Este livro ignora, intencionalmente, a coleira do pertencimento. Ninguém precisa ser funkeiro para gostar de funk. Como ninguém é erudito porque chora quando escuta a 9ª Sinfonia de Beethoven, ou metaleiro porque sabe de cor uma balada do Metallica, ou pagodeiro porque adora Fundo de Quintal. O funk, como qualquer outro estilo, é feito de boas e más canções, algumas eternas, outras que duram apenas um verão. Essas canções têm mensagens positivas, mensagens de alerta ou letras debochadas e desbocadas para divertir e chocar. É povoado de músicos e DJs talentosos, e de outros com pouquíssimo ou nenhum talento. Tem belas vozes e vozes irritantes. E, como qualquer outro estilo musical, tem para todos os gostos. Este livro é uma homenagem ao poder criativo do funk carioca e à sua história decenária de sucesso e resistência cultural. O funk é inevitável e vale a pena se entregar. Para, pelo menos, tirar dele o melhor. Palavra de “playboy”.
Rafael de Pino, jornalista