosto – de ficar jogado no sofá assistindo televisão. É uma das coisas que eu mais gosto de fazer. 18
VN – Você é adepto de terapias alternativas? Murilo – Não, mas quando fomos jogar na Colômbia (em 2009 no Campeonato Sul-Americano), fizemos alguns exercícios de ioga, indicados pelos responsáveis da seleção brasileira, para treinarmos a respiração, pois o clima de lá é muito pesado. Esse foi o único contato que eu tive com a prática. Acredito que o resultado tenha sido satisfatório para todos os jogadores envolvidos. Particularmente, achei a experiência bem interessante. VN – Qual foi a viagem mais marcante que você já fez? Murilo – Fiz pouquíssimas viagens nos meus tempos de folga. Mas a mais marcante foi quando viajei a Recife com a minha esposa. Ficamos em um resort. Foi ótimo. Aproveitamos a praia e descansamos. Nada de voleibol.
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VN – E quanto às viagens com a seleção? Murilo – Nós ficamos focados nos treinos. Não dá para conhecer muito os lugares. De qualquer maneira, adoro quando vamos ao Japão. Os japoneses são muito interessantes. Eu adoro ver as novidades do lugar. VN – Qual recado você daria para quem vai começar no voleibol? Murilo – Quando eu comecei a jogar, encarava a atividade como uma diversão e não como uma futura profissão. A coisa foi ficando séria quando recebi propostas dos clubes. Mas eu costumo aconselhar os novos jogadores a se divertirem com os amigos. O voleibol é uma atividade em grupo. Então, reúna os amigos e aproveite para se divertir. O vôlei é muito gostoso de praticar.
Murilo Endres é irmão de Gustavo Endres, meio de rede da seleção brasileira de voleibol (hoje, fora das quadras). Está no esporte desde os 17 anos e possui uma carreira cheia de conquistas: Méritos pEla sElEção brasilEira 2000 – vice-campeão sul-americano juvenil. 2001 – campeão mundial juvenil 2004 – campeão da liga Mundial de Voleibol, em roma 2005 – campeão da liga Mundial de Voleibol, em belgrado, e medalha de ouro na Copa dos Campeões, no Japão. 2006 – campeão da liga Mundial de Voleibol, em Moscou, e campeão do Mundo, no Japão. 2007 – campeão pela liga Mundial de Voleibol, na polônia, campeão pan-americano, no rio de Janeiro, e medalha de ouro na Copa do Mundo, no Japão. 2008 – medalha de prata nos Jogos olímpicos em pequim, na China. 2009 – campeão da liga Mundial de Voleibol, em belgrado 2010 – campeão da liga Mundial de Voleibol, na itália (eleito o melhor jogador do torneio)
FOTO: shutterstock
VN - Quais são os seus planos futuros? Murilo – Assinei um contrato com o Sesi/SP, clube em que eu treino, por mais três anos. Apesar de a equipe ser nova, estamos apostando em conseguir o título da Superliga Brasileira de Voleibol. Esse é o nosso objetivo. Eu quero continuar no Sesi até decidir parar de jogar vôlei. Não tenho motivos para voltar ao exterior.
Trajetória do melhor do mundo
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